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EuPTCVAg0871-018X2008000100018

National varietyEu
Country of publicationPT
SchoolLife Sciences
Great areaAgricultural Sciences
ISSN0871-018X
Year2008
Issue0001
Article number00018

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CONTROLO DE INFESTANTES EM TRIGO DE SEMENTEIRA DIRECTA UTILIZANDO DOSES DE HERBICIDA E VOLUMES DE CALDA REDUZIDOS

INTRODUÇÃO A redução dos custos de produção, o efeito negativo dos pesticidas no ambiente e o risco de contaminação dos alimentos, tem levado os agricultores em quase todo o mundo, à redução da aplicação destes produtos químicos, nomeadamente dos herbicidas. Em alguns países, tem havido mesmo, uma pressão crescente no sentido de banir a utilização de muitos herbicidas (Matteson, 1995).

Na actualidade, o objectivo do maneio de infestantes centra-se cada vez mais em manter a comunidade infestante num nível aceitável e não tanto, deixar a cultura totalmente livre de infestantes. Vários trabalhos científicos mostram que um controlo bastante satisfatório de infestantes pode muitas vezes ser conseguido, utilizando-se doses de herbicida inferiores às recomendadas pelos fabricantes dos produtos, mantendo a produção potencial das culturas (Lundkvist, 1997; Fernandez-Quintanilla et al., 1998; Navarrete et al., 2000; Zhang et al., 2000; Boström & Fogelfors, 2002).

Zhang et al., (2000), com base em diferentes estudos, em várias culturas e diferentes condições ambientais, encontraram variações substanciais na eficiência do controlo das infestantes, usando diferentes doses de herbicida. Em alguns estudos, em que usaram a dose de herbicida recomendada, obtiveram uma eficiência de apenas 20 a 40 %, enquanto uma eficiência maior que 70 % foi conseguida em 50 % dos estudos com doses de herbicidas de apenas 20 % em relação às doses recomendadas. Os mesmos autores verificaram, também, que a eficiência no controlo das infestantes tendeu a ser menor, e a variar mais, para as doses inferiores às recomendadas, mas permaneceu dentro dos valores de 60-100% em mais de 90% dos casos. Em cereais, mais de 70% de controlo de infestantes foi mantido em mais de 90% dos casos, para doses de herbicida entre 30 e 60% das doses recomendadas.

A redução dos custos de produção, a diminuição da erosão dos solos e o aumento da fertilidade dos mesmos a médio e longo prazo, consequência da melhoria da sua estrutura, tem levado os agricultores em todo o mundo, e também em Portugal, a adoptar cada vez mais o sistema de sementeira directa, particularmente na instalação de cereais de Outono/Inverno. A utilização deste sistema de mobilização do solo conduz a uma alteração na distribuição das sementes das infestantes no perfil do solo, tendendo a acumular-se à superfície ou perto desta (Streit et al., 2002). Deste modo, poder-se-á esperar uma grande infestação após as primeiras chuvas, infestantes essas que serão controladas em pré-sementeira, não sendo pois, de esperar a ocorrência de grandes reinfestações quando a cultura estiver estabelecida. Gill & Arshad (1995) e Jensen (1995) referem uma emergência tardia reduzida de infestantes anuais com o decréscimo da intensidade de mobilização do solo e especialmente em solos não cultivados. Em sementeira directa, em que não distúrbio no solo e a superfície está coberta pelos resíduos das plantas, a densidade de infestantes é reduzida quando comparada com outros sistemas (Zanin et al., 1997; Streit et al., 2002).

Assim, com a sementeira directa, a germinação menos escalonada das infestantes ao longo do ciclo da cultura, poderá permitir o seu controlo numa fase mais precoce do seu desenvolvimento, quando se encontrem mais sensíveis ao herbicida, o que, por sua vez, não possibilitará o uso de doses reduzidas de herbicida, mas também de volumes de calda menores, para garantir um suficiente contacto com as folhas das infestantes. Como foi demonstrado por O ) Donovan et al., (1985), a remoção precoce das infestantes é importante para evitar reduções de produção nas culturas.

Quer a Avena sterilis L. quer o Lolium rigidum G. são duas das infestantes mais problemáticas em pós-emergência nos cereais de Outono/Inverno, principalmente no trigo e, nos últimos anos, o herbicida diclofope-metilo + fenoxaprope p etilo + mefenepir dietilo, tem sido utilizado pelos agricultores portugueses com resultados bastante satisfatórios quando se aplica a dose mínima recomendada (2.5 lha-1) em interacção com volumes de água que variam entre 350 e 600 lha-1.

O objectivo do presente trabalho foi o de estudar a possibilidade da redução da dose de um herbicida e do volume de calda relativamente ao recomendado pelo fabricante, mantendo um controlo satisfatório das infestantes gramíneas Avena sterilis L e Lolium rigidum G. e consequentemente mantendo a produção potencial da cultura do trigo em sementeira directa.

MATERIAL E MÉTODOS Os ensaios para estudar o efeito de três doses de herbicida inferiores às recomendadas pelo fabricante no controlo da Avena sterilis L. e do Lolium rigidum G., em interacção com três volumes de água também inferiores aos recomendados, em dois estádios de desenvolvimento das infestantes, foram levados a cabo nos anos agrícolas de 2002/2003, 2003/2004 e 2005/2006, numa herdade privada do Concelho de Évora (Sul de Portugal). Os ensaios realizaram-se em três campos experimentais da mesma herdade, com características edáficas semelhantes. Os dados climáticos (temperatura e precipitação) foram registados automaticamente numa estação meteorológica próxima dos campos de ensaio. A precipitação mensal e a temperatura média mensal em cada ano são apresentadas noa Quadros 1 e 2. As características físicas e químicas, do solo nos locais dos ensaios, são apresentadas no Quadro 3.

O herbicida utilizado é uma mistura de 250 gl-1 ou 22,73 % de diclofope - metilo + 20 g l-1 ou 1,82 (p/p) de fenoxaprope-p-etilo + 40 g l-1 ou 3,64 (p/p) de mefenepir - dietilo. É um herbicida de contacto e translocação, indicado para o combate em pós-emergência da Avena sterilis, Phalaris minor, Phalaris brachystachys, Phalaris paradoxa e do Lolium rigidum na cultura do trigo, sendo referenciado como muito eficaz no controlo da Avena sterilis L. e do Lolium rigidum G.

A este herbicida juntou-se 15 g ha -1 de sulfonilureia (Tribenurão metilo 75%) para o controlo das infestantes dicotiledóneas.

Os ensaios foram delineados em blocos casualizados, estando os tratamentos em combinação factorial. O número de repetições era de quatro e cada talhão tinha uma área de 30m2 (3m x 10m) a que correspondeu uma área total de cada ensaio de 1440m2. Os tratamentos foram os seguintes: Doses de herbicida: D0 controlo; D1 1 l ha-1; D2 1.5 l ha-1 e D3 2 l ha-1.

Volumes de calda: V1 100 l ha-1; V2 200 l ha-1 e V3 300 l ha-1.

Épocas de tratamento: início do afilhamento das infestantes e afilhamento completo das infestantes.

A cultura do trigo foi estabelecida através de sementeira directa, de meados de Outubro a meados de Novembro. A rotação praticada era Ervilha forrageira Trigo Trigo. O controlo de infestantes em pré-sementeira foi efectuado através da aplicação de um herbicida total, sistémico e não residual, no caso o glifosato.

Os talhões foram pulverizados com um equipamento próprio para ensaios, equipado com bicos de fenda (110 o-12), quando aproximadamente 90% das infestantes estavam na fase do início do afilhamento ( época de aplicação) e quando cerca de 90 % das infestantes estavam na fase de afilhamento completo ( época de aplicação). As pressões e as velocidades de avanço utilizadas foram função dos volumes de água utilizados. As infestantes foram contadas duas vezes em cada ano, mas não foram removidas. A primeira contagem teve lugar imediatamente antes do tratamento e a segunda contagem cerca de dois meses depois do tratamento, em caixilhos de 50cm x 50cm (um por talhão) colocados em todos os talhões e na parte central destes.

A eficiência dos diferentes tratamentos é expressa como a percentagem de infestantes controladas e pode ser calculada pela seguinte expressão: Ef = 100 ((C2 - d)/C1)* 100 Onde Ef é a eficiência do tratamento (%), C1 o número de infestantes por m2 contadas antes do tratamento, C2 o número de infestantes por m2, contadas depois do tratamento e d a diferença no número de infestantes por m2 contadas nos talhões testemunha (reinfestação).

Na época de aplicação (início do afilhamento das infestantes) o valor médio de d foi de 16.5 plantas m-2 para a Avena e de 2.9 plantas m-2 para o Lolium. Na época de aplicação (afilhamento completo das infestantes) o valor médio de d foi de 3 plantas m2 para a Avena e 1.5 plantas m-2 para o Lolium.

O trigo foi semeado com uma densidade entre160 e 180 kg ha-1 e a fertilização em N, P e K foi aplicada de acordo com as recomendações, para manter o nível de fertilidade.

Em cada um dos anos de ensaio, a área colhida correspondeu a 15m2 da parte central de cada talhão para evitar o efeito de bordadura, usando-se para tal, uma ceifeira debulhadora própria para ensaios. A produção de grão por unidade de área foi determinada directamente, depois da correcção da humidade. O tratamento estatístico consistiu na análise de variância que se aplicou aos diferentes parâmetros estudados, sendo feita de acordo com o delineamento experimental do ensaio. A separação de médias foi efectuada sempre que o teste F revelou uma probabilidade do erro justificar diferença, menor ou igual a 5 % (p 5%), pelo teste de separação múltipla de médias de Duncan. O programa estatístico utilizado foi o MSTAT-C.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Em relação à eficiência do controlo da Avena sterilis L., apenas a dose de herbicida revelou efeito significativo (Quadro 4). Em termos médios, a dose D2 (1.5 l ha-1), que é metade da dose máxima recomendada, não diferiu significativamente da dose D3 (2 l ha-1), e conduziu a níveis de eficiência de aproximadamente 95 %. Existiu uma sugestão de interacção entre a dose de herbicida e o volume de calda, verificando-se que quanto menor a dose, mais importante se tornou a redução do volume de calda, sugerindo assim, que a concentração afecta a eficiência do herbicida.

Existiu igualmente uma sugestão de interacção entre a dose de herbicida e a época de aplicação, verificando-se que a antecipação da aplicação parece ser mais favorável para as doses de herbicida mais reduzidas.

Relativamente à eficiência do controlo do Lolium rigidum G. verificou-se um efeito significativo da dose de herbicida e do volume de calda aplicado (Quadro 5). O efeito da dose foi idêntico ao verificado para o controlo da Avena sterilis L., ou seja, a dose D2 não diferiu significativamente da dose D3. O aumento do volume de calda fez diminuir a eficiência do herbicida, não havendo neste caso, nenhuma sugestão de interacção entre os dois factores, ou seja, a perda de eficiência resultante da utilização do volume de calda mais elevado (300 l ha-1) foi idêntica nas três doses de herbicida testadas. Existe, à semelhança do que se tinha verificado para a Avena sterilis L., uma sugestão de interacção entre a dose e a época de aplicação, em que a antecipação desta parece ser mais vantajosa nas doses mais reduzidas.

No que respeita à produção de grão na cultura, verificou-se um efeito significativo da dose de herbicida, da época de aplicação e da interacção entre estes dois factores (Quadro 6). Em termos médios, a dose D3, mais próxima da recomendada pelo fabricante, conduziu a um aumento significativo na produção da cultura. No entanto, analisando a interacção entre a dose de herbicida e a época de aplicação, verifica-se que para a época não existiram diferenças significativas da produção entre as doses testadas. Assim, a antecipação da época de aplicação não permitiu aumentar, de forma significativa, a produção da cultura como também permitiu reduzir a dose de herbicida a utilizar. O aumento da produção de grão terá resultado do facto de se ter libertado a cultura da competição das infestantes numa fase mais precoce do seu ciclo e, a possibilidade da redução da dose, resultará da menor idade das infestantes à data do tratamento.

Os resultados obtidos nestes ensaios parecem estar de acordo com os conseguidos por Lundkvist, (1997), Fernandez-Quintanilla et al. (1998), Navarrete et al. (2000) e Zhang et al. (2000), os quais demonstraram haver um controlo bastante satisfatório de infestantes e consequentemente uma boa produção das culturas, mesmo utilizando-se doses de herbicida inferiores às recomendadas pelos fabricantes dos produtos.

Também O’Donovan et al., (1985), referem ser a remoção precoce das infestantes, importante para evitar reduções na produção das culturas.

CONCLUSÕES 1. A antecipação do tratamento permite aumentar a eficiência no controlo das infestantes Avena sterilis L. e Lolium rigidum G., mesmo utilizando-se doses de herbicida e volumes de calda inferiores aos recomendados pelo fabricante.

2. A maior eficiência no controlo das infestantes e o menor período de competição entre estas e a cultura conduzem a maiores produções de grão quando o tratamento é realizado numa fase mais temporã do desenvolvimento das infestantes.

3. A aplicação do herbicida numa fase mais precoce do desenvolvimento das infestantes, permite reduzir a aproximadamente metade, a dose de herbicida e o volume de calda em relação ao recomendado, mantendo a produção potencial da cultura.


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