Entre duas realidades: Os realismos e a relação entre as estruturas doméstica e
internacional
Há dois riscos em que incorre a produção de teoria: o de um excesso de
abstração, por um lado, que o afasta da possibilidade de ser útil para a
compreensão de dados concretos, variáveis em função do tempo e do espaço; e
outro, frequentemente apontado por Waltz, de excesso de especificação, no
sentido de concentração em elementos tão concretos e variáveis, que se torna
impossível, com credibilidade, generalizar, ou sequer identificar, a formação
de padrões que correspondam ao nível da teoria. Este, que é um problema,
essencialmente, de enfoque da produção teórica, é central para se compreender a
tensão que, dentro da tradição realista (e para lá desta), se verifica entre as
visões de estrutura doméstica e de estrutura internacional. Precisamente, é no
enfoque dedicado a cada uma das estruturas que se distinguem três grandes
escolas que, não obstante, se enquadram todas elas na tradição realista. Assim,
como veremos, temos o neorrealismo, que parte da obra de Kenneth N. Waltz1,
seguida depois por diversos outros autores2, que tende a dar menor atenção à
estrutura doméstica, por considerar que são, sobretudo, a estrutura
internacional e os seus princípios ordenadores que influenciam a ação das
unidades; o realismo neoclássico3 que, embora siga os mesmos princípios de
preponderância da estrutura internacional no constrangimento e/ou incentivo a
um determinado tipo de ação da parte dos Estados, se concentra na estrutura
doméstica para aí identificar fatores de distorção que levem aqueles a não
responder da melhor forma às pressões da estrutura internacional; e o realismo
estrutural, que não deve ser aqui confundido com o neorrealismo, frequentemente
associado a este epíteto, correspondendo, isso sim, à teoria dos autores Barry
Buzan, Richard Little e Charles Jones4, que, por sua vez, buscam, na sequência
da teoria de Waltz, contribuir para uma visão mais dinâmica e flexível de
estrutura, localizando-se entre, as duas estruturas através de uma abordagem da
lógica agente-estrutura.
Concordando com a complementaridade das três escolas, proporemos, em seguida,
uma visão integrada das mesmas, em que o referido caráter de complementaridade
é.posto em destaque. Para a integração do conjunto destas visões, é central o
realismo estrutural, com a sua lógica agente-estrutura, não sendo também de
descurar o entendimento de alguns princípios normativos, em parte pertencentes
a uma chamada ética realista, que lhes é transversal, cujas fundações se
encontram no realismo clássico (tradição prévia à teoria de Waltz, e que
acabará por englobá-la), e que encontraremos mais claramente expressa na
abordagem doméstica de Stephen D. Krasner5, denominada de estatismo, e na sua
noção de interesse nacional. Com esta perspetiva, esperamos contribuir não para
uma uniformização da teoria (que lhe é desnecessária), mas para a atribuição de
coerência a uma perspetiva de complementaridade que permita àquela explicar
melhor a continuidade e a mudança em relações internacionais (RI).
BASE NORMATIVA DA TENSÃO
Há muitos séculos que se tem tratado a realidade política, a sociedade de
homens organizada politicamente, ordenando as suas relações sociais em função
de poder(através da coação) e moral(através dos valores), buscando, a partir de
conceções daquilo que ela é, alterá-la no sentido daquilo que ela deve ser ou
que é possível que seja. Na elaboração dessas conceções a tensão entre os dois
elementos ordenadores da vida organizada em sociedade, poder e moral, é uma
constante, bem como aquela entre os que concebem a politeiatal como ela é e os
que procuram formas de a transformar naquilo que ela deve ser6.
Paralela a esta tensão, e muitas vezes até com ela quase fundida, está a tensão
entre as duas esferas da política, doméstica ou interna e internacional ou
externa. Esta última resulta do problema a que Pierre Hassner7, na senda de
Kenneth N. Waltz, chama de fenómeno da pluralidade dos Estados, isto é, do
facto de existir uma multiplicidade de comunidades políticas localizadas e
delimitadas em territórios determinados, não isolados, nem hermeticamente
cerrados, contíguos entre si e, porque nunca ou quase nunca em situação de
autarcia, condenados à interação. Para os filósofos, ao longo da história,
transpor as conceções de vida boa da esfera doméstica para a internacional
sempre se revestiu de grande dificuldade, o que levou a que a última fosse
muitas vezes ignorada. E porque a ordem introduzida internamente não encontra
equivalência externa, o espaço internacional é um espaço de risco, de
insegurança, um espaço em que o contrato social não foi consagrado e em que o
Estado de natureza hobbesiano permanece. É neste espaço de insegurança que
vivem os Estados, as várias conceções de vida boa, que assim se vê ameaçada e
suplantada pela necessidade primária de sobrevivência. A tensão entre conceções
de política interna e internacional advém, assim, do grande dilema criado entre
a manutenção da virtude doméstica e a defesa das ameaças externas. Os
imperativos da sobrevivência impõem-se aos da vida boa, e à ameaça externa
passa a somar-se a do domínio dos defensores internos do Estado. A grande
questão é, então, colocada por Maquiavel: pode ser-se bom sozinho num mundo
onde todos são maus? O debate de ideias em torno das conceções de arena
internacional e de como esta influencia a busca da harmonia na política interna
é, então, dominado, entre os séculos XVII e XIX, entre Hobbes e Hegel, pela
oposição existente entre o Estado civil dentro dos Estados e o Estado de
natureza que permanece entre estes8.
Na base das várias conceções realistas está a distinção das esferas doméstica e
internacional, mantendo o dilema hobbesiano de um Estado civil (ou hierárquico,
como lhe chamará Waltz) dentro do Estado e de um Estado de anarquia entre
Estados. Em ambas as esferas as dinâmicas de luta pelo poder parecem ser
dominantes, bem como a sua resolução por via de mecanismos que visem o
equilíbrio de poder9. Aquilo em que se distinguem é que na esfera doméstica
essa luta pelo poder foi tornada pacífica por meio do desenvolvimento de um
conjunto de instituições que se impõem às várias forças e interesses, sendo
este facto em si mesmo o centro da definição das unidades soberanas' o Estado,
resultado último do desenvolvimento do monopólio da violência física legítima,
da definição clássica weberiana. O Estado, ou Estado-nação, e o estadista,
passam, então, a constituir a base do pensamento realista clássico. Não havendo
um reflexo verdadeiramente significativo das lutas pelo poder internas na
decisão final em política externa, o Estado é visto como um ator unitário, em
que o estadista representa um agente racional que toma decisões em função dos
factos políticos internacionais, conjugados ou racionalizados por uma noção de
interesse nacional.
É esta a resolução avançada pelos realistas clássicos para a tensão entre moral
e poder na arena internacional. Os dois são apenas conciliáveis na esfera
doméstica. A esfera internacional, caracterizada pela ausência de um
equivalente ao Estado que se imponha sobre as unidades que a povoam, ou seja,
caracterizada pelo seu caráter anárquico, é um domínio do poder não domesticado
pela moral, cujas conceções permanecem, deste modo, cingidas ao funcionamento
do Estado no seu interior.
No entanto, os realistas não suprimem o papel da moral (universal ou
particular) na ação internacional dos Estados. Contudo, tal como Maquiavel,
colocam-na em tensão com a prática política eficaz, sendo que, na esfera
internacional, é numa tal eficácia que assenta a própria sobrevivência do
Estado e da comunidade que lhe é subjacente, princípio que, assim, ascende a
uma condição suprema de lei fundamental da política externa10.
Podemos depreender de alguns dos princípios do realismo clássico atrás
referidos a existência de uma ética realista(pertencentes a uma perspetiva
normativa da teoria11), um conjunto de normas e valores que serão transversais,
com maior ou menor variação, às várias manifestações realistas, e que se
aproximarão de uma abordagem moral do realismo. Uma tal ética realista, que
mereceria, sem dúvida, uma discussão muito mais aprofundada noutra ocasião,
pode resumir-se em torno dos seguintes elementos:
* A posição distinta do estadista/decisor relativamente aos restantes cidadãos,
que o coloca tanto acima de conceções de moral particulares como
universais12, vinculando-o a uma moral específica da política externa, que
corresponde, nos termos de Aron13, a uma ética da responsabilidade, que se
passa a impor sobre uma ética da convicção. Esta rejeição da influência da
moral como é habitualmente entendida, e a opção por uma conceção reducionista
correspondente a uma ideia de bem relacionada com aquilo a que Kant chamará
de numenal, isto é, uma ideia de bem independente de racionalizações
subjetivas, reflete-se num dualismo éticoque se manifesta como tensão
permanente, ainda que suscetível a resoluções diversas, dentro da tradição
realista14.
* O conceito de interesse nacional, no sentido que lhe atribui Morgenthau15 e,
mais ainda, no da definição de Krasner, da sua conceção estatista, que
veremos a seguir, e em que se incluem os interesses primários de
sobrevivência e segurança.
* A paz, tanto como meio e como fim em si mesmo, e, por outro lado, a
consciência da realidade incontornável da política de poder, cuja procura de
conciliação se refletirá em perspetivas de equilíbrio de poderes.
* E um outro que se poderá acrescentar, e que é realçado com o realismo
neoclássico e com o realismo estrutural, mas que vem de trás, o equilíbrio
entre as duas estruturas, internacional e doméstica, com uma tendência para a
prevalência da internacional16.
A paz como fim ético último do realismo não é uma assunção definitiva de todas
as abordagens realistas clássicas, embora esteja presente, em diferentes
níveis, em todos ou quase todos os seus autores. Dificilmente se poderá
generalizar a posição de E. H. Carr17, em que a paz se coloca não apenas acima
de conceitos de justiça e moral (obedecendo a um entendimento moral
específico), mas também acima dos interesses dos Estados mais fracos. Aqui,
como se vê, a paz, ou a mudança pacífica, podem chegar ao ponto de justificar a
supressão dos interesses mais primários dos estados mais fracos, as suas
próprias sobrevivência e segurança18. Mas, por outro lado, na solução proposta
por outros autores a este mesmo problema, e que se tornou clássica do realismo,
pode-se encontrar o ponto de equilíbrio entre os dois grandes objetivos em
relações internacionais: a paz e o interesse nacional19. E a chave deste
equilíbrio está, precisamente, num outro equilíbrio, o equilíbrio de poderes ou
de forças, tendência verificada pela maioria dos autores realistas clássicos20,
garante da paz, mas também de uma solução em que os interesses dos mais fracos
deixam de ser necessariamente suprimidos, na medida em que estes se podem
passar a unir de formas variáveis de modo a contrabalançarem o poder do(s) mais
forte(s).
A OPERACIONALIDADE E A NORMATIVIDADE DO NEORREALISMO
Também no neorrealismo, a incontornável teoria ou escola teórica inaugurada por
Waltz, com a sua obra de 1979, Teoria das Relações Internacionais,esta
perspetiva normativa está presente ' muito embora este seja o responsável pela
introdução de um amplo conjunto de princípios de base chamada empírica ou, dada
a sua natureza, também designada de operacional.
A lógica subjacente à linguagem neorrealista assenta no princípio da anarquia e
num outro que lhe adjaz, o princípio de autoajuda. O que temos é, assim, um
sistema internacional anárquico, isto é, em que a estrutura, em função do seu
princípio ordenador, é anárquica. O que torna possível a consideração de os
termos estrutura (ou até sistema) e anarquia, associados, logicamente seja o
princípio de autoajuda, que decorre do caráter anárquico da estrutura, e que
rege as relações de poder entre as unidades e conduz ora a cooperação, ora a
competição (estado latente face à regência do princípio de autoajuda). O
princípio de autoajuda auxilia na compreensão das interações das unidades num
sistema anárquico e induz-nos para a questão da busca de poder como forma de se
concretizar, ou seja, para que uma unidade se possa autoajudar carece de poder,
isto é, de uma ou várias capacidades determinadas.
De forma geral, os motivos conducentes ou até definidores do princípio de
autoajuda são os interesses das unidades, embora se considere aqui um
particular e derradeiro móbil, a sua própria sobrevivência. Podemos, pois,
esperar de todas as unidades um comportamento similar (verifica-se uma
tendência para a similitude, que está também na base da não diferenciação
funcional das unidades, e que contribui para a opacidade da visão doméstica no
neorrealismo), pois todas agem de forma racional, no sentido em que buscam
autoajudar-se tendo como fim a sua sobrevivência. Como todas e cada uma delas
busca a autoajuda num ambiente anárquico, o que significa que não podem
depositar a totalidade da sua confiança num agente central hierarquicamente
superior (inexistente, e cuja inexistência define o caráter anárquico do
sistema), nem nas outras unidades, que também se encontram na mesma situação
(de autoajuda e desconfiança), o poder que cada uma delas tem relativamente às
outras torna-se a única referência de orientação da ação neste ambiente. Assim,
a unidade que tiver mais poder terá uma capacidade acrescida para se autoajudar
e garantir a sua sobrevivência. a distribuição de poderes é, deste modo, o
princípio que define a estrutura (não como tal, mas de forma a classifica-la),
ao mesmo tempo que é o pêndulo que justifica a variação (mudança) do
comportamento das unidades21. Os princípios da anarquia e da autoajuda, que
daquele decorre, conferem operacionalidade à teoria, através dos
constrangimentos que exercem sobre o comportamento internacional dos estados.
Contudo, o facto de se cingir a teoria a este tipo de constrangimentos, com
origem na estrutura internacional, tem que ver, por um lado, com uma perspetiva
normativa herdada do realismo clássico, que defende a racionalidade das
respostas aos desafios colocados pela estrutura internacional, e, por outro
lado, com uma opção clara de Waltz em desenvolver uma teoria sistémica ou
estruturalista.
Isso mesmo procura Krasner22 esclarecer. Para ele, alguns liberais confundem
argumentos de política doméstica, que não são realistas, com argumentos
relacionados com o sistema internacional, que são. O grande objeto de estudo
dos realistas é, pois, o sistema político internacional, ou a sua estrutura
externa, daí que seja dada pouca atenção ao caráter político interno de cada
Estado.
Esta concentração no nível estrutural do sistema implica uma série de riscos,
nomeadamente, no que diz respeito à sua capacidade de fazer prescrições, isto
é, previsões do comportamento ou da resposta dos Estados às dinâmicas
estruturais, precisamente porque o nível das unidades e suas interações é pouco
explorado. Antes de mais, reduz a possibilidade de mudança estruturalà vertente
de distribuição de poder23; e, como admite Krasner24, sempre que a estrutura,
nas suas dinâmicas de distribuição de poder, se revela pouco constrangedora,
isto é, suscetível de uma maior margem de manobra e de um maior leque de opções
ao dispor dos estados, a forma como estes responderão torna-se mais difícil de
prever. De resto, é também de considerar a possibilidade de os decisores em
política externa erraremna sua leitura realista das dinâmicas estruturais,
falhando na forma como percecionam novas distribuições de poder. Existem,
assim, dois tipos de erros em que incorrem as prescrições realistas: um
relacionado com a perceção dos decisores das suas (e das de outros estados)
capacidades relativas; outro, dos próprios teóricos, que, deste modo, correm o
risco de falhar nas suas previsões pela sua incapacidade em incluir na sua
perspetiva sistémica possíveis causas domésticas ou relacionadas com os agentes
(decisores) de política externa, do nível das unidades e suas interações. O
neorrealismo, como teoria sistémica, está mais preparado para explicar grandes
continuidadesdo sistema e menos para explicar as pequenas mudanças que fazem
com que as suas leituras, frequentemente, falhem. As prescrições realistas, se
acertadas, impor-se-ão no longo prazo, ainda que, no curto prazo, os estados
possam falhar nas devidas leituras das dinâmicas estruturais de distribuição de
poder25. Tudo isto porque a teoria sistémica explica as pressões estruturais,
mas não a forma como os Estados lhes respondem. Para tal, teorias
complementares são necessárias. Na ausência de ameaça(um forte
constrangimento), há uma maior liberdade de ação internacional, que deixa de
ser condicionada pela necessidade de responder a essa ameaça. Essa liberdade
concedida por uma estrutura internacional que oferece poucos e leves
constrangimentos abre espaço para uma maior influência da estrutura interna na
definição da política externa26. E, embora a estrutura do sistema assente nas
suas unidades, na forma como interagem e se posicionam, não há nada que ligue
lógica e indubitavelmente unidades e estrutura. De resto, o próprio Waltz
considera, ainda que seja dentro ou fora do círculo de estados democráticos, a
paz continue a depender, sobretudo, de um precário equilíbrio de forças e da
vontade dos mais fortes, a mesma paz resulta também de um equilíbrio difícil de
alcançar entre as estruturas interna e externa do sistema.
NECESSIDADE DE EXTENSÕES DOMÉSTICAS DO REALISMO ' O ESTATISMO
Ao admitir que a sua teoria do sistema político internacional não pretende
explicar quaisquer constrangimentos da estrutura doméstica, Waltz abre espaço
(e, para Rathbun27, estabelece a exigência da sua elaboração) ao aparecimento
de teorias de política externa que façam uma extensão interna do realismo28. É
neste âmbito que Krasner procura criar uma teoria realista (normativa por
excelência) da política externa, a que chama de perspetiva estatista, ou
simplesmente de estatismo, por se centrar num elemento doméstico que tende a
ter um comportamento orientado para ou pelo sistema internacional, ao qual
reage29 ' o Estado , não no seu sentido de aglomerado de poder organizado
territorialmente, mas dos componentes do governo que serão mais independentes
de pressões particulares e, portanto, mais capazes e atreitos a buscar o
interesse geral da sociedade no seu todo, a que chama de interesse nacional.
Krasner avança depois para o papel central que tem uma conceção de interesse
nacional na perspetiva do Estado, vendo-o sob duas vertentes: uma, mais básica
e comum a todos os estados, corresponde à defesa da integridade territorial e
política; outra, mais variável, diz respeito a um conjunto empiricamente
validado de objetivos, ordenados transitoriamente, que não beneficiam de modo
desproporcional os grupos particulares da sociedade30.
Um foco constante na definição estatista do conceito de Estado e dos seus
componentes é a sua relativa independência dos elementos democráticos do
sistema político interno. Esta conceção aparentemente antidemocrática tem sido
alvo de críticas por parte de visões mais pluralistas do Estado, assim como das
revisionistas. Krasner refere que a perspetiva tradicionalmente defendida pelos
estatistas é a de Maquiavel, n'O Príncipe, centrada na forma como o Estado
consegue manter o controlo efetivo (conservação do poder), enquanto os
pluralistas preferem Dois Tratados do Governo Civil de Locke, mais preocupados
que estão com a forma de controlar o potencial de poder arbitrário do Estado. O
autor reconhece que as duas perspetivas não são incompatíveis, permitindo a
coexistência de ambas numa sociedade democrática estável. Porém, admite que o
facto de se focarem em elementos diversos levá-las-á a prescreverem diferentes
políticas. Para o estatismo, o elemento democrático permanece um problema, na
medida em que dificulta a prossecução do interesse nacional. Finalmente, o
autor conclui que um certo tipo de controlo democrático, o controlo eleitoral,
é até benéfico no sentido de aprovar ou reprovar a forma como o governo busca a
prossecução do interesse nacional31.
O REALISMO NEOCLÁSSICO COMO COMPLEMENTO NATURAL DO NEORREALISMO
O realismo neoclássico surge não como uma teoria perfeitamente condensada numa
só obra, como havia acontecido com Waltz e o seu neorrealismo, mas num conjunto
de obras, de vários autores, que se inserem numa mesma lógica, devendo a sua
cunhagem a Gideon Rose32. É neoclássico, pois vai buscar ao realismo clássico
não só a sua perspetiva normativa, mas por recuperar daquele a importância da
contingência histórica afastada pelo desejo de maior abstração do neorrealismo.
Contudo, apresenta-se, ainda que com elevado grau de flexibilidade, como
complemento natural do neorrealismo na esfera doméstica, procurando fazer
corresponder conceitos domésticos a uma lógica baseada na distribuição do poder
na estrutura internacional.
No caso do realismo neoclássico, o que se verifica é a consideração da
circunstância derivada do neorrealismo, correspondente aos constrangimentos
estruturais, assumindo-se a necessidade normativa de um determinado
comportamento como resposta a esses constrangimentos ou incentivos; este é,
ainda de um ponto de vista normativo, o comportamento correto, aquele que se
exige face a dada circunstância. Mas o que o realismo neoclássico faz mesmo é,
partindo desta consideração de um comportamento correto dos Estados em resposta
aos constrangimentos estruturais, identificar os fatores e dinâmicas de
distorção que fazem com que tal comportamento não se verifique, que quase
sempre correspondem a fatores provenientes da ordem doméstica ou ligados às
ideias/ideologia33. Isto faz do realismo neoclássico, em boa parte, uma teoria
ou abordagem do errono comportamento dos Estados em política externa34. Assim,
a própria consideração de estados unitários e perceções objetivas deixa de ser,
verdadeiramente, uma assunção, passando estes a ser simplesmente incentivos do
sistema aos estados. A anarquia é, pois, uma causa primária, mas indireta,
enquanto algo como o processo de tomada de decisão é uma causa secundária, mas
direta; a estrutura incentiva e constrange, mas não determina. O neorrealismo,
como esta perspetiva do realismo neoclássico permite reconhecer, não é, deste
modo, uma abordagem «racionalista» em si, se não que uma em que o sistema
recompensa um comportamento racional (não garantido) face a uma realidade
material objetiva35. O realismo neoclássico é, deste modo, não apenas um
complemento do neorrealismo; na verdade, não poderia existir autonomamente sem
este ou sem uma ética realista, uma vez que se passaria a confundir com o
liberalismo ou o construtivismo36.
O neorrealismo pressupõe a resposta idealaos constrangimentos estruturais.
Waltz preocupa-se, sobretudo, com esse comportamento ideal, sendo esse o motivo
por que é acusado de uma perspetiva limitada. Sem perder de vista os parâmetros
ideais neorrealistas, o realismo neoclássico aponta ao erro, continuando, no
entanto, a procurar as melhores formas de, tendo em vista aqueles parâmetros,
atingi-los a partir da estrutura doméstica através de mecanismos como a
capacidade extrativa e/ /ou mobilizadora de poder dos Estados. As sociedades
políticas passam, então, a ser avaliadas em função das suas capacidades (ou da
capacidade dos governos para extraírem delas o que pretenderem) para atingirem
determinados fins, normativamente definidos por uma ética realista. Daí que
muitos dos conceitos utilizados pelo realismo neoclássico contenham nos
próprios termos utilizados uma forma de avaliação das respostas dos estados.
Intui-se naturalmente dos conceitos de underbalancingou overbalancing a
existência de um centro onde se deve localizar o comportamento ideal, que
corresponderá, no caso, a balancing37.
REALISMO ESTRUTURAL ' COMPLEMENTO E INTEGRADOR
O realismo estrutural,teoria exposta, sobretudo, na obra The Logic of Anarchy,
Neorealism to Structural Realism, da autoria conjunta de Barry Buzan, Richard
Little, e Charles Jones, apresenta-se a si mesmo como sequência ou extensão do
neorrealismo de Kenneth Waltz e tentativa de suprir alguns dos seus pontos
fracos. De facto, é do neorrealismo (muitas vezes também chamado de realismo
estrutural ou estruturalista) que recebe o seu nome, assim como três elementos
essenciais que estabelecem a ligação entre um e outro. A primeira corresponde à
afirmação da primazia da esfera política sobre as restantes, que decorre da
aceitação do princípio da anarquia como um conceito necessário e não meramente
contingente. Contudo, ao contrário do neorrealismo e do realismo clássico,
defende uma maior abertura a outros setores da vida internacional, rejeitando a
superioridade do político. Um segundo elemento comum aos dois realismos é a
concentração nos estadoscomo principais unidades do sistema internacional.
Finalmente, o terceiro diz respeito à aceitação da definição básica de
estrutura internacionalde Waltz, com as devidas alterações feitas por uma nova
perspetiva sobre essa estrutura, nomeadamente, tornando a estrutura um conceito
mais dinâmico, pela concentração no processoe não apenas nos elementos
estáticos.
Como verifica Buzan38, Waltz não é um determinista das causas estruturais.
Contudo, a sua definição demasiado restrita de estrutura e a sua concentração
no nível do sistema político internacional deixa de fora uma grande quantidade
de fatores que podiam ser importantes para a estrutura e para determinados
efeitos ou resultados. Entre estes estão fatores externos à esfera política
(mas que podem interagir com esta) e ao nível das unidades. De resto, um dos
problemas de Waltz é a indefinição que permanece na fronteira entre o nível do
sistema (ou estrutura) e o nível das unidades. Para os seus críticos, Waltz
cria uma estrutura demasiado centrada na continuidade e menos na mudança, o que
o torna um teorizador do status quo, um conservador. Mas uma tal concentração
no nível da estrutura dá-se apenas porque Waltz pretende construir uma teoria
do sistema político internacional, e não uma teoria das relações internacionais
(que tivesse em conta todos os setores do sistema), focando-se no que é
estritamente político e estrutural, uma vez que é esse o nível que considera
sistémico e, portanto, o que interessa a uma teoria sistémica, que é, na
verdade, uma teoria estruturalista. Com a sua definição restrita de estrutura e
a sua indefinição quanto à fronteira entre estrutura e unidades, não nega a
possibilidade de ocorrência de mudança no nível das unidades. Pelo contrário,
dessas restrição e indefinição resulta a possibilidade de localização de uma
grande quantidade de fatores de mudança nesse mesmo nível, que Waltz muito
simplesmente não explica.
É na ligação de estrutura e unidades que está, contudo, a grande fonte de
mudanças e continuidades estruturais, é aí que está, no fundo, a lógica e
formação do processoque integra todos os padrões internacionais. À formação de
padrões nas interações, isto é, nos processos, chama Buzan de formações de
processo (process formations) ou padrões ação-reação (action-reaction
patterns), que correspondem à lógica simples subjacente à correspondência entre
a ação de uma determinada unidade e a resposta (reação) de outra unidade a essa
ação. É este processo que, seguindo a lógica do princípio da autoajuda,
reproduzirá, simultaneamente, as unidades do sistema e a sua estrutura
anárquica numa relação mutuamente constitutiva (mutually constitutive
relationship) entre unidades e sistema39.
Estabelecida a ligação entre estrutura e unidades, falta ainda localizar a
fronteira entre ambas. A resposta a esta questão é-nos dada já à luz da lógica
agente-estrutura, que aponta o agente, que é parte das unidades, como
intermediário (e, portanto, fronteira) entre a estrutura internacional e a
estrutura interna das unidades. É Richard Little quem, na mesma obra,
desenvolverá esta lógica, que será central, e que se baseia numa visão de um
duplo dilema da segurança. ao recuperar o papel dos agentes para um realismo
demasiado dependente das dinâmicas estruturais, o realismo estrutural oferece,
assim, uma resposta ao liberalismo e ao construtivismo, ambas centradas nos
agentes de política externa (agent-driven), mas sem se deixar confundir com
estas, uma vez que, à semelhança do que se passa com o realismo neoclássico, o
enquadramento normativo continua a ser o da família realista, ainda que com
cedências à escola inglesa e à teoria dos regimes, incutidas por Buzan noutros
desenvolvimentos da teoria, em especial no respeitante a definições de
sociedade internacional40.
De acordo com diferentes autores, o grau de liberdade das unidades ou dos
agentes varia, assim como os níveis de constrangimento da estrutura. Para o
realismo estrutural, a relação entre unidades e/ou agentes e estrutura é
mutuamente constitutiva, isto é, a ação das unidades e a forma como estas
interagem geram as dinâmicas estruturais, reproduzindo a estrutura ao mesmo
tempo que a si mesmas ' é a lógica da estruturaçã41. Os agentes, contribuindo
para esta lógica, e sendo parte das unidades, não se devem confundir com estas.
São, na verdade, um intermediário entre estrutura e unidade. Para o realismo
estrutural, os agentes são humanos, quer se trate de indivíduos ou de
instituições, e são eles que constituem e reproduzem tanto a estrutura do
sistema internacional como os estados42. Sendo atores racionais, os agentes não
negam a complexidade das unidades e a forma como a sua ação resulta de um
processo por vezes igualmente complexo. A principal inovação do realismo
estrutural está na forma como este aborda a relação agente-estrutura, colocando
o agente entre duas estruturas que, no fim de contas, obedecem a lógicas
semelhantes, que visam a sua reprodução ' a lógica do dilema da segurança.
Assim, o agente, como Janus, tem duas caras, sendo o intermediário entre a
estrutura internacional e a estrutura interna ou doméstica das unidades, já que
ambas o constrangem a levar a cabo ações que visem a reprodução do Estado, em
ambas se apresentam perigos à conservação do poder, e a partir das duas o
status quo, o próprio Estado, sofre ameaças de destruição. O realismo
estrutural, ponderando esta possibilidade de um duplo constrangimento sobre os
agentes dos Estados, admite, por um lado, que os constrangimentos da estrutura
interna podem, por vezes, prevalecer sobre os da estrutura externa e, por
outro, vê nesta abertura da estrutura interna uma razão para uma diferença
funcional residual entre as unidades estatais do sistema (admitida também por
Waltz)43.
Ao procurar abrir a possibilidade teórica de respostas domésticas por detrás do
comportamento internacional dos estados, o realismo estrutural afirmar-se-ia, à
semelhança do realismo neoclássico, como um complemento do neorrealismo na
esfera doméstica. Mas, na verdade, acaba por representar algo mais. É não
apenas um complemento do neorrealismo, e mesmo do próprio realismo neoclássico,
como o grande integrador, através das suas lógicas da estruturação e da relação
agente-estrutura, de uma perspetiva de complementaridade que junte estes três
realismos. Deste modo, temos o neorrealismo, uma teoria estruturalista,
centrada na estrutura do sistema político internacional, que tem um
complemento, se nem sempre em termos operacionais, em termos normativos, no
realismo neoclássico. Este, por sua vez, é uma teoria da política externa ou
que procura estabelecer a ligação entre constrangimentos e incentivos externos,
advindos de conceitos teórico-internacionais, com dinâmicas mais propriamente
domésticas, ainda que colocando-as em relação com os constrangimentos externos.
Acaba por ser o realismo estrutural a estabelecer a ligação integradora dos
outros dois realismos e, bem assim, das duas estruturas, doméstica e
internacional, ao definir a fronteira entre unidades e estrutura, através da
sua lógica agente-estrutura, que coloca os agentes como intermediários das duas
estruturas (os mesmos que, lendo-as, procederão, em função daquela que mais os
influenciar e das perceções que tiverem em cada uma delas, ou a uma resposta
considerada normativamente ideal, ou a uma que peque por defeito ou por
excesso), no meio de um duplo dilema de segurança, e fazendo-o em termos
realistas, que decorrem da lógica da anarquia e do princípio da autoajuda,
patentes na sua lógica da estruturação.
CONCLUSÃO
A questão da relação entre estruturas doméstica e internacional, de base
normativa marcante, continua, pois, a ser crucial para os teóricos de vários
quadrantes, entre os quais os que se enquadram num chamado realismo, dada a sua
centralidade ao longo do desenvolvimento da disciplina de teoria das relações
internacionais. Com este texto, procurámos ver como, em função do seu diferente
enfoque, as várias abordagens realistas permitem visões diversas ora de uma
estrutura, ora de outra. Identificámos ainda linhas de complementaridade não
meramente coincidentes, mas necessárias, não só pela incompletude das respostas
de cada uma das abordagens, quando isoladas, para explicar fenómenos
internacionais distintos, como sejam a mudança e a continuidade, mas também por
conterem lógicas que derivam umas das outras e que, dessa forma, se interligam.
O nosso contributo principal foi, assim, o de sugerir, tendo em vista as
identificadas dinâmicas de complementaridade, uma perspetiva integrada de três
destas abordagens, o neorrealismo, o realismo neoclássico, e o realismo
estrutural, através da lógica agente-estrutura desenvolvida por esta última,
que permita uma visão da teoria capaz de explicar as diversas fontes causais em
cadeia, suprindo os pontos fracos de cada uma pela exploração dos seus pontos
de contacto. Assim, a conclusão que se tira daqui é que, apesar de enfrentar,
inicialmente, dificuldades na abordagem desta questão, sob acusação de outras
perspetivas teóricas, o realismo tem-se sabido adaptar, através do
desenvolvimento de múltiplas faces, mas sempre sem abandonar a sua base ética
própria. esta, mais ainda que qualquer nova perspetiva teórica que se possa
propor, é a verdadeira integradora de tudo aquilo a que se possa continuar a
chamar de realismos.
NOTAS
1
Waltz, Kenneth N. ' Teoria das Relações Inter nacionais. Lisboa: Gradiva,
2002.
2
Alguns exemplos são: Glaser, Charles L. ' «The security dilemma revisited». In
WorldPolitics. N.º 50, 1997, pp. 171 -201; Grieco, Joseph '
«Realist theory and the problem of international cooperation: analysis with an
amended prisoner's dilemma model». In Journal of Politics. N.º 50, 1988, pp.
600 -624; Snyder, Glen H. ' Alliance Politics. Ithaca, Nova
York: Cornell University Press, 1997; Van Evera, Stephen '
Causes of War: Power and the Roots of Conflict. Ithaca, Nova York: Cornell
University Press, 1999; Walt, Stephen M. ' The Origins of
Alliances. Ithaca, Nova York: Cornell University Press, 1987.
Há ainda uma obra que, tendo tido um desenvolvimento completamente independente
do neorrealismo de Waltz, é, por vezes, incluída nesta escola (Gilpin, Robert '
War and Change in World Politics. Cambridge: Cambridge University Press, 1981), e uma outra que se afirma como sucessora realista ofensiva do
neorrealismo ' que é considerado realismo defensivo (Mearsheimer, John J. ' The
Tragedy of Great Power Politics. Nova York: Norton, 2001).
3
Por exemplo, Christensen, Thomas J. ' Useful Adversaries: Grand Strategy,
Domestic Mobilization, and Sino-American Conflict, 1947-1958. Princeton:
Princeton University Press, 1996; Schweller, Randall L. '
Deadly Imbalances: Tripolarity and Hitler's Strategy of World Conquest. Nova
York: Columbia University Press, 1998; Schweller, Randall L.
' Unanswered Threats: Political Constraints on the Balance of Power. Princeton
Studies in International History and Politics: Princeton University Press,
2006; Wohlforth, William C. ' The Elusive Balance: Power and
Perceptions during the Cold War. Ithaca, Nova York: Cornell University Press,
1993; Zakaria, Fareed ' From Wealth to Power: The Unusual
Origins of America's World Role. Princeton: Princeton University Press, 1998.
4
Buzan, Barry, Jones, Charles, e Little, Richard ' The Logic of Anarchy:
Neorealism to Structural Realism. Nova York: Columbia University Press, 1993. Ver também Buzan, Barry ' «From international system to
international society: structural realism and regime theory meet the English
School». In International Organization. Vol. 47, N.º 3, verão de 1993.
5
Krasner, Stephen D. ' «Realism, imperialism, and democracy: a response to
gilbert». In Political Theory. Vol. 20, N.º 1, fevereiro de 1992.
6
Esta dicotomia, poder e moral, surge um pouco em todos os autores realistas
clássicos, mas o primeiro em que é usada de forma mais clara é em Carr, E. H. '
The Twenty Years Crisis.An Introduction to the Study of International
Relations. Londres: Macmillan, 1939.
7
Hassner, Pierre ' «Beyond the three traditions: the philosophy of war and
peace in historical perspetive». In International Affairs.Vol. 70, N.º 4,
outubro de 1994, p. 740.
8
Ibidem, pp. 740 e 741.
9
Morgenthau, Hans J. ' Politics Among Nations. 5.ª edição. Nova York: Knopf,
1973, pp. 185 -188.
10
Ibidem, p. 12.
11
Para uma definição do caráter normativo da teoria das relações internacionais,
cf. Reus-Smit, Christian, e Snidal, Duncan ' «Between utopia and reality: the
practical discourses of international relations». In Reus-Smit, Christian, e
Snidal, Duncan ' The Oxford Handbook of International Relations. Oxford: Oxford
University Press, 2010.
12
Nos termos de Gismondi, Mark D. ' Ethics, Liberalism and Realism in
International Relations. Abingdon: Routledge, 2008, p. 132, o
estadista é colocado na seguinte posição: «Creative politics requires a
diabolical contract to secure the interests of one's constituents. While
ordinary citizens can afford to turn the other cheek, the responsible
politician cannot.»
13
Aron, Raymond ' Paix et Guerre entre les Nations. Calmann-Lévy, 1984, pp. 597-
623. Ver também Hoffmann, Stanley ' «Raymond Aron and the
theory of international relations». In International Studies Quarterly. Vol.
29, N.º 1, março de 1985, p. 15.
14
Gismondi, Mark D. ' Ethics, Liberalism and Realism in International Relations,
pp. 159 e 160. Este dualismo ético é exatamente aquele que prescreve para o
estadista, não a amoralidade, mas antes uma moralidade distinta daquela que
pode seguir o cidadão comum. Daí o seu caráter dual, que advém dessa dupla
perceção sobre a moral, variável em função da posição que se ocupa na sociedade
e do nível de responsabilidade que lhe corresponde, a que não é alheio o
contacto com o meio distinto das relações internacionais.
15
Morgenthau, Hans J. ' Politics Among Nations, pp. 10, 11 e 13.
16
O próprio Waltz fala da necessidade deste equilíbrio em Waltz, Kenneth N. '
«Structural realism after the Cold War». In International Security. Vol. 25,
N.º 1, verão de 2000, pp. 27 e 29.
17
Gismondi, Mark D. ' Ethics, Liberalism and Realism in International Relations,
p. 142.
18
É a aplicação da velha máxima de Tucídides, segundo a qual os fortes fazem o
que podem, e os fracos sofrem o que devem. Ver Thucydides ' History of the
Peloponnesian War. Tradução de Rex Warner. Londres: Penguin Books, 1972.
19
Em que, ao contrário do que acontece em Aron, Raymond ' Paix et Guerre entre
les Nations, pp. 82 -87, se tende a integrar os objetivos mais primários e
permanentes dos Estados, as suas sobrevivência e segurança.
20
A definição clássica será, no entanto, a que lhe dá Morgenthau, Hans J. '
Politics Among Nations, parte 4.
21
Waltz, Kenneth N. ' Teoria das Relações Internacionais, cap. 5.
22
Krasner, Stephen D. ' «Realism, imperialism, and democracy: a response to
gilbert», pp. 38 -40.
23
Waltz, Kenneth N. ' «Structural realism after the Cold War», p. 5.
24
Krasner, Stephen D. ' «Realism, imperialism, and democracy: a response to
gilbert», pp. 39 e 40.
25
Ibidem, pp. 41 e 42.
26
Waltz, Kenneth N. ' «Structural realism after the Cold War», pp. 27 e 29.
27
Rathbun, Brian ' «A rose by any other name: neoclassical realism as the
logical and necessary extension of structural realism». In Security Studies.
Vol. 17, N.º 2, 2008, p. 309.
28
Waltz, Kenneth N. ' «International politics is not foreign policy». In
Security Studies. Vol. 6, N.º 1, 1996.
29
Integrado na perspetiva de padrões de ação -reação de Buzan e Little, este
elemento ou agente seria sobretudo passivo na sua contribuição para a
reprodução do sistema.
30
Krasner, Stephen D. ' «Realism, imperialism, and democracy: a response to
gilbert», pp. 46 e 47.
31
Ibidem, pp. 47 e 48.
32
Rose, Gideon ' «Review: neoclassical realism and theories of foreign policy».
In World Politics. Vol. 51, N.º 1, outubro de 1998.
33
Há também já alguns estudos que o atribuem a causas do âmbito da psicologia.
Cf. Goldgeier, J. M., e Tetlock, P. E. ' «Psychology and international
relations theory». In Annual Review of Political Science. Vol. 4, junho de
2001.
34
Schweller, Randall L. ' Unanswered Threats: Political Constraints on the
Balance of Power. Princeton: Princeton University Press, 2006. Ver também Taliaferro, Jeffrey W. ' «Security seeking under anarchy:
defensive realism revisited». In International Security. Vol. 25, N.º 3, 2000 -
2001.
35
Rathbun, Brian ' «A rose by any other name: neoclassical realism as the
logical and necessary extension of structural realism». In Security Studies.
Vol. 17, N.º 2, 2008, pp. 305 -306.
36
Ibidem, p. 312.
37
Para uma perspetiva de underbalancing, cf. Schweller, Randall L. ' Unanswered
Threats: Political Constraints on the Balance of Power.
38
Buzan, Barry, Jones, Charles, e Little, Richard ' The Logic of Anarchy:
Neorealism to Structural Realism. Nova York: Columbia University Press, 1993,
pp. 23 -27.
39
Ibidem, p. 50. Esta ideia vão os autores, sem preconceito teorético, buscar ao
construtivista Alexander Wendt. Ver Wendt, Alexander E. ' «The agent -structure
problem in international relations theory». In International Organization. Vol.
41, N.º 3, 1987.
40
Sobre este mesmo desenvolvimento, cf. Buzan, Barry ' «From international
system to international society: structural realism and regime theory meet the
English School». In International Organization. Vol. 47, N.º 3, 1993.
41
O mesmo se virá a passar no construtivismo em Wendt, Alexander E. ' «The
agent-structure problem in international relations theory», pp. 336 -337, 339,
341, 343, cuja abordagem o próprio chama de «estruturacionismo»
(structurationism), conceito que deriva da lógica da estruturação. Para Wendt,
os agentes (Estados e sua estrutura) e a estrutura internacional têm um
estatuto ontológico igual, o que faz com que a estrutura seja tanto o resultado
da ação dos agentes, como estes o resultado dos constrangimentos estruturais,
algo que, aliás, aceitam (a estrutura é aceite pelos agentes). O realismo
estrutural distingue-se do construtivismo na sua abordagem da relação agente-
estrutura por partir da possibilidade de uma teoria do Estado neorrealista
(cuja existência Wendt nega), que se baseia na preexistência dos Estados em
relação à estrutura, que, por sua vez, não é procurada pelos Estados, mas acaba
por nascer inevitavelmente da coação que caracteriza as suas interações, e que
resultará no princípio de autoajuda e na lógica da anarquia. São estes que
farão com que, uma vez constituída, a estrutura passe a constranger a ação dos
Estados e a ser central no funcionamento do sistema internacional. Por outro
lado, distinguir -se -á do neorrealismo pela atenção que continua a dar à
estrutura doméstica e pela consequente possibilidade de diferenciação funcional
das unidades que esse enfoque gera. Cf. Buzan, Barry, Jones, Charles, e Little,
Richard ' The Logic of Anarchy: Neorealism to Structural Realism, pp. 116-121.
42
Assim diz Little: «Human agents mediate between the state and the
international system. The structures defining the state and the system are
constituted or reproduced by the practices established and implemented by these
agents» (Buzan, Barry, Jones, Charles, e Little, Richard ' The Logic of
Anarchy: Neorealism to Structural Realism, p. 165).
43
Ibidem, pp. 108, 118 e 120 -121.
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