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EuPTHUHu1645-00862014000100023

National varietyEu
Country of publicationPT
SchoolHumanities
Great areaHuman Sciences
ISSN1645-0086
Year2014
Issue0001
Article number00023

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Validação da Escala de Conceito de Boa Morte

Morrer é um ato pessoal e público, limitado por experiências, expetativas, acesso a recursos, circunstâncias e contexto social. Uma vida longa e uma boa morte são apoiadas pelo aumento do conhecimento científico sobre o envelhecimento e sobre a biologia, bem como pela possibilidade de acesso a médicos, hospitais e cuidados paliativos de qualidade (Schenck, & Roscoe, 2009). A sociedade encontra-se cada vez mais focada em garantir uma boa morte (Emanuel & L. Emanuel, 1998) e desde o aparecimento dos Cuidados Paliativos que a ideia de boa morte é vista como conceito essencial (Walters, 2004). A investigação realizada até aos dias de hoje identifica atributos que constituem uma boa morte. Os atributos podem variar consoante a perspetiva do paciente, dos familiares e dos profissionais de saúde, sendo-lhes comuns o alívio da dor e do sofrimento, o estar ciente da morte, a aceitação do momento da morte, a aceitação e autonomia, manter a esperança viva, a preparação para a partida e decidir onde se deseja morrer (Granda-Cameron, & Houldin, 2012). A comunicação e a abertura entre pacientes e profissionais de saúde (Lokker, Zuylen, Veerbeek, Van Der Rijt, & Van Der Heide, 2012), a consciência da morte, a manutenção de sentido, manutenção de auto congruência, a participação na própria morte, estar em paz com os entes queridos (Sinclair, 2011), o ter controlo, conforto, a presença de um sentimento de conclusão, reconhecimento do valor do paciente, confiança nos prestadores de cuidados, reconhecer que a morte é iminente, crenças e valores honrados, carga minimizada, relações otimizadas, a adequação da morte, o deixar uma herança à família e assistência à família (Kehl, 2006). Os valores culturais e crenças de origem religiosa da família e dos pacientes têm também um papel significativo (Granda-Cameron, & Houldin, 2012), assim como as condições de qualidade de vida, o bem estar psicológico, o suporte social e a espiritualidade, que contribuem para uma boa morte (Leung, et al., 2010).

De acordo com a Estratégia para o desenvolvimento do Programa Nacional de Cuidados Paliativos existe a necessidade de realizar um inquérito à população portuguesa que possibilite um conhecimento sobre o que as pessoas pensam sobre a morte digna e quais as expetativas relativamente à própria morte (Serviço Nacional de Saúde [SNS], 2010). Uma avaliação apropriada e feita precocemente sobre o suporte social e a preferência torna-se crucial nos Cuidados Paliativos (Agar et al. 2008).

Existem diversos instrumentos, adaptados ou desenvolvidos em Portugal, que avaliam reações e atitudes (Barros-Oliveira & Neto, 2004) ou que avaliam a qualidade de vida em cuidados paliativos (Ferreira & Pinto, 2008). Apesar da existência destes instrumentos, não existe um que forneça informação sobre a conceção de boa morte de cada um de nós. A sua utilidade verificar-se-á na compreensão do significado clínico de alterações concetuais (Schawrtz, Mazor, Rogers, Ma, & Reed, 2003). De forma a colmatar a ausência de um instrumento que medisse a conceção de boa morte, recorreu-se ao Concept of a Good Death de Schawrtz et al. (2003), destinado inicialmente a alunos de cuidados de saúde, teve como objetivo avaliar mudanças do conceito de boa morte ao longo do tempo de formação académica. O trabalho foi desenvolvido com base nos conceitos de Walden-Galusko de 1997 e 1998 (cit. in, Schawrtz et al. 2003), apresentando o conceito de morte tradicional vs morte moderna, incluindo dimensões que são consideradas importantes no fim-de-vida, como exemplo a paz espiritual, a aceitação e a dor. De acordo com os autores, pode ser utilizado em prestadores de cuidados de saúde e em pessoas leigas no contexto de investigação, com a finalidade de melhorar a qualidade de cuidados prestados no fim de vida e ainda, avaliar o impacto do currículo médico no ensino de cuidados paliativos.

O instrumento apresenta três domínios, o domínio Encerramento reflete aspetos psicossociais e espirituais de boa morte, estando associado à crença de experiência depois da vida, ao apoio social, às crenças e práticas espirituais.

O domínio Controlo Pessoal centra-se nos aspetos físicos da experiência de morte, alerta mental, capacidade de comunicação e controlo de funções corporais. O domínio Clínico representa os aspetos clínicos e biomédicos da experiência de morrer, sendo associado a uma perspetiva de que a morte é um alívio. A medida surge então como fiável e válida no estudo realizado pelos autores, tendo a vantagem de ser breve, de autopreenchimento e podendo ser utilizada numa grande variedade de populações (Schawrtz et al. 2003).

A presente investigação permite o conhecimento sobre a conceção de boa morte e a sua estabilidade temporal, indo de encontro a uma necessária avaliação de pacientes e do seu contexto familiar, de forma a assegurar as necessidades emocionais, espirituais, físicas e sociais, para que seja possível conceder uma resposta adequada (SNS, 2010). O objetivo será realizar um estudo de validação preliminar de uma medida de conceito de boa morte.

MÉTODO Participantes A amostra é constituída por 100 participantes (68% mulheres e 32% homens), com idades compreendidas entre os 18 anos e os 59 anos (M=23,30;DP=5,91). De forma a obedecer ao critério que presidiu à construção do instrumento original, dos 100 participantes 76% são estudantes de Medicina, (N=12: ano de Licenciatura; N=15: ano de Licenciatura; N=12: ano de Licenciatura; N=17: ano de Licenciatura; N=12: ano de Licenciatura; N=5: ano Mestrado; N=3: ano Mestrado), 8% estudantes de Enfermagem (N=3: ano de Licenciatura; N=2: ano de Licenciatura; N=1: ano de Licenciatura; N=1: ano de Licenciatura), 4% estudantes de Neurociências (N=2: ano de Licenciatura; N=2: ano Mestrado), 4% estudantes de Biologia (N=1: ano de Licenciatura; N=3: ano de Licenciatura) e 8% enfermeiros, com idades compreendidas entre os 18 anos e 59 anos (M=23,30;DP=5,91). Sendo 99% de etnia caucasiana e 100% de nacionalidade portuguesa. Relativamente ao estado civil, 94% são solteiros, 5% casados e 1% divorciados. 55% afirma ter experiência com pacientes em fim de vida e 78% admitem ter experiência com a morte de alguém próximo. 61% são de religião católica, 1% islamista, 1% cristã, e 37% não apresenta religião. Todos os participantes pertencem à zona de Lisboa.

Material O instrumento utilizado na presente investigação é o Concept of a Good Death da autoria de Schwartz, et al., (2003). Pretende medir a importância de determinados componentes do conceito de boa morte através de um conjunto de 17 itens, apresentando uma Escala tipo Likert que varia entre 1 e 4, em que 1 corresponde a Not necessary, 2 a Desirable, 3 a Important e 4 a Essential. Apresenta uma pequena instrução Please indicate how important each of the following is to your conception of a good death. O instrumento apresenta três domínios, Closure, Personal Control e o domínio Clinical.

O domínio Closureé constituído por 9 itens (Item 4 ' That family and doctors follow the person´s wishes; Item 6 ' That be peaceful; Item 7 ' That loved ones be present; Item 8 ' That the person´s spiritual needs be met; Item 9 ' That the person is sable to accept death; Item 10 ' That the person had a chance to complete important tasks; Item 11 ' That the person had an opportunity to say good-bye; Item 12 ' That the person was able to remain at home; Item 13 ' That the person lived until a key event)). O domínio Personal Control é constituído por três itens (Item 15 ' That there be mental alertness until the end; Item 16 ' That there be control of bodily functions until death; Item 17 ' That the ability to communicate be present until death). O domínio Clinical, é constituído por 5 itens (Item 1 ' That it be painless or largely pain-free; Item 2 ' That the dying period be short; Item 3 ' That it be sudden and unexpected; Item 5 ' That it occur naturally, without technical equipment; Item 14 ' That death occurs during sleep).

Utilizou-se um questionário sociodemográfico para caraterizar a amostra do presente estudo, sendo pedido os seguintes critérios: Sexo, Idade, Etnia, Nacionalidade, Estado Civil, Formação, Situação Profissional, Experiência com pacientes em fim de vida, Experiência com a morte de alguém próximo e Religião.

Procedimento Contatou-se Carolyn E. Shwartz, autora da escala original, com o intuito de solicitar uma autorização que visasse a utilização do instrumento no presente estudo. Após várias adaptações e alterações da tradução da escala e retroversão, foi concedida uma licença que permitiu a utilização da escala. A tradução e retroversão enviadas à autora, foram produto do trabalho de júris portugueses, um dos quais bilingue, com o objetivo de assegurar a qualidade da tradução/retroversão. A tradução e retroversão são propriedade intelectual da Fundação DeltaQuest, da qual a autora Carolyn E. Shwartz é presidente e cientista chefe. A tradução e retroversão aceites pela autora apresentam a seguinte estrutura, numa Escala tipo Likert, que varia entre 1 e 4, o 1 corresponde a Não necessário, 2 a Desejável, 3 a Importante e 4 a Essencial. A instrução dada para o preenchimento do questionário é a seguinte: Por favor assinale com um círculo o quão importante para si é cada um dos seguintes itens, relativamente à sua conceção de boa morte. Os itens traduzidos resultaram na seguinte versão: Item 1 ' Que seja sem dor ou maioritariamente livre de dor; Item 2 ' Que o período de morrer seja curto; Item 3 ' Que seja repentina e inesperada; Item 4 ' Que a família e médicos sigam os desejos da pessoa; Item 5 ' Que ocorra naturalmente, sem equipamento médico; Item 6 ' Que seja tranquila; Item 7 ' Que os entes queridos estejam presentes; Item 8 ' Que as necessidades espirituais da pessoa sejam satisfeitas; Item 9 ' Que a pessoa seja capaz de aceitar a morte; Item 10 ' Que a pessoa tenha tido a possibilidade de completar tarefas importantes; Item 11 ' Que a pessoa tenha a oportunidade de se despedir; Item 12 ' Que a pessoa tenha podido permanecer em casa; Item 13 ' Que a pessoa tenha vivido até um evento que considere importante; Item 14 ' Que a morte ocorra enquanto dorme; Item 15 ' Que exista lucidez até ao fim; Item 16 ' Que exista controlo das funções corporais até à morte; Item 17 ' Que a capacidade de comunicar se mantenha até à morte.

A distribuição de questionários foi realizada online aos 100 participantes, através do Google Docs, devido à disponibilidade dos estudantes e dos profissionais de saúde. A todos os participantes foi transmitida a informação de que a investigação tratava da adaptação de uma medida de Conceito de Boa Morte para a população portuguesa, explicando que, o instrumento era constituído por 17 itens e por um questionário sociodemográfico. Os questionários foram enviados e posteriormente identificados pelos participantes por um código de cinco dígitos definido pelos mesmos. O segundo momento de recolha ocorreu cerca de 10/15 dias após o primeiro momento, tendo sido conciliado com a disponibilidade dos estudantes/profissionais. Para a análise estatística realizada no presente estudo, foi utilizado o Programa PASW ' Statistics 18.

RESULTADOS Validade Fatorial do Instrumento Com o intuito de verificar a estrutura da escala, realizou-se uma análise fatorial exploratória pelo método de componentes principais. Na extração inicial os indicadores estatísticos (análise da variância e método de Cattell) mostraram-se favoráveis à existência de três fatores. Foi realizada uma segunda extração a três fatores, onde foram removidos quatro itens por serem saturados em mais que um fator ou por terem um índice de saturação insuficiente (inferior a 0,40). Foram realizadas mais duas extrações a três fatores, onde foi detetado que o item 10 (na primeira extração) e o item 12 (segunda extração) saturavam em mais que um fator. Na extração final a três fatores, a análise de componentes principais revelou-se adequada aos dados. O critério KMO revelou-se medíocre (KMO=0,67) de acordo com Marôco (2010) e rejeitou-se o pressuposto de esfericidade [X2(55) =336,63; p < 0,0001] no teste de Bartlett, indicando que as variáveis se encontram correlacionadas de forma significativa. O total de variância explicada pelos três fatores é de 59,9%, em que o primeiro fator explica 25,8% e é composto por 5 itens (1, 2, 15, 16, 17), o segundo fator explica 17,9% e é composto por 3 itens (5, 13, 14), explicando o terceiro fator 16,2% e é composto por 3 itens (7, 8, 11). O primeiro fator é denominado Controlo, e inclui aspetos físicos da experiência de morrer tais como a capacidade de comunicação, alerta mental, controlo de funções corporais e controlo da dor. O segundo fator é referido como Esperança, pois nesta dimensão encontram-se dois itens (5, 13, 14) que nos remetem para momentos importantes, assim como o conforto de uma morte sem sofrimento. No caso do terceiro fator, manteve-se a designação da escala original, Encerramento, visto incluir alguns itens dessa mesma dimensão (7, 8, 11. Estes itens refletem os aspetos psicossociais e espirituais de boa morte.

Fidelidade A análise da consistência interna, avaliada pelo método de alphade Cronbach, revelou índices aceitáveis, para os dois primeiros fatores; para o primeiro fator observou-se um a =0,79 (correlações inter-itens variam entre 0,19 e 0,71 com uma média de 0,43); para o segundo fator verificou-se um a = 0,69 (correlações inter-itens variam entre 0,34 e 0,52 com uma média de 0,43), no terceiro fator obteve-se um a =0,58 (correlações inter-itens variam entre 0,28 e 0,39 com uma média de 0,32) revelando assim uma fraca consistência interna.

De forma a avaliar a estabilidade do instrumento ao longo do tempo, utilizou-se o Paired-Samples t Test.Verificaram-se diferenças significativas apenas do domínio Esperança (p=0,01). No domínio Esperança a média encontra-se mais elevada no segundo momento (M=2,36; DP=0,71) do que no primeiro (M=2,25; DP=0,73).

DISCUSSÃO Os resultados mostram que a escala apresenta 11 itens, sendo o item 1 Que seja sem dor ou maioritariamente livre de dor, item 2 Que o período de morrer seja curto, item 3 Que ocorra naturalmente, sem equipamento médico, item 4 Que os entes queridos estejam presentes, item 5 Que as necessidades espirituais da pessoa possam ser satisfeitas, item 6 Que a pessoa tenha oportunidade de se despedir, item 7 Que a pessoa tenha vivido até um evento que considere importante, item 8 Que a morte ocorra enquanto dorme, item 9 Que exista lucidez até ao fim, item 10 Que exista controlo das funções corporais até à morte, item 11 Que a capacidade de comunicar se mantenha até à morte. Os itens agrupam-se em três fatores, no primeiro fator, denominado por Controlo estão incluídos os itens 1, 2, 9, 10, 11. A designação Controlo deve-se a esta dimensão refletir aspetos físicos da experiência de morrer, tais como o controlo da dor, controlo do período de morrer, o controlo das funções corporais, a capacidade de comunicação e o estado de alerta mental. O segundo fator, denominado por Esperança, é constituído pelos itens 3, 4 e 5. Este fator está relacionado com o usufruir de momentos importantes, assim como o conforto de uma morte sem sofrimento. O terceiro fator, constituído pelos itens 6, 7, 8 denomina-se por Encerramento. Esta dimensão, reflete aspetos psicossociais e espirituais de boa morte. Os três fatores, Controlo, Esperança e Encerramento explicam 59,9% de variância. O primeiro fator (a=0,79) e o segundo fator (a=0,69) apresentam uma consistência interna aceitável, enquanto o terceiro fator (a=0,58) apresenta uma consistência interna inadequada. Os baixos valores encontrados podem ser justificados pelo número reduzido de itens da escala.

Perante a verificação dos valores obtidos, pode afirmar-se que a Escala de Conceito de Boa Morte apresenta condições para ser utilizada na população portuguesa (KMO=0,67). Seriam de esperar diferenças significativas quanto à estabilidade do instrumento ao longo do tempo em todos os domínios, mas apenas se observou no domínio Esperança (p=0,01). Neste domínio a média encontra-se mais elevada no segundo momento (M=2,36;DP=0,71) do que no primeiro (M=2,25; DP=0,73) estando o domínio relacionado com o usufruir de momentos importantes e com o conforto de uma morte sem sofrimento. O conceito de boa morte pode mudar com o tempo (Kehl, 2006; Lokker et al. 2012) variando de acordo com a perspetiva de cada um, tornando-se um conceito subjetivo (Granda-Cameron & Houldin, 2012), sendo por isso de esperar diferenças significativas ao longo do tempo. Relativamente ao domínio Controlo e Encerramento a não existência de diferenças significativas pode ser devido à aprendizagem das respostas ou pelo tempo decorrido entre o primeiro e o segundo momento não ser suficiente para as diferenças se fazerem notar.

Com vista aos objetivos da presente investigação, é possível concluir que o instrumento de Conceito de Boa Morte para a População Portuguesa, apresenta uma estrutura de 11 itens, com uma opção de resposta tipo Likert que varia entre 1 Não necessário e 4 Essencial, avaliando três domínios, o Controlo, Esperança e Encerramento, sendo considerado válido para medir o conceito de boa morte na população portuguesa.

Existem alguns fatores que podem alterar ou influenciar o conceito de morte e de boa morte, devendo estar presentes numa futura investigação. O conceito de morte pode ser influenciado pela cultura, género, pela história pessoal, nacionalidade, fatores socioeconómicos (Schenck & Roscoe, 2008) e pela idade (Oliveira, 2010), sendo o conceito de boa morte influenciado pelo tempo, pela função e pela experiência (Lokker et al. 2012).

As dúvidas quanto à interpretação dos itens são reais, pois alguns sujeitos não compreendem o significado do conceito ou não têm conhecimento suficiente sobre o mesmo. Isto poderá indicar que a equivalência conceptual e semântica não foram alcançadas. Foi notável a pouca aceitabilidade da população perante o tema sobre a morte no momento da entrega do instrumento. Devido à aplicabilidade do instrumento, tal como a autora refere, apresentando a vantagem de ser breve, de autopreenchimento e podendo ser utilizada numa grande variedade de populações (Schawrtz et al. 2003), sugerem-se novos estudos que abordem o tema de conceito de boa morte, tendo em consideração os fatores que o influenciam.


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