Notas imperfeitas sobre a Grande Guerra e as relações internacionais
Os estudos internacionais têm uma relação genética com a Grande Guerra, que é
inseparável da sua institucionalização como disciplina autónoma, da definição
do seu ethose da construção de uma teoria das relações internacionais.
Desde logo, o choque brutal causado pela catástrofe sem precedentes que foi a
primeira guerra total serviu para demonstrar não só a urgência de transformar
as relações entre os estados, mas também a necessidade de estudar
sistematicamente a política internacional: em ambos os casos, a prioridade
absoluta era impedir a repetição de uma guerra hegemónica. Nesse contexto, a
institucionalização dos estudos de relações internacionais como uma disciplina
separada das ciências políticas e o desenvolvimento da teoria das relações
internacionais fizeram-se paralelamente à reconstrução da ordem internacional
2
. A primeira cátedra de relações internacionais, estabelecida em 1919 na
Universidade do País de Gales em Aberystwyth, tinha o nome do Presidente
Woodrow Wilson, fundador da Sociedade das Nações, e o seu primeiro titular,
Alfred Zimmern, escreveu a primeira história da nova instituição
3
.
Por outro lado, os estudos internacionais, em plena guerra, demarcaram-se das
paixões nacionalistas, ao rubro nesse momento, para defender que as origens da
I Guerra Mundial se deviam procurar na própria natureza do sistema de estados.
Em 1916, G. Lowes Dickinson, historiador e filósofo, fellowdo King's College em
Cambridge, deu o exemplo indispensável para separar a análise racional dos
perigos da ideologia: em vez de escrever sobre a culpa, investigou a causa da
guerra «a contra-pé das paixões mais selváticas que se apoderam de todos os
povos em tempo de guerra e ameaçam preparar para a Europa um futuro ainda pior
do que o seu passado»
4
.
Por último, no seu estudo sobre as origens da guerra, Lowes Dickinson, que foi
também o secretário do Comité britânico para a Liga das Nações
5
, definiu a natureza do sistema internacional como uma anarquia. Na sua
análise, a emergência dos estados soberanos está na origem da anarquia
internacional, descrita como um «estado crónico de guerra» em que «a própria
paz é uma guerra latente». A causa da guerra é a anarquia: «Num dado momento,
um qualquer Estado pode ser o ofensor imediato, mas a ofensa principal e
permanente é comum a todos os estados: é a anarquia que os próprios são
responsáveis por perpetuar»
6
. A regra da anarquia é o «dilema do poder e da segurança»
7
, descrito avant la lettrepor Dickinson: enquanto um Estado tenta obter a
supremacia «ao mesmo tempo por motivos de segurança e de dominação», os outros
combinam-se para o derrotar e a história move-se «em torno dos dois pólos do
império e da balança do poder». Esse padrão histórico continuará a repetir-se
até ser possível ou impor a unificação imperial, ou estabelecer «por acordo uma
lei comum e uma autoridade comum». No intervalo, persiste a «anarquia
fundamental»: «a rivalidade | entre os estados | é sempre a mesma e procede da
mesma causa ' a defesa e agressão mútua de seres que vivem no estado de
natureza» hobbesiano
8
.
Os idealistas partilham a visão trágica da política internacional e estão na
origem da definição da sua natureza como uma anarquia, que continua a ser
essencial e é a única em que se revêm todas as escolas ' idealistas, liberais,
realistas ou construtivistas
9
' da teoria das relações internacionais.
As origens da Grande Guerra de 1914-1918, como momento revelador da anarquia e
da dinâmica das guerras industriais, têm sido um tema constante nos estudos de
relações internacionais, nomeadamente no caso da escola realista, que se
desenvolveu, sobretudo, a partir da II Guerra Mundial.
Numa primeira tentativa impressionista, parece ser possível identificar três
interpretações distintas sobre as origens e a natureza da Grande Guerra, que
correspondem, grosso modo, aos realistas clássicos e às correntes rivais do
«realismo defensivo» e do «realismo ofensivo» e da «transição de poder». As
três interpretações separam os três fundadores da teoria realista das relações
internacionais ' Hans Morgenthau, Raymond Aron, Kenneth Waltz
10
' dos seus discípulos mais próximos na linha do «realismo defensivo» ' Robert
Jervis, Stephen van Evera, Jack Snyder
11
' e estes últimos das correntes do «realismo ofensivo» e da «transição do
poder» ' Keir Lieber, Jack Levy e Dale Copeland
12
.
O exercício que permite identificar esses três agregados consiste em analisar
como responderam a questões clássicas e elementares: a Grande Guerra era
inevitável? Se sim, seria inevitável ter começado em 1914? Quais as causas
principais da Grande Guerra? Que tipo de guerra foi a I Guerra Mundial?
A Guerra de Equilíbrio
Para Hans Morgenthau, Raymond Aron e Kenneth Waltz, a Grande Guerra era
inevitável, mas não tinha de ser travada em 1914. A crise de Sarajevo não foi a
primeira crise balcânica, embora tivesse sido a primeira em que estava posta em
causa tão directamente a sobrevivência do Império Austro-Húngaro como uma
grande potência. No mesmo sentido, também não era a primeira crise entre as
grandes potências no período de «Guerra Fria» ou, na fórmula de Hans Delbruck,
de «Guerra Seca», que caracterizou a política internacional depois do programa
naval alemão precipitar o alinhamento, inédito em tempo de paz, do conjunto das
principais potências europeias em duas grandes coligações de peso igual
13
.
A crise final tanto podia ter ocorrido no teatro balcânico, minado pelos
separatismos nacionalistas que estavam a desfazer os velhos impérios, como o
propósito da questão do Marrocos, ou ainda como consequência da aceleração da
corrida armamentista entre a Alemanha, por um lado, e a França e a Rússia,
conjunta e solidariamente, por outro. A competição crescente e cada vez mais
áspera entre as principais potências, as crises recorrentes, a bipolarização
das alianças e a fragilidade crescente da balança do poder europeia eram
reconhecidas como causas da Grande Guerra, mas nenhuma determinava, à partida,
nem uma data certa, nem mesmo um contexto preferencial de crise para o início
da escalada.
Para Aron e Waltz, uma vez que todas as potências relevantes pertenciam ou à
Triple Ententeou à Tripla Aliança, era inevitável que a guerra fosse, desde a
primeira hora, uma guerra geral
14
' a guerra entre o conjunto das potências europeias cuja repetição tinha sido
possível evitar durante quase cem anos, desde o fim das Guerras da Revolução e
do Império: as guerras da Crimeia, ou as guerras da unificação alemã,
relativamente breves, tinham envolvido apenas uma parte das potências.
Para Morgenthau e Waltz, a causa principal da Grande Guerra devia ser procurada
na engrenagem das alianças. Morgenthau cita um diplomata alemão, cuja
exclamação na véspera da declaração de guerra ' «Maldito sistema de alianças»
15
' sublinhava a excessiva rigidez dos alinhamentos que condicionava o contexto
de decisão dos responsáveis alemães que preferiam uma guerra limitada e queriam
evitar uma guerra geral, que só podiam evitar se a Inglaterra não alinhasse com
a Rússia, uma questão em aberto no Governo de Londres até à violação da
neutralidade da Bélgica
16
.
Morgenthau definia as alianças como o método da balança do poder, mas as mesmas
alianças que sustentavam o equilíbrio entre as potências também podiam ser o
seu modo de destruição: é na «condição de extrema incerteza inerente a qualquer
sistema da balança do poder composto por alianças que se devem procurar as
razões do fracasso da balança do poder em impedir a Grande Guerra»
17
. A incerteza era inerente em todas as alianças até ao momento decisivo final e
determinou o quadro em que todos os responsáveis tiveram de decidir nas semanas
fatais: em Julho de 1914, ninguém sabia se a Itália ia cumprir as suas
obrigações ou escolher a neutralidade (a Alemanha tinha antecipado essa decisão
nos seus cálculos: a Itália era irrelevante na balança entre a Triple Ententee
a Tripla Aliança); em 30 de Julho, os decisores alemães e austríacos não sabiam
se a Rússia se ia opor à decisão da Áustria e proteger a Sérvia para defender a
balança balcânica; mesmo depois da declaração de guerra da Rússia, não era
claro se a Inglaterra ia estar ao lado da França e da Rússia
18
.
Quarenta anos depois, Waltz fez uma análise paralela sobre os malefícios das
alianças para sublinhar como, num sistema multipolar, as principais potências
não conseguem nem exercer o controle sobre as suas alianças, nem evitar ter de
seguir os aliados mais fracos
19
: «A interdependência da Tripla Aliança e da Triple Ententesignificava que,
embora qualquer aliado pudesse empenhar os seus associados, nenhum Estado em
qualquer dos dois lados podia exercer o controle»
20
. Num sistema multipolar, dominado por alianças entre iguais, a Alemanha estava
à mercê da Áustria, tal como a Inglaterra da Rússia e da França. A Grande
Guerra resultou de um «círculo vicioso»: «Se a Áustria marchasse, a Alemanha
tinha de a seguir: a dissolução do império austro-húngaro deixaria a Alemanha
isolada no centro da Europa; se a França marchasse, a Rússia tinha de a seguir:
uma vitória da Alemanha sobre a França era uma derrota da Rússia.»
21
Para Morgenthau, Aron e Waltz, a Grande Guerra era uma guerra de equilíbrio,
mas essa classificação comum não os impediu de ter análises contrastadas sobre
o conflito. Aron definiu a I Guerra Mundial ao mesmo tempo como uma guerra de
equilíbrio, para as potências de status quo, e uma guerra hegemónica, do lado
dos agressores
22
. A ascensão da Alemanha punha inevitavelmente em causa a balança do poder,
pois a sua determinação em ser reconhecida como uma grande potência mundial
(Weltmacht) tinha como corolário pôr fim à supremacia inglesa e o império
britânico não estava preparado para desistir da preponderância internacional
para conciliar a vontade de poder que dominava as elites políticas e militares
no império alemão. Nesse quadro, a guerra geral revelou uma estratégia alemã de
hegemonia europeia
23
ou, na fórmula de Aron, tornou-se uma guerra hegemónica porque o que estava em
jogo, independentemente de quem fosse o vencedor, era a hegemonia europeia
24
.
Morgenthau, pela sua parte, apresentou a guerra de equilíbrio como uma guerra
preventiva: «A guerra preventiva é uma resultante natural da balança do poder.»
25
Na sua análise, no caso da Grande Guerra, tanto a Áustria, como a Rússia
seguiram paralelamente essa estratégia: a monarquia dual queria mudar a balança
balcânica a seu favor de uma vez por todas e não podia adiar mais o momento de
intervir decisivamente porque o poder da Rússia estava a crescer
exponencialmente. Mas o império czarista não podia admitir essa mudança porque
uma vitória decisiva da Áustria sobre a Sérvia tornaria o império dos
Habsburgos mais forte do que a Rússia poderia vir a ser nos tempos mais
próximos.
A Guerra Acidental
Morgenthau, Aron e Waltz reconhecem o princípio do equilíbrio como a regra
indispensável da política internacional e o fundador do neo-realismo retirou
desse pressuposto essencial a conclusão definitiva de que os estados se devem
concentrar nas estratégias de maximização da sua segurança e do seu estatuto
relativo de poder, as únicas racionais para garantir a sobrevivência na
anarquia que define a ordem do sistema internacional.
Os «realistas defensivos» inscrevem-se nessa linha geral, que caracteriza,
nomeadamente, as suas análises das origens da Grande Guerra, descrita como uma
guerra acidental, ou uma guerra por inadvertência
26
' uma guerra que ninguém queria travar e para a qual todos foram arrastados
contra vontade. Se o mote dos realistas clássicos é a fórmula sobre o «maldito
sistema de alianças», o dos «realistas defensivos», ou dos historiadores que
sustentaram a tese da guerra acidental
27
, poderia ser a frase célebre com que Lloyd George resume o estado das coisas
nas vésperas da catástrofe: «The nations slithered over the brink into the
boiling caldron of war without any trace of aprehension or dismay»
28
.
Nesse sentido, os estudos dos «realistas defensivos» sobre as origens da guerra
acidental concentraram-se nos factores que explicavam a ruptura da cooperação
entre as potências e a explosão do Verão de 1914
29
. Robert Jervis defendeu que o «dilema de segurança» nas relações entre as
potências podia precipitar uma dinâmica de guerra, quando a estratégia e a
tecnologia se conjugavam para fazer com que as partes acreditassem que o Estado
que atacasse primeiro teria uma vantagem decisiva. Nesse caso, mesmo uma
potência de status quopodia ser levada a iniciar uma guerra por temer que a
alternativa não fosse a paz mas um ataque dos adversários: foi essa a «causa
imediata» da Grande Guerra
30
. Certas ou erradas, essas percepções provocaram uma «dinâmica de espiral», uma
vez que «todas as potências continentais acreditavam que o lado que atacasse
primeiro tinha uma vantagem decisiva»
31
.
Stephen van Evera conjugou os factores externos e internos para reconstituir as
condições que levaram à «espiral de mobilização» e à «espiral de conflito»
32
, insistindo na importância decisiva das percepções políticas dos responsáveis
políticos e militares, que tendiam a exagerar as ameaças num contexto de crises
recorrentes, no qual os opositores do recurso à força perderam gradualmente
terreno. O «culto da ofensiva» dominava as doutrinas militares das grandes
potências da Europa continental, cujas elites e, sobretudo, cujas opiniões
públicas eram dominadas por um nacionalismo excessivo
33
. No mesmo sentido, Jack Snyder valorizou os factores internos: o «culto da
ofensiva» era uma ideologia e um instrumento crucial dos estados-maiores para
prevalecer sobre as autoridades civis e obter recursos crescentes para os
exércitos (e as marinhas de guerra)
34
.
Esses múltiplos factores criaram as condições em que foi possível a lógica da
guerra prevalecer num sistema em que o conjunto dos estados, incluindo a
própria Alemanha
35
, continuou a seguir, até ao fim, uma lógica racional de maximização da sua
segurança nacional.
Para os «realistas defensivos», a Grande Guerra foi uma guerra pre-emptiva '
uma guerra em que os estados iniciam as hostilidades por antecipação, quando
podem ser atacados a qualquer momento, num contexto em que os responsáveis
consideram eminente um ataque decisivo, que pode determinar a sua derrota.
Em 1914, segundo Jervis, as potências continentais foram para a guerra para
antecipar o que percepcionavam ser ataques eminentes dos seus adversários: como
o primeiro acto ofensivo podia ser decisivo, nenhum Estado podia ficar à espera
de saber quais eram as intenções dos outros, sob pena de ser derrotado por um
dos seus adversários
36
. A Inglaterra, pela sua parte, não estava ameaçada por um ataque directo
contra o seu território, mas não podia ficar de fora e assistir passivamente à
derrota da França, que tornaria a Alemanha a potência dominante na Europa.
A guerra pre-emptiva tornou-se mais provável, se não mesmo inevitável, com as
doutrinas militares das potências continentais que valorizavam as estratégias
ofensivas e defendiam, como no Plano Schliefen, que um golpe decisivo no início
das hostilidades podia assegurar uma vitória rápida: quem pudesse desferir esse
golpe em primeiro lugar (first strike), antes do outro lado completar as suas
preparações para a guerra, teria uma vantagem única e irrepetível. As doutrinas
militares apostavam em estratégias de ofensiva pre-emptiva. Nesse quadro, tudo
estava perdido desde a primeira hora: o primeiro passo desencadeava uma lógica
de escalada irresistível e imparável, determinada pela necessidade de executar
os calendários da mobilização e da deslocação, tão rápida quanto possível, dos
exércitos para as frentes. A mobilização austríaca anunciava a ofensiva contra
a Rússia em que os exércitos alemães estariam certamente ao lado dos seus
aliados; a mobilização russa, inicialmente apresentada apenas como uma
mobilização parcial contra os austríacos e como uma forma de pressão, anunciava
um ataque da Rússia, conjugado com una ofensiva francesa na fronteira oposta da
Alemanha; a mobilização alemã era o sinal precursor do início das hostilidades
na frente ocidental contra o reino dos Belgas e contra a França.
O historiador A. J. P. Taylor resumiu as origens da Grande Guerra na sua
fórmula célebre ' «War by timetable» ' e escreveu que «a única causa para o
início da guerra em 1914 foi o Plano Schliefen, produto na crença na velocidade
e na ofensiva»
37
.
O primeiro passo era fatal e a escalada só podia terminar com o envolvimento de
todas as potências e a vitória decisiva de uma das partes. Ironicamente, o
respeito pelos melhores princípios do «realismo defensivo» não impedia os
estados de estarem reféns de estratégias que tornavam possível realizar os
objectivos típicos das estratégias hegemónicas, as mesmas que os «realistas
ofensivos» consideram próprias da natureza da competição entre as potências
numa ordem anárquica.
A Guerra Preventiva
A posição dos «realistas defensivos» foi posta em causa, sucessivamente, pelo
«realismo ofensivo», com Keir Lieber, pela teoria da «transição do poder», com
Jack Levy, e ainda por Dale Copeland: o primeiro retomou a tese de Aron sobre a
guerra hegemónica
38,
os outros dois seguiram Morgenthau sobre a guerra preventiva
39.
Na última vaga realista, a tese da guerra acidental desapareceu por completo: a
Grande Guerra não só passou a ser inevitável, como devia ser travada em 1914, o
mais tardar. O adiamento era um risco crescente, nomeadamente para a Alemanha,
triplamente ameaçada, em primeiro lugar, pela grande coligação global que a
Inglaterra estava a construir com os Estados Unidos, a Rússia e o Japão e que
anulava as pretensões da potência emergente para se transformar numa «potência
mundial»
40
, em segundo lugar, pela aceleração impressionante dos programas de armamentos
da França e da Rússia, que as autoridades alemãs não conseguiam acompanhar,
nomeadamente pela oposição parlamentar dos sociais-democratas
41
e, em terceiro lugar, pela vulnerabilidade crescente do seu principal aliado,
com a ascensão dos nacionalismos e dos separatismos, reforçados pelas duas
guerras balcânicas, que ameaçavam desfazer a monarquia dual.
Lieber defendeu que novas investigações históricas
42
mostravam que a Alemanha tinha uma clara estratégia hegemónica e que o seu
comportamento antes do início das hostilidades era «mais intencional do que
acidental e mais motivado pela vontade de expansão do que pelo medo do cerco»
43
. Nesse contexto, a análise dos «realistas defensivos» sobre a guerra acidental
entre potências conservadoras concentradas na maximização da sua segurança
deixava de poder ser validada pelos factos históricos, os quais, pelo
contrário, confirmavam a visão trágica dos «realistas ofensivos» sobre a lógica
do poder manifesta na estratégia de expansão da Alemanha
44
: as origens da Grande Guerra, muito classicamente, deviam encontrar-se na
vontade hegemónica da potência do meio, a principal potência emergente no
princípio do século xx.
A guerra hegemónica de Lieber é a guerra preventiva de Levy e de Copeland,
independentemente das diferentes avaliações de cada um sobre o sentido ofensivo
ou defensivo da estratégia alemã.
Na teoria da «transição do poder» (power transition), a guerra preventiva tem
como finalidade interromper, ou neutralizar, a ascensão de uma grande potência
e impedir uma mudança adversa na distribuição do poder (power shift)pela
derrota militar do perturbador dos equilíbrios. Na versão original
45
, as guerras preventivas são iniciadas pela potência hegemónica numa tentativa
para adiar o seu declínio ou recuperar o seu dinamismo estratégico.
Jack Levy propõe uma nova definição que separa dois tipos de guerra preventiva
' a versão original, em que a potência hegemónica procurar preservar o status
quo, e uma nova categoria adicional de «guerras preventivas revisionistas», em
que uma potência ascendente tenta não perder a sua oportunidade de substituir a
potência hegemónica: «Se um Estado com ambições hegemónicas antecipa uma
mudança adversa de poder prejudicial à realização dos seus objectivos
revisionistas, adopta uma estratégia de guerra preventiva para bloquear essa
mudança de poder e obter uma posição hegemónica»
46
.
Essa situação tem afinidades com a análise histórica de Fritz Fischer, que o
próprio Levy cita nos seguintes termos:
«Não restam dúvidas de que a guerra que os políticos alemães fizeram
em Julho de 1914 não foi uma guerra preventiva travada por causa do
medo e do desespero. Foi uma tentativa para derrotar as potências
inimigas antes que estas se revelassem demasiado fortes e para |
impor | a hegemonia da Alemanha na Europa.»
47
De resto, a recentragem da análise das origens da Grande Guerra na estratégia
da Alemanha revela uma afinidade evidente entre as estratégias de expansão do
II e do III Reich: em 1914, como em 1939 (e, mais ainda, em Junho de 1941), a
política alemã segue a linha da estratégia revisionista de guerra preventiva.
Levy não deu por demonstrada, em termos definitivos, a sua hipótese sobre as
origens da Grande Guerra
48
. Pelo contrário, Dale Copeland não tinha, e continua a não ter quaisquer
dúvidas sobre a natureza da Grande Guerra como uma guerra preventiva. A sua
tese é, ao mesmo tempo mais clássica (próxima, entre outras, da visão
pessimista dos conservadores alemães, como o chanceler Bethmann-Hollweg) e mais
radical (no sentido em que desvaloriza a complexidade do contexto
internacional).
Na sua interpretação, a I Grande Guerra teve uma única causa principal: «o medo
profundo dos dirigentes alemães que temiam o declínio irreversível da sua nação
perante a ascensão do colosso russo»
49
. Copeland, como os «realistas defensivos», defendeu que as motivações da
Alemanha eram essencialmente a procura da segurança: desde 1912, os
responsáveis civis e militares em Berlim viviam sob a ameaça do crescimento
russo ' até ao fim, Bethmann-Hollweg continuou a dizer que «O futuro pertence à
Rússia»
50
' e estavam preparados para uma guerra preventiva
51
. Mas, independentemente de um juízo definitivo sobre as estratégias alemãs,
uma guerra preventiva contra a Rússia, com motivações defensivas ou determinada
pela vontade de poder, não podia deixar de se transformar numa guerra geral
(mesmo se subsistissem dúvidas acerca da posição final da Inglaterra até ao
momento da invasão da Bélgica), na qual, por definição, estava em jogo a
hegemonia europeia.
Notas Finais
O debate sobre a Grande Guerra nos estudos de estratégia e das relações
internacionais não acabará enquanto houver capacidade de inovação teórica ou,
alternativamente, novos estudos históricos que fundamentem novas análises. Em
todo o caso, a análise dos três agregados interpretativos justifica três curtas
notas finais.
Em primeiro lugar, a Grande Guerra, se não o era, tornou-se inevitável e foi
uma guerra geral desde o início. Essa é a sua grande marca distintiva, que a
separa tanto das Guerras da Revolução e do Império, como da II Guerra Mundial,
que demorou mais de dois anos, entre Setembro de 1939 e Dezembro de 1941, até
envolver o conjunto das grandes potências internacionais. Por certo, os
argumentos dos «realistas defensivos» são relevantes: não é possível separar a
Grande Guerra do nacionalismo extremo, do «culto da ofensiva» e dos problemas
criados pelos erros de percepção e de avaliação das ameaças. Mas a deterioração
das relações diplomáticas entre as potências, a par da fragilidade da balança
do poder, torna difícil sustentar que a I Guerra Mundial foi um acidente, ou
uma guerra que ninguém queria travar.
Em segundo lugar, é importante sublinhar a questão das alianças, num registo
clássico, com Morgenthau, ou num registo sistémico, com Waltz. A bipolarização
do sistema multipolar, em que duas grandes coligações equivalentes integram o
conjunto das principais potências, nunca devia ter existido em tempo de paz '
não existiu antes, nem voltou a existir nessas circunstâncias ' e revelou ser a
verdadeira expressão do «pesadelo das alianças», para evocar a fórmula do
príncipe de Bismarck. A bipolarização do sistema multipolar anulou a
flexibilidade indispensável que torna possível as alianças serem o método da
balança do poder: o equilíbrio quase perfeito entre a Triple Ententee a Tripla
Aliança acumulava os defeitos da rigidez bipolar e da incerteza multipolar.
Em terceiro lugar, é pertinente sublinhar as diferenças entre as potências
conservadoras e as potências revisionistas, que continuam a ser desvalorizadas
pelas escolas estruturalistas. Fora dessa referência conceptual, é difícil
reconhecer o dinamismo extraordinário da ascensão da Alemanha, e também da
Rússia, ou o declínio da França, que prevaleceram sobre a determinação da
Inglaterra em travar o perturbador alemão. No mesmo sentido, a distinção entre
potências conservadoras e revisionistas serve também para assinalar a
circunstância, única à data, da ascensão paralela de duas grandes potências
revisionistas continentais ' a Rússia e a Alemanha ' que nenhuma análise sobre
as origens da Grande Guerra deve ignorar.
Data de recepção: 9 de Abril de 2014
Data de aprovação: 12 de Maio de 2014
Notas
1
A pedido do autor o texto não adopta as normas do Novo Acordo Ortográfico.
2
Bull, Hedley ' «The theory of international politics (1919-1969)». In Porter,
Brian (ed.) ' The Aberystw yth, Papers. International Politics (1916-
1969).Londres: Oxford University Press, 1972, pp. 30-55.
3
Zimmern, Alfred ' The League of Nations and the Rule of Law (1918-1935).
Londres: MacMillan, 1936.
4
Dickinson, G. Lowes ' The European Anarchy. Nova York: MacMillan, 1916, p. 17. Ver também Dickinson, G. Lowes' The International Anarchy
(1904-1914). Londres: Allen&Unwin, 1926. Ver também
Schmidt, Brian' The Political Discourse of Anarchy. Nova York: State University
of New York Press, 1998.
5
Martin Wight admite que Lowes Dickinson tenha sido ele próprio o autor do nome
da futura League of Nations. Wight, Martin ' Power Politics. Londres: Royal
Institute of International Affairs, 1945, p. 33.
6
Dickinson, G. Lowes ' The European Anarchy. Nova York: MacMillan, 1916, p. 14.
7
É essa a fórmula original de John Herz para o seu famoso «dilema de segurança».
Herz, John ' «Idealist internationalism and the security dilemma». In World
Politics. Vol.2, N.º 29, 1950, p. 157. Ver também Herz, John
' Political Realism and Political Idealism. Chicago: University of Chicago
Press, 1951, pp. 14-17.
8
Dickinson, G. Lowes ' The European Anarchy, pp. 14-16.
9
Ver, inter alia, Dickinson, G. Lowes ' The European Anarchy;
Wight, Martin ' Power Politics. Londres: Royal Institute of International
Affairs, 1945; Aron, Raymond ' «The anarchical order of
power». In Daedalus. Vol. 95, N.º 2, 1966, pp. 479-502; Bull,
Hedley ' The Anarchical Society. Columbia: Columbia University Press, 1977; Waltz, Kenneth ' Theory of International Politics. Nova York:
McGraw-Hill, 1979; Wendt, Alexander ' The Social Theory of
International Politics. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.
10
Morgenthau, Hans ' Politics Among Nations. The Struggle for Power and Peace.
Nova York: Knopf, 1948; Aron, Raymond ' Les guerres en
chaîne. Paris: Gallimard, 1951; Aron, Raymond ' La société
industrielle et la guerre (Suivi d'un tableau de la diplomatie mondiale en
1958). Paris: Plon, 1958; Waltz, Kenneth ' «The origins of
war and Neorealist theory». In Kenneth Waltz ' Realism and International
Politics. Nova York: Routledge, 1988, pp. 56-66.
11
Jervis, Robert ' Perceptions and Misperceptions in International Politics.
Princeton: Princeton University Press, 1976; Van Evera,
Stephen ' «The cult of the offensive and the origins of the First World War»
(1984). In Miller, Steven, e Lynn-Jones, Sean (eds.) ' Military Strategy and
the Origins of the First World War. Princeton: Princeton University Press,
1991, pp. 59-108; Snyder, Jack ' «Civil-military relations
and the cult of the offensive» (1984). In Miller, Steven, e Lynn-Jones, Sean
(eds.) ' Military Strategy and the Origins of the First World War, pp. 20-58; Snyder, Jack, e Lieber, Keir ' «Correspondence: Defensive
Realism and the New History of World War I». In International Security. Vol.
33, N.º 1, 2008, pp. 174-194.
12
Lieber, Keir ' «The new history of World War I and what it means for
international relations theory». In International Security. Vol. 32, N.º 2,
2007, pp. 155-191; Snyder, Jack ' «The sources of preventive
logic in German decision-making in 1914». In Levy, Jack, e Vasquez, John (eds.)
' The Outbreak of the First World War. Cambridge: Cambridge University Press,
2014, pp. 139-166; Copeland, Dale ' «International relations
theory and the three great puzzles of the First World War». In Levy, Jack, e
Vasquez, John (eds.) ' The Outbreak of the First World War, pp. 167-198.
13
Sobre as origens da Grande Guerra, ver, inter alia, Joll, James ' The Origins
of the Great War. Londres: Longman, 1984; Macmillan, Margaret
' The War that Ended Peace. Nova York: Random House, 2013;
CLARK, Christopher ' The Sleepwalkers. Nova York: Harper Collins, 2013; Mcmeekin, Sean ' July 1914. Nova York: Basic Books, 2013; ver também Fischer, Fritz ' Germany's Aims in the First World
War. Nova York: Norton, 1967; ver ainda Koch, H. W. (ed.) '
The Origins of the First World War. Londres: MacMillan, 1984.
14
Aron, Raymond ' Les guerres en chaîne. Paris: Gallimard, 1951, p. 20. Waltz, Kenneth ' «The Origins of War and Neorealist Theory», 1988.
15
Morgenthau, Hans ' Politics Among Nations. The Struggle for Power and Peace, p.
155.
16
Trevelyan, G. M. ' Grey of Fallodon. Londres: Longmans, 1937, pp. 243-269; Fallodon, Viscount Grey of ' Twenty Five Years (1892-1916),
I: XVI. Nova York: Frederick Stores, 1925.
17
Morgenthau, Hans ' Politics Among Nations. The Struggle for Power and Peace,
p. 154.
18
Ibidem, pp. 152-153.
19
Os perigos das alianças nos sistemas multipolares são um tema emblemático de
Kenneth Waltz e um dos seus principais argumentos na defesa da estabilidade
bipolar. Waltz, Kenneth ' Theory of International Politic, 1979, pp. 163-170.
20
Waltz, Kenneth ' «The origins of war and Neorealist theory», 1988, p. 60.
21
Waltz, Kenneth ' Theory of International Politics, p. 167;
Waltz, Kenneth ' «The origins of war and Neorealist theory», 1988, p. 60.
22
Aron, Raymond ' Espoir et peur du siècle. Essais non partisans. Paris: Calmann-
Lévy, 1957, p. 18.
23
Dehio, Ludwig ' «Thoughts on Germany's mission» (1900-1918), 1955. In Dehio,
Ludwig ' Germany and World Politics in the Twentieth Century. Nova York: Knopf,
1960, pp. 72-108.
24
Aron, Raymond ' Espoir et peur du siècle. Essais non partisans, p. 18.
25
Morgenthau, Hans ' Politics Among Nations. The Struggle for Power and Peace,
p. 155.
26
Como nota Marc Trachtenberg, a guerra acidental era um tema obrigatório nas
análises estratégicas norte-americanas sobre o risco de guerra nuclear, que
referiam frequentemente o precedente da Grande Guerra, incluindo os estudos de
Thomas Schelling, Graham Allison ou Paul Bracken. Trachtenberg, Marc ' «The
meaning of mobilization in 1914». In Miller, Steven, e Lynn-Jones, Sean (eds.)
' Military Strategy and the Origins of the First World War. Princeton:
Princeton University Press, 1991, p. 195.
27
Por exemplo, Barbara Tuchman, cujo livro estava à cabeceira do Presidente John
Kennedy durante a crise dos mísseis de Cuba, em Outubro de 1962. Essa
referência, cuja importância na decisão política continua a ser difícil de
avaliar, parece ser a única ligação material entre as origens da Grande Guerra
e as crises nucleares da segunda metade do século xx. Tuchman, Barbara ' The
Guns of August. Nova York: MacMillan, 1962; Sorenson, Ted '
Counsellor. Nova York: HarperCollins, 2008; Allison, Graham '
Essence of Control. Nova York: Addison-Wesley, 1971.
28
George, David Lloyd ' War Memoirs. Vol. I, N.º 32. Londres, 1938.
29
Van Evera, Stephen ' «Why cooperation failed in 1914». In Oye, Kennet (ed.) '
Cooperation under Anarchy. Princeton: Princeton University Press, 1986, pp. 80-
117.
30
Jervis, Robert ' Perceptions and Misperceptions in International Politics, p.
67.
31
Ibidem, p. 94.
32
Van Evera, Stephen ' «The cult of the offensive and the origins of the First
World War» (1984). In Miller, Steven, e Lynn-Jones, Sean (eds.) ' Military
Strategy and the Origins of the First World War. Princeton: Princeton
University Press, 1991, pp. 106-108; Van Evera, Stephen '
«Why cooperation failed in 1914» (1986), p. 81. Ver também
Van Evera, Stephen ' Causes of War. Power and the Roots of Conflict. Ithaca:
Cornell University Press, 1999, pp. 193-239.
33
Van Evera, Stephen ' «The cult of the offensive and the origins of the First
World War»; Van Evera, Stephen ' «Why cooperation failed in
1914», p. 81; ver também Van Evera, Stephen ' «Hypothesis on
nationalism and war» (1994). In Brown, Michael, Coté, Owe, Lynn-Jones, Sean, e
Miller, Stephen (eds.) ' Theories of War and Peace. Cambridge: MIT Press, 1998,
pp. 257-291.
34
Snyder, Jack ' «Civil-military relations and the cult of the offensive» (1984).
In Miller, Steven, e Lynn-Jones, Sean (eds.) ' Military Strategy and the
Origins of the First World War. Princeton: Princeton University Press, 1991,
pp. 29-249; ver também Snyder, Jack ' The Ideology of the
Offensive: Military Decision-Making and the Disasters of 1914. Ithaca: Cornell
University Press, 1984.
35
Robert Jervis não deixa de referir a tese de Fritz Fischer sobre a determinação
hegemónica da Alemanha, para acentuar as divisões entre os historiadores na
análise das origens da Grande Guerra. Jervis, Robert ' Perceptions and
Misperceptions in International Politics, pp. 94 fn.70.
36
Jervis, Rober t ' Perceptions an d Misperceptions in International Politics, p.
94.
37
Taylor, A. J. P. ' War by Time-table. How the First World War Began. Londres:
Macdonald, 1969, p. 121.
38
Lieber, Keir ' «The new history of World War I and what it means for
international relations theory», 2007; Snyder, Jack, e
Lieber, Keir ' «Correspondence: defensive realism and the New History of
World War I», 2008.
39
Copeland, Dale ' The Origins of Major War. Ithaca: Cornell University Press,
2000; Copeland, Dale ' «International relations theory and
the three great puzzles of the First World War», 2014; Levy,
Jack, e Vasquez, John (eds.) ' The Outbreak of the First World War.
40
Dehio, Ludwig ' The Precarious Balance. Princeton: Princeton University Press,
1962, pp. 234-240.
41
Simms, Brendan ' Europe: The Struggle for Supremacy. Londres: Allen Lane, 2013,
pp. 283-293. Sobre a Rússia, ver também Mcmeekin, Sean ' The
Russian Origins of the First World War. Cambridge: Belknap, 2011.
42
A referência principal de Lieber são os estudos de Terence Zuber que denunciam
o Plano Schliefen como uma invenção do Estado-Maior alemão para justificar a
posteriori a sua derrota na ofensiva crucial de 1914. Lieber, Keir ' «The new
history of World War I and what it means for international relations theory»,
2007, pp. 13-23.
43
Ibidem, p. 191.
44
Ibidem, pp. 165-166. A análise de John Mearsheimer, mais subtil, combina
factores ofensivos e defensivos na estratégia da Alemanha: «A decisão da
Alemanha de avançar para a guerra em 1914 (foi) um risco calculado motivado
pela vontade da Alemanha de romper o cerco da Triple Entente, impedir o
crescimento da Rússia e tornar-se a potência hegemónica da Europa».
Mearsheimer, John ' The Tragedy of Power Politics. Nova York: W. W. Norton,
2000, p. 215.
45
Organski, A. F. K. ' World Politics. Nova York: Alfred Knopf, 1958.
46
Levy, Jack, e Vasquez, John (eds.) ' The Outbreak of the First World War, pp.
144-145.
47
Fisher, Fritz ' War of Illusions. German Policies from 1911 to 1914. Nova York:
W. W. Norton, 1975, p. 470.
48
Levy, Jack, e Vasquez, John (eds.) ' The Outbreak of the First World War, pp.
163-166.
49
Copeland, Dale ' «International relations theory and the three great puzzles of
the First World War», p. 168.
50
Copel and, Dale ' The Origins of Major War, p. 83. A citação
é tirada do diário do principal assessor do chanceler Bethmann Hollweg, na
entrada datada de 7 de Julho de 1914. Karl Erdmann, editor (1972). Kurt
Riezler. Tagebucher, Aufstatze, Dokumente: 192-193. Colónia:
Vandenhoek&Ruprecht. Margaret MacMillan recorda a esse propósito que
Bethmann-Hollweg se recusava a plantar novas árvores no seu domínio prussiano
porque este estaria certamente nas mãos da Rússia antes destas poderem crescer.
Macmillan, Margaret, 2013, pp. 527.
51
Copeland, Dale ' The Origins of Major War, pp. 61-72.
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