A (re)invenção das relações internacionais na viragem do século: O desafio do
construtivismo
Apesar de a disciplina de relações internacionais (RI) ser rica em
controvérsias teóricas, e crescentemente plural nas suas abordagens
ontológicas, epistemológicas e metodológicas1, a sua identidade como disciplina
científica está consolidada e, no século XXI, o seu impacto e importância
científica são internacionalmente inquestionáveis2. Ao contrário, em Portugal,
e em muitas outras comunidades científicas nacionais não anglo-saxónicas, as RI
são ainda muitas vezes vistas como um conjunto de conhecimentos mais ou menos
gerais sobre o mundo contemporâneo, em trânsito entre os acontecimentos
noticiados a quentepelo jornalismo e os acontecimentos estudados a friopelos
historiadores.
A caminho da celebração dos cem anos como disciplina e cátedra académica3, as
RI têm vindo a atingir uma maturidade científica que lhe permitiu sair das
trincheiras teóricas dos debates interparadigmáticos e produzir trabalhos
importantes de avaliação e síntese do seu estado da arte. Reflexo desta
maturidade, as RI começaram de forma sistemática a introduzir no seu discurso e
prática científica a problemática da filosofia da ciência e do progresso e
avaliação científica das suas teorias4. Paralelamente a esta preocupação
positivista e realista do conhecimento científico, outra problemática
profundamente reveladora da maturidade da disciplina foi a de introduzir os
problemas dialético-contengenciais, reflexivos e normativos na construção
teórica e na investigação das RI5.
Deste modo, neste trabalho faremos uma breve síntese sobre a reinvenção das RI
como disciplina científica na viragem do século, nomeadamente do impacto do
desafio colocado pela emergência do quarto debate. Neste quadro, a problemática
que atravessa todo o artigo centra-se na preocupação de sublinhar a importância
de desenvolver o estudo sobre a história disciplinar das RI e da consequente
relação entre o conhecimento da história, identidade e progresso da disciplina
e a formação de visões do mundo científicas e políticas sobre a teoria e
prática das RI. Assim, este trabalho tem como objetivo atenuar aquilo que
designamos como a insustentável leveza da teoria das relações internacionais em
Portugal6, ao tentar contribuir para o desenvolvimento da discussão sobre o
progresso da disciplina no contexto do importante debate entre o racionalismo e
o construtivismo, nomeadamente na explicação compreensivasobre a ascensão do
construtivismo como teoria principal na disciplina.
AS RI E O ENQUADRAMENTO METATEÓRICO DO QUARTO GRANDE DEBATE: O DESAFIO
CONSTRUTIVISTA
A disciplina de RI pode ser compreendida em função da evolução dos grandes
debatesque têm marcado a sua história enquanto campo de estudo académico e
científico7. Começando pelo primeiro debate entre idealistas e realistas, nos
anos 1920 e 1930, prosseguindo com o segundo entre os tradicionalistas e os
cientistas nos anos 1950 e 1960, até se atingir o clímax da discórdia
dicotómica com o terceiro8 grande debate entre positivistas e pós-positivistas9
a partir dos anos 198010.
Até aqui estes debates eram autênticos campos de guerra académica, onde muitas
das vezes não existia qualquer possibilidade de tréguas. Ou seja, estes debates
não eram caracterizados pela prática da interação discursiva. Por norma, nestes
grandes debates dentro da disciplina não existia espaço para uma deliberação de
argumentos persuasivos entre as diferentes teorias. Dito de outra forma, não
existia um verdadeiro diálogo intelectual entre os paradigmas teóricos com o
objetivo de demonstração dos respetivos pontos fortes e fracos e da consequente
possibilidade de sínteses evolutivas.
Na verdade, esta lógica de «interparadigm battles»11 foi sendo construída
através de um posicionamento binário e dicotómico que de certa forma refletia a
lógica bipolar de zero sum gameda Guerra fria. Curiosamente, com o fim da
Guerra Fria no mundo político assistiu-se, também no mundo académico, ao fim da
visão de conflito inelutável e maniqueísta entre dois polos12.
Com efeito, o fim da Guerra Fria proporcionou o desenvolvimento de um novo
pensamentoem RI, onde a discussão sobre a mudança14 e sobre o papel das
ideias15 passou a ser central.
Esta nova atitude no ambiente disciplinar das RI deu lugar a um espaço de
discussão teórica que se foi organizando em torno de um novo grande debate.
Este foi inicialmente conhecido por contrapor os racionalistas(realistas,
neorrealistas e neoliberais institucionalistas) e os reflexivistas(pós-
modernistas, pós-estruturalistas, teorias críticas e feministas)16.
Este debate desenvolveu-se em torno de questões metateóricas, ou seja, em torno
de questões ontológicas e epistemológicas17. Basicamente, tratava-se de uma
discussão sobre a natureza da realidade internacional e de qual a melhor forma
da ciência das RI, ou se quisermos dos seus académicos explicarem esta
realidade. Todavia, com o passar dos anos tornou-se evidente que este debate se
centralizou na emergência da importância da abordagem construtivista. Ou seja,
nos desafios que o paradigma emergente do construtivismo18 colocou ao paradigma
dominante do racionalismo.
O desafio construtivista centra-se na problemática metateórica que, como iremos
ver, diz respeito ao nível fundacional ou constitutivo das RI, aquilo que
Alexander Wendt designa como «second order questions». Estas questões colocam-
se relativamente à interpretação da realidade existente e às entidades que
compõem o mundo, bem como sobre quais as melhores formas de podermos explicar e
compreender o mundo. Todavia, o construtivismo também se preocupa com o nível
substantivo da teoria das RI, ou, como Wendt gosta de chamar, as «first order
questions»19. Embora sejam níveis diferentes de teorização, o primeiro mais
abstrato e filosófico, e o segundo mais empírico, pois envolve a especificação
e escolha de um determinado sistema social ' governo, Estado, sistema
internacional ', a identificação dos seus atores principais e dos processos de
estruturação que os envolvem para o desenvolvimento de proposições sobre uma
determinada situação da política internacional, é evidente que toda a
teorização substantiva das RI está baseada numa metateoria social.
Da mesma forma que o construtivismo, o racionalismo é um paradigma de
paradigmas. Ou seja, é uma abordagem metateórica global que acolhe vários
paradigmas que neste caso, e ao contrário do construtivismo, são paradigmas
teóricos substantivos solidificados e dominantes, designadamente o neorrealismo
e o neoliberalismo.
Neste sentido, nas RI o racionalismo deriva das várias aplicações da abordagem
da rational choiceàs questões das RI. Esta abordagem racionalista tem a sua
origem na tradição da teoria da microeconomia de Alfred Marshall e abrange os
mais recentes desenvolvimentos da teoria dos jogos, bem como a visão
positivista e instrumental da explicação da política externa dos estados em
termos de goal-seeking behaviour20. Deste modo, e de forma sintética, as
abordagens racionalistas sobre as RI resultam de uma premissa teórica
elementar, segundo a qual o comportamento dos atores nas RI é apreendido
através da sua explicação intencional, cuja estrutura básica se pode definir
através da fórmula: «Desire + Belief = Action»21.
O racionalismo assume a perspetiva clássica do homo economicus,ou seja, o ator
é uma entidade calculista que cuidadosamente analisa várias opções de ação
escolhendo aquela que for a mais eficiente para atingir os seus objetivos.
Claro que esta visão racionalista sempre suscitou várias críticas. Deste modo,
podemos dizer que existiu um debate inicial entre o racionalismo positivista e
os paradigmas críticos mais interpretativistas22, que evolui para um debate
entre o racionalismo e o reflexivismo até que a ascensão do construtivismo fez
concentrar o debate entre o racionalismo e o construtivismo suscitando assim um
inovador quarto grande debate.
Efetivamente, ao longo dos anos 1990 o construtivismo teve a capacidade de pôr
em causa o tradicional comportamento bélico entre abordagens na disciplina. Na
verdade, o construtivismo conseguiu de uma forma gradual e pacífica
transformar-se na buzzwordda teorização das RI em geral, e dos estudos sobre a
integração europeia23 e a segurança24 em particular. Deste modo, na comunidade
académica começou a ser um dado adquirido ' e pacífico ' que se estava a
assistir a um «constructivist turn»25 na disciplina de RI.
Com efeito, as várias correntes reflexivistas pré-construtivistas, embora
bastante diversas entre si, partilhavam uma visão comum. Esta visão comum
assentava na necessidade de socializaros principais paradigmas teóricos das RI.
Como bem salientou Wendt: «o neorrealismo e o neoliberalismo estão
undersocialized uma vez que dão pouca atenção às formas através das quais os
atores são socialmente construídos no mundo político»26.
Mas como é que foi possível no prazo de duas décadas o construtivismo ser tão
influente ao ponto de até o realismo procurar ser incluído no diálogo com o
construtivismo?27 Como e porque é que isto aconteceu? E qual a sua importância?
Estas são as perguntas para as quais procuraremos resposta nas próximas
páginas.
A VIAGEM CONSTRUTIVISTA RUMO À NORMALIZAÇÃO E O PROCESSO DE ESTABELECIMENTO
DOMIDDLE GROUND
Podemos dizer que a normalização kuhniana do construtivismo se fundamentou em
vários movimentos importantes.
O primeiro movimento foi de ordem epistemológica, e foi inicialmente
identificado no excelente trabalho de Kratochwil e Ruggie quando estes
sublinharam o caráter intersubjetivo da análise dos regimes e alertaram para a
consequente contradição entre uma epistemologia positivista e uma ontologia
social intersubjetiva28. A questão levantada pode-se resumir da seguinte forma.
Se a conceção de regimes diz respeito a uma conceção social que se pode definir
através de «expectativas convergentes sobre princípios, normas, regras e
procedimentos decisórios em determinadas áreas das RI»29, então, torna-se
contraditória a assunção epistemológica dos interesses dos atores como
adquiridos. Ou seja, se os regimes resultam de uma perceção partilhada de
normas, regras e comportamentos, então é evidente o caráter intersubjetivo de
qualquer análise dos regimes. Deste modo, a análise neorrealista ao não ter em
consideração esta vertente intersubjetiva, não consegue obter uma análise
adequada do papel dos regimes30.
O segundo movimento foi de ordem ontológica. Assim, embora assumindo a
importância da especificidade da anarquia estrutural do sistema
internacional31, o construtivismo veio demonstrar que esta estrutura não é,
exclusivamente, resultante de fatores materiais. A estrutura anárquica que
caracteriza a política internacional também depende, de forma definitiva, de
fatores ideacionais e da socialização intersubjetiva de fatores tão importantes
como a construção das identidades dos estados que, por sua vez, também são o
resultado da interação social entre estados32.
Isto significa a assunção da existência de uma relação determinante entre a
interação social dos estados e a estrutura do sistema internacional. Mais, esta
estrutura está em constante interação com os seus agentes, e é deste contínuo
processo interativo que resulta a construção de uma ordem internacional. Esta
conceção social construtivista da estrutura do sistema internacional apoiou-se,
originalmente, na «structuration theory»33 de Giddens.
O terceiro movimento foi histórico-disciplinar, e teve resultados importantes
na evolução contingencial e substantiva do construtivismo como abordagem
teórica. Com efeito, a aceitação dos argumentos do construtivismo, nomeadamente
do seu posicionamento de middle ground, foi contagiante na disciplina e fez
ascender o construtivismo ao patamar de teoria normalou mainstreamdas RI34.
Esta ascensão do construtivismo ao reino das teorias dominantes da disciplina
de RI resultou num importante impacto que passou a ser designado por
constructivist turn.
Deste modo, a viragem construtivista nas RI caracterizou-se, por um lado, pelo
crescente diálogo argumentativo relativo ao posicionamento intermédio entre os
polos do racionalismo e do reflexivismo e, por outro, pelo processo de
construção de pontes inter e transdisciplinares que originou uma consequente
intensificação da comunicação entre as várias abordagens das RI.
Assim, esta viragem está ligada a importantes fatores dialético-contingenciais.
Em primeiro lugar, ao contexto histórico da política internacional ' a
perspetiva binária da política internacional foi desafiada pelo fim da Guerra
Fria. Em segundo lugar, ao debate sobre a identidade metateórica da disciplina,
ou seja, à necessidade de reequacionar os seus fundamentos como disciplina
científico-académica e política. Em terceiro lugar, e como consequência do
terceiro debate, à emergência de uma conceção crítica face às visões teóricas
dominantes que, com as suas estratégias positivistas e materialistas, não
tinham sido capazes de capturar a mudança dos regimes no final da década de
198035, e tinham falhado estrondosamente na capacidade de prever o fim da
Guerra Fria36. Ou seja, a viragem construtivista foi a chave para a mudança no
diálogo interparadigmático nas RI. Neste sentido, passou-se de um estilo de
debate silencioso entre posições teóricas mutuamente excludentes, para um
estilo de debate mais aberto ao diálogo argumentativo relativamente a distintas
posições ontológicas e epistemológicas.
Todavia, é importante salientar que esta mudança não ocorreu através de um
único ponto de rutura no tempo, mas sim devido a um processo gradual que inclui
um conjunto paralelo de passos. Estes passos, de distanciamento e diferenciação
dos polos tradicionais, material/racionalismo versussocial/reflexivismo,
efetuaram-se através do distanciamento relativo do construtivismo face aos dois
polos sem contudo deixar de se relacionar com ambos.
Na verdade, o construtivismo conseguiu interagir com os movimentos teóricos do
racionalismo e do reflexivismo no sentido de construir uma nova ontologia
inclusiva que aproveitasse os passos dados por estes paradigmas na sua direção.
Por exemplo, os passos dados pelo neoliberalismo institucionalista no sentido
de se afastar do polo totalmente materialistae abarcar as ideias individuais37.
Ou ainda, na direção contrária, os passos dados pelo construtivismo em direção
a uma ontologia das práticas constitutivas38, assinalaram o distanciamento do
construtivismo relativamente ao polo totalmente social.
Todavia, não restam dúvidas que o desenvolvimento académico-científico mais
relevante prende-se com os trabalhos do neo-classical constructivism39 ligados
ao institucionalismo sociológico40 que analisam as normas como fatores
estruturais de condicionamento e regulamentação comportamental e sublinham a
sua ligação crucial na construção do ambiente político e ideacional. Com
efeito, não podemos nunca deixar de recordar que, como sublinha Kratochwil, são
as normas e as regras que conduzem a individualidade humana à sociabilização41.
Deste modo, as normas, simples ou complexas, habituais ou inovadoras, nacionais
ou internacionais, têm sempre um papel influente na formatação e enquadramento
do comportamento dos decisores políticos.
Como vimos, os construtivistas aspiravam estabelecer «the middle ground», e
construir uma grelha analítica que possibilitasse «a via media through the
third Debate»42. Neste sentido, o movimento construtivista contribuiu de forma
decisiva para o estabelecimento de uma posição intermédia entre as posições
paradigmáticas mutuamente excludentes designadas por racionalismo e por
reflexivismo. Deste modo, através da assunção de uma terceira posição que
ultrapassa as tradicionais posições binárias e dicotómicas dos debates-batalhas
paradigmáticos na disciplina o construtivismo assumiu-se como a primeira
oportunidade real de gerar uma síntese teórica nas RI. Com efeito, o
construtivismo conseguiu desenvolver uma posição que o colocou acima das
dicotomias positivismo/pós-positivismo, materialismo/idealismo, modernismo/pós-
modernismo permitindo, deste modo, a possibilidade de se estabelecerem espaços
de comunicação entre os vários campos paradigmáticos.
Este movimento metateórico, de ocupação de uma terceira posição relativamente
às posições bipolares de trincheira do terceiro debate, permitiu ao
construtivismo conjugar a discussão ontológica com a focalização no
desenvolvimento de operacionalização de teorias de médio alcance em estudos
empíricos. O que favoreceu o desenvolvimento de «debates amigáveis»43 e
proporcionou que as RI deixassem as posições de trincheira dicotómicas do
passado. Com efeito, a qualidade de facilitador do diálogo44 entre académicos e
a sua preocupação de «bridge building»45 tem sido uma das imagens de marca do
construtivismo46.
Isto permitiu o alastramento do movimento construtivista que, em grande parte,
se popularizou devido ao seu estilo comunicativo aberto. Esta capacidade
comunicativa de criar pontes, e não cavar trincheiras como até aqui tinha
acontecido, foi essencial para que, em meados dos anos 1990, académicos de
tradições teóricas tão diferentes e variadas como, por exemplo, os provenientes
da escola Neofuncionalista47, da escola inglesa48, da escola de Frankfurt, da
escola de Copenhaga, ou da escola de Stanford, se reconhecessem, de alguma
forma, no construtivismo.
Assim, o construtivismo empreende o estabelecimento de uma posição intermédia
entre dois polos que assumiam perspetivas epistemológicas diametralmente
opostas, ou seja, a posição racionalista positivista e a posição reflexivista
pós-positivista. Este movimento de estabelecimento de uma terceira posição,
distanciando-se de ambos os polos, permitiu aos construtivistas desenvolver
assunções metateóricas diferentes e distantes dos polos mas, ainda assim, em
comunicação com ambos os polos que, entre si, tinham estabelecido um
distanciamento teórico incomensurável. Isto não quer dizer que o
construtivismo, geograficamente falando, se situe exatamente no meio do
território que separa os dois polos e que ficou disponível após a batalha
interparadigmática do terceiro debate49. Em vez disso o debate em torno do
construtivismo é melhor entendido se o pensarmos como um processo dinâmico de
estabelecimento de uma terceira posição que justapõe elementos de várias
abordagens. É isto que assume Emmanuel Adler no seu influente trabalho de
definição do posicionamento intermédio do construtivismo quando, precisamente,
justifica este posicionamento através da justaposição de ideias construtivistas
com ideias racionalistas e com ideias pós-estruturalistas50.
Deste modo, o quarto debate é caracterizado por uma série de discussões que
fazem parte de um movimento que é melhor identificado como um processo de
estabelecimento da posição intermédia. Este processo foi-se desenvolvendo e
expandindo de acordo com uma lógica de argumentação e diálogo relativamente a
vários e distintos posicionamentos teóricos. o que significa que mesmo dentro
do construtivismo existe um importante e vivo debate intraparadigmático51.
Os construtivistas partilham entre si a prática de distanciamento dos extremos
racionalista e reflexivista. Esta prática comum estabelece um ponto de partida
para o diálogo entre todas as versões construtivistas. Este diálogo é
caracterizado, por um lado, pela não identificação e consequente distanciamento
das abordagens dominantes, mas também, por outro lado, é um processo que se
distingue pela comunicação através de fórmulas que tentam a integração e
justaposição de vários elementos teóricos das teorias críticas52. É, portanto,
à luz desta perspetiva ' simultaneamente diferenciadora e integradora ' que
podemos perceber a posição de Wendt quando defende que a sua perspetiva
construtivista não põe em causa a sua posição positivista53. Por outro lado,
ainda, Wendt sublinha que os seus argumentos substanciais são filosóficos e,
como tal, atravessam as tradicionais clivagens entre realistas, liberais e
marxistas nas RI54.
Pese embora todos os construtivistas concordarem na relevância superior da
ontologia relativamente à epistemologia, eles não partilham uma posição
epistemológica comum, chegando mesmo a defender posições bastante distintas.
Consequentemente, as várias versões do construtivismo não convergem exatamente
num único ponto de um triângulo. Na sua pluralidade comunicacional o
construtivismo estabelece pontos de convergência e síntese com os outros lados
do triângulo (racionalismo e reflexivismo). Ao invés do que aconteceu no
passado o construtivismo é uma teoria social que permite e incentiva diálogos e
sínteses evolutivas com as outras teorias das RI, tentando não desenvolver uma
cultura de superioridade paradigmática-kuhniana.
Em síntese, o posicionamento de middle grounddo construtivismo pode ser
definido através de três aspetos essenciais. Primeiro, a preferência pela
ontologia em detrimento da epistemologia. Segundo, a diferenciação distintiva
face ao posicionamento incomensurável dos polos do racionalismo e do
reflexivismo conseguindo, todavia, ter a capacidade de diálogo com ambos.
Terceiro, a variedade de preferências relativamente às abordagens metodológicas
e às estratégias de investigação (identidade, institucionalização das normas,
speech-act, learning,persuasão, discursos, etc.)55.
Ou seja, todas as versões do construtivismo mantêm um distanciamento face aos
polos, permitindo uma variedade de posições entre si. O que origina a
possibilidade de, simultaneamente, existir um acordo geral relativamente à
ontologia e um desacordo geral relativamente à epistemologia e metodologia.
Assim, o movimento construtivista foi, por um lado, definindo uma posição de
distanciamento mas nunca de isolamento face aos polos do racionalismo e do
reflexivismo e, por outro, desenvolvendo não uma, mas várias posições de middle
ground56. Neste sentido, pese embora o construtivismo permita estas posições
variáveis entre si, e na sua ligação aos polos, todas elas utilizam um mesmo
estilo multilateral de comunicação e de argumentação relativamente aos polos do
racionalismo e reflexivismo. Por outro lado, o construtivismo não cede perante
a discussão sobre a problemática das justaposições e das eventuais contradições
entre abordagens ontológicas e abordagens epistemológicas. As teorias do
construtivismo social assumem como benéficas e estimulantes estas divergências.
CONCLUSÃO
Como vimos, a viragem construtivista foi, para além de teoricamente importante,
inovadora pois significou uma alteração na forma como a disciplina das RI se
vinha estruturando. Deste modo, o construtivismo facilitou uma importante
evolução disciplinar nas RI ao motivar o abandono do estilo de debates
bilaterais pouco comunicativos e a adoção de um novo estilo de debate
multilateral altamente comunicativo.
Este novo estilo comunicacional permitiu o surgimento de um determinado
consenso relativo à assunção defensora do desenvolvimento de uma construção
teórica com base no diálogo e criação de sínteses evolutivas
interparadigmáticas. O que significou a possibilidade de, simultaneamente, se
poder ultrapassar a conceção kuhniana de muitos teóricos das RI patrocinadora
da ideia da existência de uma batalha interparadigmática da qual sairia
vencedor o paradigma mais válido, bem como da conceção lakatosiana
patrocinadora da ideia da existência de campos epistemologicamente opostos que,
em consequência das suas posições teóricas inconciliáveis, concordam em estar
em desacordo.
Com efeito, depois de uma fase inicial marcada pelas divergências e
diferenciações ontológicas entre construtivismo e racionalismo, o quarto debate
parece querer assumir uma posição mais pragmática e eclética57 onde, ao
contrário de duas Weltanschauungenadversárias, construtivismo e racionalismo
são encarados como duas formas de responder aos puzzlesempíricos das RI58.
Deste modo, se é verdade que de um ponto de vista ontológico as diferenças
entre estas abordagens são grandes e dificilmente reconciliáveis, não é menos
verdade que se olharmos para este debate de um ponto de vista da investigação
dos problemas empíricos das RI a relação entre construtivismo e racionalismo
torna-se mais fluida.
Na realidade, se é verdade que muitas das vezes existem problemas que são
apresentados através de hipóteses e conclusões antagónicas, existem também
problemas que parecem ser melhor apreendidos através de uma abordagem
complementar entre hipóteses racionalistas e construtivistas.
Em última análise, e como bem refere Adler, o racionalismo e o construtivismo
mais do que contraditórios são complementares59. Esta ideia, aliás, parece ser
corroborada por Wendt e Fearon quando afirmam que mais do que numa lógica de
debate, a problemática do relacionamento teórico-metodológico entre o
racionalismo e o construtivismo deve ser entendida sobretudo como uma
possibilidade de diálogo enriquecedor da disciplina de RI60. É também esta a
nossa posição.
Isto significa que provavelmente o quarto debate terá sido o último grande
debate-batalha interparadigmático. Atualmente a teoria das RI, precisamente
devido ao papel dialogante do construtivismo, não assume a necessidade de
grandes debates dicotómicos. Isto não significa que tenham acabado os debates
teóricos na disciplina, ou que o construtivismo e o racionalismo se possam ou
devam fundir. Não. O que significa é que passou a existir uma cultura de
respeito e diálogo na diferença ontológica e epistemológica, e uma procura
eclética pragmática e sintética de encontro metodológico face à investigação
científica. Na verdade, apesar de ser possível perceber uma distinção clara
entre duas culturas académicas que suportam diferentes visões do mundo
científicas e políticas ' uma mais racionalista/positivista e politicamente
mais conservadora e outra mais social/interpretativista e politicamente mais
reformista ', não existem fronteiras fixas e barreiras inamovíveis entre elas.
Com efeito, estas duas culturas teóricas tendem a tocar-se ao longo das suas
margens e, ao nível da investigação, muito do trabalho mais interessante está a
ser realizado nos seus espaços de fronteira de uma forma transteóricaonde os
processos de comunicação e aprendizagem entre académicos de ambas as culturas
acontecem frequentemente.
Deste modo, é completamente distinto assumir estas diferenças entre culturas
teóricas numa base de diálogo, ao invés de, como no passado, assumi-las numa
base conflitual de jogo de soma nula. Mais, ter uma visão sofisticada sobre
estas diferenças e assumir a conexão entre a aderência a uma grande teoria e a
assunção de preferências ontológicas, normativo-científicas e normativo-
políticas, com todos os riscos e benefícios associados, é mais saudável do que
estar permanentemente a gastar energias a tentar encontrar as falhas na teoria
contestada e a glorificar a nossa teoria. esta é em nossa opinião a derradeira
prova do progresso científico da disciplina de RI.
NOTAS
1
O que não significa que a persistente hegemonia teórica norte-americana não
exista e não comporte alguns riscos para a pluralidade e inovação científica da
disciplina. Cf. Waever, Ole ' «Still a discipline after all these debates?». In
Dunne, Tim, Kurki, Milja, e Smith, Steve (eds.) ' International Relations
Theories. Discipline and Diversity. Oxford: Oxford University Press, 2007, pp.
288 -308; Smith, Steve ' «The United States and the
discipline of international relations: hegemonic country, hegemonic
discipline». In International Studies Review. Vol. 4, N.º 2, 2002, pp. 67 -85. E o que também não invalida que grande parte dos melhores e
mais inovadores teóricos seja oriunda dos Estados Unidos.
2
A International Studies Association (isa), fundada em 1959 nos Estados Unidos
com o objetivo de ser a representante da comunidade académica das ri, começou
por ser essencialmente uma associação regional norte-americana que oscilou
entre os 60 e as duas centenas de membros nos anos iniciais. Atualmente conta
com mais de cinco mil membros espalhados por 80 países.
3
Olson e Groom referem a publicação, em 1900, da obra de Paul Samuel Reinsch,
World Politics at the End of the Nineteenth Century, como «the first
glimmerings of international relations as a discipline», e identificam a
revista International Conciliation, fundada em 1910 e publicada pelo Carnegie
Endowment for International Peace, como a primeira revista académica de ri. Cf.
Olson, William, e Groom, A. J. R. ' International Relations Then and Now:
Origins and Trends in Interpretation. Londres: Harper Collins, 1991, pp. 47 -
48. De um ponto de vista institucional, apesar de desde 1859
se ter criado a Chichele Chair of International Law and Diplomacy em Oxford,
onde se analisavam os fenómenos internacionais, só em 1919 é criado o primeiro
departamento e cátedra em ri na altura ainda Universidade de gales, em
Aberystwyth (posteriormente Universidade de Aberystwyth). Cf. Olson, William, e
Groom, A. J. R. ' International Relations Then and Now: Origins and Trends in
Interpretation, 1991; Schmidt, Brian ' «The historiography of
academic international relations». In Review of International Studies. Vol. 20,
N.º 4, 1994, pp. 349 -367; Schmidt, Brian ' «Lessons from the
past: reassessing the interwar disciplinary history of international
relations». In International Studies Quarterly.Vol.42, N.º 3, 1998, pp. 433 -
459.
4
Para uma boa visão geral sobre o uso da filosofia da ciência como instrumento
para aferir o progresso em ciência política cf. Ball, Terence ' «Is there
progress in political science». In Ball, Terence (ed.) ' Idioms of Inquiry:
Critique and Renewal in Political Science. Albany: Suny Press, 1987, pp. 13 -
44. Para uma excelente análise do debate idealismo -realismo
de acordo com uma visão paradigmática khuniana cf. Vasquez, John ' The Power of
Power Politics: A Critique. New Brunswick: Rutgers University Press, 1983, e o seu desenvolvimento em Vasquez, John ' The Power of Power
Politics from Classical Realism to Neotraditionalism. Cambridge: Cambridge:
University Press, 1999. Para uma visão sobre o renovado
interesse da disciplina na visão de Lakatos sobre o progresso na disciplina cf.
Elman, Colin, e Elman, Miriam (eds.) ' Progress in International Relations
Theory: Appraising the Field. Cambridge: MIT Press, 2003.
5
Reus-Smit, Christian, e Snidal, Duncan ' «Between utopia and reality: the
practical discourses of international relations». In Reus-Smit, Christian, e
Snidal, Duncan (eds.) ' The Oxford Handbook of International Relations. Oxford:
Oxford University Press, 2008, pp. 3 -40.
6
Esta ideia é originária de um trabalho já apresentado oralmente e que
brevemente será publicado. Aqui, apesar da construtiva sugestão do referee, por
razões de espaço não nos é possível desenvolver um estado da arte, ainda que
breve, sobre a teoria das RI em Portugal. Fica a nota factual que demonstra que
na primeira vez que, meritoriamente, uma revista científica portuguesa dedicou
um número especial às teorias (Relações Internacionais, N.º 16, 2007) dos 11
artigos publicados, nem todos são sobre teorias das RI, destes só uma pequena
parte faz referência ao desenvolvimento histórico e identitário da disciplina e
destes só alguns mencionam o construtivismo.
7
Com isto não queremos afirmar que a historiografia da disciplina não seja mais
complexa do que a que resulta dos grandes debates, ou ainda que estes não sejam
muitas vezes simplificadores. Todavia, mesmo os críticos desta perspetiva não
podem deixar de reconhecer a sua importância. Sobre este assunto, cf. Smith,
Steve ' «The self -images of the discipline: a genealogy of international
relations». In Smith, Steve, e Booth, Ken (eds.) ' International Relations
Theory Today. Pennsylvania: The Pennsylvania University Press, 1995, pp. 1 -37; Waever, Ole ' «The rise and fall of the inter -paradigm
debate». In Smith, Steve, Booth, Ken, e Zalewski, Marysia (eds.) '
International Theory: Positivism and Beyond. Cambridge: Cambridge University
Press, 1996, pp. 149 -185; Kahler, Miles ' «Inventing
international relations: international relations theory after 1945». In Doyle,
Michael, e Ikenberry, John (eds.) ' New Thinking in International Relations
Theory. Boulder: West View Press, 1997, pp. 20 -53; Schmidt,
Brian ' «On the history and historiography of international relations». In
Carlsnaes, Walter, Risse, Thomas, e Simmons, Beth A. (eds.) ' Handbook of
International Relations. Londres: Sage, 2002, pp. 3 -22.
8
No seguimento do argumento exposto sobre a simplificação dos grandes debates
(cf. nota anterior), convém referir que o terceiro debate pode ser visto como
um conjunto de debates. Assim, podemos dizer que a década de 1980 foi
caracterizada pelos seguintes debates: a) um debate interparadigmático entre
realistas, pluralistas e estruturalistas; b) um debate entre o neorrealismo e o
neoliberalismo; c) um debate entre o positivismo e o pós-positivismo. Todavia,
de um ponto de vista da filosofia da ciência das ri, parece -nos mais
importante o debate c, por isso o adotámos como terceiro debate.
9
Lapid, Yosef ' «The third debate: on the prospects of international theory in
a post -positivist era». In International Studies Quarterly. Vol. 33, N.º 3,
1989, pp. 235 -254; Vasquez, John, A. ' «The post -positivist
debate: reconstructing scientific enquiry and international relations theory
after enlightenment's fall». In Smith, Steve, e Booth, Ken (eds.) '
International Relations Theory Today, pp. 217 - 240.
10
Wendt, Alexander ' Social Theory of International Politics. Cambridge:
Cambridge University Press, 1999, pp. 38 -39, (sublinhados
nossos).
11
Waever, Ole ' «Figures of international thought: introducing persons instead
of paradigms». In Waever, Ole, e Neumann, Iver (eds.) ' The Future of
International Relations. Londres: 1997, pp. 1 -37.
12
Petrova, Margarita ' «The end of the Cold War: a battle or bridging ground
between rationalist and ideational approaches to international relations?». In
European Journal of International Relations. Vol. 9, N.º 1, 2003, pp. 115 -163.
13 Neste ponto seguimos de perto algumas ideias de Wiener, nomeadamente da
adaptação do seu quadro sobre os debates em Wiener, Antje ' «Constructivist
appro-aches in international relations theory: puzzles and promises». In
Constitutionalism Webpapers, ConWEB n.º 5/2006.
14
Cf. Doyle, Michael, e Ikenberry, John (eds.) ' New Thinking in International
Relations Theory. Boulder: West View Press, 1997; Lebow,
Richard Ned, is se-Kappen, Thomas (eds.) ' International Relations Theory and
the End of the Cold War. Nova York: Columbia University Press, 1996; Hermann,
Richard K., e Lebow, Richard Ned (eds.) ' Ending the Cold War: Interpretations,
Causation, and the Study of International Relations. Nova York: Palgrave
MacMillan, 2004.
15
Cf. Risse-Kappen, T. ' «Ideas do not float freely: transnational coalitions,
domestic structures, and the end of the Cold War». In International
Organisation. Vol. 48, N.º 2, 1994, pp. 185 -214; Brooks,
Stephen, e Wohlforth, William ' «Power, globalization, and the end of the Cold
War: reevaluating a landmark case for ideas». In International Security. Vol.
25, N.º 3, 2000 -2001, pp. 5 -53; English, R. D. ' «Power,
ideas, and new evidence on the Cold War's end: a reply to Brooks and
Wohlforth». In International Security. Vol. 26, N.º 4, 2002, pp. 70 -92; e o número especial, dedicado às ideias e à sua influência no
fim da guerra Fria do Journal of Cold War Studies (Vol. 7, N.º 2, 2005).
16
Estamos a utilizar a célebre distinção de Robert Keohane entre «racionalistas»
e «reflexivistas». Keohane opõe os racionalistas aos reflexivistas que, na sua
opinião, basicamente, se caracterizam pela análise do papel de fatores sociais
impessoais, bem como no impacto de práticas culturais, nor-mas e valores que
não derivam de cálculo de interesses e de obtenção de resultados racional -
otimizados. Keohane, Robert ' «International institutions: two approaches». In
International Studies Quarterly. Vol. 32, N.º 4, 1988, pp. 379 -396. Por sua
vez, Adler opõe as abordagens «racionalistas» às «interpretativistas». Optámos
neste trabalho pela denominação de Keohane, não por ser a mais correta, mas por
ser a inicial. Cf. Adler, Emmanuel ' «Seizing the middle ground: constructivism
in world politics». In European Journal of International Relations. Vol. 3, N.º
3, 1997, pp. 319 -363.
17
Num esforço de síntese, podemos dizer que a problemática metateórica resume-se
a três questões fundamentais. A primeira, de caráter ontológico, é: de que é
composto o mundo e qual a natureza dos seus objetos? A segunda, de caráter
epistemológico, é: o que é que conhecemos deste mundo e quais as melhores
formas para o podermos conhecer? A terceira, de caráter metodológico, é: como
podemos obter este conhecimento?
18
Sem prejuízo de posteriores esclarecimentos, convém referir que o termo
construtivismo aplicado às ri foi introduzido por Onuf em Onuf, Nicholas '
World of Our Making: Rules and Rule in Social Theory and International
Relations. Columbia: University of South Carolina Press, 1989. O trabalho clássico sobre a construção social é Berger, Peter, e
Luck-mann, Thomas ' The Social Construction of Social Reality: A Treatise in
the Sociology of Knowledge. Nova York: Anchor books, 1966,
embora os seus argumentos assentem nas ideias pioneiras de Max Weber e de Émile
Durkheim sobre a realidade dos factos sociais.
19
Wendt, Alexander ' Social Theory of International Politics, pp. 4 -7.
20
Como refere Duncan Snidal, «rational choice is usually viewed as a
methodological approach that explains both individual and collective (social)
outcomes in terms of individual goal -seeking under constrains». Snidal, Duncan
' «Rational choice and international relations». In Carlsnaes, Walter, Risse,
Thomas, e Simmons, Beth A. (eds.) ' Handbook of International Relations, p. 74.
21
Fearon, James, e Wendt, Alexander ' «Rationalism v. constructivism: a
skeptical view». In Carlsnaes Walter, Risse, Thomas, e Simmons, Beth A. (eds.)
' Hand-book of International Relations, p.59. Para uma
discussão da relação entre ideias, interesses e ação neste modelo racional, das
suas virtudes e limitações, cf. Wendt, Alexander ' Social Theory of
International Politics, pp. 113 -138.
22
Este debate foi bem captado na célebre dicotomia entre a explicação e a
compreensão de que nos falam Smith e Hollis, e que também serve ao debate
positivismo/pós -positivismo. Por razões de espaço não podemos explicitar
cabalmente estes conceitos. Todavia, importa explicitar que o positivismo em ri
está ligado às abordagens que defendem o método científico baseado nos modelos
cumulativos e refutáveis da investigação científica da explicação do mundo
existente (logicismo e naturalismo), na distinção entre valores e factos
(objetivismo) e na importância da observação (empiricismo).
23
Cf. Journal of European Public Policy (Vol. 6, N.º 4, 1999), e oComparative
Political Studies (Vol. 36, N.º 1 e N.º 2, 2003); e Checkel, Jeffrey (ed.) '
International Institutions and Socialization in Europe. Cambridge: Cambridge
University Press, 2007; Checkel, Jeffrey ' Constructivism and
EU Politics. Londres: Sage, 2007.
24
Veja-se, por todos, Kat zens tein, Peter (ed.) ' The Culture of National
Security: Norms and Identity in World Politics. Nova York: Columbia University
Press, 1996.
25
Checkel, Jeffrey ' «The constructivist turn in international relations». In
World Politics. Vol. 50, N.º 2, 1998, pp. 324 -348.
26
Wendt, Alexander ' Social Theory of International Politics, pp. 3 -4.
27
Sobre este diálogo, cf. Jackson, Pat-rick (ed.) ' «The Forum. Bridging the
gap: toward a realist -constructivist dialogue». In International Studies
Review. Vol. 6, 2004, pp. 337 -352. Existem até esforços para
demonstrar que afinal a obra Theory of International Politics, de Kenneth
Waltz, não é tão materialista quanto se pensava, e que se pode descortinar uma
visão sociológica na sua obra. Cf. Goddard, Stacie, e Nexon, Daniel ' «Paradigm
lost reassessing theory of international politics». In European Journal of
International Relations. Vol. 11, N.º 1, 2005, pp. 9 -61.
Sobre uma possível compatibilização entre o realismo e o construtivismo cf.
Barkin, Samuel ' «Realist constructivism». In International Studies Review.
Vol. 5, N.º 3, 2003, pp. 325 -342.
28
Kratoch wil, Friedrich, e Ruggie, John ' «International organization: a state
of the art on an art of the state». In International Organization. Vol. 40, N.º
4, 1986, p. 764.
29
Krasner, Stephen ' «Structural cases and regime consequences: regimes as
intervening variables». In Kr a sner, Stephen (ed.) ' International Regimes.
Ithaca: Cornell University Press, 1983, p. 2.
30
Kratochwil, Friedrich, e Ruggie, John ' «International organization: a state
of the art on an art of the state», pp. 764 -765.
31
Waltz, Kenneth ' Theory of International Politics. Nova York: McGraw-Hill,
1979.
32
Wendt, Alexander ' «Anarchy is what states make of it: the social construction
of power politics». In International Organization. Vol. 46, N.º 2, 1992, pp.
391 -426.
33
Giddens, Anthony ' The Central Problems in Social Theory: Action, Structure
and Contradiction in Social Analysis. Berkeley/LA: University of California
Press, 1979; Giddens, Anthony ' The Constitution of Society:
Outline of the Theory of Structuration. Berkeley/LA: University of California
Press, 1984.
34
Walt, Stephen ' «International relations: one world, many theories». In
Foreign Policy. Vol. 110, 1998, pp. 29 -45; Snyder, Jack '
«One world, rival theories». In Foreign Policy. Vol. 145, 2004, pp. 52 -62.
35
Kratochwil, Friedrich, e Ruggie, John ' «International organization: a state
of the art on an art of the state»; Walke, Rob ' Inside/Outside International
Relations. Cambridge: Cambridge University Press, 1993; Onuf,
Nicholas ' World of Our Making: Rules and Rule in Social Theory and
International Relations.
36
Gaddis, John Lewis ' «International relations theory and the end of the Cold
War». In International Security.Vol. 17, N.º 3, 1992 -1993, pp. 5 -58; Lebow, Richard Ned ' «The long peace, the end of the Cold War, and
the failure of realism». In International Organization.Vol. 48, N.º 2, 1994,
pp. 249 -277.
37
oldstein, Judith, e Keohane, Robert ' «Ideas and foreign policy: an analytical
framework». In Goldstein, Judith, e Keohane, Robert, (eds.) ' Ideas and Foreign
Policy: Beliefs, Institutions, and Political Change. Ithaca: Cornell University
Press, 1993, p. 6.
38
Wendt, Alexander ' «Anarchy is what states make of it: the social construction
of power politics».
39
Ruggie, John g. ' «Introduction: what makes the world hang together? Neo-
utilitarianism and the social constructivist challenge». In Ruggie, John g. '
Constructing the World Polity. Nova York: Routledge, 1998, p. 35.
40
Finnemore, Martha ' «Constructing norms of humanitarian intervention». In
Katzenstein, Peter (ed.) ' The Culture of National Security, pp. 153 -185; Finnemore, Martha, e Sikkink, Kathryn ' «International norm
dynamics and political change». In International Organization. Vol. 52, N.º 4,
1998, pp. 887 -917; March, James g., e Olsen, Johan P. ' «The
institutional dynamics of international political orders». In International
Organization. Vol. 52, N.º 4, 1998, pp. 943 -969.
41
Kratochwil, Friedrich ' Rules, Norms and Decisions. Nova York: Cambridge
University Press 1989, p. 70.
42
Wendt, Alexander ' Social Theory of International Politics, pp. 39 -40.
43
Risse, Thomas, e Wiener, Antje ' «Something Rotten and the social
construction of social constructivism: a comment on comments». In Journal of
European Public Policy. Vol. 6, N.º 5, 1999, pp. 775 -782.
Evidentemente que esta novidade não eliminou a regra de debates mais acesos,
como por exemplo o travado no Zeitschrift fur Internationale Bezieehungen (ZIB
Jornal de Relações Internacionais Alemão) entre racionalistas e
construtivistas. Cf. Risse, Thomas ' «Let's argue!: communicative action in
world politics». In International Organization. Vol. 54, N.º 1, 2000, pp. 1 -
39.
44
Hellm a nn, Gunther (ed.) ' «The Forum: are dialogue and synthesis possible in
international relations?». In International Studies Review. Vol. 5, N.º 1,
2003, pp. 123 -153.
45
Zuern, Michael, e Checkel, Jeffrey ' «getting socialized to build bridges:
constructivism and rationalism, Europe and the nation-state». In International
Organization. Vol. 59, N.º 4, 2005, pp. 1045 -1079.
46
Argumento contrariado por Zehfuss, Maja ' Constructivism in International
Relations: The Politics of Reality. Cambridge/NY: Cambridge University Press,
2002.
47
Haas, Ernst ' «Does constructivism subsume neo -functionalism?». In
Christiansen, Thomas, Jørgensen, Knud Erik, e Wiener, Antje (eds.) ' The Social
Construction of Europe. Londres: sage, 2001, pp. 22 -31.
48
Sobre a relação entre a Escola Inglesa e o construtivismo veja -se Dunne, Tim
' «The social construction of international society». In European Journal of
International Relations. Vol. 1, N.º 3, 1995, pp. 367 -389;
Reus-Smit, Christian ' «Imagining society constructivism and the English
School». In British Journal of Politics and International Relations. Vol. 4,
N.º 3, 2002, pp. 487 -509.
49
Christiansen, Thomas, Jørgensen, Knud, e Wiener, Antje ' «The social
construction of Europe». In Journal of European Public Policy. Vol. 6, N.º 4,
1999, pp. 528 -544; Christiansen, Thomas, Jørgensen, Knud
Erik, e Wiener, Antje (eds.) ' The Social Construction of Europe.
50
Adler, Emmanuel ' «Seizing the middle ground: constructivism in world
politics», p. 321.
51
As melhores sínteses sobre o construtivismo e as suas variações são Adler,
Emmanuel ' «Constructivism and international relations». In Carlsnaes, Walter,
Risse, Thomas, e Simmons, Beth A. (eds.) ' Handbook of International Relations,
pp. 95 -118. Reus-Smit, Christian ' «Constructivism». In
Burchill, Scott et al. ' Theories of International Relations. 3.ª edição. Nova
York: Palgrave Macmillan, 2005, pp. 188 -212; Barnett, M. '
«Social constructivism». In Baylis, John, e Smith, Steve (eds.) ' The
Globalization of World Politics. Londres: Oxford University Press, 2005, pp.
251 -270; Fierke, M. ' «Constructivism». In Dunne, Tim,
Kurki, Milja, e Smith, Steve (eds.) ' International Relations Theories.
Discipline and Diversity, pp. 166-184; Hurd, Ian '
«Constructivism». In Reus-Smit, Christian, e Snidal, Duncan (eds.) ' The Oxford
Handbook of International Relations, pp. 298 -316.
52
Price, Richard, e Reus -Smit, Christian ' «Dangerous liaisons? Constructivism
and critical international theory». In European Journal of International
Relations. Vol. 4, N.º 3, 1998, pp. 259 -294.
53
Wendt, Alexander ' Social Theory of International Politics, pp. 32 -33.
54
Ibidem.
55
Sobre a pluralidade metodológica do construtivismo veja-se Fierke, Karin, e
Jørgensen, Knud Erikk (coord.) ' Constructing International Relations: The Next
Generation. Armonk, NY: M.E. Sharpe, 2001; Adler, Emmanuel '
«Constructivism and international relations». In Carl-snaes, Walter, Risse,
Thomas, e Simmons, Beth A. (eds.) ' Handbook of International Relations, p.
101. Para uma visão mais aplicada cf. Klotz, Audie, e Lynch,
Cece-lia ' Strategies for Research in Constructivist International Relations.
Armonk, NY: M.E. Sharpe, 2007.
56
Wie ne r, Antje ' «Constructivist approaches in international relations
theory: puzzles and promises», p. 15.
57
Katzenstein, Peter, e Sil, Rudra ' «Eclectic theorizing in the study and
practice of international relations». In Reus-Smit, Christian, e Snidal, Duncan
(eds.) ' The Oxford Handbook of International Relations, pp. 109 -130.
58
Fearon, James, e Wendt, Alexander ' «Rationalism v. constructivism: a
skeptical view». In Carlsnaes, Walter, Risse, Thomas, e Simmons, Beth A. (eds.)
' Handbook of Inter national Relations, p. 67.
59
Adler, Emanuel ' «Constructivism and international relations». In Carlsnaes,
Walter, Risse, Thomas, e Simmons, Beth A. (eds.) ' Handbook of International
Relations, p. 108.
60
Ibidem.
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