Mensagem
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Jorge Vala*
* Director do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Com a presente edição da Análise Social comemoramos uma longa jornada: 200
números, num percurso cujos 50 anos celebraremos em 2013.
A Análise Social começou o seu caminho sob a direcção de J. Pires Cardoso, a
quem se seguiu Adérito Sedas Nunes. Foram depois directores da revista Manuel
Braga da Cruz, António Barreto, Manuel Villaverde Cabral, José Machado Pais e
Pedro Lains. A João de Pina-Cabral cabe dirigir a Análise Social no seu
presente aniversário.
A fundação da Análise Social quase se confunde com a fundação das ciências
sociais em Portugal, e o percurso das ciências sociais em Portugal está bem
reflectido nos trabalhos publicados na revista. Nos últimos anos, o número de
revistas disciplinares nesta área aumentou significativamente, mostrando o
incremento da investigação neste domínio e o aprofundamento da sua
especialização. Ora, uma das marcas da Análise Social desde o seu início é a
sua interdisciplinaridade, é o facto de colocar lado a lado pesquisas e
reflexões teóricas disciplinarmente heterogéneas, contribuindo para o
enriquecimento das diversas disciplinas através do contacto e da migração de
conceitos e procedimentos metodológicos. É esta dimensão de inovação e
criatividade que faz dela uma revista de referência onde muitos procuram
publicar, e onde muitíssimos encontram fonte de inspiração. Por exemplo, a taxa
de aceitação de artigos em 2010 foi de 50%, e os downloads de artigos atingiram
nesse mesmo ano o impressionante número de 730 000.
Contudo, o sucesso de uma revista científica não se reflecte apenas no número
de leitores ou no número de investigadores que a procuram para nela publicarem,
mas no seu impacto intelectual e na contribuição para o avanço do conhecimento
científico. Em todas as áreas das ciências sociais, foram publicados textos na
Análise Social que marcaram e marcam o percurso dessas áreas no nosso país.
Se relermos o admirável texto de Sedas Nunes1 sobre a história do GIS--ICS e
das ciências sociais em Portugal, entendemos a enorme dimensão do contributo
único da Análise Social. Estamos, pois, a celebrar uma revista que percorreu um
longo caminho com um enorme vigor e impacto.
O projecto primordial dos fundadores da revista continua actual, na formulação
que lhe deu Adérito de Sedas Nunes: vimos porque queremos o saber, e também
porque queremos mais justiça; mas não queremos o saber apenas para que possa
haver mais justiça; dar gosto ao gosto de saber também é de justiça.2
Notas
1 Histórias, uma história e a história ' sobre as origens das modernas
ciências sociais em Portugal. Análise Social, vol. xxiv, n.º 100, pp. 11-
55.
2Ibid., p. 24.