A emergência do modelo de desenvolvimento chinês
Num curto espaço de três décadas a China volta a seruma das maiores potências
económicas globais1. Em 2030, e assumindo os valores da paridade de poder de
compra (PPC) de 2005, estima-se que passará a ser a primeira economia do mundo
responsável por 28 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial2. Desde
que, em 1979, a China sob a liderança da Deng Xiaoping, decidiu implementar um
conjunto de reformas económicas e abrir-se ao investimento e comércio externos,
que o crescimento real do PIB alcançou uma média anual de dez por cento. A
China é agora, a nível mundial, a líder no setor industrial, a maior
exportadora e segunda maior importadora de mercadorias, o segundo maior destino
para o investimento direto estrangeiro (ide), a maior detentora de reservas em
moeda estrangeira e a maior credora3. Este artigo procurará analisar, primeiro,
os fatores por detrás da ascensão económica da China, segundo, o seu impacto na
governação económica global e, finalmente, como é que este sucesso trouxe novos
desafios domésticos e internacionais.
A PEGADA ECONÓMICA GLOBAL DA CHINA
O impacto global da reemergência económica da China pode ser analisado segundo
quatro grandes áreas: comércio, consumo energético, investimento e ajuda ao
desenvolvimento.
Em termos comerciais, em 2011, a China tornou-se a maior produtora mundial de
mercadorias4. O Global Manufacturing Competitiveness Index de 2013 colocou a
China como a nação mais competitiva para os presidentes e líderes de 550
empresas de manufatura sondados pela consultora Deloitte e prevê que se
mantenha nessa posição nos próximos cinco anos5. Entre 1979 e 2012, as
exportações de mercadorias chinesas aumentaram de 14 mil milhões para 2,1
biliões de dólares, enquanto as importações, durante este mesmo período,
cresceram de 18 mil milhões para 1,7 biliões de dólares. Entre 1990 e 2012, o
crescimento médio anual das exportações e importações chegou aos 18,1 por cento
e 17,1 por cento, respetivamente. Entre 2004 e 2008, o superavit comercial da
China cresceu de 32 mil milhões para 297 mil milhões de dólares, tendo descido
fortemente para 158 mil milhões de dólares entre 2009 e 2011, em consequência
do abrandamento da economia global. Em 2012, o superavit voltou a crescer para
233 mil milhões de dólares. Em 2009, a China ultrapassou a Alemanha para se
tornar a maior exportadora e segunda maior importadora de mercadorias (logo
atrás dos Estados Unidos)6.
Em 2012, os principais parceiros da China foram: a União Europeia (todos os 27
membros), os Estados Unidos, a Associação de Nações do Sudeste Asiático ou
ASEAN (composta pelo Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Myanmar, Malásia,
Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietname), Japão, Hong Kong, Coreia do Sul e
Taiwan7. De acordo com números oficiais chineses, a China teve os superavits
mais altos com Hong Kong (306 mil milhões de dólares), Estados Unidos (224 mil
milhões de dólares) e União Europeia a 27 (122 mil milhões de dólares) e os
piores défices comerciais com Taiwan (95,4 mil milhões de dólares), Coreia do
Sul (79 mil milhões de dólares) e Japão (26,2 mil milhões de dólares)8. As
principais exportações chinesas incluem maquinaria elétrica, máquinas
(incluindo computadores), têxteis e mobiliário enquanto as suas importações são
maquinaria elétrica, combustíveis, máquinas e minérios9. Para um país que
entrou na Organização Mundial do Comércio (OMC) apenas em 2001, estes números
revelam bem o seu rápido sucesso comercial.
Para manter o seu ascendente comercial, o Governo chinês tem procurado seguir
uma política ativa de promoção de laços comerciais e de investimento em todo o
mundo, em particular com países asiáticos. A China tem atualmente acordos de
comércio livre com a ASEAN, Paquistão, Chile, Hong Kong, Macau, Nova Zelândia,
Singapura, Peru, Costa Rica e Islândia (o primeiro país europeu a ter este tipo
de acordo com a China). Em maio de 2012, a China, Japão e Coreia do Sul
começaram as negociações para um acordo de comércio livre na área. E em
dezembro de 2012, a China juntou-se aos dez membros da ASEAN, Japão, Coreia do
Sul, Índia, Austrália e Nova Zelândia para acordar o início de negociações para
a criação de uma Parceria Económica Regional na Ásia Oriental, uma proposta
original de Tóquio, e que, se concluída, constituirá o maior bloco comercial
livre juntando três mil milhões de pessoas e um PIB conjunto de 17 biliões de
dólares10.
Em termos de consumo energético, o acelerado crescimento económico chinês
acabou por estimular crescentes necessidades em termos energéticos, como
petróleo e carvão, tendo essa procura sido determinante para a definição dos
preços energéticos no mercado internacional. De acordo com a Agência para a
Informação Energética (EIA), dos Estados Unidos, a China é o maior consumidor
de energia a nível global11. De tal forma, que o impacto das aquisições por
parte das empresas chinesas e o seu investimento em tecnologias de prospeção
menos convencionais começam a transformar o setor petrolífero. A Agência
Internacional de Energia (AIE) calcula que a China está a caminhar rapidamente
para produzir petróleo suficiente fora das suas fronteiras rivalizando desta
forma com membros da OPEC, como o Koweit ou os Emirados Árabes Unidos12. O
Médio Oriente e o continente africano têm sido as regiões mais beneficiadas com
esta procura energética por parte da China.
A importância da África Subsariana para a China, como fornecedora de matérias-
primas e fontes energéticas, foi realçada quando o novo presidente chinês Xi
Jinping escolheu o continente para a sua primeira visita ao exterior13. A China
é hoje o principal parceiro comercial da África Subsariana, com as trocas
comerciais a crescerem de cerca de 10,8 mil milhões de dólares em 2001 para
150,3 mil milhões em 2011. Enquanto a China exporta para o continente
equipamento de comunicações, máquinas, produtos eletrónicos e veículos, as suas
importações estão essencialmente concentradas no petróleo (64 por cento), ferro
e outros minérios (16 por cento) e cobre (seis por cento). As empresas
chinesas, quer estatais, quer privadas, têm vindo a investir fortemente nestes
setores em África como forma de diversificar e assegurar o fornecimento ao país
destas matérias-primas14.
Ao nível do investimento, em 2011 a China era o segundo maior destino de
investimento direto estrangeiro, ou ide, com cerca de 124 mil milhões de
dólares, atrás dos Estados Unidos com 226 mil milhões de dólares15. Depois das
reformas comerciais e de investimento, a entrada de capital estrangeiro começou
a crescer rapidamente a partir de 1990. Estes investimentos têm sido apontados
como determinantes para o forte aumento da produtividade chinesa e rápido
desenvolvimento económico do país. Em 2010 estavam registadas mais de 445 mil
empresas com capital estrangeiro na China que empregavam 55,2 milhões de
trabalhadores ou 15,9 por cento da população urbana16. A importância destas
empresas na produção industrial chinesa tem vindo a crescer, de 2,3 por cento
em 1990 para 27,1 por cento em 2010 (embora em 2003 tenha chegado aos 35,9 por
cento). É ao nível do comércio externo que estas empresas desempenham um papel
mais preponderante. Em 2011, representavam cerca de 52,4 por cento das
exportações da China e 49,6 por cento das importações, embora abaixo dos seus
valores mais altos em 2006 quando atingiram 58,2 por cento para as exportações
e 59,7 por cento para as importações. A principal fonte de ide para a China em
2012 foi Hong Kong (63,8 por cento do total), seguido do Japão, Singapura,
Taiwan e Estados Unidos17.
Mas a China, ela própria, tem vindo a prosseguir uma política de investimento
no exterior, após uma decisão da liderança chinesa de lançar, a partir de 2000,
a estratégia de globalização das empresas chinesas. Esta estratégia também
conhecida por «Vai Global» (no inglês Go Global ou Go Out) destina-se a
encorajar as empresas chinesas (principalmente estatais) a investir no
exterior. As massivas reservas em moeda estrangeira acumuladas nas últimas
décadas têm servido como fonte de financiamento desta estratégia governamental.
A China é hoje, de longe, a maior detentora de reservas em moeda estrangeira
com 3,4 biliões de dólares no primeiro trimestre de 201318. Tradicionalmente
uma percentagem significativa de reservas era investida em ativos relativamente
seguros, mas com baixos retornos, como títulos de tesouro norte-americanos. Mas
nos últimos anos, o Governo chinês tem vindo a diversificar a sua carteira de
ativos na procura de um retorno financeiro mais alto19. Em 2007, Pequim lança
oficialmente a Corporação de Investimento da China (CIC), um dos maiores fundos
soberanos com 200 mil milhões de dólares disponíveis para investimentos
globais.
A necessidade de garantir o acesso a fontes energéticas foi também uma das
principais razões para esta nova estratégia de globalização das empresas
chinesas. O caso do investimento da empresa estatal chinesa Three Gorges na EDP
com a aquisição de uma participação de 21,35 por cento é um dos melhores
exemplos20. Para além do fundo soberano, o papel das instituições financeiras
chinesas na prossecução desta estratégia é particularmente importante. O
Financial Times declarava que em 2009 e 2010, a China, através do Banco de
Desenvolvimento da China (na sigla inglesa, CDB ' China Development Bank) e do
Banco de Exportações e Importações da China (na sigla inglesa, CEIB ' China
Export-Import Bank), já tinha ultrapassado o Banco Mundial nos empréstimos a
países em desenvolvimento. Os dois bancos tinham acordado empréstimos no valor
de 110 mil milhões de dólares contra os 100,3 mil milhões de dólares do Banco
Mundial (via Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento e
Corporação Financeira Internacional)21. Finalmente, esta estratégia passa
também pelo apoio à criação de campeões nacionais, com as suas próprias marcas,
para o mercado global22. E a melhor política para se alcançar esse objetivo tem
sido o investimento ou compra de empresas estrangeiras para se obter
tecnologia, capacidade de gestão e, muitas vezes, marcas reconhecidas
internacionalmente23. Em consequência desta estratégia, a China é hoje uma das
principais investidoras estrangeiras, tendo os seus investimentos no exterior
subido de 2,7 mil milhões de dólares em 2002 para 77,2 mil milhões de dólares
em 201224. A Capital, um fundo de private equity sediado em Hong Kong, no seu
relatório de 2012, afirmava que a Europa foi em 2012, a principal beneficiária
de investimentos de empresas chinesas tendo recebido 12,6 mil milhões de
dólares, mais do que a Ásia e os Estados Unidos juntos25.
Finalmente, nos últimos dez anos a China tem chamado a atenção pela ajuda
crescente que tem vindo a canalizar para os países em desenvolvimento. Como não
é membro do grupo de doadores da OCDE que seguem um conjunto de regras próprias
de transparência, a natureza da ajuda chinesa tem gerado um grande debate a
nível internacional26. De acordo com o primeiro Livro Branco da Ajuda Pública
ao Desenvolvimento publicado em 2011, a China tinha, até ao final de 2009,
oferecido 40,67 mil milhões de dólares a países estrangeiros. Deste total,
16,85 mil milhões de dólares eram subsídios, 12,14 mil milhões de dólares eram
empréstimos sem taxas de juro e 11,67 mil milhões de dólares empréstimos a
baixo custo. O continente africano foi o principal destino da cooperação
chinesa com 45,7 por cento do total27. Os compromissos contemporâneos da China
com África datam de 2006 com o primeiro Fórum da Cooperação China-África
(FOCAC)28. O Fórum foi criado em 2000 como uma plataforma estabelecida pela
China e países africanos amigos para a consulta coletiva e diálogo, sendo um
mecanismo de cooperação entre países em desenvolvimento. É através do FOCAC que
o Governo chinês tem tentado aliar e coordenar as suas políticas externas,
ajuda e comércio para com África. Aqui, o papel da China não é apenas liderado
pelo Estado, mas também por um rápido e crescente papel do setor privado29.
Para além dos apoios financeiros, a China tem também perdoado a dívida de
países africanos, oferecido assistência técnica, acesso a bolsas e programas de
formação, isenção de tarifas alfandegárias, construção de edifícios (como a da
recentemente inaugurada sede da União Africana em Adis Abeba, Etiópia) ou
oferta de equipamentos30.
GOVERNAÇÃO ECONÓMICA GLOBAL EM MODO STAND-BY
A questão mais imediata em torno da reemergência da China reside precisamente
na forma como irá afetar o sistema de governação económica global tal como
existe desde que foi criado, no final da II Guerra Mundial, pelos Estados
Unidos e os seus aliados europeus. Na base deste sistema estão o Acordo Geral
de Tarifas e Comércio (mais conhecido pela sigla inglesa GATT), o Fundo
Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM). Desde a sua abertura ao
exterior em 1979, a China tem vindo a abraçar e a reconhecer a importância
destas regras e instituições no seu crescimento e na sua integração na economia
mundial31.
Mas a verdade é que jogar apenas pelas regras estabelecidas irá tornar-se uma
estratégia cada vez menos adequada num mundo cada vez mais interligado e onde
se faz sentir progressivamente o impacto da economia chinesa. Por enquanto,
ainda não é bem claro como é que a China poderá assumir um papel mais
preponderante a nível da governação económica global. Se, por um lado, existem
alguns sinais de que a China está a tentar pressionar para uma reconfiguração
das instituições, ideias, regras e normas existentes, por outro, as suas
políticas económicas tendem ainda a servir, acima de tudo, os seus interesses.
A China tem clamado pelo estabelecimento de regras mais justas, claras e
meritocráticas no funcionamento destas organizações multilaterais e de uma
maior abertura para além do pensamento económico mais ortodoxo focalizado no
mercado (reconhecendo, por exemplo, o papel importante que o Estado pode
desempenhar no crescimento da economia) que tem dominado nas suas propostas de
políticas públicas. No FMI e no BM, a seleção dos seus líderes continua a
seguir um conjunto de regras informais que privilegiam a escolha apenas de
norte-americanos ou europeus. As últimas eleições para ambas as organizações
foram elucidativas. Se para o FMI foi escolhida a francesa Christine Lagarde,
ao BM foi parar um norte-americano (ainda que de ascendência asiática, neste
caso sul-coreana), Jim Kim. Mas, pela primeira vez, a China declarou
publicamente que as escolhas de ambas as lideranças deveriam respeitar a regra
do mérito32.
Enquanto a China, apesar das suas declarações, tem mantido um perfil mais
passivo em relação a estas organizações multilaterais tradicionais, o mesmo já
não se pode dizer quanto ao seu envolvimento na criação de instituições que,
embora recentes, poderão vir a ser rivais do FMI e BM e dar-lhe maior espaço de
manobra na governação económica global. Na Ásia, a China tem participado
ativamente na Iniciativa Chiang Mai, um dos primeiros mecanismos financeiros
regionais com recursos de 240 mil milhões de dólares destinados a apoiar os
signatários em caso de instabilidade financeira na região (como a especulação
cambial) e que poderá eventualmente levar à criação de um Fundo Monetário
Asiático (FMA)33. Esta ideia tem vindo a ser maturada desde a crise financeira
regional de 1998 e é vista como uma forma de a região lidar por si própria com
potenciais crises financeiras regionais uma vez que possui grandes quantidades
de reservas em moeda estrangeira e não ficar suBMetida ao FMI. O atual líder da
Iniciativa é chinês e um dos seus objetivos tem sido precisamente reduzir o
envolvimento financeiro atual que a Iniciativa tem junto do FMI. O anúncio em
março de 2013 na cimeira dos BRICs em Durban (África do Sul) de que os cinco
membros (China, Índia, Brasil, Rússia e África do Sul) iam começar as
negociações para se criar um banco de desenvolvimento para apoiar projetos de
infraestruturas é também um sinal de desafio ao BM controlado pelos Estados
Unidos e União Europeia34.
Por outro lado, alguns dos fatores por detrás da reemergência económica da
China como a subvalorização da moeda (renminbi ou RMB), ou a opacidade das
empresas chinesas começam a levantar questões a nível internacional e a
pressionar Pequim a reavaliar as suas estratégias económicas.
Ao nível do comércio, a subvalorização do RMB nos últimos anos tem sido vista
como contribuindo para os superavits comerciais da China. Embora as autoridades
chinesas tenham procedido em 2005 a uma reforma das políticas de câmbio de modo
a revalorizar a moeda, a verdade é que teve pouco efeito na redução do largo e
crescente superavit comercial chinês. Este atraso na modernização das suas
políticas de câmbio é visto como danificador da ordem internacional. A
liderança chinesa tem aceitado abertamente que a mudança é necessária, mas
precisa de mais tempo de modo a não ter um impacto negativo brusco no
crescimento da economia, em termos de output e criação de emprego. Entretanto,
como forma de mitigar os efeitos desta subvalorização do RMB, o Governo chinês
tem procurado internacionalizar o RMB. De acordo com Arvind Subramanian e
Martin Kessler isso já está a acontecer na Ásia Oriental onde se pode falar de
um bloco RMB porque as moedas de sete entre os dez países da região ' incluindo
a Coreia do Sul, Indonésia, Taiwan, Malásia, Singapura e Tailândia ' acompanham
a cotação do RMB de forma mais próxima do que a do dólar norte-americano35. No
entanto, os analistas internacionais não acreditam que tome o lugar do dólar
americano como moeda de valor, de reserva e de troca internacional. A não ser
que a China proceda à liberalização dos seus mercados de capitais e à flutuação
livre da sua moeda.
A nível do investimento, se para o Governo chinês a estratégia de globalização
das empresas chinesas (principalmente estatais) é o caminho para torná-las
competitivas no mercado internacional e ajudar o país a obter os recursos
minerais de que necessita, os Estados Unidos e a Europa começam a ver esta
situação como um desafio sério para as empresas exportadoras norte-americanas e
europeias. No caso dos Estados Unidos, a atitude tem sido de forte
monitorização por parte da Câmara dos Representantes e o último caso envolveu o
setor de telecomunicações do país. A Comissão de Inteligência da Câmara dos
Representantes norte-americana veio recomendar ao Governo e empresas do país
que não recorressem aos serviços das duas principais empresas chinesas de
telecomunicações e que têm vindo a aumentar a sua presença a nível mundial: a
Huawei e ZTE36.
O relatório da Comissão, fruto de uma investigação de um ano, foi claro nas
suas recomendações: o Governo norte-americano e em particular aqueles setores
que trabalham com sistemas informáticos sensíveis devem excluir qualquer
equipamento ou componente com origem na Huawei ou na ZTE e o Comité dos
Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos deve bloquear quaisquer
aquisições ou fusões lideradas pela Huawei ou pela ZTE devido à ameaça que
representam aos interesses de segurança do país37. A Huawei, que se tornou na
primeira metade deste ano, ultrapassando a sueca Ericsson, a maior empresa
mundial no setor das telecomunicações em termos de vendas, já tinha sido
proibida pelo Governo australiano de construir uma rede nacional de banda larga
no valor de 42 mil milhões de dólares australianos38. A justificação: o perigo
da espionagem chinesa e do aumento de crimes informáticos com origem na China.
É difícil dizer se os receios dos norte-americanos, e australianos, são mais
fruto de um protecionismo comercial ou se a questão é mesmo de segurança
nacional. A principal objeção reside na dificuldade em se perceber quem é quem
nas duas empresas (privadas e não estatais) pela opacidade das suas
organizações e possíveis ligações da sua liderança aos militares chineses39.
Por outro lado, na Europa, o atual comissário europeu para o comércio, Karel de
Guch, tem vindo a tentar fortalecer os seus poderes para obrigar as empresas a
cooperarem em investigações na área do comércio. As suas novas propostas
procuram dar resposta à perceção de que as empresas europeias têm vindo a
evitar apresentar queixas em Bruxelas contra as práticas comerciais de empresas
chinesas na União Europeia por recearem represálias (em forma de perda de
acesso ao mercado ou tratamento injusto em termos de regulação) em Pequim40.
OS DESAFIOS DA GOVERNAÇÃO NACIONAL
Se a China conseguirá ou não manter a sua economia a crescer de forma
sustentável nos próximos tempos irá depender da estratégia da nova liderança
que tomou posse em novembro de 2012 durante o 18.º Congresso Nacional do
Partido Comunista da China41. Porque, associada a essa estratégia, segundo a
Caixin, a mais importante revista de negócios chinesa estará, o tempo todo, a
palavra reforma, quer se trate de ser económica, social ou política42.
As capacidades institucionais e políticas por parte da liderança demoram tempo
para serem adquiridas e as responsabilidades para a provisão de bens públicos
são pesadas e difíceis de serem exercidas perante enormes, e de difícil
resolução, desafios domésticos. Numa iniciativa inédita, e como que a oferecer
à futura liderança do país um caminho para a reforma, o BM em conjunto com duas
entidades estatais chinesas ' Ministério das Finanças e Centro de Investigação
do Desenvolvimento do Conselho de Estado ' publicaram antes do verão o
relatório «China 2030: Construindo Uma Sociedade Moderna, Harmoniosa e
Criativa»43.
O extenso relatório propõe seis grandes recomendações: (i) repensar o papel do
Estado e do setor privado para encorajar uma maior competitividade da economia;
(ii) encorajar a inovação e adotar um sistema de inovação aberta com ligações
às redes globais de inovação e investigação; (iii) olhar para a economia verde
como uma significativa e nova oportunidade de crescimento económico; (iv)
promover a igualdade de oportunidades e proteção social para toda a sociedade;
(v) fortalecer o sistema fiscal e melhorar a sustentabilidade fiscal; (vi)
assegurar a continuação da sua integração nos mercados globais.
Se uma maioria da sociedade chinesa está satisfeita com a sua situação
económica, é cada vez maior a preocupação com a corrupção, desigualdades de
rendimento, inflação, poluição e perda de valores tradicionais, tal como diz
uma recente sondagem do Pew Research Center44. Numa economia e sociedade mais
complexa, o trabalho da futura liderança para responder a estas ansiedades da
população não será fácil. Não só porque o poder central de Pequim está longe de
ser o que foi no passado. Mas também porque a legitimidade da elite política,
cultivada através da imagem de uma «boa servidora das massas», está cada vez
mais minada pela recente e rápida divulgação nas redes de media social de casos
de corrupção e enriquecimento dúbio de quem controla a máquina do Estado.
«CONSENSO DE PEQUIM» VS «CONSENSO DE WASHINGTON»
Agora que o papel da China na economia mundial é cada vez mais importante, um
dos seus grandes desafios passa precisamente pela forma como projetar, a nível
global, a sua imagem e poder crescente como país capaz de combinar um sistema
político autoritário e uma economia onde a mão visível do Estado conduz o
mercado. O que ficou conhecido como o modelo chinês de desenvolvimento ou
«Consenso de Pequim»45.
Nos casos europeu e norte-americano, o país está longe de ser bem-visto. No
último inquérito da Transatlantic Trends, lançado em setembro de 2012, uma
sondagem anual sobre as relações transatlânticas, as respostas das opiniões
públicas norte-americana e europeia servem de indicadores para a perceção que
têm sobre a China46. Para 46 por cento dos norte-americanos existem valores
comuns com os chineses (contra 45 por cento que discorda). Mas no velho
continente, 55 por cento dos europeus acreditam que a China tem valores tão
diferentes que é impossível cooperarem entre si. A França (71 por cento), a
Alemanha (63 por cento) e a Suécia (62 por cento) são os países onde se destaca
de forma mais clara essa diferença de valores; 47 por cento dos norte-
americanos dizem que não existem interesses comuns com os chineses na resolução
de problemas internacionais (contra 46 por cento que afirmam haver).
Uma maioria dos europeus (52 por cento contra 39 por cento) considera que a
União Europeia e a China estão longe de ter esses interesses comuns. Novamente
a França (66 por cento) e a Alemanha (59 por cento) encabeçam a lista. Para 59
por cento dos norte-americanos, a China é uma ameaça económica contra 30 por
cento que a vê como uma oportunidade. Os europeus mostraram-se mais divididos:
45 por cento olham para a China como uma ameaça económica contra 42 por cento
que a vê como uma oportunidade. Na Europa são os holandeses (58 por cento),
suecos (58 por cento) e britânicos (56 por cento) os mais otimistas. Em
contraste, os que mais se aproximam da visão norte-americana são a França (65
por cento), Portugal (54 por cento) e Espanha (51 por cento). Finalmente, se 51
por cento dos norte-americanos consideram a China uma ameaça militar, uma
maioria europeia discorda (53 por cento). A França e o Reino Unido (ambos com
44 por cento) são os países europeus que mais se preocupam com a China como
ameaça militar. É difícil de dizer se estas perceções partem essencialmente de
experiências pessoais ou se são fruto da influência dos media (tradicionais ou
sociais).
Neste contexto, é natural que a China se dedique a refletir sobre estratégias
de diplomacia pública destinadas a dar uma imagem positiva do país no exterior.
Para Zhou Qingan e Mo Jinwei, a diplomacia pública está no centro das relações
internacionais da China para o século xxi47. Estes autores apontam três
princípios por detrás desta diplomacia pública chinesa. Primeiro, fortalecer
relações com países como os Estados Unidos, Rússia e outros países ocidentais
para construir uma imagem positiva no sistema político internacional. Segundo,
estabilizar as relações com os países vizinhos. E terceiro, reforçar a imagem
positiva nos países em desenvolvimento na Ásia, África e América Latina. A
implementação desta diplomacia passa por duas grandes estratégias: expansão do
Instituto Confúcio, similar ao British Council ou à Alliance Française, como
forma de promover a cultura e língua chinesas e criação de media globais
chineses. Hoje em dia existem centenas de institutos Confúcio em mais de cem
países (incluindo Portugal e Brasil) que mobilizam milhares de professores e
voluntários chineses. Mas a aposta mais arriscada está na criação de media
globais com representações em várias partes do mundo e transmissão em várias
línguas48. É este o caminho que está a ser trilhado pela Xinhua, a principal
agência de notícias estatal, a CCTV ou Televisão Central Chinesa ou a Rádio
Internacional da China.
O que a História nos diz é que integrar potências económicas emergentes no
sistema de liderança global não é uma tarefa fácil, mas se isso não acontecer
no caso da China, tendo em conta o seu percurso contemporâneo, pode-se pôr em
causa uma maior participação construtiva chinesa na cooperação económica e
política internacional, e agravar os potenciais riscos da sua rápida ascensão
económica.
Data de receção: 20 de março de 2013 | Data de aprovação: 3 de maio de 2013
NOTAS
1
De acordo com os dados compilados pelo economista Angus Maddison, até 1820 a
China foi a maior economia mundial, responsável por cerca de 32,9 por cento do
PIB mundial. Rebeliões, guerras civis e com o Japão, a França e o Reino Unido,
governos fracos e ineficazes, desastres naturais e más políticas económicas
contribuíram para o declínio do país a partir deste período. Cf. Maddison,
Angus ' Chinese Economic Performance in the Long Run, Second Edition, Revised
and Updated, 960-2030 AD. Development Studies Centre. Paris: ocde, 2007.
2
Cf. Johansson, Asa e outros ' «Looking to 2060: long term global growth
prospects». In OECD Economic Policy Papers No.03. Paris: OCDE, novembro de
2012. [Consultado em: 28 de abril de 2013]. Disponível em: http://www.oecd.org/
eco/outlook/2060%20policy%20paper%20FINAL.pdf
3
Cf. Morrison, Wayne ' «China's economic rise: history, trends, challenges, and
implications for the United States». In CRS Report RL333534. Washington, 4 de
março de 2013. [Consultado em: 25 de abril de 2013]. Disponível em: http://
www.fas.org/sgp/crs/row/RL33534.pdf
4
Cf. Marsh, Peter ' «China noses ahead as top goods producer». In Financial
Times, 13 de março de 2011. [Consultado em: 27 de abril, 2013]. Disponível em:
http://www.ft.com/intl/cms/s/0/002fd8f0-4d96-11e0-85e4-00144feab49a.html
axzz2RyA7aKvS
5
Cf. Deloitte ' Global Manufacturing Competitiveness Index 2013. Washington, 16
de novembro de 2012. [Consultado em: 28 de abril de 2012]. Disponível em: http:
//www.deloitte.com/assets/Dcom-Global/Local%20Assets/Documents/Manufacturing/
dttl_2013%20Global%20Manufacturing%20Competitiveness%20Index_11_15_12.pdf
6
Cf. Morrison, Wayne ' «China's economic rise: history, trends, challenges, and
implications for the United States», pp. 20-22. No entanto, os números oficiais
chineses tendem a diferir significativamente dos números dos seus parceiros
comerciais. As diferenças parecem ser largamente resultado da forma como o
comércio chinês via Hong Kong é contabilizado pelas autoridades chinesas. Em
termos estatísticos, a China considera uma grande percentagem das suas
exportações feitas via porto de Hong Kong como exportações para Hong Kong,
enquanto muitos países, incluindo os eua, incluem os produtos exportados via
Hong Kong como sendo made in China. Esta diferença de tratamento contabilístico
entre a China e os seus principais parceiros comerciais levantou nos últimos
meses preocupações em relação ao rigor dos números oficiais chineses. Nos
últimos três meses, antes do final de fevereiro de 2013, as autoridades
alfandegárias chinesas reportaram exportações no valor de 95 mil milhões de
dólares destinadas a Hong Kong, embora neste território chinês, mas
administrado autonomamente, os números para a importação com origem na China
atingiram apenas os 59 mil milhões de dólares, quase toda ela destinada a ser
reexportada para outros países. Para analistas, contactados pelo Financial
Times, os números das autoridades chinesas refletem a entrada de capitais
disfarçados de faturas comerciais como forma de se fugir ao controlo de
capitais imposto por Pequim. Uma outra interpretação indica que esta diferença
estatística resulta do facto de muitos exportadores falsificarem ordens de
exportação como forma de obter benefícios fiscais. Uma terceira opinião diz
ainda que são os governos locais que estão a pressionar os exportadores a
declarar ordens futuras para que possam mostrar «bons números» comerciais por
parte das suas jurisdições para agradar à nova liderança em Pequim. Cf.
AnderLini, Jamil ' «China trade data raise accuracy worries». In Financial
Times, 10 de abril de 2013. [Consultado em: 29 de abril de 2013]. Disponível
em: http://www.ft.com/cms/s/0/c50f3068-a180-11e2-bae1-
00144feabdc0.html#axzz2S8guH9lY
7
Morrison, Wayne ' «China's economic rise: history, trends, challenges, and
implications for the United States», p. 23.
8
A razão dos défices comerciais com Taiwan, Coreia do Sul e Japão refletem a
consolidação da China como o último passo na cadeia de produção industrial
asiática. Nas duas últimas décadas, o processo de produção de um número vasto
de produtos manufaturados passou a estar desagregado em termos geográficos.
Cada país, consoante a sua vantagem comparativa em termos de manufatura, ficava
responsável pela produção de uma parte ou componente do produto. Países como a
Coreia do Sul ou o Japão, mais avançados tecnologicamente, especializaram-se em
produzir as partes e componentes com maior valor acrescentado enquanto a China,
devido à disponibilidade de uma mão-de-obra barata e numerosa, acabou por se
dedicar à parte menos especializada da última fase de produção, a montagem. Em
consequência, o valor acrescentado chinês desses produtos tende a ser pequeno,
comparado com o valor total do produto quando este é exportado. O melhor
exemplo é o do iPhone. Segundo um estudo do Banco Asiático de Desenvolvimento,
do custo total de produção de um iPhone, ou seja, 178.96 dólares, apenas 6,50
dólares correspondem à contribuição chinesa via montagem. Cf. Xing, Yuqing, e
Detert, Neal ' «How the iPhone widens the United States trade deficit with the
People's Republic of China». In ADBI Working Paper Series No.257. Tóquio: Banco
Asiático de Desenvolvimento, dezembro de 2010. [Consultado em: 30 de abril de
2013]. Disponível em: http://www.adbi.org/files/
2010.12.14.wp257.iphone.widens.us.trade.deficit.prc.pdf
9
Cf. Morrison, Wayne ' «China's economic rise: history, trends, challenges, and
implications for the United States», pp. 24-25.
10
Para acordos de comércio livre da China, cf. ministério do comércio chinês '
«China FTA Network». Disponível em http://fta.mofcom.gov.cn/english/
fta_qianshu.shtml. Para a Parceria Económica Regional da Ásia Oriental, cf.
Hiebert, Murray, e HanLon, Liam ' «asean and partners launch regional
comprehensive economic partnership». Washington: Center for Strategic and
International Studies, 7 de dezembro de 2012. [Consultado em: 27 de abril de
2013]. Disponível em: http://csis.org/publication/asean-and-partners-launch-
regional-comprehensive-economic-partnership.
11
Cf. U.S. Energy International Administration ' «China Country Analysis Brief».
Washington: Departamento de Energia, 4 de setembro de 2012. [Consultado em: 30
de abril de 2013]. Disponível em: http://www.eia.gov/countries/
cab.cfm?fips=CH
12
Cf. Makan, Ajay, e Hook, Leslie ' «China's foreign oil output surges». In
Financial Times, 20 de fevereiro de 2013. [Consultado em: 26 de abril de 2013].
Disponível em: http://www.ft.com/intl/cms/s/0/60e4474e-7aad-11e2-9c88-
00144feabdc0.html#axzz2RzE7oZCg
13
Cf. Economist intelligence unit ' «China and Africa: a maturing relationship».
In The Economist Intelligence Unit, 9 de abril de 2013. [Consultado em: 28 de
abril de 2013]. Disponível em: http://country.eiu.com/
article.aspx?articleid=760356060&Country=China&topic=Economy&subtopic=Forecast&mkt_tok=3RkMMJWWfF9wsRoiuqrPZKXonjHpfsX/
7OstUaSg38431UFwdcjKPmjr1YcERMN0dvycMRAVFZl5nQlRD7I=
14
Cf. Gamache, Lauren, Hammer, Alexander, e Jones, Lin ' «China's trade and
investment relationship with Africa». In USITC Executive Briefings on Trade,
abril de 2013. [Consultado em: 29 de abril de 2013]. Disponível em: http://
www.usitc.gov/publications/332/2013-04_China-Africa (GamacheHammerJones). pdf. Para uma análise das empresas chinesas envolvidas no
setor energético, cf. Shambaugh, David ' China Goes Global: The Partial Power.
Oxford: Oxford University Press, 2013. Quem também tem
beneficiado desde apetite chinês por matérias-primas são as trading houses, ou
operadoras nos negócios de matérias-primas, como a Glencore, Vitol, Cargill ou
Mitsubishi ' cf. Blas, Javier ' «Tougher times for the trading titans». In
Financial Times, 15 de abril de 2013. [Consultado em: 29 de abril de 2013].
Disponível em: http://www.ft.com/intl/cms/s/0/250af818-a1c1-11e2-8971-
00144feabdc0.html#axzz2RzE7oZCg
15
Cf. United nations conference on trade and development (UNCTAD) ' «Global FDI
Recovery Derails». In Global Investment Trends Monitor. N.º 11, Nova Iorque, 23
de janeiro de 2013. [Consultado em: 25 de abril de 2013]. Disponível em: http:/
/unctad.org/en/PublicationsLibrary/webdiaeia2013d1_en.pdf. Ver também Alon,
Ilan ' The Globalisation of Chinese Capital. East Asia Forum, 10 de setembro de
2012. [Consultado em: 24 de abril de 2013]. Disponível em: http://
www.eastasiaforum.org/2012/09/10/the-globalisation-of-chinese-capital/
16
Cf. Morrison, Wayne ' «China's economic rise: history, trends, challenges, and
implications for the United States», p. 13.
17
Ibidem, p. 14.
18
Cf. Rabinovitch, Simon ' «China's forex reserves reach $3.4 tn». In Financial
Times, 11 de abril de 2013.
19
Cf. Morrison, Wayne ' «China's economic rise: history, Trends, Challenges, and
Implications for the United States», p. 17.
20
Ver «Chineses arriscam-se a fazer maus negócios na expansão internacional». In
Jornal de Negócios, 29 de dezembro de 2011. [Consultado em: 29 de abril de
2013]. Disponível em: http://www.jornaldenegocios.pt/por_arranjar/
gestaoenergeticav2/detalhe/
chineses_arriscam_se_a_fazer_maus_negoacutecios_na_expansatildeo_internacional.html
21
Cf. Dyer, Geoff, AnderLini, Jamil, e Sender, Henry ' «China's lending hits new
heights». In Financial Times, 17 de janeiro de 2011. [Consultado em: 28 de
abril de 2013]. Disponível em: http://www.ft.com/intl/cms/s/0/488c60f4-2281-
11e0-b6a2-00144feab49a.html#axzz2RzE7oZCg
22
Cf. Sauvant, Karl P. ' Chinese Investment: New Kid on the Block Learning the
Rule, East Asia Forum, 28 de agosto de 2012. [Consultado em: 28 de abril de
2013]. Disponível em: http://www.eastasiaforum.org/2012/08/29/chinese-
investment-new-kid-on-the-block-learning-the-rules/
23
Para casos mais recentes, cf. Rabinovitch, Simon, e Hook, Leslie ' «Chinese
groups step up M&A push». In Financial Times, 10 de dezembro de 2012.
[Consultado em: 29 de abril de 2013]. Disponível em: http://www.ft.com/intl/
cms/s/0/57ec4fea-42ab-11e2-a3d2-00144feabdc0.html#axzz2RzE7oZCg
24
Cf. Morrison, Wayne ' «China's economic rise: history, trends, challenges, and
implications for the United States», pp. 18-19.
25
Cf. «Capital Dragon Index 2012 Full Year». In A Capital, Hong Kong, 2013.
[Consultado em: 20 de abril de 2013]. Disponível em: http://www.acapital.hk/
dragonindex/A_CAPITAL_DRAGON_INDEX_FY_2012_ENG.pdf.
26
Para uma análise breve, ver Emerging Voices: Callan, Blak, and Thomas on
China's Foreign Aid and Investment. Nova York: Council on Foreign Relations, 26
março de 2013. [Consultado em: 27 de abril de 2013]. Disponível em: http://
blogs.cfr.org/development-channel/2013/03/26/emerging-voices-callan-blak-and-
thomas-on-chinas-foreign-aid-and-investment2/. O debate mais recente envolveu
um estudo lançado pelo projeto AidData ' cf. Brautigam, Deborah ' Rubbery
Numbers on Chinese Aid. China in Africa: The Real Story (blogue), 30 de abril
de 2013. [Consultado em: 30 de abril de 2013]. Disponível em: http://
www.chinaafricarealstory.com/2013/04/rubbery-numbers-on-chinese-aid.html
27
Cf. China's Foreign Aid. Pequim: Xinhua, 21 de abril de 2011. [Consultado em:
28 de abril de 2013]. Disponível em: http://news.xinhuanet.com/english2010/
china/2011-04/21/c_13839683.htm.
28
Cf. Davies, Martin, Edinger, Hannah, Tay, Nastasya, e Naidu, Sanusha ' How
China Delivers Development Assistance to Africa. Stellenbosch: Centre for
Chinese Studies/University of Stellenbosch/dfid, fevereiro de 2008. [Consultado
em: 30 de abril de 2013]. Disponível em: http://www.ccs.org.za/downloads/
DFID_FA_Final.pdf
29
Cf. Shen, Xiaofang ' «How the private sector is changing Chinese investment in
Africa». In Columbia FDI Perspetives No. 93. Nova York: Vale Columbia Center on
Sustainable International Investment, 15 de abril de 2013. [Consultado em: 24
de abril de 2013]. Disponível em: http://www.vcc.columbia.edu/content/how-
private-setor-changing-chinese-investment-africa
30
CF. Freitas, Raquel, e Mah, Luís ' «European responses to Asia's enhanced role
as an aid donor». In CIES e-Working Paper Nº132/2012. [Consultado em: 28 de
abril de 2013]. Disponível em: http://www.cies.iscte.pt/np4/
?newsId=453&fileName=CIES_WP_132__Freitas_e_Mah_pdf
31
Cf. Drysdale, Peter ' China's Role in Running the World Economy. East Asia
Forum, 14 de fevereiro de 2011. [Consultado em: 29 de abril de 2013].
Disponível em: http://www.eastasiaforum.org/2011/02/14/chinas-role-in-running-
the-world-economy/. Ver também Dobson, Wendy ' China and
Global Economic Governance: History Matters. East Asia Forum, 13 de fevereiro
de 2011. [Consultado em: 29 de abril de 2013]. Disponível em: http://
www.eastasiaforum.org/2011/02/13/china-and-global-economic-governance-history-
matters/
32
Cf. China Says IMF Leadership Selection Should Be Based on Merit. In Reuters,
17 de maio de 2011. [Consultado em: 28 de abril de 2013]. Disponível em: http:/
/www.reuters.com/article/2011/05/17/us-strausskahn-china-idUSTRE74G1EU20110517.
Ver também, Rabinovitch, Simon ' «China wants says in World Bank choice». In
Financial Times, 16 de fevereiro de 2012. [Consultado em: 28 de abril de 2013].
Disponível em: http://www.ft.com/cms/s/0/805a0ce2-58af-11e1-b9c6-
00144feabdc0.html#axzz2S2KfFJG2.
33
Cf. Rathus, Joel ' Chiang Mai Initiative: China Takes the Leader's Seat. East
Asia Forum, 30 de junho de 2011. [Consultado em: 28 de abril de 2013].
Disponível em: http://www.eastasiaforum.org/2011/06/30/chiang-mai-initiative-
china-takes-the-leader-s-seat/.
34
Ver Smith, David ' «BRICs eye infrastructure funding through new development
bank». In The Guardian, 28 de março de 2013. [Consultado em: 28 de abril de
2013]. Disponível em: http://www.guardian.co.uk/global-development/2013/mar/28/
brics-countries-infrastructure-spending-development-bank.
Sobre este banco, cf. Galan, Enrique ' «O Banco BRICs: um relações públicas
brasileiro, um diretor operacional chinês, um diretor financeiro sul-africano,
um diretor informático indiano e um diretor de recursos humanos russo». O
Retorno da Ásia (blogue), 15 de março de 2013. [Consultado em: 28 de abril de
2013]. Disponível em: http://oretornodaasia.wordpress.com/2013/03/15/o-banco-
brics-um-relacoes-publicas-brasileiro-um-diretor-operacional-chines-um-diretor-
financeiro-sul-africano-um-diretor-informatico-indiano-e-um-diretor-de-
recursos-humanos-russo/. Ver também Sun Yun ' brics and China's Aspiration for
the New «International Order». Washington: Brookings Institution, 25 de março
de 2013. [Consultado em: 29 de abril de 2013]. Disponível em: http://
www.brookings.edu/blogs/up-front/posts/2013/03/25-xi-jinping-china-brics-
sun
35
Cf. Subramanian, Arvind, e KessLer, Martin ' «The Renminbi Bloc is here: Asia
down, rest of the world to go?». In Working Paper Series WP 12-19. Washington:
Peterson Institute for International Economics, outubro de 2012. [Consultado
em: 29 de abril de 2013]. Disponível em: http://www.iie.com/publications/wp/
wp12-19.pdf. No continente africano, a emergência do RMB começa também a ser
vista como a oportunidade para o continente, uma vez que a China é já o seu
maior parceiro comercial ' cf. Freemantle, Simon, e Stevens, Jeremy ' BRIC-
Africa: The Redback's Rise-an Opportunity for Africa. Africa Macro Insight
& Strategy. Standard Bank, 29 de agosto de 2011. [Consultado em: 29 de
abril de 2013].Disponível em: http://113.28.55.154/arfy/uploads/soft/110912/
1_1740274361.pdf
36
Cf. Paula, Hugo ' «Washington acusa Huawei e ZTE de ameaçarem segurança dos
eua». In Jornal de Negócios, 9 de outubro de 2012. [Consultado em: 28 de abril
de 2013]. Disponível em: http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/
washington_acusa_huawei_e_ZTE_de_ameaccedilarem_seguranccedila_dos_eua.html
37
Cf. Rogers, Mike, e Ruppersberger, Dutch ' Investigative Report on the U.S.
National Security Issues Posed by Chinese Telecommunications Companies Huawei
and ZTE». Washington: US House of Representatives, 112th Congress, 8 de outubro
de 2012. [Consultado em: 28 de abril de 2013). Disponível em: http://
intelligence.house.gov/sites/intelligence.house.gov/files/documents/Huawei-
ZTE%20Investigative%20Report%20%28FINAL%29.pdf
38
Cf. Yueyang, Maggie Lu ' «Australia Bars Huawei from broadband project». In
New York Times, 26 de março de 2012. [Consultado em: 28 de abril de 2013].
Disponível em: http://www.nytimes.com/2012/03/27/technology/australia-bars-
huawei-from-broadband-project.html?_r=1&
39
Sobre esta questão da opacidade, cf. Rabinovitch, Simon, e Davies, Paul J. '
«Audit action threatens China groups' US listings». In Financial Times, 5 de
dezembro de 2012.
40
Cf. Chaffin, Joshua ' «Brussels looks for beefed up trade power to counter
China». In Financial Times, 11 de abril de 2013.
41
Cf. AnderLini, Jamil ' «THe thin red line». In Financial Times, 15 de novembro
de 2012. [Consultado em: 29 de abril de 2013]. Disponível em: http://
www.ft.com/intl/cms/s/0/1493a724-2f10-11e2-b88b-00144feabdc0.html#axzz2S453tOHY
42
Cf. Caixin editorial ' «Deng Xiaoping and the date for reform». In Caixin, 31
de outubro de 2012. [Consultado em: 30 de abril de 2013]. Disponível em: http:/
/english.caixin.com/2012-10-31/100454595.html. Mas a cautela parece continuar a
comandar a nova liderança chinesa ' cf. Rabinovitch, Simon ' «New leaders dent
hopes for reform». In Financial Times, 15 de novembro de 2012. [Consultado em:
30 de abril de 2013]. Disponível em: http://www.ft.com/intl/cms/s/0/b31db0da-
2ec3-11e2-8bb3-00144feabdc0.html#axzz2S453tOHY
43
Cf. China 2030: Building a Modern, Harmonious and Creative Society.
Washington: The World Bank, 2013. [Consultado em: 30 de abril de 2013].
Disponível em: http://www.worldbank.org/content/dam/Worldbank/document/China-
2030-complete.pdf
44
Cf. Growing Concerns in China about Inequality, Corruption, Pew Research
Global Attitudes Project, 16 de outubro de 2012. [Consultado em: 29 de abril de
2013]. Disponível em: http://www.pewglobal.org/2012/10/16/growing-concerns-in-
china-about-inequality-corruption/
45
Sobre o «Consenso de Pequim», cf. Halper, Stefan ' The Beijing Consensus: How
China´s authoritarian model will dominate the twenty-first century. Nova York:
Basic Books, 2010. Ver também Kurlantzick, Joshua ' «Why the
China Model isn't going away». In The Atlantic Monthly, 21 de março de 2013.
[Consultado em: 29 de abril de 2013). Disponível em: http://
www.theatlantic.com/china/archive/2013/03/why-the-china-model-isnt-going-away/
274237/
46
Cf. Transatlantic Trends 2012. [Consultado em: 29 de abril de 2013].
Disponível em: http://trends.gmfus.org/transatlantic-trends/
47
Cf. Qingan, Zhou, e Jinwei, Mo ' «How 21st-Century China sees public diplomacy
as a path to soft power». In Global Asia. Vol. 7, N.º 3, 2012. Disponível em:
http://www.globalasia.org/V7N3_Fall_2012/
Zhou_Qingan_and_Mo_Jinwei_.html
48
Para o caso norte-americano cf. Pasternack, Alex ' «Coming to America». In
Foreign Policy, 1 de novembro de 2012. [Consultado em: 29 de abril de 2013].
Disponível em:http://www.foreignpolicy.com/articles/2012/11/1/
coming_to_america_cctv. Para o caso africano, cf. Wu Yu-Shan ' «The rise of
China's state-led media dynasty in Africa». Occasional Paper n.º 117, In China
in Africa Project, South African Institute of International Affairs, junho de
2012. [Consultado em: 29 de abril de 2013]. Disponível em: http://
www.isn.ethz.ch/isn/Digital-Library/Publications/Detail/?lng=en&id=146130