O tempo subjectivo como instrumento (des)adaptativo no processo
desenvolvimental
- Alice Bloch
Pensar o tempo é uma tarefa sinuosa, o passado é uma reconstrução tão fiável
quanto a memória humana, o futuro é tido como incerto pelo que a única certeza
que temos é aquilo que nos rodeia agora, o presente. O estudo do tempo em
qualquer uma das suas diversas facetas interessou e ocupou desde sempre aos
psicólogos. No momento da instituição da Psicologia como ciência com Wilhelm
Wundt, a percepção do tempo pelos indivíduos assim como a medição dos tempos
entre um estímulo e uma resposta eram matérias abordadas nas suas investigações
(Jesuino, 2002). Posteriormente, com Sigmund Freud passar-se-ia para uma fase
onde a enfâse é dada nas experiências precoces, no passado do indivíduo e como
este afectava tanto o seu comportamento como a sua psique (Mancia, 2006). Com o
avanço do Behaviorismo a temporalidade é desprovida de qualquer importância no
panorama psicológico, ao ser privilegiada simplesmente a relação causal
Estímulo-Resposta (Jesuino, 2002).
Seria com o advir da chamada revolução cognitivista, que novamente o estudo dos
processos mentais se torna peça indispensável na explicação do comportamento
humano. Inserido nesta nova corrente Lewin (1965), define à Perspectiva
Temporal como a totalidade das perspectivas que um indivíduo tem do seu passado
e futuro psicológicos num determinado momento presente. Desta forma, Lewin
coloca o enfâse no estudo do tempo no momento presente, mas sem desprezar a
influência que as diversas construções mentais dos indivíduos acerca do passado
e do futuro possam exercer no comportamento e no pensamento dos indivíduos.
Assim, toda a actividade humana decorre inserida num contexto, o qual é
composto por características geo-socio-politicas; mas também pela dimensão
temporal a qual atribui ordem às mesmas actividades e processos, através da sua
localização ao longo do contínuo temporal (Lewin, 1965).
Na actualidade, um dos referentes teóricos mais utilizados pela investigação
temporal é o proposto por Zimbardo e Boyd (1999), dando continuidade ao
pensamento do Lewin, estes autores defendem que a Perspectiva Temporal é um
processo não consciente, através do qual os indivíduos codificam, armazenam e
recuperam informações relativas aos objectos pessoais e sociais que povoam a
sua vida, este processo permite assim dar ordem, sentido e coerência a estes
mesmos objectos. Todo este processo funciona através de diversos marcos ou
categorias temporais, os quais não só armazenam como permitem uma
reinterpretação da informação neles contida.
O modelo que propomos para o estudo da Perspectiva Temporal é composto pelas 5
dimensões temporais propostas por Zimbardo e Boyd (1999): Passado Positivo,
Passado Negativo, Presente Hedonista, Presente Fatalista e Futuro. Também pela
dimensão de Futuro Transcendental (Boyd & Zimbardo, 1997) e a dimensão
Visão Ansiosa de Futuro (Janeiro, 2006).
Mischel, Shoda e Rodriguez (1989) afirmam que "To function effectively,
individuals must voluntarily postpone immediate gratification and persist in
goal-directed behavior for the sake of later outcomes..." (p. 933). Em
diversos estudos conduzidos pelo psicólogo Walter Mischel, foram colocadas
crianças diante de uma guloseima, era-lhes dito que se esperassem alguns
minutos poderiam comer 2, no entanto se não esperassem só teriam direito a 1
guloseima. O que estes estudos mostram é que a capacidade das crianças de 4 ou
5 anos de idade em adiar uma recompensa (neste caso, uma guloseima) determina
fortemente o comportamento destas mesmas crianças 10 anos depois, já que
passado este tempo são mais competentes académica e socialmente, são também
mais fluentes verbalmente, mostrando por isso uma maior facilidade em
apresentar argumentos através da lógica, mostram-se mais atentos e lidam melhor
com situações estressantes do que os seus pares que não conseguiram adiar a
recompensa (Mischel, Shoda, & Peake, 1988).
É na Perspectiva Temporal, mais especificamente nas suas categorias de Presente
Hedonista e de Futuro que encontramos a resposta para estas diferenças. É com
base na capacidade de pensar no futuro e de prever um futuro mais favorável que
estas crianças conseguem a determinação necessária para se privarem de uma
guloseima, sabem que ao esperar mais um pouco, ao fazer este
"sacrificio" terão uma recompensa ainda maior. É este exercício de
abstracção das tentações presentes, vislumbrando um futuro mais desejado que os
indivíduos podem evitar as diversas tentações que se apresentarão no seu
caminho e investir os seus esforços em tarefas que podem não ser as mais
satisfatórias no momento, mas que trarão uma maior recompensa no futuro. Estes
comportamentos adaptativos estão relacionados com baixos ou moderados níveis de
Presente Hedonista e com elevados níveis de Futuro.
São diversos os estudos que nos mostram como a Perspectiva Temporal de Futuro
encontra-se aliada a comportamentos adaptativos e funcionais, tais como:
diversos tipos de comportamentos pro-ambientais (Corral-Verdugo, Fraijo-Sing,
& Pinheiro, 2006; Milfont & Gouveia, 2006) e aproveitamento académico
(Bembenutty & Karabenick, 2004; Boniwell & Zimbardo, 2004; Lens &
Tsuzuki, 2007). Enquanto, por outro lado dimensões como o Presente Fatalista, o
Passado Negativo e o Presente Hedonista (em níveis muito elevados) estão
associadas com comportamentos que podem pôr em causa uma sã trajectória
desenvolvimental, por exemplo: condução de risco (Zimbardo, Keough, & Boyd,
1997), consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas (Keough, Zimbardo, & Boyd,
1999), consumo de cannabis (Apostolidis, Fieulaine, Simonin, & Rolland,
2006), procrastinação (Ferrari & Diaz-Morales, 2007) e transmissão de
doenças sexualmente transmissíveis, gravidezes indesejadas, entre outros.
ESTUDO 1
MÉTODO
Participantes
Foram recolhidos os dados de 277 participantes, com idades compreendidas entre
os 18 e os 53 anos de idade (M=22.06, D.P.=5.4). 174 (62.8%) dos participantes
são do género feminino e 103 (37.2%) do género masculino. Referente ao ano que
cursavam os participantes no momento da avaliação, encontra-se que 174 (63.7%)
dos participantes pertenciam ao 1º ano, 55 (20.1%) ao 2º ano, 27 (9.9%) ao 3º
ano, 14 (5.1%) ao 4º ano e 3 (1.1%) ao 5º ano. Os cursos de pertença são
descritos na Tabela_1.
Instrumentos
Neste estudo recorreu-se a utilização de 2 instrumentos. Os quais são
apresentados detalhadamente a seguir:
Questionário Sociodemográfico: Elaborado pelos autores, com o objectivo de
recolher diversas informações acerca dos participantes, continha questões como:
género, idade, etc. Também incluiu as questões relacionadas com o desempenho
académico: média do curso, número de cadeiras em atraso e número de cadeiras
aprovadas.
Zimbardo Time Perspective Inventory - ZTPI(Ortuño & Gamboa, 2009;
Zimbardo & Boyd, 1999): É composto por 56 itens (tipo Likertde 5 pontos)
que representam 5 dimensões temporais: (1º) Passado Positivo, relacionado com
atitudes agradáveis e sentimentais relativamente ao passado (M=3.62, D.P.=.56,
variância explicada=6.02%, α=.68, N=9), (2º) Passado Negativo, representa uma
atitude de aversão e angustia perante o passado, normalmente relacionado com
sentimentos de ansiedade, raiva e depressão (M=2.67, D.P.=.71, variância
explicada=7.85%, α=.80, N=10), (3º) Presente Hedonista, apresenta uma vincada
tendência para a procura do prazer imediato, principalmente através de
experiência excitantes e de alto risco (M=3.52, D.P.=.53, variância
explicada=8.37%, α=.79, N=15), (4º) Presente Fatalista, demonstra uma atitude
de derrota, desamparo e desesperança perante a vida (M=2.46, D.P.=.60,
variância explicada=6.42%, α=.66, N=9) e (5º) Futuro, indica uma forte
tendência para a necessidade de criar e prosseguir objectivos futuros (M=3.59,
D.P.=.52, variância explicada=6.57%, α=.74, N=13). Estas 5 dimensões temporais
explicam 35.25% da variância total. Esta estrutura factorial é muito similar à
apresentada por Zimbardo e Boyd (1999) no ZTPI original, assim como também
noutras adaptações internacionais: França (Apostolidis & Fieulaine, 2004),
Espanha (Diaz-Morales, 2006), Brasil (Milfont, Andrade, Belo & Pessoa,
2008), Lituânia (Liniauskaite & Kairys, 2009) e Grécia (Anagnostopoulos
& Griva, 2011), entre outros. Concerniente à validade teste/re-teste o ZTPI
português apresentou valores entre .66 e .86 (Ortuño & Gamboa, 2008).
Procedimentos
Os instrumentos foram sempre aplicados colectivamente no início ou no fim de um
bloco de aulas. Foi pedida previamente autorização aos professores dessas
disciplinas para fazer a recolha de dados. No início de cada recolha de dados
todos os participantes foram informados dos objectivos do estudo assim como do
carácter voluntário, confidencial e anónimo da sua participação. Não existiu
qualquer forma de remuneração financeira ou de outro tipo para os
participantes.
Todos os dados recolhidos foram introduzidos no programa estatístico
Statistical Package for the Social Sciences - SPPS16.0 (versão Windows).
RESULTADOS
Em primeiro lugar são apresentados os resultados relativos às diferenças na
Perspectiva Temporal através da média de curso obtida. Após isto, são
apresentados os resultados concernentes à Perspectiva Temporal e o número de
cadeiras em atraso ou reprovadas.
Perspectiva temporal e média de curso
De modo a facilitar a leitura dos resultados obtidos na Perspectiva Temporal,
os resultados dos participantes foram agrupados em 4 categorias atendendo ao
seu desempenho académico: "10-12 valores", "13-14
valores", "15-16 valores" e "17 ou mais valores".
Estes resultados podem ser consultados já a seguir, na Tabela_2.
Verifica-se que os participantes que apresentam uma média de curso mais elevada
são aqueles com valores mais elevados nas dimensões de Passado Positivo e de
Futuro. Por outro lado, os participantes com um menor aproveitamento académico
no que concerne a sua média de curso, são também os mesmos que exibem valores
mais elevados na Perspectiva Temporal de Passado Negativo e na de Presente
Fatalista.
Perspectiva temporal e número de cadeiras em atraso
Outra das medidas que decidimos utilizar para determinar qual o rendimento
académico dos participantes foi o número de cadeiras em atraso, obtido através
do razio entre o número de cadeiras aprovadas até o momento e o número máximo
de cadeiras que poderiam ter aprovado até o momento. Os resultados dos
participantes foram agrupados atendendo à quantidade de cadeiras reprovadas.
Assim, foram criados 4 grupos: "Sem cadeiras em atraso", "Com
poucas cadeiras em atraso" (participantes com 1 ou 2 cadeiras em atraso),
"Com algumas cadeiras em atraso" (que integra os participantes com
3 ou 4 cadeiras reprovadas) e por último, "Com muitas cadeiras em
atraso" (que inclui os participantes com 5 ou mais cadeiras reprovadas).
Estes resultados podem ser consultados na Tabela_3.
Através da análise dos resultados da Tabela_3, é possível corroborar que os
participantes sem cadeiras reprovadas, são aqueles com valores mais elevados na
dimensão temporal de Futuro. No entanto, os participantes do grupo "Com
muitas cadeiras em atraso" são aqueles que apresentam um valor medio mais
elevado nas dimensões temporais de Passado Negativo e de Presente Fatalista.
DISCUSSÃO
É evidente a relação entre a Perspectiva Temporal e o desempenho académico,
tanto medido pela média de curso (Tabela_2) assim como pelo número de cadeiras
reprovadas (Tabela_3). Estes resultados são coincidentes com outros estudos nos
quais também se verifica a relação entre a PT e o desempenho académico, mais
especificamente na sua vertente de Futuro (Bembenutty & Karabenick, 2004;
Boniwell & Zimbardo, 2004; Lens & Tsuzuki, 2007).
Por outro lado, a vertente de Presente Fatalista e também a de Presente
Hedonista, parecem interferir no rendimento académico, já que os participantes
que apresentam valores mais elevados nestas dimensões são aqueles que
apresentam mais baixo aproveitamento académico. Consideramos que a génese deste
efeito pernicioso se encontre nas atitudes de derrota e de desamparo contidas
no Presente Fatalista. O Presente Hedonista pela sua parte, é uma importante
componente para o bem-estar pessoal (Boniwell & Zimbardo, 2004; Zimbardo,
2002), desde que existente em níveis moderados; no entanto, qualquer excesso
nesta dimensão consequentemente desencadeia um processo cognitivo através do
qual os sujeitos ficam ávidos pelas recompensas imediatas que possam desfrutar;
como Boniwell e Zimbardo referem (2004) as pessoas altamente orientadas pelo
Presente Hedonista estão em forte risco de cair em tentações que podem
desencadear adições, acidentes e fracassos em diversos níveis. Ora como sabemos
todo processo educativo deve ser encarado como um investimento a longo prazo,
já que os resultados (pelo menos aqueles de natureza material) dificilmente são
vislumbrados num curto espaço de tempo.
ESTUDO 2
MÉTODO
Participantes
Foram 264 estudantes universitários os participantes neste estudo, todos
pertencentes ao Mestrado Integrado de Psicologia. As idades são compreendidas
entre os 17 e os 45 anos de idade (M=19.44, D.P.=2.85). 242 (91.7%) Dos
participantes são do género feminino e 22 (8.3%) do género masculino.
Relativamente ao ano de formação que frequentavam no momento da recolha dos
dados, 139 (53.1%) cursavam o 1º ano, 65 (24.8%) o 2º ano, 56 (21.4%) o 3º ano
e 2 (0.8%) o 5º ano, não foram recolhidos dados juntos dos alunos do 4º ano.
Instrumentos
Neste estudo foram utilizados 5 instrumentos. Os quais são descritos
detalhadamente a seguir:
Questionário Sociodemográfico: Elaborado pelos autores, com o objectivo de
recolher diversas informações acerca dos participantes, continha questões como:
género, idade, nível de escolaridade, doutrina religiosa, etc.
Zimbardo Time Perspective Inventory - ZTPI(Ortuño & Gamboa, 2009;
Zimbardo & Boyd, 1999): Descrito no método do Estudo 1.
Inventário de Perspectiva Temporal - IPT(Janeiro, 2006, 2012): É formado
por 32 itens (tipo Likertde 7 pontos), os quais são agrupados em 4 dimensões
temporais: (1º) Orientação Futuro (variância explicada=16%, α=.86, N=16), (2º)
Orientação Presente (variância explicada=13%, α=.76, N=8),( 3º) Orientação
Passado (variância explicada=6%, α=.51, N=4) e (4º) Visão Negativa de Futuro
(variância explicada=8%, α=.70, N=4). No seu conjunto estas 4 dimensões
apresentam uma variância explicada de 45% dos resultados; no caso concreto
deste estudo foram utilizados só os itens relativos à dimensão "Visão
Negativa de Futuro". O IPT teve a sua origem num estudo português cujo
objectivo era avaliar quais as dimensões temporais existentes em estudantes do
ensino básico e secundário. Neste processo foram tidas em conta diversas
reflexões relacionadas com a estrutura da perspectiva temporal de futuro
(Nuttin & Lens, 1985; Ringle & Savickas, 1983) e resultados obtidos por
Zimbardo e Boyd (1999) acerca da independência estrutural das três zonas de
orientação temporal. Até o momento têm sido realizados vários estudos (Ortuño
& Janeiro, 2009, 2010) que permitem analisar as unicidades e
complementaridades do IPT junto com o ZTPI, tendo sido obtidos resultados muito
positivos neste âmbito.
Transcendental-Future Time Perspective Inventory - TFTPS(Boyd &
Zimbardo, 1997; Ortuño, Paixão, & Janeiro, em publicação): É uma escala
unidimensional, composta por 10 itens (tipo Likertde 5 pontos) que procura
avaliar as crenças e atitudes individuais relacionadas com o futuro
imediatamente a seguir a morte imaginada do corpo físico. Na sua versão
original explica 10% da variância total. Apresenta uma consistência interna de
.87 e a sua estabilidade teste/re-teste é de .86. A tradução desta escala foi
realizada pelos autores atendendo aos princípios propostos por Widenfelt,
Treffers, de Beurs, Siebelink & Koudijs (2005) para tradução e adaptação de
instrumentos de avaliação psicológica a outras culturas.
Rosenberg's Self-Esteem Scale - RSES(Rosenberg, 1965; Santos &
Maia, 1999): É uma escala unidimensional (auto-estima global) formada por 10
itens; os quais apresentam uma elevada consistência interna (α=.86). 5 Dos
itens têm uma orientação positiva (ex.: globalmente estou satisfeito comigo
próprio) e 5 têm uma orientação negativa (ex.: sinto que tenho pouco de que me
orgulhar). É actualmente uma das escalas mais difundidas a nível mundial no
estudo da auto
estima.
Procedimentos
Todos os procedimentos aplicados neste estudo são idênticos aos utilizados e
descritos no Estudo 1.
RESULTADOS
Nesta secção são apresentados os resultados relativos à influência da
Perspectiva Temporal na Auto-Estima. Para estudar esta relação foi realizada
uma análise de regressão multipla, cujos resultados são apresentados na Tabela
4.
Ao analisar os resultados da Tabela_4, verifica-se que as 7 dimensões temporais
em conjunto têm uma importante influência nos resultados da Auto-Estima
(R2=.402, p< .001). No entanto, são 3 as dimensões temporais que apresentaram
uma relação estatisticamente significativa com a Auto-Estima medida pelo RSES:
negativamente, o Passado Negativo (β=-.443, p<.001) e o Futuro Negativo
(β=-.272, p<.001); positivamente, o Presente Hedonista (β=.148, p<.05).
DISCUSSÃO
Os dados apresentados na secção anterior mostram uma importante contribuição da
Perspectiva Temporal na explicação dos resultados da Auto-Estima (medida pela
Rosenberg Self-Esteem Scale), situando-se esta mesma contribuição na ordem dos
40% (p<.001). Nas dimensões temporais que apresentaram uma relação
estatisticamente significativa com a auto-estima, os resultados foram muito
positivos e coincidentes com os resultados de outros estudos. Mais
especificamente, a relação negativa entre a Auto-Estima e o Passado Negativo,
assim como também a relação positiva entre a Auto-Estima e o Presente Hedonista
são também verificadas por Zimbardo e Boyd (1999).
Outra das relações que mostrou ser estatisticamente significativa foi a da
Auto-Estima com o Futuro Negativo, acreditamos que impossibilidade de
vislumbrar o Futuro com expectativas positivas, é um claro entrave para um são
desenvolvimento pessoal, assim como factor de risco para diversos
comportamentos disfuncionais.
DISCUSSÃO GERAL E CONCLUSÕES
Na actualidade as diversas campanhas de prevenção e de diminuição de danos, são
regra geral concebidas de forma a mostrar os efeitos negativos de um
comportamento a longo prazo (ex.: se fumar pode desenvolver cancro do pulmão
daqui a 5 anos), isto obviamente terá efeitos em sujeitos que são fortemente
orientados por uma Perspectiva Temporal de Futuro, no entanto, os estudos o que
nos indicam é que o nosso foco não devia ser nesses indivíduos, já que eles já
apresentam a capacidade de pensar nas consequências futuras dos seus actos. As
campanhas precisam principalmente de ser orientadas para os indivíduos com uma
forte Perspectiva Temporal de Presente, seja este Hedonista ou Fatalista, já
que são estes que falham na capacidade de abstracção e projecção para o futuro,
pelo que não têm a mesma capacidade de predição de futuras consequências.
Uma trajectória desenvolvimental plena, funcional e adaptativa é dependente de
inúmeros factores de ordem individual e social, atendendo aos resultados até
agora apresentados, defendemos a tese de que a Perspectiva Temporal tem um
importante papel na prevenção, detecção e até no tratamento de situações ou
factores que ponham em causa, o normal desenvolvimento de um indivíduo.
Tratamentos orientados para um aprofundamento da Perspectiva Temporal de
Futuro, diminuição do Presente Fatalista, do Passado Negativo e do Futuro
Negativo assim como uma moderação no Presente Hedonista, são medidas que podem
certamente ajudar a forjar nos indivíduos um presente muito mais pleno,
harmonioso e produtivo, que conduza a um futuro brilhante, permitindo olhar
para o passado com carinho e orgulho.
Por todos estes motivos acreditamos que se torna um imperativo ter em conta os
diversos contributos que a Perspectiva Temporal pode brindar no momento do
planeamento, assim como também da execução de campanhas de prevenção e de
diminuição dos danos de comportamentos disfuncionais. Assim como também no
encorajamento de comportamentos funcionais e adaptativos.