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BrBRCVHe0004-28032003000200007

variedadeBr
ano2003
fonteScielo

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Colonoscopia de alta resolução com cromoscopia no diagnóstico diferencial dos pólipos neoplásicos e não-neoplásicos ARTIGO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLEINTRODUÇÃO Com o desenvolvimento da colonoscopia com magnificação de imagem, durante os anos 80 por TADA e KAWAI(11), pôde-se estudar a microestrutura da superfície mucosa colorretal in vivo. A partir daí, sua combinação com a cromoscopia tornou-se útil no sentido de se detectar pequenas lesões, esclarecer diagnósticos diferenciais entre as lesões polipóides neoplásicas (adenomas) e não-neoplásicas, lesões mucosas ou extramucosas e determinar não somente a extensão lateral de uma lesão, como também a presença de eventuais áreas de invasão da submucosa(5).

Através das classificações propostas por KUDO(4) e MITOOKA et al.(7), pôde-se estudar o padrão de abertura das glândulas intestinais de Lieberkühn (PITS), possibilitando ao endoscopista a perspectiva de prever o diagnóstico histológico durante a execução da colonoscopia.

A classificação de Kudo divide os pólipos em neoplásicos (IIIL, IIIS, IV e V) e não-neoplásicos (I e II). Os óstios do tipo I (mucosa normal), arredondados, estão presentes nos pólipos inflamatórios (Figura_1). Os do tipo II, criptas estreladas, são apresentadas nas lesões hiperplásicas (Figura_2). Os padrões de criptas do tipo IIIL, IV (Figuras_3, 4) e IIIS, respectivamente denominados tubulares grandes, cerebróides e tubulares pequenos, estão associados a lesões neoplásicas. O padrão tipo V significa desorganização estrutural ou ausência das criptas e está presente quando degeneração e muitas vezes invasão da submucosa. Como citado, na cromoscopia, método também estudado por FLEISCHER e KIM(3), em 1997, uma das substâncias utilizadas é o índigo carmim, que sendo um contraste de superfície, evidencia o relevo e as margens das lesões(5).

A colonoscopia de alta resolução, conseguida através de um CCD (''charge- coupled device''), conhecido como ''chip'' de imagem, na extremidade distal do colonoscópio, tem capacidade de resolução de 410.000 pixels, que proporcionam imagens em alta resolução. Associada à cromoscopia, é método alternativo para a avaliação das lesões colorretais e tem se mostrado importante na detecção e diagnóstico diferencial de lesões pequenas, protrusas (pólipos neoplásicos e não-neoplásicos) e não-protrusas. A importância deste método baseia-se em dados mais recentes que têm mostrado que 40% a 60% dos pólipos menores que 5 mm são neoplásicos(1, 10, 12, 17) e que as lesões não-protrusas, principalmente as deprimidas, muitas vezes menores que 1 cm, podem ser neoplasias avançadas com metástases linfonodais instaladas(14). Outro aspecto que merece ênfase é o fato de que pólipos são encontrados em 20% a 30% das colonoscopias(6, 15) e que a colonoscopia de alta resolução com cromoscopia pode permitir a diferenciação entre lesões adenomatosas e hiperplásicas, obviamente eliminando a necessidade de se remover todos os diminutos pólipos encontrados. Dessa forma, o método proporcionará vantagens quanto a custos e minimização de riscos por parte das ressecções endoscópicas(2, 9, 16).

O objetivo desse estudo foi analisar o potencial da colonoscopia de alta resolução com cromoscopia no diagnóstico diferencial dos pólipos neoplásicos e não-neoplásicos.

PACIENTES E MÉTODO Foram analisadas prospectivamente 74 lesões polipóides colorretais, encontradas em 54 pacientes submetidos a colonoscopia no Serviço de Endoscopia do Hospital Sírio Libanês, São Paulo, SP. O estudo foi aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa do hospital. Estudaram-se 26 pacientes do sexo feminino e 28 do masculino, no período de março a agosto de 2002. A idade variou de 30 a 83 anos (mediana = 59,5). O tamanho dos pólipos variou de 0,2 a 2,6 cm (mediana = 0,6).

Os pólipos encontrados em colonoscopias de rotina, utilizando-se o colonoscópio de alta resolução modelo Olympus Exera® CFQ-160L, foram lavados com solução salina isotônica e submetidos a ação de mucolítico (acetilcisteína), quando necessário. Após, foram corados com índigo-carmin a 0,2% e submetidos a análise de seus PITS por um único observador, utilizando-se a classificação proposta por Kudo (Figura_5), onde os PITS do tipo I e II representam o grupo dos pólipos não-neoplásicos e os PITS do tipo IIIL, IV, IIIS e V o grupo dos neoplásicos. Os espécimes foram, então, ressecados e encaminhados para estudo histopatológico, por um único patologista.

Os resultados obtidos pela colonoscopia de alta resolução com cromoscopia e pelo estudo histopatológico foram comparados para obtenção dos seguintes dados estatísticos: acurácia, sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo, valor preditivo negativo.

RESULTADOS Foram diagnosticadas 74 lesões polipóides. As localizações mais freqüentes dos pólipos foram o cólon sigmóide e transverso, com 17 e 19 pólipos respectivamente. No ascendente foram encontrados 13 pólipos, no reto 12 pólipos, 10 no ceco e 3 no descendente (Tabela_1).

Dos 74 pólipos diagnosticados, 57 foram considerados neoplásicos (55 do tipo IIIL e 2 do tipo IV de Kudo), e 17 não-neoplásicos (2 do tipo I e 15 do tipo II de Kudo). As lesões consideradas neoplásicas pela colonoscopia localizavam-se principalmente nos segmentos proximais do cólon, com 35 delas no transverso, ascendente e ceco. As não-neoplásicas localizavam-se preferencialmente nos segmentos distais, com 10 delas no reto e sigmóide (Tabela_2).

No que se refere à correlação entre o diagnóstico endoscópico realizado pela observação da superfície das lesões diagnosticadas durante a colonoscopia de alta resolução com cromoscopia e o diagnóstico histopatológico, os resultados encontram-se na Tabela_3.

Houve dois casos de carcinoma intramucoso, ambos ocorrendo em pólipos com PITS tipo IIIL, tendo 0,8 e 2 cm, no reto e no transverso, respectivamente.

A acurácia para a determinação do diagnóstico diferencial entre lesões colorretais neoplásicas e não-neoplásicas a partir da observação endoscópica foi de 79,7%. A sensibilidade da colonoscopia de alta resolução associada à cromoscopia para o diagnóstico endoscópico de lesões neoplásicas foi de 88,8% e a especificidade correspondente foi de 55%. O valor preditivo positivo do método relativo ao diagnóstico de lesões neoplásicas foi de 84,2% e o valor preditivo negativo foi de 64,7%.

DISCUSSÃO A colonoscopia vem se firmando cada vez mais como método de eleição para o ''screening'' do câncer colorretal. A ressecção endoscópica de lesões consideradas precursoras, sejam elas polipóides ou planas, quando detectadas e tratadas prontamente em seus estágios iniciais, pode reduzir a mortalidade relacionada ao câncer colorretal. Levando-se em conta que em 20% a 30% dos exames encontram-se pólipos(6, 15), torna-se necessária a obtenção de métodos que, associados à colonoscopia, ajudem a distinguir lesões com potencial de malignização (adenomas) daquelas que não possuem tal risco (hiperplásicas, inflamatórias). Obviamente ressecando-se todas as lesões polipóides encontradas em procedimentos de rotina, os custos destes tornam-se mais elevados. Por outro lado, a não ressecção de lesão diagnosticada deve estar baseada em informações obtidas durante a realização do exame, evitando-se a não intervenção em lesão de linhagem neoplásica.

Como método efetivo para esse propósito, adveio a colonoscopia com magnificação de imagem, que mostra elevados índices de acurácia na distinção entre lesões neoplásicas e não-neoplásicas, alcançando índices de 93,9% e 84,5%, respectivamente, conforme dados publicados por TOGASHI et al.(13). Apesar de permitir altos índices de acerto no diagnóstico diferencial, trata-se de equipamento de alta tecnologia, custos elevados e não disponível na grande maioria dos centros médicos do país. Diante dessa realidade, tem-se tentado reproduzir esses resultados com aparelhos de colonoscopia convencionais que, quando associados à cromoscopia, poderiam fornecer as mesmas informações obtidas com a colonoscopia com magnificação de imagem. No entanto, dessa forma tem-se conseguido menor precisão diagnóstica. Em nosso meio, NAKAO(8) obteve índice de 65,1% de acurácia utilizando aparelho de menor resolução (Olympus® modelo CV-VL, com processadora CVL-U20). em estudo multicêntrico de EISEN et al.(2), onde se utilizaram aparelhos de alta resolução (Fujinon® EC-200 LR e ES-200 ER), foram mostrados índices gerais de acurácia no diagnóstico diferencial entre lesões neoplásicas e não-neoplásicas em torno de 68%, com índices elevados de sensibilidade e especificidade de 82% para ambas. Esses resultados iniciais são bastante importantes, pois poderiam respaldar a utilização da colonoscopia de alta resolução com cromoscopia como método com sensibilidade e especificidade suficientes para que seja empregado na prática clínica.

No presente estudo, obteve-se acurácia de 79,7% na identificação correta de todas as lesões. A sensibilidade do método foi de 88,8%. A especificidade foi de 55%, ou seja, todas as lesões previamente diagnosticadas como neoplásicas o eram somente em um pouco mais de sua metade. Os valores preditivos positivo e negativo foram de 84,2% e 64,7%, respectivamente.

Importante aspecto deve ser discutido, baseado nestes resultados estatísticos, pois apesar de serem alcançadas sensibilidade e acurácia razoáveis, a especificidade e o valor preditivo negativo do estudo mostraram-se relativamente baixos. Isto leva a empregar-se o método com certa cautela, pois, como mostrado, algumas das lesões hiperplásicas e adenomatosas não se confirmaram no estudo histopatológico, havendo, portanto, certa restrição no seu emprego como método de triagem para as polipectomias. A nosso ver, a colonoscopia de alta resolução com cromoscopia permite a melhor identificação das margens e da morfologia das lesões, sendo útil também na avaliação quanto à ressecção (completa/incompleta), devendo, porém, haver maior rigor quando utilizada na distinção entre lesões neoplásicas e não-neoplásicas.

CONCLUSÃO A videocolonoscopia de alta resolução com cromoscopia não deve ser utilizada para definir a conduta frente à lesão polipóide, uma vez que não distingue com 100% de acurácia lesões neoplásicas daquelas inflamatórias ou hiperplásicas.


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