Os partidos socialistas e as transições democráticas europeias: A transição
portuguesa como lição para a Revolução Europeia de 1989
A actuação internacional em processos de mudança de regime político é algo que
tem vindo a merecer a atenção de vários académicos, principalmente no campo da
Ciência Política e das Relações Internacionais. É sobejamente conhecida a
expressão de Samuel Huntington que apresenta a transição portuguesa para a
democracia, iniciada com o golpe de 25 de Abril de 1974, como o primeiro passo
daquela que se tornou a "terceira vaga de democratização" que se
estenderia primeiro à Europa do Sul, depois à América Latina e finalmente à
Europa Central e de Leste com os acontecimentos de finais da década de 19802.
O alcance e o impacto da dimensão internacional em cada uma destas regiões foi
diferente, como naturalmente foram diferentes os caminhos rumo à
democratização3. Ainda assim, torna-se claro, pelo desenvolvimento dos
trabalhos acerca deste assunto, que a análise desta dimensão externa deverá ter
em conta a multiplicidade de actores que se envolveram nestas transições
políticas, indo muito para além das intervenções dos Estados. Partidos
políticos, grupos religiosos, famílias políticas internacionais, grupos de
interesses estão entre os múltiplos actores que terão tido um impacto
significativo num contexto de mudança de regime, nomeadamente pelo
estabelecimento de redes de apoio mais ou menos informal para fomentar e apoiar
a mudança de regime4. Neste sentido, a actuação dos partidos socialistas e
sociais-democratas europeus durante a transição portuguesa para a democracia
tornou-se uma espécie de lição que seria, de algum modo, reproduzida nos casos
subsequentes de cenários de democratização - muitas vezes com o carácter
paradoxal de procurar evitar uma repetição do que se passou em Portugal no
período revolucionário de meados da década de 1970.
Neste artigo procuramos analisar a estratégia pró-democratizadora da
Internacional Socialista, organização que congregava os partidos socialistas e
sociais-democratas europeus ocidentais5, durante a transição portuguesa para a
democracia e o impacto que esta teve na actuação posterior da IS em cenários de
transição política. Daremos uma particular atenção ao papel do Partido Social-
Democrata alemão (SPD), que, pelos recursos materiais de que dispunha e pela
sua influência política internacional, ocupou uma posição liderante no
movimento social-democrata internacional - papel liderante esse que saiu
reforçado com a eleição de Willy Brandt como Presidente da IS em 1976.
A INTERNACIONAL SOCIALISTA E A MUDANÇA DE REGIME NA EUROPA NOS ANOS 1970
O papel dos actores não-estatais e a as suas actividades transnacionais
tornaram-se um objecto recente da história internacional, como o demonstram os
trabalhos de Wolfram Kaiser e Anne Marie Le Gloannec6. As características
específicas destes actores, nomeadamente a sua capacidade de ultrapassar a
dimensão governamental e interagir transnacionalmente sem os confrangimentos
dos actores estatais, tornam-nos particularmente interessantes quando
analisamos mudanças de regime político e actividades de promoção de
democracia7.
A Internacional Socialista foi um dos principais actores não-estatais do bloco
ocidental na segunda metade da Guerra Fria, reunindo os mais influentes
partidos socialistas e sociais-democratas europeus. Fundada em 1951, o seu
princípio orientador tinha como objectivo "expressar a solidariedade com
todos os povos que viviam sob a ditadura, quer fosse fascista ou comunista, nos
seus esforços para conquistar a liberdade"8. Isto claramente ilustra que
a IS receava e combatia tanto o comunismo como o fascismo, "algo que
seria determinante no seu papel perante as transições da Peninsula Ibérica, em
particular no caso de Portugal"9.
Nos anos 1970, a Internacional Socialista viveu um período de crescente
influência política internacional, sobretudo por a grande maioria dos seus
partidos-membros ocupar as lideranças dos respectivos governos. Willy Brandt
tinha sido eleito Chanceler Federal em Outubro de 1969, o mesmo ano em que Olof
Palme tinha sido o escolhido dos suecos para o cargo de Primeiro-Ministro.
Bruno Kreisky alcançou a Chancelaria austríaca em 1970, Joop den Uyl, do
Partido Trabalhista holandês, foi eleito Primeiro-Ministro em 1973 e, em 1974,
o Partido Trabalhista britânico retomou a liderança do governo com Harold
Wilson. O facto de os chefes de governo das principais capitais europeias
democratização de Portugal e Espanha. Serem simultaneamente os dirigentes dos
partidos socialistas e sociais-democratas trouxe uma imensa visibilidade à
Internacional Socialista. Como veremos no caso das transições ibéricas, este
acesso privilegiado aos meios de actuação governamental e não-governamental
tornou-se um instrumento bastante flexível - nomeadamente no caso
particular da actuação da Alemanha Ocidental e do SPD10.
A acrescentar a isto, é necessário também dizer que o próprio contexto
internacional contribuiu para a influência enorme que os partidos socialistas e
sociais-democratas europeus tiveram nas transições ibéricas de meados da década
de 1970. Na verdade, a evolução da Guerra Fria para um ambiente de
desanuviamento conhecido como a détente, na década de 1960 e 1970, criou uma
janela de oportunidade para outros actores internacionais, quer governamentais
quer não-governamentais, para desenvolverem várias iniciativas autónomas na
política internacional11. Como o Trabalhista britânico James Callaghan
reconhecia em Janeiro de 1973, "existe agora uma oportunidade [para os
socialistas democráticos] escaparem das trocas estéreis da Guerra
Fria"12. Mais uma vez, serão os alemães ocidentais quem se revelará
particularmente apto a aproveitar esta oportunidade, aumentando
exponencialmente a sua influência nos assuntos internacionais. Os passos
iniciais foram dados com a chegada ao poder do Partido Social-Democrata alemão
(SPD) como principal partido da coligação governamental com o Partido Liberal
Alemão (Freie Demokratische Partei - FDP), a partir de Outubro de 1969. A
partir daqui, quer pelo desenvolvimento de uma política autónoma de aproximação
ao bloco de Leste, a Ostpolitik,quer pelo reforço das suas ligações à Europa
Ocidental, através da aposta no alargamento da CEE à Grã-Bretanha, concluído em
197313. Neste aspecto, a liderança de Willy Brandt é determinante, não só
durante os anos em que foi Chanceler federal, como após a sua demissão da
chefia de governo, em Maio de 1974. A presença de Willy Brandt à frente do SPD
foi determinante, por sua vez, para a crescente visibilidade das actividades
internacionais da IS. Os recursos disponíveis, nomeadamente a capacidade
financeira do SPD e a Fundação Friedrich Ebert (Friedrich Ebert Stiftung
- FES), revelaram-se fundamentais para o desenvolvimento de uma
estratégia de acompanhamento e compromisso com a democratização de Portugal e
Espanha que se tornariam no modus operandida instituição em futuros cenários de
alteração de regime político14. Nesse sentido, há uma indiscutível liderança da
Alemanha Ocidental na Internacional Socialista. A partir de 1976, essa
liderança torna-se um elemento de facto, uma vez que Willy Brandt é escolhido
como Presidente da Internacional15. Tendo em mente este papel preponderante da
social-democracia da Alemanha Ocidental na liderança, política e material, da
Internacional Socialista, fará todo o sentido explorar em mais detalhe o
acompanhamento que fez da transição portuguesa. Na realidade, a experiência
portuguesa terá sido uma das principais inspirações para a futura actuação
internacional da is nos processos de democratização que se seguiram -
acima de tudo procurando evitar que se repetissem os momentos mais
radicalizados vividos em Portugal em meados da década de 1970.
OS PARTIDOS SOCIALISTAS EUROPEUS E A TRANSIÇÃO PORTUGUESA PARA A DEMOCRACIA
Em 25 de Abril de 1974, Mário Soares, líder do Partido Socialista Português e
principal opositor das forças não-comunistas ao regime do Estado Novo, tinha
agendado um encontro com o líder do Partido Social-Democrata Alemão (SPD) e
Chanceler Federal, Willy Brandt. Tratava-se de um acontecimento histórico: o
líder de um pequeno partido político português, clandestino e ilegal no seu
próprio país, seria recebido oficialmente pelo Secretário-Geral de um dos mais
influentes partidos sociais-democratas europeus, que era simultaneamente chefe
de governo do principal país da Europa Ocidental16.
O caminho percorrido por Mário Soares no exílio, desde 1970, tinha-o levado
várias vezes a Bona. Soares sabia que era necessário o apoio dos partidos-
irmãos da Europa ocidental para fortalecer o seu grupo socialista e granjear o
apoio dos seus países para influenciar a evolução política do regime português.
Através de várias iniciativas, a Acção Socialista Portuguesa (ASP) foi ganhando
uma voz junto dos influentes partidos socialistas e sociais-democratas da
Europa Ocidental: de um modo geral, como referimos atrás, quase todos chegariam
ao poder na primeira metade da década de 1970. Em 1972, a ASP foi admitida na
Internacional Socialista (IS) e, em Abril do ano seguinte, foi fundado o
Partido Socialista Português (PS) numa academia da Fundação Friedrich Ebert em
Bad Münstereifel, na Alemanha Federal17. Esta crescente aproximação entre a
social-democracia alemã, em particular através da Fundação Ebert, e a ASP/PS
revela uma gradual preocupação com a situação em Portugal e a necessidade,
sentida por parte dos sociais-democratas, em ter pontos de contacto
estabelecidos com as forças de oposição que lhes eram ideologicamente próximas.
O mesmo aconteceu nas restantes capitais europeias, passando o PS a ter bases
de apoio para levar a cabo as suas acções de crítica ao governo português. O
exemplo mais flagrante foi a iniciativa conjunta do PS e do Partido Trabalhista
britânico, já em Julho de 1973, aquando da visita do Presidente de Conselho
português a Londres a convite do governo conservador, em que foram organizadas
variadíssimas manifestações contra o regime e a sua política colonial18.
Assim, a atitude dos partidos sociais-democratas europeus perante o regime
português tinha já mudado nas vésperas da revolução de Abril de 1974, se bem
que as notícias do golpe dos Capitães não deixaram de provocar alguma surpresa.
Porém, uma vez que a Junta de Salvação Nacional (JSN), o órgão que representava
o poder político a partir de 25 de Abril de 1974, se apressou em confirmar a
manutenção dos compromissos internacionais de Portugal, ou seja, a sua lealdade
à nato (e a continuação da presença americana nos Açores) e ao bloco ocidental,
houve também uma atitude de "expectativa benevolente" relativamente
à evolução dos acontecimentos em Portugal19.
Do ponto de vista da Internacional Socialista, foi imediatamente emitido um
comunicado em que o seu Presidente, Bruno Pitterman e o seu Secretário-Geral,
Hans Janitschek - a cúpula da organização - saudavam
"entusiasticamente" a iniciativa das Forças Armadas portuguesas,
não deixando de expressar "o seu completo apoio e solidariedade com o
Partido Socialista Português"20. A primeira reacção prática da IS foi a
de apelar aos partidos-membros para que apoiassem material e financeiramente o
PS. A lista das necessidades enviada pelo Partido Socialista era longa e
incluía itens tão díspares como automóveis, fotocopiadoras, papel, secretárias
e cadeiras, para além da necessidade de "apoio financeiro para permitir o
pagamento de salários dos funcionários" de que o partido precisava para
fazer face à nova realidade política portuguesa21. Este é o exemplo mais claro
do papel desempenhado pela Internacional Socialista durante a transição
portuguesa: serviu de intermediária e mobilizou os partidos socialistas e
sociais-democratas europeus para o apoio ao Partido Socialista. Apesar de os
auxílios dados ao PS, em termos materiais e de apoio público, terem sido
principalmente feitos ao nível bilateral, ou seja, de partido para partido, a
Internacional Socialista funcionou como uma estrutura adicional para enquadrar
esta assistência internacional e para reforçar os contactos internacionais de
Mario Soares e do PS.
A expectativa benevolente inicial, porém, dissipou-se ao longo do Verão de
1974. Provocado pela discussão em torno da resolução da questão colonial, o
fosso entre o Movimento das Forças Armadas (MFA) e o Presidente da República,
General António de Spínola22, aprofundou-se, levando finalmente à demissão do
General em finais de Setembro de 1974. À medida que a situação portuguesa se
foi radicalizando, crescia também o receio ocidental de que Portugal resvalasse
para um regime comunista ou que regredisse para uma nova ditadura de direita, o
que seria igualmente negativo do ponto de vista da RFA e da Europa Ocidental.
Nos primeiros meses após a Revolução dos Cravos surgiram em Portugal uma
multitude de novos partidos políticos que, compreensivelmente, não estavam
devidamente organizados. Apenas o Partido Comunista Português (PCP) tinha uma
estrutura nacional com quadros próprios, que vinha já do tempo da ditadura. O
PCP, liderado por Álvaro Cunhal, era claramente pró-União Soviética. A sua
ascensão na cena política portuguesa levantou nos aliados ocidentais de
Portugal uma enorme preocupação, receando que Portugal, um país no seio do
bloco ocidental, se transformasse num bastião comunista, uma espécie de Cuba no
backyardeuropeu. Para evitar a crescente influência do PCP e da URSS em Lisboa,
os países ocidentais, em particular a Alemanha Federal, procuraram intensificar
a sua presença em Portugal, quer fosse através da constante troca de visitas
oficiais, quer ao nível do intercâmbio de peritos políticos, com destaque para
a contínua presença de representantes do SPD e da FES em Lisboa.
Esta preponderância alemã em Portugal tornou-se ainda mais premente a partir de
1975, pois o fosso entre Comunistas e Socialistas, claramente os dois
principais partidos portugueses, agudizava-se em torno da questão sindical. Em
cima da mesa estava a discussão entre a "unidade sindical",
advogada pelo PCP, que queria que os sindicatos estivessem todos reunidos sob
uma única central sindical, a Intersindical, controlada pelo Partido Comunista,
e a chamada "unicidade sindical", expressão criada pelo socialista
Salgado Zenha, que defendia que os sindicatos, de todas as inclinações
políticas, deveriam ser separados dos partidos políticos23. Outro exemplo da
radicalização da situação política foi o violento cerco feito ao Congresso do
Centro Democrático e Social (CDS), partido conservador de inclinação democrata-
cristã. Nessa ocasião, o CDS conseguira reunir, no Porto, "a fina flor da
democracia-cristã europeia"24, encontrando-se, entre os delegados
internacionais, o Presidente da União Europeia da Democracia-Cristã (UEDC), o
alemão Heinrich von Hassel, e representantes da Bélgica, França, Itália e Grã-
Bretanha. O cerco ao congresso demorou mais de um dia e foi extremamente
violento. A denúncia do que estava a acontecer pelos representantes
internacionais, que contactaram quer as respectivas embaixadas, quer a
imprensa, revelava a fragilidade do processo político português25. Porém, foram
os acontecimentos de 11 de Março de 1975, juntamente com os resultados das
eleições de 25 de Abril de 1975, que marcaram indelevelmente o rumo do Processo
Revolucionário em Curso (PREC), como ficou conhecido o período de 11 de Março a
25 de Novembro de 1975.
A tentativa de golpe de 11 de Março teve como principal consequência o
fortalecimento dos sectores mais à esquerda no espectro político português,
assim como das forças mais revolucionárias do Movimento das Forças Armadas. Em
resposta ao golpe falhado da direita spinolista, foi criado o Conselho da
Revolução, dominado pelas "facções pretorianas radicais e que tinha
controlo operacional sobre as Forças Armadas"26. Em todos os sectores da
vida política portuguesa a situação radicalizou-se e parecia estar iminente uma
tomada de poder pelas forças comunistas. Foi iniciado o processo de
nacionalização dos principais sectores da economia portuguesa (banca, seguros,
empresas, etc.) e iniciaram-se também as ocupações de propriedades agrícolas,
especialmente no sul do país. O MFA tinha sido institucionalizado através da
Assembleia do mfa e, a 11 de Abril, a maioria dos partidos assinou um Acordo
Constitucional, conhecido como o Pacto MFA-Partidos, em como reconheciam o
Movimento das Forças Armadas como o "motor da revolução"27. Visto
de fora, parecia que o rumo da revolução portuguesa estava definitivamente
traçado à esquerda e que a transformação de Portugal num satélite soviético
estava iminente.
Contudo, os resultados das eleições para a Assembleia Constituinte provocaram
uma reviravolta nos acontecimentos. Naquelas que foram as primeiras eleições
livres e democráticas em cinquenta anos, os partidos moderados, o PS e o
Partido Popular Democrático (PPD)28, foram os claros vencedores, tendo o PS
obtido 38 por cento dos votos e o PPD cerca de 27 por cento. O Partido
Comunista não conseguiu mais do que 12 por cento. Porém, devido ao Pacto MFA-
Partidos, estes resultados tiveram pouco efeito prático imediato. A sua
principal consequência foi precisamente o "enorme impacto moral"
sobre as forças políticas moderadas, que ganhavam assim a garantia do
"compromisso da sociedade portuguesa" para com a Democracia. Estes
partidos, em particular o ps e o ppd, ganhavam assim "legitimidade
eleitoral", oposta à legitimidade revolucionária do mfa. A acrescentar a
isto, as eleições de 25 de Abril de 1974 revelavam também que os Comunistas e
os seus aliados estavam "longe de ser a principal força política em
Portugal". Perante estes resultados, as autoridades alemãs consideravam
que havia agora "uma inquestionável oportunidade para o estabelecimento
de uma democracia livre e pluralista em Portugal"29.
Estes eventos algo contraditórios levaram a que as implicações internacionais
da transição portuguesa se exponenciassem ainda mais. Durante o Verão de 1975,
reflectiram-se em Portugal dois níveis de conflito: a divisão entre o bloco
ocidental e de leste e, dentro do bloco ocidental, a divisão entre Europa e
Estados Unidos. Na verdade, é facilmente compreensível que, dentro de um clima
de Guerra Fria, os dois blocos competissem para obter a vantagem da situação
política em Lisboa. É hoje sabido que, quer o Partido Comunista da União
Soviética, quer os Estados-satélite do bloco de leste apoiaram fortemente o
Partido Comunista Português30. A reacção ocidental passou por procurar segurar
Portugal dentro do seu bloco tradicional. Contudo, esta reacção esteve longe de
ser unânime e verificou-se uma diferenciação da postura da Europa, por um lado,
e dos Estados Unidos, por outro. Na verdade, Washington estava, no período
1974-75, a viver tempos conturbados. O escândalo de Watergate e a derrota
sofrida no Vietname tinham colocado a administração de Richard Nixon sob um
grande criticismo interno e internacional. Ao mesmo tempo, o secretário de
Estado Henry Kissinger tinha algumas dificuldades em compreender o que se
estava a passar em Lisboa31. Kissinger disse inclusivamente a Helmut Schmidt
que preferia que se estabelecesse em Portugal um verdadeiro regime comunista
(com o qual saberia lidar) do que "um misto entre o sistema jugoslavo e
argelino", e que julgava que a avaliação do problema feita pelos europeus
estava "errada"32. Assim, também nesta dimensão o papel da Alemanha
foi determinante. Liderando os países europeus, foi insistindo junto de
Washington no sentido de que esta apoiasse claramente os moderados, sobretudo o
partido de Mário Soares. A partir de meados do Verão de 1975, dá-se uma mudança
na atitude da administração relativamente ao que se estava a acontecer em
Portugal e passa a haver uma convergência entre os dois lados do Atlântico no
apoio à democratização portuguesa33.
A partir de Abril de 1975, ficou traçado o caminho do processo revolucionário
português. As forças moderadas, tornando-se claro que tinham o apoio da maioria
da população portuguesa, ganharam novos argumentos para obterem o tão
necessário apoio internacional para fazerem frente à tentativa de tomada de
poder por parte dos comunistas, que dominavam já grande parte do sector
militar. E o comportamento dos países europeus ocidentais ficou marcado por uma
"abordagem bidireccional". Por um lado, ao nível dos partidos
políticos - em particular os partidos socialistas ou sociais-democratas
da Internacional Socialista -, era acenada a possibilidade de assistência
e de uma futura adesão de Portugal à CEE, como estímulo para a estabilização da
situação portuguesa, ao mesmo tempo que se desenvolviam esforços de apoio e
desenvolvimento aos partidos portugueses, especialmente ao PS. Por outro, ao
nível oficial, a Comissão e os Estados-membros (a maior parte deles governados
pelos mesmos partidos sociais-democratas) ameaçavam que nada disso aconteceria
se em Portugal não vingasse um regime democrático e pluralista34. A iniciativa
mais clara desta estratégia da "cenoura e do pau" e da diferença
entre a acção dos Estados-membros e os respectivos partidos políticos, mesmo
que estivessem no poder desses países, aconteceu por ocasião da Cimeira de
Helsínquia no princípio de Agosto de 1975, onde foi assinado o Acto Final da
Conferência de Segurança e Cooperação Europeia (CSCE)35. Durante os encontros
bilaterais com o Presidente da República Portuguesa, o General Costa Gomes, os
diferentes chefes de governo dos países da cee (Grã-Bretanha, Holanda,
República Federal da Alemanha, entre outros) salientaram que estavam prontos
para apoiar Portugal, política e economicamente, mas não estavam dispostos
"a ajudar e a apoiar a preparação de uma ditadura militar em
Portugal", nas palavras do Chanceler Federal, Helmut Schmidt36.
Imediatamente a seguir à Cimeira de Helsínquia, foi convocada uma reunião dos
principais líderes partidários da Internacional Socialista, onde foi criado o
Comité de Apoio e Solidariedade para com a Democracia e o Socialismo em
Portugal, uma ideia de Willy Brandt. O Comité era constituído pelos líderes dos
partidos socialistas ou sociais-democratas da rfa (Brandt), Grã-Bretanha
(Harold Wilson), Áustria (Bruno Kreisky), França (François Mitterrand), Suécia
(Olof Palme) e Holanda (Joop den Uyl) que acreditavam que a situação em
Portugal requeria uma "acção concertada", de modo a "evitar
que o país fosse tomado pelos Comunistas"37. O Comité acreditava
igualmente que a onda de "simpatia e boa-fé" que o 25 de Abril
tinha criado relativamente a Portugal não deveria ser desperdiçada pelo
"desrespeito absoluto da vontade da população portuguesa", conforme
esta se havia manifestado nas eleições de Abril de 1975. Os principais
objectivos do Comité eram o apoio ao estabelecimento de um regime democrático,
a liberdade de imprensa, a constituição de uma associação sindical livre e
democrática e a luta contra o isolamento internacional de Portugal38.
Estes princípios reflectiram-se na actuação dos partidos sociais-democratas
europeus: o apoio à organização do Partido Socialista e o constante intercâmbio
de visitantes, com particular atenção aos elementos das Forças Armadas
Portuguesas. A criação do Comité serviu também para demonstrar que os europeus
eram unânimes relativamente à necessidade de apoiar as forças moderadas
portuguesas. Essa mensagem destinava-se a exercer pressão quer sobre a União
Soviética, quer sobre os próprios Estados Unidos, que tinham adoptado sempre
uma posição de desconfiança relativamente às reais capacidades da democracia
vingar em Portugal39, para além de reforçar internamente a posição do PS,
assegurando que teria o apoio da Europa Ocidental. Na verdade, a situação
portuguesa estabilizou em finais de 1975, não sem antes se dar um confronto
final entre as forças moderadas e de esquerda. Depois do 25 de Novembro de
1975, altura em que foi anulada uma tentativa de golpe de Estado pela extrema-
esquerda, o regime político português pôde finalmente avançar rumo ao
estabelecimento de uma democracia pluralista de tipo ocidental. Para tal
desfecho foi determinante a relação de forças interna, mas não podemos deixar
de acentuar a importância do contexto internacional40.
Um dos momentos mais importantes e visíveis do apoio internacional das forças
socialistas e social-democratas da Europa à democratização portuguesa deu-se na
Primavera de 1976, quando se reuniu no norte de Portugal o Comité de Apoio a
Portugal da Internacional Socialista41. Sob o título "A Europa
Connosco!", esta reunião focou-se maioritariamente na situação económica
de Portugal e, aproveitando o clima de pré-campanha eleitoral para as eleições
legislativas de Abril de 1976, no apoio ao PS.42 No seu discurso enquanto
Presidente do Comité de Apoio a Portugal, Willy Brandt enunciou os objectivos
por detrás da sua criação: o reconhecimento público do apoio e solidariedade da
social-democracia europeia relativamente à democratização em Portugal. Olhando
para trás, Brandt confirmou que, através do Comité, tinha sido possível
"pressionar os governos europeus e recordá-los dos seus compromissos para
com Portugal". No entanto, as actividades do Comité tinham também sido
importantes no contexto mais amplo da Guerra Fria, demonstrando que "nós
na Europa tomamos conta dos destinos dos nossos amigos socialistas e sociais-
democratas e não permitimos que uma ditadura substitua outra", numa clara
referência às ameaças comunistas sobre o desfecho da transição portuguesa.
Aliás, Brandt reconheceu que este era o principal objectivo do Comité43.
No seu discurso durante a reunião do Comité, Soares focou-se acima de tudo no
futuro das relações de Portugal com a Europa e anunciou aqui o desejo de
formalizar a aproximação à Comunidade, "admitindo a própria opção de
Portugal vir a ser membro de pleno direito da Comunidade Europeia". Para
tal decisão pesava não só a vontade do povo português, mas também a avaliação
das vantagens de tal passo, quer para Portugal quer para a própria Comunidade.
Por outro lado, Soares fez no seu discurso uma referência muito importante e
que estava na mente de todos os participantes na reunião do Porto: o Conselho
da Europa tinha já aprovado o pedido de adesão da Grécia, recusando claramente
o modelo da "pré-adesão", defendido pela Comissão Europeia, que
poderia representar um adiamento sem fim à adesão propriamente dita. Isto abriu
um precedente que Soares considerava vantajoso para Portugal. Mas havia ainda
outro elemento que fazia acelerar a declaração de interesse português na
possível adesão à CEE: a Espanha estava já a viver no período o pós-Franco44e
tinha iniciado igualmente "uma ofensiva diplomática com vista à entrada
na Comunidade Europeia". Assim, apelando directamente às promessas de
ajuda feitas anteriormente, era chegado o momento de os "amigos
Europeus" concretizarem essas promessas e contribuírem para a
consolidação da democracia portuguesa45. A resposta dos líderes europeus, dada
através do presidente do Comité, Willy Brandt, foi positiva: "o Comité
planeia actos de solidariedade em diferentes níveis das instituições europeias
(CEE, Conselho da Europa e EFTA) e também bilateralmente, entre governos e
entre partidos". As últimas palavras da declaração final do encontro eram
claras: "Portugal pertence à Europa - a Europa deve reconhecer as
suas responsabilidades perante Portugal"46.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Um dos momentos fundamentais para o estabelecimento e desenvolvimento de uma
estratégia internacional dos partidos socialistas e sociais-democratas europeus
ocidentais foi, sem dúvida, a transição portuguesa para a democracia,
experienciada na segunda metade da década de 1970. Tal como vimos atrás, o
golpe de 25 de Abril de 1974 e os meses tão politicamente instáveis que se
seguiram revelaram-se determinantes para que os principais líderes europeus
agregados na Internacional Socialista percebessem a importância de dispor de
uma rede de contactos ampla que lhes permitisse acompanhar de perto,
continuamente, o desenrolar dos acontecimentos.
Dentro destes partidos, não há dúvida de que o mais importante, pelos recursos
financeiros e políticos de que dispunha, era o Partido Social-Democrata alemão.
Não só o seu líder, Willy Brandt, tinha uma enorme influência internacional,
que se revelou determinante, como tinha acesso directo, quer a Washington quer
a Moscovo. A acrescentar a isto, a social-democracia alemã dispunha de um
instrumento fundamental para a actuação em cenários de mudança de sistema
político: a Fundação Friedrich Ebert, uma instituição com uma enorme
flexibilidade de actuação do ponto de vista informal que permitiu a existência
de um ponto de contacto constante em Portugal, mesmo nos momentos de maior
radicalização política. Esta presença constante junto das principais
personalidades socialistas portuguesas fez com que existisse sempre uma via de
comunicação aberta entre Lisboa e Bona, útil para trocas de ideias e para
pedidos de ajuda.
Terá sido esta a principal lição da experiência com a transição portuguesa.
Demonstrando aos partidos socialistas europeus de que era fundamental a
existência de redes de contactos com forças ideologicamente próximas, de modo a
que existisse sempre uma fonte de informação fidedigna independentemente do
grau de instabilidade política vivido num contexto de mudança política. Esta
lição sentiu-se logo durante a transição para a democracia vivida em Espanha,
iniciada após a morte do ditador Francisco Franco em Novembro de 1975, mas que
foi intensificada apenas alguns meses mais tarde47.
Igualmente, a ofensiva da Internacional Socialista, levada a cabo já sob a
Presidência de Willy Brandt, junto de vários partidos da América Latina, ao
longo da década de 1980, com o objectivo de os aproximar do socialismo
democrático de tipo europeu, constitui uma tentativa de estabelecer naquela
região uma zona de influência não só dos partidos sociais-democratas e
socialistas europeus, mas também dos próprios governos da Europa Ocidental.
Apesar de nem sempre os contactos estabelecidos se converterem em apostas
seguras, a verdade é que permitiram o estreitamento das relações entre os dois
lados do Atlântico e o reforço das oposições às ditaduras vigentes48.
Relativamente às revoluções europeias de final da década de 1980, o papel da
Internacional Socialista e dos partidos europeus acabou por ser menos visível.
Não só estavam longe do auge do poder vivido durante a década de 1970 e início
da década de 1980, como o próprio cenário pós-comunista aproximava os regimes
da Europa Central e de Leste para uma tendência política dominante mais
distante da social-democracia ou mesmo do socialismo democrático europeu. Ainda
assim, e mais uma vez, as fundações políticas alemãs desempenharam um papel
fundamental, com um importante destaque para a Fundação Ebert.
Data de receção: 14 de agosto de 2014
Data de aprovação: 12 de setembro de 2014
NOTAS
1
A pedido da autora o artigo não adopta as normas do Novo Acordo Ortográfico.
2
HUNTINGTON, Samuel - The Third Wave: Democratization in the Late
Twentieth Century. Londres: University of Oklahoma Press, 1991, pp. 12-26.
3
Da transição por ruptura vivida em Portugal até à transição pactada de
Espanha. A título de exemplo, ver o trabalho seminal de O'DONNELL,
Guillermo, et al. - Transitions From Authoritarian Rule. 4 Volumes.
Baltimore: Johns Hopkins Press, 1986.
4
PRIDHAM, Geoffrey - "The Politics of European Community,
Transnational networks and democratic transition in Southern Europe", In
PRIDHAM, Geoffrey (ed.) - Encouraging Democracy. The international
context of regime transition in Southern Europe, Leicester, Leicester
University Press, 1991, pp. 212-245.
5
Naturalmente que à data da revolução portuguesa, a IS incluía já alguns grupos
extra-europeus, mas é inquestionável que a grande maioria dos seus membros e os
mais influentes eram os partidos da Europa Ocidental.
6
KAISER, Wolfram (ed.) - Transnational Networks in Regional Integration.
Governing Europe, 1945-1983, Londres: Palgrave MacMillan, 2010; GLOANNEC, Anne-
Marie le (Ed.) - Non-State Actors in International Relations.The Case of
Germany, Manchester: Manchester University Press, 2007.
7
RISSE-KAPPEN, Thomas (ed.) - Bringing Transnational Relations back in.
Non-state actor s, domestic str uctur es an d International Institutions,
Cambridge: Cambridge Univ. Press, 1995.
8
INTERNACIONAL SOCIALISTA - Declaration of the Socialist International
adopted at its first congress held in Frankfurt-am-Main on 30 June-3 July 1951
[Consultado em 7 de Novembro de 2013]. Dísponivel em: http://
www.socialistintenational.org/viewArticle.cfm?ArticleID=39.
9
ANAYA, Pilar Ortuño - European Socialists and Spain. The Transition to
Democracy, 1959-1977. Londres: Palgrave, 2002, p. 19.
10
FONSECA, Ana Mónica - "É Preciso Regar os Cravos!" A Social-
democracia alemã e a transição para a democracia em Portugal (1974-1976),
Dissertação de Doutoramento em História Moderna e Contemporânea, ISCTE-
Instituto Universitário de Lisboa, 2011.
11
WESTAD, Odd Arne e VILLAUME, Paul (Eds.) - Perforating the Iron Curtain.
European Détente, Transatlantic Relations and the Cold War, 1965-1985,
Copenhaga: Museum Tusculanum Press, 2010; EVANGELISTA, Matthew -
"Transnational organizations and the Cold War" inLEFFLER, Melvyn P.
e WESTAD, Odd Arne - The Cambridge History of The Cold War,Volume 3,
Cambridge: Cambridge Univ. Press, 2010, pp. 400-421.
12
Party Leaders' Conference, Paris, January 13-14, 1973, Confidential
Summary - Institute for Social History (IISH), Amsterdão, Arquivo da
Internacional Socialista (SI), 347.
13
LAPPENKÜPPER, Ulrich - Die Aussenpolitik der Bundesrepublik Deutschland,
1949 bis 1990, Munique, Oldenburg Verlag, 2008.
14
MÜHLEN, Patrick von zur - Die internationale Arbeit der Friedrich-Ebert-
Stif-tung. Von den Anfången bis zum Ende des Ost-West-Konflikts, Bonn:
Dietz Verlag, 2007.
15
ROTHER, Bernd e SCHMIDT, Wolfgang - "Einleitung" in BRANDT,
Willy - Berliner Ausgabe. Vol. 8, Über Europa Hinaus. Dritte Welt und
Sozialistische Internationale, Bona: Dietz Verlag, 2006, pp. 15-109.
16
AVILEZ, Maria - Soares. Ditadura e Revolução. Lisboa: Círculo de
Leitores, 1996, pp. 263-265.
17
MARTINS, Susana - Os Socialistas na Oposição ao Estado Novo. Lisboa:
Casa das Letras, 2005.
18
Estas manifestações tornaram-se ainda mais oportunas tendo em consideração que
foi precisamente durante a estadia de Marcello Caetano em Londres que foi
denunciado o massacre de Wiryamu, em Moçambique, pelo jornal The Times. Ver
OLIVEIRA, Pedro e MCQUEEN, Norrie - "'Grocer meets
Butcher': Marcelo Caetano's London Visit of 1973 and the Last days
of Portugal's Estado Novo". In Cold War History, Vol. 10, n.º 1,
2010, pp. 29-50.
19
CASTRO, Francisco - "A CEE e o PREC". In Penélope, n.º 18,
2002, pp. 123-157.
20
Note for Reuters, 26.04.1974 - IISH, SI, 779.
21
Bureau decisions regarding Portugal and Chile, 08.06.1974 - IISH, SI,
779.
22
General António de Spínola era uma das figuras mais respeitadas nas Forças
Armadas Portuguesas. Foi Comandante Militar da Guiné entre 1968 e 1973. No
início de 1974 é nomeado Vice-Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, cargo
do qual é demitido pela publicação de Portugal e o Futuro, onde critica a
política ultramarina de Caetano. A sua visão para o futuro das colónias
portuguesas passava pela realização de referendos e a formação de uma
comunidade federativa. Ver (Rodrigues 2010).
23
GASPAR, Carlos e LUCENA, Manuel - "Metamorforses Corporativas?
Associações de Interesses económicos e institucionalização da democracia em
Portugal (I)". In Análise Social, XXVI, n.º 114, 1991, pp. 847-903.
24
Expressão usada por Mário Soares na sua entrevista a Maria João Avillez.
AVILEZ, Maria João - Soares. Ditadura e Revolução. Lisboa: Círculo de
Leitores, 1996.
25
AMARAL, Diogo Freitas - O Antigo Regime e a Revoluçao. Memórias
Políticas (1941-1975), Lisboa: Bertrand Editores, 1995, pp. 287-305.
26
GASPAR, Carlos - "The international Dimensions of the Portuguese
Transition", In The Transition to Democracy in Spain, Portugal and
Greece. Thirty Years After,Atenas: Konstantinos G. Karamanlis Foundation, 2005,
pp. 121-142.
27
REZOLA, Maria Inácia - Os Militares na Revolução de Abril. O Conselho da
Revolução e a Transição para a Democracia em Portugal (1974-1976), Lisboa:
Campo da Comunicação, 2006.
28
O PPD foi fundado em 6 de Maio de 1974 e entre os seus quadros estavam os
antigos deputados da chamada ala liberal da Assembleia Nacional. Homens como
Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão ou Joaquim Magalhães Mota
tinham-se tornado conhecidos pela sua actuação durante o Marcelismo, em que
representaram uma tentativa de renovação interna do Estado Novo. FRAIN, Marie-
Therése - O PPD/PSD na Consolidação do Regime Democrático, Lisboa:
Editorial Notícias, 1998.
29
Nota sobre a situação em Portugal, 30.04.1974 - Politisches Archiv von
Auswårtigen Amt (PAAA), 110241.
30
WAGNER, Tilo - "Portugal e a RDA durante a 'Revolução dos
Cravos'". In Relações Internacionais, n.º 11, 2006, pp. 79-89.
31
DEL PERO, Mario - "The Limits of Détente. The United States and
the Crisis of the Portuguese Regime", In LOTH, Wilfried e SOUTOU,
Georges-Henri - The Making of Détente. Eastern and Western Europe in Cold
War, 1965-1975, Londres: Routledge, 2008, pp. 221-240.
32
Memorando de conversação entre Henry Kissinger e o Chanceler Helmut Schmidt,
21 de Maio de 1975 - National Archives and Record Administration (NARA),
RG 59, Records of the Office of the Counselor (Helmut Sonnenfeldt Papers),
1955-1977, Box 5.
33
SÁ, Tiago Moreira de - Os Estados Unidos da América e a Democracia
Portuguesa (1974-1976),Lisboa: Instituto Diplomático, 2009 e GASPAR, Carlos
- "The international Dimensions of the Portuguese
Transition", pp. 121-142.
34
SABLOSKY, Juliet - "A Actividade Partidária transnacional e as
relações de Portugal com a Comunidade Europeia", In Análise Social, Vol.
31, n.º 138, 1996, pp. 1007-1020.
35
Para uma análise acerca da importância da Cimeira de Helsínquia no con-tex to
inter nacional da r ev olução portuguesa, ver GASPAR, Carlos - "The
international Dimensions of the Portuguese Transition".
36
Memorando de Conversação entre o Chanceler Helmut Schmidt e o Presidente
português, Costa Gomes, 01.08.1975 - Archiv der sozial Demokratie (AdsD),
Helmut Schmidt Archiv (HSA), 1/HSA006605. A versão portuguesa das conversas
bilaterais de Costa Gomes em Helsínquia está disponível em Arquivo Histórico-
Diplomá-tico (AHD-MNE), PEA, 1/75.
37
Telegrama 15265 da embaixada Americana em Bona para o State Department,
17.09.1975 -NARA, Washington. Disponível em: http://aad.archives.gov/aad/
series-description.jsp?s=4073&cat=all&bc=sl.
38
Comunicado à imprensa, 08.09.1975 - AdsD, WBA, A 11.4, 127.
39
SÁ, Tiago Moreira de - Os Estados Unidos da América e a Democracia
Portuguesa (1974-1976).
40
GASPAR, Carlos - "The international Dimensions of the Portuguese
Transition", pp. 121-142.
41
Fonseca, Ana Monica - "É Preciso Regar os Cravos!" A Social-
democracia alemã e a transição para a democracia em Portugal (1974-1976),
Dissertação de Doutoramento em História Moderna e Contemporânea, ISCTE-
Instituto Universitário de Lisboa, 2011.
42
O PS tinha já decidido que, caso fosse o partido mais votado, mesmo sem obter
a maioria, iria constituir governo sem coligações.
43
Comunicado de Imprensa da Reunião do "Comité de Apoio e Solidariedade
para com a Democracia e o Socialismo em Portugal", 14.03.1976 -
AdsD, HSA, 1/HSA A006219.
44
Francisco Franco, ditador espanhol desde 1939, tinha morrido em 20 de Novembro
de 1975.
45
Discurso de Mário Soares, Secretário-geral do PS, na reunião do "Comité
de Apoio e Solidariedade para com a Democracia e o Socialismo em
Portugal" da Internacional Socialista, 14.03.1976, em SOARES, Mário
- A Europa Connosco, Lisboa: Perspectivas & Realidades, 1976.
46
Comunicado de Imprensa da Reunião do "Comité de Apoio e Solidariedade
para com a Democracia e o Socialismo em Portugal", 14.03.1976 -
AdsD, HSA, 1/ HSAA006219.
47
SANCHEZ, António Muñoz - El Amigo Alemán. El SPD y el PSOE de la
dictadura a la democracia. Barcelona: RBA, 2012.
48
PEDROSA, Fernando - "Nuevas Perspectivas en los Estudios sobre la
democratización. El papel de los actores internacionales. La Internacional
Socialista en America Latina (1974-1992)", In Studia Historica.História
Contemporanea, n.º 28, 2010, pp. 71-95.
Rua Dona Estefânia, 195, 5 D
1000-155 Lisboa
Portugal
ipri@ipri.pt