Os riscos e oportunidades das bacias do Norte de África e da África Ocidental
no abastecimento a Portugal
Nas últimas décadas a segurança energética1 tornou-se um problema crescente,
que afeta quer os estados do Norte, quer os do Sul. Dada a rápida
industrialização de algumas regiões do mundo e a transformação de economias
"líder", estas tornaram-se crescentemente dependentes de
quantidades volumosas de energias fósseis, tornando a segurança energética num
problema-chave a nível político e económico. A existência de fontes de
aprovisionamento fiáveis é fundamental para a atividade económica e deve ser
considerada como um pré-requisito para a segurança económica.
Numa tentativa de garantir a estabilidade dos abastecimentos, os grandes
poderes estão cada vez mais a militarizar a sua abordagem à segurança
energética, com consequências para a segurança internacional à medida que a
cooperação interestatal ameaça evoluir para um conflito armado em torno do
controlo das reservas energéticas. Paralelamente, a militarização também tem um
profundo impacto na segurança humana dos que vivem em estados "ricos em
petróleo" nas regiões do "Sul". A riqueza petrolífera provoca
ainda outros impactos em estados do Sul, como a segurança do regime, a qual se
encontra muitas vezes intimamente ligada à obtenção e coleta das rendas
petrolíferas2 . Este processo agudiza quer o desenvolvimento destas regiões,
bem como a própria segurança dos respetivos cidadãos. Muitas vezes os estados
são confrontados com a chamada Dutch disease, fenómeno através do qual o
agravamento das rendas oriundas dos recursos naturais aumenta a taxa de câmbio,
tornando as restantes indústrias de exportação não competitivas e conduzindo à
desindustrialização.
Em suma, a segurança energética é, sem dúvida, um problema com ramificações nas
várias vertentes de segurança.
PRINCIPAIS FATORES DESESTABILIZADORES NAS REGIÕES DO NORTE DE ÁFRICA E DA
ÁFRICA OCIDENTAL NO PRESENTE
A região do Norte de África e a bacia da África Ocidental, apesar de serem duas
áreas distintas, apresentam, hoje em dia, um conjunto de elementos
desestabilizadores e de vulnerabilidades locais que afetam ambas as áreas.
Trata-se de ameaças transnacionais e assimétricas, que se encontram
interligadas num mixextremamente complexo de racionalidades e configurações,
como o fracasso político dos estados, lutas de poder internas, militarização
crescente, pressão populacional/demografia, competição em torno dos recursos
naturais, clima de insegurança e tráfego de drogas.
Analisando brevemente cada um destes elementos desestabilizadores, no que diz
respeito ao fracasso político dos estados, está-se perante estados pós-
coloniais que permanecem incapazes de impor totalmente a sua autoridade em
todas as partes do seu território. Na opinião de muitos especialistas, esta
área sofre, em termos crónicos, de uma má governação que hipoteca o seu futuro.
A incapacidade dos estados em exercer os seus poderes de soberania sobre toda a
extensão dos seus territórios, constitui a principal razão por trás do aumento
do risco de desestabilização e de conflito armado. Um Estado frágil é um alvo
potencial para as forças da anarquia. Segundo o Índice de Estados Frágeis, em
20143, quatro estados da África Ocidental estão entre os 25 maiores estados
frágeis, nomeadamente: a Costa do Marfim (14.ª posição), a Nigéria (17.ª), o
Níger (20.ª) e a Libéria (24.ª).
Paralelamente, a geopolítica interna de alguns estados da África Ocidental e do
Norte da África - por exemplo, o Mali, a Nigéria, o Níger e a Líbia
- parece seguir um modelo em que um centro de poder político e controle
sobre a riqueza do país opõe áreas periféricas marginalizadas que procuram
derrubar um statu quoque, em muitos casos, é o resultado do domínio colonial
que inverteu posições tradicionais de força. Estas lutas internas pelo poder
minam e desestabilizam a política, impulsionando repetidos golpes de Estado.
Todos os vetores de tensão são agravados por grandes fluxos de dinheiro que
aumentam a esperança de ganhos imediatos entre grupos armados organizados; a
área do Sahel, de que alguns dos estados da África Ocidental fazem parte,
confronta-se com uma crescente militarização. Isto apesar de a Convenção da
cedeao (de junho de 2006) ter formalmente proibido a venda de armas de pequeno
porte.
Quer as populações da região do Norte de África, quer da África Ocidental,
estão a crescer a um ritmo extremamente rápido, prevendo-se a sua duplicação
nos próximos trinta e cinco anos e para a região, atingindo mais de 1131
milhões de habitantes em 20504. Este crescimento irá, sem dúvida, afetar quer a
segurança humana, quer a segurança alimentar na região. Um crescimento
desregulado que irá ter um impacto negativo sobre os já frágeis equilíbrios
internos e poderá desencadear um leque de riscos, tais como o aumento do número
de "refugiados climáticos" que se deslocam para as cidades devido
ao aquecimento global, a criação de grupos nativos, as tensões intraestatais,
etc. Outra característica a ter em atenção prende-se com o facto de se estar
perante populações jovens, onde o índice de desemprego é muito mais elevado.
Por exemplo, só no golfo da Guiné cerca de 40 por cento da população encontra-
se no desemprego (desses 40 por cento, 60 por cento atinge os jovens, com menos
de 30 anos). Existem insuficientes oportunidades económicas na economia formal,
legal para a juventude. Além disso, a insegurança alimentar que afeta as
populações rurais tem incentivado a migração das áreas rurais para as cidades,
levando a um rápido crescimento da população urbana, agudizando as tensões
sociais e económicas com as populações urbanas.
Quer o Norte de África, quer a África Ocidental são ricos em recursos naturais.
Além de diamantes e ouro, a região tem ricas jazidas de petróleo e gás, ferro,
fosfato, cobre, estanho e combustível de urânio, atraindo o interesse de
poderes que pretendem ganhar o controlo sobre eles. Os principais players
mundiais estão a seguir estratégias que lhes vão assegurando progressivamente o
acesso a essas riquezas (anteriormente inacessíveis), por meio do Sudão para os
consumidores na Ásia, através do golfo da Guiné para os consumidores nos
Estados Unidos, e através do Sara e no Magrebe para os consumidores na Europa
continental. O aumento do número de sequestros combinadas com vários tipos de
tráfico e a força crescente de proselitismo salafista, gerou um clima de
insegurança, desestabilizando alguns estados do Oeste africano. Estes
desenvolvimentos vão colocando em causa os equilíbrios entre irmandades
tradicionais, dada a persistência de dinâmicas irredentistas e a combinação
destes elementos em formas extremamente complexas.
O terrorismo nas suas diferentes formas, como tal, constitui a principal ameaça
assimétrica que pesa sobre os países e sociedades da região.
Recentemente, uma série de crises marítimas tem chamado a atenção para a
potencial conexão com a atividade terrorista ligada ao tráfico de armas na
região, representando uma clara ameaça à segurança nacional resultante de uma
ameaça marítima não tradicional. As condições instáveis "em terra"
têm igualmente proporcionado um aumento considerável no número de incidentes de
pirataria marítima durante as duas primeiras décadas do século XXI. Com piratas
a aproveitarem-se das congestionadas rotas marítimas nas suas proximidades, a
pirataria tornou-se uma atividade particularmente proeminente no golfo da
Guiné5.
Tendo-se transformado num novo centro para o tráfico de drogas, o Sahel é agora
uma das rotas preferenciais para as redes altamente organizadas de drogas
intercontinentais, principalmente as desenvolvidas pelos cartéis colombianos.
Para a introdução das drogas na Europa, os traficantes traçaram rotas
clandestinas através dos países da África Ocidental e do deserto do Sahel,
nomeadamente Mauritânia, Mali, Níger e Chade. As rotas de cocaína e heroína
encontram-se no Sara, seguindo novas rotas através do Chade, Mali e Níger.
Em suma, ambas as regiões apresentam um leque de riscos de natureza variada que
afetam não só as regiões onde estão inseridas como também outros estados da
região. De forma sintética podemos identificar quatro riscos com potencial
significado no que respeita à segurança de abastecimento energético com origem
na bacia energética do Norte de África e três que podem afetar a segurança de
abastecimento energético com origem na bacia da África Ocidental.
No Norte de África identificamos: i) a ascensão de setores islamistas mais
radicais aos governos de algum destes países, envolvendo um endurecimento das
condições contratuais de fornecimento do petróleo e do gás natural; ii) o
crescimento das ações terroristas por parte de grupos afiliados, ou agindo em
coordenação com a Al-Qaida, que se organizam no exterior dos países produtores
de petróleo e gás natural, mas que dirigem as suas ações contra eles, incluindo
contra instalações petrolíferas e de gás; iii) a ocorrência de um conflito
militar em torno do Sara Ocidental, envolvendo a Argélia e Marrocos; e iv) a
ocorrência de um conflito generalizado no Médio Oriente/Golfo Pérsico, que
arraste decisões de solidariedade por parte de estados produtores da bacia
energética do Norte de África com qualquer das partes envolvidas, ações que
possam traduzir-se em embargos ou em ultimatos a países clientes para forçar
alinhamentos com algum dos beligerantes.
Na bacia da África Ocidental os riscos prendem-se com a alteração repentina da
legislação de enquadramento do setor, levando à revisão dos contratos, como já
aconteceu por várias vezes no caso da Nigéria; o ataque e destruição de
infraestruturas energéticas, como tem acontecido com frequência no delta da
Nigéria; assim como com a pirataria marítima no golfo da Guiné.
PORTUGAL E OS SEUS PRINCIPAIS APROVISIONADORES DO NORTE DE ÁFRICA E DA BACIA DA
ÁFRICA OCIDENTAL
Em termos de importância nos mercados petrolíferos internacionais podemos
dividir a região de África em duas áreas: i) os países situados no Norte de
África, pioneiros na exploração, detentores de importantes reservas e com um
elevado nível de produção; ii) África Subsariana, com uma expressão ainda
secundária nos mercados petrolíferos mundiais. Apesar deste posicionamento,
alguns países da África Subsariana têm vindo a conquistar uma importância
crescente no setor energético global (casos de Angola e Nigéria).
Desde 2010, que se assistiu a outra profunda transformação política na África
do Norte e Médio Oriente. Depois de décadas de ordem política autoritária,
relativamente estável, esta macrorregião foi atravessada por uma forte agitação
popular, a designada "Primavera Árabe".
Assistiu-se, assim, à queda de regimes autocráticos na Tunísia, na Líbia e no
Egito, e a confrontos civis prolongados na Síria, bem como a reformas políticas
pacíficas em Marrocos e na Jordânia. Esta inicial "movimentação de
massas" abriu as portas do poder a formações políticas alinhadas com a
Irmandade Muçulmana, nalguns desses estados (como a Tunísia, Egito e Marrocos).
Mas em pouco tempo ficou claro que estados da região, como a Arábia Saudita, se
opunham a esta ascensão, apadrinhada por outro estado do Conselho de Cooperação
do Golfo - o Qatar. Ou seja, as revoltas árabes fizeram o campo sunita
dividir-se no momento em que o Irão reforçava a sua influência geopolítica.
Todavia, o fenómeno de insegurança no Norte de África não é somente resultado
da "Primavera Árabe", tem também raízes num conjunto de fatores
estruturais e históricos. A eclosão de revoltas populares na Tunísia, na Líbia
e no Egito tem desempenhado um papel na aceleração e ampliação de um fenómeno
que era menos percetível. Com efeito, a instabilidade do contexto político foi
propícia ao desenvolvimento de vários movimentos criminosos e terroristas.
Mais especificamente, o aqim e outros grupos radicais têm sido capazes de se
aproveitar dessa instabilidade política, alargando o seu controle sobre muitas
áreas da Líbia ao Mali, simultaneamente entrando em território tunisino e
reforçando posições na Argélia. A fraqueza dos mecanismos de cooperação
regional no Norte de África constitui um fator agravante das ameaças de
segurança.
Quanto aos estados localizados na bacia energética da África Ocidental também
esta área enfrenta vários fatores de instabilidade política, económica e social
que afetam bastante o contexto para o investimento e desenvolvimento das
respetivas atividades económicas. Com feito, a pirataria no golfo da Guiné, a
par com a crescente expansão do grupo Boko Haram com claras ligações ao esi
contribuem para a criminalização crescente das sociedades para a violência
organizada e para a proliferação dos conflitos armados de um novo tipo, com as
respetivas consequências nos planos humanitário, social, económico e ambiental.
A falta de transparência na gestão dos "assuntos públicos", a
corrupção e o clientelismo das elites que detêm o poder reduziram a capacidade
dos estados para assumirem as suas responsabilidades. Os problemas de
governação colocam em causa os esforços de desenvolvimento social, que implicam
continuidade política e uma visão de longo prazo, contribuindo para atrasar os
efeitos do ajustamento estrutural, na medida em que aumentam os receios dos
investidores.
Na bacia energética da África Ocidental, vários países têm vindo a ganhar
importância na arena da geopolítica do petróleo graças às descobertas de novas
reservas e à expansão da produção6. Dentre estes destacam-se a Nigéria, Angola,
a República do Congo, a Guiné Equatorial e o Gabão.
Atualmente, "mais de metade da produção petrolífera da África Ocidental
provém de campos petrolíferos localizados offshore". Estas zonas estão a
evoluir com grande dinamismo graças aos desenvolvimentos tecnológicos que têm
permitido às grandes international oil companies (IOC) localizar, dimensionar e
explorar recursos situados no fundo do mar a profundidades cada vez maiores7.
Desde há décadas que se verifica a presença das supermajorse das majors8 nesta
região: Shell, Mobil, Chevron, Elf, Agip, e Texaco.
CENÁRIO ENERGÉTICO DE PORTUGAL
O cenário energético nacional atual é caracterizado por uma forte dependência
externa (79,4 por cento em 2012), com uma procura energética com taxas de
crescimento significativamente superiores às do crescimento do PIB, e com um
sistema energético fortemente dependente de fontes primárias de origem fóssil
(petróleo, gás natural e carvão). Portugal está assim perante uma reduzida
diversificação da oferta energética primária, aliada à escassez de recursos
próprios, que conduz a uma maior vulnerabilidade do sistema energético às
flutuações dos preços internacionais, nomeadamente do preço do petróleo,
exigindo esforços no sentido de aumentar a diversificação.
À semelhança do que se verifica no panorama energético mundial, em Portugal o
petróleo ocupa uma posição central entre as várias fontes energéticas tendo, em
2012, representado 43,3 por cento do consumo total de energia primária.
Segundo a Direção-Geral de Energia e Geologia (dreg)9, a introdução do gás
natural em 1997 contribuiu para diversificar a estrutura da oferta de energia e
reduzir a dependência exterior em relação ao petróleo. Desde então, tem-se
registado uma evolução positiva no mixenergético, representando este
combustível, em 2012, 18,4 por cento do total do consumo em energia primária.
Em 2012, o contributo das energias renováveis no consumo total de energia
primária foi de 20,8 por cento contra 21,4 por cento em 2011.
Dado que Portugal não é produtor nem de crude, nem de gás natural, encontra-se
muitíssimo dependente das importações destes dois hidrocarbonetos para
satisfazer as suas necessidades internas10, enfrentando uma situação
preocupante: por um lado, não possui fontes energéticas e, por outro,
desperdiça ou utiliza de forma pouco eficiente os recursos energéticos.
"Portugal apresenta um cenário energético que pode ser apelidado de
convencional e pouco flexível: depende de forma crítica do consumo de
combustíveis fósseis e o petróleo satisfaz mais de metade do consumo"11.
O setor energético nacional concentra-se à volta de empresas de grande porte e
dimensão, encontrando-se estas entre as maiores de qualquer país. Em Portugal
verifica-se o mesmo, destacando-se a Galp Energia, a partex Oil and Gas, a EDP
e a REN.
Em relação à organização do setor petrolífero nacional12, a maior companhia
portuguesa é a subsidiária da Galp Energia13- a Petrogal. Esta última
controla o midstream e o downstreamdoméstico petrolífero em Portugal e mantém
atividades de produção no Brasil e em Angola. No presente, a Galp está a passar
uma fase em que deixará de ser uma petrolífera regional que operava na
refinação e distribuição para apostar no upstream, ou seja, na produção.
Portugal dispõe de duas refinarias da Petrogal. Uma situada em Sines e outra no
Porto, com uma capacidade de destilação de 220 mil barris por dia. O mercado a
retalho também é dominado pela Petrogal no que diz respeito aos produtos
refinados de petróleo e à rede de oleodutos do país.
Todavia, em relação ao petróleo Portugal confronta-se com duas fraquezas. Por
um lado, com um elevado e persistente nível de intensidade energética em função
do grau de desenvolvimento (PIB); por outro, a dimensão do mercado acaba por
determinar a escala de atividade do operador.
O setor do gás natural tem crescido bastante nos últimos anos. Até 1997, data
em que foi introduzido no País, o consumo deste hidrocarboneto era praticamente
inexistente; todavia, em 2004, o consumo atingiu os 4,3 mil milhões de metros
cúbicos. Tal aumento pode ser atribuído à construção da infraestrutura de
importação, incluindo a rede de gasoduto que liga Portugal (através das duas
ligações ao gasoduto de Espanha: Tarifa e Tuy) ao Norte de África e o terminal
para a receção de gás natural liquefeito (GNL). Em relação à organização do
setor é também uma subsidiária da Galp Energia quem domina - Gás de
Portugal (GdP). A GdP controla diretamente a importação, o transporte e o
fornecimento de gás; e, indiretamente, a distribuição através das suas
participações em nove empresas de distribuição regional. A rede de distribuição
de gás natural tem, neste momento, 12 348 quilómetros, dos quais 9333
quilómetros foram construídos em 2007.
Em outubro de 2003, Portugal concluiu o seu primeiro terminal de GNL em Sines.
Este terminal foi dirigido pela subsidiária da Galp Energia - a Galp
Atlântico - tendo sido adquirido em setembro de 2006 pela REN14, o que
permitiu ao País uma maior independência no âmbito do aprovisionamento do gás.
Todavia, continuamos dependentes da rede de gás natural espanhola para o
transporte do gás natural para Portugal.
No setor do gás natural, Portugal deverá aproveitar no âmbito da expansão/
reconversão do sistema eletroprodutor europeu, das vantagens geoestratégicas e
geopolíticas do País, através da criação de um forte núcleo de cccgn,
alimentado pela importação de matéria-prima alternativa aos fornecimentos da
Rússia e à União Europeia (UE). Face ao que antecede e das duas áreas em
análise, Portugal depende claramente, em termos de aprovisionamento energético
de Angola, da Argélia e da Nigéria.
De acordo com os dados disponibilizados pela DGEG15, em 2013, a importação de
petróleo bruto teve origem essencialmente nos continentes africano (65,7 por
cento) e asiático (31,9 por cento). Na bacia da África Ocidental têm origem
60,4 por cento, destacando-se claramente Angola (36,5 por cento), seguida pelos
Camarões (11,5 por cento) e Nigéria (6,7 por cento); e, 5,3 por cento do Norte
de África, nomeadamente da Argélia (quatro por cento) e da Líbia (1,3 por
cento).
Em 2013, Portugal importou de 13 países, o que demonstra a reduzida dependência
de um só fornecedor de crude. As refinarias da Galp Energia encontram-se
estrategicamente localizadas no litoral do País, o que lhes permite receber
crudes oriundos de quase todo o mundo, diversificando a sua base de
fornecedores.
Em relação ao gás natural, em 2013, a Galp Energia prosseguiu com uma política
de gestão ativa das diversas fontes de aprovisionamento, incluindo o mercado
spot, tendo adquirido um total de 7,1 bcm de gás natural. Destes, 46,5 por
cento (3,3 bcm) provieram da Nigéria, através dos contratos estabelecidos com a
Nigeria lng, foram transportados em metaneiros até ao terminal de liquefação de
Sines. Enquanto 31 por cento (2,2 bcm) vieram da Argélia, através dos gasodutos
Europe Maghreb Pipeline (empl), Al-Andalus e Extremadura.
Olhando para a tabela anterior, é possível avaliar, segundo o country rating, o
risco dos países abastecedores de crude e de gás natural a Portugal, em 2013,
oriundos das duas áreas em estudo, respetivamente.
Dos sete países abastecedores de petróleo e dos dois de gás natural a Portugal,
das duas áreas em estudo, apenas um país - a Argélia - se encontra
classificado como A4, ou seja, trata-se de um país em que as perspetivas
políticas e económicas são fracas e em que o ambiente de negócios é volátil,
podendo afetar os pagamentos e trocas das empresas. Quatro estão classificados
como C, totalizando 58,1 por cento do abastecimento de petróleo a Portugal;
tratando-se de países que apresentam uma evolução política e económica muito
incerta e um ambiente de negócio com muitas fraquezas, com inerentes impactos
nos comportamentos de trocas e de pagamentos das empresas. Finalmente, a Líbia
está considerada como apresentando um elevado risco - D - dado
apresentar uma situação política e económica de elevado risco e um ambiente de
negócios bastante difícil, com probabilidades de impactos significativos no
comportamento de trocas e de pagamentos das empresas.
PRINCIPAIS APROVISIONADORES DO NORTE DE ÁFRICA E DA BACIA DA ÁFRICA OCIDENTAL
O principal aprovisionador nacional do Norte de África é a Argélia, pois
abastece 35 por cento da energia portuguesa (petróleo e gás natural).
As reservas de hidrocarbonetos descobertas até hoje estão repartidas em
aproximadamente 200 campos de petróleo e de gás, dos quais 73 estão localizados
na bacia de Illizi, 57 nas bacias do Sara Central, 34 nas bacias de Gadamès-
Rhourde Nouss e 31 na bacia de Oued Mya; 67 por cento das reservas iniciais de
petróleo e de gás natural em produção estão localizadas nas províncias de Oued
Mya e Hassi Messaoud, onde se situam os dois campos gigantes de Hassi Rmel
(gás) e de Hassi Messaoud (petróleo). No que respeita ao petróleo, em finais de
201317, a Argélia detinha em reservas provadas de petróleo o equivalente a 12,2
mil milhões de barris. Com as recentes descobertas de petróleo, e com planos
para mais explorações através de perfurações, pensa-se que as reservas provadas
de petróleo poderão aumentar nos próximos anos. A média de produção de petróleo
bruto foi de 1575 mil barris/dia ao longo de 201318(-2,7 por cento que no ano
anterior).
O setor dos hidrocarbonetos é o pilar da sua economia, sendo responsável por
cerca de 60 por cento das receitas orçamentais. O superavitcomercial deve cair
novamente em 2015, resultado do declínio das receitas de exportações de
petróleo e gás, uma vez que estes representam 95 por cento das receitas de
exportação.
Após a nacionalização do gás natural e do petróleo, em 1971, a empresa estatal
sonatrach passou a dominar o mercado. O seu papel hegemónico no setor passa não
só pela formulação da política argelina, no que respeita ao gás e ao petróleo,
mas também pela prospeção, produção, distribuição e exportação de
hidrocarbonetos. Este perfil típico da Argélia, de monoprodução, mono-
exportação e mono-investimento, acarreta uma grande dose de incerteza e
instabilidade, já que depende, como é óbvio, das oscilações dos preços de
petróleo nos mercados internacionais. A sonatrach é a maior fonte de divisas na
Argélia. É também o maior consumidor de crédito externo para o investimento.
No que respeita ao gás natural a produção comercial na Argélia começou em 1961.
Em finais de 2013 tinha 4,5 TMC de reservas provadas de gás natural, com um r/
p de 57,3 anos19. O maior campo de gás argelino é Hassi R'Mel, descoberto
em 1956, com reservas provadas de 2,4 bmc, e que representa cerca de um quarto
do total da produção de gás seco da Argélia. Em 2013, a Argélia produziu 78,6
bmc de gás natural (+3,3 por cento que em 2012), sendo o nono maior produtor a
nível mundial e o quarto maior entre os membros da OPEP. A Argélia consumiu
32,3 bmc de gás natural nesse ano20, e exportou via gasoduto 28 bmc de gás
natural e via marítima 14,9 bmc de GNL21.
Ainda em relação ao GNL, com o início da exploração em Arzew em 1964, o país
tornou-se no primeiro produtor de GNL. É ainda o quarto maior exportador de
GNL, atrás da Indonésia, da Malásia e do Qatar, com 13 por cento do total
mundial.
A Argélia tem permitido um aumento do investimento estrangeiro neste setor e os
produtores estrangeiros de gás têm estabelecido numerosos acordos de parceria
com a sonatrach, que domina a produção e a distribuição por grosso. A Sonelgaz,
também estatal, controla a distribuição a retalho e existem planos para a
permissão de participação estrangeira no setor do retalho do gás natural.
Alguns dos operadores estrangeiros na Argélia são a bhp Billiton, a bp, a
Repsol, a Statoil e a Total.
Da bacia da África Ocidental Angola e Nigéria são, sem dúvida, os dois
aprovisionadores de Portugal mais importantes.
Angola é o primeiro abastecedor de petróleo ao nosso País, representando 26,5
por cento (em 2013). Diferentes avaliações das reservas provadas de petróleo de
Angola apontavam, em 2013, para 12 mil milhões de barris22. A maioria dessas
reservas localiza-se no offshoree uma parte significativa no deep offshore.
A produção aumentou rapidamente de 2002 até 2008, tendo experimentado uma
estabilização nos anos posteriores, coincidindo com a fase mais aguda da crise
económica mundial e com problemas operacionais nalguns campos. A produção é
quase integralmente exportada. Em 2007, Angola tornou-se membro da OPEP. De
acordo com o regime de quotas da organização a produção de Angola deveria
situar-se entre os 1,52 milhões de barris por dia e os 1,66 milhões por dia.
Angola é já atualmente o maior produtor de petróleo em África, tendo
ultrapassado a Nigéria, em 2009 (devido aos ataques às infraestruturas
petrolíferas do delta do Níger). O petróleo representa 90 por cento das
exportações de Angola e cerca de 80 por cento do seu PIB.
No que respeita ao gás natural, a produção angolana está estritamente ligada à
produção de petróleo, estando em curso uma instalação de GNL para exportação.
A empresa estatal Sonangol partilha com dezenas de empresas internacionais a
exploração de blocos concessionados em regime de leilões, sendo no entanto
operadora de um número reduzido deles e tendo-se associado à chinesa.
Não obstante as limitações impostas pelo regime de quotas da OPEP - a que
aderiu -, Angola deverá aumentar a sua capacidade de produção de petróleo
no curto prazo devido à entrada em produção de novos projetos no offshoreaté
2014.
Observando quais os operadores dos novos projetos destacam-se, tendo em conta a
capacidade prevista dos blocos respetivos: BP(Reino Unido), chevron (Estados
Unidos), Total (França), EXXon Mobil (Estados Unidos).
NIGÉRIA
Em finais de 2013, em termos de reservas provadas de petróleo, a Nigéria
dispunha de 37,1 mil milhões de barris, com um r/p de 43,8 anos. A maior parte
das reservas estão localizadas ao longo do delta do Rio Níger, no Sudeste
nigeriano e offshoreno Bight de Benin, golfo da Guiné e Bight de Bonny. Em
2013, este país foi o maior produtor de petróleo em África, o 11.º em termos
mundiais23, e é membro da OPEP desde 1971. Até há pouco tempo, o upstreamdo
setor petrolífero estava nas mãos das majorse das supermajors:Shell (através da
Shell Petroleum Development Company), que explora mais de 100 campos produtores
(destacando-se o offshoreultraprofundo de Bonga), de crude e de gás natural;
EXXon Mobil que, em 2005, produzia um pouco mais de 19 por cento do crude
nigeriano (nas áreas de produção Yoko, Bosi e, ainda, o offshorede Ehra); a
Total, responsável por cerca de dez por cento da produção (sobressaindo os
campos de Amenam e, num futuro próximo, em Akpo). Cabe ainda mencionar as
presenças da ChevronTexaco e da Eni e a ConocoPhilips; e, em finais de 2004, a
entrada da companhia chinesa Sinopec.
Em 2005, São Tomé e Príncipe e a Nigéria estabeleceram um projeto designado
"Joint Development Zone" (JDZ) para a exploração da reserva de
petróleo situada na fronteira marítima entre os dois países, tendo sido
acordada a constituição de uma zona conjunta de exploração e a formação de uma
comissão para o efeito.
Na realidade, trata-se de uma área de sobreposição de fronteiras marítimas,
cujo diferendo foi resolvido, em 21 de fevereiro de 2001, mediante um acordo
que estabeleceu 60 por cento de capital para a Nigéria e 40 por cento para São
Tomé e Príncipe.
A Nigéria passou parte da sua história recente por numerosos golpes militares
(seis dos quais com sucesso), uma guerra civil (que teve como preço a perda de
um milhão de civis), três transições para a democracia inconclusivas e
violência recorrente entre diversas fações. Apesar de ter angariado mais de
US$400 biliões em receitas petrolíferas desde o início dos anos 1970, a
economia tem tido um mau desempenho e a maior parte dos cidadãos pouco
beneficiaram.
O retorno à democracia na Nigéria, em 29 de maio de 1999, foi esperado com o
fim da repressão e da corrupção do regime militar dirigido por Sami Abacha. No
entanto, a nova democracia nigeriana tem sido marcada por dificuldades
económicas, conflitos étnicos, religiosos e regionais. O petróleo mergulhou a
Nigéria na Dutch disease, fenómeno através do qual o agravamento das rendas
oriundas dos recursos naturais aumenta a taxa de câmbio, tornando as restantes
indústrias de exportação não competitivas e conduzindo à desindustrialização.
A economia mono-commoditynigeriana tem sido sustentável, apesar de alguns
comportamentos sociais e do grande risco para a unidade nacional. A partir de
2006, intensi-ficaram-se os ataques de militantes de comunidades locais,
destacando-se o medn (cada vez mais como uma organização umbrellapara os grupos
rebeldes no delta), contra instalações petrolíferas situadas no delta do Níger,
conduzindo ao encerramento de campos petrolíferos de produção onshoree
offshore. Paralelamente, o bunkeringde petróleo tem acelerado o conflito e
provido os grupos militantes e criminosos com fundos para a aquisição de armas.
Torna-se, deste modo, fundamental encontrar uma resolução para os crescentes
conflitos no delta do Níger, dado que afetam não só a Nigéria como toda a
segurança regional, continental e marítima.
PORTUGAL HEDGE OUR BETS - ESTRATÉGIAS E CAMINHOS POSSÍVEIS
Pode-se afirmar que o setor da energia é estratégico para o aumento da
competitividade da economia portuguesa, quer através da redução da fatura
energética, quer através de medidas para a proteção do ambiente (tendo em conta
as alterações climáticas), quer através do contributo para a modernização
tecnológica dos agentes económicos e das empresas.
Em termos de diretrizes gerais que têm orientado a política energética de
Portugal, nos últimos anos24, esta tem sido articulada no sentido de alcançar
vários objetivos estratégicos, nomeadamente: i) garantir fontes de energia
final a preços relativamente competitivos; ii) melhorar a eficiência energética
do País (redução em 25 por cento do consumo até 2020), com o Estado como
primeiro exemplo (redução de 30 por cento do consumo até 2020); iii) direcionar
consumos para as fontes de energia que façam mais sentido para Portugal, quando
considerada a balança de pagamentos; iv) garantir um modelo energético de
racionalidade económica e incentivos aos agentes de mercado; v) reforçar a
diversificação das fontes primárias de energia; vi) assegurar o cumprimento dos
objetivos de redução das emissões de gases com efeito de estufa; vii) reduzir a
dependência petrolífera do País, objetivo que será alcançado através do reforço
da utilização de biocombustíveis, da aposta no transporte coletivo de
qualidade, e o investimento nos modos ferroviário e marítimo no transporte para
a Europa; viii) promover a competitividade, a transparência dos preços, o bom
funcionamento e a efetiva liberalização de todos os mercados energéticos; ix)
apoiar o desenvolvimento e internacionalização das empresas do setor energético
(com ênfase nas tecnologias renováveis); x) a médio prazo, conseguir que
Portugal tenha a mais baixa intensidade na UE; xi) mercados energéticos
liberalizados, altamente competitivos.
No contexto atual, Portugal deverá ter em conta que o conceito de segurança, no
âmbito internacional, confronta-se, por um lado, com a restrição potencial da
oferta da OPEP e, por outro, com uma alteração radical dos atores da oferta
- NOC - tendo-se de encarar a segurança energética numa dupla
perspetiva: por um lado, económica, isto é, reduzir a chantagem económica dos
fornecedores, por exemplo, da Argélia ou da Nigéria a Portugal; e, por outro,
estratégica, ou seja, de que forma é que os países consumidores se podem
proteger contra eventuais turbulências em regiões produtoras, que podem
envolver restrições e disrupções de abastecimento (por exemplo, a
intensificação, dos conflitos no delta do Níger). Paralelamente, no quadro
europeu, vários países da UE dependem do fornecimento de gás natural da Rússia,
aumentando ao mesmo tempo a dependência de origens politicamente mais
instáveis. Com efeito, cerca de 76 por cento do gás consumido na Europa hoje é
importado de apenas três países, sendo que 32 por cento tem origem na Rússia25.
As fontes de aprovisionamento diversificar-se-ão conforme aumenta a importância
do GNL. A importação por gasoduto manter-se-á predominante, mas as suas
limitações obrigam a um recurso mais acelerado ao GNL. A capacidade adicional
procedente da construção/ampliação de gasodutos apenas poderá cobrir
parcialmente as novas necessidades de importação. O GNL poderia satisfazer
outras necessidades, mediante um forte aumento da sua capacidade.
Com efeito Portugal tem hoje dois grandes desafios: por um lado, assegurar um
crescimento sustentado num quadro geoeconómico regional que não asfixie a sua
economia; e, por outro, ganhar maior autonomia de relacionamentos externos que
permitam reforçar o poder negocial no espaço da UE.
A posição geográfica de Portugal, frequentemente avaliada como periférica, está
a ser transformada na sua valia pelos seguintes processos26. Por um lado, o
início das negociações para a formação de uma zona de livre troca
transatlântica, envolvendo os Estados Unidos e o Canadá, e a UE (e estados da
efta), abre oportunidades para o aumento das exportações europeias para os
Estados Unidos/Canadá e para a eventual implantação na Europa de empresas do
continente norte-americano, interessadas em vender para a Europa, África e
Médio Oriente. Parceria que poderá envolver um reforço do papel dos Estados
Unidos na segurança energética da Europa, através do fornecimento de shale gas
à Europa, podendo Portugal intervir no fornecimento desse gás a estados
europeus.
Por outro, a transformação do Atlântico Sul num nexo de bacias energéticas de
importância mundial, quer na margem latino-americana, quer na margem africana,
estendendo-se à costa africana do Índico, vai originar um forte crescimento das
exportações de petróleo e gás natural com origem nessas bacias; por sua vez, a
maior autonomia energética dos Estados Unidos, após a revolução do shale gase
do tight oil, vai libertar uma parte mais substancial dessa nova capacidade de
produção de petróleo e gás natural para o abastecimento da Europa Ocidental
(substituindo parcialmente os fluxos atuais vindos do espaço euro-asiático),
enquanto as grandes descobertas no Mediterrâneo Oriental (em Israel, Chipre e
possivelmente Grécia) podem vir a modificar a geografia do abastecimento
energético da Europa de Leste. Por fim, o processo de extensão das plataformas
continentais, ocorrendo neste ambiente de busca de novas fontes de minérios
(mas também de recursos biológicos suscetíveis de aplicação na descoberta de
novos fármacos) valoriza países com configuração arquipelágica como Portugal.
Neste contexto, Portugal deverá ponderar as cinco estratégias que a seguir se
apresentam. Primeiro, construir pelo menos mais um terminal de GNL, permitindo
ao País a possibilidade de diversificar o seu fornecimento. Segundo, tornar-se
num potencial hubda Península Ibérica, para posterior distribuição na Europa,
retirando assim partido das condições geográficas e de infraestruturas que já
detém. Com efeito, hoje em dia Portugal, em conjunto com Espanha, detêm sete
terminais de GNL, totalizando com a restante Europa 12 terminais. A Europa
necessita de novos terminais de GNL.
Terceiro, e paralelamente, Portugal tem uma plataforma geográfica ideal para
armazenar gás natural, permitindo reduzir a dependência energética nacional e
distribui-lo à Europa (Bélgica e Holanda já distribuem) e participar num plano
estratégico integrado através do reforço de conexões internacionais com Espanha
e França e assim chegar facilmente à Europa Central através da armazenagem na
costa algarvia27.
Quarto, através da Galp, há que continuar a aumentar a presença direta na
produção de gás (upstream), similar à estratégia seguida no petróleo28; aceder
a instalações de liquefação em países exportadores de gn e de regasificação na
Península e desenvolvimento de centrais de ciclo combinado para colocação de
gn; reforçar a contratação de gn com diversificação de origens; e penetrar no
mercado espanhol. Por último, apostar na eficiência energética e nas energias
renováveis, o que contribui não só para a segurança energética nacional, como
está de acordo com o triângulo mágico da UE.
Para finalizar, a segurança de aprovisionamentos implica respostas não só
económicas, como políticas e as políticas energéticas domésticas exercem
inevitavelmente uma influência externa sobre os abastecimentos energéticos. Em
relação às políticas energéticas externas, há que conjugar as abordagens
multilaterais e as bilaterais. Assim, duas ideias fundamentais: por um lado, a
importância de um reforço da cooperação portuguesa e da UE com o Norte de
África e com a bacia da África Ocidental; e, por outro, a inclusão duma
diplomacia económica orientada prioritariamente para a defesa dos interesses
estratégicos do Estado no domínio da energia.