Inserção dos egressos do curso de graduação em enfermagem de uma universidade
particular do Grande ABC no mercado de trabalho
1 Introdução
A Graduação em Enfermagem é uma das modalidades de cursos e programas que se
enquadram no que está definido no artigo 44 da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional(1) No. 9394/96. Após a promulgação da referida lei, houve
grande aumento no número desses cursos, o que provocou alterações no mercado de
trabalho do enfermeiro. Não se pode dizer que o mercado se ampliou por causa do
aumento do número de cursos, mas a manutenção do elevado número de vagas nos
cursos, por relativo espaço de tempo, é indicativa da possibilidade de absorção
desses profissionais. Ou seja, ainda que pareça inadequado afirmar que a lei
maior de ensino estimulou a abertura de novos cursos e vagas, é fato inegável
que provocou aumento no número de universidades e centros universitários, que
têm autonomia para implementar esta prática. Esta condição pode ter agilizado a
tomada de decisão dessas instituições para a abertura de novos cursos e
ampliação de vagas na graduação em Enfermagem, ao considerar como se apresenta
o mercado de trabalho e nele provocando reflexos.
Pesquisadores(2) estudando os postos de trabalho indicados nas pesquisas sobre
Assistência Médico Sanitária do IBGE de 1978, 1980, 1986, 1992 e 2000 apontaram
um crescimento de 435,5% nas oportunidades de trabalho para enfermeiros nas
três últimas décadas do século XX. As autoras atribuem esse crescimento,
principalmente, ao aumento de oferta de empregos públicos para a categoria,
como conseqüência da municipalização dos serviços de saúde. Constataram ainda
que, apesar da reorientação para as atividades de saúde pública, 68,8% dos
postos de trabalho para enfermeiros em 1999 estava concentrada nas instituições
de saúde que possuíam internação.
De fato, Sanna(3) comparou o crescimento no número absoluto de enfermeiros nos
últimos anos com a projeção de necessidades para atendimento dos leitos
hospitalares e do Programa de Saúde da Família, evidenciando o crescimento de
oportunidades de trabalho para este profissional no nosso país.
O aumento no número de cursos de Graduação em Enfermagem de 1978 até 2000 foi
da ordem de 462%, num total de 157 cursos em atividade. O salto observado em 22
anos é indicativo do aumento da procura por esses cursos e sua proporção é
quase idêntica à do aumento dos postos de trabalho.
A contemplação desses dois fenômenos - aumento na procura e no número de vagas
e cursos, enseja uma análise mais detalhada do tema pelos agentes formadores.
Porque a qualidade do profissional formado e as condições de absorção deste
pelo mercado de trabalho são aspectos importantes para a definição e
implementação do projeto pedagógico dos cursos de graduação em Enfermagem.
É preciso lembrar que há mecanismos legais de avaliação das instituições de
ensino, como o Exame Nacional de Cursos. Para a Enfermagem, este avaliaria
principalmente as condições de oferta de cursos de graduação(4). Sua repetida
aplicação poderá resultar em eventuais restrições à expansão do número dos
cursos. Ainda que isto ocorra, a relação entre as oportunidades de trabalho e
ingresso e titulação no curso superior continuarão a influenciar a manutenção
do quadro atual.
Porém, não basta cotejar as dimensões oferta e procura de profissionais e
considerar a situação equacionada. Há que se importar com as formas e condições
de inserção dos egressos das instituições formadoras no mercado de trabalho.
O mercado de trabalho requer atualmente profissionais preparados, não só para
fazer frente aos aspectos técnicos como para o exercício da dimensão sócio-
política do papel de enfermeiro. O alcance deste objetivo não é atribuição tão
somente das entidades formadoras. Ele deve ser perseguido ao longo de toda a
trajetória profissional contando-se, para isso, com o indispensável
envolvimento do indivíduo nesse projeto, para o qual se torna imperativa sua
participação nas entidades de classe.
Embora não caiba apenas à formação acadêmica a responsabilidade de preparar o
enfermeiro para o desempenho de todos estes papéis, ao formador compete o dever
de providenciar para que minimamente se ofereça aos graduandos os
conhecimentos, habilidades e atitudes básicos para o enfrentamento da situação
profissional. Para fazê-lo a instituição formadora necessita conhecer como o
seu produto está sendo recebido no mercado de trabalho, que demandas lhe estão
sendo apresentadas no momento desta inserção e quais as respostas que está
sendo capaz de dar a esta situação. Assim, investigar junto ao egresso como se
dá a sua inserção no mercado de trabalho revela-se extremamente oportuno.
Poucos estudos sobre egressos de cursos de enfermagem foram encontrados na base
de dados LILACS em junho de 2002, a partir das palavras-chave - ensino,
egressos e enfermagem. Dos quatro estudos que enfocaram a inserção do recém
graduado no mercado de trabalho, um deles(5) acompanhou a trajetória dos
formados em uma única escola por vinte anos, outro(6) avaliou o egresso sob a
ótica de suas chefias imediatas, um terceiro(7) usou os indicadores de
qualidade do Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras
- PAIUB. O último(8) indagou diretamente os graduados sobre a preparação para o
ingresso no mercado de trabalho e sua satisfação com a profissão.
A apreciação das pesquisas supracitadas ensejou a reflexão sobre a oportunidade
e a conveniência de conhecer a realidade do curso de graduação em enfermagem de
uma universidade particular do Grande ABC, que oferece esta formação desde a
metade dos anos noventa. Atualmente, o ingresso ocorre duas vezes por ano, com
100 alunos por turma O currículo tem duração de quatro anos, com carga horária
em torno de 4400 horas, e é composto de atividades teóricas, teórico-práticas e
práticas que são realizadas em várias instituições de saúde, públicas e
privadas, situadas na mesma região geográfica da sede do curso. Adota o regime
de contratação de professores como horistas, possui laboratórios e biblioteca
próprios.
A inexistência de informações sobre a inserção dos egressos no mercado de
trabalho levou à proposição do presente estudo, com o qual se espera
contribuir, não só para o aprofundamento do conhecimento dessa questão como
para o aperfeiçoamento do ensino ministrado.
Assim, os objetivos deste estudo são: Caracterizar os egressos de um curso de
graduação em enfermagem quanto a dados demográficos e escolaridade
complementar; Analisar as condições de inserção desses egressos do curso no
mercado de trabalho; e Verificar se os enfermeiros graduados por esse curso são
filiados a entidades de classe.
2 Metodologia
Trata-se de um estudo exploratório descritivo retrospectivo, tendo como objeto
a inserção, no mercado de trabalho, dos graduados nessa universidade no período
de 1997 a 2001. Cuja população do estudo é constituída dos egressos das oito
turmas formadas pela universidade no período de 1997 a 2001, num total 439
sujeitos.
Os dados foram colhidos por meio da aplicação de um questionário enviado à
residência dos egressos, acompanhado de envelope resposta selado para
devolução, bem como de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A devolução
do questionário preenchido acompanhado do termo assinado implicava no aceite do
ex-aluno em participar do estudo, observando-se, dessa maneira, o que prevêem
as normas para realização de pesquisas com seres humanos.
O instrumento constava de perguntas fechadas e foi testado previamente com
população similar à população alvo. Os dois documentos, assim como o projeto de
pesquisa, foram submetidos à análise e manifestação de Comissão de Ética em
Pesquisa.
O período de aplicação foi de quatro meses a contar da data da postagem, findo
o qual foi feito contato telefônico com os que deixaram de remeter suas
respostas e com os destinatários das correspondências que retornaram ao
remetente, enviando-se novamente os instrumentos de coleta. Dois meses após
esse procedimento foi encerrada a coleta de dados, obtendo-se 80 respostas,
correspondendo a 18,22% do total enviado.
Para a análise do material coletado foi construído um banco de dados numa
planilha Excel, posteriormente submetido à aferição de freqüência simples e
relativa, para isso empregando-se recursos eletrônicos.
3 Resultados
Os ex-alunos que enviaram os questionários de volta aos pesquisadores,
responderam a quase todas as perguntas, havendo um percentual maior de ausência
de respostas quando se indagou sobre remuneração. As respostas foram
categorizadas nos termos definidos nos objetivos propostos para o presente
trabalho, como será apresentado a seguir.
3.1 Dados demográficos
A maior parte dos ex-alunos era do sexo feminino (82,5%), tinha entre 25 e 35
anos (43,75%), era solteiro (53.75%) e sem filhos (58,75%). Os dados informam
que parece ter havido um decréscimo na idade de inserção no curso de graduação
em enfermagem a partir da primeira turma de 2000.
A presença significativa de adultos mais velhos, mesmo nas turmas mais
recentemente tituladas é um indicativo de que uma boa parte dos egressos já era
trabalhador antes de cursar a faculdade ou, pelo menos, já possuía obrigações
familiares, como atesta a existência de filhos - para 41,25% do total de
respondente, e a somatória da freqüência de casados, desquitados, divorciados e
viúvos (46,25%). Sobre os alunos trabalhadores vale registrar ainda que 72,5%
informaram já serem profissionais da área da saúde (57,5% auxiliares de
enfermagem e 6,25% técnicos de enfermagem) antes de concluírem o curso.
Embora a maioria não tenha filhos, a observação da série histórica pode sugerir
que talvez seja uma questão relacionada ao tempo, uma vez que os alunos que se
formaram primeiro são os que têm proporcionalmente maior descendência. Os
números prevalentes são de um e dois filhos (27,5% do total de ex-alunos),
caindo para 13,75% os de maior prole. Considerando a hegemonia feminina no
curso, o adiamento na decisão de ter filhos pode ter influenciado na inserção
no mercado de trabalho.
Menos da metade dos ex-alunos (28,75%) moravam na mesma cidade onde se localiza
a atual sede da faculdade; 6,25% moravam em São Caetano do Sul, onde se
localizava a antiga sede; 18,75% moravam em São Bernardo do Campo; 7,5% em
Diadema; 5% em Ribeirão Pires e 8,75% em Mauá, todas cidades da região do
Grande ABC. Dos restantes, 16,25% moravam em São Paulo 2,5% em Santos e, em
outras cidades do Estado de São Paulo, 2,5%. Essa distribuição indica a forte
inserção da faculdade na comunidade a que pertence, complementada pela rede de
transporte e malha ferroviária e rodoviária que servem à localidade.
3.2 Tempo de formado
De um total de 80 alunos que responderam ao questionário, 7,5 % eram formados
na primeira turma (1997), 11,25% na segunda (1998), 32,5% em 1999, 21,25% em
2000 e 27,5% em 2001. Obviamente o maior tempo de formado exerce influência nas
condições de inserção no mercado de trabalho.
3.3 Escolaridade complementar
As questões que abordaram esse tema permitiam respostas múltiplas. Do apurado,
21,25% dos respondentes informaram ter freqüentado cursos de difusão cultural
(até 30 horas de duração), 28,75% de atualização (até 60 horas de duração),
13,75% de aperfeiçoamento (entre 60 e 90 horas), 23,75% de treinamento (mais
que 90 horas) e 45% de especialização. Destes, 2,5% cursaram residência ou
aprimoramento em enfermagem e 1,25% o mestrado. Nota-se que o maior interesse
dos respondentes esteve concentrado nos cursos de especialização. Pelo fato da
universidade oferecer essa oportunidade, pode-se inferir que houve condições
facilitadoras para a participação dos alunos nesse tipo de curso.
As áreas do conhecimento às quais os cursos estavam vinculados foram: Saúde
Coletiva (23,75%), Administração em Enfermagem (21,25%), Cuidado ao Paciente em
Estado Crítico (20%), Enfermagem Obstétrica (8,75%), Centro Cirúrgico (6,25%),
Enfermagem Pediátrica (5%), Geriatria/Gerontologia (5%), Saúde do Trabalhador
(5%), Estomaterapia (3,75%), Enfermagem em Saúde Mental (3,75%), Reabilitação
(2,5%) e Oncologia (2,5%). Cerca de 30% dos respondentes afirmaram ter feito
cursos em outras áreas diferentes das indagadas, não indicando quais foram.
Chamou à atenção, ainda, o fato de 21,25% dos egressos não ter participado
denenhum curso, o que mereceria uma investigação à parte.
Quando indagados sobre a área de interesse em fazer cursos no futuro, os
egressos apontaram as seguintes preferências: difusão cultural - 3,74%;
atualização - 10%; aperfeiçoamento - 12,5%; treinamento - 8,75%; especialização
- 58,75%; residência ou aprimoramento em enfermagem - 5% e mestrado - 50%.
Dentre as áreas preferidas estiveram: Saúde Coletiva (35%), Cuidado ao Paciente
em Estado Crítico (26,25%), Administração em Enfermagem (23,75%), Enfermagem
Obstétrica (22,5%), Enfermagem Pediátrica (10%), Saúde do Trabalhador (10%),
Estomaterapia (10%), Centro Cirúrgico (8,75%), Geriatria/Gerontologia (8,75%),
Enfermagem em Saúde Mental (7,5%) e Reabilitação (2,5%).
As condições elencadas pelos egressos para participar dos cursos foram: que
fosse ministrado preferencialmente no período noturno (28,75%), seguido do
matutino (17,5%) e vespertino (7,5%), em local próximo ao trabalho ou à
residência (50%). Alguns condicionaram sua participação ao recebimento de
recompensa ao término (2,5%). Para participarem desses cursos os egressos
registraram serem condições necessárias: ter mais dinheiro (60%), ter maior
disponibilidade de tempo (56,25%), ser num horário favorável (27,5%), contar
com financiamento (8,75%) e ter vontade (1,25%).
3.4 Condições de inserção dos egressos do curso no mercado de trabalho
Estavam empregados no momento em que preencheram os questionários, 74 (92,5%)
dos respondentes. Dentre estes, houve 43,75% que conseguiram seu primeiro
emprego um mês depois de formado, 6,25% após dois meses, 13,75% após três
meses, 10% após quatro meses, e 18,75% quatro meses.
Cinqüenta e cinco egressos (68,75%) prestaram um total de trinta e três
concursos públicos em instituições diferentes do Estado de São Paulo, nos quais
foram aprovados 69 vezes e reprovados em 34. O selecionador mais freqüente foi
a Prefeitura do Município de São Paulo, para cujo concurso se inscreveram 25
ex-alunos, sendo aprovados 16 e 9 reprovados.
Dentre as fontes de recrutamento, por meio das quais foram informados das
oportunidades de trabalho, estão: colegas de faculdade (40%), jornais (36,25%),
currículos enviados por correio eletrônico convencional (26,25%), divulgação de
oportunidades de promoção interna na empresa (18,75%), informações capturadas
da internet (10%), indicação de professores da faculdade (7,5%), agência de
empregos (6,25%), locais de estágios extracurriculares (5%), locais de estágios
curriculares (3,75%), e centros acadêmicos (1,25%).
Os processos seletivos de que participaram foram constituídos de uma ou mais
das seguintes modalidades: prova escrita (82,5%), entrevista (52,5%), dinâmica
de grupo (40%), análise de currículo (35%), prova oral (25%), testes
psicométricos (21,25%) e prova teórico-prática (18,75%).
Afirmaram ser profissionais de saúde antes de concluir o curso de graduação, 58
(72,5%) respondentes, sendo 1 psicólogo, 1 técnico de patologia, 46 auxiliares
de enfermagem, 5 técnicos de enfermagem, 3 instrumentadores cirúrgicos e 1
escriturário que trabalhava em instituição de saúde.
À época do preenchimento do questionário, apenas 2 ex-alunos estavam
desempregados. A maioria tinha entre um (48,75%) e dois empregos (46,25%),
havendo 2 alunos com três empregos. As instituições empregadoras prevalentes
eram instituições públicas (50% dos postos de trabalho ocupados pelos egressos)
seguidas de instituições privadas não filantrópicas (33,3%). As instituições
filantrópicas eram responsáveis pelos outros 16,7% postos de trabalho ocupados
pelos egressos. Eram cooperados e autônomos 23 dos egressos e dois não
informaram sua condição.
A maioria desempenhava funções de enfermeiro assistencial em hospitais
(41,25%), seguidos de docência em curso de formação profissional de auxiliares
e técnicos de enfermagem (27,5%). Outros 50% dividiam-se igualmente nas funções
de enfermeiro-chefe de unidade e enfermeiros supervisores.
Antes do(s) emprego(s) que ocupavam quando preencheram o questionário, 20 ex-
alunos (25%) já haviam trabalhado e se desligado de 1 emprego, 12 (15%) de dois
empregos, 6 (7,5%) de mais que três empregos e 2 (2,5%) de mais que 4
empregos.Os demais 40 ex-alunos (50%) permaneciam vinculados ao seu primeiro
emprego.
A maior parte dos empregos localizava-se em instituições sediadas na cidade de
São Bernardo da Borda do Campo (28,75%), seguidos da cidade de Santo André
(25%), São Caetano do Sul (12,5%) e na zona Sul da Cidade de São Paulo
(18,75%), ou seja, em locais próximos à universidade.
O rendimento prevalente auferido pelos ex-alunos, tomando como indicador o
salário profissional do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (2002)
- R$ 846,70 (oitocentos e quarenta e seis reais e setenta centavos), ficou
entre R$1.395,70 e 2.310,70 (35% dos respondentes), seguido da faixa entre R$
2.310,71 e 3.225,70 (21,25% dos respondentes) e da faixa entre 3.225,71 e
4.140, 70 (20% dos respondentes).
3.5 Filiação a entidades de classe
Dos 80 ex-alunos 58 (72,5%) afirmaram não pertencer a nenhuma entidade de
classe de filiação voluntária; 22 (27,5%) deles eram associados às seguintes
entidades: Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (16,25%);
Associação Brasileira de Enfermagem (13,75%); Sociedade Brasileira de
Enfermagem em Dermatologia (1,25%) e Associação Paulista de Estudos sobre o
Controle da Infecção Hospitalar (1,25%).
Nota-se o pouco interesse desses enfermeiros em participarem de esforços
coletivos para a discussão de questões e proposição de soluções de temas
relativos à profissão e à saúde.
4 Conclusões
A caracterização demográfica dos egressos do curso em análise, no período
estudado, indicou que a população é constituída por adultos jovens,
predominantemente do sexo feminino, solteiro e sem filhos, moradores da região
em que se situa a universidade. A grande maioria já era profissional da área da
saúde quando concluiu o curso.
Uma boa parte dos egressos já possuía o título de especialista em Enfermagem e
muitos pretendiam obtê-lo. Enquanto não o faziam, participavam freqüentemente
de cursos de difusão cultural, aperfeiçoamento e treinamento. Poucos já estavam
inseridos em programas de mestrado, mas a metade dos respondentes manifestou
interesse nessa modalidade de ensino. As condições necessárias para o
prosseguimento nos estudos estavam vinculadas principalmente à disponibilidade
de tempo e recursos financeiros.
A inserção dos egressos do curso no mercado de trabalho se deu rapidamente após
a conclusão do curso, muitos tendo já experimentado mais de um emprego. O
encontro da oportunidade de emprego se deu principalmente através de colegas da
própria faculdade. O acesso foi precedido de concurso público para a maioria
dos respondentes, nos quais obtiveram bom resultado. Os processos seletivos
empregaram mais de uma modalidade de testagem, sendo a prova escrita o recurso
mais freqüente.
A maior parte dos alunos possui de um a dois empregos, em postos de trabalho
públicos, na cidade onde se localiza a universidade e outras próximas a ela.
Desempenha principalmente as funções assistenciais, seguidas das gerenciais,
permanecendo no primeiro emprego e percebendo entre um e meio e três salários
profissionais.
A maioria dos enfermeiros graduada por esse curso não é voluntariamente filiado
a entidades de classe, sendo as mais freqüentes, entre os que são associados, a
ABEn e o Sindicato.
O estudo indica a rápida aceitação dos egressos do curso em análise pelo
mercado de trabalho, na comunidade a que pertence, em posições relativamente
favoráveis. A atitude do egresso em relação ao seu desenvolvimento profissional
demonstra possibilidades de crescimento, sendo desejável o prosseguimento do
estudo para acompanhamento do fenômeno a médio e longo prazo.