Da democracia na Ásia
Esta é hoje uma das perguntas mais frequentes em debates internos na Índia
sobre a sua estratégia de desenvolvimento e política externa: sofre o país de
«democracia a mais»? Estará a democracia indiana, assente numa sociedade
pluralista, diversa e num complexo regime político federal, a travar o
crescimento económico do país?
De forma pública, e por vezes alarmista, muitos indianos acusam hoje a classe
política de corrupção e incapacidade, reivindicando um governo mais
centralizado e autoritário, seja por via de uma administração mais autónoma ou
de um líder carismático. Em Nova Deli fala-se muito de China envy ' inveja
sobre a forma como Pequim está a conseguir implementar reformas cruciais e
sustentar altas taxas de crescimento ' e recebe-se com um misto de
incredulidade e hostilidade a ideia de um «G2», uma liderança global sino-
americana partilhada a dois, sem espaço para a Índia2.
A imensa ansiedade indiana tem a sua versão, de forma invertida, do outro lado
dos Himalaias, na China, onde um regime autoritário enfrenta crescentes
pressões sociais e procura lidar com uma possível liberalização política. «Terá
a China democracia a menos?», pergunta-se. De forma privada, muitos analistas e
responsáveis chineses confidenciam que o país sofre de um défice democrático
que, mais cedo ou mais tarde, terá de ser superado. A ideia dos «valores
asiáticos» e do Beijing consensus continua viva, mas longe da popularidade de
que gozou numa Ásia outrora rendida ao «milagre económico» chinês e agora bem
mais preocupada e dividida sobre a melhor forma de responder ao novo poderio e
expansionismo de Pequim.
Este não é só um mero debate interno aos dois países. O futuro destes dois
modelos de desenvolvimento, assentes em regimes políticos diferentes, terá
profundas implicações na sua postura externa. Ao mesmo tempo, o sucesso (ou
colapso) de cada um destes modelos terá também um poder exemplar para o resto
da Ásia e para outros países em desenvolvimento que, tal como a China e a
Índia, atravessam uma monumental transição económica, social e política.
Em questão está, portanto, mais do que um simples debate teórico entre a
preferência ética e a utilidade material da democracia como o regime político
mais adequado ao desenvolvimento económico e à estabilidade sociopolítica. Que
China, que Índia e que Ásia teremos daqui a dez ou vinte anos?
O DESCONTENTAMENTO INDIANO
Democracia parlamentar desde a sua independência em 1947, a Índia é uma rara
excepção no mundo não-ocidental. Salvo o breve período autoritário durante o
mandato de Indira Gandhi nos anos 1970, este curioso sucesso democrático
continua a motivar um grande debate sobre as suas causas: será o legado
colonial britânico de instituições eleitorais e parlamentares que ganhou raízes
no subcontinente? Ou será a cultura indiana e a sua realidade de grande
diversidade mais adequada a um sistema pluralista?3
Este debate à parte, ninguém contesta que a Índia é hoje uma das democracias
mais antigas, especialmente se nos regermos por princípios liberais
contemporâneos como a universalidade do voto ' um direito garantido e praticado
na Índia desde a aprovação da sua constituição em 1949, ao contrário até dos
Estados Unidos, onde até 1964 a população negra foi impedida de exercer o mais
elementar direito cívico. Este é, no entanto, um facto muitas vezes esquecido
porque durante a Guerra Fria, pelo menos para o Ocidente, a Índia não era vista
como fazendo parte do «campo democrático». De forma semelhante, a própria
liderança indiana, incluindo o seu primeiro líder Nehru, embora ciente da
excepcional qualidade democrática do novo país, nunca identificou esta
qualidade como sendo de natureza «ocidental». A Índia era não-alinhada,
orgulhosamente ensanduichada entre os dois campos opostos; nem capitalista, nem
socialista.
É só na última década, desde meados do século XX e com a aproximação
estratégica aos Estados Unidos, que a Índia passou a olhar com maior confiança
e orgulho para o seu regime democrático como uma vantagem no plano comparativo
e externo. Esta transformação está assente num grande debate indiano sobre a
forma como o país deve compatibilizar os princípios liberais e democráticos no
plano doméstico com as prioridades, interesses e exigências estratégicas no
plano externo. É o grande debate entre valores e interesses, tão típico nas
sociedades democráticas de carácter republicano ou universalista.
Perante este cenário, o que explica, portanto, a recente ansiedade e
preocupação indiana com «demasiada democracia»? Primeiro, uma forte desilusão
com o potencial de crescimento da economia que depois de atingir níveis
inéditos perto dos dez por cento em meados de 2000, baixou agora para valores à
volta dos cinco por cento. Para os objectivos de desenvolvimento traçados, bem
como as expectativas e pressões sociais alimentadas por uma população muito
jovem, isto é simplesmente incomportável. Um terço dos indianos tem menos de 34
anos de idade, e em 2020 a Índia deverá ser o país mais jovem do mundo, com 64
por cento da sua população no activo4.
As explicações para esta má performance nos últimos anos são variadas, desde
falta de liderança e visão pelo Partido do Congresso, que governa em maioria
com apoio de uma ampla aliança, até à politização de uma administração pública
tradicionalmente imune a pressões partidárias e jogos políticos. A explicação
mais popular, no entanto, culpabiliza o parlamento e uma classe política
corrupta que põe os seus próprios interesses à frente dos da nação.
DEMASIADA DEMOCRACIA?
O descontentamento indiano com a liderança governamental e o estado de
«paralisia» económica é agravado por três grandes transformações políticas e
sociais5.
Primeiro, a fragmentação do sistema partidário e a complexidade do novo sistema
de coligações governamentais. Durante quase quatro décadas, o sistema político
indiano gravitou sempre à volta da predominância do Partido do Congresso, que
dominou o parlamento federal com confortáveis maiorias durante as primeiras
três décadas, até 1977. E até às eleições de 1996, só por duas vezes foi
afastado do processo de formação de governo. Nos anos 1990, contudo, esta
centralidade foi posta em causa por dois factores. Primeiro, a cristalização de
um bloco partidário alternativo, de cariz nacionalista e conservador, à volta
do Bharatiya Janata Party (BJP) que, pela primeira vez, em 1996, conseguiu
formar governo, voltando depois ao poder entre 1999 e 2004. Um segundo factor
está ligado à cisão social na base de apoio do Partido do Congresso, com as
castas mais baixas a optarem pela criação de partidos próprios que passaram a
contestar o Partido do Congresso e a formarem governo em vários estados
regionais, especialmente no Norte do país.
A consequência imediata foi não só uma bipolarização do sistema, mas também uma
nova era de governos de coligação. Estas coligações são extremamente complexas,
estando o BJP e o Partido do Congresso a dependerem de várias dezenas de
partidos regionais para formarem maiorias parlamentares. Desde 1984 nenhum
partido conseguiu uma maioria parlamentar absoluta e, pelo menos desde finais
dos anos 1990, tanto o BJP como o Partido do Congresso resignaram-se à
necessidade de governarem em coligação com mais de uma ou mesmo duas dezenas de
partidos regionais. Por exemplo, entre partidos que apoiam ou já apoiaram a
actual coligação governamental, a United Progressive Alliance (UPA), contam-se
um total de vinte e cinco. Com grande poder de veto, estes partidos regionais
têm naturalmente condicionado os governos de coligação na elaboração e execução
de políticas públicas, seja no campo das reformas económicas domésticas, seja
no plano externo na relação com países vizinhos, como veremos adiante.
Em segundo, a Índia testemunha também uma nova assimetria no seu tradicional
federalismo de cariz centralista. A Índia é composta hoje por 28 estados,
principalmente com base num critério etnolinguístico estabelecido em 1956. O
sistema parlamentar bicameral, as eleições estaduais e um complexo sistema de
autonomias regionais e locais suportam este federalismo que, no entanto,
tradicionalmente sempre foi um dos mais «fracos» em termos comparativos com
outras federações: na maioriadas matérias legislativas prevalece o parlamento
federal e a constituição é baseada num sistema unitário em que os estados
regionais são resultado, e não parte constituinte, da união.
Porém, com as reformas económicas, esta assimetria de poderes tradicionalmente
favorável ao centro federal enfraqueceu significativamente. Se anteriormente as
políticas públicas eram quase exclusivamente pensadas, debatidas, elaboradas e
executadas por uma pequena elite administrativa e política em Nova Deli, elas
passaram agora a ser alvo de intenso escrutínio a nível público, regional e
local. O analista Pratap B. Mehta nota, por isso, que «o poder na Índia está
mais descentralizado do que nunca. Passo a passo, estão a transferir-se mais
funções para governos locais»6.
Os governos regionais têm agora as suas próprias políticas de atracção de
investimento estrangeiro, políticas de relacionamento com as suas respectivas
diásporas e outras formas de moldarem as relações externas da Índia. A
descentralização da riqueza criada pelas reformas económicas deu origem a novos
grupos de interesse e lóbis que, a nível regional, seja no Gujerate, Haryana,
ou em Bombaim e Bangalore, conseguem influenciar, e por vezes mesmo determinar,
as políticas públicas nacionais. O efeito natural é um processo de decisão mais
complexo, com mais constituintes e maior escrutínio público e, por conseguinte,
muito menos célere.
Por fim, no plano social, o descontentamento com a «paralisia governamental»
explica-se também com o novo papel dos media7. A imprensa sempre teve um papel
influente na democracia indiana. Mas a chegada de canais de televisão privados
nos anos 1990, a emergência de um novo jornalismo tabloide, e o acesso à
internet incrementou esta influência de forma inédita. O jornalismo político
indiano «à antiga», prevalecente até aos anos 1990 e com forte influência
britânica, baseava-se numa dezena de editores sediados em Nova Deli, com
audiências regionais restritas em Bombaim (Times of India), no Sul (The Hindu)
ou em Calcutá (The Telegraph). Com a chegada da televisão privada, tudo se
alterou: o momento mais simbólico foi a guerra com o Paquistão de 1999, em que
se fizeram os primeiros directos «sensacionalistas» ao sopé dos picos dos
Himalaias enquanto soldados indianos e paquistaneses trocavam fogo mortal.
Desde então, os directos, as notícias de última hora, os escândalos exposé e os
ferozes debates passaram a fazer parte habitual do típico programa de jantar da
crescente classe média indiana.
De forma semelhante, a imprensa procura satisfazer esta nova sede com uma
cobertura muito mais agressiva, assumindo o seu papel de watchdog quase
missionário e muitas vezes partidário, em prol da sociedade civil. Responsáveis
governamentais e políticos são assim muitas vezes denunciados, acusados e mesmo
humilhados em directo, como se de um julgamento sumário em praça pública se
tratasse. Os resultados para os processos de tomada de decisão governamental
são evidentes: nunca a opinião pública influenciou e determinou tanto a agenda
política e governamental. Nunca a democracia, neste caso muitas vezes directa,
condicionou e desacelerou tanto os processos de decisão, seja em questões
económicas ou de política externa ' tanto para bem, como para mal.
QUANDO A DEMOCRACIA SE INTROMETE
Alguns casos concretos servem para demonstrar como estes vários factores têm
condicionado, e por vezes mesmo bloqueado, decisões governamentais com
importantes implicações para as relações internacionais e a política externa da
Índia. São estes os episódios que mais têm estimulado a ansiedade indiana em
relação ao seu regime político pluralista e as vozes preocupadas com o efeito
que uma suposta «demasiada democracia» está a ter na capacidade de o país se
desenvolver eficientemente, bem como responder de forma eficaz a ameaças
externas.
Depois de diversos estudos, em 2012, o Governo anunciou finalmente a decisão de
aumentar a quota máxima de investimento estrangeiro no sector do retalho para
51 por cento, o que foi imediatamente contestado por vários partidos da
oposição. Devastador para esta medida foi, no entanto, o ultimato imposto por
um dos principais partidos da própria coligação governamental, o Trinamool
Congress (TC), liderado pela carismática Mamata Banerjee. Esta oposição
reflecte a sua busca de popularidade a nível nacional, para além do estado do
Bengala Ocidental, onde o seu partido governa depois de ter derrotado, em 2011,
um dos mais antigos governos comunistas democraticamente eleitos no mundo
(estavam no poder há trinta e quatro anos).
Dependendo deste apoio parlamentar, mas ao mesmo tempo pressionado a acelerar
as reformas económicas, o Governo hesitou e decidiu por fim adiar a medida,
anunciando uma série de estudos independentes. Só em inícios de 2013, já depois
de o TC de Banerjee ter executado o seu ultimato e abandonado a coligação, a
medida avançou, mas com diversas cláusulas e limitações, incluindo uma
prerrogativa que permite a cada estado implementar a nova legislação ou não. O
resultado lato de mais de um ano de negociações: uma liberalização económica
deficiente e implementada de forma parcial, restrita a alguns estados, e um
governo federal ainda mais enfraquecido na sua capacidade reformadora. Enquanto
isso, na vizinha China, o limite máximo de investimento externo manteve-se
desde 1992, durante doze anos, nos 26 por cento, sendo depois progressivamente
elevado em 2004 até 51 por cento, com grandes benefícios económicos. Mas na
Índia a mera ambição individual de uma personalidade política e de um pequeno
partido regional (3,2 por cento dos votos nas eleições nacionais de 2009)
conseguiram minar uma reforma económica crucial que teve um impacto
extremamente negativo no clima de investimento e na imagem internacional da
Índia8.
Um segundo caso diz respeito à forma como a Índia abordou a intervenção
internacional na Líbia em Março de 2011 e a continuada guerra civil na Síria.
Em ambos os caso, a Índia mostrou grande relutância em apoiar as iniciativas
americanas, com parcial apoio europeu, seja no caso da intervenção militar na
Líbia ou em relação a sanções económicas contra o regime sírio. No cálculo
diplomático indiano imperaram (e continuam a imperar) diversos factores: a
feroz oposição russa e chinesa, a histórica relação com os estados árabes, o
acesso a recursos energéticos e outros interesses económicos e, no caso da
Líbia em particular, a segurança de quase 20 mil cidadãos indianos ali
radicados. Um factor de peso no plano doméstico, no entanto, é representado
pela imensa minoria muçulmana estimada em quase 200 milhões de pessoas, que faz
da Índia o país com a maior minoria muçulmana e, de acordo com diversas
estimativas para 2030, possivelmente também o país do mundo com o maior número
de muçulmanos (actualmente, ainda a Indonésia).
Para além do estado de Jamu e Caxemira, o único de maioria muçulmana, há várias
dezenas de distritos eleitorais em que esta minoria religiosa ' que tende a
votar em bloco a favor do Partido do Congresso ou partidos regionais ' assume
uma importância crucial nos resultados eleitorais, especialmente tratando-se de
um sistema eleitoral uninominal em que um mero ponto percentual pode fazer toda
a diferença na eleição de quem irá ocupar um lugar no Parlamento. Representados
por facções dentro do Partido do Congresso, mas também noutros partidos
regionais como o Samajwadi Party e diferentes organizações e federações
nacionais islâmicas, estes interesses pressionam e conseguem, muitas vezes,
também influenciar a política externa indiana a adoptar uma posição
conservadora e mesmo hostil em relação a intervenções externas em países do
mundo árabe e islâmico. Para além dos casos da Líbia e da Síria, este factor
também pesou fortemente nas decisões de Nova Deli em não apoiar as duas guerras
contra o Iraque e continua a pesar na sua abordagem ao Irão9.
Um caso mais recente respeita aos interesses dos partidos regionais do estado
do Tamil Nadu, no Sul da Índia, que nutrem grande simpatia pela causa
separatista dos seus conterrâneos da minoria (hindu) tamil no Sri Lanka de
maioria budista. Tal como no caso de Mamata Banerjee e do seu Trinamool
Congress, também neste caso o Dravida Munnetra Kazhagam (DMK), um dos
principais constituintes da coligação governamental liderada pelo Partido do
Congresso, procurou pressionar em 2013 o executivo a denunciar o Sri Lanka nas
Nações Unidas por supostos abusos de direitos humanos durante a operação em que
as suas Forças Armadas, em 2009, derrotaram os insurgentes separatistas e assim
terminaram quase três décadas de guerra civil.
Em concreto, o DMK exigia que a diplomacia indiana convencesse outros estados a
aprovar a inclusão do termo «genocídio» numa resolução a adoptar pelo Conselho
de Direitos Humanos das Nações Unidas respeitante aos eventos de 2009 e à forma
como o Sri Lanka então tratou os civis de minoria tamil. Com os seus meros 18
representantes no parlamento federal (1,8 por cento dos votos nas eleições de
2009, num parlamento com 545 representantes), o DMK conseguiu contudo
mediatizar a questão durante várias semanas, obrigando mesmo à interrupção e
suspensão dos trabalhos parlamentares por diversas ocasiões. Para além da
solidariedade religiosa e étnica e da defesa dos princípios de democracia e
direitos humanos que o DMK professava exigir à diplomacia indiana, o real
motivo desta oposição foi, no entanto, galvanizar a base de apoio do partido no
Tamil Nadu e abafar uma greve estudantil apoiada pela oposição regional.
A nível nacional, no entanto, a questão ganhou tamanha visibilidade que iniciou
um debate sobre o papel dos direitos humanos na política externa e também sobre
o crescente poder de veto de pequenos partidos regionais em questões de
interesse nacional. Para analistas e comentadores, este foi mais um caso típico
em que as políticas públicas e a postura externa da Índia se renderam a
mesquinhos interesses regionais motivados por um paroquialismo e provincianismo
com graves consequências para o desenvolvimento económico e a segurança do
país. Por exemplo, para um antigo secretário-geral da diplomacia indiana,
Krishnan Srinivasan, «as políticas de coligação tornaram o centro federal
complacente [em matérias de política externa], permitindo que prioridades
nacionais sejam ultrapassadas pela política regional, subnacional e
doméstica»10.
Esta análise assumiu particular importância dado o contexto geopolítico em que
a China cimenta a sua presença económica e militar na vizinhança regional da
Ásia, onde Nova Deli sempre se apresentou como única e exclusiva potência
hegemónica ' seja no Nepal, no Bangladesh ou no Sri Lanka. A imensa pressão
doméstica do DMK teve sucesso em obrigar a diplomacia indiana a assumir uma
posição forte nas Nações Unidas mas ' como a resolução final não acabou por
incluir o termo «genocídio» ' em Março de 2013 o DMK acabou mesmo por realizar
a sua ameaça e retirou-se da coligação governamental, que ficou ainda mais
fragilizada. E o Governo assim também ainda mais dependente dos restantes
partidos minoritários.
Em todos estes três casos é patente a forma como na Índia: a) a capacidade
governamental de aprovar e implementar políticas públicas e uma política
externa coerente e coesa é constrangida pela complexa coligação partidária de
que depende; b) como essa capacidade tem sido continuadamente limitada e
reduzida, dado o crescente poder de veto de partidos regionais e outros
interesses minoritários; e c) como alguma opinião pública se demonstra
preocupada com estes desenvolvimentos, apontando para o supostamente exemplo
contrastante da China em que o processo de decisão político é imune a pressões
tão típicas numa democracia federal e multipartidária.
A consequente ansiedade é reflectida nas palavras de Siddharth Singh, editor do
diário económico The Mint, que se insurge contra um excessivo federalismo e
democracia e, portanto, observa que «qualquer esforço visando a democratização
da política externa irá conduzir à sua incoerência ou, pior ainda, à sua
desintegração»11.
A INSUSTENTÁVEL SATISFAÇÃO CHINESA
Não sendo este o espaço para uma análise comparativa detalhada, é contudo
interessante observar o sentimento contrastante na China sobre algumas destas
questões e ansiedades indianas. Do outro lado dos Himalaias a realidade é
bastante diferente em termos de regime político ' autoritário, assente num
estado relativamente mais forte e centralizado ' mas o debate é igualmente
intenso, mesmo que nem sempre público12.
Entre os intelectuais chineses, e muitos dos seus compatriotas sinólogos no
estrangeiro, é muitas vezes confidenciada a título privado a preocupação de que
a China terá «democracia a menos». Este é também um sentimento muitas vezes
expresso entre as gerações mais novas de chineses, especialmente aqueles que se
deslocam para o estrangeiro. Subsistem, no entanto, três narrativas
fundamentais e históricas que moderam esta recente preocupação.
Primeiro, a típica retórica do desenvolvimento económico como prioridade
absoluta que deve anteceder a abertura política. Esta sequência é assim vista
como sendo não só uma mera preferência, mas uma necessidade absoluta:
liberalizando o regime político antes da economia conduziria a China a uma
instabilidade e caos que colocaria em risco os bens públicos (segurança,
educação) mais elementares ao desenvolvimento económico.
Associada a esta narrativa está a forma condescendente com que muitos chineses,
em particular as elites políticas e económicas, olham para a Índia. Nesta
perspectiva chinesa quase orientalista, com paralelo na forma como o
colonialismo ocidental olhava para a «Ásia espiritual» de outrora, a Índia
democrática e federal representa o cúmulo do pluralismo e caos político que
trava qualquer desenvolvimento económico e é incapaz de se autogovernar de
forma eficiente. Esta visão é reforçada pela narrativa da China como Estado-
civilização que reincarna o grande Império do Meio, é liderada por uma elite
iluminada, se apresenta como a mais alta representante de «valores asiáticos»,
e se encontra rodeada por uma periferia culturalmente inferior e bárbara
composta por estados historicamente tributários.
É esta percepção que enviesa até os seus intelectuais mais liberais, incluindo
Yan Xuetong e a sua ideia bem confuciana de que a China deve assumir um papel
de liderança no sistema internacional por via da projecção de «autoridade
humana» (por contraste a uma suposta «autoridade inumana» por parte dos Estados
Unidos e outras potências, subentenda-se)13. Nesta cultura estratégica
conservadora, é natural que a Índia seja vista não só como culturalmente
inferior, mas também politicamente incapaz de assumir qualquer papel de
liderança internacional.
Há ainda uma terceira narrativa conservadora que responde à questão da possível
necessidade (ou preferência) de a China liberalizar o seu regime político.
Nesta perspectiva alternativa, em voga até entre alguns sinólogos ocidentais
como Daniel Bell, a China já é democrática, mas num sentido alternativo, e não
convencionalmente «ocidental»14. Assente na ideia da meritocracia dos seus
serviços administrativos e públicos, num entendimento colectivo (e não
estritamente individualista) de direitos políticos, esta leitura alternativa
apresenta o regime político liberal democrático como uma produção ocidental,
pouco adequada aos valores culturais chineses (e asiáticos, por extensão)15. Na
óptica mais negativa, a agenda «democrática» internacional e as pressões dos
Estados Unidos ou da União Europeia sobre a China em relação à defesa dos
direitos humanos, das minorias e do pluralismo político, são um mero
instrumento hegemónico com que o «Ocidente», e os Estados Unidos em particular,
procuram desacelerar e boicotar o desenvolvimento da China como a próxima
superpotência.
Porém, para além destas três narrativas, os analistas mais pragmáticos ' e pelo
menos parte da elite governativa ' reconhecem, certamente com preocupação, que
a China sofre de um défice democrático e de que até a gaiola mais dourada
poderá não ser suficiente para as ambições das novas gerações. Esta preocupação
está assente em três novas realidades domésticas e geopolíticas, que demonstram
como o actual contexto é profundamente diferente daquele em que Mao iniciou as
reformas em 1978.
Primeiro, como amplamente noticiado mesmo pelos media mais conservadores
chineses, existe uma pressão inédita por parte das gerações mais novas de
chineses. Para além da tradicional resistência ao regime, seja estudantil ou
nos círculos intelectuais, a proliferação da acessibilidade às novas
tecnologias de informação possibilitou a estas novas gerações não só um
contacto quase directo com a realidade externa em países democráticos, mas
também o contacto entre si, com uma consequente capacidade de mobilização e
protesto que era inimaginável há pouco mais de dez anos.
Mas ao contrário do que é muitas vezes assumido por analistas estrangeiros de
inclinação liberal, isto não significa necessariamente que estas novas gerações
sejam, por isso, automaticamente contagiadas pelo espírito democrático
americano, europeu ou indiano. Pelo contrário, muitos jovens chineses defendem
mesmo a continuada liderança autoritária como a única forma de manter o seu
país numa trajectória de crescimento. Porém, ao mesmo tempo, são estas as
mesmas gerações que alimentam de forma viral as novas redes de comunicação com
protestos e pedidos de maior transparência e representatividade de forma a
combater questões concretas como a corrupção e o nepotismo crónico, seja a
nível central, regional ou local. Para Pequim, este é um desafio monumental '
por mais sondagens secretas que o regime realize, estas nunca atingirão a
precisão e os níveis de confiança que só as eleições abertas, e democráticas
podem oferecer.
Segundo, no plano externo, depois de nos inícios de 2000, na sua busca por
alianças estratégicas e recursos naturais, a China ter tido uma particular
apetência por outros regimes autoritários ' Irão, Paquistão, Sudão, Zimbabwe ou
Myanmar ' há fortes indícios de que Pequim reconheceu agora os limites deste
tipo de associações16. Uma das consequências negativas foi, por exemplo, o
efeito oposto entre os seus estados vizinhos democráticos, onde têm
repetidamente surgido apelos a um eixo de contenção democrático composto de
forma variada pela Índia, Japão, Coreia do Sul, Indonésia, Filipinas ou a
Austrália. Uma das iniciativas mais simbólicas foi a (agora defunta) Iniciativa
Quadrilateral criada em 2005, um diálogo de segurança entre a Índia, o Japão, a
Austrália e os Estados Unidos que prontamente evocou protestos por parte da
China. Mais recentemente, esta ideia foi ressuscitada pelo primeiro-ministro
japonês Shinzo Abe com referência a um «diamante democrático de segurança» na
Ásia, cobrindo os mares entre a Índia, a Austrália, o Japão e o estado
americano do Hawai17.
Por fim, uma última transformação respeita o novo contexto político desde o fim
da Guerra Fria com uma liberalização acelerada de vários regimes conservadores,
incluindo o poderoso simbolismo da Primavera Árabe. Há trinta anos, a Índia
democrática era uma rara excepção numa Ásia ainda dominada por uma imensa
variedade de regimes autoritários civis, militares e mesmo teocráticos,
incluindo o Paquistão de Zia ul-Haq, a Indonésia de Shuharto e a Coreia de Park
Chung-hee. Hoje, perante o que Samuel Huntington teria provavelmente chamado a
quarta vaga democrática, é a China que se apresenta como excepção num
continente que vive níveis inéditos de liberdade política18. O Paquistão acaba
de testemunhar a sua primeira alternância de um governo democraticamente eleito
desde 1947, e a Indonésia, as Filipinas e a Coreia do Sul estão igualmente num
processo de consolidação democrático, ao mesmo tempo que até Singapura e a
Myanmar procuram liberalizar os seus históricos regimes. Perante esta
vizinhança em acelerada transformação política, e o fantasma do repentino
colapso da União Soviética em 1991, é natural que a liderança em Pequim se
preocupe com o novo e procure formas de superar o seu défice político,
especialmente num contexto de continuada recessão económica internacional. Se
já é complicado lidar com pressões sociais numa «gaiola dourada», é ainda mais
difícil fazê-lo numa «gaiola enferrujada», em que o crescimento económico
desacelera e se defraudam grandes expectativas.
DO FUTURO DA DEMOCRACIA NA ÁSIA
Este breve ensaio limitou-se a identificar as principais linhas de debate e
ansiedade que motivam muitos indianos na sua relação com o seu regime político
democrático e de que forma este poderá estar a influenciar negativamente a
capacidade de a Índia aprovar e implementar políticas públicas ' internas e
externas ' essenciais ao desenvolvimento económico e seus interesses nacionais.
Do mesmo modo, analisou-se brevemente de que forma, do lado chinês, se entende
a atractividade e exequibilidade de um regime mais democrático, bem como as
novas pressões ' tanto internas como externas ' a favor de uma maior
liberalização política que a liderança em Pequim agora enfrenta.
De ambos os lados dos Himalaias, este é um debate crucial, com imensa
relevância para o resto da Ásia: que modelo sairá vitorioso? Um Estado
autoritário e centralizado de tradição dirigiste que orienta uma economia de
mercado e oferece a segurança de uma liderança incontestada, supostamente
racional e iluminada? Ou um Estado democrático e descentralizado assente num
regime federal, com menor capacidade intervencionista na economia e sociedade,
mas representativo de uma complexa diversidade de opiniões e identidades? Mais
do que um debate objectivo sobre qual destes modelos será capaz de vencer no
campo económico, em termos de estrita performance material, este é também um
debate profundamente ideológico que espelha preferências éticas e princípios
morais19.
Para além desse debate subjectivo, podemos e devemos, no entanto, fazer duas
observações ' uma histórico-comparativa, e a outra teórica. Primeiro, longe de
inédito, este é um debate bem antigo sobre a natureza da relação entre regime
político e bem-estar económico. São as democracias, pelo menos a curto prazo,
mais vulneráveis a ameaças externas, mais lentas, emocionais e menos capazes de
se organizarem e defenderem adequadamente? De igual modo, são os regimes
autoritários, pelo menos a curto prazo, mais capazes, racionais e céleres na
defesa e prossecução dos seus interesses nacionais no plano externo? Invertendo
a lógica, e alargando a análise no tempo ' a longo prazo ' são as democracias
mais sustentáveis porque habituadas a lidar de forma continuada e pacífica com
divergências e oposição interna, enquanto os regimes autoritários
necessariamente atravessam um momento de ruptura política violenta e
consequente instabilidade?
O mais recente exemplo que temos deste debate entre as grandes potências é nos
Estados Unidos entre os anos 1930 e 1960. Enfrentando primeiro uma Europa
minada por regimes autoritários e depois o totalitário colosso soviético,
americanos como Walter Lippman exprimiam uma profunda ansiedade com a crescente
democratização das políticas públicas, em particular da política externa. A
politização democrática do Governo americano, por via de uma nova classe média
em rápida expansão e com crescente influência, obrigou as elites governativas
de Washington a repensar os seus tradicionais processos de decisão '
restringidos, exclusivos e pouco transparentes ' e a habituar-se a uma
audiência verdadeiramente popular, muito mais interessada e influente. A
própria figura da presidência reflectiu essas expectativas em relação a uma
liderança forte e carismática.
É assim natural que, justamente num contexto em que a Alemanha nazi ou a União
Soviética prometiam modelos radicalmente divergentes, assentes em regimes
fechados e autoritários, comentadores influentes como Lippmann vissem o regime
democrático como um empecilho e mesmo uma ameaça aos interesses e segurança
nacional dos Estados Unidos20. A opinião pública americana era vista como
«ignorante» e demasiado «emocional» para um país que precisava de uma política
«inteligente» e «racional», preferencialmente nas mãos de uns poucos
especialistas que pudessem desenvolver a estratégia perfeita para enfrentar a
ameaça autoritária.
Uma segunda observação, de carácter mais teórico, diz respeito à capacidade do
Estado, independentemente do regime político adoptado21. Esta é uma distinção
importante, porque nem a mais liberal democracia poderá resistir a longo termo
se dependente de um Estado fraco, incapaz de gerar crescimento económico e bens
públicos essenciais que são exigidos pelos seus cidadãos. Ao mesmo tempo, de
forma contrária, nem o mais eficiente e forte Estado autoritário poderá
resistir a longo termo às naturais e crescentes pressões de cidadãos saciados
materialmente, mas insatisfeitos com as suas liberdades políticas. Este é um
trade-off complexo, mas crucial para compreender as futuras trajectórias da
China e da Índia no que concerne a relação Estado-sociedade.
De um lado, em Pequim, temos assim um regime autoritário, centralizado e
fechado, mas com um Estado relativamente mais forte, capaz e eficiente na
geração e distribuição planeada da riqueza. E, do outro lado, em Nova Deli,
temos um Estado relativamente mais fraco, menos capaz e bastante ineficiente na
execução das suas políticas públicas e dos interesses nacionais, mas assente na
robusta legitimidade de um regime democrático, descentralizado e pluralista,
habituado a lidar com complexidade, diversidade e oposição. Só o tempo dirá de
que lado dos Himalaias irá florescer ou morrer a democracia na Ásia.
Data de recepção: 8 de Abril de 2013 | Data de aprovação: 31 de Maio de 2013
NOTAS
1
A pedido do autor este texto não adopta as normas do Novo Acordo Ortográfico.
2
Para uma boa introdução a esta nova ansiedade indiana, ver MISHRA, Pankaj '
«How India is turning into China». In The New Republic, 21 de Dezembro de 2012.
[Consultado em: 23 de Maio de 2013]. Disponível em: http://www.newrepublic.com/
article/politics/magazine/111367/how-india-turning-china
3
Para um debate alargado sobre as origens e causas do sucesso democrático da
Índia, cf. KOHLI, Atul ' The Success of India's Democracy. Cambridge: Cambridge
University Press, 2001.
4
SHIVAKUMAR, Girija ' India Is Set to Become the Youngest Country by 2020. In
The Hindu. [Consultado em: 23 de Maio de 2013]. Disponível em: http://
www.thehindu.com/news/national/india-is-set-to-become-the-youngest-country-by-
2020/article4624347.ece
5
MEHTA, Pratap B. ' «How India stumbled». In Foreign Affairs. Julho-Agostode
2012, pp. 64-75.
6
Ibidem.
7
Para uma boa perspectiva não só sobre o novo papel dos media, mas também das
empresas e da sociedade civil na política externa indiana, ver o relatório de
MALIK, Ashok, e MEDCALF, Rory ' India's New World: Civil Society in the Making
of Foreign Policy. [Consultado em: 23 de Maio de 2013]. Disponível em: http://
lowyinstitute.cachefly.net/files/pubfiles/
Malik_and_Medcalf,_India's_new_world_web.pdf
8
Um exemplo deste impacto é visível nesta cobertura noticiosa do New York Times
sobre como Mamata Banerjee e outros líderes regionais conseguem obstruir
importantes reformas: YARDLEY, Jim ' «Rise of regional bosses raises questions
on India's economy». In New York Times. [Consultado em: 23 de Maio de 2013].
Disponível em: http://www.nytimes.com/2012/09/27/world/asia/rise-of-regional-
bosses-raises-questions-on-indias-economy.html
9
Para uma análise detalhada destes argumentos em relação à guerra civil na
Síria, cf. JHA, Prem Shankar ' «India must think before it acts on Syria». In
The Hindu. [Consultado em: 23 de Maio de 2013]. Disponível em: http://
www.thehindu.com/opinion/lead/india-must-think-before-it-acts-on-syria/
article3735156.ece?_homepage=true
10
SRINIVASAN, Krishnan ' «The centre cannot hold ' New Delhi's dilemma over a
federal foreign policy». InThe Telegraph, 25 de Fevereiro de 2013. [Consultado
em: 23 de Maio de 2013]. Disponível em: http://www.telegraphindia.com/1130225/
jsp/opinion/story_16563052.jsp
11
SINGH, Siddharth ' India as a Soup of States. [Consultado em: 23 de Maio de
2013]. Disponível em: http://www.livemint.com/Page/Id/2.0.1448638397
12
Para uma introdução aos principais argumentos a favor e contra a
sustentabilidade do autoritarismo chinês, ver o debate entre Eric X. Li («The
life of the Party: the post-democratic future begins in China») e Yasheng Huang
(«Democratize or die: why China's Communists face reform or revolution») nas
páginas da edição de Janeiro-Fevereiro de 2013 da revista Foreign Affairs.
13
Ver a entrevista com Yan Xuetong, «Yan Xuetong on Chinese Realism, the
Tsinghua School of International Relations, and the impossibility of harmony».
[Consultado em: 23 de Maio de 2013]. Disponível em: http://www.theory-
talks.org/2012/11/theory-talk-51.html
14
BELL, Daniel, e LI, Eric ' «In defence of how China picks its leaders».
[Consultado em: 23 de Maio de 2013]. Disponível em: http://www.ft.com/intl/cms/
s/0/903d37ac-2a63-11e2-a137-00144feabdc0.html
15
JIANG, Quing, e BELL, Daniel ' «A Confucian constitution for China». In New
York Times. [Consultado em: 23 de Maio de 2013]. Disponível em:http://
www.nytimes.com/2012/07/11/opinion/a-confucian-constitution-in-china.html
16
KLEINE-AHLBRANDT, Stephanie, e SMALL, Andrew ' «China's new dictatorship
diplomacy: is Beijing parting with pariahs?». In Foreign Affairs, 2008, pp. 38-
56.
17
ABE, Shinzo ' «Asia's democratic security diamond». [Consultado em: 23 de Maio
de 2013]. Disponível em: http://www.project-syndicate.org/commentary/a-
strategic-alliance-for-japan-and-india-by-shinzo-abe
18
Segundo o índice anual da Freedom House, nos últimos cinco anos nenhuma outra
região do mundo fez maior progresso democrático do que a Ásia-Pacífico: http://
www.freedomhouse.org/regions/asia-pacific.
19
Para alguns, incluindo o colunista Steven Rattner do New York Times, a corrida
já terminou, com uma vitória clara para a China: RATTNER, Steven ' «India is
losing the race». In The New York Times, 19 de Janeiro de 2013. [Consultado em:
23 de Maio de 2013]. Disponível em: http://opinionator.blogs.nytimes.com/2013/
01/19/india-is-losing-the-race/. Para uma resposta, cf. ROYLANCE, Tyler '
«Thoughts on India from communist China's capitalist superfan». In Freedom at
Issue Blog, 23 de Janeiro de 2013. [Consultado em: 23 de Maio de 2013].
Disponível em: http://www.freedomhouse.org/blog/thoughts-india-communist-
china%E2%80%99s-capitalist-superfan
20
Para uma excelente perspectiva sobre como estas ansiedades influenciaram o
pensamento da época entre académicos, diplomatas e comentadores americanos,
incluindo Walter Lippmann, Hans Morgenthau, Reinhold Niebuhr e George Kennan, e
a influência posterior sobre o teórico neo-realista Kenneth Waltz, cf.
WILLIAMS, Michael C. ' «The politics of theory: Waltz, realism, and democracy».
In BOOTH, Kenneth ' Realism and World Politics. Nova York: Taylor &
Francis, 2011.
21
Esta abordagem analisa a capacidade (poder) do Estado em extrair recursos da
sua sociedade e território, bem como mobilizar e distribuir estes recursos de
forma eficiente. Um indicador comum no plano económico é a capacidade
extractiva fiscal do Estado, ou seja, a percentagem da população que paga os
impostos devidos. Cf. FUKUYAMA, Francis ' State-building: Governance and World
Order in the 21st Century. Nova York: Cornell University Press, 2004.
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