RESISTÊNCIAS CRUZADAS EM BIÓTIPOS DE ALISMA PLANTAGO-AQUATICA
RESISTENTES AO BENSULFURÃO-METILO E SUAS CONSEQUÊNCIAS
INTRODUÇÃO
Os herbicidas que actuam na enzima
acetolactato sintase/acetohidroxiácido sintase
[ALS/AHAS, EC 2.2.1.6] (NC- IUBMB,
2002) são normalmente designados por
inibidores da ALS (Mallory-Smith & Retzinger, 2003). Esta enzima cataliza a primeira
reacção da biossíntese dos aminoácidos de
cadeia ramificada valina, leucina e isoleucina
(Schloss, 1990), três dos aminoácidos essenciais para o Homem. Estes aminoácidos são
indispensáveis ao crescimento das plantas e a
sua falta pode provocar a morte da planta
(Devine & Preston, 2000). No entanto, a célula
leva tempo a esgotar as suas reservas e as
plantas podem levar três a quatro semanas a
morrer. Como este efeito é lento, Brown
(1990) refere que o aparecimento de sintomas
característicos das sulfonilureias, como a
redução dos lóbulos de folhas recortadas
(Cobbs, 1992), pode estar associado ao primeiro efeito da actividade destes herbicidas.
Este efeito consiste na rápida inibição da
divisão celular ao nível dos meristemas, que
ocorre poucas horas após a aplicação do
herbicida.
Conhecem-se actualmente cinco famílias
químicas de herbicidas inibidores da ALS:
sulfonilureias, imidazolinonas; triazolopirimidinas; pirimidinilóxibenzoicos e sulfonilcarbonil-triazolinonas (Duke & Dayan, 2001)
que, provavelmente, actuam em diferentes
centros activos da enzima que não coincidem
totalmente (Schloss, 1990).
As sulfonilureias, desde a sua introdução
no mercado em 1982, têm sido a família
química de herbicidas mais utilizados no
mundo (Saari et al., 1994; Gressel, 2002). As
características de elevada eficácia que permitem que estes herbicidas sejam aplicados em
doses reduzidas (g ha-1), foram as responsáveis
pelo rápido aparecimento de biótipos resistentes (R) em espécies infestantes tão importantes como Lactuca serriola (Mallory-Smith
et al.., 1990) e Kochia scoparia (Primianni et
al., 1990). Outros factores, como a facilidade
de ocorrência de mutações naturais à ALS
(elevada frequência do alelo resistente) e o
facto do alelo R ter um efeito mínimo na adaptabilidade, em condições de ausência de
pressão de selecção provocada pelo herbicida
também contribuíram para o elevado risco de
resistência associado a estes herbicidas (Tranel
& Wright, 2002).
Actualmente é a família química com
maior número de casos de resistência (93) e
cuja evolução tem tido o crescimento mais
rápido, tanto na Europa como noutros países
(Heap, 2006). De facto, entre 2002 e 2005 dos
nove novos casos de resistência na Europa, seis
foram de herbicidas inibidores da ALS (Moss,
2002; Moss 2005).
A resistência aos herbicidas inibidores da
ALS afecta diferentes culturas, embora as mais
importantes sejam os cereais, incluindo o
milho e o arroz. Das 30 espécies infestantes
da cultura do arroz com biótipos R, uma percentagem considerável apresenta resistência
a herbicidas inibidores da ALS, principalmente
da família química das sulfonilureias. O fenómeno afecta plantas das principais famílias de
infestantes da cultura do arroz, como Lythraceae, Scrophulareaceae, Pontedereaceae,
Poaceae, Cyperaceae e Alismataceae. Destas
últimas destacam-se Damanosium minus R.
Br. Buch na Austrália e Sagittaria montevidensis Cham. & Schlester na Austrália e
Califórnia (Pappas-Fader et al., 1993; Graham
et al., 1996) e Alisma plantago-aquatica em
Portugal, Espanha e Itália (Calha et al., 1995;
DePrado et al., 1997; Sattin et al., 1999).
A importância da Alisma plantago-aquatica (orelha-de-mula, colhereiro, colhereiro,
colheres, tanchagem-de-água) (Coutinho,
1974; Rocha, 1996) apesar de não ser uma
espécie muito competitiva, tem vindo a
aumentar desde que foram identificadas
populações resistentes (R) ao bensulfurãometilo (Calha et al., 1995; 1999). O primeiro
caso de resistência ocorreu num arrozal com
uma história de 6 anos de aplicação de
bensulfurão-metilo (Calha et al., 1995). Desde
o primeiro caso de resistência foram
detectados campos com populações resistentes
nas principais zonas produtoras de arroz
(Calha et al., 1999), que abrangeram as bacias
hidrográficas dos rios Mondego, Tejo e
Sorraia, Sado e Mira. A elevada susceptibilidade da A. plantago-aquatica ao bensulfurãometilo pode ter sido um dos factores responsáveis pela ocorrência de resistência nesta
espécie.
Na maior parte dos casos, a resistência aos
herbicidas inibidores da ALS tem sido atribuída à insensibilidade desta enzima, como
resultado de uma mutação pontual – num único
nucleótido – do gene da enzima (Saari et al.,
1994; Hinz & Owen, 1997; Tranel & Wright,
2002). Conhecem-se actualmente cinco mutações pontuais no gene da ALS das plantas
superiores que conferem diferentes níveis de
resistência às sulfonilureias e a outros inibidores da ALS (Gressel, 2002; Tranel & Wright,
2002). Para além da alteração do local de acção
há referências, embora menos frequentes, a
outros mecanismos que podem causar resistência, como a taxa de metabolismo mais
acelerada do herbicida, que afecta principalmente infestantes gramíneas e a sobre-expressão do gene da ALS. Este último foi
identificado numa linha isogénica (R corn
inbred line) de milho (Zea mays L.) e em
Sisymbrium orientale Thorn (Forlani et al.,
1991; Boutsalis et al., 1999).
O conhecimento do mecanismo de resistência e dos padrões de resistência cruzada
pode contribuir para o planeamento mais
adequado das estratégias de combate aos
biótipos R (Cotterman & Saari, 1992; Shaner,
1995). Todavia, para os biótipos R a herbicidas
inibidores da ALS, os níveis de resistência e
os padrões de resistência cruzada a herbicidas
com o mesmo modo de acção são muito
variáveis e difíceis de prever, o que enfatiza a
complexidade das estratégias para combater a
resistência a estes herbicidas (Wrubel &
Gressel, 1994; Sibony & Rubin, 2003).
Para conhecer o mecanismo responsável
pela resistência ao bensulfurão-metilo, nas
populações R identificadas nas diferentes
regiões orizícolas de Portugal (Calha et al.,
1999), é necessário conhecer o nível de
resistência ao herbicida responsável pela
selecção e o padrão de resistência cruzada a
outros herbicidas selectivos para a cultura do
arroz. Para esta cultura em 1996, estavam
autorizadas em Portugal (DGPC, 1997) dez
substâncias activas (s.a.) das quais cinco
controlavam eficazmente a espécie A. plantago-aquatica, designadamente, bensulfurãometilo, bentazona, cinosulfurão, MCPA e
2,4D+MCPA. Actualmente foram retirados do
mercado nacional o 2,4-D, o cinosulfurão e as
misturas contendo mefenaceto. Os herbicidas
mais recentes são indicados para o controlo
de infestantes gramíneas como Echinochloa
spp., Glyceria declinata e Leersia oryzoides
não havendo novos modos de acção para o
controlo de Alisma plantago-aquatica e outras
infestantes designadas de “folha larga”
(DGPC, 2006). Em Itália, onde a área de arroz
é significativamente superior à nacional com
200 000 ha dedicados àquela cultura, contra
26 000 ha em Portugal (FAO, 2003), os
orizicultores têm maior escolha de herbicidas
para fazer face a uma flora infestante também
mais diversificada (Vigianni et al., 2003).
Todavia, considerando o seu modo de acção
verifica-se que os eficazes sobre A. plantagoaquatica são na sua maioria inibidores da ALS
pertencentes às famílias químicas sulfonilureias (azimsulfurão, bensulfurão-metilo,
etoxisulfurão e imazosulfurão) triazolopirimidinas (metosulame e penoxsulame) e dos
pirimidiniloxibenzóicos (bispiribace-sódio). No
que respeita a herbicidas com diferente modo
de acção, para além das s.a. que também estão
autorizadas em Portugal, podem ser aplicados
os herbicidas vulgarmente designados por
“hormonais” (HRAC – O), como a dicamba e
o 2,4-DB; os inibidores da divisão celular
(HRAC – K3) como o pretilacloro e inibidores
da biossíntese dos carotenóides (HRAC – F3)
como a clomazona (Fitogest, 2006).
Neste trabalho estudaram-se populações
de Alisma plantago-aquatica resistentes ao
bensulfurão-metilo de regiões geográficas
diferentes. O estudo teve como principais
objectivos: 1) confirmar e quantificar a magnitude da resistência ao bensulfurão-metilo, em
dois estados fenológicos; 2) avaliar a resistência cruzada a outros herbicidas inibidores
da ALS e herbicidas com modo de acção
diferente que possam constituir alternativa ao
bensulfurão-metilo no controlo de biótipos R,
no campo.
MATERIAL E MÉTODOS
Herbicidas
Para a selecção dos herbicidas a incluir nos
estudos de resistência cruzada, seguiu-se o
critério definido por Rubin (1991) ou seja
herbicidas que além de terem um modo de
acção distinto (HRAC, 1998) sejam metabolizados por sistemas enzimáticos diferentes
(Usui, 2001). Foram estudados 14 herbicidas
(Quadro 1), dos quais sete são inibidores da
ALS, incluindo: cinco sulfonilureias azimsulfurão, bensulfurão-metilo, cinosulfurão,
etoxisulfurão, metsulfurão-metilo; duas imidazolinonas, imazetapir e imazapir; sete herbicidas com modo de acção diferente, bentazona,
MCPA, propanil, triclopir, pretilacloro+fenclorim, oxadiargil e oxadiazão.
Material vegetal
Estudaram-se populações de Alisma plantago-aquatica resistentes (R ) ao bensulfurãometilo, oriundas das principais regiões orizícolas do País. Estas populações foram obtidas
a partir do conjunto de 53 populações
resistentes (R) e 50 populações susceptíveis
(S) ao bensulfurão-metilo, confirmadas previamente em ensaios de estufa com dose única
(Calha et al., 1999). Por região seleccionaramse duas a quatro populações R ao bensulfurãometilo cuja percentagem de mortalidade nos
ensaios tivesse sido de 90-100%, e provenientes de arrozais sujeitos à aplicação consecutiva, durante 5-6 anos seguidos, de herbicidas contendo sulfonilureias.
As amostras de sementes das populações
foram identificadas com um sistema de codificação, constituído por duas letras e três
algarismos. As duas primeiras letras correspondem ao nome da bacia hidrográfica
origem das sementes (Mo-Mondego; SaSado e So-Sorraia) e os três algarismos à
numeração do questionário de inquérito
incluído na prospecção de resistência realizada
ao abrigo do projecto PAMAF 1017 – Resistência adquirida a herbicidas por infestantes
da cultura do arroz - (Rocha, 1999).
No Quadro 2 apresenta-se a localização
e o resumo dos herbicidas aplicados em cada
arrozal, origem das populações de Alisma
plantago-aquatica R ao bensulfurão-metilo.
As populações susceptíveis, utilizadas como
referência, eram oriundas da bacia hidrográfica
do rio Mondego (Mo 220 e Mo222).
Ensaios com planta inteira
Em Setembro de 2000, imediatamente
antes da colheita da cultura do arroz, colheram-se as inflorescências de cerca de 40 plantas de Alisma plantago-aquatica, aleatoriamente por todo o campo, de forma a obter mais
de 1000 sementes por arrozal. As sementes,
depois de limpas e secas em estufa, foram
submetidas a pré-tratamento de quebra de
dormência: manutenção das sementes a 1-2°C
na obscuridade, em solução de KNO3 (0,2%)
durante um período de 18 dias (Munscher,
1936) em câmara incubadora CASSEL (CBT).
Para incentivar a germinação, as sementes
permaneceram na mesma solução e foram
transferidas para condições de alternância de
temperatura e luz de 15/30 ºC com 16 h de luz,
associada à temperatura mais elevada, durante 5-6 dias, até ao aparecimento do cotilédone.
Quando atingiram o estado fenológico
de 1-2 filódios lineares (BBCH 111-112) foram
transplantadas para vasos de PVC de 6 cm de
diâmetro contendo substrato saturado de
mistura solo:turfa (2:1) (solo de textura francoarenoso pH: 7,5; K2O: 188; P2O5: 100; M.O.
4,2 % e turfa “substrato Brill Tipo 3 especial
1500 PGMix”). Colocaram-se 12 vasos por
tabuleiro de PVC (20x26x5cm) onde se
mantiveram à capacidade de campo por subirrigação com uma solução de sulfato de cobre
(10-12 g L-1 CuSO4) para evitar o desenvolvimento de algas (Graham et al., 1996).
Durante um período de adaptação de
quinze dias (do meio líquido onde germinaram
e desenvolveram os primeiros filódios, para
meio sólido) mantiveram-se os tabuleiros
envolvidos com filme de PVC até atingirem o
estado fenológico adequado à aplicação, seis
filódios lineares (116) ou expandidos (126).
Desta forma, a humidade relativa e a temperatura mantinham-se elevadas no ambiente que
rodeava as plântulas e provocava uma “forçagem” do seu desenvolvimento. Em ensaios prévios realizados em câmaras de crescimento com
condições controladas, registou-se um incremento na taxa de crescimento das plântulas
protegidas com PVC relativamente às não
protegidas.
Os ensaios foram realizados em estufa não
climatizada. Verificou-se que as temperaturas
mínimas nunca estiveram abaixo dos 17 ºC e
as máximas atingiram os 40ºC nos meses de
Julho e Agosto. Para manter uma temperatura
mínima de 17°C o compartimento foi aquecido
durante 24 h nos meses de Outono e Inverno e
o suplemento de 4 horas de luz (19.00-23.00h)
com 230 mmol m-2 s-1 foi fornecido por quatro
lâmpadas de vapor de mercúrio, de 400 Watts,
com reflector (PHILLIPS HLR-G).
Os herbicidas foram aplicados após a
emergência das infestantes com um pulverizador de jacto projectado a ar comprimido OPS
(“Oxford Precision System”), equipado com
um bico de leque (000) e calibrado para aplicar
245,3 L ha-1 de solução, à pressão de 275 kPa
com um volume de calda de 50 ml que permitia
uma única passagem sobre as plantas. Cada
herbicida foi aplicado de 0,06 a 32 vezes a
dose recomendada; esta gama de doses dependia da sensibilidade das populações aos
herbicidas. Não se procedeu a qualquer aplicação sobre as plantas da modalidade testemunha. Após a aplicação colocou-se cada
vaso num contentor individual. As plantas
foram regadas periodicamente com água por
sub-irrigação, mantendo o solo sempre saturado à capacidade de campo, mas sem lâmina
de água para evitar o desenvolvimento de
algas. Vinte e um dias após a aplicação (DAA)
cortaram-se as plantas à superfície do solo para
determinação do peso verde. Excepção feita
no ensaio com bentazona que, por ser um
herbicida que actua por contacto e de rápida
acção, a determinação do peso verde foi
realizada sete DAA.
Caracterização de populações R ao
bensulfurão-metilo
Determinação do NR ao bensulfurão-metilo e
do grau de influência do estado fenológico na
magnitude da resistência
Estudou-se a resposta das plantas de Alisma plantago-aquatica a doses crescentes de
bensulfurão-metilo em dois estados fenológicos distintos: plantas com 24-43 dias após o
transplante (DAT), com seis filódios expandidos - BBCH 126 - plantas com 14-21 DAT,
com seis filódios lineares (Meier, 1997).
Realizaram-se duas séries de ensaio com
sete populações de A. plantago-aquatica,
provenientes de arrozais situados nas bacias
hidrográficas dos rios Mondego (Mo190,
Mo220 Mo222 e Mo260), Sado (Sa88) e Sorraia
(So306 e So307). A primeira decorreu de Janeiro
a Maio de 2001 com plantas no estado fenológico BBCH 126. A segunda série de ensaios
decorreu com plantas no BBCH 116, durante
os meses de Verão (Maio – Julho) de 2001 e
Primavera (Março-Maio) de 2002. Em cada
ensaio aplicou-se uma gama de 12 doses de
bensulfurão-metilo. As doses e populações ensaiadas indicam-se no Quadro 3. Nos ensaios
realizados com plantas no BBCH 116 as doses
foram reduzidas relativamente ao ensaio com
plantas no BBCH 126, pois plantas mais pequenas apresentavam maior susceptibilidade ao herbicida.
Para os estudos de resistência cruzada, as
populações Mo222, Mo260, Sa88 e So307 de
A. plantago-aquatica foram submetidas à
aplicação dos herbicidas seguintes numa gama
de nove doses cada: cinco inibidores da ALS,
azimsulfurão, cinosulfurão, etoxisulfurão,
metsulfurão-metilo (sulfonilureias) e imaze-
tapir (imidazolinona); dois inibidores da
fotossíntese, bentazona (benzotiadiazinona) e
propanil (anilida); e um análogo das auxinas,
MCPA (ácido ariloxialcanóico). Os herbicidas
foram aplicados no estado fenológico BBCH
116.
Análise estatística
Os resultados dos ensaios foram analisados
estatisticamente segundo o procedimento
recomendado por Streibig et al. (1993) e por
Seefeldt et al. (1995): análise dos ensaios
individuais; análise em série; comparação das
curvas de dose-resposta obtidas nos ensaios
combinados para as populações R e S a
determinado herbicida.
Análise dos ensaios individuais
Análise em série
Procedeu-se à análise de variância
(ANOVA) a um factor (modalidades), considerando o delineamento experimental totalmente casualizado, o que permite determinar
se houve diferenças significativas entre doses
e a necessidade de transformação da variável.
Seguidamente ajustou-se um modelo de regressão não linear, do tipo logístico, pois em
ensaios biológicos a curva de dose-resposta
típica segue a forma sigmóide (Streibig, 1992).
Neste trabalho foi seguido o modelo logístico
proposto por Streibig et al. (1993) e Kudsk et
al. (1995) com a expressão:
y=f(x)= c +
d −c
(1 + ( x / ED50) b, (expressão 1)
ou, equivalente
d −c
y= c + (1 + exp[b(log( x) − log( ED50))])
Em que y, corresponde ao peso verde das
plantas de Alisma plantago-aquatica (g) e x, à
dose de herbicida (g ha-1). Uma das vantagens
da curva descrita pela expressão (1) é que os
parâmetros utilizados no modelo têm um
significado biológico. Assim, d, corresponde
à assíntota superior da curva de dose-resposta,
i.e., ao peso verde (g) obtido na dose mais
reduzida de herbicida; c, à assíntota inferior
da curva de dose-resposta, i.e., ao peso verde
(g) obtido na dose mais elevada de herbicida;
b, ao declive da curva de dose-resposta obtido
ao nível do valor de ED50; O ajustamento do
modelo aos dados foi verificado com o auxílio
do teste F. Se o teste F não for significativo
ao nível de P=0,1, aceita-se a hipótese nula,
do ajustamento dos dados ao modelo não
linear ser significativamente melhor do que
ao modelo linear, e pode-se concluir que a
expressão (1) descreve de uma forma adequada a variação sistemática dos dados
(Seefeldt et al., 1995).
Para a análise em série os resultados de
cada ensaio foram combinados após confirmação da uniformidade das variâncias (Steel
& Torrie, 1980), com uma estatística F, utilizando os valores da soma do quadrado dos
resíduos determinados na ANOVA associada
à regressão não linear, de acordo com a
expressão (2):
F=
( A − B − C) / k
(B + C ) /(n1 + n2 − 2k ) )
(expressão 2)
Em que A, corresponde à soma do quadrado (SS) dos resíduos dos ensaios combinados (ensaio1 + ensaio 2); B, à SS dos
resíduos do ensaio1; C, à SS dos resíduos de
ensaio2; n1, ao número de observações do
ensaio 1; n2, ao número de observações do
ensaio 2; k, ao número de parâmetros da
equação. Este teste permite concluir que, se
os ensaios individuais e a combinação dos ensaios tiverem a mesma variância então provêm
da mesma população (Chow, 1960) e podem
ser combinados num único modelo de regressão não linear. Caso contrário, as regressões
são apresentadas separadamente.
Comparação das curvas de dose-resposta e
determinação dos valores de ED50
O índice, nível de resistência (NR), permite
avaliar a magnitude da resistência. É calculado
pela razão entre as doses que provocam o
mesmo efeito na população R e na população
S de referência – doses equipotentes (Streibig,
1992). Normalmente o parâmetro utilizado é
o ED50 (dose que provoca a redução de 50%
no peso verde) mas também podem ser usados
outros como o ED90 (dose que provoca a redução de 90% no peso verde) (Gressel, 2002).
Para a determinação do nível de resistência,
não é suficiente comparar o parâmetro
correspondente ao ED50 mas é necessário fazer
a análise de toda a curva de dose resposta
(Streibig et al., 1993; Seefeldt et al., 1995). O
teste F foi utilizado para avaliar se as curvas
de dose-resposta eram diferentes e para
determinar se a resposta ao herbicida variava
entre populações. Testou-se a hipótese nula dos
quatro parâmetros dos 2 modelos não
diferirem entre populações contra a hipótese
alternativa de pelo menos uma das igualdades
entre parâmetros ser falsa (Huet et al., 2003).
A determinação do nível de resistência
(NR) aos herbicidas foi feita a partir dos valores de ED50 e de ED90 obtidos na regressão não
linear. Nos ensaios definitivos, utilizou-se a
expressão convencional NR= ED50 população
R / ED50 população S.
A análise estatística dos resultados, incluindo o ajustamento ao modelo logistico foi
realizado com o “package” drc (“dose – response curve”) (Ritz et al., 2004; Ritz & Streibig,
2005) do “software” R (Crowley, 2005).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Caracterização de populações de
A. plantago-aquatica resistente ao
bensulfurão-metilo
Determinação do NR ao bensulfurão-metilo e
do grau de influência do estado fenológico na
magnitude da resistência
Na Figura 1 apresentam-se as curvas de
dose-resposta ao bensulfurão-metilo de cinco
populações de Alisma plantago-aquatica. A
análise de curvas de dose-resposta foi realizada com base nos valores dos parâmetros
estimados pelo modelo logístico (Quadro 4).
Considerando a resposta de cada população
ao bensulfurão-metilo, verifica-se que a estimativa dos parâmetros ED50 e ED90 foi significativamente diferente nos dois estados
fenológicos (BBCH 126 e BBCH 116).
Na população Mo220, susceptível (S) de
referência, a dose mais elevada de bensulfurão-metilo (240 g ha-1) provocou redução do
peso entre 83% e 100%, relativamente à testemunha, consoante as plantas se encontravam
em BBCH 126 ou 116, respectivamente. O
declive da curva de dose-resposta foi mais
acentuado do que o apresentado para as
populações R, em ambos os estados fenológicos. Nesta população o valor de ED50=0,08
g ha-1 (BBCH 126) e 0,02 g ha-1 (BBCH 116)
foi significativamente inferior ao da dose
recomendada, o que confirma tratar-se de uma
espécie muito susceptível ao bensulfurãometilo (Saari et al., 1994; Sattin et al., 1999;
Heap, 2005).
A população Mo222, também S, apresentou curvas de dose-resposta ao bensulfurãometilo idênticas ás da população Mo220 com
valores de ED50=0,07 g ha-1 (BBCH 126) e 0,18
g ha -1 (BBCH 116). Também o valor de
ED50=0,08 g ha-1 (BBCH 126) para a população Mo190 foi idêntico ao das outras populações susceptíveis.
Enquanto que para as populações Sa88,
So306 e So307 os valores de ED50 foram de
256,8; 130,6; e 2181 g ha-1 (BBCH 126) e de
48,6; 191,4 e 12,3 g ha-1 (BBCH 116) respectivamente, correspondentes a doses superiores
à recomendada de bensulfurão-metilo (60 g
ha-1), a população Mo260 apresentou valores
de ED50 de (30,7 e 3,1 g ha -1) significativamente inferiores ao das outras populações
R. A magnitude da resistência ao bensulfurãometilo variou entre populações e com o estado
fenológico no momento da aplicação, como
comprovam os resultados apresentados que
correspondem a reduções de 80 a 99% nos
valores do ED50, quando se passa de plantas
com seis filódios expandidos para plantas com
seis filódios lineares. No entanto os valores
de NR [ED50(R)/ED50(S)] atingidos de 27893,
8091, 1671 e 392 (BBCH 126) e de 68, 270,
1063 e 17 (BBCH 116), respectivamente para
So307, Sa88, So306 e Mo260, permitem confirmar que as quatro populações são resistentes
ao bensulfurão-metilo.
Todavia a população So306, com a mesma
origem da população So307 (arrozais da bacia
hidrográfica do rio Sorraia) não manifestou
alteração na susceptibilidade ao bensulfurãometilo com o estado fenológico, o que pode
estar associado à maior pressão de selecção a
que a população So306 esteve sujeita, mantida
durante 6 anos em regime de monoculturamonoherbicida, comparada com a população
So307 proveniente de um arrozal onde houve
um ano de interrupção de cultura e consequentemente da aplicação de herbicidas
(Quadro 4).
Estes resultados estão de acordo com os
obtidos para biótipos R ao bensulfurão-
metilo pertencentes a outras espécies infestantes do arroz. Estudos com biótipos R às
sulfonilureias da Coreia, com as espécies Monochoria korsakowii, Monochoria vaginalis
(Pontedereaceae) e Limnophila sessiliflora
(Scrophulariaceae) também referem que o NR
varia com o herbicida em estudo e com o estado
de desenvolvimento das plantas na altura da
aplicação (Park et al., 1999; Wang et al., 2000;
Hwang et al., 2001). A partir dos 21 dias após a
sementeira (DAS) a sensibilidade ao pirizasulfurão diminuiu para metade dos valores do
NR registados para plantas mais jovens (com
2, 7 e 14 DAS). A redução da sensibilidade foi
ainda mais evidente para o bensulfurão-metilo.
Para este herbicida verificou-se uma redução
gradual na sensibilidade com o aumento do
desenvolvimento das plantas. O NR passou
de 17 para 42, em plantas com 14 e 21 DAS,
enquanto que o NR era de 6 e 9 para plantas
com 2 e 7 DAS, respectivamente (Hwang et
al., 2001).
Além do estado fenológico também a
origem das populações influencia a magnitude
da resistência. A população So306 apresentou
valores do NR idênticos aos obtidos para um
biótipo italiano de A. plantago-aquatica (Sattin
et al., 1999) com NR= 1699. Por outro lado,
Matias (2005) determinou a resistência de
novas populações de Alisma plantago-aquatica portuguesas de diferentes origens geográficas, e concluiu que as mais resistentes tinham
origem em arrozais da bacia hidrográfica do
Tejo e Sorraia, com NR de 2102 e 457, seguida
de populações da bacia hidrográfica do
Mondego, com NR de 124. Menos resistentes
foram as populações provenientes de Soure e
da bacia hidrográfica do rio Sado, com NR de
11 e 13, respectivamente. Nos estudos realizados com biótipos R ao bensulfurão-metilo
de outras espécies infestantes de arrozais,
como Cyperus difformis, também se obtiveram
diferentes NR associados à origem geográfica
de cada biótipo. Assim, Busi et al. (2004)
quantificaram NR de 1372, 126 e 239 para
biótipos provenientes da Califórnia, Itália e
Espanha respectivamente, enquanto Osuna et
al. (2002) obtinham NR>26 para outro biótipo
californiano. Noutras espécies como Monochoria korsakowii, Schoenoplectus mucronatus e Lindernia micrantha, os NR variaram
eram 100-126, 231 e 282 respectivamente
(Wang et al., 1997; Itoh et al., 1999; Sattin et
al., 1999).
Avaliação da resistência cruzada a herbicidas
alternativos ao bensulfurão-metilo
Herbicidas inibidores da ALS
No Quadro 5 apresentam-se as estimativas,
pelo modelo logístico, dos valores dos parâmetros da curva de dose-resposta. Verifica-se
que as três populações estudadas apresentaram
resistência cruzada ao azimsulfurão embora
apresentem níveis de resistência diferentes. A
população So307 é a mais resistente (NR=213),
seguida da Mo260 (NR=33) e a população
Sa88 foi a menos resistente (NR= 3).
No que respeita ao cinosulfurão e ao
etoxisulfurão, herbicidas que provocaram
respostas semelhantes, os valores de NR
foram inferiores aos determinados para o
azimsulfurão. A população So307 mantevese como a mais resistente a ambos os herbicidas, com NR de 20 e 55 para o cinosulfurão e etoxisulfurão, respectivamente. A
população Sa88 foi ligeiramente mais resistente ao cinosulfurão (NR=7) e menos resistente ao etoxisulfurão (NR=11) do que a
população Mo260, que registou valores de
NR de 6 e de 16, respectivamente.
A reacção das plantas das três populações
a doses crescentes de metsulfurão-metilo foi
significativamente diferente das outras sulfonilureias, apresentando NR perto da unidade,
o que reflecte a elevada sensibilidade das plantas a este herbicida. Conclui-se que não houve
resistência cruzada entre o metsulfurão-
metilo e o bensulfurão-metilo nas populações
de A. plantago-aquatica portuguesas. A resposta ao imazetapir foi significativamente
diferente entre populações: enquanto a So307
(NR=1,2) e a Mo260 (NR=1,6) não apresentaram resistência cruzada, a Sa88 apresentou
(NR=6,4).
Pode-se concluir que neste ensaio, as três
populações de A. plantago-aquatica apresentam resistência cruzada a todas as sulfonilureias estudadas, excepto ao metsulfurãometilo, embora com diferentes níveis de resistência.
No que respeita aos herbicidas que não
inibem a ALS, como a bentazona, o MCPA e o
propanil verificou-se que, para qualquer das
populações estudadas, os valores do NR
foram próximos ou inferiores à unidade o que
confirma a não existência de resistência
cruzada para herbicidas com modo de acção
diferente do bensulfurão-metilo.
O padrão de resistências cruzadas, das
populações de Alisma plantago-aquatica, foi
semelhante ao referido por outros autores.
Biótipos R a sulfonilureias de espécies infestantes do arroz, como A. plantago-aquatica,
Lindernia attenuata, Lindernia dubia, Lindernia micrantha, Lindernia procubens,
Limnophila sessiflora, Monochoria korsakowii, Monochoria vaginalis e Schoenoplectus mucronatus (Wang et al., 1997; Itoh et
al., 1999; Sattin et al., 1999; Wang et al., 2000;
Uchino et al., 2000; Hwang et al., 2001; Kuk
et al., 2003) apresentavam resistência cruzada
a sulfonilureias como o azimsulfurão, o
cinosulfurão, o etoxisulfurão, o imazosulfurão,
o ciclosulfurão e o pirazosulfurão-etilo e
herbicidas com modo de acção diferente como
a bentazona, o pretilacloro e o MCPA, entre
outros, mantiveram a sua eficácia sobre o biótipo resistente. A resistência cruzada a outros
herbicidas inibidores da ALS, como as imidazolinonas, depende da espécie e da substância activa. Enquanto os biótipos de Cyperus
difformis e de Monochoria vaginalis R a
sulfonilureias apresentaram resistência cruzada ao imazapir mas não à imazaquina (Hwang
et al., 2001; Kuk et al., 2003; 2004), os biótipos
de Rotala indica (Willd.) Koene, da família
Lythraceae, apresentaram resistência cruzada
a ambos (Kuk et al., 2002).
Analisando estes dados no conjunto, independentemente das populações terem origem
em arrozais de diferentes regiões geográficas
separadas por considerável distância, todas
apresentam resistência ao bensulfurão-metilo
e um padrão de resistência cruzada similar. No
entanto registaram-se diferenças significativas
quando se quantificou a magnitude da resistência através do NR.
Os NR e os padrões de resistência cruzada
a herbicidas inibidores da ALS podem variar
muito entre espécies mas também entre populações da mesma espécie, o que pode ser atribuído não só à pressão de selecção mas
também à hereditariedade da resistência e às
características de autogamia e alogamia da
espécie.
A intensidade da pressão de selecção pode
ter afectado a frequência da resistência ou o
grau de heterozigocidade de cada população.
De facto, a história dos campos de cultura
parece apontar para um paralelismo entre o
aumento da pressão de selecção (número
de anos de aplicação consecutiva de sulfonilureias e herbicidas aplicados) e o nível de
resistência (NR). A resistência foi descoberta
em campos tratados consecutivamente com
bensulfurão-metilo durante mais de três anos
seguidos. As populações provenientes de
campos tratados exclusivamente com herbicidas mistos contendo bensulfurão-metilo e
molinato (So307 e So306) apresentaram NR
significativamente superiores aos de populações tratadas com herbicidas mistos contendo bensulfurão-metilo, mefenaceto e
molinato (Sa88 e Mo260). A população
Mo190, que provinha de um campo em que a
aplicação com herbicidas mistos, durante seis
anos seguidos era complementada anualmente
com a utilização subsequente de bentazona,
não apresentou resistência ao bensulfurãometilo (NR=1). Este facto comprova que misturas (bensulfurão-metilo e mefenaceto) e
aplicações sequenciais (bensulfurão-metilo e
bentazona) de herbicidas com modo de acção
diferente das sulfonilureais contribuem de
facto para reduzir a pressão de selecção (Sa88
e Mo260) e retardar a ocorrência de resistência
(Mo190).
A aplicação das misturas contendo dois
herbicidas, designadamente o bensulfurão-metilo e o mefenaceto, ambos activos sobre
A. plantago-aquatica embora com diferente
eficácia, seria a principal responsável pela
menor intensidade de pressão de selecção que
ocorreu nos campos com as populações Sa88
e Mo260. Em situações como estas dominaria
o genótipo heterozigótico, cuja resposta ao
herbicida seria intermédia entre o homozigótico dominante (R) e o homozigótico recessivo (S) (Shaner, 1995; Lorraine-Colwill et al.,
2001), considerando que a resistência às
sulfonilureias é governada por um único gene
nuclear e semidominante (Saari et al., 1994).
CONCLUSÕES
Os estudos realizados com populações de
Alisma plantago-aquatica de diferentes origens geográficas permitiram chegar às seguintes conclusões:
Confirmação de quatro populações resistentes ao bensulfurão-metilo (Mo260, Sa88,
So306 e So307) e de uma população susceptível (Mo190).
A magnitude da resistência ao bensulfurão-metilo, calculada a partir dos valores de
NR (ED50R/S), variou com o estado fenológico
e a origem geográfica.
A influência do estado fenológico na
sensibilidade ao bensulfurão-metilo foi mais
evidente nas populações R do que nas populações S. As plantas com seis filódios expandidos (24-43 DAT) das populações R eram 80
a 99% mais resistentes ao bensulfurão-metilo
do que plantas no estado fenológico de seis
filódios expandidos (14-21 DAT), enquanto as
populações S foram apenas quatro vezes mais
susceptíveis. As plantas menos desenvolvidas
(BBCH 116) apresentaram maior susceptibilidade ao bensulfurão-metilo do que plantas
mais desenvolvidas; apesar do estado fenológico ter influenciado a magnitude da resistência das diferentes populações de A. plantagoaquatica, o nível de resistência calculado é
suficiente para que a resistência se manifeste
no campo.
A influência do estado fenológico na magnitude da resistência salienta a importância da
normalização dos métodos de detecção de
resistência, de forma a obter resultados fiáveis
e comparáveis entre laboratórios. Recomendase a utilização da mesma população susceptível de referência, de preferência com a mesma
origem geográfica das populações resistentes
e fazer a aplicação do herbicida em estados
fenológicos comparáveis aos da aplicação
nas condições reais de campo.
As populações de arrozais da bacia
hidrográfica do rio Sorraia, So307 e So306 e
a da bacia hidrográfica do rio Sado, Sa88,
foram as mais resistentes, e provinham de
regiões sujeitas a maior pressão de selecção
onde o risco de resistência era maior, do que
a população do arrozal da bacia hidrográfica
do rio Mondego (Mo260).
O padrão de resistência cruzada identificado nas populações de Alisma plantagoaquatica estudadas corresponde ao registado
para outros biótipos de infestantes resistentes
a sulfonilureias. Houve resistência cruzada
para o azimsulfurão, cinosulfurão e etoxisulfurão, com diferentes NR mas não para o metsulfurão-metilo. Outros herbicidas inibidores da
ALS como o imazetapir manifestaram resistência cruzada na população Sa88, mas não
nas populações So307 e Mo260. O imazapir
por seu lado foi eficaz sobre a população
So307.
Herbicidas com modo de acção diferente,
como a bentazona, o MCPA, o oxadiazão e o
propanil, mantiveram a sua eficácia e podem
constituir herbicidas alternativos para o combate a populações de A. plantago-aquatica
resistentes ao bensulfurão-metilo.
Os elevados níveis de resistência ao bensulfurão-metilo e o padrão de resistências
cruzadas circunscrito a algumas sulfonilureias,
confirmados nas populações de A. plantagoaquatica estudadas, sugerem que o mecanismo
de resistência ao bensulfurão-metilo, seja do
tipo alteração do local de acção, provocada
pela insensibilidade da enzima ALS.
As recomendações a incluir em estratégias
de gestão e prevenção da resistência ao bensulfurão-metilo, devem ser feitas caso a caso,
mas de uma forma geral: a) a aplicação dos
herbicidas deve ser realizada o mais cedo
possível, para atingir as plântulas de A. plantago-aquatica em fases de desenvolvimento
muito precoces de modo a obter a maior
eficácia; b) proceder sempre que possível à
alternância com herbicidas com modo de
acção diferente dos inibidores da ALS. Os
resultados apresentados e a bibliografia consultada salientam, contudo, que determinados
herbicidas inibidores da ALS podem manter a
sua eficácia sobre os biótipos R, como o
metsulfurão-metilo. Esta situação depende do
tipo de mutação que ocorre na enzima-alvo
(ALS) conferindo resistência cruzada a determinados compostos e não a outros, consoante
os aminoácidos que são substituídos na
mutação.
À medida que mais casos de resistência
foram estudados verificou-se que a relação
pré-definida entre as mutações, os níveis de
resistência e as resistências cruzadas (Devine
& Eberlein, 1997; Boutsalis et al., 1999; Tranel
et al., 2006) não se podia generalizar. A partir
do momento em que a resistência por alteração
do local de acção estiver confirmada torna-se
necessário incluir nos estudos de resistência
cruzada, maior número de sulfonilureias e
outros herbicidas inibidores da ALS (Roux et
al., 2005), pois quando o mecanismo de
resistência é deste tipo, por insensibilidade da
enzima-alvo, é entre os herbicidas inibidores
da ALS que as resistências cruzadas são mais
difíceis de prever (Sibony et al., 2001).