Os Programas Eleitorais Das Europeias De 2014: Uma Análise Preliminar Das
Principais Dimensões De Competição
Introdução
Na Europa, a crise despoletada pelo crashfinanceiro pôs a nu muitas das
fragilidades do processo de construção europeu, nomeadamente no que diz
respeito à União Económica e Monetária (UEM)
1
. A crise iniciada em 2008 teve enormes consequências políticas, entre as quais
se conta a expectável punição dos incumbentes, com sucessivos governos a
perderem eleições em Portugal, Espanha, Grécia, Islândia e Itália
2
. Nos países mais afetados pela crise económica, como por exemplo a Grécia,
assistimos mesmo a uma reconfiguração do sistema partidário, com a queda
abrupta dos partidos tradicionais (PASOK) e o surgimento de partidos
extremistas como o SYRIZA ou o Golden Dawn
3
.
Em Portugal, as eleições europeias de 25 de maio de 2014 tomam lugar num
contexto de forte tensão económica, política e social, que decorre em grande
medida das medidas de austeridade implementadas pelo governo PS (liderado por
José Sócrates), e PSD/CDS-pp (liderado por Pedro Passos Coelho), em particular
após a assinatura do acordo com a troika(Fundo Monetário Internacional,
Comissão Europeia e Banco Central Europeu). A opinião pública portuguesa,
entusiasta do projeto europeu desde a adesão do país à CEE
4
, está bastante descontente com a Europa. Dados recolhidos pelo Eurobarómetro
no outono de 2013
5
mostram que 79 por cento dos portugueses sentem que a sua voz não conta na
União Europeia (UE). Apenas um quinto dos inquiridos acha que a imagem da UE é
positiva e que a Europa está a caminhar numa direção correta. Para além disso,
os cidadãos portugueses encontram-se divididos no que diz respeito à União
Monetária e ao euro, e apenas cerca de 20 por cento acreditam que a crise
económica e financeira pode ser resolvida ao nível europeu. Os portugueses
estão, assim, descontentes em relação ao projeto europeu, que parece ter
falhado no seu papel de gerador de prosperidade e segurança económica. Estão
ainda pessimistas em relação ao funcionamento da democracia em Portugal (85 por
cento declaram-se insatisfeitos) e são unânimes na descrição do estado da
economia portuguesa como desastroso, o que, de acordo com a investigação sobre
voto económico, tende a traduzir-se em maus resultados eleitorais para os
partidos no governo
6
.
Num contexto aparentemente desfavorável a um discurso fortemente europeísta, em
que os temas europeus se entrelaçam com o decisivo tema da situação económica
mais do que em qualquer outra eleição europeia ocorrida no nosso país (em
grande medida devido à intervenção direta de instituições europeias na gestão
do problema da dívida soberana portuguesa), que estratégia eleitoral será
escolhida pelos principais partidos políticos portugueses, em particular
aqueles que lideraram o processo de adesão e integração do país na UE, durante
a campanha para as eleições europeias de 2014? O presente artigo oferece uma
primeira abordagem sistemática desta questão, através da análise dos programas
eleitorais elaborados pelos quatro partidos/coligações com representação no
Parlamento Europeu (Aliança Portugal, Bloco de Esquerda, CDU e Partido
Socialista) nos primeiros meses deste ano. O objetivo é o de identificar o
posicionamento das principais forças políticas portuguesas em relação a cinco
grandes temas ligados à Europa e à crise económica, tentando ainda descortinar
o impacto de fatores como a ideologia política, a situação perante o governo
(incumbente/oposição) e o tipo de partido (mainstreamou mais radical) nas
posições expressas nos programas eleitorais.
Nas próximas páginas, apresentamos de forma sucinta os principais padrões do
posicionamento dos partidos políticos portugueses em relação à Europa
constantes dos programas preparados durante as campanhas para estas eleições de
segunda ordem
7
. Depois de apresentadas as hipóteses, os dados e as dimensões de análise,
procede-se ao posicionamento dos partidos portugueses através da análise do
conteúdo dos programas eleitorais. Os principais padrões observados são
discutidos à luz do atual contexto social e político.
O Conteúdo Dos Programas Eleitorais
Dos Partidos Portugueses Para As Eleições Europeias
As eleições europeias, destinadas à eleição direta de representantes dos
cidadãos no Parlamento Europeu, ocorreram pela primeira vez em 1979 e, desde
então, repetem-se a cada cinco anos. Reif e Schmitt entendem as eleições
europeias como eleições nacionais de segunda ordem, sendo, pois, comparáveis a
eleições locais ou regionais, dado que não têm um impacto direto na governação
do espaço público nacional. As eleições europeias seriam, de acordo com estes
autores, dominadas pelas clivagens nacionais (na medida em que a «arena»
europeia é pouco politizada, abstrata e distante) e caracterizadas por taxas de
abstenção mais elevadas do que as eleições de primeira ordem (i.e.,
legislativas, no caso português), bem como por melhores perspetivas eleitorais
para partidos pequenos e/ou novos e por uma tendência para que o partido no
governo seja penalizado
8
. Em Portugal, não há dúvida que as eleições europeias têm sido de segunda
ordem, dados os elevados níveis de abstenção (superiores à média europeia e
independentes da posição destas eleições no calendário político nacional), e o
facto de os maiores partidos e os partidos no governo obterem resultados menos
satisfatórios que os partidos na oposição e/ou mais pequenos
9
.
O facto de as eleições europeias serem vistas como eleições nacionais de
segunda ordem também tem implicações na presença dos temas europeus nas
campanhas. As eleições europeias constituem frequentemente uma arena para a
discussão de temas de relevância nacional, em detrimento de assuntos
verdadeiramente europeus. Este fenómeno ocorre frequentemente nos meios de
comunicação social, por responsabilidade dos editores e jornalistas, mas também
dos atores políticos envolvidos nas campanhas
10
. A presença dos temas europeus é bastante residual nos materiais de campanha
política de maior visibilidade, como tempos de antena ou cartazes, ao ponto de
ser possível utilizar a expressão «Europe-shaped hole» para descrever o seu
conteúdo: em 2009, três quartos dos materiais de campanha preparados pelos
partidos políticos portugueses com representação no Parlamento Europeu
abordavam temas nacionais
11
. Neste caso, a clivagem entre partidos no governo e partidos na oposição é
notável, com os incumbentes a dedicar dois terços dos seus materiais de
comunicação política a assuntos europeus, enquanto os partidos na oposição
tendem a abordar a Europa de forma mais residual. No que diz respeito aos
programas eleitorais, a maior ou menor presença de temas europeus nos
documentos partidários é função de fatores como o grau de politização dos temas
europeus ao nível nacional, ou ao nível de discordância intrapartidária sobre a
Europa
12
. No caso português, os euromanifestos costumam permitir uma identificação
clara das posições e preferências dos partidos políticos em relação ao projeto
europeu. Através da análise dos documentos preparados para as campanhas
europeias nos primeiros vinte e três anos da presença de Portugal na CEE/UE,
podem ser identificadas três grandes fases de desenvolvimento das atitudes dos
partidos políticos portugueses em relação à Europa
13
. A primeira fase, de 1986 a 1991, é de entusiasmo difuso e pragmatismo
específico, na medida em que os principais partidos (com exceção da CDU)
avaliavam a adesão de forma positiva, embora demonstrassem algum ceticismo em
relação à concessão de poderes específicos de tomada de decisão à CEE. A
segunda fase, que decorre entre o Tratado de Maastricht e a viragem do milénio,
é de aumento do entusiasmo com o projeto europeu por parte dos partidos de
governo, mas também do aparecimento de uma verdadeira clivagem entre partidos
grandes e partidos pequenos no que diz respeito à Europa, após uma mudança de
liderança no CDS e da adoção de uma posição claramente eurocética por parte
deste partido, fundamentada com a defesa da identidade e da soberania nacionais
14
. A terceira fase, de 2000 até 2009, é concomitante ao crescimento da
capacidade eleitoral do Bloco de Esquerda (BE), mas também ao alargamento da UE
a Leste. Esta fase é marcada por algum ceticismo difuso (com as referências a
alguns aspetos negativos ou contraditórios da adesão à CEE/UE a ganhar espaço
nos programas eleitorais) coadunado com o apoio específico ao projeto europeu,
nomeadamente no sentido de se apelar a um maior papel e poder da Europa nos
processos de tomada de decisão e gestão de áreas como o ambiente, a imigração,
a justiça ou as políticas sociais
15
. Apesar destas grandes linhas de tendência, as posições dos partidos políticos
portugueses têm variado de forma considerável. Sanches e Santana-Pereira
testaram o impacto de três características dos partidos, utilizando as posições
expressas nos programas eleitorais para as europeias publicados entre 1987 e
2004
16
. As duas primeiras variáveis diziam respeito à ideologia e ao extremismo
ideológico (distinguindo entre partidos de direita e partidos de esquerda, bem
como entre partidos ideologicamente difusos, perto do centro, e partidos mais
extremos), na esteira de Hooghe, Marks e Wilson
17
. A terceira variável dizia respeito à situação do partido no momento das
eleições europeias, e distinguia os partidos com responsabilidades governativas
dos partidos na oposição. A análise efetuada demonstrou a relativa irrelevância
da clivagem esquerda-direita: de facto, o PS sempre esteve mais perto do PSD do
que da CDU no que diz respeito ao projeto europeu. Em termos gerais, a
competição política em matéria de assuntos europeus parece ter assentado na
clivagem entre partidos do chamado «centrão» e partidos pequenos,
ideologicamente mais definidos. Isto acontece particularmente durante os anos
1990, em que o CDS optara por uma postura bastante mais eurocética do que a
defendida atualmente, associando-se assim à tradicionalmente crítica CDU. O PS
e o PSD têm-se demonstrado claramente pró-Europa, sendo contudo de salientar
que o grau de entusiasmo declarado por estes partidos tende a ser relativamente
mais baixo no caso de se encontrarem na oposição
18
.
A oscilação nas posições declaradas por alguns partidos políticos portugueses
em relação à UE tem raízes claramente eleitoralistas. Os partidos tentam gerir
as tensões entre as posições expressas no passado, o estado da opinião pública
no momento das eleições e as medidas políticas implementadas pelo governo num
sistema de governação multinível, com o propósito de obter os melhores
resultados eleitorais possíveis.
Em Portugal, apesar de a integração europeia ter sido essencialmente liderada
pelas elites, com pouca participação e intervenção por parte dos cidadãos e da
sociedade civil
19
, as atitudes da opinião pública sobre a Europa nunca foram irrelevantes, visto
que os elevados níveis de apoio ao projeto europeu ofereciam aos partidos no
governo a possibilidade de lucrar eleitoralmente com as consequências
favoráveis da adesão de Portugal à CEE/UE
20
. É essencialmente por este motivo que os partidos no governo tendiam, entre
1986 e 2009, a expressar posições muito positivas sobre a Europa e de grande
abertura em relação ao aprofundamento da União
21
. Marina Costa Lobo chega a uma conclusão similar na análise da saliência do
tema «Europa» nos programas políticos dos partidos portugueses, verificando que
a mesma «varia com as circunstâncias conjunturais de cada partido numa dada
eleição. Ou seja, o tema Europa e os posicionamentos a favor ou contra são
enfatizados ou minorados consoante contribuam, na ótica dos partidos, para os
seus objetivos num dado momento eleitoral»
22
.
Objetivos, Hipóteses, Dimensões De Análise E Materiais Analisados
Este trabalho analisa o posicionamento dos partidos políticos portugueses nas
eleições europeias de 2014 no que diz respeito a dimensões importantes da
competição política durante o período de campanha, com o objetivo de
identificar os principais padrões e alguns fatores que estruturam e moldam as
posições dos partidos. O posicionamento de cada partido é identificado através
da análise do conteúdo dos manifestos eleitorais produzidos para as eleições
europeias. A utilização deste método para posicionar ideologicamente os
partidos tem uma longa tradição na ciência política, sendo considerado mais
fidedigno e usado mais frequentemente que outros métodos (uso de dados
recolhidos por expert surveysou inquéritos à opinião pública), devido à
imparcialidade e objetividade deste tipo de fonte e à grande disponibilidade de
dados
23
. Tendo em conta os objetivos deste artigo, a escolha dos programas eleitorais
(ou documentos partidários análogos) é, sem dúvida, a mais adequada, visto que
uma análise verdadeiramente sistemática das posições dos partidos políticos
relativamente à crise, à Europa, e à interligação destas duas áreas temáticas
deve passar necessariamente pela análise da documentação oficial, em particular
se a mesma foi preparada com objetivos eleitorais.
A análise dos programas eleitorais recai apenas sobre os quatro partidos e
coligações que já se encontram representados no Parlamento Europeu. Optamos,
assim, pelo enfoque nos partidos cujo relacionamento com a Europa tem sido
formalizado e institucionalizado através de sucessivas presenças nos últimos
parlamentos: PS, PSD, CDS-PP, BE e CDU. O Partido Socialista escolheu como
cabeça de lista Francisco Assis, dirigente do partido que serviu como
eurodeputado entre 1999 e 2004. Por sua vez, os partidos no governo (PSD e CDS-
PP) anunciaram, em março de 2014, a formação da coligação Aliança Portugal, que
conta com o eurodeputado Paulo Rangel como cabeça de lista. Nos primeiros dez
lugares da lista de candidatos desta coligação, encontram-se dois nomes de
personalidades ligadas ao CDS-PP (Nuno Melo, eurodeputado, e Ana Clara
Birrento, professora universitária e militante do partido). À esquerda, os
pequenos partidos com representação parlamentar colocaram como cabeças de lista
dois vultos jovens mas com provas dadas no Parlamento Europeu: Marisa Matias
(Bloco de Esquerda) e João Ferreira (CDU). Do ponto de vista das personalidades
envolvidas na campanha, parece haver, em grande medida, uma aposta na
continuidade em relação ao passado.
Com base nos resultados dos estudos sobre as posições dos partidos políticos
portugueses relativamente à UE nos programas eleitorais publicados nas últimas
décadas
24
, espera-se que, em 2014, os partidos tentem novamente encontrar um equilíbrio
entre as suas posições tradicionais a respeito da Europa e as oportunidades e
constrangimentos oferecidos pelo contexto atual, quer do ponto de vista do
clima da opinião pública (redução do entusiasmo com o projeto europeu,
apreensão devida à intervenção de instituições europeias na gestão económica e
financeira do país), quer do ponto de vista da sua atual posição em relação ao
governo (incumbentes vs.partidos na oposição). Assim sendo, espera-se que a
Aliança Portugal
25
exprima entusiasmo pelo projeto europeu e que defenda as medidas que, direta ou
indiretamente, resultam do acordo com a troika(hipótese 1), enquanto que o
Partido Socialista, tradicional defensor da União Europeia, tenderá a conciliar
o seu euroentusiasmo com algum ceticismo em relação a medidas implementadas
pelo Governo para a resolução do problema da dívida (hipótese 2). A CDU
beneficia de um terreno fértil para a expressão das suas tradicionais posições,
pelo que continuará a sublinhar a sua desconfiança em relação à UE (hipótese
3). Por fim, o BE, partido euroentusiasta com nuances
26
cuja presença no Parlamento Europeu é mais recente do que a dos restantes
partidos, poderá optar por ir na crista da onda do descontentamento em relação
ao Governo e à UE e, aproximando-se dos Comunistas e dos Verdes, reforçar as
críticas à UE no seu programa eleitoral de 2014 (hipótese 4). Espera-se, assim,
que a dicotomia partidos de governovs. partidos sem experiência
governativaesteja associada a grandes diferenças em termos das posições em
relação à Europa, sendo mais provável encontrar apoio explícito ao projeto
europeu entre os primeiros do que entre os últimos (hipótese 5).
Dada a natureza necessariamente breve deste trabalho, decidimos circunscrever a
análise a cinco dimensões essenciais. A escolha destas questões foi guiada
fundamentalmente pela centralidade e saliência adquiridas pelas mesmas desde o
início da crise em Portugal, particularmente aquelas relacionadas com a
política económico-financeira, temática hoje indissociável dos assuntos
europeus. Pretendemos perceber o posicionamento dos partidos portugueses quanto
aos seguintes tópicos:
• Atitude geral em relação à União Europeia.
• Necessidade de renegociação da dívida portuguesa.
• Permanência na União Económica e Monetária (UEM).
• Mutualização da dívida dos estados europeus, com a criação de eurobonds.
• Cortes permanentes nas pensões e reformas.
Todas as dimensões estão direta ou indiretamente relacionadas com a UE, no
sentido em que dizem respeito a assuntos diretamente ligados à UE e às suas
instituições, ou nos quais estas últimas têm tido um papel relevante. Estas
dimensões captam o posicionamento global de cada partido face à integração
europeia (i), em relação à dívida pública (ii), tema de elevada saliência desde
o início do programa de assistência, e à UEM (iii; iv). A dimensão número vfoi
incluída devido à saliência que esta temática tem vindo a ganhar nos últimos
anos, afigurando-se como absolutamente central nas eleições europeias de maio
de 2014, bem como devido ao facto de que são medidas apresentadas e discutidas
no contexto do processo de ajustamento necessário para cumprir o acordo com as
instituições europeias e o FMI.
Os documentos partidários
27
utilizados neste artigo são os seguintes. Para a coligação PSD-CDS foi
utilizado essencialmente o manifesto eleitoral «Aliança Portugal ' Europeias
2014», publicado em março de 2014
28
. O programa eleitoral apresentado pela coligação destaca-se pelo formato
original: 101 ideias apresentadas em formato de tweet, para facilitar a
disseminação das posições e propostas do partido através das redes sociais
29
. Recorremos ainda ao programa do XIX Governo Constitucional
30
. Para o Partido Socialista foram utilizadas várias fontes
31
, nomeadamente a Declaração de Princípios de outubro de 2010
32
, o programa eleitoral das legislativas de 2011
33
, a moção «Portugal Tem Futuro»
34
, e, por último, a declaração «Novo Rumo para Portugal»
35
. Para a CDU utilizámos o manifesto das europeias 2014, intitulado «Um Portugal
com Futuro numa Europa dos Trabalhadores e dos Povos»
36
. Por último, no caso do BE foi utilizado o manifesto «Desobedecer à Europa da
Austeridade»
37
, preparado pelo partido para as eleições europeias de maio de 2014.
Análise Das Dimensões De Competição
Comecemos por analisar o posicionamento dos partidos políticos portugueses face
à integração europeia. Como vimos, os principais partidos do sistema partidário
português (PS e PSD) têm um historial fortemente europeísta. Os restantes
partidos têm uma história de marcado ceticismo (CDU) ou, no caso do CDS, de
flutuações entre o euroceticismo e o europeísmo
38
.
Nas eleições europeias de 2014, os partidos da coligação de governo (PSD e CDS-
PP) declaram-se fortemente a favor do projeto europeu, afirmando no seu
manifesto Aliança Portugal que «fazemos parte do destino europeu e somos hoje,
em pleno, cidadãos Portugueses e Europeus»
39
. O PS, por seu turno, reafirma na sua Declaração de Princípios de 2010 que é
«totalmente favorável ao processo de construção europeia, e ao desenvolvimento,
aprofundamento, e alargamento da União Europeia»
40
. Em linha com a sua tradicional linha de ceticismo, sem nunca afirmar
explicitamente a oposição ao projeto europeu, a CDU defende no manifesto das
europeias de 2014 que «nada pode obrigar Portugal a aceitar a posição de Estado
subalterno no quadro da UE e a alienar a sua independência e soberania
nacionais»
41
. A CDU demonstra ainda a sua oposição ao Tratado Orçamental, um instrumento
recém-criado com vista à manutenção de apertadas regras de controlo orçamental,
nomeadamente a manutenção do défice estrutural em 0,5 por cento. A posição
desta coligação é clara, defendendo a «reversibilidade dos acordos e tratados
que regem a atual integração começando pelo Tratado de Lisboa, pelo Tratado
Orçamental e pelos diplomas da Governação Económica»
42
. O BE apresenta uma posição com algumas nuances. O partido apresenta-se mesmo
como parte integrante da esquerda europeísta, por oposição à esquerda
eurocética. Não deixa, no entanto, de rejeitar liminarmente o atual quadro de
distribuição de poderes, propondo-se lutar por uma refundação da UE das suas
instituições. De acordo com o manifesto eleitoral do BE, «a esquerda europeísta
tem de ter um projeto para a refundação da Europa [...] que supere o bloqueio
institucional criado por tratados blindados»
43
. Ainda de acordo com o mesmo documento, o BE defende um «referendo ao Tratado
Orçamental, que oponha a este grande consenso institucional a voz das vítimas
desta política»
44
.
Uma análise ao posicionamento dos partidos sobre a renegociação da dívida
pública (dimensão 2) demonstra a existência de uma clivagem entre os partidos
no governo e na oposição. Os partidos no governo defendem que «a diminuição do
excessivo endividamento da economia portuguesa terá de ser feito [através] da
redução sustentada da dívida pública»
45
. De forma mais explícita, afirmam ainda que «Portugal deve cumprir os seus
compromissos. Não é fácil, mas é imprescindível»
46
. Numa posição diametralmente oposta, o PS, maior partido da oposição,
preconiza na moção «Portugal Tem Futuro» não só «a renegociação do alargamento
dos prazos de pagamento de parte da dívida pública» mas também a «renegociação
dos juros a pagar pelos empréstimos obtidos»
47
. A CDU e o BE têm posições bastantes semelhantes. Ambos os partidos defendem
que Portugal deve proceder a uma renegociação imediata da dívida pública em
termos de montantes, prazos e juros.
A terceira dimensão em análise neste trabalho pretende perceber o
posicionamento específico dos partidos políticos em relação à moeda única. A
questão da permanência na UEM tem ganho saliência política nos últimos anos. Em
geral, em Portugal parece existir (ainda) a ideia de que a saída da moeda única
é indesejável. Todavia, existem diferenças importantes entre os partidos
políticos que vale a pena salientar. No seu manifesto, a Aliança Portugal
defende que «Portugal deve optar, conscientemente, por uma moeda única que
sirva os seus interesses e permita que a economia cresça de forma sustentada»
48
.
Na opinião dos partidos do governo isto implica «a reforma institucional da
União Económica e Monetária [...] no sentido de reforçar a integração, com
responsabilidade e solidariedade, com partilha de poderes e mecanismos de
garantia»
49
. Por seu turno, o PS afirma claramente, na declaração «Novo Rumo Portugal» que
«a opção não está entre ficar ou sair do Euro. Para nós a opção está na
urgência de mudar a zona Euro e de a completar com a governação política,
económica e social»
50
. Note-se, pois, que os três partidos que têm partilhado funções governativas
em Portugal desde a democratização estão de acordo não só quanto à opção
fundamental de permanência no euro mas também quanto à necessidade de
existência de reformas institucionais para corrigir os desequilíbrios da UEM.
Sem nunca afirmar uma posição explícita de apoio à permanência de Portugal no
euro, o BE não deixa, no entanto, de afirmar que rejeita «mais sacrifícios em
nome do Euro»
51
. Podemos, pois, inferir que o BE defende que a permanência de Portugal na
moeda única seja compatível com o fim da austeridade e dos sacrifícios. Isso
mesmo foi afirmado pela cabeça de lista do partido, Marisa Matias, dizendo que
«se chegarmos a um ponto de escolha entre o euro e o Estado social, não tenho
dúvidas que temos de escolher o Estado social»
52
. A CDU apresenta-se como o partido mais abertamente eurocético nesta dimensão
da nossa análise. No seu manifesto eleitoral, a coligação afirma que Portugal
deve bater-se pela «dissolução da União Económica e Monetária e pela adoção de
medidas que preparem o país face a qualquer reconfiguração da Zona Euro,
nomeadamente as que resultem da saída de Portugal do euro, seja por decisão
própria ou desenvolvimentos futuros da crise da ue»
53
. Com a análise desta dimensão torna-se visível a existência de grandes
diferenças entre a coligação PSD-CDS e o PS, por um lado, e as posições
defendidas pelo BE e pela CDU, que diferem em termos de intensidade. Ao passo
que para os primeiros a permanência de Portugal na UEM é indiscutível, devendo
Portugal pugnar pela existência das reformas institucionais necessárias à
coadunação do euro com o fim da austeridade, para os restantes partidos a saída
do euro é, ou pode vir a ser, uma realidade. Portugal deve equacionar a saída
do euro caso os custos económico-sociais com a austeridade continuem a
aumentar.
A quarta dimensão em análise neste artigo respeita à posição dos partidos
políticos portugueses em relação aos eurobonds, um instrumento apontado por
muitos como parte das reformas institucionais da UEM, referidas no ponto
anterior. Mais uma vez, nesta dimensão a clivagem entre os partidos mais
europeístas e o partido claramente mais eurocético no sistema partidário
português reemerge de forma evidente. PSD e CDS-PP, assim como PS e BE, estão a
favor da criação de mecanismos de mutualização da dívida. No seu manifesto
eleitoral, PSD e CDS-PP afirmam claramente que «é desejável o futuro
desenvolvimento de mecanismos de solidariedade e de mutualização de riscos
[...]. Neste sentido, a União deve potenciar as reformas estruturais nos
Estados-membros, através de um sistema de arranjos contratuais e de
mecanismos de solidariedade associados mutuamente acordados pelos Estados e
pela União»
54
.
De igual modo, o PS aposta na «necessidade de aposta no crescimento económico,
assim como a introdução de eurobonds a nível Europeu para mutualizar a dívida
dos países do Euro»
55
. Nesta dimensão, o BE tem uma posição semelhante aos partidos da coligação e
ao PS. Os bloquistas defendem no seu manifesto de 2014 que a «UE deve passar a
ter instrumentos próprios de gestão de dívida que representem um recurso dos
Estados-membros, mas beneficiem dos custos de financiamento que um espaço como
a UE pode proporcionar»
56
. Na senda do seu habitual euroceticismo, a CDU é o único ator político
português abertamente contra a possibilidade de existência de mecanismos de
mutualização de dívida. Numa tese recentemente aprovada, os Comunistas apelidam
este tipo de mecanismos de «engodo», caracterizando-os como «um fundo
especulativo constituído a partir do contributo dos Estados para aumentar as
dívidas soberanas e a dependência face ao grande capital financeiro»
57
.
Por último, abordamos ainda a questão das pensões e do futuro da Segurança
Social pública, a qual tem sido tema de debate recorrente na sociedade
portuguesa. Esta dimensão é particularmente importante no contexto das eleições
europeias porquanto as sucessivas atualizações do memorando de entendimento
foram incluindo medidas importantes nesta área de governação. Nos meses
imediatamente anteriores às europeias, a temática do corte permanente de
pensões tem vindo a ganhar saliência crescente. No programa de governo, PSD e
CDS-PP referem que «é necessário estudar e avaliar a introdução de reformas
que, mantendo a garantia do Estado no domínio da solidariedade obrigatória,
introduza uma componente de poupança nas pensões de velhice»
58
. PSD e CDS-PP justificam a adoção desta medida com a «queda do rácio de
dependência eco- nómica» assim como «a progressiva maturação das carreiras»
59
. Por seu turno, a proposta do PS alicerça-se na reforma levada a cabo pelo
governo de José Sócrates em 2006. Deste modo, os socialistas defendem a
«promoção da sustentabilidade e da eficiência e equidade da Segurança Social
pública, sem esquecer as restrições financeiras conjunturais, mas como
alternativa ao projeto da direita portuguesa de privatização parcial e
desnatação da Segurança Social». A CDU e o BE têm posições muito semelhantes no
que concerne à Segurança Social. Ambos defendem a manutenção do sistema público
e rejeitam liminarmente a política de «desvalorização de pensões e reformas».
A tabela_1 sistematiza as posições dos partidos políticos nas cinco dimensões
em análise, utilizando uma escala que varia entre totalmente favorável,
parcialmente favorável, parcialmente desfavorável e totalmente desfavorável. O
PS e a Aliança Portugal continuam a apresentar-se como partidos políticos pró-
integração europeia, expressando apoio generalizado ao projeto europeu, à
permanência na zona euro e à mutualização da dívida através da criação de
eurobonds. Os principais pontos de desacordo entre os dois principais
protagonistas das europeias de 2014 dizem respeito à necessidade de renegociar
a dívida (defendida pelos socialistas mas rejeitada pelos partidos no governo)
e de fazer cortes permanentes nas pensões e reformas, uma medida proposta, com
algumas nuances, pelo Governo e parcialmente refutada pelo principal partido da
oposição. As posições expressas são, assim, congruentes com o passado do PSD e
do PS, que os distingue como os principais atores nos processos de adesão e de
integração europeia, bem como com a posição deste último partido como principal
partido de oposição.
A posição fortemente nacionalista e eurocética da CDU, identificada na grande
maioria dos programas para as europeias redigidos nos últimos trinta anos
60
, continua a estar presente nos documentos de 2014. Já o BE apresenta uma
posição algo indefinida, com várias nuances, o que o distancia da fortemente
eurocética CDU e dos partidos do centrão. Assim sendo, apenas a hipótese
relativa ao posicionamento do BE no programa eleitoral para as europeias de
2014 não recebe suporte empírico por parte da nossa análise. Apesar da sua
curta história de relacionamento com a UE, este partido parece ter dado mais
importância à manutenção da sua tradicional linha de entusiasmo moderado
relativamente à UE do que capitalizar sobre a atual falta de popularidade do
projeto europeu entre os eleitores portugueses.
Passemos agora à análise das diferenças entre as posições expressas pelos
partidos políticos de acordo com a sua dimensão, ideologia e situação perante o
Governo (governo vs.oposição). Curiosamente, em 2014, as dicotomias esquerda/
direita e oposição/ Governo encontram-se sobrepostas, já que ambos os partidos
de direita estão no governo e os partidos de esquerda constituem a oposição ao
mesmo. Na tabela_2, demonstramos que estes fatores têm um impacto fraco a
moderado nas posições em relação à integração europeia, à mutualização da
dívida através da criação de eurobondsou à permanência na UEM, não existindo
uma divisão clara entre os dois lados de cada uma das clivagens analisadas.
Nestas três dimensões temáticas, os dois maiores partidos tendem a apresentar o
mesmo tipo de posição, mas os dois partidos menores divergem, sendo isto em
grande parte devido às opções e declarações matizadas do BE. A variedade de
posições encontrada entre os principais partidos de esquerda, que se encontram
na oposição, não permite defender a existência de diferenças drásticas nas
posições relativas a estes três temas devidas à ideologia ou à situação dos
partidos perante o governo. Pelo contrário, as opiniões sobre a renegociação da
dívida portuguesa e o corte de pensões são marcadas por uma forte divisão
esquerda vs.direita, ou Governo vs.oposição, com os partidos de esquerda/
oposição a serem claramente mais favoráveis à renegociação e mais desfavoráveis
aos cortes do que os partidos de direita. O impacto do tamanho dos partidos é
fraco, com os partidos mais pequenos a expressarem o mesmo tipo de posição,
enquanto os dois maiores partidos divergem nas atitudes expressadas nos seus
documentos oficiais.
Conclusões
Desde os tempos do slogan«A Europa connosco», lançado pelo PS nos anos 1970,
que o processo de integração europeia tem sido percecionado como positivo pela
opinião pública e, acima de tudo, pelas elites políticas e económicas em
Portugal. Durante um largo período, a Europa esteve associada a prosperidade,
modernidade e progresso social. Todavia, os últimos anos vieram colocar em
causa estas verdades estabelecidas. A crise financeira e económica de 2008,
agravada com a entrada da troikaem Portugal em maio de 2011, fez diminuir a
perceção sobre a bondade da política europeia e a visão da UE como algo somente
positivo. As eleições europeias de 2014 realizam-se neste contexto e, sendo as
primeiras desde o início da crise, revestem-se de especial importância.
Neste artigo, analisámos cinco dimensões de competição nas europeias de maio de
2014. A conclusão fundamental é de que, apesar do recente agravar do
descontentamento da opinião pública com a UE, há uma grande continuidade nas
posições dos partidos com representação parlamentar face ao projeto europeu.
Por exemplo, apesar da clivagem no que respeita à renegociação da dívida
pública, os principais partidos portugueses (PS e PSD, este último em coligação
com o CDS-PP) continuam de acordo quanto à pertença à UE e à UEM. Na senda da
sua posição habitual, a CDU continua a ser o partido mais eurocético do sistema
partidário português. Quanto ao BE, não obstante apresentar-se como membro da
esquerda europeísta, o facto é que as suas posições apresentam uma certa
ambiguidade e tibieza no que respeita à opção europeia.
Tendo em conta o momento em que este artigo foi escrito (algumas semanas antes
das eleições europeias), e o enfoque em cinco dimensões específicas em
detrimento de uma abordagem mais abrangente, a análise aqui apresentada é
preliminar e parcial. De facto, tudo ainda pode acontecer em termos de
comunicação política das posições destes partidos sobre a Europa e a crise
económica. No entanto, considerando os constrangimentos associados às posições
assumidas pelos principais elementos do espetro partidário português, é muito
pouco provável que tenham lugar grandes alterações ao panorama aqui delineado.
De qualquer maneira, as conclusões a que chegámos só têm a ganhar com a
posterior validação e confirmação após o encerramento da campanha para as
europeias de 2014.
Data de receção: 24 de março de 2014 | Data de aprovação: 27 de abril de 2014
Notas
1
Blyth, Mark ' Austerity: The History of a Dangerous Idea. Oxford: Oxford
University Press, 2012.
2
Magalhães, Pedro C. ' «Introduction: financial crisis, austerity, and electoral
politics». In Journal of Elections, Public Opinion and Parties. Vol. 24, N.º 2,
2014, pp. 125-133.
3
Pappas, Takis S. ' «Why Greece failed». In Journal of Democracy. Vol. 24, N.º
2, 2013, pp. 31-45.
4
Lobo, Marina Costa ' «Still second-order? European Parliament elections in
Portugal», In Pinto, António Costa ' Contemporary Portugal: Politics, Society
and Culture. 2.ª ed. Nova York: Columbia University Press, 2011, pp. 249-273.
5
Estes e os restantes dados sobre as atitudes da opinião pública portuguesa em
relação à Europa foram recolhidos pela vaga 80 do Eurobarómetro Standard
durante o outono de 2013. Os principais resultados desta vaga estão disponíveis
no sítio oficial do Eurobarómetro. [Consultado em: 1 de abril de 2014].
Disponível em: http://ec.europa.eu/public_opinion/archives/eb/eb80/eb80_en.htm
6
Lewis-Beck, Michael, Paldam, Martin ' «Economic voting: an introduction». In
Electoral Studies. Vol. 19, N.º 2-3, 2000, pp. 112-121;
Lewis-Beck , Michael, e Stegmaier, Mary ' «Economic determinants of electoral
outcomes». In Annual Review of Political Science. Vol. 3, 2000, pp. 183-219.
7
Reif, Karlheinz, e Schmitt, Hermann ' «Nine second-order national elections: a
conceptual framework for the analysis of European election results». In
European Journal of Political Research, Vol. 8, N.º 1, 1980, pp. 307-340.
8
Reif, Karlheinz, e Schmitt, Hermann ' «Nine second-order national elections: a
conceptual framework for the analysis of European election results», pp. 307-
340.
9
Lobo, Marina Costa ' «Still second-order? European Parliament Elections in
Portugal», pp. 249-273.
10
Jalali, Carlos, Silva, Tiago ' «Everyone ignores Europe? Party campaigns and
media coverage in the 2009 European Parliament Elections». In Maie r ,
Michaela, Stromback , Jesper, Kaid, Linda. L. ' Political Communication in
European Parliamentary Elections. Farnham: Ashgate Publishing, 2011, pp. 111-
126; De Vreese, Claes H., Lauf, Edmund, e Peter, Jochen '
«The media and European Parliament elections: second-rate coverage of a second-
order event?». In Van Der Brug, Wouter, Van Der Eijk, Cees ' European Elections
and Domestic Politics. Lessons from the Past and Scenarios for the Future.
Notre Dame, Indiana: University of Notre Dame Press, 2007, pp. 116-130; De Vreese, Claes H., Banducci, Susan, Semetko, Holly A.,
Boomgaarden, Hajo A. ' «The news coverage of the 2004 European parliamentary
election campaign in 25 countries». In European Union Politics. Vol. 7, N.º 4,
2006, pp. 477-504.
11
Jalali, Carlos, e Silva , Tiago ' «Everyone ignores Europe? Party campaigns and
media coverage in the 2009 European Parliament Elections». In Maier, Michaela,
Stromback, Jesper, Kaid, Linda L. ' Political Communication in European
Parliamentary Elections. Farnham, UK: Ashgate Publishing, 2011, pp. 111-126.
12
Spoon, Jae-Jae ' «How salient is Europe? An analysis of European election
manifestos, 1979-2004». In European Union Politics. Vol. 13, N.º 4, 2012, pp.
58-579.
13
Santana-Pereira, José, Sanches, Edalina Rodrigues ' «Portugal». In Conti,
Nicolò ' Party Attitudes Towards the EU in the Member States: Parties for
Europe, Parties Against Europe. Londres: Routledge, 2014, pp. 115-132.
14
Lobo, Marina Costa ' «A União Europeia e os partidos políticos portugueses: da
consolidação à qualidade democrática». In Lobo, Marina Costa, e Lains, Pedro '
Em Nome da Europa. Portugal em Mudança (1986-2006). Estoril: Principia, 2007,
pp. 78-96.
15
Santana-Pereira, José, Sanches, Edalina Rodrigues ' «Portugal», pp. 115-132.
16
Sanches, Edalina Rodrigues, e Santana-Pereira, José ' «Which Europe do the
Portuguese political parties want? Identity, representation and scope of
governance in the euromanifestos (19872004)». In Perspetives on European
Politics and Society.Vol. 11, N.º 2, 2010, pp. 183-200.
17
Hooghe, Liesbet, Marks, Gary, Wilson, Carole J. ' «Does left/right structure
party positions on European integration?». In Comparative Political Studies.
Vol. 35, N.º 8, 2002, pp. 965-989.
18
Sanches, Edalina Rodrigues, e San-tana-Pereira, José ' «Which Europe do the
Portuguese political parties want? Identity, Representation and Scope of
Governance in the Euromanifestos (1987-2004)», pp. 183-200.
19
Jalali, Carlos ' «Governing from Lisbon or Governing from Brussels? Models and
tendencies of europeanization of the Portuguese Government». In Teixeira, Nuno
Severiano, e Pinto, António Costa ' The Europeanization of Portuguese
Democracy. Nova York: Columbia University Press, 2012, pp. 61-84; Ruivo, João Pedro, Moreira, Diogo, Costa Pinto, António, Almeida,
Pedro Tavares ' «Portuguese political elites and the European Union». In
Teixeira, Nuno Severiano, Pinto, António Costa ' The Europeanization of
Portuguese Democracy. Nova York: Columbia University Press, 2012, pp. 27-59.
20
Jalali, Carlos ' «Governing from Lisbon or governing from Brussels? Models and
tendencies of europeanization of the Portuguese Government», pp. 61-84.
21
Sanches, Edalina Rodrigues, e Santana-Pereira, José ' «Which Europe do the
Portuguese political parties want? Identity, representation and scope of
Governance in the euromanifestos (1987-2004)», pp. 183-200.
22
Lobo, Marina Costa ' «A União Europeia e os partidos políticos portugueses: da
consolidação à qualidade democrática», p. 83.
23
Dina s, Elias, e Gemenis, Kostas ' «Measuring parties' ideological positions
with manifesto data: a critical evaluation of the competing methods». In Party
Politics. Vol.16, N.º 4, 2010, pp. 427-450.
24
Lobo, Marina Costa ' «A União Europeia e os partidos políticos portugueses: da
consolidação à qualidade democrática», pp. 78-96; Sanches,
Edalina Rodrigues, e Santana-Pereira, José ' «Which Europe do the Portuguese
political parties want? Identity, representation and scope of governance in the
euromanifestos (1987-2004)», pp. 183-200; Santana-Pereira ,
José, e Sanches, Edalina Rodrigues ' «Portugal», pp. 115-132.
25
Importa salientar que, para fins analíticos, tratamos a Aliança Portugal (psd e
cds-pp) como um ator unitário. Embora os partidos tenham trajetórias diversas
no posicionamento quanto às questões europeias (ver os trabalhos de Marina
Costa Lobo e de José Santana-Pereira e Edalina Sanches, citados ao longo do
artigo), e tenham mesmo adotado posições diferentes em matérias centrais da
governação durante o governo Passos Coelho, estamos seguros de que, nesta
primavera de 2014, ambos os partidos estão fundamentalmente de acordo nas cinco
dimensões em análise.
26
Santana-Pereira, José, e Sanches, Edalina Rodrigues ' «Portugal», pp. 115-132.
27
Agradecemos aos colegas Ana Espírito Santo, Tiago Silva e Carlos Nogueira pela
preciosa ajuda na identificação e recolha destes documentos.
28
Manifesto Aliança Portugal ' Europeias 2014. [Consultado em: 1 de abril de
2014] Disponível em: http://www.psd.pt/ficheiros/dossiers_politicos/
dossier1394024861.pdf
29
«PSD/CDS apresenta programa eleitoral em jeito de tweets e 101 dálmatas». In
Público, 5 de março de 2014. [Consultado em: 1 de abril de 2014]. Disponível
em: http://www.publico.pt/politica/noticia/psdcds-apresenta-programa-eleitoral-
-em-jeito-dos-tweets-e-dos101-dalma-tas1627124
30
Programa do XIX Governo Constitucional. [Consultado em: 1 de abril de 2014].
Disponível em: http://www.portugal.gov.pt/media/130538/programa_gc19.pdf
31
O Partido Socialista foi o único partido que ainda não havia disponibilizado o
seu programa eleitoral às europeias de 2014 no momento da redação deste artigo
(fim de março de 2014).
32
PS, Declaração de Princípios de outubro de 2010. [Consultado em: 1 de abril de
2014]. Disponível em: http://www.ps.pt/images/stories/pdfs/
declaracao_de_principios_2010.pdf (acedido em 1 de abril de 2014).
33
PS, Programa eleitoral das eleições legislativas, 2011 [Consultado em: 1 de
abril de 2014] Disponível em: http://downloads.sol.pt/pdf/ps.pdf
34
PS, Moção «Portugal tem futuro». [Consultado em: 1 de abril de 2014].
Disponível em: http://www.ps.pt/images/imprensa/mocao_a_portugal_tem_futuro.pdf
35
PS, Declaração «Novo Rumo para Portugal». [Consultado em: 1 de abril de 2014].
Disponível em: http://novorumoparaportugal.pt/Assets/documents/
declaracaonovorumoparaportugal.pdf
36
CDU, Manifesto «Um Portugal com Futuro numa Europa dos Trabalhadores e dos
Povos», 2014. [Consultado em: 1 de abril de 2014]. Disponível em: http://
www.pcp.pt/sites/default/files/documentos/declaracao_programatica_pcp_eleicoes_
parlamento_europeu_2014.pdf
37
BE, Manifesto «Desobedecer à Europa da Austeridade», 2014. [Consultado em 1 de
abril de 2014] Disponível em: http://www.bloco.org/media/IIconf_recom_eur.pdf
38
Lobo, Marina costa ' «A União Europeia e os partidos políticos portugueses: da
consolidação à qualidade democrática», pp. 78-96; Freire, André ' «As eleições
europeias em Portugal». In Relações Internacionais. Vol. 6, 2005, pp. 119-125;
Lobo, Marina Costa ' «Portuguese attitudes towards the eu membership: Social
and political perspetives». In South European Society and Politics. Vol. 8, N.º
1, 2003, pp. 97-118.
39
Manifesto Aliança Portugal ' Europeias 2014, p. 2.
40
PS, Declaração de Princípios de 2010, pp. 17-18.
41
CDU, Manifesto «Um Portugal com Futuro numa Europa dos Trabalhadores e dos
Povos», 2014, p. 5.
42
Ibidem, p. 14.
43
BE, Manifesto «Desobedecer à Europa da Austeridade», 2014, p. 6.
44
Ibidem.
45
Na inexistência de um documento oficial com a posição comum da coligação sobre
esta matéria, neste ponto específico utilizámos o programa eleitoral do psd e
cds-pp, respetivamente. Cf. Programa Eleitoral PSD 2011, p. 33.
46
Cf. Programa Eleitoral CDS-PP 2011, sem página.
47
Programa Eleitoral PS, 2011, p. 13.
48
Manifesto Aliança Portugal ' Europeias 2014, p. 3.
49
Ibidem.
50
Manifesto Aliança Portugal ' Europeias 2014, p. 12.
51
BE, Manifesto «Desobedecer à Europa da Austeridade», 2014, p. 1.
52
Entrevista de Marisa Matias, Expresso, 29 de março de 2014, p. 15
53
CDU, Manifesto «Um Portugal com Futuro numa Europa dos Trabalhadores e dos
Povos», 2014. p. 5.
54
Manifesto Aliança Portugal ' Europeias 2014, p. 7.
55
Posição disponível no sítio oficial do partido. [Consultado em: 1 de abril de
2014]. Disponível em: http://www.ps.pt/posicoes-do-ps/europa/eurobonds.html
56
BE, Manifesto «Desobedecer à Europa da Austeridade», 2014, p. 8.
57
Projeto de Resolução Política, 2012. [Consultado em: 1 de abril de 2014].
Disponível em: http://pcp.pt/sites/default/files/documentos/
teses_projeto_de_reso-lucao_politica.pdf
58
Programa do XIX Governo Constitucional, p. 86. [Consultado em: 1 de abril de
2014]. Disponível em: http://www.portugal.gov.pt/media/130538/programa_gc19.pdf
59
Programa do XIX Governo Constitucional, p. 85. [Consultado em: 1 de abril de
2014]. Disponível em: http://www.portugal.gov.pt/media/130538/programa_gc19.pdf
60
Lobo, Marina Costa ' «A União Europeia e os partidos políticos portugueses: da
consolidação à qualidade democrática», pp. 78-96; Sanches,
Edalina Rodrigues, e Santana-Pereira, José ' «Which Europe do the Portuguese
political parties want? Identity, representation and scope of governance in the
euromanifestos (1987-2004)», pp. 183-200; Santana-Pereira ,
José, e Sanches, Edalina Rodrigues ' «Portugal», pp. 115-132.
Rua Dona Estefânia, 195, 5 D
1000-155 Lisboa
Portugal
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