Pneumomediastino espontâneo
POSTERS
O pneumomediastino espontâneo carateriza-se pela presença de ar livre nas
estruturas mediastínicas, sem causa evidente. Esta entidade clínica é rara e
deve ser suspeitada pela apresentação clínica: dor torácica, dispneia e
enfisema subcutâneo. A intensidade dos sintomas dependerá da quantidade de ar
livre nos espaços mediastinais.
Adolescente de 17 anos, longilíneo, fumador ocasional (sem história de trauma
nem patologia pulmonar), recorreu ao Serviço de Urgência por episódio súbito de
dor torácica retroesternal intensa, agravada com a inspiração e o decúbito, e
cervical, acompanhada por dispneia ligeira. Referência a acessos de tosse seca
violenta na noite anterior à admissão. Na observação, apresentava enfisema
subcutâneo supraclavicular. A telerradiografia (Rx) postero-anterior do tórax
mostrava discreta lâmina de ar envolvendo a silhueta cardíaca e enfisema
subcutâneo; no perfil evidenciava-se a presença de ar retroesternal. Ficou
internado por pneumomediastino espontâneo, com tratamento conservador. Os
sintomas desapareceram em 8 dias, bem como a imagem radiológica. Foi realizada
investigação com ecocardiograma, electrocardiograma e enzimas cardíacas
(normais) e, posteriormente, tomografia computorizada (TC) de tórax para
exclusão de patologia pulmonar subjacente, que não mostrou outras alterações.
Da investigação etiológica, apresentava IgM Mycoplasma pneumoniae positiva,
discutindo-se o papel da infeção por este agente na etiologia da doença.
O objetivo desta apresentação é recordar a fisiopatologia e semiologia do
pneumomediastino espontâneo e a importância da suspeição clínica no seu
diagnóstico. Pensamos ser uma entidade pouco reconhecida, provavelmente sub-
diagnosticada quando as queixas são mais frustres. A dor torácica, apesar de
inespecífica, é o sintoma mais frequentemente implicado e o enfisema subcutâneo
é altamente sugestivo de pneumomediastino. A confirmação diagnóstica por Rx
tórax é geralmente suficiente e a TC deve ser reservada para os casos duvidosos
ou na suspeita de doença pulmonar subjacente. O tratamento é conservador e a
maioria recupera sem sequelas, com probabilidade baixa de recorrência. Da
revisão da literatura, os casos descritos de associação da infeção por
Mycoplasma pneumoniae ao pneumomediastino são muito raros. O tabagismo pode
também funcionar como adjuvante e é uma adição neste adolescente; foi
aconselhado a não fumar e, caso este hábito se mantenha, será proposto para
consulta de cessação tabágica.