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EuPTCVHe1646-21222014000300007

National varietyEu
Year2014
SourceScielo

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Fractura coronal do capitellum e tróclea umeral em idade pediátrica

INTRODUÇÃO As fracturas coronais do úmero distal podem envolver o côndilo radial ("capitellum"), tróclea umeral ou ambos. São fracturas raras, contribuindo para 1% de todas as fracturas do cotovelo e 6% das fracturas distais do úmero1.

São raras na idade pediátrica, sendo observadas muito raramente em crianças com menos de 12 anos2. Para esta situação contribui o facto de nas crianças, o mesmo mecanismo de lesão, provocar uma fractura supracodiliana ou do côndilo umeral externo. São também mais comuns no sexo feminino3.

Tradicionalmente as fracturas do capitellum foram classificadas em 2 tipos diferentes: tipo 1 ou fractura de Hahn-Steinthal que inclui o côndilo umeral e o osso esponjoso e o tipo 2 ou fractura de Kocher-Lorenz que envolve somente a superfície articular do côndilo. Posteriormente Broberg e Morrey propuseram o tipo 3, que é uma fractura cominutiva do côndilo e McKee propôs o tipo 4, em que a fractura inclui uma parte da tróclea umeral2,4 (Figura_1).

Frequentemente estão associadas com outras fracturas e lesões dos tecidos, nomeadamente dos ligamentos laterais5.

Existem várias modalidades de tratamento, no entanto, não estudos com significância estatística que permita guiar o tratamento. Geralmente, para a maioria das fracturas, está recomendada a redução cruenta e osteossíntese5.

CASO CLÍNICO Relatamos um caso de uma adolescente com 13 anos, que deu entrada no Serviço de Urgência do HDE, após queda com traumatismo do cotovelo direito.

Apresentava-se com edema do cotovelo, muito doloroso à mobilização e com impotência funcional, sem lesão neurovascular. Foram realizadas radiografias antero-posteriores e perfil, que mostraram uma fractura coronal do capitellum e parte externa da tróclea umeral, desalinhada e rodada em direcção proximal. A radiografia perfil mostrou o sinal do "duplo arco" descrita por McKee2 (Figura_2). Foi realizada uma tomografia computorizada (TC) para melhor caracterização (Figura_3). Foi então classificada como tipo 4 de McKee.

Figura_3

Foi submetida a intervenção cirúrgica. Realizou-se uma abordagem externa de Köcher, redução e osteossíntese com 2 parafusos interfragmentários postero- anteriores, conseguindo-se uma redução anatómica (Figura_4).

Figura_4

Foi retirada imobilização gessada às 4 semanas e iniciou movimentos activos. A recuperação decorreu sem intercorrências.

Aos 3 meses pós-operatórios a fractura estava consolidada, não apresentava sinais de necrose avascular nem de falência do material de osteossíntese (Figura_5) e a adolescente apresentava-se assintomática, sem limitações na prono-supinação à excepção de um pequeno défice residual na extensão do cotovelo.

DISCUSSÃO As fracturas coronais distais do úmero são raras nos adultos e ainda mais raras na população pediátrica. É também importante enfatizar que estas fracturas podem facilmente passar despercebidas.

As radiografias mostram muitas vezes o sinal do "duplo arco". Para esclarecimento diagnóstico e melhor caracterização da fractura é imprescindível a realização de TC3.

Deve ser prestada especial atenção à presença de outras lesões concomitantes, como luxações, fracturas da cabeça do rádio ou instabilidade ligamentar3.

Infelizmente não existem dados suficientes para guiar o tratamento destas fracturas. As modalidades de tratamento possíveis incluem redução fechada6,7, excisão dos fragmentos ósseos8, redução aberta com ou sem osteossíntese9,10, osteossíntese com redução assistida por artroscopia11 e artroplastia total do cotovelo12. Actualmente o método mais consensual será a redução aberta e osteossíntese, permitindo uma redução anatómica e estável e consequentemente uma reabilitação pós-operatória mais precoce5.

Nesta fractura que apresentámos, devido à idade da doente e tipo de fractura, optou-se por realizar redução aberta e osteossíntese com 2 parafusos interfragmentários postero-anteriores.

Estudos anatómicos mostram que a vascularização da coluna externa distal do úmero, incluindo o capitellum, se realiza por vasos perfurantes no segmento posterior do côndilo. No entanto, o risco de necrose avascular neste tipo de fracturas parece ser baixo2,4.

Outra das complicações passíveis de ser encontrada prende-se com a redução inadequada da fractura, criando incongruências articulares que diminuem a amplitude articular do cotovelo10.

O diagnóstico e caracterização da fractura associada a uma redução anatómica e osteossíntese estável permitiu obter excelentes resultados pós-operatórios de uma fractura que se caracteriza pela sua extrema raridade em idade pediátrica.


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