Parcerias e coligações comunitárias: Potencialidades e desafios na criação de
respostas articuladas
ENQUADRAMENTO CONCEPTUAL GERAL
Nas últimas duas décadas do Século XX, emergiu um conjunto significativo e
diversificado de publicações em resultado de trabalhos de investigação,
construção de manuais e histórias de sucesso documentadas sobre parcerias,
coligações e outras formas de colaboração numa grande variedade de contextos;
desde esforços de micro-escala como grupos de vizinhança ou em pequenas
localidades a esforços de carácter regional ou mesmo transnacional.
O interesse crescente em torno dos processos e dos resultados do funcionamento
de parcerias resultou também da procura sistemática de estratégias para
ultrapassar as dificuldades de operacionalização de inovação ao nível das
políticas sociais, para facilitar o envolvimento cívico e como uma forma
privilegiada para articular serviços na comunidade para responder a problemas
sociais prevalentes e complexos (Chavis, 1995; Roussos & Fawcett, 2000).
As parcerias envolvem os esforços de colaboração entre indivíduos, grupos,
organizações ou mesmo comunidades (Wolf, 2001) que encontram um interesse, um
desígnio ou um propósito comum ou que são capazes de articular um conjunto de
objectivos comuns (Fawcett, Francisco, Paine-Andrews, & Schultz, 2000); são
um contexto de participação cívica que se propõe ao desenvolvimento e à
consolidação de comunidades mais saudáveis (Berkowitz, 2001). As parcerias e
coligações são também veículos privilegiados para a activação de recursos
locais (Kretzman & McKnight, 1993) para a resolução de problemas e são
habitualmente orientadas para a acção. No que concerne à temporalidade das
parcerias, é possível encontrar posições diversificadas desde as temporárias
focalizadas em temas ou questões muito concretas, específicas ou mesmo
episódicas ou esporádicas (Backer, 2003) até estruturas organizadas para serem
sustentáveis no tempo (Wolf, idem), envolvendo um propósito de desenvolvimento
comunitário abrangente.
A investigação sugere que as parcerias e coligações podem desempenhar um papel
relevante no encorajamento das trocas inter-organizacionais e o desenvolvimento
de sistemas integrados de prestação de serviços (Foster-Fishman, Berkowitz,
Lounsbury, Jacobson, & Allen, 2001), bem como na melhoria da comunicação
entre organizações na comunidade (Abbot, Jordan, & Murtaza, 1995).
Tradicionalmente, as parcerias e coligações integram intervenientes-chave que
podem incluir indivíduos, organizações ou grupos de pessoas afectadas ou
influenciadas por uma determinada questão ou problema em torno do qual se
organizam. Contudo, na actualidade e no contexto da União Europeia, encontram-
se para além destas, uma série de parcerias que se podem considerar como
induzidas, por serem promovidas com base em propostas legislativas, em áreas
como a saúde pública ou a segurança social, ou mandatos na especificidade para
a organização de redes sociais formais, comissões e uma diversidade de
organismos inter-sectoriais para a promoção do desenvolvimento de intervenções
de carácter preventivo ou para a promoção de respostas articuladas a nível
local e/ou concelhio em domínios temáticos a protecção de crianças e jovens em
risco ou perigo, serviços e suportes para seniores ou ainda sistemas de
acompanhamento continuado na comunidade para grupos como pessoas com
deficiência, doença mental, entre muitos outros. Um outro catalisador para o
surgimento de inúmeras parcerias têm sido os programas europeus para a promoção
da coesão social implementados no decurso dos últimos 20 anos e que apresentam
como requisito a constituição de parcerias nacionais e/ou transnacionais,
abrangendo organismos de natureza jurídica diversificada e provenientes de
diferentes sectores da sociedade como Universidades, serviços públicos e
organizações da sociedade civil que congregam esforços para prosseguir o que
Bond e Keys (1993) apelidaram de objectivos construtivos comuns.
Quanto a definições de parceria e coligação é possível encontrar uma enorme
diversidade, apesar de se constatar com alguma consistência que a ideia de
parceria remete para um estilo de trabalho que procura promover a troca
continuada de informação para benefício mútuo, a conciliação ou conjugação de
esforços para a resolução de problemas comuns e contextos em que os membros são
considerados como parte integrante de uma rede com níveis de poder idênticos.
Por seu turno, a ideia de coligação remete para a concepção de uma estrutura
formal de colaboração com papéis e funções específicas que são acordados e
contratualizados entre os parceiros ou intervenientes.
A palavra coligação tem origem na palavra latina “coalescere” que significa
crescer em conjunto e em “coalitio” que significa união assim, uma parceria ou
coligação pode ser definida como “... uma aliança temporária de entidades ou
partes, de pessoas ou círculos governativos que promovem uma acção conjugada”
(Merriam-Webster, 2006). Outras definições de parcerias ou coligações
comunitárias enfatizam aspectos que importa realçar como a de Brown (1984) que
realça a ideia de uma organização de diferentes grupos de interesse que
combinam os seus recursos humanos e materiais para produzir mudanças que os
seus membros autonomamente não conseguem alcançar ou como um grupo de
indivíduos que representam diversas organizações, facções ou estruturas que
concordam em colaborar para alcançar um propósito comum (Feighery & Rogers,
1990). Num trabalho de 1993 Labonte descreve as coligações como grupos com um
objectivo partilhado e com a consciência de que... “unidos manter-nos-emos,
divididos cairemos”.
Contudo, os elementos “união” e “propósito comum” não são exclusivos das
coligações, sendo necessário recorrer a elementos descritivos adicionais como a
necessidade de uma estruturação interna, focalizada num tema e num contexto,
congregarem grupos diferentes com objectivos diversificados, poder ser multi-
propósito, isto é, missão ou conjunto de objectivos que possam concorrer para
uma mesma visão acerca de uma realidade que se pretende alcançar e terem uma
perspectiva de longo-prazo e de sustentabilidade (cf. Allensworth & Patton,
1990; Bibeau, Steckler, & Glanz, 1988; Black, 1983; Butterfoss et al.,
1993; McLearoy, Fagheiry, & Rogers, 1990; Wandersman & Goodman, 1991).
As parcerias ou coligações são deste modo estruturas que se criam em função de
domínios temáticos concretos e focalizados em objectivos que estão para além da
própria estrutura criada. São habitualmente desenvolvidas como uma estratégia
para coordenar respostas comunitárias para problemas sociais complexos (Chavis,
1995; Roussos & Fawcett, 2000), como são por exemplo os esforços para a
prevenção e apoio a crianças e jovens em situação de risco ou perigo, as
respostas à violência doméstica, a situações de abuso de substâncias,
populações sem-abrigo, pessoas em situação de pobreza extrema, grupos migrantes
ou ainda situações decorrentes do isolamento social, nomeadamente as
problemáticas sociais associadas ao envelhecimento.
PARCERIAS, COLIGAÇÕES E DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO
A articulação conceptual das ideias de parceria e coligação comunitária implica
a sua ligação com um conjunto de outros conceitos chave, sem os quais as
parcerias ficam destituídas de sentido social e/ou político. Este conjunto de
conceitos enquadram e contextualizam as parcerias e coligações comunitárias,
fundamentam-nas e conferem-lhes um propósito no âmbito de percursos de
desenvolvimento comunitário. As parcerias ou coligações podem ser tanto um
catalisador como um resultado da participação dos cidadãos. Para além disso, é
crucial perceber o papel das parcerias ou coligações comunitárias na construção
da capacidade e da competência comunitárias e como influenciam a consolidação
do capital social, elemento fundamental no aprofundamento da democracia e da
promoção das comunidades saudáveis.
A Organização das Nações Unidas desde meados da década de 50 adoptou a
perspectiva do desenvolvimento comunitário como “... uma forma de criar
condições de progresso económico e social para a comunidade em geral, através
da sua participação activa e com base nas suas próprias iniciativas” (cf.
Brager, Sprecht, & Torczyner, 1987). Esta abordagem do desenvolvimento
comunitário assenta em pressupostos como a capacidade das comunidades para
lidar com os seus próprios problemas; a relevância da participação dos cidadãos
na estruturação, ajustamento e controle das mudanças que têm lugar nas
comunidades onde residem ou circulam e ainda que as mudanças desenvolvidas e
implementadas pelas pessoas da comunidade têm um significado e uma capacidade
de sustentação que as mudanças impostas não conseguem alcançar.
A abordagem holística aos problemas tem maior probabilidade de sucesso do que
perspectivas fragmentadas e o enquadramento democrático proporcionado por esta
perspectiva implica a necessidade de cooperação no contexto da comunidade,
tornando-se relevante aprender a trabalhar em colaboração. Neste contexto
socio-político estabelece-se uma relação muito estreita com a importância
atribuída à participação dos cidadãos definida por Tocqueville (1835)1 como
sendo uma forma de “os cidadãos poderem ultrapassar o seu sentimento de
isolamento e de falta de poder através do seu envolvimento activo na resolução
de preocupações comuns... as associações cívicas e a governança local poderão
funcionar como estruturas mediadoras entre o indivíduo e o Estado”. Um outro
documento relevante publicado em 1977 por Peter Berger e Richard Neuhaus
(Novak, Berger, & Neuhaus, 1996) que ficou conhecido como “o panfleto” e
que é amplamente citado sobre a necessidade de revitalização da participação
dos cidadãos, concluindo que “... um dos resultados mais desoladores da
modernização é o sentimento de falta de poder dos cidadãos face a instituições
controladas por quem não se conhece ou por pessoas cujas ideias e valores não
partilhamos... devemos acreditar que os seres humanos, onde quer que estejam,
são os que melhor compreendem as suas necessidades”. Numa profusão muito
substantiva de estudos provenientes de vários ramos das ciências humanas,
particularmente na área da Psicologia Comunitária, podemos identificar
trabalhos mais recentes, como Checoway (1995), Florin e Wandersman (1990),
Perkins, Brown, e Taylor (1996), Foster-Fishman e Behrens (2007), entre muitos
outros, onde é possível associar, de forma consistente, a ideia de participação
dos cidadãos à estruturação e implementação de acções conducentes à melhoria
das condições de vida na comunidade.
Muitos destes trabalhos sugerem que as condições físicas e o ambiente social
que se caracteriza por redes informais de vizinhança, pelo envolvimento em
organizações da comunidade, são factores com muito maior impacto na
participação efectiva dos cidadãos do que características demográficas, como
por exemplo, os índices de rendimento, o grupo étnico, o número de anos de
residência num determinado local, os regimes de propriedade ou mesmo as taxas
de criminalidade. Estes resultados remetem para a necessidade de renovação de
acções de envolvimento das populações para a construção de comunidades
saudáveis.
Um outro conceito relevante para a compreensão do significado contemporâneo de
parceria ou de coligação comunitária bem como desta realidade sociopolítica é o
de empowerment. Apesar das múltiplas definições que podem ser encontradas, há
algum consenso quanto aos seguintes elementos conceptuais da ideia de
empowerment como sendo “o processo através do qual os indivíduos, os grupos, as
organizações ou comunidades podem conduzir as suas próprias vidas numa
perspectiva de mudança dos contextos sociais e políticos onde se encontram no
sentido de melhorar a equidade e a qualidade de vida”. Minkler e Wallerstein
(2005, p. 34), definição inspirada em Cottrell (1983), Rappaport (1984), GEUC
(1989) ou ainda Wallerstein (1992). A partir deste constructo procura dar-se a
oportunidade para que os indivíduos possam ganhar o controlo social, político,
económico e psicológico através do acesso à informação e ao conhecimento; da
aquisição de competências, da participação activa nos processos de tomada de
decisão, aumentando o seu sentido de auto-eficácia, os seus índices de
participação comunitária e de controlo efectivo sobre o que lhes diz respeito.
Segundo Zimmerman e Rappaport (1988) e Zimmerman (2000), podem identificar-se
três níveis essenciais ligados à ideia de empowerment. O nível individual que
remete para variáveis de carácter interpessoal, o nível organizacional
associado às oportunidades de participação e mobilização e ainda o nível
comunitário ligado à mudança social operada na estrutura socio-política. Como
características essenciais da ideia de empowerment realçamos ainda o facto de
ser uma variável contínua (por oposição a uma variável dicotómica – Sim/Não),
por ter um carácter dinâmico, assumindo formas e significados diferentes
consoante as pessoas e os contextos. Pode ser observado através de processos
(que remetem para o exercício de capacidades e/ou competências, para a
observação de uma ligação emocional positiva expressa através de uma história
ou relato de experiências comuns e de suporte mútuo, para processos de gestão
de talentos, bens ou recursos) e através de resultados (percepção de controle
efectivo, influência nas decisões que afectam a vida dos indivíduos, grupos e/
ou comunidades, maior conhecimento e domínio dos recursos disponíveis, além de
maior capacidade de captação e sustentabilidade de recursos).
As características das comunidades que afectam as suas possibilidades para
identificar, mobilizar recursos e enfrentar os seus problemas sociais ou de
saúde pública são, segundo Chavis (2001), Kegler, Steckler, Malek, e McLeroy
(1998) ou, ainda, Goodman (1998) associadas à ideia de capacidade comunitária,
que remete para capacidades concretas associadas à participação, à liderança,
às redes sociais e/ou de organizações, ao sentimento de comunidade, ao
entendimento da história comum da comunidade, o seu poder, os seus valores e a
sua capacidade de reflexão crítica sobre a situação vivenciada. Está também
ligada à capacidade colaborativa e às condições necessárias para a emergência
de processos colaborativos sustentáveis e conducentes à mudança comunitária.
A capacidade das parcerias de produzirem mudança é dinâmica, pois está
dependente dos seus membros, do seu propósito e da sua etapa de
desenvolvimento, o que se liga com a expressão de competência comunitária que,
segundo Cottrell (1983), implica a definição de uma medida de bom funcionamento
de uma comunidade. Aqui pode concluir-se que há alguma similitude com o
conceito de empowermente que tal competência pode ser alcançada quando diversos
sectores da comunidade colaboram no sentido de identificar os seus problemas e/
ou necessidades; quando conseguem um consenso em termos de objectivos e
prioridades e concordam acerca dos meios para atingir os objectivos definidos
através de uma colaboração efectiva (cf. Eng & Parker, 1994). Podemos
identificar ainda segundo Goodman, Speers, Mcleroy, Fawcett, Kegler, Parker,
Smith, Sterling, e Wallerstein (1998), algumas dimensões relacionadas com a
competência comunitária das quais importa realçar a capacidade de assumir
compromissos ou a participação efectiva nos processos de mudança. Ainda segundo
Goodman et al. (idem), é necessário visualizar de forma clara as diferenças
situacionais em que se encontram os indivíduos ou grupos e a capacidade de
contenção ou acomodação das diferenças, ambas associadas à gestão das relações
no contexto social, às competências para facilitar as interacções entre os que
participam nos processos de tomada de decisão e também às capacidades de
comunicação, de articulação, argumentação ou à orientação para a resolução de
problemas.
A ligação de todos estes elementos conceptuais com a ideia de capital social
fornece uma noção de circularidade e interdependência congruente com os valores
da vivência democrática. Assim, o capital social pode ser definido como “a
matéria em bruto da sociedade civil, criada pela miríade das interacções
quotidianas entre as pessoas. Não se localiza nos indivíduos nem nas estruturas
sociais, mas no espaço entre as pessoas. Não é propriedade das organizações, do
mercado ou do Estado, embora todos este elementos possam estar envolvidos na
sua produção” (Putnam, 1995, 2000). O envolvimento cívico tem impacto positivo
e aumenta a probabilidade de sucesso das instituições sociais pois estas
tornam-se, segundo Putnam (2000), mais assentes nas redes sociais e promovem a
confiança social. Como exemplos de grupos eminentemente comunitários, o autor
refere os grupos de afiliação (associações, grupos de voluntariado ou de ajuda
mútua) ou outras formas de associação como os grupos de inspiração religiosa,
com base no género (p.e., organizações ou grupos de mulheres), de defesa do
ambiente, de pessoas reformadas. Putnam (idem). Contudo, enfatiza que o grupo
social com maior índice de participação tende a ser o dos adultos casados, com
filhos e com um rendimento médio; este é o grupo social que mais tem
contribuído para o ressurgimento actual da ideia de capital social através de
organizações que promovem o sentimento de reciprocidade, que se orientam para a
resolução dos dilemas da acção colectiva, criando novas identidades, normas
sociais e uma vida associativa renovada com ênfase nas ligações horizontais com
uma larga participação proactiva na concepção, implementação e avaliação de
políticas públicas.
Este leque de conceitos-chave permite enquadrar as parcerias ou coligações como
percursos complexos de colaboração. São esforços de conjugação profundamente
ligados aos pilares onde assenta a organização democrática, sobretudo no que
concerne as liberdades de pensamento, de iniciativa e de acção orientadas para
a melhoria de contextos concretos. Estão expostas, por um lado, às
potencialidades e vicissitudes dos contextos e, por outro, às características e
capacidades dos seus membros. É esta diversidade que contribui decisivamente
para a complexidade das formas articuladas de intervenção na comunidade e das
respostas para os problemas sociais contemporâneos.
INVESTIGAÇÃO E AVALIAÇÃO EM PARCERIAS E COLIGAÇÕES COMUNITÁRIAS
Através da análise sistemática da investigação desenvolvida em parcerias e
coligações comunitária emerge um corpo consistente de evidência em torno das
dimensões ou factores que são relevantes para a implementação de esforços de
colaboração com sucesso. Num trabalho de 2001 Foster-Fishman et al., fizeram a
análise qualitativa de 80 publicações sobre parcerias e coligações
comunitárias, procurando desenvolver um enquadramento em torno da capacidade de
colaboração, incluindo as características chave e os processos que facilitam o
seu sucesso. Deste estudo emergem quatro níveis gerais fundamentais para o
desenvolvimento da capacidade de colaboração que são: a capacidade (a) dos
membros; (b) relacional; (c) organizacional e (d) programática, que e podem,
por sua vez, serem subdivididas em categorias mais específicas, permitindo
identificar mais elementos concretos sistematicamente abordados na investigação
sobre parcerias e coligações comunitárias (Quadro 1).
QUADRO_1
Capacidade de colaboração das parcerias e coligações
Pressupondo que a capacidade colaborativa se refere às condições necessárias
para que as parcerias e coligações possam promover mudança comunitária
sustentável (Goodman et al., 1998) e reconhecendo-se que não há uma forma única
de implementar processos de colaboração em contextos comunitários (Roussos
& Fawcett, 2000), esta ênfase na colaboração tem utilidade, porque remete
para a possibilidade de influenciar a mudança na comunidade.
O fenómeno da colaboração pode ser particularmente elucidativo para se
compreender a realidade das parcerias e coligações porque abrange a percepção
de mecanismos sociais relacionados com a reciprocidade, a interdependência, o
interesse e o potencial que suscitam as diferenças entre os indivíduos e os
grupos. Além disso, é também relevante a noção de que a colaboração é um
processo gradual e dinâmico que pode ter muitos momentos, alguns pautados por
sucessos e outros por insucessos, mas todos alcançados em conjunto. Em termos
de características dos processos de colaboração podem incluir-se, segundo
Rosenthal (2000), a ideia de criação e acção conjuntas, a promoção da
interdependência que se reflecte na reciprocidade, o exercício de autoridade e
de responsabilidade conjuntas que implicam a partilha de riscos, mas também de
compensações e, finalmente, assumir que as tensões, as divergências ou mesmo os
conflitos são inerentes aos processos colaborativos, podendo pela sua natureza
dinâmica ser ultrapassados.
Os processos colaborativos podem também ser perspectivados segundo Gray (1989),
como etapas que se iniciam pelo reconhecimento da noção de que a
interdependência pode ser frutífera, de que as organizações são diferentes, de
que se podem liderar os processos de tomada de decisão de forma conjunta,
assumir a gestão das dificuldades e, finalmente perceber que a colaboração é um
processo gradual e dinâmico.
Os processos de colaboração alteram a forma como as organizações trabalham em
conjunto, produzem um movimento de transição da competição para a construção de
consensos, de formas de trabalho autónomas para estratégias de fusão de
diferentes culturas organizacionais, de campos e de contextos de acção. Deste
modo, a colaboração implica que se deixe de estar apenas focalizado em
actividades, serviços ou programas para se passar para a concepção de respostas
face a situações complexas, para intervenções integradas, ou ainda para a
reflexão em torno de situações concretas no sentido de produzir mudança em
sistemas sociais ou sistemas de prestação de serviços abrangentes (cf. Winer
& Ray, 1994).
Em torno da ideia de colaboração é ainda necessário realçar que na literatura
sobre este domínio há um conjunto de modelos de colaboração que remetem para
potenciais conteúdos programáticos dos processos de colaboração e que têm
impacto nas opções quando à forma que o processo de colaboração deve assumir
que é definido consoante o objecto da sua intervenção.
Assim, segundo Rosenthal (2000) ou Kubisch et al. (1995), os percursos
colaborativos podem ser identificados como sendo parcerias estratégicas,
processos de integração de serviços, colaborações orientadas para a resolução
de conflitos e ainda a construção de colaborações abrangentes. A partir destes
quatro modelos gerais pode ter-se a noção, por um lado, da sua complexidade e,
por outro, dos desafios e oportunidades com que se confronta quem trabalha em
parceria, sendo esta uma oportunidade para promover um debate para clarificar
alguns domínios estratégicos que podem assim ser consolidados ou mesmo
desenvolvidos. Estes modelos de colaboração não devem ser perspectivados como
compartimentos estanques em que cada iniciativa apenas se deve circunscrever a
um dos modelos, mas têm o potencial de ser utilizados como um menu do qual se
podem seleccionar componentes ou elementos que mais se adequam às necessidades
concretas e às realidades experienciadas no seio de cada parceria ou coligação.
No universo de estudos sobre parcerias, coligações e iniciativas de colaboração
inter-institucional em contextos comunitários podem encontrar-se estudos que
variam entre análises comparativas em domínios temáticos de relevância social e
estudos de caso que acompanham e documentam o percurso de parcerias
comunitárias concretas, sendo de interesse notar que todos realçam ou enfatizam
aspectos particulares ou elementos que remetem para os elementos expostos no
Quadro_1. Num estudo, com 89 parcerias para a prevenção do HIV-SIDA, Penner
(1995) corrobora que o acréscimo de interdependência observável nas
organizações intervenientes se constituí como um factor crucial para o sucesso
da intervenção, tal como havia sido identificado por Bond e Keys (1993) num
estudo aprofundado e longitudinal de uma parceria de familiares de pessoas com
deficiências mentais e outras entidades na comunidade em que se concluiu que a
colaboração efectivamente acontece quando dois ou mais intervenientes conjugam
a sua acção; todo o conjunto pode beneficiar da expansão conjunta de recursos
para alcançar os objectivos propostos. Este trabalho conjugado implica a
promoção da interdependência funcional, mantendo em simultâneo a importância e
os contributos singulares de cada grupo, respeitando-se a diversidade e criando
oportunidades concretas para se desenvolver acções concretas e se alcancem os
objectivos comuns identificados.
Outros estudos realçam a importância de elementos como o clima social ou a
estrutura das parcerias e coligações. O clima social, refere-se ao carácter ou
personalidade de um determinado contexto, mencionado inicialmente nos trabalhos
de Moss (1973, 1979), considerando cada contexto como um conjunto de
características com uma unidade e uma coerência únicas. À semelhança dos
indivíduos, alguns contextos são mais promotores de suporte que outros; são
mais ou menos orientados para a concretização de tarefas ou acções ou são mais
ou menos restritivos na forma como exercem o poder e o controle.
No estudo do clima social é assim relevante integrar elementos de análise do
funcionamento de parcerias e coligações como a partilha de uma missão conjunta
e a capacidade de lidar eficazmente com a divergência e com o conflito,
elementos estes que têm sido consistentemente identificados nos processos de
colaboração com maiores índices de sucesso (Butterfoss et al., 1993). Nas
parcerias colaborativas Gray (1985) sugere que os intervenientes devem procurar
desenvolver uma apreciação coincidente acerca do problema e um conjunto similar
de valores para guiar a sua pesquisa de potenciais soluções; contudo, nenhum
processo de colaboração está imune à divergência ou mesmo ao conflito, mesmo
que se partilhe uma visão inicial do problema, na construção dos planos de
operacionalização, tendem a surgir problemas concretos inerentes à
implementação ou execução.
Para além da eficácia na resolução de problemas, a necessidade de partilha do
poder e influência, no âmbito das parcerias comunitárias, tem sido explorada em
diversos estudos de caso como o de Bartunek, Foster-Fishman, e Keys (1996),
enfatizando que cada grupo interveniente deve manter o carácter único da sua
voz, ou da perspectiva que representa no contexto da parceria comunitária.
O estudo de parâmetros como resolução eficaz de conflitos, a presença de uma
missão e processos de decisão partilhados, a eficiência (orientação para
tarefas) e a liderança inclusiva permite, segundo Allen (2005), aferir em que
medida os diversos pontos de vista dos intervenientes são tidos em consideração
e se se observa o desenvolvimento de uma visão comum.
Sobre a liderança inclusiva e eficiente no contexto das parcerias, estudos como
o de Butterfoss, Goodman, e Wandersman (1993), Kumpfer, Turner, e Libret Jr.
(1993), Foster-Fishman et al. (2001), concluíram que um estilo de liderança
empoweringestava associado a um maior índice de satisfação dos membros da
parceria e a percepções mais positivas da eficácia do trabalho conjunto.
A análise integrada dos elementos do clima social da parceria é relevante, pois
estão conceptualmente relacionados e o desenvolvimento de uma visão acerca da
missão da parceria implica um esforço para ultrapassar pontos de vista e
prioridades divergentes (Fargason, Barnes, Schneider, & Galloway, 1994;
Gray, 1985). Por vezes, estes processos implicam a resolução de conflitos que
alguns autores consideram como endémicos aos processos colaborativos (Byles,
1985; Gray, 1989) ou, aprofundando a reflexão que o poder e o conflito são
intrínsecos, as variações de poder determinam os resultados nos processos de
tomada de decisão, como refere Pfeffer (1996).
Há ainda a considerar relevância da eficácia do(a) líder da parceria no
desenvolvimento de todo o processo de colaboração na promoção da eficiência e a
orientação para tarefas e a sua capacidade de incorporar os desejos e
expectativas de todos os intervenientes (Butterfoss et al., 1993).
Para além do clima social, as características das parcerias que surgem
associadas à eficácia (Chrisplip & Larson, 1994; Huxham & Vangen, 2000)
são a estrutura ou a tipologia dos membros. Num estudo de Kegler, Steckler,
McLeroy, e Libret Jr. (1998), conclui-se que as estruturas tendencialmente mais
complexas, que sejam, por exemplo, regidas por diplomas legais ou estatutos,
que têm agendas mais explícitas ou mantêm registos ou actas de reuniões, têm
maior capacidade de mobilizar recursos e de concretização. Outros estudos
enfatizam que o contributo dos membros é fundamentalmente um trabalho
colaborativo.
Butterfoss et al. (1993) descreve os membros da parceria como um bem primordial
para as parcerias, pois cada interveniente traz um conjunto único de
competências e recursos para o trabalho em colaboração. Contudo, Huxham e
Vangen (2000), alertam para a necessidade de uma análise mais detalhada da
natureza e tipologia dos membros, como por exemplo, os que estão oficialmente
integrados e os que desempenham papéis mais activos.
A investigação recente no domínio das parcerias comunitárias tem vindo a
realçar a necessidade de utilização de níveis múltiplos de análise (Allen,
2005; Luke, 2005), o que permite agrupar as variáveis em clustersque se
enquadram em níveis diversificados. Esta metodologia permite analisar os
impactos das parcerias em cada comunidade e também extrapolar os impactos numa
perspectiva transversal num conjunto de parcerias com características
similares.
Kumpfer et al. (1993), analisou o papel da liderança nas equipas de trabalho
num conjunto de dez parcerias e a sua relação com a comunidade mais alargada.
Por seu turno, Allen (2005) analisou 43 parcerias na área da prevenção e
intervenção na violência doméstica, conjugando parcerias compostas por
entidades diversificadas como a justiça, a saúde, a educação, serviços de
segurança social, organizações da sociedade civil, incluindo organizações
religiosas e ainda empresas, concluindo que o clima inclusivo é crucial para o
funcionamento de uma Parceria e em particular a existência de (a) uma liderança
inclusiva e encorajadora da participação dos parceiros; (b) de partilha de
poder no processo de tomada de decisão e (c) a presença de uma missão
partilhada. Novamente se constata uma centralidade atribuída ao clima social,
facto que não é surpreendente considerando-se a necessidade de colaboração para
promover uma resposta articulada para um problema ou situação de natureza
complexa. A qualidade da liderança desempenha um papel relevante na formação do
clima social (Giamartino & Wandersman, 1983) e promove o empowerment de
quem exerce a liderança, a coesão e o envolvimento no trabalho em parceria.
Para Allen (2005) o factor tempo de funcionamento da parceria foi também
considerado como relevante na capacidade para alcançar objectivos e para a
construção do sentido de missão partilhada.
Para a investigação e avaliação dos processos e resultados do trabalho em
parceria, importa reflectir e identificar níveis ecológicos de mudança que
promovem. Os processos e os resultados das Parcerias e das coligações podem ser
observados a nível individual, organizacional, inter-organizacional e
comunitário ou de sistemas (cf. Butterfoss, 2007).
Os resultados observados a nível individual incluem as mudanças nas
circunstâncias concretas da vida dos habitantes ou dos membros de uma
determinada comunidade, no seu estatuto social, nos índices de qualidade de
vida das pessoas concretas ou de determinados grupos, na articulação entre
vários sectores da comunidade, na mudança de atitudes ou comportamentos, na
sensibilidade e aumento do conhecimento, bem como nas capacidades de
transferência de informação.
Os resultados organizacionais incluem a defesa pública de uma determinada causa
ou a adopção de novas políticas ou práticas, bem como a possibilidade de
implementar novos programas ou serviços com o correspondente reforço de apoios
financeiros ou da produção de inovação no financiamento de iniciativas
consideradas como inovadoras.
Podem também incluir mudanças nas carreiras dos profissionais envolvidos ou na
melhoria das capacidades de intervenção por parte dos profissionais, bem como a
possibilidade de influenciar alterações ao nível da missão, ajustamentos ou
mesmo alterações ao nível dos parceiros.
Os resultados inter-organizacionais focalizam-se na observação da construção e
manutenção de ligações entre entidades públicas, privadas, sem fins lucrativos
ou de base comunitária e os resultados específicos podem incluir o número de
novas relações estabelecidas entre organizações na comunidade e em que medida
essas interacções progrediram em termos de colaboração. Podem também abranger
as relações estabelecidas entre os vários sectores da comunidade sem
experiência anterior de colaboração e as novas relações estabelecidas entre a
Parceria e outras organizações fora da comunidade. As melhorias na comunicação,
o fortalecimento de, por exemplo, relações entre as famílias e a escola, o
aumento do envolvimento e da participação cívica, a redução da violência, a
maior responsabilização das instituições na comunidade e dos grupos de
residentes são; todos estes elementos podem contribuir para o aumento da
partilha de responsabilidades e para a promoção da acção coordenada.
Os resultados comunitários ou de mudança de sistemas, incluem resultados
alargados junto da população, nomeadamente em índices de saúde, alterações
produzidas nos espaços físicos em resultado das mudanças produzidas em
regulamentos, políticas ou práticas. O objectivo final é obter mudanças que
tenham como resultado ambientes físicos e sociais mais saudáveis. As políticas
públicas podem ser acerca de normas para a resolução de divergências ou
conflitos na comunidade, no sentido de aumentar o sentimento de comunidade; os
ambientes físicos podem também ser transformados através do trabalho em
parceria, por exemplo, contribuindo para o aumento da segurança nos espaços
públicos de recreio ou lazer, na criação de circuitos pedestres ou de ciclo
vias, entre muitos outros, nomeadamente relacionados com as questões de redução
da negligência e abuso de crianças, jovens ou idosos e sobreviventes de
violência doméstica.
Segundo Fawcett, Francisco, Paine-Andrews, e Schultz (2000) ou Fawcett (2003),
ou ainda Butterfoss (2006, 2007), as parcerias comunitárias devem ser avaliadas
em pelo menos três níveis principais, ao nível das infra-estruturas e
processos, da implementação de actividades e programas e finalmente dos
resultados e mudanças na comunidade ou no contexto específico onde a parceria
procurou intervir.
A avaliação de parcerias permite evidenciar o que foi alcançado, nomeadamente
como se identificaram e se envolveram os intervenientes e se os membros estão a
contribuir eficazmente nos esforços de colaboração propostos pela parceria ou
coligação. Estes são habitualmente resultados identificados como sendo de
curtoprazo no âmbito da operacionalização do trabalho em parceria e permitem
essencialmente avaliar como tudo está a funcionar. Este domínio inclui questões
de gestão, de organização e implementação das actividades em parceria.
A avaliação de processos das parcerias permite demonstrar como é que os seus
esforços contribuíram para mudanças positivas na comunidade, sobretudo quando
conjugados com os dados de avaliação que emanam da própria comunidade.
Esta forma de avaliação pode ajudar as parcerias ou coligações a ajustar os
seus esforços ao longo do tempo o que pode resultar em melhorias significativas
da sua capacidade de alcançar os objectivos a que se propõem.
No que concerne à avaliação associada aos programas e intervenções, esta
centra-se nas acções que conduzam a produtos relacionados com o desígnio ou
propósito da parceria ou coligação. As actividades desenvolvidas podem ser em
áreas como a formação, informação/ sensibilização, defesa pública de uma causa,
a implementação de um programa de prevenção ou intervenção. Estas actividades
dependem da disponibilidade e apropriação dos recursos, um plano de acção
temporizado, bem como de um contexto social e político favorável. É relevante
enfatizar que o propósito da avaliação não é somente comprovar se um programa
resulta, mas também demonstrar como podem as iniciativas ser melhoradas ou
ajustadas ao contexto local.
A capacidade de ajustamento segundo Kubisch, Brown, Chaskin, Hirota, e Joseph
(1998), pode estar associada à identificação da necessidade de alterar a
população ou grupo prioritário para a intervenção ou alterar as acções
passando, por exemplo, incluir intervenções ao nível do contexto que potenciem
a obtenção de resultados a longo-prazo.
A avaliação deve ser uma acção continuada, desde a fase de planeamento,
passando pela implementação, bem como nas acções que sejam replicadas a partir
de outras experiências que tiveram sucesso.
Esta estratégia de avaliação também se focaliza nos processos, isto é, procura
compreender como é que os programas funcionam num determinado contexto
comunitário, os seus resultados imediatos e intermédios, nomeadamente as
mudanças ao nível do (re)conhecimento ou da opinião pública face ao fenómeno
abordado pela parceria ou coligação, bem, como a necessidade identificada de
produzir alterações em termos das políticas públicas locais.
Outras iniciativas de sucesso identificadas como práticas promissoras podem
constituir-se como ilustrações relevantes acerca do que resulta, a partir das
mudanças observadas na comunidade.
A avaliação (Allen & Hagen, 2003) permite perceber quais dos objectivos
específicos dos programas que foram efectivamente alcançados e qual a eficácia
global da iniciativa. Acções concretas de avaliação podem incluir a análise dos
registos de reuniões, visitas a pessoas ou a locais, relatos nos vários meios
de comunicação social, ou os registos de participação em eventos promovidos
pela parceria ou coligação. Todas estas formas de medida podem ser úteis para
se proceder a uma verificação da fidelidade, isto é, se a intervenção decorreu
de acordo com o planeado; os registos de suporte individual podem permitir
perceber como o serviços ou suportes foram proporcionados, a análise dos
enquadramentos legais permitem perceber como a este nível foi percepcionada a
importância da iniciativa e como foi regulamentada. Estes dois elementos podem
ainda ser combinados com entrevistas a informadores chave, essenciais para
documentar o percurso de desenvolvimento da parceria.
Quanto aos resultados e mudanças na comunidade, o sucesso depende da capacidade
de se obter resultados a longo-prazo, pois a mudança comunitária e de sistemas
não acontece rapidamente e muitos resultados são difíceis de medir através de
metodologias tradicionais (Allen, 2006, 2008) pelo que metodologias de
avaliação participativa e com base em pressupostos de empowerment aumentam a
possibilidade de se compreender como é que as iniciativas comunitárias resultam
para as populações e como é que a mudança de sistemas pode contribuir para a
melhoria global do bem-estar da população.
Em conclusão as parcerias e coligações comunitárias podem ser uma forma de
promover a colaboração entre pessoas, organizações ou serviços que
habitualmente intervêm isoladamente na comunidade e são uma forma de promover
estratégias de co-empowerment (Bond & Keys, 1993), que acontece quando dois
ou mais grupos ao colaborar, beneficiam da expansão e activação de recursos de
forma conjugada para alcançar objectivos comuns. No Quadro 2 sumarizam-se os
elementos substantivos e programáticos que resultam da criação e implementação
de parcerias e coligações em contextos comunitários.
QUADRO 2
Elementos estruturais das parcerias comunitárias
Pressupondo que a capacidade colaborativa se refere às condições necessárias
para que as parcerias e coligações possam promover mudança comunitária
sustentável (Goodman et al., 1998) e reconhecendo-se que não há uma forma única
de implementar processos de colaboração em contextos comunitários (Roussos
& Fawcett, 2000), esta ênfase na colaboração tem utilidade, porque remete
para a possibilidade de influenciar a mudança na comunidade.
A promoção da interdependência funcional, assenta na valorização dos vários
intervenientes das parcerias, procurando potenciar os seus resultados em termos
participação cívica e de influência da mudança social e comunitária; reconhece-
se, por um lado, a importância dos seus contributos e, por outro, respeita-se a
sua diversidade e especificidade. Esta dinâmica de inclusão e interdependência
proporciona formas de comunicação directa, de procura de significado partilhado
(Krille, Curphy, & Lund, 2006) e de exercício de responsabilidades que
sejam equivalentes em termos de exercício do poder.
As parcerias e coligações em contextos comunitários que se orientarem para
problemas concretos e formas de os resolver ou ultrapassar, tenderão a ser
geradoras de capital social e a criar um propósito comum de mudança sustentável
(Pickeral, 2005) e ancorada nos recursos e nos bens das comunidades onde se
implementam.