Incidência e severidade da malformação floral em seis cultivares de mangueira
COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
Incidência e severidade da malformação floral em seis cultivares de mangueira1
Incidence and severity of mango flower malformation in six cultivars
Nilma Oliveira DiasI; Mariana Texeira Rodrigues VilaI; Anselmo Eloy VianaII;
Tiyoko Nair Hojo RebouçasII; Abel Rebouças São JoséII; Maria Aparecida
Castellani BoarettoII; Marinês Pereira BomfimIII; Ana Elizabete Lopes
RibeiroIII
I Eng. Agrôn., Especialista, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia,
Estrada do Bem Querer, Km 04, Caixa Postal 95, Vitória da Conquista-BA, CEP-
45083-900. E-mail: nodias@terra.com.br
IIEng. Agrôn., Dr., Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Curso de
Agronomia, Estrada do Bem Querer, Km 04, Caixa Postal 95, Vitória da Conquista
' Ba. CEP 45083-900, E-mail: Abelsj@uesb.br
IIIDiscente do curso de Agronomia- Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Tendo como agente etiológico o fungo Fusarium subglutinans, a malformação
floral, conhecida popularmente como embonecamento, é uma doença que tem causado
sérios problemas aos produtores de manga, pois inflorescências atingidas não
produzem frutos ou os abortam precocemente. De acordo com Ribeiro (1997), o
sintoma característico da malformação floral é a redução no comprimento do eixo
primário e ramificações secundárias da panícula,o que confere à inflorescência
um aspecto compacto.
O Fusarium subglutinanstem o ácaro das gemas da mangueira Aceria mangiferae
Sayed como seu transmissor (Mora et al., 1998). Segundo Gonzalez et al.(1998),
este acarino é um vetor muito eficiente ao transportar sobre seu corpo esporos
do fungo e facilitar sua entrada ao alimentar-se de tecidos jovens.
No Brasil, constatou-se a ocorrência da malformação em várias áreas produtoras
como: São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Goiás e Bahia (Cunha et al., 1993).
Porém, existe pouca informação relacionada às condições do clima que favorecem
o desenvolvimento do fungo, bem como sobre a suscetibilidade das cultivares de
mangueira à doença.
As cultivares predominantes no Brasil são aquelas de origem da Flórida - EUA, a
maioria delas introduzidas em São Paulo, através do Instituto Agronômico de
Campinas (IAC), na década de 70. São elas a 'Tommy Atkins', 'Keitt', 'Palmer',
'Haden' e 'Van Dyke' (Soares, 2000). Mas foi a partir de 1980, com a obtenção
de informações sobre as cultivares americanas nas condições de São Paulo, que a
'Tommy Atkins' ganhou importância comercial. A partir daí, junto com a 'Keitt',
têm sido as mais plantadas (Donadio,1996). Plantios extensivos e tecnificados
no Nordeste, principalmente no Vale do São Francisco, a partir de 1980, também
foram baseados na 'Tommy Atkins', substituindo antigas cultivares (Sampaio,
1989). Apesar de não predominar em cultivos comerciais, a cultivar Rosa
destaca-se economicamente com a sua produção voltada basicamente para o mercado
interno, onde é amplamente consumida.
Segundo Ribeiro (1989), no Brasil, a malformação varia conforme o ano e o
local, com uma nítida diferença entre as cultivares, porém as diferenças não
são consistentes. O autor ainda afirma que, nos pomares comerciais de São
Paulo, os maiores danos da doença se concentram na 'Tommy Atkins' e, em menor
grau, na 'Haden'. Soares (1994), citado por Donadio (1996), avaliou 19
cultivares em Bebedouro- SP, e constatou que as mais afetadas foram : Surpresa,
Tommy Atkins, 14/51, Fascell, Van Dyke, Keitt e Torbet. As cultivares : Espada
de Ouro, Pavão, Zill, Florigon, Parvin e Dixon foram consideradas mais
tolerantes. Santos Filho (1992) cita que na Índia a cultivar Bhadauran é a
única resistente. Schlosser (1971), citado por Piza Jr. & Ribeiro (1996),
considera a 'Langra' tolerante à malformação. De acordo com Ribeiro (1997), a
incidência desta anomalia tem levado à erradicação de pomares, principalmente
da 'Tommy Atkins', sendo que estudos genéticos realizados na Índia mostraram
que a resistência a essa doença é conferida por genes recessivos, não havendo
cultivares totalmente resistentes.
São José et al. (1999) realizaram um levantamento em diferentes áreas
produtoras de manga do Estado da Bahia, para quantificar o percentual de
incidência e severidade da malformação floral. Os resultados encontrados foram
de 54% para a incidência e 17% para a severidade.
Considerando-se o fato de que a importância econômica da malformação floral
pode variar de acordo com a suscetibilidade da cultivar, objetivou-se avaliar a
incidência e a severidade da doença em diferentes cultivares de mangueira em
condições de clima semi-árido, no município de Santa Maria da Vitória-BA.
O estudo foi desenvolvido no mês de julho de 2001, em um cultivo comercial de
mangueira, com quatro anos de idade, formado por diversas cultivares isoladas
em talhões, onde se determinaram os seguintes tratamentos: T1- Rosa; T2- Haden;
T3- Bourbon; T4- Palmer; T5- Tommy Atkins; T6- Van Dyke.
Os tratamentos foram identificados dentro de cada talhão, onde as parcelas,
formadas por cinco plantas, foram distribuídas aleatoriamente, em quatro
repetições.
A incidência foi determinada através da observação e contagem das plantas com
sintomas de malformação dentro de cada parcela, obtendo-se, assim, a
porcentagem. Para avaliar a severidade, realizou-se a contagem das
inflorescências doentes e sadias, individualmente em cada planta, calculando-
se, desta forma, a porcentagem de inflorescências atacadas por planta.
Para a análise estatística dos dados, foi utilizada a transformação arc-sen [/
img/revistas/rbf/v25n1/a49img01.gif]. As médias foram confrontadas, utilizando-
se do teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
A presença da malformação floral foi constatada em cinco das cultivares
estudadas. Apenas o tratamento 1, correspondente à 'Rosa', apresentou-se livre
de qualquer sintoma característico da doença.
O tratamento 3 (Bourbon) apresentou, em média, a menor porcentagem de
incidência, diferindo estatisticamente dos demais, que apresentaram a
freqüência de plantas doentes muito alta, sendo que, para os tratamentos 2
(Haden) e 5 (Tommy Atkins), observaram-se os sintomas presentes na totalidade
das plantas avaliadas (Tabela_1).
Apesar da alta incidência observada para os tratamentos 5; 6 e 4 (Tommy Atkins,
Van Dyke e Palmer, respectivamente), as médias obtidas pelos mesmos quanto à
severidade foram estatisticamente menores que as obtidas pelo tratamento 2,
representado pela 'Haden', onde a doença, além de atingir nível máximo de
incidência, apresentou porcentagem superior quanto à severidade (Tabela_2).
Resultados de maior severidade para a 'Haden', nas condições estudadas,
demonstram uma realidade diferente dos pomares de São Paulo, onde, segundo
Ribeiro (1989), os maiores danos da malformação floral se concentram na 'Tommy
Atkins' e, em bem menor grau, na 'Haden'. Estas diferenças ocorrem,
provavelmente, devido à influência de vários fatores como: clima, época do ano,
tratos culturais, etc. Ainda segundo Ribeiro (1989), no Brasil, a malformação
varia conforme o ano e o local, com uma nítida diferença entre as cultivares,
porém as diferenças não são consistentes.
Nas condições em que o presente trabalho foi desenvolvido, os melhores
resultados foram obtidos pela cultivar Rosa, que não apresentou os sintomas da
doença e, em segundo lugar, pela 'Bourbon', que além de ter apresentado a menor
incidência entre os tratamentos, apresentou uma baixa porcentagem de
severidade, que não diferiu significativamente da cultivar Rosa .