Editorial
Editorial
António Teodoro, José V. Brás & Maria Neves Gonçalves
1. As revistas científicas, mesmo quando atingem uma dimensão internacional,
têm sempre uma raiz local: resultam de um projeto de uma editora, de uma
associação científica, ou, como no caso da Revista Lusófona de Educação (RLE),
de um centro de investigação e desenvolvimento (I&D) de uma universidade.
No caso da RLE, a sua edição, embora obedecendo às melhores práticas de
publicação (nomeadamente através do uso sistemático da blind peer review),
procura responder às orientações científicas do Centro de Estudos
Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento (CeiED), uma UI&D inserida
no sistema científico português tutelado pela Fundação para a Ciência e
Tecnologia (FCT).
No exercício de apresentação do programa estratégico para o período de 2015 a
2020, elemento decisivo para a avaliação das UI&D pela FCT, o CeiED
apresentou como um dos seus objetivos o de tornar a RLE uma das principais
revistas internacionais no campo das Ciências da Educação, situando-a, em
termos de Impact Factor, como uma das cem mais importantes a nível mundial. É
um objetivo extremamente ambicioso e de muito difícil alcance, mas que serve
para mostrar a nossa permanente insatisfação e vontade de melhorar a qualidade
da revista e da sua capacidade de penetração nas redes mundiais de difusão
científica.
Na estratégia definida figura a importância do estabelecimento de redes e
parcerias com outros centros de I&D, nacionais ou estrangeiros. O presente
número insere-se nesta orientação estratégica, contendo um dossier temático,
Perspectivas e Desafios para a Educação em Ciência, Tecnologia, Engenharia e
Matemática, elaborado em parceria com a Unidade de Investigação em Educação e
Desenvolvimento (UIED), da Universidade Nova de Lisboa. Na nota introdutória,
da responsabilidade dos editores convidados, entre os quais figura um dos mais
antigos membros do Conselho Editorial da RLE, é feita a apresentação dos
artigos, selecionados a partir de um call for papers lançado no final de 2011.
A qualidade do dossier é inegável, abrindo a RLE a problemáticas em geral
ausentes nos números anteriores, mas que constituem uma das principais
preocupações das políticas públicas (e da investigação no campo educativo) da
atualidade.
2. Para além desse dossier, o presente número convida o leitor para a reflexão
de um outro conjunto de artigos que oferecem um outro olhar sobre os problemas
da educação.
Bernat Sureda Garcia & Francisca Comas Rubí, em La transición en los
modelos de la pedagogía del ocio a finales del franquismo a través de fuentes
fotográficas: las colonias de verano de Can Tàpera en Baleares, exploram as
possibilidades das fotografias como uma fonte para a história da educação. O
estudo baseia-se numa colecção de fotografias de um acampamento de Verão no
período que medeia entre o final do regime de Franco e os primeiros anos de
democracia.
No artigo Dados de Investigação em Ciências da Educação e Artes Visuais:
testemunho para a construção da Escola Inclusiva, Maria Odete Emygdio da Silva
reflete sobre a necessidade e a premência de formação no que respeita à
inclusão de alunos com necessidades educativas especiais.
Luísa Schmidt e João Guerra, no artigo Do Ambiente ao Desenvolvimento
Sustentável: Contextos e Protagonistas da Educação Ambiental em Portugal,
apontam para a necessidade de reforçar a vertente cívica nos objetivos da
Década das Nações Unidades da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. E,
pela investigação realizada, constatam a dificuldade de penetração da Educação
Ambiental/Educação para o Desenvolvimento Sustentável EDS nos curricula dos
ensinos básico e secundário, o que é sintoma duma desarticulação institucional
persistente entre os vários ministérios envolvidos.
No artigo, A Administração Escolar: racionalidade ou racionalidades?, Maria
João de Carvalho argumenta que o facto da administração escolar adoptar os
mesmos pressupostos da administração empresarial, é um factor decisivo para a
situação de crise de racionalidade, de motivação e de legitimidade em que
aquela se encontra. A racionalidade instrumental, não tem permitido que os
actores educativos se constituam enquanto sujeitos democráticos. A prática dos
directores escolares parece bloquear o aparecimento de uma racionalidade
democrática e emancipatória. A autora leva-nos a pensar a educação e a
administração de outra maneira, enfatizando a necessidade dos indivíduos terem
a possibilidade de se tornarem sujeitos de sua prática. Esse é o apelo do
sentido emancipatório que a democracia encerra.
Elisabete Paulo e Isabel Sanches recenseiam a obra de Charles Gardou intitulada
La société inclusive, parlons-en! Il n'y a pas de vie minuscule,
publicada em 2012 pelas Editions Érès. Segundo o autor, os avanços científicos
e técnicos não se têm traduzido em mais equidade social mas, pelo contrário,
têm acentuado a desigualdade, a competição e a sobrevalorização de bens
materiais. Charles Gardou, ao considerar que a deficiência necessita de uma
abordagem mais colectiva, salienta a importância do alargamento de um espaço
público a todos, com instituições e políticas públicas reformadas, através de
uma acessibilidade multidimensional e universal.
No cumprimento de uma das rubricas da política editorial da Revista Lusófona da
Educação, divulgam-se alguns dos resumos de Teses de Doutoramento defendidas no
Instituto de Educação da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.
Lisboa, dezembro de 2013
Revista Lusófona de Educação
Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)
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