O apoio de Salazar a Ian Smith. Uma análise poli-heurística
Em 1965, o primeiro-ministro rodesiano, Ian Smith, com o apoio e incentivo de
Portugal, declarou unilateralmente a sua independência (DUI) da Grã-Bretanha,
dando início a uma crise regional que durou cerca de uma década.
Ao decidir apoiar e incentivar Smith, Oliveira Salazar envolve Portugal na
crise, pois pretendia que aquele saísse vencedor do diferendo com a Inglaterra.
Desse modo, contribuía para que um governo negro nacionalista não chegasse ao
poder na Rodésia do Sul e, por conseguinte, limitava apoios para os movimentos
de libertação que actuavam em Angola e Moçambique. Todavia, sendo já debilitada
a sua posição devido às atitudes britânica e norte-americana quanto à política
colonial, o apoio de Portugal a Ian Smith acarretaria também o antagonismo dos
países afro-asiáticos, agravando ainda mais a sua posição internacional.
Então, como se pode explicar, em termos teóricos, a opção de Oliveira Salazar
em incentivar a DUI e apoiar Smith, mesmo sabendo que essa decisão
enfraqueceria a posição internacional de Portugal?
A resposta a esta questão é a razão deste ensaio, cujo objectivo é explicar a
decisão de Oliveira Salazar segundo a teoria poliheurística (PH) da tomada de
decisão[1]. Para o efeito procedeu-se à interpretação de um conjunto de
acontecimentos e documentos existentes, na sua maioria, em fontes primárias dos
arquivos consultados. Para além dessas evidências não se dispôs de fontes que
descrevessem o processo de tomada de decisão, pelo que a informação apresentada
resulta da síntese de informação organizada segundo os pontos de referência da
teoria PH.
O debate acerca da teoria, seja ela baseada na heurística cognitiva ou
holística racional, que melhor explica a tomada de decisão dos líderes
políticos em política externa tem estado no centro das pesquisas no âmbito das
ciências sociais[2].
Pensa-se que a teoria PH explica de forma simples e cabal a decisão de Salazar.
A teoria PH de tomada de decisão tem gerado imensos trabalhos publicados que
fazem uso das mais variadas técnicas. Todavia, para o objectivo deste ensaio, a
abordagem PH que se pretende apresentar focaliza-se nas actividades finais do
processo da tomada de decisão: o desenvolvimento e escolha de opções. O objecto
de investigação do modelo PH compreende o ambiente e condições que moldam as
decisões em política externa bem como o processo cognitivo do decisor que lhes
está associado[3]. A teoria PH apresenta-se como uma alternativa ao modelo
racional clássico e ao modelo cibernético explicativos dos processos de tomada
de decisão dominantes desde a década de 1940, no âmbito da política
internacional, mais orientados ao processo do que aos resultados[4].
A referência dominante na tomada de decisão em política externa é a do líder
racional, sendo a racionalidade entendida como pressuposto da decisão política
na procura de modalidades de acção adequadas, entre uma multiplicidade de
alternativas, de acordo com uma situação específica[5]. O conceito de
racionalidade é de difícil definição, mas o que parece evidente é a sua conexão
com a razoabilidade, ou seja, a decisão que mais facilmente atinge os
objectivos com o mínimo de custos. Por dedução, objectivo, ou interesse, para o
processo da tomada da decisão política, representa o elemento de ligação entre
a racionalidade e a situação.
Segundo o modelo da teoria PH, a tomada de decisão centra-se num processo a
dois níveis. No primeiro nível, as possibilidades de escolha são afuniladas por
critérios que classificam opções em não compensatórias, eliminando à partida um
conjunto de opções através da heurística[6]. Num segundo nível, as alternativas
avaliam-se de acordo com o princípio da maximização de ganhos e da minimização
de prejuízos. Deste modo, a teoria PH focaliza-se no resultado da decisão[7].
Os exemplos típicos da heurística baseada em critérios não compensatórios, que
eliminam à partida um conjunto de opções, são, por exemplo, ameaças à
sobrevivência do líder ou regime e constrangimentos ao uso da força.
No primeiro nível, a teoria PH envolve um processo de decisão cognitivo
(intuitivo) não holístico, extremamente importante na primeira escolha. O
segundo nível envolve um processo de tomada de decisão analítico, em que o
processo racional (analítico) se pode sobrepor durante a tomada de decisão[8].
O valor que o modelo PH parece introduzir na análise das relações
internacionais é o reconhecimento de que os líderes políticos utilizam uma
mistura de estratégias, incluindo estratégias subóptimas, ou seja, estratégias
não totalmente adequadas à situação[9]. A teoria PH é aplicável aos regimes
democráticos e não democráticos, mas é necessário reconhecer que os
constrangimentos à tomada de decisão variam em cada tipo de regime. É também
aplicável a decisões individuais e a decisões de grupo em situações com
repercussão ao nível estratégico, e pretende explicar o modo como os líderes
políticos tomam decisões no âmbito da política externa[10].
A TEORIA POLI-HEURÍSTICA
A teoria PH de tomada de decisão constitui uma das áreas que recentemente se
tem destacado pelos inúmeros produtos de investigação relacionados com a tomada
de decisão em política externa[11]. Uma das razões que se aponta para este
interesse, reside no facto de o sistema internacional, como foco das
investigações nas relações internacionais, não explicar cabalmente o
comportamento dos estados, havendo a necessidade de relacionar os factores de
ordem política interna com o seu empenhamento na política externa[12].
Mais do que as suas preocupações com o Estado, uma das principais preocupações
dos líderes políticos parece ser o seu bem-estar. Isto parece evidente na longa
sobrevivência política de figuras como Saddam Hussein, Fidel Castro, Mobutu
Sese Seko, ou Ferdinando Marcos, ao mesmo tempo que os seus países empobreciam.
A evidência mostra também que líderes autocratas que se empenham em guerras que
exaurem o país podem perdurar no poder político[13]. Por outro lado, nos
regimes democráticos é o «espírito comercial» dos seus povos que pune o
empenhamento em guerras longas ou derrotas e que pode explicar, em certa
medida, por que razão a probabilidade de guerra entre democracias é francamente
baixa. Todavia, parece não haver muita relutância no empenhamento em conflitos
contra adversários muito mais fracos, como no caso das guerras coloniais ou de
expansão territorial[14]. Por conseguinte, a análise do empenhamento dos
estados nas relações internacionais deve ser também compreendida como uma
extensão da sua política interna. O que traz mais poder e segurança às
populações não significa a manutenção do líder político no poder, o que
acrescenta elementos muito importantes no estudo das relações internacionais,
como é o caso do processo de tomada de decisão política.
A teoria PH da tomada de decisão salienta os mecanismos cognitivos que intervêm
na «escolha» em política externa, ao considerar no universo das condições da
tomada de decisão os factores do ambiente operacional e os processos
cognitivos, focalizando-se no «para quê» e no «como» da tomada de decisão. A
palavra poli-heurística pode ser dividida nas suas duas componentes: poli, que
significa vários; e heurística que significa atalho. A teoria explica o
processo pelo qual os líderes políticos podem lidar com situações complexas,
simplificando o processo de tomada de decisão[15].
O processo de tomada de decisão envolve um conjunto de procedimentos que
permitem abordar um problema de uma forma sistemática, analisá-lo, gerar opções
e escolher aquela que melhor se adapta à situação. Isto não quer dizer que a
escolha seja a melhor, mas aquela que é a mais vantajosa (subóptima) de acordo
com a visualização que o decisor tem da situação. Em sentido lato, a tomada de
decisão baseia-se e combina dois tipos de processos diferenciados, o analítico
e o intuitivo, que teoricamente se diferenciam mas que na realidade são
executados de forma interdependente.
O processo analítico obedece a uma série de procedimentos baseados na ciência
da tomada de decisão a partir de um conjunto de dados relevantes a serem
tomados em conta para produzir um conjunto de opções. Baseado em critérios de
análise e na situação, analisam-se as opções para se chegar à mais adequada, ou
seja, aquela que obtém mais pontos positivos. A classificação das opções é
feita através da aplicação de critérios mensuráveis de avaliação e análise
utilizados para determinar vantagens e inconvenientes de cada uma. A escolha é
feita com recurso à aplicação de uma matriz de comparação que mostra claramente
a que tem mais vantagens de acordo com os critérios estabelecidos.
Por outro lado, o processo intuitivo é o método de tomada de decisão que
enfatiza o reconhecimento de padrões baseados no conhecimento, julgamento,
experiência, educação, percepção, intrepidez e carácter do decisor. Ao
contrário do processo analítico, que se concentra na comparação e escolha entre
múltiplas opções, o processo intuitivo centraliza-se na análise da situação
para mais rapidamente se chegar a uma opção adequada à situação. A abordagem ao
problema, a análise e escolha da opção mais adequada à situação são levadas a
cabo praticamente em simultâneo.
Em termos teóricos, embora se possa fazer uma distinção entre eles, os dois
processos estão intimamente ligados e combinam-se numa abordagem à tomada de
decisão que alguns cientistas chamam «memória inteligente», na qual o processo
analítico (racional) organiza a informação disponível enquanto a intuição do
decisor a combina de uma forma única para a tomada de decisão[16].
A teoria PH explica a utilização de processos analíticos e intuitivos, e tem
aplicação, por exemplo, no âmbito da segurança e defesa nacionais, na política
externa e nas relações económicas. Segundo esta teoria, os procedimentos da
tomada de decisão podem ser aplicados a decisões sequenciais, interactivas, em
contextos dinâmicos e estáticos e sob condições de grande incerteza e
ambiguidade[17]. A aplicação de atalhos permite aos líderes políticos lidarem
com grande volume de informação para a sumarizarem e, ao mesmo tempo, reduzirem
a sua complexidade. Uma das técnicas utilizadas é a regra da decisão não
compensatória, utilizada primariamente para eliminar as opções que podem
conduzir a resultados negativos que ponham em causa o primado do interesse
nacional. Isto quer dizer que mesmo os resultados positivos numa determinada
dimensão podem não compensar as perdas numa outra dimensão considerada
essencial. Independentemente do tipo de regime político em causa, são exemplos
de resultados negativos ' opção não compensatória ' os seguintes: ameaça à
sobrevivência do líder político; perda de apoio popular na implementação de
determinada opção política; perda de popularidade; previsão de derrota
eleitoral; aumento da oposição interna; fragmentação política nos apoiantes do
líder; desafio externo incomportável para o regime[18].
A teoria PH postula que os líderes políticos apliquem um processo de tomada de
decisão em dois níveis: no primeiro é aplicado um filtro que limita o número de
opções, eliminando as opções não compensatórias; no segundo é escolhida a opção
mais adequada na tentativa de minimizar riscos e maximizar ganhos[19].
No primeiro nível, a tomada de decisão envolve uma busca não exaustiva de
opções, onde a sobrevivência política do líder ou regime é o critério de
análise mais importante, podendo afirmar-se que aquele é o interesse nacional
mais importante para o decisor[20]. Por conseguinte, segundo a explicação PH, a
essência da decisão orienta-se primariamente nos efeitos na política interna
[21].
Num segundo nível, depois de eliminadas as opções não compensatórias, a tomada
de decisão envolve a maximização das opções que permitem a sobrevivência do
regime ou do líder. Neste sentido, durante a implementação da decisão, o líder
pode escolher entre um conjunto de «ramificações» que melhor sustente a opção
escolhida. Isto quer dizer que não existe um conjunto de regras nem
procedimentos definidos para lidar com os constrangimentos impostos pela
situação[22]. Adimensão política da decisão em política externa é sempre um
critério a ter em conta na aplicação do filtro opção não compensatória, fazendo
que os líderes políticos, num primeiro nível de decisão, avaliem o impacto da
sua decisão na política interna e só depois se focalizem noutras dimensões
como, por exemplo, a económica ou a diplomática[23].
A dimensão política é central na tomada de decisão, em especial nos regimes não
democráticos. Sabemos, ou podemos supor de forma razoável, que a política
externa dos regimes não democráticos funciona de modo diferente da dos regimes
democráticos. A característica que define a dimensão política da decisão é a
que directamente afecta a retenção do poder político, ou seja, a sobrevivência
política do líder ou regime[24]. Isto parece muito mais importante em regimes
autoritários, cujo efeito principal de uma decisão dramática pode ser o fim
abrupto do regime. De acordo com Barbara Geddes[25], para além das diferenças
óbvias entre democracias e autocracias, existem diferenças significativas entre
os vários tipos de regimes não democráticos e, consequentemente, entre
processos de tomada de decisão dos respectivos líderes. Não obstante o tipo de
regime, democrático ou não democrático, pode-se assumir que a dimensão política
da tomada de decisão se relaciona directamente com a manutenção do poder
político, seja qual for o meio pelo qual os líderes o alcancem.
APLICAÇÃO DA TEORIA POLI-HEURÍSTICAÀ TOMADA DE DECISÃO DE SALAZAR
Numa atitude que «desconjuntou as Nações Unidas», Ian Smith, o primeiro-
ministro da Rodésia do Sul, declarou a independência unilateral a 11 de
Novembro de 1965. Pela íntima ligação que se supunha existir entre Lisboa e
Salisbury, U Thant, então secretário-geral da onu, convocou Franco Nogueira
para uma reunião de emergência do Conselho de Segurança a fim de debater a
atitude do primeiro-ministro rodesiano. Depois de consultar Salazar, Franco
Nogueira recusou comparecer. A atitude do ministro português indiciava um claro
sinal da ligação entre ambos os governos. Pelos dados de que dispunham, os
governantes portugueses reconheciam que o problema rodesiano se iria manter por
muito tempo na sua política externa[26].
Definido entre Salazar e Smith em Lisboa, em Setembro de 1964, o apoio do
Governo português a Salisbury acabou por ser determinante na manutenção de
Smith no poder face às pressões britânicas e africanas, e no lançamento de
bases políticas para uma mais efectiva cooperação militar nos anos 1970 através
dos «Exercícios Alcora»[27]. Os resultados obtidos na investigação efectuada
evidenciam o esforço desenvolvido pelo Governo português em conceder apoio
político-diplomático, económico e militar à Rodésia, num período em que este
país era um Estado pária. Os casos da acreditação de Harry Reedman,
representante rodesiano em Lisboa que era «reconhecido» por Lisboa como
embaixador, do contorno ao embargo de combustíveis e o aprofundamento das
relações militares, nomeadamente ao nível de intelligence, são as evidências
empíricas desse esforço, espelhando claramente o empenho do Governo português
na sobrevivência e manutenção de Ian Smith no poder[28].
O envolvimento de Portugal na crise rodesiana deve ser enquadrado no esforço do
Governo português em ancorar-se em África, numa clara atitude de resistência à
descolonização. A «Guerra Colonial» tinha efectivamente começado em 1961 em
Angola e, pela primeira vez, Portugal não dispunha do apoio explícito dos seus
tradicionais aliados, os Estados Unidos e a Inglaterra[29]. Por esse motivo,
Portugal teve um interesse especial na crise provocada por Ian Smith. Além do
mais, o acto rodesiano constituiu um excelente pretexto para Salazar afrontar,
embora de forma indirecta, os ingleses, na sequência da falta de apoio efectivo
a Portugal na ocupação de Goa, Damão e Diu pela União Indiana e da posição do
Governo de H. Wilson em relação à política colonial portuguesa.
De acordo com o Governo português, a política britânica em África pretendia
impor um governo de maioria negra na Rodésia do Sul, que se traduziria numa
«transformação rápida e brutal» do país e que teria como resultado final
«cercar Moçambique de tanzânios (sic.)»[30]. No final de 1963, o fim da
Federação das Rodésias e da Niassilândia poderia representar o isolamento
político da Rodésia do Sul, um acontecimento grave para Lisboa, se o Governo
britânico, conservador, fosse substituído por um governo trabalhista, o que
viria a suceder em finais de 1964. Isto significaria o fim da Rodésia do Sul e
a criação de um Zimbabué, «parceiro ideal para a Zâmbia e para o Malawi»[31].
Para Salazar, essa zona da África (Moçambique, Angola, Rodésia e África do Sul)
era a «única garantia sólida e a única aliada da política do Ocidente em
África» e seria um «crime contra a civilização e contra o progresso [ ]
estender à África Austral» os «ventos de mudança» que tinham resultado em
«anarquia, miséria, conflitos políticos e bélicos» nos territórios que tinham
recebido a independência[32].
A situação política interna na Rodésia do Sul era uma enorme preocupação para o
Governo português, porque se achava que Ian Smith, «enfeudado a uma política de
recusa de concessões à maioria africana» por parte da Grã-Bretanha, poderia não
sobreviver[33]. Por conseguinte, em Lisboa havia razões para acreditar que
Smith poderia ser substituído por um governo «moderado» chefiado por Field ou
por Wellensky, que viesse a negociar com a Grã-Bretanha a representação
política da maioria negra, algo com «sérias implicações» para os interesses
(portugueses) de ordem política e militar[34].
De facto, Salazar reconhecia que um «governo de maioria negra» em Salisbury
provocaria «o pânico nos brancos e uma crise económica e financeira, de que os
restantes países africanos [Tanzânia e Gana]» eram «a demonstração quotidiana»,
lançando a Rodésia no «massacre e no caos». Por essas razões, para o Governo
português, a questão da Rodésia era um «problema vital», enraizando «a
convicção [de Salazar] de que tudo em África, a Sul do Zaire e do Rovuma», se
poderia salvar para o «ocidente, para a sua política e para a civilização» se
não «se perdesse a Rodésia»[35]. Salazar acreditava que uma guerra entre o
Ocidente e a URSS era provável e que Portugal, se mantivesse as suas possessões
em África, acabaria por ser reconhecido como preponderante na defesa dos
valores do Ocidente e como um travão à progressão comunista.
Nestas condições, em finais de Agosto de 1965, tornava-se eminente a DUI e
começava a desenhar-se no horizonte um grave incidente entre Portugal e a Grã-
Bretanha, que Franco Nogueira definiu em forma de opção política nos seguintes
termos:
«A questão da Rodésia é das mais difíceis que se nos deparou. Que
devemos fazer? Encorajar a Rodésia, levá-la à independência,
reconhecê-la? Que fará a Inglaterra? Que represálias? A verdade é que
da Inglaterra, neste caso, nada temos a esperar. Da Rodésia sempre
poderemos, se sobreviver, esperar alguma coisa. Não vejo que a
Inglaterra nos queira fazer muita mossa; e de modo nenhum que nos
dirija qualquer ultimatum como em 1890. E se a Rodésia desaparece?
Então perderemos 250.000 amigos dispostos a bater-se [ ] e ficamos
com os flancos interiores de Angola e Moçambique abertos à
infiltração. Se queremos continuar em África, teremos de aguentar, e
de nos encostar aos que querem ficar em África.»[36]
Oliveira Salazar, não tendo a mínima intenção de abdicar dos seus territórios
em África, em especial Angola e Moçambique, reconhecia que o controlo do
hinterland rodesiano ' Rodésia do Sul, Zâmbia e Malawi ' era essencial para a
luta contra-subversiva que Portugal estava a levar a cabo em Angola e
Moçambique. Tendo como imagem os acontecimentos em alguns países africanos que
se tinham tornado independentes[37], o Governo português, podendo influenciar o
rumo dos acontecimentos a seu favor, não pretendia correr o risco de permitir
novas ameaças junto às fronteiras de Angola e Moçambique. A opção de Salazar
tinha como efeito desejável impedir que o território rodesiano caísse sob
controlo da maioria negra nacionalista, e aí serem criadas outras importantes
bases de apoio aos movimentos de libertação com apoio da China e da URSS, como
acontecia de forma explícita com a Tanzânia.
As opções para Oliveira Salazar eram claramente diferenciadas: alinhar com a
Inglaterra e, de algum modo, amenizar a hostilidade dos países afro-asiáticos
representados nas Nações Unidas; ou apoiar Ian Smith e contar com mais um apoio
em África, para além da África do Sul, mesmo sabendo que essa decisão iria
desencadear a hostilidade da Inglaterra, e provavelmente dos Estados Unidos, e
da comunidade internacional.
O ambiente que rodeava o apoio de Portugal à Rodésia era extremamente complexo:
na África iniciavam-se as guerras contra-subversivas para a manutenção das
colónias; na onu, Portugal era alvo dos mais variados ataques devido à
persistência da sua política colonial; a Administração Kennedy corta o apoio
político a Lisboa; o Governo inglês de H. Wilson era um adversário da política
colonial portuguesa; Portugal tinha já perdido os seus territórios na Índia; e,
no final de 1963, com a secessão da Federação, Portugal vê-se ameaçado junto às
fronteiras de Angola e Moçambique com a criação de mais dois países, Malawi e
Zâmbia, com governos nacionalistas negros.
Ao decidir apoiar Smith, Salazar eliminou de imediato a opção não
compensatória: alinhar com a Inglaterra e permitir que Salisbury caísse nas
mãos dos nacionalistas. O interesse nacional ' «manter-se em África» '
enquadrava-se no pilar ideológico do Estado Novo. A Constituição incorporava o
Acto Colonial de 1930[38], iniciativa legislativa que centralizava política,
administrativa e financeiramente a gestão das colónias, «num todo indivisível
com a cabeça na Metrópole», onde residiria «a essência orgânica da Nação
Portuguesa»[39]. Na ordem política portuguesa do Estado Novo, a primeira
realidade era a existência independente da Nação portuguesa com o direito de
possuir fora do continente europeu o património marítimo, territorial, político
e espiritual abrangido na esfera do seu domínio ou influência. Procurava-se
firmar a noção moral e espiritual de um império que representasse de forma
muito clara um prolongamento de Portugal: a integridade da «Nação Portuguesa»
estava no centro da ideologia política do Estado Novo[40].
A partir de 1962, o Governo português passou a considerar territórios
essenciais, Moçambique, Angola e Cabo Verde e apenas em assuntos relativos aos
territórios não essenciais seria aceitável flexibilizar posições na política
externa. Passaria também a ser considerada uma reorientação das alianças, o que
obrigava ao reforço das relações com a Rodésia do Sul e com a RAS, com os quais
deveria ser considerada a possibilidade e a vantagem de concluir-se «pactos
militares secretos de assistência mútua local, e formas de cooperação económica
a serem regulados por tratados bilaterais»[41].
A dimensão política da decisão de Salazar residia na manutenção dos territórios
ultramarinos e concorria para a manutenção do regime, já que nenhuma outra
opção, para além do apoio à manutenção de Ian Smith na Rodésia, compensava o
risco da expansão da ameaça subversiva em Angola e Moçambique. A perda do
império era um acontecimento de tal modo trágico para o regime que a própria
soberania económica e política estaria comprometida por se achar que Portugal
deixaria de ter capacidade de se manter soberano no contexto europeu e ibérico.
Embora o regime de Smith fosse considerado um regime racista e fascista e poder
ser um golpe profundo no «luso-tropicalismo», que no discurso oficial do regime
português a partir do início dos anos 1950 havia substituído a supremacia
racial branca, a opção ancorava-se na base ideológica do Estado Novo.
Outra opção poderia ter sido alinhar com a Inglaterra. Ao fazê-lo fortaleceria
a posição de Portugal perante a comunidade internacional, podendo amenizar a
hostilidade na onu e dos países que faziam parte da Organização de Unidade
Africana (OUA)[42].
Depois de eliminada a opção não compensatória foi necessário maximizar os
ganhos e minimizar as perdas. Mesmo com um regime político que contrastava com
o proclamado desígnio do multirracialismo português, a Rodésia de Ian Smith
servia perfeitamente os interesses portugueses em África. Estava em causa a
segurança da fronteira sul de Moçambique, que com um governo cooperante na
Rodésia permitia concentrar esforços a Norte e fazer face às ameaças da Zâmbia
e do Tanganica. Adicionalmente, nos anos seguintes, já com Marcello Caetano no
poder, efectivou-se de intensa cooperação militar entre os dois países por se
considerar que a sua defesa e segurança estavam demasiado interdependentes e
não deveriam ser consideradas em separado[43].
Em termos económicos Portugal soube tirar proveito da aplicação de sanções à
Rodésia, maximizando o facto de Salisbury ter Lisboa como porta de acesso à
economia internacional, quase quadruplicando o volume de negócios. A vitalidade
dos negócios era tão evidente que foi inaugurada e explorada a carreira aérea
entre Lisboa e Salisbury, com voos semanais quase sempre esgotados por homens
de negócios[44].
Consciente dos «interesses a defender, dos riscos a correr, das legalidades em
confronto e de poderes em afrontamento», o Governo português não poderia
praticar «qualquer acto» que prejudicasse a posição inglesa em relação à
Rodésia. Na opinião de Fernando Nogueira, se Portugal assumisse uma atitude de
correcção escudada num princípio legal aceite internacionalmente, podia
oficialmente não afrontar a Grã-Bretanha e estabelecer os mecanismos que
permitissem a circulação de bens de e para a Rodésia[45]. De facto, perante a
Inglaterra e a comunidade internacional era necessário mostrar que Portugal se
mantinha neutro para não debilitar ainda mais a sua posição, principalmente na
onu. Querendo mostrar uma imagem de escrupuloso cumpridor da lei internacional,
que obrigava os países ribeirinhos a deixar abertas as linhas de comunicações a
países interiores, o Governo português ia mascarando o apoio a Salisbury com a
necessidade de abertura à Zâmbia e ao Malawi. Além do mais, causava boa
impressão aos países afro-asiáticos na onu e mostrava a Ian Smith a
determinação do seu apoio.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Embora a teoria PH tenha assumido alguma preponderância nos estudos de política
externa, tem também algumas limitações que devem ser tidas em consideração: a
PH é insuficiente a explicar como é que o problema é detectado pelo decisor e
como é que o processo da tomada de decisão se inicia; como as variáveis de
política interna, tais como as instituições e o contexto político, enquadram o
problema; a sensibilidade do decisor às questões da política interna; como se
explica que alguns decisores não considerem as questões de dimensão política na
tomada de decisão. Outras abordagens ' cognitive institucionalism, problem
representation e decision units[46] ' têm também assumido relevância nos
estudos de relações internacionais, não apenas como um corpo teórico próprio,
mas como um complemento à teoria PH, garantindo-lhe a versatilidade necessária
para se aplicar de uma forma mais expansiva[47].
A teoria PH é uma ferramenta extremamente importante na análise das relações
internacionais porque ajuda a prever a decisão mais provável do líder político,
tendo como base a importância da dimensão política das suas opções,
independentemente do regime político em causa. Todavia, esta abordagem só tem
aplicabilidade lógica tendo-se conhecimento dos critérios de política interna
que o líder aplica para determinar a opção não compensatória[48].
O valor acrescentado pela teoria PH nos estudos de relações internacionais está
relacionado com o facto de que a política externa não depende sempre das
interacções no sistema internacional nem da sua relação com a segurança da
unidade política, tal como a escola realista das relações internacionais
postula. Ao centrar-se no princípio da opção não compensatória, o decisor
político centra-se nos efeitos da política interna para eliminar as opções
inaceitáveis.
A teoria PH aplica-se a regimes democráticos e não democráticos, mas reconhece-
se que a dimensão política da decisão nos diferentes tipos de regime é
substancialmente diferente. Por conseguinte, o exercício analítico da tomada de
decisão em política externa não deve ser considerado um exercício arbitrário
mas um resultado de investigações no âmbito da caracterização do tipo de regime
em causa. Se o regime for uma ditadura militar, o analista deve focalizar a
dimensão política da decisão na relação entre o líder e a liderança militar. No
caso das democracias que exibem uma relação estreita entre o apoio popular e o
líder, factores como a proximidade de eleições ou a situação económica do país
são factores muito importantes na previsão da opção a tomar pelo decisor
político.
No exemplo que se apresentou não estava em causa uma alteração na situação
política interna em Portugal nem a sobrevivência de Oliveira Salazar, mas tão-
só a dimensão política que a manutenção do «Ultramar» representava na base
ideológica do Estado Novo: tratava-se de afirmar de forma irrevogável o direito
de possuir fora do continente europeu territórios inseparáveis de Portugal já
solenemente ligados através da promulgação do Acto Colonial.
Para além dessa essência integralista e nacionalista do regime, a percepção do
aumento da ameaça externa, personalizada nos movimentos de libertação e nos
países que os apoiavam na África e que podiam pôr em causa a manutenção do
«Ultramar», foi também um factor decisivo. A decisão em apoiar Ian Smith foi
seguida de um conjunto de actividades levadas a cabo, principalmente, pela
diplomacia, para maximizar a opção: mostrar à Inglaterra que a atitude do
Governo português era de base legalista ao afirmar a necessidade de conceder
acesso aos países interiores, ao mesmo tempo que mostrava à Zâmbia e ao Malawi
que teriam muito a ganhar em cooperar com Lisboa.
NOTAS
[1] Os dados que se apresentam neste texto são na sua maioria fruto da
investigação levada a acabo pelo autor no âmbito da dissertação de mestrado com
o título Salazar e Ian Smith: O Apoio de Portugal à Rodésia (1964-1968),
defendida a 24 de Outubro de 2008 no ISCTE.
[2] Mintz, Alex, Geva, Nehemia, e Redd, Steven B. ' «The effect of dynamic and
static choice sets on political decision making: an analysis using the decision
board platform». In American Political Science Review. N.º 91 (3), Setembro de
1997, pp. 553-568.
[3] Cf. Stern, Eric ' «Contextualizing and critiquing the poliheuristic
theory». In Diehl, Paul F. ' War. Sage Library of International Relations, vol.
iii, 2005, p. 28.
[4] Cf. Eben, J. Christensen, e Redd, Steven B. ' «Bureaucrats versus the
Ballot Box in foreign policy decision making ' an experimental analysis of the
bureaucratic politics model and the poliheuristic theory». In Journal of
Conflict Resolution. N.º 48 (1), 2004 p. 73.
[5] Parte-se do pressuposto que o governante actua sempre de forma racional
(cf. Dougerty, James E., e Pfaltzgraff, Jr, Robert L. ' Relações Internacionais
' Teorias em Confronto. Lisboa: Gradiva, 2003, p. 96).
[6] Mintz, Alex ' «How do leaders make decisions? A poliheuristc perspective».
In Journal of Conflict Resolution. N.º 48 (1), Fevereiro de 2004, p. 3.
Heurística refere-se à acção deatalhar durante o processo de decisão, sendo
também identificada como heurística cognitiva.
[7] Cf. Eben, J. Christensen, e Redd, Steven B. ' «Bureaucrats versus the
Ballot Box in foreign policy decision making ' an experimental analysis of the
bureaucratic politics model and the poliheuristic theory», p. 73.
[8] Cf. Mintz, Alex ' «How do leaders make decisions? A poliheuristc
perspective», p. 4. Cf. também Mintz, Alex, Geva, Nehemia, e Redd, Steven B. '
«The effect of dynamic and static choice sets on political decision making: an
analysis using the decision board platform», p. 554.
[9] Quer isto dizer que, na percepção de quem toma a decisão, as opções
escolhidas, após a aplicação do critério não compensador, podem não ser as
melhores mas são as mais adequadas de acordo com a defesa dos interesses ou
objectivos face à situação.
[10] Cf. Kinne, Brandon J. ' «Decision making in autocratic regimes: a
poliheuristic perspective». In International Studies Perspectives. N.º 6, 2005,
pp. 114-128.
[11] Stern, Eric ' «Contextualizing and critiquing the poliheuristic theory»,
p. 27.
[12] A análise do sistema internacional beneficiou durante largos anos do foco
da análise no estudo das relações internacionais. Neste âmbito, Bueno de
Mesquita afirma que estados poderosos, como a União Soviética, seriam estados
«imortais» o que na realidade se mostrou um erro (Mesquita,Bruce Bueno de '
«Domestic politics and international relations». In International Studies
Quarterly. N.º 46, 2002, p. 4.)
[13] Cf. Ibidem, p. 4.
[14] Ibidem, p. 7
[15] Cf. Eben, J. Christensen, e Redd, Steven B. ' «Bureaucrats versus the
Ballot Box in foreign policy decision making ' an experimental analysis of the
bureaucratic politics model and the poliheuristic theory», p. 554.
[16] Cf. Duggan, William ' Coup d'Oeil: Strategic Intuition in Army Planning.
Carlisle, PA: SSI of USAWC, 2005, Op. Cit., pp. 4-8.
[17] Mintz, Alex ' «Applied decision analysis: utilizing poliheuristic theory
to explain and predict foreign policy and national security decisions». In
International Studies Perspectives. N.º 6, 2005, p. 95.
[18] Cf. Mintz, Alex ' «How do leaders make decisions? A poliheuristc
perspective», p. 9.
[19] Mintz, Alex, Geva, Nehemia, e Redd, Steven B. ' «The effect of dynamic and
static choice sets on political decision making: an analysis using the decision
board platform», p. 554.
[20] Os interesses são estados finais desejados que podem ser categorizados
como sobrevivência, bem-estar económico e social, segurança e manutenção de
determinados valores. O Estado orienta os seus recursos para assegurar que o
seu alcance, protecção ou progresso são alcançados de uma forma eficaz e
coerente (Santos, Loureiro dos ' Incursões no Domínio da Estratégia. Lisboa:
Fundação Calouste Gulbenkian, 1983, pp. 45-46).
[21] Mintz, Alex ' «How do leaders make decisions? A poliheuristc perspective»,
p. 7.
[22] Ibidem, p. 554.
[23] Cf. Kinne, Brandon J. ' «Decision making in autocratic regimes: a
poliheuristic perspective». In International Studies Perspectives, (6), 2005,
p. 115.
[24] Considera-se «política» a actividade relacionada com a aquisição,
manutenção e exercício do poder num grupo ou sociedade. O seu significado
engloba também a arte e ciência de governar os povos, pelo que para além de
visar a manutenção do poder visa também o estabelecimento de objectivos ou
metas a atingir pelo Estado (cf. Lara, António de Sousa ' Ciências Políticas:
Metodologia, Doutrina e Ideologia. Lisboa: ISCSP, 1998, pp. 27-28).
[25] Geddes, Barbara ' «What do we know about democratization after twenty
years?». In Annual Review of Political Science. N.º 2, 1999, pp. 115-144.
[26] Cf. Nogueira, Franco ' Um Político Confessa-se (Diário: 1960-1968). Porto:
Civilização, 1986, pp. 150-151.
[27] Alcora era o acrónimo de «Astral Concept for Africa», com uma referência
às quatro capitais dos «territórios brancos»: Lourenço Marques, Luanda,
Salisbury e Pretoria. Também era conhecida como Aspero ' África do Sul,
Portugal e Rodésia. O «Exercício Alcora» era uma aliança entre aqueles três
países, cuja finalidade principal era impedir que os movimentos nacionalistas
negros de base comunista, apoiados pela China e pela URSS, vencessem a suas
«guerras de libertação» e alcançassem o poder.
[28] IAN/TT, AOS/CO/NE-30. Conforme documento datado de Setembro de 1964 que
resultou das conversações entre o cônsul de Portugal em Salisbury e o primeiro-
ministro da Rodésia do Sul e que contém a análise dos vários ministérios
envolvidos num apoio à declaração unilateral de independência (DUI).
[29] No início dos anos 1960 as relações de Portugal com os Estados Unidos da
América e com a Grã-Bretanha, tradicionais aliados, estavam debilitadas devido
às políticas da Administração Kennedy, à política de descolonização da
Inglaterra e, muito importante, à posição que Londres tinha tomado no caso da
Índia portuguesa.
[30] Cf. carta de Salazar a Marcelo Mathias de 22 de Fevereiro de 1966 in
Serrão, Joaquim Veríssimo (prefácio) ' Correspondência Marcello Mathias/Salazar
1947-1968. Lisboa: Difel, 1984, pp. 549-550. A Tanzânia, governada por Julius
Nyerere, era uma importante base de apoio aos movimentos de libertação na
África Austral.
[31] AHM, FO/007/A/99: PERINTREP n.º 3 referido ao período de 1 a 31 de Março
de 1963.
[32] A Política de África e os Seus Erros, «Discurso Pronunciado por Sua
Excelência o Presidente do Conselho, Doutor Oliveira Salazar, na Homenagem
Prestada pelos Municípios de Moçambique, em 30 de Novembro de 1967». Lisboa:
Edições do Secretariado Nacional de Informação.
[33] Isto devia-se ao facto de a UDENAMO, um dos movimentos fundadores da
FRELIMO, ter sido criada na Rodésia do Sul em 1960 e aí trabalharem largos
milhares de moçambicanos que ficariam à mercê do endoutrinamento
anticolonialista de um governo nacionalista negro.
[34] AHD, maço 1097, PAA, proc. 970,152: Apontamento do Ministério do Ultramar
sobre as consequências do fim da Federação, 1964.
[35] Carta de M. Mathias a Salazar de 4 de Março de 1966. In Serrão, Joaquim
Veríssimo (prefácio) ' Correspondência Marcello Mathias/Salazar 1947-1968, p.
553.
[36] Nogueira, Franco ' Um Político Confessa-se (Diário: 1960-1968), pp. 141-
142.
[37] Os casos do Gana, do Congo e da Tanganica.
[38] Promulgado a 30 de Abril de 1930 quando Oliveira Salazar exercera no
Ministério das Colónias.
[39] Rosas, Fernando ' Pensamento e Acção Política ' Portugal Século XX (1890-
1976). Lisboa: Editorial Notícias, 2003, p. 90.
[40] Nogueira, Franco ' O Estado Novo. Barcelos: Livraria Civilização Editora,
1987, p. 241. Cf. também Souto, Amélia Neves de ' Caetano e o Ocaso do
«Império»: Administração e Guerra Colonial em Moçambique durante o Marcelismo.
Porto: Edições Afrontamento, 2007, pp. 13-14.
[41] ANTT, AOS/CO/NE-30B: Ensaio sobre os pontos referidos no discurso do
presidente do Conselho na Assembleia Nacional a 3 de Janeiro de 1962. Salazar
reconhecia a necessidade de uma reorientação da política externa para evitar um
maior isolamento internacional de Portugal.
[42] O Governo tinha informação segura de que a OUA, desde a sua criação em
1963, tinha adoptado a política colonial portuguesa como um dos objectivos da
sua acção política (cf. Nogueira, Franco ' O Estado Novo, p. 291).
[43] Cf. Flower, Ken ' Serving Secretly. An Intelligence Chief on Record
Rhodesia into Zimbabwe (1964-1981). Londres: John Murray Publishers, 1987, pp.
118-119. Cf. também Garcia,Francisco Proença ' Análise Global de Uma Guerra:
Moçambique 1964-1974. Lisboa: Prefácio, 2003, p. 193.
[44] AHD, maço 1114, PAA, proc. 960,172: Notícia do jornal The Cape Argus, de 4
de Maio de 1968, intitulado «Portuguese Airline to Help Rhodesia».
[45] Nogueira, Franco ' O Estado Novo, pp. 323-325.
[46] Manteve-se a designação em inglês para não se adulterar o seu significado.
[47] Cf. Stern, Eric ' «Contextualizing and critiquing the poliheuristic
theory». pp. 30-32.
[48] Cf. Brulé, David J. ' «Explaining and forecasting leader's decisions: a
poliheuristic analisys of the Iran hostages rescue decision». In International
Studies Perspectives. N.º 6, 2005, pp. 99-113.
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