Essential health psychology (2002): Mark Forshaw. London: Arnold, 236 pp.
ESSENTIAL HEALTH PSYCHOLOGY (2002) - Mark Forshaw. London: Arnold, 236 pp.
A ideia de “psicologia da saúde essencial” é a de um livro que se situa a meia
distância entre, por um lado, uma obra introdutória e um manual tipo livro de
texto, por outro. Se foi esse o objectivo do autor, Mark Forshaw(School of
Health and Social Sciences, Univ. Coventry), pode dizer-se que foi plenamente
conseguido.
O autor começa por referir que o livro não contem tudo o que o leitor quer
saber sobre psicologia da saúde, o que, aliás, nenhum livro só por si pode
conter. De resto, a finalidade desta obra é apresentar o que o autor considera
essencial ou nuclear no campo científico, num estilo discursivo e pouco
referenciado, que é muito claro e compreensível. Pode discutir-se se as opções
feitas foram ou não as melhores, mas não há dúvida que a finalidade é atingida
com qualidade.
Após um primeiro capítulo sobre determinantes biológicos da saúde e da doença,
o autor percorre sucessivamente ao longo da obra grandes temas essenciais da
psicologia da saúde, a saber:
-Percepções, crenças e cognições
-Psicologia da saúde diferencial
-Stresse e saúde
-Comportamento alimentar, uso de substâncias (tabaco, álcool e drogas) e
comportamento sexual
-Comunicação em saúde
-Avaliação psicológica na saúde e na doença
-Doença crónica, cuidados paliativos e morte
-Rastreios
-Efeito placebo e dor
Sobre estes conteúdos, que na verdade poderiam ser os conteúdos programáticos
de uma cadeira de introdução à psicologia da saúde para psicólogos e outros
técnicos de saúde, podem desde já fazer-se algumas considerações gerais. Neste
género de trabalhos de introdução, de que também é exemplo o livro de Anthony
J. Curtis, publicado pela Routledge em 2000, há que fazer escolhas. No caso
deste livro de M. Forshawé importante referir a inclusão de capítulos sobre
psicologia da saúde diferencial, sobre comunicação em saúde, sobre rastreios e
sobre o efeito placebo, porque são temas habitualmente não tratados neste
género de publicações e que são centrais neste campo científico.
No capítulo sobre psicologia diferencial, o autor aborda as questões se
relacionam com diferenças entre os indivíduos em contextos de saúde e doença
que podem ser determinadas pela cultura, género, idade, nível intelectual e
deficiência, bem com pelo locus de controlo, personalidade, optimismo,
neuroticismo, hipocondria e, até, as diferenças individuais no caso do
comportamento dos próprios técnicos de saúde. Digamos que para que este
capítulo fosse completo só faltaria referir as diferenças relacionadas com o
estatuto socio-económico e algumas situações específicas de fragilidade social.
No capítulo sobre comunicação e saúde são revistos os aspectos fundamentais dos
comportamentos de comunicação na saúde e na doença quer na transmissão de
informação, quer no plano da comunicação persuasiva que tem por finalidade
influenciar os comportamentos dos utentes. A comunicação em saúde é estudada
quer no plano da relação dos técnicos com os utentes, quer no plano da relação
entre os próprios utentes e das relações interprofissionais. Estes dois últimos
aspectos, juntamente com a abordagem da comunicação escrita em saúde constituem
mais valias que não são habitualmente tratadas neste género de textos.
No capítulo sobre rastreios são abordadas as implicações psicológicas dos
resultados positivos e negativos, quer dos verdadeiros quer dos falsos, bem
como os problemas da baixa adesão à prática de exames de rastreio que podem ser
relevantes em termos de detecção precoce de problemas de saúde. O tema das
implicações psicológicas dos rastreios é um tema que também é abordado no livro
introdutório de M. Pittssobre Preventive Psychology, mas que neste trabalho de
M. Forshawé, a meu ver, melhor conseguido.
Os capítulos sobre stresse, comportamento alimentar e uso de substâncias são
equilibrados, embora sem referência suficiente à actividade física.
Todos os capítulos do livro indicam leituras complementares que, no geral, são
adequadamente escolhidas e enunciam algumas questões para o estudo ulterior por
parte dos leigos, o que resulta bem.
Porém, em minha opinião, a obra tem algumas insuficiências relacionadas com o
facto de não serem tratados temas essenciais em psicologia da saúde, tais como
as metodologias qualitativas de investigação em saúde, os métodos e técnicas de
intervenção psicológica em saúde e os aspectos psicológicos relacionados com a
promoção da saúde, a prevenção e a mudança de comportamentos. Todavia, os
modelos teóricos são abordados parcialmente no capítulo sobre percepções,
crenças e cognições, no qual são apresentados o modelos de crenças de saúde,
teoria da motivação protectora, teoria do comportamento planeado, auto-eficácia
e modelo de auto-regulação. Ou seja, o livro poderia ser bastante melhor do que
é se abordasse aqueles temas essenciais.
José A. Carvalho Teixeira