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EuPTCVAg0871-018X2012000200027

National varietyEu
Country of publicationPT
SchoolLife Sciences
Great areaAgricultural Sciences
ISSN0871-018X
Year2012
Issue0002
Article number00027

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Avaliação de prejusízos causados pela Mosca-da-Azeitona, Bactrocera (daculus) Oleae, na ilha Terceira, Açores

INTRODUÇÃO De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE, 2009), em 2007, a cultura da oliveira ocupava a área de 379.616 ha em Portugal, destinada à produção de azeite, registando a produção de 203.968 t. Desta área, 11.219 ha produziram 8277 t de azeitona de mesa.

O Porto Martins é a única zona de Ilha Terceira com oliveiras. Esta área de produção situa-se a Sudeste da Ilha. A produção destina-se, apenas, a azeitona de mesa (Lopes et al ., 2009).

A mosca-da-azeitona (B. oleae ) é umas das principais pragas da oliveira em Portugal, sendo considerada também um dos principais inimigos desta cultura na Ilha Terceira. Esta praga tem quatro fases do seu desenvolvimento pós- embrionário: ovo, larva (L1, L2, L3), pupa e adulto. A larva e o adulto causam os mais elevados prejuízos, através do consumo de parte da polpa e da queda prematura dos frutos (Bento, 1997; Bento et al ., 1997; Figueiredo, 2003; Lopes et al. , 2008; 2009; 2010; Torres, 2007).

Em 2002, foi realizado o estudo sobre os problemas fitossanitários da oliveira, cuja produção se destinava unicamente a azeitona-de-mesa. As pragas identificadas foram: mosca-da-azeitona, Bactrocera oleae (Gmelin), traça-da- oliveira, Prays oleae (Bern.), algumas cochonilhas e tripes. Também foi efetuado o levantamento da fauna auxiliar presente (Figueiredo, 2003). Em Junho de 2008, detetou-se nova praga, o algodão-da-oliveira Euphyllura olivina (Costa) (Homoptera: Psyllidae) e fez-se o levantamento da sua dispersão e incidência (Lopes et al., 2008; 2009; 2010).

Em 2002 e 2008,B. oleae foia praga com maior densidade populacional e com maior impacto através dos prejuízos causados nos frutos, que atingiram, nesses anos, perto de 70% da produção. Entre 2008 e 2010, em novos estudos da mosca-da- azeitona, procedeu-se à colocação de armadilhas para a monitorização dos adultos (Lopes et al., 2008; 2009; 2010).

A monitorização de B. oleae é uma importante ferramenta para os produtores da Ilha, pois pode evitar decréscimos de produção uma vez que se ficam a conhecer melhor as flutuações das populações de adultos desta praga.

Os objectivos deste trabalho foram: (1) determinar a evolução populacional dos adultos de B. oleae ; (2) avaliar os prejuízos da praga nas azeitonas, de forma a poder ajudar os produtores no seu combate.

MATERIAL E MÉTODOS Na zona de maior produção de azeitona de mesa, da Ilha Terceira, em Porto Martins, foram selecionadas, entre Julho e Outubro de 2010, 2 parcelas , uma sujeita a 6 tratamentos inseticidas para o combate à mosca-da-azeitona e outra parcela não sujeita a qualquer intervenção química.

A monitorização dos adultos desta praga-chave foi realizada através de armadilhas denominadas de copo-mosqueiro (Figura_1A) com difosfato de amónio (em cristais, diluídos em água a 5%), atrativo alimentar para os machos e sobretudo as fêmeas de B. oleae . Em cada parcela, foi também colocada outra armadilha constituída por uma simples garrafa de água (Figura_1B) (mais económica do que a outra) contendo a mesma formulação e a mesma quantidade de atrativo. A observação destas armadilhas foi realizada mensalmente, registando- se as capturas dos adultos.

Para a avaliação dos prejuízos causados pela fêmea de B. oleae , na altura da colheita, na última semana de Setembro foram, recolhidas 3 amostras de 100 azeitonas, a partir de 3 árvores por parcela, escolhidas aleatoriamente em cada uma das duas parcelas (tratada e não tratada), e determinou-se, em laboratório, a intensidade de ataque.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Monitorização dos adultos Na evolução populacional dos adultos de B. oleae , ocorreram dois picos, um de menor intensidade, em Agosto de 2010, com 254 adultos, e outro maior, em Outubro, com 888 adultos (Quadro_1, Figura_2).

Em Outubro, ocorreram os picos de maior abundância populacional (502 e 386 adultos) de B. oleae (Figura_2), coincidentes com a completa maturação da azeitona. Uma vez que, atualmente, é gratuitamente fornecido, pelos serviços oficiais a todos os produtores de azeitona, o atrativo alimentar utilizado na monitorização (difostato de amónio) foi importante estudar e encontrar formas mais económicas de fazer esta monitorização, recorrendo à utilização de armadilhas comerciais (Tephri) (Figura_1A) ou a outras, menos dispendiosas, como a reutilização de garrafas de água (Figura_1B).

Tratamentos com inseticidas A realidade atual foi bem evidenciada, em 2010, por grande parte dos produtores ainda adoptarem calendários de tratamentos com numerosas aplicações, quase quinzenais, de inseticidas, com 6 aplicações, de dimetoato, 5 vezes isolado, e, em 13/9, em mistura com deltametrina, Além da ilegalidade, pois é permitida 1 aplicação de dimetoato, as características toxicológicas e ecotoxocológicas dos 2 pesticidas evidenciam os graves riscos para a saúde humana e animal e para o ambiente, agravados

Avaliação da intensidade de ataque Os prejuízos, correspondentes à intensidade de ataque, pela mosca da azeitona, por ser azeitona de mesa, na parcela tratada, foram de 1%, enquanto, na parcela sem tratamentos, atingiram 66% das azeitonas com larvas (Quadro_3)

Na parcela alvo de aplicação de 6 tratamentos inseticidas, apenas 1% das azeitonas possuíam larvas da mosca da azeitona no seu interior e na parcela não tratada a intensidade de ataque de B. oleae foi 66%, em 2010, (Quadro_3), ainda inferior à registada, 83% e 100%, em 2008 (Lopes et al., 2009; 2010).

O tipo de informação retirada, quer da monitorização dos adultos de B. oleae , quer da avaliação dos prejuízos e também a partir das 6 aplicações de inseticidas, deverá contribuir decisivamente para a diminuição, ao longo dos anos, da população desta praga e aumentar, assim, a produção nesta pequena e exclusiva zona de produção de azeitona da ilha Terceira, assegurando a provisão em termos de autoconsumo.

É importante insistir no facto das 6 aplicações realizadas com dimetoato denotarem o total desrespeito pelas normas em vigor e as muito graves consequências do uso excessivo e ilegal deste pesticida, sem que exista, por parte dos Serviços oficiais qualquer tipo de fiscalização que impeça este excessivo e inapropriado número de aplicações do mesmo inseticida e, por isso, devem ser tomadas medidas que viabilizem a indispensável defesa da saúde humana e animal e do ambiente.

Será importante, por isso, estudar, através da análise de resíduos de inseticidas à altura da colheita e à saída da salmoura, trabalho até agora nunca realizado, mas urgente de fazer para salvaguarda do consumidor das célebres azeitonas do Porto Martim, Ilha Terceira, Açores.

CONCLUSÕES

A monitorização dos adultos da mosca da azeitona, em 2010, evidenciou dois picos populacionais importantes desta praga, o maior em Outubro e o menor em Agosto, nas condições da Ilha Terceira (Quadro_1, Figura_2).

As garrafas de água reutilizadas com atrativo alimentar no seu interior (difosfato de amónio), que proporcionam evidente economia, podem substituir as armadilhas Tephri (Figura_1A e 1B).

A intensidade de ataque da praga e os consequentes prejuízos, registados nas parcelas não tratadas, atingiram 66%, com importante e grave impacto desta praga na diminuta produção local de azeitona de mesa (Quadro_3).

É muito importante referir que, durante a época de 2010, foram realizadas 6 aplicações com dimetoato. Situação ilegal e que decerto originou muito graves consequências derivadas do seu uso excessivo, pelo que, devem ser tomadas medidas urgentes de informação e esclarecimento aos produtores e de fiscalização com aplicação de sanções para assegurar a defesa da saúde humana e animal e do ambiente (Quadro_2).


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