Ensaio bibliográfico. Do Ultimato à transição para a Democracia
Ensaio bibliográfico. Do Ultimato à transição para a Democracia
Daniel Marcos
Investigador do IPRI ' UNL e do CEHC ' IUL. Mestre em História das Relações
Internacionais pelo IUL, onde prepara actualmente uma tese sobre as relações
luso-americanas na década de 1950. É conferencista do Departamento de Estudos
Políticos da FCSH ' UNL.
Ao longo da primeira década do novo milénio, o estudo sobre a política externa
portuguesa no período contemporâneo, particularmente desde finais do século
XIX, assistiu a importantes desenvolvimentos. Sem dúvida que este movimento
começou nas últimas décadas do século XX, altura em que surgiram vastos
conjuntos de monografias e artigos científicos sobre as relações externas
portuguesas. No entanto, no novo milénio existe um interesse cada vez maior por
este campo partilhado pela história e pelas ciências sociais, consolidado com o
aparecimento de novos cursos que se especializaram sobre o estudo da história
das relações internacionais. Esta situação contribuiu, indiscutivelmente, para
o aumento da qualidade e da quantidade da produção científica realizada.
Paralelamente, começaram a aparecer os primeiros trabalhos com recurso a
consulta multiarquivística, muita dela feita em arquivos estrangeiros,
contribuindo para a reavaliação quer das principais relações externas
portuguesas, quer dos princípios base e da tomada de decisão da política
externa. Cada vez mais, os estudos de análise sobre a política externa
portuguesa têm abordagens abrangentes, demonstrando a clara evolução que se fez
nos últimos anos, passando da leitura tradicional da história diplomática para
a história das relações internacionais.
Reflectindo um dos interesses principais da investigação feita sobre Portugal
nas áreas das ciências sociais e humanas, o estado novo surge como o período
preferencial destas investigações. E, dentro deste período, a maioria dos
trabalhos debruça-se sobre a análise dos apoios internacionais à política
colonial portuguesa, bem como sobre o lento processo de aproximação portuguesa
aos projectos de integração europeia. Se esta é a característica principal dos
estudos sobre a política externa portuguesa no período contemporâneo,
estaríamos a ser redutores se a considerássemos como a única evolução da
disciplina nos últimos anos. Do ponto de vista metodológico, há também
inovações ao nível das abordagens. Hoje em dia, a maior parte dos trabalhos
sobre o posicionamento externo de Portugal parte de uma cuidadosa
contextualização da situação internacional em que Portugal se insere, fruto de
uma maior abertura da comunidade científica à produção realizada no
estrangeiro. A generalização do acesso a bases de dados internacionais nas
universidades portuguesas é um contributo fundamental para esta mudança. Ao
mesmo tempo, as abordagens comparativas também evoluíram graças à maior
internacionalização da investigação feita em Portugal, na área das ciências
sociais e humanas.
Este artigo tem como objectivo primordial debater o estado da questão sobre os
estudos da política externa portuguesa desde finais do século XIX até à
instauração da democracia, após o 25 de Abril de 1974. Para tal, examinaremos
as conclusões alcançadas nos principais trabalhos desenvolvidos sobre este
tema, chamando a atenção para novos estudos que, de alguma forma, se destacam
pela sua actualidade, inovação e capacidade de transmissão de novas abordagens.
Desta forma, não nos preocuparemos em fazer um levantamento exaustivo e
sistemático de toda a produção científica realizada nos últimos dez anos que,
saliente-se, tem sido bastante abundante.
Visões de conjunto sobre a política externa portuguesa
Se observarmos as linhas de força da política externa portuguesa desde os
últimos anos da Monarquia constitucional, podemos afirmar que existem quatro
pontos predominantes sobre a política externa portuguesa que enformaram a
historiografia das relações externas de Portugal. O primeiro ponto é a aliança
com a Grã-Bretanha, um dos principais baluartes da política externa portuguesa
ao longo de todo o século XX. Esta aliança, que se mantém até aos dias de hoje,
contribuiu para equilibrar a tradicional divisão da geopolítica portuguesa
entre a Europa e o Atlântico. Assim, quer seja nos assuntos coloniais, quer
seja na atitude a tomar perante os problemas continentais europeus, a aliança
com o reino unido é um dos aspectos centrais realçados pelos trabalhos de
conjunto sobre a política externa portuguesa.
Estreitamente ligada a este ponto está a relação próxima de Lisboa com a
potência atlântica. Se, até 1945, este papel era desempenhado pela Grã-
Bretanha, fundindo estas duas linhas, a partir do final da II Guerra Mundial e
com a ascensão da Guerra Fria, esse papel passa a ser, também, dos Estados
Unidos da América. Com a evolução do sistema internacional bipolar da Guerra
Fria, a posição geoestratégica excepcional das ilhas atlânticas portuguesas,
nomeadamente dos açores, contribuiu para o estreitar das relações entre
Portugal e os estados unidos, possibilitando ao Governo de Lisboa integrar-se
nesse novo sistema internacional, sem sobressaltos de grande monta. Esta
característica levou a que os temas relacionados com o papel das ilhas
atlânticas na política externa, por um lado, e a análise das relações de
Portugal com os estados unidos, por outro, sejam dois pontos essenciais na
produção científica portuguesa.
Uma outra dimensão intimamente ligada ao carácter atlântico português é a
vocação colonial de Portugal. Desde a construção do império colonial africano
em finais do século XIX, a necessidade da defesa da soberania colonial emergiu
como um dos principais baluartes da política externa portuguesa. As relações
externas portuguesas vão, até 1975 ' altura em que Portugal descoloniza ',
assentar na necessidade de manter este império, em primeiro lugar, contra as
ambições expansionistas das outras potências coloniais e, a partir de 1945,
contra as aspirações nacionalistas dos movimentos de libertação. Este é,
talvez, o tema internacional mais analisado pelos estudos de política externa.
Finalmente, a quarta característica da política externa portuguesa consiste no
esforço pela manutenção da dualidade peninsular. A instabilidade política que
assolou os sucessivos regimes políticos em Lisboa contribuiu para que o século
XX português se caracterizasse por um receio dos objectivos hegemónicos e
anexionistas de Madrid, bem como por uma ingerência mútua na política interna
de ambos os países. Com o advento do sistema bipolar a seguir a 1945, Portugal
conseguiu, finalmente, alcançar um dos seus principais objectivos de política
externa em relação a Espanha, já que adquiriu um estatuto hierárquico superior,
conferido pelo convite para membro fundador da NATO. Portugal viu reforçada a
sua posição na Península, passando a ser o interlocutor preferencial junto das
grandes potências. Esta é uma das áreas tradicionais dos ensaios
historiográficos, cujos trabalhos já remontam, na sua maioria, às últimas
décadas do século XX.
Estas linhas de conjunto da política externa portuguesa foram analisadas por
Nuno Severiano Teixeira que, através de uma observação profunda e sustentada da
bibliografia existente, apresenta uma visão de conjunto1. De acordo com
Severiano Teixeira, a política externa portuguesa dividiu-se, ao longo de
várias décadas, pela procura de equilíbrio entre a Europa e o Atlântico. Neste
processo, as relações com a Espanha, a manutenção de uma aliança privilegiada
com as potências atlânticas e a ligação ao império colonial foram os pontos
principais. Acima de tudo, o trabalho de Nuno Severiano Teixeira realça a
importância da combinação da dinâmica interna e das condicionantes externas
para a formulação da política externa portuguesa sem, contudo, deixar de fazer
um enquadramento claro da situação internacional de Portugal no último século.
Também José Medeiros Ferreira, na sua última monografia2, procurou reflectir o
impacto da dimensão interna na política externa portuguesa. Tendo como
objectivo analisar se a política externa portuguesa seria ou não afectada pelas
sucessivas mudanças de regime (Monarquia constitucional, República, Ditadura
Militar, Estado Novo e Democracia), este trabalho reflectiu as linhas de
investigação avançadas pelo historiador ao longo da sua vasta carreira,
contribuindo para ajudar a compreender a intersecção entre a sobrevivência dos
regimes políticos e as suas opções de política externa.
Finalmente, António José Telo, num trabalho publicado em 2000, fez uma reflexão
analítica sobre a evolução da política externa portuguesa nos últimos dois
séculos
3
. Para este autor, as alterações de regime vividas por Portugal foram
maioritariamente causadas por circunstâncias externas, fossem elas políticas ou
económicas. Este movimento contribuiu para que as relações externas portuguesas
fossem caracterizadas por uma certa disfunção nacional que permitiu a Portugal
sobreviver, apesar da sua constante necessidade de adaptação ao sistema
internacional. Esta análise, marcadamente sistémica, acaba por remeter para um
segundo plano os actores nacionais e a sua influência na formulação da política
externa, uma vez que os governos portugueses, de acordo com esta perspectiva,
apenas reagiam aos acontecimentos externos. Partindo destes princípios base da
história da política externa portuguesa, os restantes trabalhos desenvolvidos
nesta área têm-se focado, essencialmente, quer na análise de períodos
cronológicos específicos, quer no papel dos actores com influência decisiva na
formulação da política externa portuguesa. Uma vez que os primeiros constituem
a maioria, partiremos de uma divisão cronológica para desenvolver a evolução da
historiografia ao longo da última década.
A monarquia constitucional
Os trabalhos desenvolvidos sobre o período final da Monarquia constitucional
herdaram muito da investigação desenvolvida nas duas últimas décadas do século
XX. Quer Nuno Severiano Teixeira, quer Valentim Alexandre demonstraram a
importância que a dimensão colonial ganhou na política externa nos últimos anos
da Monarquia4. Ambas as monografias realçam a forte interacção que se verificou
entre política interna e política externa durante a crise do ultimato de 1890 e
que contribuiu para tornar a presença portuguesa na África um baluarte
fundamental da ideia nacionalista e patriótica, não só durante a Monarquia,
como também na I República e no Estado Novo.
Fernando Costa, no seu trabalho sobre Portugal e a Guerra Anglo-Bóer, deu novas
leituras à política externa portuguesa no período crucial dos anos finais do
século XIX5. O autor faz uma contextualização muito ampla de todos os problemas
que enredaram a questão Anglo-Bóer, nomeadamente no que dizia respeito às
colónias portuguesas, explicando a evolução da competição territorial europeia
em África. Aliás, a análise da política colonial de Portugal neste período
acaba por ser um dos componentes mais importantes para compreendermos a
política externa portuguesa no final da Monarquia constitucional. Ela é a
tónica dominante na relação de Lisboa com Londres já que, a partir de finais do
século XIX, a velha aliada de Portugal equacionou recorrer à partilha das
colónias portuguesas como forma de apaziguar as cada vez mais tensas relações
com a Alemanha imperial. Depois de alguns momentos de tensão nas relações luso-
britânicas, a aliança entre Portugal e o Reino Unido acabou por sair reforçada,
tendo Lisboa obtido da sua aliada o reconhecimento e o compromisso de defesa
das suas colónias. De referir, ainda, que este trabalho de Fernando Costa tem,
a par do de Nuno Severiano Teixeira sobre o ultimato, um enfoque particular
sobre o impacto que a opinião pública portuguesa teve na formulação da política
externa da Monarquia6.
Chamando a atenção para uma perspectiva diferente das relações externas de
Portugal neste mesmo período, a pesquisa levada a cabo por Gisela Guevara foca-
se nas relações entre Portugal e a Alemanha7. Através da investigação exaustiva
da documentação alemã, inédita em Portugal, Guevara demonstra que a política
externa portuguesa não foi passiva em relação às disputas anglo-germânicas na
África e que soube proteger e defender o regime monárquico. E, ao contrário do
que podia parecer à primeira vista, Portugal foi hábil em jogar com as
rivalidades europeias conseguindo reforçar a sua posição junto da velha aliada
britânica, ao mesmo tempo que garantia um vasto império africano. Assim, fica
claro que, apesar da situação internacional portuguesa ser bastante débil,
houve uma política deliberada que valorizou Portugal aos olhos da Grã-Bretanha.
Mais recentemente, Rui Ramos, na sua biografia de D. Carlos, chama a atenção
para uma evolução importante que se verificou na formulação da política externa
portuguesa em finais da Monarquia. Nos anos finais do reinado de D. Carlos I, o
monarca português desempenhou um papel cada vez maior na liderança do processo
de tomada de decisão, recorrendo frequentemente aos contactos directos que
tinha com os principais monarcas europeus, através de visitas de Estado, para
dirimir os principais problemas que opunham Portugal às restantes potências
europeias8. Este reforço da posição internacional de D. Carlos I contribuiu
para potenciar as ondas de choque no seguimento do seu assassinato e para
dificultar, de certa forma, o reconhecimento internacional da República.
A I República
Um dos períodos cronológicos cujo estudo da política externa precisa de novas
abordagens é o da I República. Assim, os trabalhos desenvolvidos por autores
como Nuno Severiano Teixeira, Hipólito de la Torre Gómez e José Medeiros
Ferreira em finais dos anos de 1990 acabam por ser, ainda, fundamentais. A
monografia de Nuno Severiano Teixeira, apesar de centrada na entrada de
Portugal na I Guerra Mundial, demonstra a evolução da política externa desde os
finais da Monarquia até 19189. O autor apresenta os difíceis passos do
reconhecimento da jovem República Portuguesa, bem como o imediato agravamento
da posição internacional de Lisboa em vésperas do início da Grande Guerra.
Já no domínio das relações peninsulares, os trabalhos desenvolvidos por
Hipólito de la Torre Gómez sumarizam as várias fases da difícil relação luso-
espanhola durante a I República
10
. Gómez evidencia como evoluiu a posição internacional portuguesa desde a
instauração da República até ao final da I Guerra, reflectindo os principais
constrangimentos de Portugal em relação à Espanha. Num primeiro momento, a
principal característica prendia-se com o isolamento internacional a que o
regime republicano estava sujeito, acentuado pelo apoio espanhol à oposição
monárquica, que culminou com as tentativas de contra-revolução ensaiadas a
partir da Espanha. Posteriormente, o autor salienta a aproximação verificada
entre Londres e Madrid desde o início do século XX, percepcionada como o
renascimento do perigo espanholpelo regime republicano português. No fundo,
fica claramente exposto o receio português de que a Espanha viesse a substituir
Portugal como aliado preferencial da Grã-Bretanha na Península ibérica.
Ambos os trabalhos referidos são fundamentais para a compreensão da entrada de
Portugal na guerra de 1914-1918. Hipólito de la Torre Gómez destaca a
importância que a retórica em torno da ideia do perigo espanholteve para
fomentar, em Portugal, a necessidade da participação activa no conflito
europeu. No entanto, é Nuno Severiano Teixeira quem, de uma forma abrangente,
sistematiza as razões por detrás da entrada de Portugal no teatro europeu da I
Guerra Mundial. Para além da já referida questão espanhola, o autor chama a
atenção, também, para a importância da dimensão colonial, uma vez que Portugal
queria salvaguardar a sua soberania nos territórios africanos. Mas, acima de
tudo, Severiano Teixeira avança com uma dimensão interna, até aí pouco abordada
na historiografia. Dada a instabilidade política que caracterizou este período,
os apoiantes da beligerância portuguesa viram na participação na guerra uma
forma de reforçar o regime do ponto de vista interno, criando um movimento
unificador do regime republicano, em torno do projecto da entrada de Portugal
na guerra. Assim, aquilo que meramente podia ser visto como um objectivo de
política externa tinha, na sua génese, objectivos políticos de ordem interna.
Já o trabalho de Medeiros Ferreira sobre a participação de Portugal na
conferência de Paz de 1919 mantém, ainda hoje, a sua actualidade. O autor
examinou a evolução dos propósitos portugueses após a experiência
intervencionista, demonstrando claramente que, se as razões da entrada eram
eminentemente políticas, na conferência de Paz Portugal procurava recompensas
maioritariamente económicas e financeiras11. Contudo, é a amarga derrota
política que Portugal tem nesta conferência, com a chamada da Espanha para o
Conselho Executivo da Sociedade das Nações, um lugar ambicionado por Portugal,
que marcou as relações externas portuguesas da década de 1920. Medeiros
Ferreira conclui que a multilateralização das relações internacionais no
período após a I Guerra Mundial permitiu aos governos de Lisboa perseguir uma
alternativa ao peso dominante da Inglaterra na política externa portuguesa,
quer para as questões europeias/peninsulares, quer para a questão colonial.
Recentemente, novos trabalhos procuraram aprofundar estas conclusões. Rui Ramos
fez uma resenha da evolução da política externa durante a I República
contextualizando a situação internacional de Portugal desde finais do século
XIX
12
. Também num trabalho de síntese, Alice Samara analisou os primeiros anos da
república, desde a sua instauração ao Sidonismo, chamando a atenção para as
dificuldades do reconhecimento do regime e a posterior discussão interna sobre
a participação ou não de Portugal na guerra
13
. Já Filipe Ribeiro de Meneses, na sua tese de doutoramento dada à estampa em
2000, aplicou ao período de 1916 a 1917 a abordagem levada a cabo por Severiano
Teixeira, demonstrando todas as condicionantes internas em volta da decisão de
beligerância portuguesa
14
. Este trabalho retomou uma importante abordagem das questões relacionadas com
a política externa portuguesa, isto é, a dimensão doméstica. Esta leitura, pela
relevância analítica que traz à formulação da política externa portuguesa,
poderia e deveria ser mais vezes considerada nos trabalhos realizados sobre
Portugal, não só neste período como ao longo de toda a era contemporânea.
Recentemente, Luís Alves de Fraga retomou a temática do sidonismo e da
participação de Portugal na I Guerra Mundial, desenvolvendo principalmente a
dimensão militar desta opção de política externa15. No entanto, é nas obras
gerais sobre a I República Portuguesa que se avançou com uma visão de conjunto
sobre a política externa naquele período. Dos vários trabalhos recentemente
publicados, destacam-se os capítulos sobre as relações externas da I república
no mais recente trabalho de António Telo
16
.
O Estado Novo
Os trabalhos de fundo sobre a evolução da política externa portuguesa durante a
Ditadura Militar e nos primeiros anos do estado novo demonstram a inexistência
de uma verdadeira ruptura entre a i república e o período da Ditadura Militar.
Na verdade, de acordo com as investigações de antónio Telo, José Medeiros
ferreira e Valentim Alexandre, a Ditadura Militar, apesar de algumas pressões
de alas mais radicais, procurou continuar os princípios orientadores dos
últimos governos republicanos
17
. Assim, para além da diversificação das relações externas portuguesas, quer na
Europa, quer na África, a aliança com a Inglaterra continuou a ser o pilar
principal da política externa18. Ainda assim, há que realçar a importância
sempre presente que a questão espanhola teve durante a década de 1920. Entre
1923 e 1930, a instabilidade política que tradicionalmente se vivia em Portugal
alastrou à Espanha, com a instauração da ditadura de Primo de Rivera. Esta
alteração fez voltar a crescer o perigo de uma intervenção espanhola que
levasse ao fim da I República em Portugal, o que veio a acontecer com o apoio
concedido por Madrid ao movimento do 28 de Maio19.
Estes desenvolvimentos são analisados profundamente no mais recente livro de
Valentim Alexandre. Retomando os trabalhos de César Oliveira e de Fernando
Rosas, Alexandre debruça-se sobre a política externa portuguesa desde a
Ditadura Militar até ao final da Guerra Civil de Espanha, sob o espectro mais
alargado da situação internacional, nomeadamente com a ascensão dos
totalitarismos europeus20. O autor demonstra como Salazar, apesar de uma
posição inicial de apoio às forças sublevadas de franco, acaba por ceder às
pressões internacionais, especialmente britânicas, para que não interviesse
directamente no conflito espanhol. Ao mesmo tempo, através deste texto percebe-
se que, à medida que a década de 1930 ia avançando, Salazar e o Governo inglês
compreenderam ser necessário garantir a neutralidade da Península em caso de
conflito na Europa, algo que se poderia revelar muito difícil perante a
proximidade de franco às potências totalitárias. A assinatura entre Salazar e
Franco de um Pacto de Amizade Luso-Espanhol, na Primavera de 1939, amarrou os
dois países a uma neutralidade que se viria a tornar vantajosa para Portugal e,
sobretudo, para a Inglaterra, já que contribuiu para a neutralização da
Península durante a II Guerra Mundial.
O estudo da política externa portuguesa nos anos que antecederam a II Guerra
Mundial ficou marcado, também, por uma outra dimensão, mais relacionada com a
questão colonial. No trabalho biográfico sobre Armindo Monteiro, Pedro Oliveira
analisa a carreira política daquele diplomata, que fora ministro do Ultramar e
dos Negócios Estrangeiros antes de ser nomeado embaixador em Londres
21
. Esta análise permite-nos perceber a posição do Governo português, em relação
às movimentações internacionais levadas a cabo pela França e, neste caso em
particular, pela Inglaterra, de forma a conter o expansionismo fascista.
Oliveira demonstra como, perante a crise italo-abissínia de 1935-1936, Portugal
procurou conciliar o desejo apaziguador da Grã-Bretanha em relação ao
expansionismo italiano na África com a recusa de isolar os regimes totalitários
da Europa, perante a emergência dos governos de frente Popular na Espanha e na
França.
Os trabalhos desenvolvidos sobre a posição internacional de Portugal durante a
II Guerra Mundial demonstram que a preparação da política de neutralidade
assumida pelo Estado Novo seguia a linha delineada anos antes pelo regime. Foi
essencialmente a partir de 1935 que se operou uma adaptação de fundo na
política externa portuguesa e que se consolidou a abordagem do salazarismo
perante as questões internacionais. Após o período de consolidação interna que
caracterizou a primeira metade da década de 1930 e com o agravamento da
situação política europeia, Oliveira Salazar definiu as bases e os objectivos
estratégicos do relacionamento externo de Portugal. Este elegeu a aliança com a
Grã-Bretanha e a sua proximidade à potência atlântica como o instrumento
fundamental, quer da independência nacional face ao eventual perigo hegemónico
da Espanha nacionalista, quer da manutenção do império colonial. Finalmente, o
Presidente do Conselho definiu a sobrevivência do regime como outro dos
objectivos estratégicos a prosseguir.
Estas linhas, profundamente analisadas por Fernando Rosas e António Telo, vão
revelar-se em alguns momentos contraditórias, mas permitiram que, com mais ou
menos sobressaltos, o regime salazarista sobrevivesse imune à II Guerra Mundial
22
. Sobretudo o trabalho de António Telo permite-nos compreender o contexto,
interno e externo, por detrás da decisão portuguesa de declarar a neutralidade.
Dando predominância à influência do sistema internacional sobre a decisão da
neutralidade portuguesa, o autor faz um enquadramento claro, demonstrando que a
atitude portuguesa durante a II Guerra Mundial não era uma originalidade do
estado novo, mas sim uma situação partilhada com os restantes estados neutrais
europeus. Sem ser um trabalho comparativo, a leitura proposta pelo autor deixa
pistas sobre abordagens metodológicas que poderiam ser melhor aproveitadas
pelos investigadores nacionais. Os estudos comparativos permitem claramente uma
melhor contextualização da posição portuguesa relativamente aos
desenvolvimentos da cena internacional.
Mas foi com o pós-guerra e a necessidade de adaptação ao sistema da Guerra Fria
que as relações internacionais do Estado Novo tiveram que ultrapassar maiores
dificuldades. Com um posicionamento ideológico conservador e autoritário, foi
com apreensão que Salazar assistiu à emergência dos estados unidos como
potência atlântica e à diminuição da influência de Londres nos assuntos
internacionais23. Até à adesão de Portugal à NATO em 1949, o regime português
atravessou um lento processo de adaptação que condicionaria a política externa
portuguesa até ao fim do regime. Por um lado, assistiu--se a integração de
Portugal nos vários organismos multilaterais fundados durante a Guerra Fria
(caso do Plano Marshall e da OECE) enquanto que, por outro lado, o regime
reforçou a sua obstinação perante o início do movimento descolonizador que
varreu a Ásia e a África.
A investigação sobre este processo de adaptação internacional realça a
importância geoestratégica dos açores como a razão da integração de um regime
autoritário no seio de organizações cujos princípios democráticos eram uma
pedra basilar. Luís Nuno Rodrigues examinou minuciosamente o processo de
aproximação de Portugal aos Estados Unidos, líder do mundo ocidental. O autor
demonstra como, pela mão da Grã-Bretanha, Lisboa se viu obrigada a estreitar as
relações com Washington, ainda que o receio português quanto à tradicional
posição anticolonialista norte-americana contribuísse para a desconfiança do
Presidente do conselho quanto às verdadeiras intenções da potência emergente24.
As reservas do regime português foram evidentes quando se iniciou o processo de
adesão às organizações multilaterais criadas no pós-guerra. Neste capítulo, os
trabalhos desenvolvidos por Maria Fernanda Rollo, em relação à participação de
Portugal no Plano Marshall, e de António Telo e de Nuno Severiano Teixeira, em
relação à adesão de Portugal à NATO, continuam de leitura obrigatória para a
compreensão da evolução da posição portuguesa numa dicotomia entre diplomacia
bilateral e diplomacia multilateral
25
. Estes autores demonstram a resistência inicial do regime salazarista em
relação às características multilaterais que marcavam o novo sistema
internacional, descrevendo a lenta mudança iniciada no pós-guerra. Porém, o
convite a Portugal para o clube restrito da NATO e a posição de relativo
isolamento internacional que a Espanha ainda vivia, contribuíram para que o
regime português compreendesse as vantagens desta aceitação, uma vez que
alcançava, finalmente, a tão desejada diferenciação em relação à sua vizinha
espanhola
26
.
A análise da política externa do estado novo após 1949 não ficaria completa sem
a referência à bifurcação que se assistiu nos estudos sobre as relações
internacionais portuguesas deste período. Por um lado, proliferam os estudos
sobre a resistência de Portugal à descolonização, enquanto que, por outro,
assiste-se ao desenvolvimento de trabalhos sobre a inserção de Portugal no
processo de integração europeia. Em relação ao primeiro ponto, houve um
conjunto de trabalhos que partiram de um importante texto, publicado em 1994
por António Telo. Este historiador demonstrou como Portugal, após conseguir a
sua inserção no bloco ocidental, a partir de finais dos anos 1950, vai proceder
a uma inversão na sua política de alianças que pressupôs um alargamento das
relações externas portuguesas junto de países com os quais não tinha
tradicionalmente relações estreitas e uma aproximação às potências continentais
europeias
27
.
Na linha deste trabalho, surgiu um conjunto de case studies, com um enfoque
marcadamente bilateral, que permitiu uma caracterização profunda e sistemática
de resistência portuguesa à descolonização. Luís Nuno Rodrigues analisou
pormenorizadamente as relações luso-americanas entre 1961 e 1963. Neste
período, a administração Kennedy ensaiou uma política de pressão junto do
Governo português no sentido de promover uma política que tendencialmente
conduzisse à autodeterminação das colónias portuguesas28. Quer ao nível
bilateral, mas também em organizações multilaterais como a ONU, à qual Portugal
tinha aderido em 1955, a administração Kennedy pressionou o Governo português
no sentido de este alterar a sua política colonial. Porém, com a aproximação da
necessidade de renegociar o acordo dos açores, Washington recua perante a
ameaça portuguesa em não renovar a autorização para a presença norte-americana
nas lajes enquanto não se assistisse a uma alteração de fundo da política
americana em relação ao colonialismo português.
Também Ana Mónica Fonseca e Daniel Marcos analisaram de perto a busca levada a
cabo pelo regime português para obter de Berlim e Paris o apoio que a
administração Kennedy não garantia à política colonial de Salazar. Na Alemanha
e na França, Portugal encontrou os aliados flexíveis, capazes de alimentar o
esforço de guerra português na África e evitar o isolamento internacional de
lisboa
29
. Já Pedro Oliveira, num exaustivo trabalho sobre a evolução das relações luso-
britânicas após a II Guerra Mundial, com um substancial enfoque na política
colonial portuguesa, tornou evidente que a perda de influência internacional
que o reino unido sofreu após o segundo conflito mundial foi fulcral para a
diminuição da importância do tratado secular que unia Portugal à Inglaterra
30
. A emergência de problemas nas próprias colónias britânicas, nomeadamente na
Rodésia, contribuiu para denegrir as cada vez mais débeis relações entre
Londres e Lisboa, levando a que a Inglaterra impusesse um bloqueio ao
importante porto moçambicano da Beira. Por detrás desta crise estava a cada vez
mais nítida parceria entre Lisboa e os regimes brancos da África Austral,
nomeadamente com a Rodésia de Ian Smith, tal como foi analisado no trabalho de
Luís Barroso
31
.
Ainda em relação à resistência portuguesa à descolonização, não se pode deixar
de referir os trabalhos desenvolvidos por Sandrine Bègue e Moisés Silva
Fernandes, que se debruçam sobre o ocaso do império português no oriente. No
caso de Sandrine Bègue, o seu trabalho demonstra como chegaram ao fim os
quatrocentos anos de presença portuguesa na Índia32. Quanto a Moisés Silva
Fernandes, no seu trabalho fica claro como Portugal conseguiu manter o pequeno
território de Macau incrustado na china comunista
33
.
A historiografia da política externa portuguesa perante os últimos anos do
colonialismo tem, contudo, algumas áreas pouco desenvolvidas. A análise da
participação de Portugal em organismos multilaterais onde o estado novo foi
confrontado com críticas à sua política colonial está ainda pouco desenvolvida,
sendo que os trabalhos de Calvet de Magalhães, Fernando Martins e A. E. Duarte
Silva, são ainda de leitura obrigatória34. Esta área necessita de ser
profundamente explorada, uma vez que é fundamental para compreendermos a
pressão externa exercida sobre o estado novo nos seus anos finais.
Recentemente, Luís Nuno Rodrigues demonstrou como foi turbulenta a participação
de Portugal na Unesco, sobretudo a partir do momento em que estalou a guerra
nas colónias portuguesas
35
.
Não podemos deixar de realçar que nos últimos anos se assistiu a uma
proliferação de estudos sobre o esforço bilateral de Portugal para resistir ao
movimento descolonizador. Este desenvolvimento permite, numa segunda fase,
passar para abordagens comparativas que se preocupem em compreender a
existência ou não de um excepcionalismo português em relação a esta situação. O
trabalho desenvolvido por Valentim Alexandre, apesar de ser uma versão
provisória de um projecto em curso, é uma das poucas publicações com esta
preocupação comparativa
36
. Contudo, neste campo, os principais trabalhos com esta abordagem são ainda
realizados por autores estrangeiros, na maioria das vezes especializados nos
temas do colonialismo. Desta forma, o seu enfoque sobre o colonialismo
português nem sempre reflecte a perspectiva da política externa portuguesa
37
.
Já no tocante à dimensão europeia da política externa do estado novo, temos nos
trabalhos de antónio costa Pinto e Nuno Severiano Teixeira a visão de conjunto
sobre o processo de aproximação de Portugal à Europa, numa obra que insere
Portugal numa comparação com os restantes países da Europa do Sul38. Ao
contrário do que os primeiros estudos apontavam, a retórica de Salazar em
relação ao processo de unificação europeia era bastante ambígua, já que ficou
claro pelos trabalhos destes dois autores que, apesar das reticências do
Presidente do conselho em relação aos projectos federalistas europeus, Salazar
permitiu a aproximação portuguesa, sobretudo numa vertente económica, à Europa.
Trabalhos como os de Pedro Cantinho Pereira, Elsa Santos Alípio e Nicolau
Andresen-Leitão aprofundam e sistematizam o conhecimento sobre esta matéria
39
.
A finalizar a análise sobre a política externa do estado novo não se pode
deixar de referir um trabalho importante que, não se focando apenas nas
questões de política externa, acaba por ser um contributo importante para a sua
análise. Na obra biográfica sobre oliveira Salazar, Filipe Ribeiro de Meneses
reserva importantes páginas acerca da posição internacional de Portugal durante
o regime salazarista. O autor desenvolve uma análise atenta das condicionantes
e dos objectivos perseguidos pelo Presidente do Conselho, em especial no que
toca ao período da Guerra Civil de Espanha, à II Guerra Mundial, à inserção de
Portugal no sistema internacional do pós-guerra e à resistência portuguesa à
descolonização
40
. Apesar de não ser o principal objecto de estudo do trabalho de ribeiro de
Meneses, percebe-se que o registo biográfico demonstra ser uma forma importante
de analisar os temas da política externa portuguesa. Este estilo poderia e
deveria ser mais vezes utilizado, de forma a permitir uma melhor compreensão
dos actores e dos processos de decisão envolvidos na definição das relações
externas portuguesas.
A transição para a democracia
O golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 veio marcar o fim do estado novo e dar
início a um período de indefinição na política externa portuguesa, devido à
situação revolucionária vivida nos meses seguintes. Este processo conduziu à
multiplicação das relações externas portuguesas, não só ao nível governamental
como, principalmente, ao nível dos actores não estatais, como os membros dos
partidos políticos e os membros do MFA. Ao nível das relações externas, o
período revolucionário permitiu um corte radical com as bases tradicionais da
política externa, uma vez que causou o início do processo de descolonização do
império colonial português e contribuiu para a aproximação de Portugal à Europa
comunitária, desta vez com o objectivo de adesão41.
Neste sentido, os principais trabalhos sobre a história da política externa
portuguesa no período pós-25 de Abril têm incidido sobre uma destas duas
dimensões. No que diz respeito ao estudo da descolonização portuguesa, o
trabalho de Norrie MacQueen constitui uma abordagem internacional bastante
importante42. Para além de fazer uma análise de contexto do colonialismo
português, MacQueen desenvolve também o tema das relações entre Portugal e os
países lusófonos africanos e a sua importância no estabelecimento da política
externa portuguesa no período pós-consolidação democrática em Portugal.
António Costa Pinto sistematizou as principais dinâmicas relacionadas com o
contexto internacional do fim do império português
43
. Abarcando o período entre o início da guerra colonial em Angola até 1975,
Costa Pinto conclui que o colonialismo português se prendia mais com a
sobrevivência do regime do que com a sua importância económica para a metrópole
e que, consequentemente, com o fim do Estado Novo em 1974, não haveria já
espaço para outra solução que não fosse a da descolonização imediata de todos
os territórios sob administração portuguesa na África.
Finalmente, um dos mais recentes contributos para a análise do processo de
descolonização portuguesa, em especial no que diz respeito à dimensão
internacional da descolonização, é feito na biografia de António de Spínola, da
autoria de Luís Nuno Rodrigues
44
. Ao focar-se numa das personagens mais importantes no processo de
descolonização, tornam-se perceptíveis as disputas no seio das autoridades
portuguesas relativamente ao caminho a seguir no que dizia respeito ao fim do
império português. As pressões internacionais no sentido da descolonização
fizeram-se sentir em Lisboa logo após o golpe dos capitães. Quando ficou claro
que o General Spínola se manteria firme na defesa de uma solução faseada para o
futuro das colónias, acabou por ser afastado do poder em Setembro de 1974.
Uma outra dimensão da política externa portuguesa durante os anos da transição
para a democracia prende-se com o contexto internacional. Apesar de ser
largamente divulgada a ideia de que os apoios internacionais à transição foram
um dos elementos determinantes para compreender o seu desfecho, ainda pouco se
conhece sobre a sua realidade. Os primeiros trabalhos a focarem esta dimensão
são da responsabilidade de José Medeiros Ferreira e António Telo. O trabalho de
Medeiros Ferreira foca-se nas principais dimensões do contexto internacional da
transição portuguesa: a posição de cada uma das superpotências (Estados Unidos
e URSS), o apoio da Europa ocidental às forças moderadas e a atenção redobrada
que o caso português provocou na sua vizinha Espanha45. Por seu lado, António
Telo parte para a sua análise sobre as relações internacionais da transição
portuguesa com uma base cronológica
46
. Através da evolução da situação portuguesa, observamos como se desenvolveram
os apoios internacionais à democracia em Portugal. Também Kenneth Maxwell
aborda a questão dos apoios externos à democratização portuguesa, como um dos
elementos que terão contribuído para o reforço das forças políticas moderadas
e, consequentemente, para o resultado final do processo revolucionário
português
47
.
Nos últimos anos têm vindo a ser publicados vários trabalhos sobre este
período. Tiago Moreira de Sá focou-se no papel dos Estados Unidos durante a
transição portuguesa
48
.Tidos frequentemente como um dos principais actores internacionais, por serem
a superpotência ocidental, conclui-se neste trabalho que os Estados Unidos
perceberam tardiamente o que realmente se passava em Portugal e apenas depois
da radicalização política foi possível delinear um plano de apoio às forças
moderadas. De acordo com o autor, uma das razões para esse despertar tardio
prendeu-se com a evolução que se verificou no contexto internacional, que
colocava os estados unidos numa posição menos propícia em intervenções directas
junto dos seus aliados. Como Ana Mónica Fonseca demonstrou, coube à república
federal da Alemanha o papel activo que o líder do sistema ocidental não
desempenhou
49
. Sendo um dos principais países da Europa Ocidental, a RFA tinha os meios e a
vontade política para tentar favorecer o estabelecimento de uma democracia
pluralista em Lisboa. Isto foi feito quer através de contactos directos com os
responsáveis políticos portugueses, quer através de pressões indirectas sobre
os estados unidos e a união soviética. A URSS e os países do bloco ocidental
terão tido igualmente um papel relevante no curso do processo revolucionário
português, em particular no apoio que terão dado ao Partido comunista
Português. O trabalho de Tilo Wagner sobre a república Democrática alemã e o
apoio dado ao Partido comunista Português é um dos pouco existentes, elaborados
com recurso a fontes da própria RDA
50
.
A acrescentar a estas abordagens bilaterais, um outro aspecto amplamente
estudado pela historiografia é a aproximação de Portugal às comunidades
europeias. Para além das referências feitas nos trabalhos atrás citados de José
Medeiros ferreira e de antónio Telo, dois outros surgiram recentemente que se
focam especificamente sobre este tema. Francisco Castro estuda detalhadamente o
processo de aproximação e de negociação entre Portugal e a CEE com vista à
futura adesão de Portugal
51
. Nuno Severiano Teixeira, por seu lado, faz uma análise de conjunto da
evolução da política externa portuguesa, concluindo que o processo de
aproximação de Portugal às comunidades europeias marca uma ruptura fundamental
da política externa portuguesa, com o afastamento em relação à África e a
viragem para a Europa52.
Conclusão: perspectivas para o estudo da política externa
Como fica demonstrado, nos últimos dez anos a investigação sobre a política
externa portuguesa, desde finais da Monarquia constitucional até à transição
para a Democracia, recebeu importantes contributos científicos. Os novos
trabalhos reflectem já uma nova forma de estudar a política externa portuguesa,
solidamente documentada com fontes nacionais e estrangeiras, permitindo uma
melhor compreensão dos constrangimentos externos e internos para a formulação
da política externa. Esta evolução fez-se de maneira harmoniosa na medida em
que o enfoque dado na análise dos constrangimentos externos fez-se sem descurar
a importância que os factores internos têm na formulação desta política.
Contudo, existem ainda alguns períodos cronológicos e novas perspectivas
metodológicas que contribuiriam para uma mais profunda leitura destes temas.
Numa perspectiva cronológica, o período da I República necessitava, como
procurámos demonstrar, de uma actualização das suas leituras. Adicionalmente, e
saindo de uma perspectiva meramente cronológica, existem novas abordagens ainda
por explorar. Os estudos sobre a política externa portuguesa têm ainda
características analíticas focadas no estudo de case studies, sendo que o
predomínio de enfoques bilaterais nem sempre possibilita uma melhor compreensão
das suas linhas de força. Por exemplo, a análise da participação de Portugal
nas organizações multilaterais, nomeadamente na Sociedade das Nações e na ONU,
deveria ser aprofundada, procurando reforçar a componente multilateral, tão
importante para a política externa portuguesa.
Simultaneamente, as abordagens comparativas são vitais para uma compreensão
total da posição de Portugal no mundo, bem como para promover uma melhor
internacionalização da investigação científica feita ao nível nacional. Os
esforços atrás referidos de António Costa Pinto e de Nuno Severiano Teixeira
são exemplos claros do caminho a seguir, permitindo uma melhor divulgação dos
temas nacionais junto de públicos estrangeiros. Nomeadamente nas áreas com mais
interesses externos, como é o caso, por exemplo, dos temas relacionados com a
resistência portuguesa à descolonização, esse trabalho deveria ser prosseguido.
Não podemos, também, deixar de referir que a historiografia portuguesa se tem
mantido, de certa forma, imune a novas abordagens, cada vez mais utilizadas nas
investigações internacionais. Por exemplo, são raros os trabalhos focados sobre
o papel desempenhado pelos actores não governamentais e transnacionais, tais
como grupos missionários, partidos políticos, e o seu impacto na formulação da
política externa. Uma outra dimensão a ter em atenção são as abordagens que
partem de temas relacionados com a ideologia, a identidade nacional, a cultura
ou as diferenças étnicas para trazer nova luz à historiografia sobre as
relações internacionais portuguesas. Neste campo, o trabalho inovador feito por
Cláudia Castelo é ainda um dos poucos existentes a demonstrar como a ideologia
foi posta ao serviço da política externa portuguesa53. Finalmente, uma chamada
de atenção para a necessidade de se desenvolverem estudos focados no papel dos
militares nas relações externas portuguesas, tão importante já que, como
demonstram vários trabalhos de José Medeiros Ferreira, de Maria Carrilho e de
Maria Inácia Rezola, o século XX português ficou marcado por constantes
intervenções deste grupo na vida política portuguesa54.
Embora haja sempre novos caminhos a percorrer, a história da política externa
portuguesa avançou bastante na última década, sendo que podemos concluir que
estamos perante um dos campos mais dinâmicos da investigação em ciências
sociais e humanas.
Notas
1
TEIXEIRA, Nuno Severiano ' «Entre África e a Europa: Política Externa
Portuguesa, 1890-2000», In António Costa Pinto (coord.), Portugal
Contemporâneo. Lisboa: D. Quixote, 2005, pp. 87-116.
2
FERREIRA, José Medeiros ' Cinco Regimes na Política Internacional. Lisboa:
Editorial Presença, 2005.
3
Esta tese, composta por treze argumentos, foi publicada pela primeira vez no
final da década de 1990. Conferir TELO, António José ' Treze Teses sobre a
disfunção social ' Portugal no sistema internacional in Análise Social, n.º
142, 1997, pp. 649-683. Mais tarde, esta análise desenvolveu-se, com a inclusão
de um levantamento sintético dos acontecimentos da política externa portuguesa
nos últimos dois séculos. Ver TELO, António José e GÓMEZ, Hipólito de la Torre
' Portugal e Espanha nos sistemas internacionais contemporâneos. Lisboa,
Edições Cosmos, 2000.
4
TEIXEIRA, Nuno Severiano ' O Ultimatum Inglês - Política Externa e Política
Interna no Portugal de 1890, Lisboa: Publicações Alfa, 1990 e ALEXANDRE,
Valentim ' Velho Brasil Novas Áfricas. Portugal e o Império (1808-1975),
Lisboa: Edições Afrontamento, 2000.
5
COSTA, Fernando ' Portugal e a Guerra Anglo-Boer. Política Externa e Opinião
Pública (1899-1902), Lisboa: Edições Cosmos, 1998. Mais recentemente, o autor
publicou um trabalho de síntese em: COSTA, Fernando ' «A Política Externa: do
Ultimatum à República», In MARTINS, Fernando (coord.) ' Diplomacia &
Guerra: Política Externa e Política de Defesa em Portugal. Do Final da
Monarquia ao Marcelismo, Lisboa: Edições Colibri-CIDEHUS-Universidade de Évora,
2001, pp. 45-67.
6
TEIXEIRA, Nuno Severiano ' O Ultimatum Inglês - Política Externa e Política
Interna no Portugal de 1890
7
GUEVARA, Gisela ' As Relações entre Portugal e a Alemanha em torno de África:
Finais do Século XIX e Inícios do Século XX, Lisboa: Instituto Diplomático,
2006.
8
RAMOS, Rui ' D. Carlos. Lisboa: Temas & Debates, 2007. No seu livro mais
recente sobre a primeira república, António José Telo também valoriza este
aspecto. Ver: TELO, António José ' Primeira República I. Do sonho à realidade,
Lisboa: Editorial Presença, 2010
9
TEIXEIRA, Nuno Severiano ' O Poder e a Guerra 1914-1918. Objectivos Nacionais e
Estratégias Políticas na Entrada de Portugal na Grande Guerra (Lisboa:
Editorial Estampa, 1996).
10
GOMÉZ, Hipólito de la Torre ' Na encruzilhada da Grande Guerra. Portugal-
Espanha 1913-1919. Lisboa: Editorial Estampa, 1998.
11
FERREIRA, José Medeiros ' Portugal na Conferência de Paz, Paris 1919, Lisboa:
Quetzal Editores, 1992. Mais recentemente foram publicadas as Actas da
delegação portuguesa à Conferência de Paz, com uma introdução analítica de
Duarte Ivo Cruz. Ver CRUZ, Duarte Ivo ' Estratégia Portuguesa na Conferência de
Paz 1918-1919. As Actas da Delegação Portuguesa, Lisboa: FLAD, 2010
12
RAMOS, Rui ' A Revolução Republicana de 1910 e a Política Externa Portuguesa,
em ALMEIDA, João Marques e RAMOS,Rui ' Revoluções, Política Externa e Política
de Defesa em Portugal, Séc. XIX-XX, pp. 55-94, Lisboa: Edições Cosmos, 2008.
13
SAMARA, Alice ' A política externa e a política de defesa: do Cinco de Outubro
ao Sidonismo,, In MARTINS, Fernando (coord.) ' Diplomacia & Guerra:
Política Externa e Política de Defesa em Portugal. Do final da Monarquia ao
Marcelismo, Lisboa: Edições Colibri-CIDEHUS-Universidade de Évora, pp. 69-81.
14
MENESES, Filipe Ribeiro ' União Sagrada e Sidonismo. Portugal em Guerra (1916-
1918), Lisboa: Edições Cosmos, 2000.
15
FRAGA, Luís Alva ' Do Intervencionismo ao Sidonismo. Os dois segmentos da
política de guerra na 1.ª República. 1916-1918, Coimbra: Imprensa da
Universidade de Coimbra, 2010
16
TELO, António José ' Primeira República I. Do sonho à realidade, Lisboa:
Editorial Presença, 2010. Das obras gerais, referência ainda para ROSAS,
Fernando e ROLLO, Maria Fernanda ' História da Primeira República Portuguesa,
Lisboa: Tinta-da-China, 2010 e AFONSO, Aniceto e GOMES, Carlos Matos ' Portugal
e a Grande Guerra, Porto: Quidnovi, 2010
17
TELO, António José ' «Política Externa», In Dicionário de História do Estado
Novo, Vol. II, Lisboa: Bertrand Editora, 1996, pp. 769-776; FERREIRA, José
Medeiros ' Cinco Regimes na Política Internacional. Lisboa: Editorial Presença,
2005, ALEXANDRE, Valentim ' O Roubo das Almas. Salazar, a Igreja e os
Totalitarismos (1930-1939), Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2006.
18
ROSAS, Fernando ' O Salazarismo e Aliança Luso-Britânica. Estudos sobre a
Política Externa do Estado Novo nos Anos 30 e 40, Lisboa: Editorial Fragmentos,
1988
19
GOMÉZ, Hipólito de la Torre ' Do Perigo Espanhol à Amizade Peninsular.
Portugal ' Espanha 1919-1930. Lisboa: Editorial Estampa, 1998.
20ALEXANDRE, Valentim ' O Roubo das Almas. Salazar, a Igreja e os
Totalitarismos (1930-1939), Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2006. Contudo, os
trabalhos de César Oliveira, Fernando Rosas e Hipólito de la Torre Goméz
constituem, ainda, a leitura mais abrangente sobre esta temática.OLIVEIRA,
César ' Salazar e a Guerra Civil de Espanha, Lisboa: Edições "O
Jornal", 1988 e ROSAS, Fernando (coord.) ' Portugal e a Guerra Civil de
Espanha, Lisboa: Edições Colibri, 1998, GOMÉZ, Hipólito de la Torre ' A Relação
Peninsular na Antecâmara da Guerra Civil de Espanha (1931-1936), Lisboa:
Edições Cosmos, 1998
21OLIVEIRA, Pedro Aires ' Atribulações de um Fascista Anglófilo. «Armindo
Monteiro: Uma Biografia Política», Lisboa: Bertrand Editora, 2000
22TELO, António José ' A Neutralidade Portuguesa e o Ouro Nazi,Lisboa: Quetzal
Editores, 2000ROSAS, Fernando (coord.) ' História de Portugal: O Estado Novo,
Vol. VII, Lisboa: Círculo de Leitores, 1994. Sobre a consolidação internacional
de Portugal até ao início da Segunda Guerra Mundial conferir o papel relevante
que a assinatura da Concordata de 1940 teve, vd. REIS, Bruno Cardoso ' Salazar
e o Vaticano, Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 2006.
23Sobre este assunto, ver CASTAÑO, David ' Paternalismo e cumplicidade: As
relações luso-britânicas de 1943 a 1949, Lisboa: Associação dos Amigos do
Arquivo Histórico Diplomático, 2006 e OLIVEIRA, Pedro Aires ' Os despojos da
Aliança. A Grã-Bretanha e a questão colonial portuguesa 1945-1975, Lisboa:
Tinta da China , 2007
24RODRIGUES, Luís Nuno ' No Coração do Atlântico: os Estados Unidos e os
Açores, Lisboa: Prefácio Editora, 2005
25ROLLO, Maria Fernanda ' Portugal e o Plano Marshall. Da rejeição à
solicitação da ajuda financeira norte-americana (1947-1952), Lisboa: Editorial
Estampa, 1994; TELO, António José ' Portugal e a NATO. O reencontro da tradição
Atlântica, Lisboa: Edições Cosmos, 1996 e TEIXEIRA, Nuno Severiano ' Da
neutralidade ao alinhamento. Portugal na Fundação do Pacto do Atlântico, In
Análise Social XXVIII, n.º 120, 1993, pp. 55-80. Mais recentemente, Maria
Fernanda Rollo aprofundou o seu campo de análise com a publicação integral da
sua tese de doutoramento que analisa o impacto que o Plano Marshall teve na
economia portuguesa nos anos 1950. Ver ROLLO, Maria Fernanda ' Portugal e a
Reconstrução Económica do Pós-Guerra. O Plano Marshall e a economia portuguesa
dos anos 50, Lisboa: Instituto Diplomático, 2007.
26REDONDO, Juan Carlos Jiménez ' Franco e Salazar. As relações Luso-espanholas
durante a Guerra Fria, Lisboa: Assírio e Alvim, 1996
27TELO, António José ' As guerras de África e a mudança nos apoios
internacionais de Portugal, In Revista História das Ideias n.º 16, 1994, pp.
347-369.
28RODRIGUES, Luis Nuno ' Salazar e Kennedy: a crise de uma aliança. As relações
luso-americanas entre 1961 e 1963, Lisboa: Editorial Notícias, 2002
29FONSECA, Ana Mónica ' A Força das Armas: o apoio da República Federal da
Alemanha ao Estado Novo (1958-1968), Lisboa: Instituto Diplomático: 2007 e
MARCOS, Daniel ' Salazar e De Gaulle: a França e a Questão Colonial Portuguesa
(1958-1968), Lisboa: Instituto Diplomático, 2007.
30OLIVEIRA, Pedro Aires ' Os despojos da Aliança. A Grã-Bretanha e a questão
colonial portuguesa 1945-1975, Lisboa: Tinta da China, 2007
31BARROSO, Luis ' Salazar e Ian Smith. O apoio de Portugal à Rodésia (1964-
1969), Lisboa: Instituto Diplomático, 2009
32BÈGUE, Sandrine ' La Fin de Goa et de l'Estado Português da Índia, Lisboa:
Instituto Diplomático, 2007
33FERNANDES, Moisés Silva ' Macau na Política Externa Chinesa. 1949-1979,
Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 2006
34MAGALHÃES, José Calvet ' Portugal e as Nações Unidas: A Questão Colonial
(1955-1974), Lisboa: Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais, 1996;
MARTINS, Fernando ' A Política Externa do Estado Novo, O Ultramar, e a ONU.
Uma Doutrina Histórico-Jurídica (1955-1968), In Penélope, n.º 18, 1998, pp.
189-206; SILVA, António Duarte ' O litígio entre Portugal e a ONU (1960-
1974), In Análise Social XXX, n.º 130, 1995, pp. 5-50.
35RODRIGUES, Luís Nuno ' Da criação da UNESCO à adesão de Portugal (1946-
1965), In Relações Internacionais, n.º 12, Lisboa: IPRI-UNL, 2006, pp. 167-181
36ALEXANDRE, Valentim ' A descolonização portuguesa em perspectiva comparada,
In Portugal, os Estados Unidos e a África Austral, ed. Manuela Franco, Lisboa:
flad, 2006, pp. 31-59.
37WESTAD, Odd Arne ' The Global Cold War, Cambridge: Cambridge University
Press, 2005 e MARTIN Thomas; MOORRE, Bob e BUTLER, L. J.(coord.) ' Crises of
Empire. Decolonization and Europe's Imperial States 1918-1975, Londres: Hooder
Education, 2008
38PINTO, António Costa e TEIXEIRA, Nuno Severiano ' Portugal e a integração
Europeia, 1945-1986, In A Europa do Sul e a Construção da União Europeia,
1945-2000, Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 2005.
39PEREIRA, Pedro Cantinho ' Portugal e o Início da Construção Europeia (1947-
1953), Lisboa: Instituto Diplomático, 2006; ALÍPIO, Elsa Santos ' Salazar e a
Europa. História da Adesão à EFTA (1956-1960), Lisboa: Livros Horizonte, 2006;
ANDRESEN-LEITÃO, Nicolau ' Estado Novo - Democracia e Europa (1947-1986),
Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 2007
40MENESES, Filipe Ribeiro de ' Salazar, Lisboa: Editora Dom Quixote, 2010
41De realçar que, ao nível da formulação da política externa, no final do
Estado Novo, durante o Marcelismo, já eram visíveis as clivagens internas do
regime, entre Europeístas e africanistas, tal como demonstra Pedro Aires
Oliveira num texto síntese e José Manuel Tavares Castilho. Ver: OLIVEIRA, Pedro
Aires ' A Política Externa, In ROSAS, Fernando e OLIVEIRA, Pedro Aires ' A
Transição Falhada. O Marcelismo e o fim do Estado Novo (19681974), Lisboa:
Notícias Editorial, 2004, pp. 303-337 e CASTILHO, José Manuel Tavares ' A ideia
de Europa no Marcelismo (1968-1974), Lisboa: Assembleia da República, 2000.
42MACQUEEN, Norrie ' A descolonização da África portuguesa, Mem Martins:
Editorial Inquérito, 1998.
43PINTO, António Costa ' O Fim do Império Português. A Cena Internacional, a
Guerra Colonial, e a Descolonização, 1961-1975, Lisboa: Livros Horizonte, 2001.
44RODRIGUES, Luís Nuno ' Spínola, Lisboa: Esfera dos Livros, 2010.
45São vários os trabalhos onde Medeiros Ferreira explora estas questões. O mais
recente é: FERREIRA, José Medeiros ' Cinco Regimes na Política Internacional,
Lisboa: Editorial Presença, 2006
46TELO, António José ' As relações internacionais da transição, In BRITO,José
Maria (coord.) ' Do Marcelismo ao Fim do Império, Lisboa: Editorial Notícias,
1999, pp. 225-267.
47MAXWELL, Kenneth ' A Construção da Democracia em Portugal, Lisboa: Editorial
Presença, 1999.
48SÁ, Tiago Moreira de ' Os Estados Unidos da América e a Democracia Portuguesa
(1974-1976), Lisboa: Instituto Diplomático, 2009.
49FONSECA, Ana Mónica ' The Federal Republic of Germany and the Portuguese
Transition to Democracy (1974-1976), In Journal of European Integration
History 15, n.º 1, 2009, pp. 35-56
50WAGNER, Tilo ' Portugal e a RDA durante a Revolução dos Cravos, In Relações
Internacionais, n.º 11, Lisboa: IPRI-UNL, 2006, pp. 79-89
51CASTRO, Francisco ' O pedido de adesão de Portugal às Comunidades Europeias.
Aspectos Político-diplomáticos, Lisboa: Princípia, 2010
52TEIXEIRA, Nuno Severiano (coord.) ' The International Dimensions of
Democratization: Comparative Perspectives, Londres: Routledge, 2008.
53CASTELO, Cláudia ' "O Modo Português de estar no Mundo". O Luso-
tropicalismo e a ideologia colonial portuguesa (1933-1961), Lisboa: Edições
Afrontamento, 1998.
54FERREIRA, José Medeiros ' O Comportamento Político dos Militares. Forças
armadas e regimes políticos em Portugal no século XX,Lisboa: Editorial Estampa,
1992; CARRILHO, Maria ' Forças armadas e mudança política em Portugal no séc.
XX: para uma explicação sociológica do papel dos militares, Lisboa: Imprensa
Nacional Casa da Moeda, 1985; REZOLA, Maria Inácia ' Os militares na Revolução
de Abril. O Conselho da Revolução e a transição para a Democracia em Portugal
(1974-1976), Lisboa: Campo da Comunicação, 2006.
Rua Dona Estefânia, 195, 5 D
1000-155 Lisboa
Portugal
ipri@ipri.pt