A Rússia e a Nova Europa
DO "LESTE" PARA A "NOVA EUROPA"
Quando, em 2003, numa conferência de imprensa, em plena crise do Iraque, Donald
Rumsfeld se referiu à "velha Europa", distinguindo-a de uma
"nova Europa", introduzia na linguagem política uma divisão que,
não tendo sido nomeada até à data, já era um facto histórico há alguns anos1.
Os antigos países europeus satélites da URSS, em processo de rápida integração
nas estruturas políticas e económicas ocidentais e na arquitetura de segurança
transatlântica, mostravam de modo incontestável possuir preocupações
estratégicas com especificidades muito próprias, bem distintas da maioria dos
restantes países do velho continente. Naquele momento de tensão, esses países
recém-chegados opunham-se diretamente às três grandes potências europeias
continentais clássicas, a França, a Alemanha e a Rússia, e inversamente
mostravam-se em sintonia com o flanco marítimo dos aliados transatlânticos,
particularmente com os Estados Unidos. Dessa "nova Europa" faziam
parte, naquele momento, a Polónia, a Hungria e a República Checa, que já eram
membros da nato2. No ano seguinte ao da controversa referência do secretário da
defesa norte-americano, os três países entrariam também na União Europeia (UE).
Com eles aderem igualmente a Eslováquia, a Eslovénia e os três Países Bálticos
(bem como Chipre e Malta), que no mesmo ano se tornam, juntamente com a
Bulgária e a Roménia, aliados transatlânticos. Três anos mais tarde, em 2007, é
a vez destes dois últimos países entrarem na ue. E é assim, num ápice, que
década e meia depois da queda do muro de Berlim e da falência do Pacto de
Varsóvia fica formalizada a integração do essencial dessa "outra"
Europa nas estruturas do espaço euro-atlântico. Logicamente, a partir de então
e para surpresa dos mais distraídos, a voz e o peso decisório dessa "nova
Europa" passa a contar nas políticas desse espaço. Ora, é precisamente
neste rápido processo que a todos impressiona, mesmo aos mais otimistas, que
devemos encontrar as razões diretas da atual política externa russa para com o
ocidente em geral, mas em particular para com os países ditos da "nova
Europa".
De 1948 a 1989, esta Europa fora conhecida como "de Leste", uma
denominação em bom rigor essencialmente político-ideológica e não geográfica,
na medida em que dos oitos países geralmente nela incluídos - a Polónia,
a Checoslováquia, a República Democrática Alemã, a Hungria, a Roménia, a
Bulgária, a Albânia e a Jugoslávia - só o primeiro ficava efetivamente a
leste, com a União Soviética, enquanto os restantes se situavam nas zonas
central, sudeste e balcânica do continente europeu. No final da Segunda Guerra
Mundial, esses países eram profundamente diferentes entre si, com culturas e
línguas distintas, tradições e experiências políticas diversas, dimensões
populacionais e composições étnicas variadas e, sobretudo, com níveis de
desenvolvimento profundamente diferentes e até assimétricos. O que é que
aconteceu para, a partir de então, estes países tão diversos entre si passarem
a ser percecionados e mencionados como um todo? O que aconteceu foi uma
experiência conjunta que, tendo durado cerca de meio século, foi tão marcante e
tão radicalmente transformadora que resultou na criação de uma nova identidade
comum daquele grupo de países. Ironicamente, em instâncias particulares e por
razões essencialmente processuais, essa identidade ainda hoje perdura, como
podemos comprovar na ONU onde, para efeitos de distribuição de lugares nos
vários órgãos, continua a ser usada a categoria "Estados da Europa de
leste". Entretanto, muito tem sido escrito acerca das consequências e do
impacto daquela experiência, que foi literalmente de
"sovietização", na identidade e no quotidiano daqueles países. De
como ela foi meticulosamente desenvolvida, resultou na absoluta destruição das
sociedades civis, das suas culturas, dos seus sistemas económicos e, por fim,
na aniquilação das suas liberdades. No final, esses países, anteriormente
diversos, estavam agora incarateristicamente mais idênticos e, sobretudo,
totalmente dependentes do centro de poder que comandava essa mesma experiência,
isto é, de Moscovo3. Formalizado na Doutrina Brejnev nos anos 60 do século
passado, o domínio de Moscovo sobre aqueles países europeus era prática
corrente desde o final da Segunda Guerra e assentava no facto da União
Soviética considerar a soberania desses Estados como limitada. Com duas
justificações, uma oficial, a outra não: doutrinalmente, em nome de uma
pretensa solidariedade com os irmãos do bloco soviético; efetivamente, por
efeito dos interesses geopolíticos e geoestratégicos da URSS. Só a chegada, em
1985, de Gorbatchev à liderança do PCUS, e a consequente nomeação de Eduardo
Shevardnaze como ministro dos negócios estrangeiros, muda a política do Kremlin
relativamente àqueles países da Europa de leste. No contexto da invocação geral
de uma "Casa Comum Europeia"4, o domínio sobre os satélites
europeus é afrouxado e a nova retórica oficial permite a cada um deles seguir o
seu próprio caminho nopressuposto de que manteriam uma ligação privilegiada com
Moscovo. Só que essa mudança de política não chegava apenas tarde, como era
realmente impossível. A sucessão de acontecimentos que se inicia em junho de
1989, com as eleições polacas, atinge o ponto de não-retorno em novembro, com a
queda do muro de Berlim, e termina com a morte de Ceausescu, em dezembro do
mesmo ano, deixando para trás meio mundo estupefacto com a rapidez das
mudanças. E, não obstante, a outra metade, composta quer pelos mais atentos à
natureza do projeto soviético quer, em especial, pelos povos europeus "de
leste", sabia que a relação de dependência imperial com Moscovo era
irreformável e que ela nunca tivera apoio popular, ao contrário do que sempre
fora veiculado pela propaganda. Logo a seguir, a implosão da URSS veio
confirmar isso mesmo.
A NARRATIVA RUSSA
Mas se as causas próximas da atual política externa russa se encontram no modo
histórico e político como este processo transformador se operou, as razões mais
fundas encontram-se antes na leitura que os próprios russos foram construindo
sobre esses acontecimentos. Por outras palavras, é na narrativa russa,
profundamente divergente e em alguns pontos mesmo antagónica da do Ocidente
sobre o bem-sucedido processo de integração dos antigos satélites soviéticos no
mundo ocidental e, portanto, do seu regresso à normalidade democrática
europeia, que se encontra a chave completa para entender a atual política
daquela potência5. Apesar de relativamente simples, esta narrativa nem sempre é
reconhecida ou lembrada no Ocidente. Numa leitura sintética, ela assenta na
convicção russa de que a integração da antiga Europa de leste nas estruturas do
ocidente foi resultado de uma grande estratégia euro-americana, orquestrada com
o intuito deliberado de contrariar os interesses russos e de cercar e
enfraquecer o lugar e a influência da Rússia no velho continente e no resto do
mundo. Assim, de acordo com esta narrativa, por um lado, a nato deveria ter
desaparecido com o final da Guerra Fria tal como o Pacto de Varsóvia, devendo
no seu lugar ter nascido uma nova arquitetura de segurança pan-europeia6. E se
a entrada dos antigos países satélites soviéticos na Aliança Atlântica nunca
fez sentido aos olhos russos, menos ainda o fez a adesão dos três países
bálticos que, pouco mais de uma década antes, eram parte integrante do
território soberano da URSS. Por outro, a par de uma retórica centrada na
criação de uma parceria mútua com a Rússia assente num diálogo político
permanente, a União Europeia alarga-se de uma assentada, em 2004, a dez países
que Moscovo considera da sua tradicional esfera de influência. Para os russos,
a realidade parece inegável: o Ocidente traía descaradamente o Kremlin,
apanhando os seus líderes de surpresa num período de fraqueza e instabilidade7.
Evidentemente, trata-se de uma narrativa com versões diversas, da mais
extremista como a narrada por Alexandre Dugin na sua obra Fundações da
Geopolítica(2000), à mais oficial e recorrente trabalhada pelo ideólogo do
regime Vladislav Surkov na retórica oficial8. Alicerçada em considerações
associadas a especificidades tanto civilizacionais como geopolíticas, esta
narrativa invoca constantemente nas suas múltiplas versões o facto histórico da
traição como um elemento central. O próprio Vladimir Putin tem invocado muitas
vezes publicamente esse facto, como aconteceu na sua célebre intervenção em
Munique, em 2007: "Parece-me óbvio que a expansão da nato em nada está
associada a modernização da própria aliança ou à manutenção da segurança na
Europa. Ao contrário, representa uma provocação séria que reduz os níveis de
confiança mútua. E por isso temos o direito de perguntar: contra quem é
dirigida esta expansão? E o que é feito das garantias que nos foram dadas pelos
nossos parceiros ocidentais depois da dissolução do Pacto de Varsóvia? Onde
estão agora essas declarações? Ninguém se recorda delas. Permito-me recordar a
esta audiência o que então foi dito. Gostaria de citar a intervenção do
secretário-geral Woerner em Bruxelas, no dia 17 de maio de 1990. Nesse momento
ele disse: "o facto de estarmos preparados para não colocar forças da
nato para lá da Alemanha, dá à União Soviética uma garantia de segurança
firme". Que é feito dessas garantias?"9
Tal narrativa dos acontecimentos emerge politicamente quando para o Kremlin se
torna óbvio que a sua estratégia para impedir a adesão dos países da Europa
Central e Oriental às estruturas ocidentais tinha falhado. Tanto na sua versão
inicial de finlandização, como na segunda versão de oposição ativa. Em traços
gerais, a primeira versão coincidiu com os anos de transição da URSS para a
Federação Russa e com o período de "crise ontológica" da sua
política externa, que se traduziu na busca de um novo paradigma e de um novo
consenso10. Eram os anos Ieltsin/Kozirev (1990-1993), onde se pensou ser
possível criar uma cintura neutral de países como a Polónia, a Checoslováquia e
a Hungria, que faria fronteira entre o espaço entretanto pós-soviético e o
território nato. Essa abordagem, que veio a ficar conhecida como a Doutrina
Falin-Kvitsinsky, defendia uma estratégia semelhante à usada em relação à
Finlândia durante a Guerra Fria, que consistia em permitir liberdade interna na
escolha do regime político e do sistema económico mas, simultaneamente,
obrigava a uma orientação de neutralidade na cena internacional11. Tratava-se,
claro está, de uma versão da estratégia que rapidamente foi ultrapassada pelos
acontecimentos. Quanto à segunda versão, implementada pela dupla Ieltsin/
Primakov (1993-1999), traduziu-se de imediato na consagração de uma nova
Doutrina Militar que incluía na sua extensa lista de ameaças a "expansão
de blocos e alianças militares"12. Na segunda metade da década de 90, a
retórica de Moscovo manteve-se consistente com esse documento fundamental: para
os líderes russos, os eventuais alargamentos da nato e da UE não eram apenas
hostis aos interesses nacionais da Rússia, como criariam novas linhas de
divisão e diferentes zonas de segurança profundamente nefastas para o futuro de
toda a Europa. Nas palavras então proferidas pelo próprio Primakov, é
impossível à Rússia "ficar satisfeita com a declaração de que a expansão
da NATO não é dirigida contra ninguém e de que ela não esconde nenhuma vontade
de apartar Estados europeus. Se atentarmos nos aspetos psicológicos, políticos
e militares que lhe estão associados, é evidente que a expansão conduzirá
inevitavelmente ao desenvolvimento desse afastamento."13 Com a entrada no
novo século e com a concretização dos alargamentos, assiste-se,
consequentemente, a um endurecimento da política russa para com os países que,
juntando-se aos da "velha Europa", passam a ser conhecidos como a
"nova Europa". Apesar de o endurecimento não se tornar
imediatamente política oficial, nem ficar logo textualmente consagrado nos
grandes documentos de política externa e de segurança da Federação Russa,
depressa se torna manifesto na prática quotidiana das mesmas. Putin nunca
encarou as novas democracias da Europa central e oriental como sendo plenamente
soberanas. Essa sua perspetiva tornou-se logo evidente no momento em que
assumiu as rédeas do poder na Federação Russa. Tendo-se feito homem e
profissional da política na URSS, esse facto não é de estranhar14. Mas as
razões essenciais dessa sua convicção são principalmente culturais e
históricas: em seu entender, esses Estados não têm nem nunca possuíram
capacidades para serem inteiramente soberanos. Os laços históricos que os
uniram, num ou noutro momento, mais longo ou mais breve, aos Impérios Russo,
Austro-Húngaro, Alemão ou Otomano, são a prova disso mesmo. Depois de 1989,
eles somente escolheram gravitar à volta de Bruxelas em detrimento de Moscovo e
na ausência de outro centro de poder alternativo. O corolário desta perspetiva
é elementar: só os grandes Estados contam na política internacional, enquanto
aos pequenos resta assinar por baixo. No entendimento do líder russo, os países
da Europa central e oriental sempre pertenceram ao último grupo. É também esta
a perspetiva que explica porque os modelos de transição democrática dos antigos
países satélites soviéticos, modelos assentes na mecânica de integração numa
comunidade política mais vasta - a União Europeia -, nunca foram
para a Rússia de Putin uma opção, mesmo nos momentos mais frutíferos da sua
relação com o Ocidente. Porque eles representaram desde sempre uma opção apenas
de e para países pequenos e fracos15. A autoimagem da Rússia enquanto grande
potência torna-se manifesta no primeiro Conceito de Política Externa da Era
Putin. O documento de 2000 enuncia como prioridade geral "promover os
interesses da Federação Russa como grande potência e um dos maiores centros de
influência do mundo moderno, promovendo a segurança do país, preservando e
reforçando a sua soberania e integridade territorial e a sua forte e reputada
posição na comunidade mundial, [de modo a promover] o crescimento do seu
potencial político, económico, intelectual e espiritual". Em relação aos
países da Europa oriental e central, o mesmo documento enuncia como
"tarefa corrente […], a preservação dos laços humanos, económicos e
culturais existente, a resolução de fenómenos de crise, e o fornecimento de um
ímpeto adicional à colaboração de acordo com as novas condições e os interesses
russos"16. A expressão "de acordo com as novas condições" é
muito reveladora da necessidade que a nova liderança tem de recorrer a
instrumentos e abordagens diferentes das de outrora. Não apenas porque aqueles
países já nã o eram irmãos numa estrutura internacionalista, mas também porque
a sua diversidade original estava a ser recuperada.
INSTRUMENTOS, ESTRATÉGIAS E CRIATIVIDADE
De todos os meios ao seu alcance, os recursos energéticos são aqueles que dão
mais alavancagem ao Kremlin: as vastas reservas de petróleo e os maiores
depósitos de gás natural do mundo existentes em território russo são explorados
e exportados sempre numa lógica de procura de contrapartidas que reforcem os
interesses e a influência do país na cena internacional. "Para a Rússia a
energia é mais do que um recurso, é também um instrumento de poder e, se for
preciso, uma arma."17Tanto a Polónia, como a República Checa, a Hungria
ou a Checoslováquia têm as suas economias muito dependentes dos recursos
energéticos que chegam do gigante vizinho.18. Além disso, a Polónia, por
exemplo, é anfitriã de condutas que asseguram o trânsito do gás natural da
Rússia para outros países da Europa ocidental, tornando-a objeto frequente de
uma "diplomacia do gás" que alterna pressões de sentido contrário
vindas de Moscovo, de acordo com conveniências do momento, entre ameaças de
efetiva suspensão total ou parcial dos fornecimentos e aumento dos mesmos com
baixas de preços drásticas19. Também noutros países da região a Rússia tem
vindo a desenvolver uma política ativa de renegociação constante dos contratos
de fornecimento de energia, manipulação de preços, mas igualmente de
participação em infraestruturas energéticas, inclusive nuclear20. Sendo os mais
visíveis, os instrumentos energéticos não são, no entanto, necessariamente os
mais perigosos. A política de proteção das minorias russas ou russófonas possui
um potencial de destabilização maior21. Neste âmbito, os três países bálticos
encontram-se na linha da frente da atuação russa. O que não é surpresa se se
tiver em conta que 1/4 da população da Estónia é etnicamente russa e que na
Letónia o russo é a primeira língua de cerca de 1/3 da população residente. Na
Lituânia, esta percentagem é muito inferior, situando-se em cerca de 7 por
cento da população total22 e, no entanto, aí o desafio não é menor em virtude
dos problemas colocados pelo enclave de Kaliningrado. De acordo com o
estabelecido no mais recente Conceito de Política Externa da Federação Russa,
aprovado a 13 de fevereiro do ano passado, entre os seus objetivos básicos
encontram-se tanto a "garantia de uma proteção extensiva dos direitos e
interesses legítimos dos cidadãos russos e compatriotas que residem no
estrangeiro", como "a promoção da língua russa e o seu reforço no
mundo (…) com vista à consolidação da diáspora russa no exterior"23. O
que justifica, na perspetiva russa, o pico de tensão vivido com a Letónia, em
2012, quando um referendo nacional rejeitou o russo como segunda língua
oficial, ou o ataque cibernético levado a cabo na Estónia, em 2007, depois de
anunciada a mudança de um monumento de guerra soviético, ou, finalmente, o
embargo à exportação de laticínios lituanos, quando Vilnius recebeu a Cimeira
da Parceria Oriental para a assinatura (só em parte o foram) de acordos de
associação da Ucrânia, Geórgia, Arménia, Azerbaijão e Moldávia com a ue. Já a
situação de Kaliningrado remete-nos para o âmbito da segurança e defesa. Com
uma área próxima dos 5800 km2, este enclave entre a Polónia e a Lituânia tem um
importante peso geoestratégico para a Federação Russa. Contendo duas bases
aéreas e abrigando a Esquadra Naval Russa do Mar Báltico, é um território
fortemente militarizado onde, suspeita-se, desde finais do ano passado foram
estacionados mísseis nucleares de alcance intermédio (Iskander)24. Trata-se de
uma decisão que já várias vezes tinha sido posta em cima da mesa pelas
autoridades militares russas, e que decorre diretamente da crise associada com
o projeto norte-americano de estabelecimento de um escudo antimísseis
balísticos naquela região da Europa25. Anunciado pela administração W. Bush em
2008, envolvia o uso de bases na Polónia e na República Checa, o que desde o
primeiro momento foi inaceitável para Moscovo. Assim, apesar de estes Estados
serem soberanos e apesar de oficialmente o projeto ser orientado no sentido de
possíveis ataques vindos do Irão e de países afins, a reação russa de clamor
internacional não se fez esperar, obrigando o recém-empossado Presidente Obama
a reformular substancialmente o projeto26. Só que, entretanto, os checos não
escaparam a um embargo do fornecimento de petróleo vindo da Rússia27, ao mesmo
tempo que se foram sucedendo exercícios militares com forças russas no
território da Bielorrússia, bem junto das fronteiras com a Letónia, a Lituânia
e a Polónia28. As preocupações e os receios da "nova Europa"
relativamente ao gigante vizinho têm crescido e são inteiramente
compreensíveis, não apenas em função destas reações assertivas da Rússia, mas
igualmente por efeito de alguns acontecimentos maiores que foram tendo lugar na
vizinhança comum, como a guerra na Geórgia em 2008 e a atual espiral
conflituosa sem fim à vista na Ucrânia29. Também os números não têm trazido
boas notícias: de 2008 a 2013 o Kremlin aumentou em 31 por cento as suas
despesas militares, reformou drasticamente as suas forças armadas e começou a
investir significativamente na modernização da sua indústria armamentista30. Em
2014, a Rússia já não é uma potência militar ultrapassada e em declínio. Ao
contrário, mantém-se na terceira posição mundial no que toca a despesas com a
sua defesa e segurança, não mostrando sinais de abrandamento31. É evidente que
este crescimento não é necessariamente dirigido contra os países da Europa
central e oriental. Num contexto internacional geral de agravamento das tensões
e da insegurança, é razoável que um Estado extenso e com as complexidades e
ambições como a Rússia queira reforçar o seu potencial de defesa. Mas como
sempre aconteceu ao longo da história, os vizinhos são sempre aqueles que mais
se ressentem32. Se, compreensivelmente, as questões que têm gerado reações com
maior assertividade por parte da Rússia são as relacionadas com a segurança e o
armamento, importa também referir que esses momentos de maior tensão têm sido
alternados com outros - mais breves - de cordialidade e até de
reconciliação histórica. Entre estes, os mais simbólicos tiveram lugar, os
primeiros, no início de 2006, quando, em visita à Hungria e à República Checa,
Putin reconheceu a responsabilidade moral da URSS nas intervenções militares
daqueles territórios, respetivamente em 1956 e em 1968. Os segundos, começaram
em 2009 com uma visita do líder russo à Polónia e o reconhecimento de que o
Pacto Ribben-trop-Molotov tinha sido um erro. Continuaram um ano mais tarde,
quando, ratificando os trabalhos da Comissão Conjunta relativa às Questões
Difíceis da História das Relações Russo-Polacas, Vladimir Putin se ajoelhou
perante o monumento ao oficial polaco desaparecido em Katyn. Foram gestos
políticos simbólicos, com o valor que se lhes quiser atribuir, mas que tinham
um objetivo evidente: melhorar a imagem da Rússia naqueles estados vizinhos, no
intuito de criar uma atmosfera cultural e social mais conducente ao
aprofundamento das relações entre aqueles países e Moscovo33. De facto, na
última década e meia, a política russa para com os Estados da Europa oriental e
central tem-se revelado extremamente versátil e até criativa. Juntamente com os
que foram referidos, novos instrumentos e diferentes estratégias continuam a
surgir e a ser utilizados, desde a procura de um maior controlo dos media, ao
financiamento de partidos, ao reforço dos lobbieseconómicos, à manipulação e
exploração das diferentes sensibilidades e dos diversos interesses internos na
ue e na nato, são inúmeros os meios russos para influenciar, manipular ou
coagir os governos e as sociedades daquela região europeia.
PORQUÊ ESTA POLÍTICA?
Grosso modo, é possível encontrar três características principais na atual
política externa russa para com os antigos países europeus satélites da União
Soviética: i) a prioridade que é dada aos relacionamentos bilaterais em
detrimento das estruturas multilaterais ou regionais; ii) a busca de
instrumentos acima de tudo eficientes no reforço da influência russa naqueles
países e, inversamente, no aumento da dependência destes de Moscovo; iii) a
preferência normalmente dada a estratégias com aparência de soft power
(influência e atração) em detrimento das de hard power(poder e coerção), com
exceção daquelas relacionadas com a segurança. Na prática, essa política tem-se
revestido de grande pragmatismo, enorme criatividade e de uma boa dose de
proatividade. Partindo de uma narrativa específica em que a Rússia, que foi
traída pelo ocidente nos anos da instabilidade que se seguiram ao fim do
projeto soviético, é tida como um parceiro sénior numa Europa e num mundo
assentes numa ordem que tem necessariamente de ser multipolar, esta política
olha para os interesses e o peso dos países da Europa central e oriental como
estando muito próximos da insignificância. Importa sublinhar que a "nova
Europa" não tem na política externa russa o mesmo lugar que países como a
Ucrânia, a Geórgia, a Bielorrússia ou as ex-repúblicas soviéticas da Ásia
Central. Ao contrário destes, aqueles deixaram de fazer parte do
"estrangeiro próximo" no momento em que escolheram a integração nas
estruturas ocidentais. E não obstante, na ótica russa, a antiga "Europa
de leste" continua a ser um estrangeiro um pouco mais familiar do que o
resto do "outro" estrangeiro que é o velho ocidente. Em termos
formais esta diferenciação nunca aparece consagrada, pois afinal os Estados em
questão são membros da UE e da NATO. No atual Conceito de Política Externa,
estes países aparecem associados ao grupo de "Estados euro-
atlânticos", mas com a referência de que possuem "laços
civilizacionais comuns profundamente enraizados com a Rússia"34. Também
na mais recente versão da Estratégia de Segurança Nacional da Federação a
referência mais direta a uma situação que envolve aqueles países é generalista:
"O potencial de manutenção da estabilidade global e regional ficará
substancialmente diminuído com a colocação na Europa de elementos do sistema
global de defesa antimíssil dos EUA". 35 E, contudo, a prática revela que
para a política externa russa existem diferenças evidentes entre a "velha
Europa" e a "nova Europa", que há reações mais intensas, que
certas opções não são toleradas. A razão principal que explica essas diferenças
é clara: a Rússia teme o potencial de contágio e atração do modelo de transição
democrática e integração no ocidente prosseguido nos últimos 25 anos pelos
países da Europa oriental e central36. Numa Europa e num mundo que nunca foram
tão abertos e onde é impossível controlar os fluxos de comunicação e informação
- como demonstrado pela crescente relevância dos social medianos
processos políticos -, é impossível esconder o sucesso daquelas
transições. As populações da nova faixa fronteiriça entre a Rússia e o ocidente
conhecem-no bem, como ficou comprovado pelas revoluções coloridas na Geórgia e
na Ucrânia (2003 e 2004) e, sobretudo, pelo encadeado de acontecimentos que,
iniciado em novembro do ano passado na Praça Maidan em Kiev, se propagou como
um rastilho de pólvora à região. Mas os moldavos sabem-no também, tal como os
arménios, como ficou patente no processo de negociação dos Acordos de
Associação no contexto da Parceria Oriental. E, principalmente, os russos
sabem-no, como se notou nos protestos que se seguiram às últimas eleições
naquele país. E isso é intolerável para Moscovo.
Os países da Europa oriental e central constituem a linha da frente ocidental
junto ao novo cordão sanitário estabelecido pelo Kremlin desde final dos anos
90. Para que este funcione não resta à Rússia outra alternativa senão procurar
ou o isolamento ou a irrelevância desses países da "nova Europa".
Por isso, a recente nomeação de Donald Tusk, o primeiro-ministro polaco, para
presidente da União Europeia, é uma péssima notícia para Moscovo.
Data de receção: 14 de agosto de 2014
Data de aprovação: 22 de setembro de 2014
NOTAS
1
Secretary Rumsfeld Briefs at the Foreign Press Center, 22 de janeiro de 2003.
[Consultado em agosto de 2014] Disponível em http://www.defense.gov/
transcripts/transcript.aspx?transcriptid=1330.
2
Esses três países, juntamente com Estados europeus como o Reino Unido, os
Países Baixos ou Portugal, mais atlantistas, ou no caso de Espanha, de governo
conservador, apoiaram ativamente, tanto no contexto da Aliança Atlântica como
noutros forainternacionais, a decisão da Administração George W. Bush intervir
no Iraque em março de 2003.
3
Entre as inúmeras obras de referência sobre este processo de sovietização
destaco a análise clássica de FE JTÖ, Fr a nçois - As Democracia
Populares(1952) e a recente crónica amplamente documentada de aPPLEBaUM, annE
- Iron Curtain: the crushing of Eastern Europe 1944-1956(2012).
4
Ver discurso proferido por Gorbachev no Conselho da Europa a 6 de Julho de
1989. [Consultado em Setembro de 2014] Disponível em http://www.coe.int/about-
coe/index.asp?page=nosInvites&sp=gorbachev.
5 Aqui sigo MANKOFF, Jeffrey - Russian Foreign Policy. The Return of
Great Power Politics, Maryland: Rowman & Littlefield, 2012, p. 33.
6
Desde o final da Segunda Guerra Mundial que este foi um objetivo da diplomacia
soviética. Em parte materializou-se no processo CSCE (Helsínquia 1975), que se
transformou, no início dos anos 90, em OSCE, autonomizando-se do conflito
bipolar. Na mesma esteira deve ser compreendida a comentada proposta, em meados
de 2008, do presidente Medvedev, de realização de uma conferência sobre a
segurança na Europa sob os auspícios da OSCE, da União Europeia, da CEI e da
Organização do Tratado da Segurança Coletiva, mas sem a NATO. Ou, no ano
seguinte, o esboço apresentado pelo Kremlin de um Tratado sobre a Segurança
Europeia que, assentando nos princípios da indivisibilidade, da igualdade e da
segurança plena (art. 1º), ignora o pilar norte-americano na arquitetura de
segurança europeia e propõe mecanismos que reforcem a voz de Moscovo na mesma.
Estas propostas continuam em cima da mesa como se pode verificar no websitedo
Ministério dos Negócios Estrangeiros russo. [Consultado em agosto de 2014]
Disponível em http://www.mid.ru/nsdvbr.nsf/dveurope/
065fc3182ca460d1c325767f003073cc.
7
Ver sobre esta narrativa MANKOFF, Jeffrey - Russian Foreign Policy. The
Return of Great Power Politics, Maryland, USA: Rowman & Littlefield, 2012,
em especial o cap. 4 Sobre os seus usos mais atuais ver, por exemplo, LUKIN,
Alexander - "What the Kremlin Is Thinking? Putin's Vision for
Eurasia", In Foreign Affairs, Vol. 93, N.º 4, 2014, pp. 85-93.
8
Para uma análise da versão de Dugin ver asTrov, Alexander e Morozova, Natalia
- "Russia: geopolitics from the heartland", InGUzzini,
Stefano - The Return of Geopolitics in Europe? Social Mechanisms and
Foreign Policy Identity Crises, Cambridge Studies in International Relations.
Cambridge: Cambridge University Press, 2012, pp. 192-216. Sobre o papel de
Surkov como ideólogo oficial ver POMERANTSEV, Peter -
"Putin's Rasputin", In London Review of Books, Vol. 33, N.º
20, 20 de outubro de 2011, pp. 3-6.
9
Consultar o texto completo da intervenção de Putin na Conferência sobre
Segurança de Munique, 12 de fevereiro de 2007, [Consultado em agosto de 2014]
Disponível em http://www.washingtonpost.com/wpdyn/content/article/2007/02/12/
AR2007021200555.html. Importa notar que o argumento sobre traição tem sido
invocado à exaustão pelo Kremlin como notado por ASMUS, Ronald D. -
"Europe's Eastern Promise. Rethinking NATO and EU
Enlargment", In Foreign Affairs, January/February 2008. [Consultado em
julho de 2014] Disponível em http://www.foreignaffairs.com/articles/63049/
ronald-d-asmus/europes-eastern-promise e ARON, Leon - "The Putin
Doctrine. Russia's Quest to Rebuild the Soviet State", In Foreign
Affairs, 8 de março de 2013. [Consultado em julho de 2014] Disponível em http:/
/www.foreignaffairs.com/articles/139049/leon-aron/the-putin-doctrine.
10
Ver asTrov, Alexander e Morozova, Natalia - "Russia: geopolitics
from the heartland", pp. 196-204.
11
Valentin Falin, diplomata sénior da URSS e presidente do comité central do
PCUS, e Yuly Kvitsinsky, vice-ministro dos negócios estrangeiros soviético,
foram os dois promotores desta abordagem aprovada pelo secretariado do CC do
Partido a 22 de janeiro de 1991, ou seja, durante o último ano de vida da União
Soviética. Ver FEDOROV, Yury E. - "Continuity and Change in
Russia's policy toward Central and Easter Europe", In Communist and
Post-Com-munist Studies, Vol. 46, 2013, p. 318.
12
ELEMENTOS BÁSICOS DA DOUTRINA MILITAR DA FEDERAÇÃO RUSSA, 2 de Novembro de
1993. [Consultado em Agosto de 2014] Disponível em http://fas.org/nuke/guide/
russia/doctrine/russia-mil-doc.html.
13
Intervenção de E. Primakov na sessão ministerial do Conselho de Cooperação do
Atlântico Norte, 11 de Dezembro de 1996, Bruxelas. [Consultado em Setembro de
2014] Disponível em http://www.nato.int/docu/speech/1996/s9612115.htm. Sobre a
estratégia russa face aos alargamentos da NATO e da UE e particularmente sobre
os dois períodos referidos ver FEDOROV, Yury E. - "Continuity and
Change in Russia's policy toward Central and Easter Europe" in
Communist and Post-Commu-nist Studies, Vol. 46, 2013, pp.317-320. Peter
Shearman diz ter havido entre as referidas duas fases um momento onde, à
revelia das elites militares e de parte das elites políticas, Ieltsin chegou
mesmo a afirmar publicamente, durante uma via-gem a Varsóvia, que uma eventual
adesão da Polónia à NATO não ia contra os inte-resses nacionais russos. Viviam-
se anos de grande euforia e indeterminação. Ver SHEARMAN, Peter (Editor)
- Russian Foreign Policy since 1990. Boulder: Westview Press, 1995, p.
82.
14
Para um argumento que relaciona diretamente a biografia de Putin com a política
do país ver, entre outros, STUERMER, Michael - Putin e o Despertar da
Rússia. Lisboa: Editorial Presença, 2009.
15
É neste sentido que deve ser compreendido um certo desdém e/ou despreendimento
que sempre caracterizaram o relacionamento de Putin com a União Europeia.
Inversamente, as relações com os EUA foram constantemente marcadas pela tensão
e irritabilidade de quem se sente verdadeiramente ameaçado por um concorrente
direto. Sobre este tópico ver COTTEY, Andrew - Security in 21st Century
Europe. 2.ª edição. London, UK: Palgrave Macmillan, 2013, pp.131-134 ou
STUERMER, Michael - Putin e o Despertar da Rússia. Lisboa: Editorial
Presença, 2009, pp. 263-264.
16
Conceito de Política Externa da Federação Russa, 28 de junho de 2000.
[Consultado em setembro de 2014] Disponível em http://fas.org/nuke/guide/
russia/doctrine/econcept.htm. Para uma análise das várias vertentes regionais
da atual política externa russa ver DAEHNHARDT, Patrícia e FREIRE, Maria Raquel
(Coord.) - A Política Externa Russa no espaço Euro-Atlântico. Dinâmicas
de cooperação e competição num espaço alargado. Coimbra: Imprensa da
Universidade de Coimbra, 2014.
17
BRAUN, Aurel - "Resetting Russian-Eastern European relations for
the 21st century" in Communist and Post-Commu-nist Studies, 45, 2012, p.
397.
18
De acordo com dados de 2012, 59 por cento do gás natural consumido na Polónia,
80 por cento na Hungria, 84 por cento na Eslováquia e 57 por cento na República
Checa vêm da Federação Russa. Ver o relatório estatístico 2013 do Eurogas.
[Consultado em setembro de 2014] Disponível em http://www.eurogas.org/uploads/
media/Eurogas_Statistical_Report_2013.pdf.
19
Se, em 2012, a Gazprom baixou de uma vez só os preços do fornecimento do gás
natural à Polónia em cerca de 10 por cento, agora, porém, está a cortar em
cerca de 24 por cento o volume de fornecimento para impedir que a Polónia
reenvie gás para a Ucrânia. Ver "Gazprom Cuts Gas Price for
Poland", In Wall Street Journal, 6 de novembro de 2012. [Consultado em
setembro de 2014] Disponível em http://online.wsj.com/news/articles/
SB10001424052970204349404578102230135329520 e "Gazprom Limits Polish Gas
Supplies as Reverse Flows Halt", In Bloomberg, 10 de setembro de 2014.
[Consultado em setembro de 2014] Disponível em http://www.bloomberg.com/news/
2014-09-10/poland-says-gazprom-cut-gas-supplies-via-belarus-ukraine.html.
20
A empresa estatal russa de energia nuclear, Rosatom, está a desenvolver um
projeto na Hungria que visa duplicar a capacidade da única central nuclear
deste país. Para mais detalhes, ver "Russia to increase Hungar y's
nuclear power", In Reuters, 14 de janeiro de 2014. [Consultado em
setembro de 2014] Disponível em http://www.reuters.com/article/2014/01/14/
russia-hungary-idUS-L6N0KO28L20140114.
21
Como, aliás, ficou claro no episódio da recente anexação da Crimeia, onde
cerca de 60 por cento da população é russa.
22
Fonte dos dados: BELKIN, Paul,et al.- "NATO: Response to the
crisis in Ukraine and Security Concerns in Central and Eastern Europe",
Congressional Research Service, Washington, 16 de abril de 2014. [Consultado em
setembro de 2014] Disponível em http://fas.org/sgp/crs/row/R43478.pdf.
23
Conceito de Política Externa da Federação Russa, 12 de fevereiro de 2013.
[Consultado em agosto de 2014] Disponível em http://www.mid.ru/brp_4.nsf/0/
76389FEC168189ED44257B2E0039B16D.
24
Ver "Russia has stationed Iskander missiles in western region:
reports", In Reuters, 16 de dezembro de 2013. [Consultado em setembro de
2014] Disponível em http://www.reuters.com/article/2013/12/16/us-russia-
missiles-idUS-BRE9BF0W020131216.
25
Sobre este tema ver Yury Fedorov, "American Ballistic Missile Defence,
Russian Iskanders and a New Missile Crisis in Europe", Chatham House, REP
Roundtable Summary, 22 May 2009. [Consultado em Setembro de 2014] Disponível em
https://www.chathamhouse.org/sites/files/chathamhouse/public/Research/
Russia%20and%20Eurasia/220509summary.pdf.
26
Apesar de ainda não ser certo se terá envolvimento russo, um projeto sucessor,
o European Phased Adaptative Approach (EPAA), está em implementação e ficará
sob comando e controlo da NATO. Sobre a atual versão do projeto ver http://
www.nato.int/cps/en/natolive/topics_49635.htm.
27
Ver "Czechs See Oil Flow Fall and Suspect Russian Ire on Missile
System", In New York Times, 12 de julho de 2008. [Consultado em setembro
de 2014] Disponível em http://www.nytimes.com/2008/07/12/world/europe/
12czech.html?_r=0.
28
Os exercícios militares conjuntos entre a Rússia e a Bielorrússia têm-se
realizado de dois em dois anos desde 2009. O último exercício teve lugar em
Setembro de 2013 tal como anunciado pela agência russa RiaNovosti,
"Russia, Belarus conduct Joint Military Exercices: Zapad 2013".
[Consultado em Setembro de 2014] Disponível em http://en.ria.ru/photolents/
20130924/183696184/Zapad-201-Strategic-Exercises.html.
29
Para um argumento semelhante ver LUKAS, Edward - "Why, Oh Why,
Didn't we listen to the Eastern Europeans?", In Politico Magazine,
26 de maio de 2014. [Consultado em julho de 2014] Disponível em http://
www.politico.com/magazine/story/2014/05/eastern-europe-vladimir-
putin107094.html#.U-NfraP1aCk.
30
Para mais detalhes sobre estes dados ver "The Military Balance
2014", International Institute for Strategic Studies.[Consultado em
Setembro de 2014] Disponível em https://www.iiss.org/en/publications/
militarybalance/issues/the-military-balance-2014-7e2c.
31
Ver "Russia raises military clout with reforms after Georgian
war", In Reuters, 27 de fevereiro de 2014. [Consultado em julho de 2014]
Disponível em http://www.reuters.com/article/2014/02/27/us-russia-military-
clout-idUSBREA1Q1YR20140227.
32
Acerca desta reação dos países da Europa oriental e central ver LARRABEE,
Stephen - "Russia, Ukraine, and Central Europe: The Return of
Geopolitics", In Journal of International Affairs, Vol. 63, N.º 2, 2010,
pp. 33-52.
33
Sobre a política de reconciliação histórica ver FEDOROV, Yury E. -
"Continuity and Change in Russia's policy toward Central and Easter
Europe", p. 321. O famigerado acidente do avião que levava o Presidente
polaco Lech Kacznsky e a sua comitiva a Katyn para as cerimónias de homenagem
aos oficiais que perderam a vida no massacre em 1940 significou um duro golpe
para estratégia de reconciliação.
34
Ver o parágrafo 54 desse documento. [Consultado em setembro de 2014]
Disponível em http://www.mid.ru/brp_4.nsf/0/76389FEC168189ED44257B2E0039B16D.
35
Ver o parágrafo 12 da Estratégia de Segurança Nacional da Federação Russa até
2020, aprovada a 12 de maio de 2009. [Consultado em setembro de 2014]
Disponível em http://rustrans.wikidot.com/russia-s-national-security-strategy-
to-2020.
36
E em última análise, é por esta razão que a Rússia tem procurado constituir
ela própria um modelo alternativo de Europa e de Democracia. Este argumento é
desenvolvido em KRASTEV, Ivan - "Russia as the 'Other
Europe'", In Russia in Global Affairs, Vol. 5, Nº 4, 2007, pp. 66-
78.
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