O Apoio dos «Cidadãos» e das «Elites» à UE, antes e depois da Crise Financeira:
Os Países Periféricos da Europa do Sul (Grécia, Portugal e Espanha) numa
perspetiva comparada
Introdução
A crise financeira internacional, que se seguiu ao colapso do Lehman Brothers
em setembro de 2008, fez cair o crescimento económico e lembrou às instituições
financeiras a necessidade de examinar mais cuidadosamente as características
dos beneficiários de empréstimos. Mais tarde, por volta de 2009-2011, muitos
países foram apontados como investimentos de alto risco, a procura de emissão
de obrigações pelo governo diminuiu e as taxas de juro dispararam. Como
resultado, a Irlanda, a Grécia, Portugal e Chipre foram obrigados a pedir
empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e à União Europeia (UE), os
quais foram concedidos com condições muito exigentes (nomeadamente em taxas de
juro e reformas políticas do papel do Estado e desregulamentação dos mercados,
especialmente do mercado de trabalho); e Espanha recebeu um empréstimo especial
da UE de apoio ao setor bancário, sob a supervisão técnica do FMI. Além disso,
todos os países aprovaram impopulares e extensas medidas de austeridade, mas
especialmente aqueles que receberam os acima mencionados empréstimos do FMI/UE.
Estes acontecimentos desafiaram a legitimidade da União Europeia (UE), pelo
menos de quatro maneiras diferentes.
Primeiro, os cidadãos vêem as condições económicas nacionais, e para muitos
individuais, deteriorarem-se ' ameaçando assim a «legitimidade pelos
resultados» da UE, isto é, o cumprimento, pela União daquilo que as pessoas
dela esperam, nomeadamente o crescimento económico.
Segundo, a crise económica tornou evidente o decrescente espaço de manobra dos
decisores políticos nacionais. Nos países intervencionados, as condições
exigidas incluíram reformas dos sistemas judiciais e educacionais, das pensões,
da administração pública, etc. Estas políticas são entendidas pela opinião
pública (e apresentadas como tal pelas elites políticas) como «impostas» pelo
FMI e a pela UE. Mas mesmo nos países que não foram resgatados, o risco de
contágio pressionou os decisores políticos a assegurar uma redução das dívidas
e défices o mais rapidamente possível. A UE também adotou legislação e um novo
tratado, para garantir a redução da dívida e do défice, e para equilibrar a
balança de pagamentos dos estados-membros. Questões como os salários, os
impostos sobre o rendimento das sociedades e a indexação das pensões tornaram-
se, subitamente, os temas centrais a nível europeu. Isto é notável, tendo em
conta a resistência inicial de muitos estados-membros em discutir estes temas
no passado. Há, pois, uma clara tendência impulsionada pela crise do euro: uma
transferência do nível nacional para o nível europeu ' uma europeização ' de
muitas áreas controversas da política social e económica. Consequentemente, as
medidas de austeridade ' impopulares por natureza ' estão agora associadas, na
mente da opinião pública, à UE.
Como alguns governos se encontram em posição de concordar com mudanças radicais
no seu sistema social, com pouca intervenção dos parlamentos nacionais ou dos
cidadãos, o Parlamento Europeu (PE) é também apenas marginalmente envolvido nos
debates. Uma terceira consequência da crise, como muitos observadores
verificaram, é pois uma clara transferência do poder de decisão da Comissão e
do PE para o Conselho Europeu (ou, mais precisamente, para os seus membros
maiores e mais ricos).
Finalmente, a crise financeira desafia a unidade da UE. Como ficou demonstrado
pela desastrosa classificação «PIGS», as intervenções foram acompanhadas por
uma divisão entre os «países bons» e os «países maus», e por uma crescente
fragmentação entre os membros do euro e os outros. É natural que tal divida os
europeus e que, para além disso, desafie a legitimidade da UE.
O presente artigo investiga a repercussão destes fenómenos no apoio à UE, tanto
junto dos cidadãos como dos seus representantes, nos países periféricos da
Europa do Sul (Grécia, Portugal e Espanha) em comparação com o resto da UE, bem
como entre si. Ao passo que a literatura existente se centra quase
exclusivamente no efeito da crise económica e financeira sobre os cidadãos
1
, este artigo examina também como o apoio das elites políticas à UE foi
afetado, e compara os níveis de apoio dos cidadãos e dos parlamentares face à
UE. Além disso, tanto quanto sabemos, não existem comparações elites-massas
antes e imediatamente depois da crise económica de 2008. Como referido atrás,
os casos aqui escolhidos são Portugal, Grécia e Espanha. Estes três países são
todos membros de segunda geração, que associam um forte apoio à UE, tanto por
parte das elites como da dos cidadãos
2
e um efeito profundo da crise nas suas economias
3
.
Tal investigação é crucial para os decisores políticos. Como muito bem sabem os
sociólogos, um nível suficiente de apoio desempenha um papel fundamental na
estabilidade e manutenção do sistema político e económico. Se a UE vê diminuir
de forma acentuada os seus apoios, ao mesmo tempo que leva a cabo reformas
radicais, a legitimidade democrática do sistema político fica ameaçada. Para
além disso, tal investigação é também teoricamente importante. Como Gabel
4
referiu, as teorias que procuram explicar o apoio à integração podem ser
divididas em dois grupos: o das que defendem que o apoio dos cidadãos à
integração é baseado em características pessoais; e o das que defendem que os
cidadãos podem mudar o seu apoio à integração dependendo, entre outras coisas,
do seu bem-estar económico. Estudar o impacto da crise financeira ajuda-nos a
testar o impacto que têm as mudanças dramáticas das circunstâncias económicas
nas atitudes europeias; e, portanto, em que medida o apoio é mutável. Também
nos permite verificar se a mudança do apoio dos deputados é mais ou menos
consistente com mudanças equivalentes dos seus eleitores devido à severa crise
económica.
Este artigo está dividido em quatro partes. A primeira apresenta como a
literatura geralmente converge em esperar um declínio do apoio à UE, e como ele
se aplica aos cidadãos e parlamentares. A segunda explora os nossos dados e
métodos. A terceira apresenta a evidência de que a opinião pública, e até em
certa medida as atitudes dos parlamentares, mudaram durante a crise financeira
e económica. A quinta determina rigorosamente os efeitos da crise financeira,
controlando as explicações alternativas; e a última parte apresenta as
conclusões.
«Teoria E Hipóteses» No Que Respeita Aos Resultados Esperados Nas Atitudes Dos
«Cidadãos E Das Elites Em Relação À Ue, Antes E Depois Da Crise Financeira, Nos
Países Periféricos Da Europa Do Sul»
Deveremos esperar mudanças nas atitudes dos cidadãos e dos parlamentares em
relação à UE na sequência da crise financeira? Se sim, que mudanças? Dois ramos
distintos de investigação são úteis para responder a estas questões: aqueles
que analisam de que forma as condições económicas influenciam o apoio do
governo, e aqueles que se centram nas condicionantes do eurocepticismo. Ambos
convergem na expectativa de um decréscimo do apoio à UE associado à crise
financeira.
Por um lado, muitas investigações que relacionam as condições económicas e o
apoio ao governo mostraram que as pessoas têm confiança nos seus líderes
(pessoas ou instituições) quando o governo proporciona benefícios aos seus
cidadãos. Esta ideia constitui a base da teoria económica das eleições, que
defende e demonstra que, em períodos económicos desfavoráveis, é muito mais
provável que os eleitores retirem o seu apoio ao governo
5
. Como Nannestad e Paldam referem, tal argumento funciona melhor em países com
um sistema bipartidário, mas em todos os sistemas os eleitores responsabilizam
o governo pelo desenvolvimento económico
6
, e os países periféricos da Europa do Sul não são exceção a este respeito
7
.
Enquanto alguns autores sustentam que o abrandamento económico afeta o apoio
aos governantes em funções, mas não ao sistema
8
, outros destacam que «uma profunda falta de confiança nas instituições e
sistemas de governo » pode comprometer «as próprias fundações do sistema do
governo»
9
. Uma argumentação mais geral também sustenta que, na ausência do apoio dos
cidadãos às instituições, a legitimidade dessas instituições fica ameaçada
10
e os cidadãos irão muito provavelmente pôr em causa a autoridade dessas
instituições.
Analisando especificamente o efeito da atual crise, Roth
11
considera que a confiança global no governo e no parlamento nacionais aumentou
de facto na sequência imediata da crise financeira. Isto já tinha sido
demonstrado por Chanley
12
, o qual verificou que a confiança dos cidadãos nas instituições nacionais
aumenta em tempo de crise, um fenómeno que tem sido denominado de «rally around
the flag»
13
' qualquer coisa «como união na adversidade». Este efeito, contudo, é apenas
temporário. Roth
14
entende que os efeitos a médio prazo (da crise financeira e da crise económica
que se seguiu) são perdas significativas da confiança dos cidadãos nos
parlamentos e nos governos nacionais nos quatro países periféricos Grécia,
Espanha, Irlanda e Portugal. Roth também apresenta provas preliminares de que
um aumento da dívida acima do PIB está associado a uma perda de confiança.
Assim, a crise económica tem claramente o potencial ' especialmente depois de
um ano ou dois ' de minar o apoio ao governo nacional. As implicações desta
descoberta para a questão que a nossa pesquisa levanta (o impacto da crise
financeira no apoio à UE) não são, contudo, lineares. Muitos autores argumentam
que o apoio ao governo nacional é um bom indicador do apoio à UE. A ideia é que
os cidadãos, devido a uma informação limitada sobre a política a nível europeu,
recorrem às suas opiniões baseadas na informação doméstica como referência para
o seu apoio a nível europeu
15
. No entanto, como Muños, Torcal e Bonnet
16
referem também se pode argumentar que os cidadãos com avaliações positivas no
que respeita às suas instituições nacionais comparam as instituições europeias
a uma bitola mais elevada e, assim, uma confiança maior nas instituições
nacionais fará decrescer a confiança nas instituições europeias e vice-versa
17
.
No contexto da crise financeira, contudo, o pressuposto de que os cidadãos não
sabem muito acerca das políticas europeias e da sua influência, é arriscado: a
imprensa informa constantemente sobre as decisões tomadas pelo Conselho Europeu
(por exemplo, a regra de ouro do rigor fiscal); e os decisores políticos
associam diretamente as medidas de austeridade às condições da UE (e do FMI no
caso dos países objeto de intervenção). Muitos cidadãos estão agora conscientes
de que os decisores políticos europeus não se aperceberam (ou talvez se
apercebessem, mas não reagiram) das contas falsificadas da Grécia, de que as
dolorosas medidas de austeridade são decididas a nível europeu para evitar o
contágio no seio da UEM, e de que o motor principal destas mudanças eram dois
chefes de Estado, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel, os quais estão em primeiro
lugar, e acima de tudo, a defender os seus próprios interesses nacionais.
Pode-se, pois, argumentar que os cidadãos estão agora mais propensos do que
nunca a responsabilizar a UE pela deterioração das suas condições económicas
individuais ou nacionais, e que a crise económica tem agora um efeito direto no
apoio dos cidadãos à UE. Por outras palavras, se os cidadãos responsabilizam o
seu governo pelo abrandamento económico, então poderão também responsabilizar
diretamente a UE, como um governo que toma decisões económicas. Assim, o
argumento que emana do «apoio ao governo económico» é que o apoio dos cidadãos
à UE diminuiu depois do início da crise financeira. Embora não haja muito
diálogo entre esta literatura e a investigação que lida especificamente com o
apoio à UE, muitas conclusões desta última são consentâneas com o argumento
acima mencionado. Para o nosso objetivo, vale a pena recordar o trabalho
seminal de Matthew Gabel
18
que testa cinco teorias de apoio à integração. Ele distingue: i) a teoria
cognitiva, de acordo com a qual um elevado nível de consciência política e
aptidões em comunicação política permite aos cidadãos identificarem-se com uma
política comunitária supranacional
19
; ii) a teoria dos valores políticos, que defende que o apoio à integração
europeia está associado a valores orientadores «pós-materialistas»
20
; iii) a teoria partidária, de acordo com a qual os cidadãos adotam atitudes
face à integração que refletem a posição do partido que apoiam
21
; iv) a teoria do apoio ao governo segundo a qual os eleitores relacionam o seu
apoio à integração com o seu apoio ao governo
22
; e finalmente v) a teoria utilitarista, que postula que o apoio dos cidadãos à
integração está diretamente relacionado com a sua perceção de ganhos em bem-
estar advindos da política integradora
23
. Gabel
24
mostra que a teoria utilitarista fornece, de longe, o mais forte e robusto
conjunto de fatores de previsão do apoio dos cidadãos à integração europeia.
Enquanto a teoria partidária e a teoria do apoio ao governo também oferecem
uma explicação sólida (mas mais fraca) para o apoio, as teorias dos valores
políticos e da mobilização cognitiva só oferecem explicações válidas para os
cidadãos dos estados-membros originais.
O argumento lógico para explicar os ganhos económicos e o apoio à UE foi
explicado por Fritz Scharpf
25
. A ideia é que a UE está dependente de uma «legitimação orientada pelos
resultados» ' ou seja, uma legitimação baseada em interesses e não em
identidades. Alguns anos mais tarde, Hooghe e Marks
26
, usaram dados do Eurobarómetro para medir o impacto relativo dos aspetos
económicos e da identidade comunitária na opinião pública europeia, e
concluíram que ambos os fatores são importantes. Enquanto a identidade tem um
impacto mais profundo nos níveis de confiança na UE do que os interesses
económicos próprios, os últimos poderão ser mais fortes em algumas condições
particulares: «A abordagem económica à opinião pública parece ser mais válida
quando as consequências económicas são entendidas com algum rigor, quando são
suficientemente grandes para importar, e quando a escolha que uma pessoa faz
afeta realmente o resultado.»
27
Duas destas três condições ' rigor da perceção e relevância ' estão sem dúvida
presentes na atual crise económica. Assim, ambas as teorias ' sobre o apoio ao
governo e sobre o apoio à UE ' convergem na expectativa de um decréscimo do
apoio na sequência da crise financeira.
Elites Políticas: Deputados
Podemos esperar que os deputados respondam à crise financeira como os cidadãos
que representam? Poder-se-ia argumentar que não, uma vez que os níveis
cognitivos dos eleitores e dos deputados sobre a matéria da estrutura e dos
processos da UE permanecem substancialmente diferentes
28
. Os cidadãos organizam o seu conhecimento sobre a Europa numa base de quadros
mentais abstratos, alimentados por uma variedade de fontes (principalmente os
meios de comunicação, mas também toda a espécie de grupos sociais, a internet,
livros, etc.), com graus diferentes de sofisticação e consistência
29
. Em contraste, as perceções dos deputados (representações institucionais) são
endógenas ao sistema político da UE, e por essa razão tendem a expressar uma
visão mais elaborada e informada do seu modus operandi
30
. Em consequência, o apoio cognitivo ' e menos mutável ' da elite política à
integração europeia será mais forte nos deputados, especialmente se eles foram
«socializados» nos círculos políticos europeus
31
. Por outro lado, os deputados poderão também empatizar com o crescente
euroceticismo dos seus eleitores, ou porque mudam de preferências à luz dos
acontecimentos, ou porque oportunisticamente se aproveitam do crescente
euroceticismo
32
. Existem ainda autores que encontraram provas da existência de um modelo
baseado num processo dual, no qual as elites partidárias correspondem às
opiniões dos seus apoiantes e ao mesmo tempo tentam moldá-las
33
. Como Hooghe e Marks defendem, «A maioria dos principais partidos continuou a
resistir à politização da questão. Mas um número de partidos populistas, longe
do poder, cheiraram sangue. O seu eurocepticismo instintivo estava mais perto
do coração da opinião pública.»
34
Uma variável adicional de controlo para a elite ' no topo da socialização como
acima referido ' é, portanto, a postura eurocética do partido a que pertence.
Assim, deveremos esperar que as elites políticas/deputados em geral, e
especialmente os maiores partidos e mais pró-europeus, sejam menos propensos a
atitudes eurocéticas em resposta à crise económica. No entanto, o contrário
poderá ser verdade para as elites políticas/deputados de partidos políticos
eurocéticos.
Dados e Métodos
Para analisar os níveis de apoio à UE tanto dos cidadãos como das elites
políticas (deputados), antes e depois da crise económica, nos países
periféricos da Europa do Sul, utilizaremos os seguintes conjuntos de dados e
procedimentos metodológicos. Para as tendências no apoio à UE a nível da
opinião pública, apoiamo-nos nos eurobarómetros (diversos estudos entre 2006 e
2013) e comparamos não só os países periféricos da Europa do Sul entre si como
também a Grécia, Portugal e Espanha face aos 27 países da UE no seu conjunto.
Para testar diferenças significativas tanto ao longo do tempo como nos vários
países, confiamos em testes para a igualdade de meios, ou testes para a
igualdade de proporções, em diferentes amostras
35
.
Para tendências entre 2007 (antes da crise) e 2009 (depois da crise), tanto a
nível dos cidadãos como das elites políticas, utilizaremos também dados
provenientes de inquéritos do projeto de investigação «INTUNE: Integrated and
United? A Quest for Citizenship in an Ever Closer Europe»
36.
Estes conjuntos de dados não só nos permitem uma análise mais detalhada das
atitudes políticas face à integração europeia tanto das elites como das massas,
devido à existência de questionários completos dedicados a questões europeias
em três dimensões principais («Interesse, Identidade e Representação»), mas
também permitem uma comparação das atitudes das elites políticas e dos cidadãos
antes (2007) e depois (2009) da crise económica, porque em ambos os casos dois
inquéritos foram realizados utilizando o mesmo questionário. Isto permite-nos
testar se há mudanças significativas no apoio à UE depois da crise económica,
mas também ver se as mudanças a nível dos cidadãos correspondem, ou não, às do
nível das elites políticas. Finalmente, utilizando uma análise de regressão
multivariada, testaremos estatisticamente se há mudanças significativas no
apoio à UE depois da crise económica, controlando ao mesmo tempo diversas
explicações alternativas (questões de identidade, valores, orientações
partidárias, ideologia, etc.).
Impacto Da Crise Financeira Nas Atitudes Dos Cidadãos Face À União Europeia:
Uma Descrição
Uma preocupação essencial que emerge da crise atual é em que medida estará esta
a afetar o apoio à UE. As duas secções que se seguem apresentam dados sobre o
apoio dos cidadãos e dos deputados à UE, antes e depois da crise financeira.
Como Sitter refere, as atitudes perante a UE não constituem uma posição única e
coerente sobre a UE como entidade política; pelo contrário, incluem uma série
de posições
37
. Esta parte do artigo apresenta o efeito da crise financeira nas diversas
dimensões do apoio. A figura_1 apresenta primeiro a percentagem de inquiridos
da Grécia, de Portugal, da Espanha e dos UE17 que considera que a integração do
seu país na UE tem sido benéfica. Esta questão só foi levantada no
Eurobarómetro até 2011. Enquanto a tendência está claramente a decrescer tanto
em média-UE como em cada um dos nossos três estudos de caso, há algumas
especificações a fazer. A nível agregado de todos os membros da UE (e em todos
os nossos estudos de caso), o decréscimo é muito ligeiro entre 2007 e 2009; mas
o apoio cai acentuadamente a partir de 2010 ' isto é, um ano e meio depois do
início da crise financeira e imediatamente depois de a Grécia pedir um
empréstimo ao FMI e à UE. Em todos os países exceto na Grécia, e
particularmente em Espanha, o apoio aumenta no primeiro semestre de 2011.
Vale a pena recordar que, nos primeiros meses a seguir à queda do Lehman
Brothers, a UE começou por adotar uma abordagem neokeynesiana à crise e
promoveu a expansão fiscal
38
. No entanto, alguns meses depois o Conselho Europeu incitou o país a
desenvolver rapidamente políticas voltadas para a consolidação fiscal a médio
prazo
39
, forçando assim o governo nacional a dar uma enorme reviravolta nas suas
políticas expansionistas, retirando aquilo que tinha acabado de dar
40
. Assim, não sabemos se o gapde tempo entre o início da crise financeira e o
declínio da perceção dos benefícios da ue corresponde a um efeito «em torno da
bandeira» de curto prazo ou ao facto de o declínio das atitudes positivas ser
consequência das políticas de austeridade mais do que da crise financeira em
si.
A nossa intuição tende para a última explicação, mas, em qualquer dos casos
observamos um claro impacto da crise financeira na perceção «utilitarista» da
UE em todos os três países. Espanha, Grécia e Portugal seguem a tendência da
média da UE, mas muito mais drasticamente. Enquanto, em 2006, uma proporção de
inquiridos maior do que a média era apoiante nos três países (56 por cento na
Grécia, 72 por cento em Espanha e 73 por cento em Portugal, face a 54 por cento
da média dos ue27), em finais de 2010 este número baixou para a média da UE
(cerca de 50 por cento). Em 2011, na Grécia, a percentagem de «apoiantes» era
ainda mais baixa do que a média ' com, pela primeira vez, menos de metade dos
gregos a considerar que a integração foi benéfica para o seu país. Para além
disso, o leitor deverá ter em mente que testámos a importância das diferenças
entre 2006 e 2011 («teste para a igualdade de proporções ao longo das
amostras»), em cada um dos três países e na UE27 como um todo, e concluímos que
todas são estatisticamente significativas. Na comparação entre países (e países
vs.UE) em 2006, todas elas são significativas exceto no contraste Portugal
vs.UE27 e Espanha vs.Grécia. Em 2011, mais uma vez, todos os contrastes são
estatisticamente significativos exceto Portugal vs.UE27 e Portugal vs.Grécia.
Na figura_2, passamos para o nível de confiança na UE, e verificamos um
decréscimo cada vez maior, ao longo do tempo, dos inquiridos que confiam na UE
' uma questão para a qual há dados disponíveis até 2013. No entanto, como
observado por Roth, ao nível global da UE, e em linha com o observado em cima
no que diz respeito aos benefícios percebidos, o decréscimo não é imediato e,
na verdade, não se observa qualquer decréscimo em 2008 e 2009
41
. Isto sugere que os cidadãos, embora considerem que os benefícios que lhes
advêm da integração estão a decrescer, não retirarão imediatamente a sua
confiança; e/ou retirarão a confiança só quando as primeiras medidas de
austeridade forem implementadas. Isto só acontecerá depois de um ano ou dois.
Depois de 2009, contudo, os cidadãos portugueses, espanhóis e gregos seguem a
drástica tendência decrescente da média da UE e a percentagem dos que confiam
na UE cai a pique para menos de 30 por cento. De novo, observamos que os
cidadãos gregos, portugueses e espanhóis ' inicialmente mais numerosos na sua
confiança na UE do que a média ' juntaram-se à média em 2011 e baixaram acima
disso nos anos seguintes. A percentagem de gregos e espanhóis a confiar na UE
caiu para 20 por cento em 2012, enquanto a confiança dos portugueses decresceu
em 2013 para cerca de 25 por cento.
Quando testámos a importância das diferenças entre 2006 e 2011 («teste para a
igualdade de proporções ao longo das amostras»), em cada um dos três países e
nos UE27 como um todo, concluímos que todas elas são estatisticamente
significativas. Para além disso, também testámos as diferenças entre os três
países e entre cada um deles e a UE27. Em 2006 todos os pares de contrastes
eram significativos exceto Espanha vs.UE27. Em 2011 não há diferenças
estatisticamente significativas entre os três países, que convergiram
claramente devido ao declínio da confiança, e as únicas diferenças que se
mantêm significativas são entre cada um dos três países e a UE como um todo. Em
2012, observam-se diferenças estatisticamente significativas entre todos os
países quando comparados com os outros dois (exceto Espanha e Grécia). O que se
segue, nesta secção, apresenta os resultados do projeto INTUNE. Será
interessante levantar aqui duas questões (não colocadas nos inquéritos dos
Eurobarómetros): aquelas que abordam a ligação à entidade europeia e a
confiança em duas instituições em particular (a Comissão Europeia e o
Parlamento Europeu). Como é mostrado abaixo (figura_3), estes números deverão
ser encarados com alguma precaução, dado que os efeitos da crise financeira são
mais aparentes a partir de 2010. Deveremos, pois, ter o cuidado de não
subvalorizar sumariamente a ausência de efeito da crise nos países em análise.
Embora com algumas limitações na captação das tendências a médio prazo, os
dados do intune podem, contudo, dizer-nos alguma coisa acerca do efeito
imediato da crise nos cidadãos.
Na figura_3, mostramos a percentagem de inquiridos que se sentem ligados à UE
em 2007 e 2009. Observamos um pequeno decréscimo em todos os países. Este
decréscimo não é observável na média dos UE17. No entanto, só o decréscimo em
Espanha é estatisticamente significativo. Isto sugere que, em alguns países, o
abrandamento económico tem o potencial de afetar não apenas a perceção dos
benefícios associados à UE, como também a própria identidade dos cidadãos. Como
escrito acima, a linguagem de culpa associada ao nível europeu, quando os
empréstimos foram concedidos ou o contágio era uma possibilidade, pode ter
danificado ainda mais a ligação à identidade europeia depois de 2010.
Na figura_4 mostramos a percentagem de inquiridos que, em 2007 e 2009,
considera que a adesão foi benéfica. Mais uma vez, observamos um ligeiro
decréscimo em todos os países, ao passo que na média dos UE17 observamos um
aumento. Embora nenhuma das diferenças seja significativa em cada país
individualmente, o aumento nos UE-17 é significativo ao nível 0.001. Isto
sustenta a teoria da «união na adversidade» (rally around the flag) de acordo
com a qual a confiança nas instituições aumenta, em vez de diminuir no curto
prazo, após uma crise importante.
A tabela_1 mostra o índice de confiançamédia e mediana na Comissão Europeia e
no Parlamento Europeu, numa escala variando de um (confiança baixa) a dez
(confiança alta). Observamos um decréscimo significativo em ambas as
instituições apenas na Grécia e nos UE17 como um todo, sugerindo assim que o
efeito na confiança foi imediato nalguns países. Os dados também mostram que
ambas as instituições supranacionais, o PE e a Comissão, são igualmente
afetadas quando os efeitos na confiança são imediatos.
Elite
Como é que a elite reagiu à crise financeira? Para responder a esta questão,
vamos apoiar-nos de novo nos dados do INTUNE. Como mencionado anteriormente,
estes dados permitem-nos medir o efeito imediato da crise financeira no apoio à
UE ' um efeito que é, como vimos, muito mais ligeiro do que o efeito a médio
prazo.
A tabela_2 mostra a percentagem de deputados que acreditam que «os estados-
membros devem manter-se como principais atores da UE», que «a Comissão Europeia
devia ser o verdadeiro governo da UE» e que «os poderes do Parlamento Europeu
deviam ser reforçados». Só a Grécia apresenta diferenças significativas ao
longo do tempo. Neste país, observamos ' paradoxalmente ' um forte decréscimo
da ligação ao papel dos estados-membros, mas também ao da Comissão. Nenhum
decréscimo é observável na ligação ao papel do PE. Assim, a ligação ao papel da
Comissão Europeia, na sequência direta da crise europeia, só é observável na
Grécia ' e isto antes de o país pedir os empréstimos ao FMI/UE.
A tabela_3 mostra o nível de confiança nas três principais instituições.
Nenhuma das diferenças é estatisticamente significativa. Assim, na linha do
observado nos cidadãos espanhóis e portugueses, o declínio da confiança dos
deputados nas instituições não é visível em 2009. No entanto, embora se tenha
encontrado, globalmente, decréscimos acentuados de confiança no Parlamento
Europeu e na Comissão Europeia tanto entre os cidadãos gregos como os da zona
euro (ver tabela_1 acima), este fenómeno não se verifica entre as elites
políticas das duas entidades (tabela_3).
Na figura_6, por fim, voltamo-nos para a ligação à UE. Uma vez mais, não
observamos quaisquer alterações significativas em qualquer dos três países ou
na zona euro como um todo. Assim, a ligação dos deputados à UE parece ser menos
afetada pela crise europeia do que a dos seus eleitores. Contudo, devemos ter
em conta que, em termos da ligação à UE (ver figura_4 na página 108),
verificámos que, exceto no caso da Espanha, também ao nível dos cidadãos não
foram encontradas diferenças significativas entre 2007 e 2009. Assim, esta
situação particular fornece escassa sustentação à nossa hipótese de que o apoio
dos deputados à UE é mais consistente ao longo das circunstâncias económicas em
transformação do que a dos seus eleitores, e talvez aponte mais para os efeitos
limitados da crise económica a curto prazo.
A figura_7, por fim, volta-se para os inquiridos, entre as elites políticas,
que consideram que a integração trouxe benefícios ao país. Novamente, não se
verificam alterações expressivas entre 2007-2009, em linha com o que se
observou nos cidadãos.
Comparação entre as atitudes dos Cidadãos e das Elites relativamente à UE,
antes e depois da Crise Financeira, através de testes estatísticos
multivariados
Nesta última secção do artigo, compara-se as atitudes dos cidadãos e das elites
relativamente à UE, antes e depois da crise financeira, através de testes
estatísticos multivariados. Tal só pode ser levado a cabo com recurso aos dados
do INTUNE, e assim, em termos de período, as comparações serão feitas para o
período entre 2007 e 2009. No entanto, os dados do INTUNE permitir-nos-ão
testar o impacto da crise económica nas atitudes, tanto das elites, como das
massas, a respeito da UE, depois do controle de uma série de explicações
alternativas para a ligação à UE e para a confiança nesta. As variáveis
dependentes são sempre duas: primeiro, «Ligação à UE» (As pessoas sentem
diferentes graus de ligação à sua cidade ou vila, à sua região, ao seu país e à
Europa. E você? Sente-se muito ligado, moderadamente ligado, pouco ligado ou
nada ligado à Europa?), medida numa escala de um (nada) a quatro (muito
ligado); e, segundo, a confiança nas instituições políticas da UE (um fator
composto por três itens: Parlamento Europeu, Comissão Europeia e Conselho de
Ministros: ver tabelas A1.1 e A1.2 no Apêndice), medida numa escala de zero
(nenhuma confiança) a dez (confiança total). As variáveis independentes,
contudo, são diferentes para as elites e para as massas.
Para explicar as atitudes das elites a respeito da UE, usamos os indicadores de
uma série de fatores explicativos. Uma primeira dimensão reporta-se aos
contactos com outros países da UE em termos de experiências de vida, académicas
e contactos políticos: três itens. Uma segunda diz respeito à atitude mais pró-
UE dos partidos políticos
54
e, assim, consideramos se os deputados pertencem (ou não) à maioria
governativa. Um terceiro fator diz respeito à ideologia. Aqui, temos em conta
que, mais do que uma relação linear, o que temos usualmente é uma chamada curva
em u invertido
55
, o que significa que os partidos (e também os eleitores) posicionados perto
dos extremos ideológicos são claramente mais eurocéticos do que os partidos (e
eleitores) próximos da ideologia de centro. Deste modo, para explicar este
fenómeno, incluímos tanto o autoposicionamento esquerda-direita como o
autoposicionamento esquerda-direita ao quadrado (tanto nos MP como nos
eleitores). Os dois indicadores devem ser lidos em conjunto, e a expetativa é a
de que a segunda seja negativa, apontando nas direções esperadas (mais
deputados e eleitores pró-UE no centro, mais eurocéticos nos extremos). Para
além de algumas variáveis socioeconómicas de controlo (idade, sexo, instrução),
também incluímos a variável «período». Uma vez que usaremos conjuntos de dados
unificados (i.e., 2007 e 2009 juntos), testamos o impacto da passagem do tempo
de 2007 a 2009 e, deste modo, os efeitos da crise económica nas atitudes face à
UE neste período de tempo, com a introdução de «período» medida como variável
fictícia: zero, para 2007; dois, para 2009. No caso dos deputados, não
incluímos indicadores de «Cálculo racional» (benefícios pessoais da UE,
benefícios nacionais da UE), uma vez que não há diferença nestas variáveis ao
nível dos deputados (ver figura_7 acima).
O que podemos ver na tabela_4 é que, ao nível individual dos deputados, exceto
no caso da Espanha, o impacto da crise económica («período») é, isoladamente, o
fator mais importante para a explicação da ligação à UE. E o efeito é negativo,
conforme esperado. Mesmo no caso espanhol, embora outros fatores (pertença à
maioria governativa, contactos com outros países da UE) sejam mais expressivos,
o «período» é, ainda assim, um fator importante. Para além dos efeitos da crise
económica e dos contactos com outros países da UE, a ideologia (apenas para os
UE17) e as habilitações académicas são também fatores significativos. O
primeiro apoiando, como previsto, a tese da curva em u invertido, e o último
significando que os academicamente mais habilitados são também os mais pró-
Europa.
Para explicar as atitudes dos cidadãos da UE (ligação e confiança), recorremos
a uma série de conjuntos de fatores explicativos. A primeira dimensão diz
respeito à «mobilização cognitiva»: exposição aos media, interesse pela
política, contactos com outros países.
A segunda dimensão relaciona-se com a ideologia. Assim, como no caso dos
parlamentares, incluímos tanto o autoposicionamento esquerda-direita como o
autoposicionamento esquerda-direita ao quadrado. Uma vez mais, como já foi
referido, os dois indicadores têm de ser lidos em conjunção, e a expectativa é
a de que o segundo seja negativo. O terceiro conjunto de fatores explicativos
prende-se com o «Cálculo racional» (dois itens): perceção dos benefícios
pessoais e nacionais da integração europeia. Por fim, testamos o impacto da
confiança nas instituições políticas nacionais (governo e parlamento nacionais
e governo regional/local nas atitudes face à UE, na expectativa de um efeito
amplificador.
O que podemos verificar na tabela_5 é que, no que respeita à ligação dos
cidadãos à UE, o impacto da crise económica não é significativo.
Adicionalmente, embora haja outros fatores importantes, e exceto no caso da
Grécia, podemos observar que os cálculos racionais, ou seja, as perceções
dosbenefícios pessoais e nacionais advindos da integração na UE são geralmente
os dois fatores explicativos mais importantes. Uma vez que perceções mais
positivas equivalem a mais apoio à UE, podemos concluir, sem equívoco, que a
erosão das perceções no futuro próximo (com o agravamento da crise económica)
se traduzirá, muito provavelmente, pela erosão do apoio à UE. Na Grécia, a
ideologia funciona na direção esperada (curva em u invertido), mas nos outros
países este efeito não é significativo. A mobilização cognitiva, funcionando na
direção esperada (mais mobilização cognitiva, maior ligação à UE) e uma série
de fatores sociodemográficos (pessoas mais velhas, do sexo feminino e mais
educadas são também mais pró-Europa) também têm impacto.
Passando agora para a explicação da confiança nas instituições políticas da UE
entre as elites políticas (tabela_6) e entre os cidadãos (tabela_7),
verificamos que no primeiro caso (tabela_6), a crise económica («período»)
parece não ter tido qualquer efeito sobre a confiança na ue entre 2007 e 2009.
A ideologia (curva em u invertido), apenas para Portugal e para os UE17, e a
pertença à maioria governativa (efeito amplificador), em todos os países exceto
Espanha, são os dois conjuntos de fatores mais importantes. Para além disso,
exceto no caso do impacto positivo dos contactos políticos com instituições da
UE, entre os UE17, nenhum outro fator parece ser relevante. No caso de Espanha,
nenhum fator é estatisticamente relevante. Relativamente aos cidadãos, uma vez
mais, a crise económica («período») parece não ter tido qualquer efeito na
confiança depositada na UE, entre 2007 e 2009. Novamente, ambos os cálculos
racionais (isto é, as perceções positivas de benefícios pessoais e nacionais
derivados da integração na UE fizeram aumentar a confiança na UE) e a ideologia
são geralmente os mais importantes conjuntos de fatores explicativos para a
compreensão da confiança na UE. Adicionalmente, a mobilização cognitiva (apenas
para a Grécia e para os UE17) e os fatores sociodemográficos (idade, sexo e
habilitações literárias: pessoas mais velhas com maior confiança, em Espanha, e
menos confiança, nos UE17; do sexo feminino e com mais habilitações literárias,
maior confiança, mas só expressiva em alguns países).
Conclusões
Este artigo investigou o efeito da crise económica de 2008 no apoio à UE, quer
entre os cidadãos, quer entre os seus representantes, nas periferias da Europa
do Sul (Grécia, Portugal e Espanha), em comparação com o resto da UE (UE27 ou
UE17). Recorrendo a dados do Eurobarómetro (cidadãos dos UE27: 2006-2011) e do
INTUNE (cidadãos e deputados nos UE17: 2007-2009), este artigo examinou de que
forma o apoio da elite política à UE foi afetado, e comparou os níveis de apoio
dos cidadãos e dos deputados relativamente à UE.
As primeiras duas secções empíricas, dedicadas ao apoio dos cidadãos à UE,
revelou o seguinte: em primeiro lugar, que a crise financeira teve impacto no
nível de apoio concedido à UE, mas os nossos dados mostram que o argumento deve
ser qualificado. A crise financeira influenciou profundamente o nível de
confiança que os cidadãos da UE depositam nesta, mas o seu efeito não é
imediato. Em 2009, não se observa de todo um decréscimo na confiança global dos
UE27, e apenas efeitos ligeiros são registados em Portugal, na Grécia e na
Espanha. Somente no início de 2010, isto é, dezoito meses depois da queda do
Lehman Brothers, é que o nível de confiança colapsou. Isto sugere que os
cidadãos têm um certo grau de «tolerância» para o abrandamento económico, e que
é a sua duração no tempo, mais do que a sua ocorrência, o que afeta a
confiança. Uma explicação adicional pode ser a forma como os decisores
políticos europeus lidaram com a crise, em particular desde o primeiro resgate
da Grécia. Estes parecem, muito frequentemente, fornecer apenas medidas ad
hocpara questões mais agudas, ao invés de soluções de longa duração para
problemas de fundo. As hesitações, os desacordos, dos decisores políticos
europeus, sobre a melhor forma de abordar a crise, e o insucesso de muitos dos
seus planos para devolver a confiança aos mercados, deram a impressão, a muitos
cidadãos, de que não sabiam ao certo o que estavam a fazer. Isto, como podemos
ver, tem um impacto profundo no nível de confiança. Além do mais, embora no
rescaldo imediato da crise as respostas políticas, tanto da UE como dos
governos nacionais, tivessem como principal objetivo o impulsionamento da
economia e a salvaguarda das pessoas mais atingidas pela crise económica,
depois de 2009 a crise da dívida aumentou e as respostas políticas começaram a
concentrar-se mais nos pacotes de austeridade e progressivamente menos no
crescimento económico e na proteção dos cidadãos mais vulneráveis.
Uma observação semelhante pode ser feita a respeito da perceção dos benefícios
associados à integração na UE: relativamente a estes, observamos um decréscimo
logo em 2008, e uma tendência decrescente mais acentuada depois de 2010 (não
tão como de confiança, contudo). Um padrão semelhante revelou-se no que se
refere à UME ' com a notória exceção da Grécia, na qual o apoio à UME aumentou
consideravelmente. Como resultado, os níveis de apoio da Grécia, de Portugal e
da Espanha ' tradicionalmente fortes apoiantes da integração europeia '
tombaram de lá de cima até à média europeia.
Adicionalmente, ao nível agregado, o efeito imediato (2007-2009) da crise
financeira no apoio das elites à UE é, assim, bastante limitado: em nenhum dos
países observamos um decréscimo significativo nos inquiridos que consideram que
a sua integração foi benéfica; nem nos sondados que se sentem ligados à UE ou
confiam nesta. A única mudança significativa observada é que, no caso dos
deputados gregos, uma redução significativa tanto na ligação ao papel forte dos
estados-membros, como à Comissão ' enquanto a ligação ao Parlamento Europeu se
mantém inalterada. Uma questão que permanece em aberto é, obviamente, a de
saber até que ponto o efeito a longo (ou médio) prazo da crise financeira a
nível dos cidadãos poderá ser também observável a nível das elites.
Embora os resultados provenientes dos dados do INTUNE não nos permitam delinear
conclusões definitivas sobre a comparação entre elites e massas, os resultados
existentes fornecem, no entanto, alguma sustentação à segunda hipótese, segundo
a qual o apoio das elites é menos sensível à crise financeira do que o das
massas. No que respeita aos cidadãos, como vimos, a confiança nas instituições
(na Comissão e no PE, na Grécia) sofreu algum decréscimo logo em 2009. Nenhuma
destas tendências se verifica a nível das elites. Contudo, os benefícios
associados à integração mantiveram-se intocados, no curto prazo, tanto a nível
de cidadãos como de elites.
A última secção do nosso artigo, que foca o nível individual, quer dos
cidadãos, quer dos deputados, revelou que, ao fazer o controlo de uma série de
explicações alternativas, o efeito da crise económica no período 2007-2009 é
apenas aparente entre as elites políticas e apenas na ligação à UE. Por um
lado, estes resultados fracos podem dever-se ao curto período em consideração.
A situação, aparentemente paradoxal, de a posição das elites se alterar mais do
que a dos cidadãos, face ao que encontrámos em secções anteriores, pode dever-
se ao facto de que estão mais informadas e ao corrente da atualidade, pelo que
reagem de forma mais imediata. No entanto, devemos ter presente que, se a crise
económica está a minar a ligação das elites políticas à UE, rapidamente o mesmo
sucederá entre os cidadãos, graças aos efeitos da liderança. Adicionalmente, ao
nível dos cidadãos, os cálculos racionais (isto é, perceções positivas dos
benefícios pessoais e nacionais da integração europeia, o que faz aumentar a
confiança na UE) são sempre um fator muito importante. Assim, se, no futuro, a
crise económica corroer a legitimidade pelos resultados da UE, deveremos
esperar que também corroa a ligação e a confiança que os cidadãos nela
depositam.
Tradução: António Fevereiro
Data De Receção: 15 De Março De 2014 | Data De Aprovação: 4 De Abril De 2014
Notas
1
Roth, Felix ' «The effects of the financial crisis on systemic trust». Centre
for European Policy Studies Working Document.N.º 316, 2009;
Jones, Erik ' «Output legitimacy and the global financial crisis: perceptions
matter». In Journal of Common Market Studies.Vol. 47, N.º 5, 2009, pp. 1085-
105; Roth, Felix, Nowak-lehmann, Felicitas, e Otter, Thomas '
«Has the financial crisis shattered citizens trust in the national and European
governmental institutions?». In CEPS Working Document.N.º 343, 2011.
2
Conti, Nicolò, Cotta, Maurizio, e Almeida, Pedro Tavares (eds.) ' «European
citizenship in the eyes of national elites: a South European view». In South
European Society and Politics. Vol. 15, N.º 1, 2010; farrell,
David ' «Political parties in a changing campaign environment». In Handbook of
Political Parties. Londres: Sage, 2005, pp. 122-133; Pinto,
António Costa, e Teixeira, Nuno Severiano ' Southern Europe and the Making of
the European Union. Nova York: SSM-Columbia University Press, 2002.
3
O apoio da opinião pública à ue foi comparativamente mais elevado do que a
média europeia (de todos os países da ue), com exceção da Grécia e da Espanha
durante a década que se seguiu à sua entrada (ver Verney, Susan (ed.) '
Euroscepticism in Southern Europe: A Diachronic Perspective. Nova York:
Routledge, 2011). Para além disso, a análise da opinião dos deputados e dos
manifestos dos partidos convergem para afirmar que o apoio partidário à ue
nestes países é muito forte e o euroceticismo está confinado às periferias do
espetro político (ver Conti, Nicolò, Cotta, Maurizio, e Almeida, Pedro Tavares
(eds.) ' Perspectives of National Elites on European Citizenship, A South
European View. Londres: Routledge, 2011).
4
Gabel, Matthew ' «Public support for European integration: an empirical test of
five theories». In Journal of Politics.Vol. 60, N.º 2, 1998, pp. 333-354.
5
Lewis-Beck, Michael S. ' Economics and Elections, The Major Western
Democracies.Ann Arbor: University of Michigan Press, 1988.
6
Nannestad, Peter, e Paldam, Martin ' «The VP-function: a survey of the
literature on vote and popularity functions after 25 years». In Public
Choice.Vol. 79, N.º 3 e 4, 1994, pp. 213-215.
7
Ver Bellucci, Paolo, Lobo, Marina Costa, e Lewis-Beck, Michael ' «Economic
crisis and elections: The European periphery». In Electoral Studies.Vol. 31,
N.º 3, 2012, pp. 469-471; Fraile, Marta, e Lewis-beck,
Michael ' «Economic and elections in Spain (1982-2008): Cross-measures, cross-
time». In Electoral Studies. Vol. 31, N.º 3, 2012, pp. 485-490; Freire, André, e Santana-Pereira, José ' «Economic voting in
Portugal, 2002-2009». In Electoral Studies. Vol. 31, N.º 3, 2012, pp. 506-512; Nezi, Roula ' «Economic voting under the economic crisis:
Evidence from Greece». In Electoral Studies. Vol. 31, N.º 3, 2012, pp. 498-505.
8
Easton, David ' A Systems Analysis of Political Life. Nova York: Wiley, 1965;
norris, Pippa ' «The growth of critical citizens?». In Critical Citizens:
Global Support for Democratic Government. Oxford: Oxford University Press,
1999, pp. 1-27.
9
Newton, Kenneth ' «Trust and politics». In The Handbook of Social Capital.
Oxford: Oxfort University Press, 2008, p. 243.
10
Kaltenthaler, Karl, Anderson, Christopher J., e Miller, Willian J. '
«Accountability and independent central banks: Europeans and distrust of the
European Central Bank». In Journal of Common Market Studies. Vol. 48, N.º 5,
2010, p. 1261.
11
Roth, Felix ' «The effects of the financial crisis on systemic trust». In
Centre for European Policy Studies Working Document.N.º 316, 2009.
12
Chanley, Virginia A. ' «Trust in government in the aftermath of 9/11:
determinants and consequences». In Political Psychology. Vol. 23, N.º 3, 2002,
pp. 469-483.
13
Hetherington, Marc, e Nelson, Michael ' «Anatomy of a rally effect: George W.
Bush and the war on terrorism». In Political Science and Politics. Vol. 36, N.º
1, 2003, pp. 37-42.
14
Roth, Felix ' «The Eurozone crisis and citizens' trust in the national
parliaments». In FMA Bulletin.N.º 34, 2011, pp. 29-30.
15
Anderson, Christopher J. , e Reichert, M. Shawn ' «Economic benefits and
support for membership in the European Union: a cross-national analysis». In
Journal of Public Policy.Vol. 15, N.º 3, 1996, pp. 231-249;
Hix, Simon ' The Political System of the European Union. Londres: Palgrave,
1999.
16
Muñoz, Jordi, Torcal, Mariano, e Bonet, Eduard ' «Institutional trust and
multilevel government in the European Union: congruence or compensation?». In
European Union Politics. Vol. 12, N.º 4, 2011, pp. 551-574.
17
Para dados mais recentes sobre as opiniões dos cidadãos sobre a ue ver Sanders,
David, e Bellucci, Paolo (eds.) ' The Europeanization of National Polities?
Citizenship and Support in a Post-enlargement Union. Oxford:Oxford University
Press, 2012; e Sanders, David, Magalhães, Pedro, e Toka,
Gabor (eds.) ' Citizens and the European Polity: Mass Attitudes Towards the
European and National Polities. Oxford: Oxford University Press, 2012.
18
Gabel, Matthew ' «Public support for European integration: an empirical test of
five theories». In Journal of Politics.Vol. 60, N.º 2, 1998, pp. 333-354.
19
Ver Inglehart, Ronald ' «Cognitive mobilization and European identity». In
Comparative Politics.Vol. 3, N.º 1, 1970, pp. 45-70.
20
Prioridades de valor relacionados principalmente com a segurança económica e
física são considerados «materialistas», e prioridades de valor que incluem
necessidades como a realização intelectual, autoactualização e pertença são
«pós-materialistas». Ver também Ingle-hart, Ronald ' «Cognitive mobilization
and European identity», 1970; Inglehart, Ronald ' «The
behavioral impact of long-term predispositions: evidence from long-term cross-
national panel surveys». In Continuities in Political Action. Nova York: De
Gruyter-Aldine, 1990, pp. 67-102.
21
Ver Franklin, Mark, Marsh, Michael, e Mclaren, Lauren ' «Uncorking the bottle:
popular opposition to European integration in the wake of the Maastricht». In
Journal of Common Market Studies. Vol. 32, N.º 4, 1994, pp. 455-472; franklin, Mark, van der eijk, Cees, e marsh, Michael ' «Referendum
outcome and trust in government: public support for Europe in the wake of
Maastricht». In West European Politics.Vol. 18, 1995, pp. 101-107; inglehart, Ronald, Rabier, Jacques-Rene, e Karleheinz, Reif ' «The
evolution of public attitudes toward European integration: 1970-86». In
Eurobarometer: The Dynamics of European Public Opinion.Londres: Macmillan,
1991, pp. 111-131.
22
Ver Franklin, Mark, Marsh, Michael, e Mclaren, Lauren ' «Uncorking the bottle:
popular opposition to European integration in the wake of the Maastricht». In
Journal of Common Market Studies. Vol. 32, N.º 4, 1994, pp. 455-472; franklin, Mark, van der eijk, Cees, e marsh, Michael ' «Referendum
outcome and trust in government: public support for Europe in the wake of
Maastricht». In West European Politics. Vol. 18, 1995, pp. 101-107.
23
Ver Eichenberg, Richard C., e Dalton, Russel ' «Europeans and the European
Community: the dynamics of public support for European integration». In
International Organization. Vol. 47, N.º 4, 1993, pp. 507-534; gabel, Matthew, e palmer, Harvey D. ' «Understanding variation in
public support for European integration». In European Journal of Political
Research. Vol. 27, N.º 1, 1995, pp. 3-19; anderson,
Christopher J., e reichert, M. Shawn ' «Economic benefits and support for
membership in the European Union: a cross-national analysis». In Journal of
Public Policy. Vol. 15, N.º 3, 1996, pp. 231-249.
24
Gabel, Matthew ' «Public support for European integration: an empirical test of
five theories». In Journal of Politics.Vol. 60, N.º 2, 1998, pp. 333-354.
25
Scharpf, Fritz ' Governing in Europe. Effective and Democratic?. Oxford: Oxford
University Press, 1999.
26
Hooghe, Liesbet, e Marks, Gary ' «Calculation, community, and cues: public
opinion on European integration». In European Union Politics. Vol. 6, N.º 4,
2005, pp. 421-445.
27
Hooghe, Liesbet, e Marks, Gary, «Calculation, community, and cues: public
opinion on European integration», p. 422
28
Moury, Catherine, e Sousa, Luís de ' «Comparing deputies' and voters support
for Europe: The case of Portugal». In Portuguese Journal of Social Science.
Vol. 10, N.º 1, 2011, pp. 23-41; Schmitt, Hermann, e
Thomassen, Jacques ' Political Representation and Legitimacy in the European
Union. Oxford: Oxford University Press, 1999; Conti, Nicolò,
Cotta, Maurizio, e Almeida, Pedro Tavares (eds.) ' Perspectives of National
Elites on European Citizenship, A South European View. Londres: Routledge,
2011.
29
Kufer, Astrid ' «The intellectual discourse on European identity». In
Euroscepticism. Images of Europe among Mass Publics and Political Elites.
Opladen: Barbara Budrich Publishers, 2009, pp. 36-37.
30
Para uma perspetiva mais recente sobre a opinião das elites sobre a UE ver
Best, Heinrich, Lengyel, György, e Verzichelli, Luca (eds.) ' The Europe of
Elites: A Study Into the Europeanness of Europe's Political and Economic
Elites. Oxford: Oxford University Press, 2012.
31
Scully, Roger ' Becoming Europeans? Attitudes, Behaviour and Socialization in
the European Parliament. Oxford: Oxford University Press, 2005; Hooghe, Liesbet ' «Europe divided? elites vs. public opinion on
European integration». In European Union Politics.Vol. 4, N.º 3, 2003, pp. 281-
304.
32
Carrubba, Clifford ' «The electoral connection in European union politics». In
The Journal of Politics. Vol. 63, N.º 1, 2001, pp. 141-158.
33
STEENBERGEN, Marco, EDWARDS, Erika e DEVRIES, Catherine - «Who's cueing whom?
Mass-elite linkages and the future of European integration». In European Union
Politics. Vol. 8, N.º 1, 2007, pp. 13'35; SANDERS, David e
TOKA, Gabor -«Is anyone listening? Mass and elite opinion cueing in the EU». In
Electoral Studies. Vol. 32, N.º 1, 2013, pp. 13-25.
34
HOOGHE, Liesbet e MARKS, Gary - «A Postfunctionalist Theory of European
Integration: From Permissive Consensus to Constraining Dissensus». In British
Journal of Political Science. Vol. 39, 2008, p. 21.
35
Ver KANJI, Gopal K. -100 Statistical Tests. Londres: Sage, 1999.
36
Para mais detalhes sobre este projecto, ver http://www.intune.it/. Para os
conjuntos de dados, ver http://www.webalice.it/fsemicchio/data.html
37
SIT TER, Nick ' «The Politics of Opposition and European Integration in
Scandinavia: Is Euro-scepticism a Government-Opposition Dynamic?». In West
European Politics. Vol. 24, N.º 4, 2001, p. 22-39.
38
EUROPEAN COMMISSION - Communication from the Commission to the European
Council. A European Economic Recovery Plan. 2008. Disponível em: http://
ec.europa.eu/economy_finance/publications/publication13504_en.pdf.
39
EUROPEAN COUNCIL -Council Recommendation to Portugal with a view to bringing an
end to the situation of an excessive government deficit. 2009. Disponível em:
http://ec.europa.eu/europe2020/pdf/nd/edp2013_portugal_en.pdf.
40
Agradecemos ao revisor anónimo da R:Ipor nos ter apontado este facto.
41
ROTH, Felix ' «The Effects of the Financial Crisis on Systemic Trust». Centre
for European Policy Studies Working Document.N.º 316, 2009.
42Diferença significativa ao nível 0.001.
43Diferença significativa ao nível 0.001.
44Diferença significativa ao nível 0.001.
45Diferença significativa ao nível 0.001.
46Diferença significativa ao nível 0.001.
47Diferença significativa ao nível 0.001.
48Diferença significativa ao nível 0.001.
49Diferença significativa ao nível 0.001.
50Significativo ao nível 0,001.
51Significativo ao nível 0,001.
52Significativo ao nível 0,001.
53Significativo ao nível 0,001.
54
Ver JALALI, Carlos - «A Europa como razão ou como desculpa? A Europeização das
instituições políticas nacionais». In Em Nome da Europa. Portugal em Mudança
(1986-2006). Cascais: Principia, 2007, pp. 173-190; JALALI,
Carlos ' «Governing from Lisbon or Governing from Brussels? Models and
Tendencies of Europeanization of the Portuguese Government». In The
Europeanization of Portuguese Democracy. Nova York: Columbia University Press,
2012, pp. 61-84; Freire, André ' «Os impactos políticos da
adesão de Portugal à CEE/EU». In Dicionário Portugal e a Europa: 60 anos de
cooperação, 20 anos de adesão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2011, pp.
351-362; LOBO, Marina Costa ' «A União Europeia e os partidos
políticos portugueses: da consolidação à qualidade democrática». In Em Nome da
Europa. Portugal em Mudança (1986-2006). Cascais: Principia, 2007, pp. 77-96.
55
EIJK, Cees van der e FRANKLIN, Mark N. - «Potential for Contestation on
European Matters at National Elections in Europe». In European Integration and
Political Conflict. Cambridge: Cambridge University Press, 2004, pp. 32-50; HOOGHE, Liesbet e MARKS, Gary -«A Postfunctionalist Theory of
European Integration: From Permissive Consensus to Constraining Dissensus». In
British Journal of Political Science. Vol. 39, 2008, pp. 1-23; HOOGHE, Liesbet, MARKS, Gary e WILSON, Carole J. -«Does Left/Right
Structure Party Positions on European Integration?». In European Integration
and Political Conflict.Cambridge: Cambridge University Press, 2004, pp. 120-
140.
Rua Dona Estefânia, 195, 5 D
1000-155 Lisboa
Portugal
ipri@ipri.pt