Recrutamento e perfil dos candidatos e dos eleitos à Câmara dos Deputados nas
eleições de 2006
Introdução
Segundo a literatura especializada em partidos políticos, uma de suas
principais funções no processo democrático é a seleção de candidatos a cargos
eletivos. De acordo com alguns autores, a importância dessa atividade
partidária decorre de dois fatores: primeiro, é a chave do processo de
recrutamento político em uma democracia representativa. Segundo, é um dos
momentos mais significativos no que concerne aos conflitos intrapartidários. O
processo de seleção revela muito sobre a disputa interna, de que forma ela se
dá, com que intensidade e como é resolvida (Schattschneider, 1941; Gallagher e
Marsh, 1988; Katz, 2001). Isto é, permite examinar a dinâmica interna de uma
organização partidária. Por isso mesmo, outros autores afirmam que a questão da
designação dos candidatos é um elemento essencial em qualquer definição de
partido político (Key, 1964; Sartori, 1976; Schelesinger, 1991).
Além disso, os métodos usados para selecionar afetam tanto os tipos de
postulantes que serão eleitos como o comportamento deles na Câmara dos
Deputados (Gallagher e Marsh, 1988; Carey e Shugart, 1995). Mas o processo de
seleção é um dos momentos centrais da vida partidária porque, sobretudo,
permite conhecer o funcionamento interno dos partidos e, o mais importante,
identificar a estrutura de autoridade da organização partidária (Katz e Mair,
1995; Ranney, 1965; Schattschneider, 1941).
Considerando esses pressupostos, este artigo investiga o recrutamento e o
perfil dos candidatos e dos eleitos à Câmara dos Deputados nas eleições de
2006. Para o encaminhamento desta investigação, o texto foi estruturado em três
partes. Além da introdução, próxima seção discute a literatura pertinente,
buscando a relação possível entre organização partidária, recrutamento
políticoedemocracia representativa. A terceira seção examina o processo de
seleção dos candidatos a deputado federal realizado pelos partidos PP, PFL
(DEM), PMDB, PSDB e PT. Por fim, a quarta e última seção analisa o perfil
social dos candidatos e dos eleitos, relacionando-o com as dimensões
identificadas no processo de seleção levado a cabo pelas lideranças
partidárias.
Dimensões teóricas e o debate no Brasil
Quase todas as discussões sobre partidos políticos no país podem ser
classificadas em dois eixos: existem os estudos que primam pela importância dos
partidos nos diversos procedimentos da democracia e aqueles que não reconhecem
tal importância. Isso acontece quando se trata de estudos sobre comportamento
do eleitor e sobre comportamento parlamentar. Quando o tema é recrutamento e
escolha de candidatos, ocorre a mesma polarização.
De um lado, há o argumento da fragilidade da autoridade dos partidos na
definição das candidaturas (Mainwaring, 1991). Afinada com essa linha, tem-se a
teoria da prática do self-recruitment, em que a coordenação intrapartidária
sobre as candidaturas seria geralmente fraca, levando inclusive a resultados
eleitorais imprevistos.
Mainwaring (1992) supõe que o controle das lideranças sobre o processo de
seleção e formação da lista de candidatos é fraco quando comparados aos
partidos europeus. Tal dedução baseia-se na observação das regras do sistema
eleitoral e na suposta natureza descentralizada do processo de seleção dos
candidatos a cargos eletivos. No que diz respeito à variável institucional,
isso ocorreria em função de dois elementos do sistema eleitoral: a) adoção da
lista partidária aberta, que estimularia o individualismo nas campanhas
eleitorais em detrimento de estratégias partidárias coletivistas; e b) uso do
dispositivo da candidatura nata, vigente até as eleições municipais de 2000.
Esta linha de raciocínio é compartilhada por uma parte expressiva da literatura
especializada que adota a perspectiva institucionalista para explicar os
fenômenos partidários. Segundo esses teóricos, a influência do partido no
processo de seleção de candidatos varia conforme o tipo de sistema eleitoral e
a estrutura de autoridade partidária (Duverger, 1970; Mainwaring, 1991; Katz,
2001; Rahat e Hazan, 2001). O argumento é o de que em sistema eleitoral
proporcional com lista fechada os partidos têm pleno controle sobre esse
processo, pois além de escolherem os candidatos que vão disputar as cadeiras
parlamentares por sua legenda também ordenam previamente a lista de candidatos.
Já a combinação de representação proporcional com lista aberta, por aumentar a
influência dos eleitores na seleção dos candidatos, diminuiria o controle das
lideranças partidárias sobre o processo de indicação.
No entanto, a realidade mostra que também em sistemas proporcionais de lista
fechada os seletores se demonstram bastante vulneráveis quanto à tomada de
decisão e aos apelos das demandas eleitorais. De fato, independentemente de
qual seja o sistema, o objetivo final é angariar votos e, portanto, candidatos
com apelo eleitoral são sempre bem-vindos, incentivam e mesmo constrangem para
a sua aceitação.
É o caso, por exemplo, da análise de Norris e Lovenduski (1995), que se
estrutura a partir das noções de oferta de candidaturas e demandas dos
selecionadores que, em última instância, refletem as expectativas do mercado
eleitoral. Os autores mostram que os partidos são suscetíveis a demandas
eleitorais também em sistemas proporcionais de lista fechada, pois tais
demandas pressionam os selecionadores na hora da tomada de decisão sobre as
candidaturas.
Tendo em mente esse quadro, nosso argumento não visa a invalidar a proposição
de Mainwaring, mas apenas a complementá-la, delimitá-la, enfatizando que o
sistema proporcional com lista fechada não resguarda os seletores do apelo
eleitoral apresentado por alguns candidatos. Ou seja, ainda que eles tenham
mais controle, e isso é inegável, também são suscetíveis e constrangidos em
suas decisões pelos candidatos "puxadores de voto".
Outra conclusão que a colocação de Mainwaring pode suscitar, e para a qual é
conveniente alertar, refere-se à suposição de que em um sistema de lista
aberta, no caso específico do Brasil, o partido não teria controle na escolha.
Os dados deste trabalho mostram como no processo de seleção de candidaturas se
dá o controle das lideranças locais e a participação das lideranças nacionais.
No Brasil, o número de candidatos em geral não chega a superar o número de
vagas nas listas partidárias. Ou seja, não se tem um processo de seleção muito
competitivo. A competição acontece de verdade na distribuição de recursos de
campanha. Vale ainda lembrar que no Brasil o Horário Gratuito de Propaganda
Eleitoral é distribuído para os partidos que dividem o tempo de exposição na TV
entre os seus candidatos. Nota-se que alguns candidatos são privilegiados com
mais tempo do que outros, e quem define tal distribuição são os líderes
partidários. Reiterando, não nos contrapomos ao argumento que endossa o peso
das instituições, com o qual concordamos em muitos ângulos, mas apenas
desejamos chamar a atenção para o fato de que existem muitas questões entre as
premissas institucionais e suas conclusões.
Ainda no que tange à estrutura de autoridade partidária, uma outra suposição é
a de que enquanto nos partidos centralizados as lideranças nacionais têm mais
peso no processo de seleção dos candidatos, controlando o acesso à lista, nos
partidos com estrutura descentralizada as decisões seriam tomadas na esfera
local e as lideranças não deteriam o controle das indicações, o que implicaria
maior esforço individual dos postulantes para figurar na lista partidária
(Duverger, 1970; Carey e Shugart, 1995). Em conseqüência, esperar-se-iam
vínculos mais frouxos entre partido e deputados na Câmara, redundando em fraca
coesão e disciplina parlamentar.
No Brasil o diagnóstico predominante, de acordo com essa visão, é de que,
excetuando-se os partidos de esquerda, os demais apresentam organizações
nacionais muito fracas, prevalecendo o poder decisório nas instâncias
estaduais. Segundo Mainwaring (2001, p. 309), a irrelevância das organizações
partidárias nacionais na escolha de candidatos tem, como conseqüência, partidos
de tipo catch-allcom bancadas ideologicamente heterogêneas e dirigentes
nacionais com pouco poder sobre os parlamentares, o que leva a uma baixa
disciplina parlamentar. Assim sendo, o Brasil apresentaria uma combinação
desfavorável à criação de partidos políticos nacionais fortes: representação
proporcional com lista aberta e estrutura organizacional descentralizada. A
principal conseqüência disso seria a conformação de partidos inconsistentes
programaticamente e com débil controle sobre as principais decisões partidárias
no que se refere à dinâmica de representação.
No entanto, não nos parece evidente que, em vista dos incentivos gerados pela
lógica de funcionamento da representação proporcional com listas abertas, os
candidatos (e eleitos) mantenham deliberadamente vínculos frouxos com seus
partidos visando a constituir uma reputação pessoal em detrimento de uma ação
coletiva propiciadora da sobrevivência da organização partidária.
Para que o argumento funcione é preciso demonstrar a validade da premissa
segundo a qual os partidos buscam sua "estabilidade organizativa", isto é,
procuram manter uma linha de autoridadeno seu interior. Esta linha de ação, por
sua vez, é defendida pela coalizão dominante,conformada por dirigentes
partidários e parlamentares fundadores (ou comprometidos com a continuidade da
organização) do partido.
Segundo estudiosos da teoria da organização, particularmente Ângelo Panebianco
(1992), a chave para o sucesso da estabilidade organizativa de um partido
repousa na distribuição, pela coalizão dominante, de incentivos coletivos e
seletivos para os membros partidários. Para isso, a coalizão dominante, isto é,
a elite dirigente do partido, precisa ter o controle dos recursos vitais para
os partidos.
Esses recursos são chamados, por Panebianco, de "zonas de incerteza",
constituídas pelos seguintes aspectos: competência(saber especializado no
manejo das relações político-organizativas internas e externas ao partido);
relações com o ambiente externo; comunicação interna; controle das regras
organizativas; fontes de financiamentoe recrutamento político.
Embora Panebianco ressalte o caráter cumulativo desses recursos para que haja
estabilidade organizacional, a verificação de todos esses aspectos requer uma
ampla agenda de pesquisa. Para dar conta da preocupação central deste artigo,
que é o exame do papel dos partidos na seleção dos operadores da representação
e do seu controle sobre a formação da lista partidária ao Legislativo federal,
será focado unicamente o recrutamento político. A esta "zona de incerteza"
acrescentamos uma outra: controle sobre o acesso à lista partidária.
Supomos que, apesar de o nosso sistema de representação ser proporcional com
lista aberta, o que teoricamente possibilita ao eleitorado a sua ordenação, na
prática os dirigentes partidários, ao manterem o controle tanto sobre o
processo de seleção dos candidatos e o acesso à lista como sobre recursos
partidários importantes (especialmente o fundo partidário e o tempo no horário
gratuito no rádio e na TV), acabam realizando uma ordenação informal dos
candidatos. Assim, ao contrário do que sustenta a literatura sobre os partidos
políticos brasileiros, outro argumento defendido neste artigo é o de que por
meio do controle do processo de seleção de candidatos e da ordenação informal
da lista partidária os partidos brasileiros vêm tendo um papel fundamental na
dinâmica de formação de uma elite política responsável por operar a
representação política. Esse controle, por sua vez, é feito de maneira bastante
concentrada, conforme mostra o modelo de organização partidária examinado.
De fato, este artigo visa mais a combater os excessos que o argumento
predominante a respeito do recrutamento partidário brasileiro pode suscitar do
que propor uma abordagem radicalmente contrária.
Dispostas a entender como funciona o recrutamento dentro dos partidos, Braga
(2008) e Álvares (2006) analisaram os estatutos partidários no Brasil a partir
do modelo de inclusão e exclusão adotado por Rahat e Hazan (2001). Para ele o
processo de recrutamento pode ser mais inclusivo ou mais exclusivo, dependendo
principalmente dos critérios estipulados para que o cidadão possa apresentar-se
como candidato e do órgão que irá selecionar as candidaturas, o selectorate. No
que se refere à candidatura, no pólo da inclusividade, todo cidadão eleitor
poderia ser candidato, e no pólo da exclusividade encontra-se uma série de
restrições para a apresentação da candidatura, como analisa o autor a respeito
do Partido Socialista Belga e suas muitas exigências. No que se refere ao
selectore, no pólo da inclusividade, as eleições seriam abertas e gerais para a
definição das candidaturas, e no pólo da exclusividade seria o caso de apenas
um líder partidário escolher a lista.
Braga e Álvares apontam que o PT é o único partido que contém um item
específico determinando os pré-requisitos para um filiado ser candidato. Todos
os demais partidos utilizam-se formalmente apenas da legislação eleitoral que
controla a idade mínima para a candidatura aos diversos cargos e o tempo mínimo
de filiação partidária necessário. Já no tocante ao selectorate,embora os
estatutos abordem pontualmente o tema, Álvares (2006) observou um evidente
predomínio da patronagem da liderança. Tem-se aí uma forte atuação de regras
informais.
A respeito de como as regras de seleção influenciam o perfil dos selecionados,
Hazan chegou a duas generalizações:
[...] os tipos de candidatos que são produzidos pelos vários métodos
de seleção de candidatos: os que têm as melhores e as piores chances
para serem escolhido. Entre os primeiros, encontram-se os que buscam
reeleição, do sexo masculino (titulares que já têm um perfil
diferente dos aspirantes porque já se acham no ambiente político e
podem ser re-selecionados); e entre os segundos, estão as mulheres,
que já entram no sistema de seleção em desequilíbrio, daí se
submetendo à descentralização incorporada ' sistema de cotas (apud
Álvares, 2006, p. 10).
Em suma, buscamos apresentar como os partidos brasileiros realizam a sua
seleção de candidaturas, demonstrando a maneira pela qual as elites partidárias
controlam o processo. Além disso, mostrar-se-á como as esferas locais e
nacionais estão envolvidas na seleção de candidaturas para o Legislativo
nacional. Para isso, será elaborada uma avaliação dos estatutos partidários,
assim como serão consideradas algumas pontuações advindas de observação
participante realizada em convenções no estado de São Paulo.1 Por fim,
interessa-nos verificar como as variações nos procedimentos de recrutamento
influenciam o perfil dos candidatos e dos eleitos. Mais do que rebater
argumentos, nossa contribuição está em apresentar novas evidências para o
debate.
O processo de seleção de candidatos
Para avaliar os mecanismos de seleção de candidatos usados pelos partidos e
suas conseqüências enfocaremos nesta seção as dimensões analíticas relacionadas
com o tipo de candidato, de selecionadores e do método de escolhausado por cada
partido investigado. Para isso serão examinadas as regras formais determinadas
pela legislação eleitoral e partidária, bem como aquelas estabelecidas nos
estatutos dos partidos. Em seguida, essas regras formais serão confrontadas com
procedimentos informais observados nas convenções partidárias realizadas no
primeiro semestre de 2006. Analisaremos, ainda, as listas partidárias que
resultaram do processo de seleção dos partidos investigados realizados no
período entre as eleições de 1994 e 2006.
Quem pode ser candidato?2
A primeira dimensão diz respeito aquem pode ser candidato a um cargo eletivo. A
observação do cenário partidário brasileiro revela que quem quer ser candidato
a deputado federal deve cumprir, de um lado, os requisitos da regra eleitoral
nacional3 e, de outro, os que lhe impõe cada partido. A lei eleitoral estipula
que todos os cidadãos têm o direito de eleger e, ao mesmo tempo, de serem
eleitos para cargos de representação popular desde que cumpram com uma série de
atributos: nacionalidade, idade (de 21 anos para deputado federal), não ter
causas penais pendentes e filiação partidária na circunscrição por onde
pretende concorrer. Esse último quesito é salientado no Art. 9: "Para concorrer
às eleições, o candidato deverá possuir domicílio eleitoral na respectiva
circunscrição pelo prazo de, pelo menos, um ano antes do pleito e estar com a
filiação deferida pelo partido no mesmo prazo" (grifos nossos).
Dessa forma, a lei eleitoral obriga que todas as candidaturas sejam registradas
via partidos políticos, o que coloca o Brasil entre os poucos países da América
Latina que dá o monopólio da representação política às organizações
partidárias.4 Em princípio, portanto, esse monopólio partidário, ao garantir o
controle das lideranças sobre oportunidades de acesso a postos para aspirantes
às carreiras políticas, permite a seus dirigentes a imposição de lealdades e de
manter relações hierárquicas.
A legislação eleitoral (Lei 9504/97) também estipula no capítulo sobre as
convenções para escolha de candidatos que as "normas para a escolha e
substituição dos candidatos e para a formação de coligações serão estabelecidas
no estatuto do partido, observadas as disposições desta Lei" (Art. 7). Já que
são os partidos que formulam as regras de seleção de candidatos em seus
estatutos, faz-se necessário verificar se neles existem mais restrições além
daquelas ditadas pela lei.
Segundo os estatutos do PP, PFL/DEM, PMDB e PSDB, para que um filiado possa
disputar uma candidatura a qualquer cargo público eletivo, ele terá que dar
conta ao menos do critério estipulado pela legislação eleitoral, ou seja, a
filiação partidária mínima de um ano. Somente no PT as restrições vão além do
que exige a legislação:
Art. 128: São pré-requisitos para ser candidato do Partido:
a) estar filiado ao Partido, pelo menos, um ano antes do pleito;
b) estar em dia com a tesouraria do Partido;
c) assinar e registrar em Cartório o "Compromisso Partidário do
Candidato Petista", de acordo com modelo aprovado pela instância
nacional do Partido, até a realização da Convenção Oficial do
Partido.
§ 1º: A assinatura do "Compromisso Partidário do Candidato Petista"
indicará que o candidato está previamente de acordo com as normas e
resoluções do Partido, tanto em relação à campanha quanto ao
exercício do mandato.
§ 2º: Quando houver comprovado descumprimento de qualquer uma das
cláusulas do "Compromisso Partidário do Candidato Petista",
assegurado o pleno direito de defesa à parte acusada, o candidato
será passível de punição, que poderá ir da simples advertência até o
desligamento do Partido com renúncia obrigatória ao mandato.
É importante salientar que o "Compromisso Partidário do Candidato Petista" é um
documento criado pelo Diretório Nacional do PT, por meio do qual o partido
estabelece normas, com abrangência nacional, para o comportamento do candidato
durante a campanha e depois de eleito. Esse documento é um bom exemplo dos
meios elaborados pelos dirigentes petistas para fortalecerem seu controle sobre
as candidaturas e as respectivas campanhas eleitorais e, também, sobre os
quadros eleitos. Entre outras regras, chamamos atenção para as seguintes
condições: todo candidato deve contribuir financeiramente com o partido, é
obrigado a veicular a sigla do partido em seu material de campanha e ainda
restringe o financiamento de campanha. Caso eleito, o documento reforça o
caráter partidário do mandato, seja por meio do dever de submeter ao partido os
nomes que irão compor o primeiro e o segundo escalão do governo, seja por meio
da formação de uma "bancada coletiva", no caso do Legislativo.
Como se pode observar, entre os partidos analisados o processo de seleção de
candidatos do PT é o de maior exclusão, exigindo, além da filiação por um ano,
contribuição financeira, compromisso programático e aprovação pela direção
partidária ou apoio de parcela dos membros. Conforme veremos na sessão
seguinte, tais restrições acabam redundando na composição de uma bancada de
parlamentares mais orgânica partidariamente. Uma das explicações para esse
padrão está na sua origem, extraparlamentar, portanto mais vinculado a variados
setores sociais, bem como ao seu perfil ideológico e sua estratégia
organizacional.
De acordo com estes dados, é possível classificar os principais partidos
brasileiros em um ponto intermediário do intervalo maior inclusão/maior
exclusão, tendendo mais para este pólo devido às exigências encontradas no PT.
Embora o caso do PT em termos das regras que regem essa dimensão seja o mais
exclusivo, nos demais partidos outras restrições também existem, mas não estão
formalmente apresentadas em seus documentos. Como também veremos na próxima
sessão, tais restrições estão mais relacionadas com o perfil socioeconômico e
educacional dos cinco partidos investigados (Tabela_1).
Quem escolhe os candidatos?
A segunda dimensão a ser observada no processo de seleção partidária é a
vinculada ao quadro de membros responsáveis pela escolha dos candidatos(os
selecionadores). A identificação do corpo que detém esse controle revela os
vários processos de tomada de decisões intrapartidários e indica os tipos de
relações existentes entre os membros e os filiados do partido. Assim, por
exemplo, a seleção realizada a partir de eleições internas sinaliza um nível
maior de inclusão dos filiados nesse processo decisório, ao passo que a escolha
realizada por um único dirigente mostra uma estrutura decisória fechada e mais
rígida.
O exame dessa relação é fundamental, pois viabiliza um raciocínio teórico sobre
os vínculos existentes entre os dirigentes partidários tanto com seus filiados
como com os futuros representantes. Diversos estudos têm avaliado esse aspecto
por meio dos vários graus de inclusão da seleção. Dessa maneira, nos extremos
temos, de um lado, o caso dos candidatos escolhidos pelo líder do partido, que
detém o monopólio da seleção, e, de outro, a possibilidade de que a seleção
seja definida nas eleições primárias dentro do partido, definindo, portanto, um
nível máximo de participação. Estes são, evidentemente, os casos extremos que
encontram pouca evidência no mundo real. Mesmo o caso dos partidos norte-
americanos, que adotam as primárias, não constitui um claro exemplo de sistema
seletivo altamente aberto. De fato, o processo de nomeação ocorre por meio das
primárias, mas varia grandemente entre os estados, já que, em muitos casos, é a
liderança partidária local que define a candidatura (Epstein, 1982).
No que diz respeito às relações com os parlamentares no caso em que a
candidatura é definida por um único líder, supõe-se que haja maior disciplina
interna, já que o aspirante depende mais dos dirigentes para conseguir uma
candidatura. O contrário pode ser observado nos ambientes em que a nomeação
depende mais dos votantes, embora o aparato partidário se mantenha controlando
a estrutura de oportunidades.
Neste artigo, os métodos usados para selecionar os candidatos são classificados
conforme o grau de inclusão.5 Em um extremo, situa-se o mecanismo com o mais
alto nível de inclusão, em outro, é somente um líder que seleciona. Entre os
dois extremos podemos identificar diversos mecanismos com variados níveis de
participação. Assim, de acordo com o nível de inclusão verificado, temos um
determinado tipo de controle do processo de escolha.
Para uma maior clareza de quem e de como são designados os candidatos,
examinaremos também os procedimentos usados nessa seleção. Tais métodos podem
ser por votação, envolvendo todos os filiados, somente os militantes, ou ambos,
ou por indicação(nomeação). Segundo Rahat e Hazan (2001), estamos diante de um
procedimento de votação quando o processo de seleção utiliza o voto para
decidir quem será o candidato e qual sua posição na lista. Para isso, esse
sistema requer que o candidato seja escolhido apenas pelo voto. Isto significa
que não pode haver um acordo sobre uma lista. Ademais, os resultados devem ser
legitimados via divulgação oficial. Ainda de acordo com esses autores, uma
candidatura é definida por um sistema de nomeação quando são as lideranças
partidárias que indicam os candidatos que comporão a lista partidária.
Quem (e como) escolhe os candidatos a deputado federal
O exame da dimensão acerca de quem realiza a escolha dos candidatos
proporcionais e por quais sistemas de designação tem de ser feito considerando,
particularmente, variáveis endógenas aos partidos. Isso porque a legislação
eleitoral confere autonomia às organizações partidárias para definir suas
regras internas no que tange a essa questão. Ademais, a lei estabelece
mecanismos específicos para a escolha e/ou a homologação das candidaturas '
convenções ', assim como dita os prazos máximos de sua realização e registro
dos candidatos nos órgãos oficiais da justiça eleitoral.6
Os estatutos do PFL, PP, PMDB e PSDB não diferem muito sobre quem escolhe os
candidatos do partido. Neles é a convenção partidária estadual que homologa a
chapa apresentada. A observação da dinâmica das convenções desses partidos para
as eleições de 2006 revelou que há diferenças importantes entre eles no que diz
respeito à participação dos filiados nesse processo de seleção. Com relação ao
PP e ao PFL, a convenção funciona apenas como ato simbólico em que a lista
partidária é homologada pelos presentes, sem que haja menção dos componentes e
mesmo sem qualquer discussão sobre possíveis nomes a serem incluídos na lista
previamente elaborada pelos dirigentes partidários. Trata-se, portanto, de um
sistema de nomeação puro, ou seja, os candidatos integrantes das listas do PP e
do PFL não passam por um processo de aprovação, configurando-se como processos
mais exclusivos.
Outro indicador que reforça o caráter restritivo desse processo nesses dois
partidos é que não houve antes da realização da convenção eleições internas
para a escolha dos convencionais ou mesmo para os cargos internos. As atuais
direções permanecem nas atuais posições desde a formação do partido, com um ou
outro quadro sendo remanejado, incluído ou mesmo substituído.
Em contrapartida, no PMDB e no PSDB, a participação dos filiados nas convenções
e, portanto, na homologação da chapa partidária se dá de maneira mais ampla.
Isso porque nesses dois partidos, embora a lista partidária também já chegue
fechada na convenção, isto é, não há discussão sobre sua montagem entre os
convencionais, estes participam do processo de homologação aprovando ou não a
lista de candidatos previamente escolhida pela cúpula partidária. Em função
disso, também estamos diante de um sistema de indicação, embora relativamente
mais inclusivo, uma vez que é acompanhado por um processo de aprovação dos
delegados. Isso, em última análise, acaba restringindo em algum grau a margem
de manobra dos líderes organizativos, o que implica esforços contínuos por
parte deles no sentido de manter e ampliar o número de adeptos sob sua
influência. Normalmente outras questões relacionadas com as estratégias
eleitorais são colocadas na cédula de votação para o convencional se
posicionar. Pode, por exemplo, haver consulta sobre a realização ou não de
coligações com determinados partidos tanto para os cargos majoritários como
proporcionais.
Com relação aos dispositivos formais, a grande diferença aparece no documento
do PT. Embora o resultado final do processo de seleção dos candidatos petistas
somente seja conhecido na convenção estadual (no chamado Encontro), seu
estatuto prevê o início dessa atividade de escolha no momento das indicações
realizadas por diversas instâncias do partido. Isso fica explícito no artigo
129:
Art. 129: A Comissão Executiva da instância de direção correspondente
somente examinará pedido de indicação à pré-candidatura se vier
acompanhado de assinaturas ou votos favoráveis de no mínimo:
B ' ao cargo de deputado federal:
B. a. ' 1/3 dos membros do Diretório Estadual; ou
B. b. ' 5% das Comissões Executivas Municipais; ou
B. c. '1% dos filiados no Estado; ou
B. d. ' Encontro Setorial Estadual ou Nacional.
Assim, o PT, por meio de seu estatuto, se, de um lado, garante que amplos
setores do partido participem desse processo indicando seus quadros, de outro,
procura garantir que seus candidatos possuam alguma representatividade junto ao
conjunto dos filiados, valorizando de alguma forma a democracia interna. Embora
haja formalmente essa preocupação, ao longo das outras etapas um grupo mais
restrito de lideranças mantém maior controle desse processo. Isso porque,
conforme foi constatado em entrevistas com lideranças partidárias paulistanas,7
realizada a fase das indicações, os nomes são apresentados e registrados no
Diretório Estadual. Após o registro dos nomes, a Secretaria de Organização do
partido (SORG) inicia um processo de consulta pessoal às pré-candidaturas que
foram indicadas pelo maior número de diretórios municipais. Feita a consulta,
os nomes favoráveis à sua indicação são acatados pelos dirigentes do partido.
Mas, além disso, no caso de determinada candidatura não se mostrar viável ou
eventualmente representar um setor da sociedade civil ou uma região do estado
que possua outras lideranças mais influentes, inicia-se um período de
"negociação" em torno de alguns nomes. Ademais, vale ressaltar que, caso a
procura por legenda exceda o limite legal ou idealizado pelo partido, fica a
cargo da Comissão Eleitoral efetuar os devidos cortes e propor uma chapa que
será ratificada ou alterada mediante apreciação do Encontro Estadual. A
formação dessa comissão eleitoral segue a proporcionalidade dos membros do
Diretório Estadual, ou seja, os grupos internos que estão representados na
Executiva estadual (23 membros) indicam os nomes para a composição dessa
comissão, podendo coincidir ou não com os nomes que compõem a executiva
estadual. A chapa proposta pela comissão eleitoral será votada pelos delegados
no encontro estadual a partir de uma lista contendo os nomes que a comissão
sugeriu e os nomes que estariam pleiteando a legenda para concorrer às
eleições. Nesse último caso haverá a abertura do plenário para defesa dessas
novas candidaturas e votação de cada caso.
Assim, mesmo no caso do PT, em que há um processo de seleção mais inclusivo, na
convenção predomina um sistema de nomeação aparentemente mais ampliado, pois o
voto do delegado é para uma lista de candidatos (embora possa haver a inclusão
de novos nomes durante o sistema de aprovação). No entanto, dificilmente isso
ocorre em função da lista petista também ser nomeada, o que garante que sua
composição seja controlada para dar conta quer dos grupos de poder interno quer
de certa imagem do partido junto ao eleitorado.
Com base neste quadro, torna-se necessário examinar outra questão que diz
respeito a quem pode participar das convenções e como se dá a escolha. No que
tange ao processo de escolha dos convencionais, observam-se diferenças entre as
instâncias partidárias. Na esfera local, os participantes são escolhidos por
todos os filiados e, em outros casos, os membros são selecionados por delegados
das instâncias inferiores. Para isso, o membro precisa ter de seis meses, no
caso do PP, PMDB e PSDB, a um ano de filiação, no caso do PT.
Entre os componentes das convenções do PP, PFL, PMDB e PSDB estão os membros
dos diretórios em cada nível e os vereadores, deputados estaduais e federais,
senadores, presidentes e líderes da Câmara e do Senado, o presidente da
República, governadores e prefeitos. É interessante observar a importância dos
detentores de cargos eletivos sobre a escolha dos próximos candidatos nesses
partidos. Os deputados podem participar em mais de uma instância, isto é, são
membros efetivos das convenções nas esferas nacional, estadual ou municipal. No
PP pode haver voto cumulativo, isto é, um membro pode votar na convenção
estadual como delegado municipal, deputado federal e líder da Câmara tendo
direito, portanto, a três votos.
Já no caso do PT, os selecionadores dos candidatos são desde os filiados aos
diretórios municipais, com suas indicações preliminares, passando pelos membros
da Comissão eleitoral estadual, até os delegados eleitos para os "Encontros"
(convenções petistas). Neste partido, participam também dos encontros: membros
dos respectivos diretórios, membros dos diretórios estaduais e nacional,
filiados no município e detentores de cargos eletivos em cada nível, sem
direito a voto.
De acordo com os procedimentos formais acima discutidos, é possível classificar
o PMDB e o PSDB na zona "seleção por órgão Executivo do partido"; já o PP e o
PFL situam-se na zona "seleção por líder partidário" e o PT, como há
envolvimento de diversos membros do partido com graus variados de influência
nesse processo, está situado na zona "seleção por órgão colegiado". No entanto,
no que se refere ao processo de escolha dos convencionais (selecionadores, em
última instância, no PMDB, PSDB e PT), estes são designados por outros
delegados, o que torna a atividade mais exclusiva e, mais uma vez, os grupos
dirigentes com maior delegação têm grande influência no resultado final. Por
sua vez, no PP e no PFL os líderes partidários, incluindo parlamentares mais
orgânicos, detêm total controle sobre a seleção dos candidatos e, portanto,
também sobre o acesso à lista partidária, caracterizando-se como os partidos
mais fechados à participação popular. Apesar dessas diferenças quanto à
dimensão dos selecionadores, com relação ao sistema de designação, todos os
partidos examinados utilizam o mecanismo de indicação, embora tenham sido
identificados graus variados de aprovação e, conseqüentemente, de participação
dos militantes (convencionais) dos respectivos partidos examinados (Tabela_2).
Resultado do processo de seleção: a composição das listas partidárias
Analisadas as dimensões cruciais do processo de seleção desenvolvidas pelos
atores partidários, cabe agora examinar o resultado dessas atividades: a
composição das listas partidárias. Uma das variáveis de origem institucional
arroladas por Mainwaring (2001, pp. 306-307) para explicar o fraco controle dos
partidos brasileiros sobre as candidaturas é o número de candidatos lançados
pelos partidos. De acordo com seu argumento, a legislação eleitoral incentiva
os agentes partidários a lançarem um número muito elevado de candidatos para
angariar mais votos e com isso aumentar sua representação na Câmara. Para
checar as postulações de Mainwaring elaboramos a Tabela_3, que descreve os
resultados dos processos de seleção ocorridos nas eleições entre 1994 e 2006
para a Câmara dos Deputados.
Como podemos verificar, embora a legislação eleitoral permita que cada partido
componha sua lista partidária com um número de candidatos que corresponda a uma
vez e meia a magnitude do distrito eleitoral onde vai concorrer, nenhuma das
organizações partidárias analisadas chegou ao total de 694 candidaturas em
nenhum dos pleitos. Nesse sentido, o PMDB foi o partido com o maior número de
candidaturas no pleito de 1994 e 1998, apresentando 399 e 350 candidatos,
respectivamente. Já nas eleições de 2002 e 2006 foi o PT que lançou as maiores
listas partidárias, chegando, respectivamente, a 422 e 351 candidaturas. Por
seu turno, o PFL teve as listas mais enxutas em 1994 e 1998, lançando 236 e 276
candidatos, respectivamente, enquanto o PP foi o partido com o menor número de
candidaturas tanto em 2002, quando apresentou uma lista com 194, como em 2006,
com 175 candidatos.
Comparando-se a trajetória do número de candidatos nas chapas partidárias é
interessante observar que enquanto PP, PT, PMDB e, em menor grau, o PFL/DEM
indicaram tendência de diminuição desse montante, o PSDB foi o único partido
que aumentou paulatinamente sua lista. Outra informação relevante, relacionada
com essa tendência observada e com controle dos dirigentes partidários com o
acesso à lista partidária, é a de que ao longo desses pleitos se reduziu
consistentemente o percentual de candidaturas dos cinco principais partidos em
comparação com o total geral de candidaturas apresentado por todos os partidos,
o qual seguiu aumentando gradativamente nesse período. Enquanto o percentual de
candidaturas desses partidos foi de 51% em 1994 para 44, 5% em 1998, chegou a
33,6% em 2002 e, em 2006, caiu para 28,3%. Por que os maiores partidos lançaram
menos candidatos se a legislação eleitoral foi mantida? Uma das respostas
possíveis tem a ver com as estratégias eleitorais de seus dirigentes
partidários que, ao passarem a ter maior domínio do ambiente eleitoral,
começaram a repensar seus cálculos políticos para se manterem em vantagem no
jogo político. Ao mesmo tempo, esses dados também revelam que outros partidos
no sistema partidário também passaram a contribuir decisivamente para o aumento
do número de ofertas de candidatos no mercado eleitoral.
Vimos que os partidos examinados controlam o processo de seleção por diversos
meios. Entre os mecanismos identificados estão o método de formação da lista,
isto é, por indicação e não por votação, e o número de candidatos que vai
figurar na lista final. Além desse sistema, vimos que a forma de convocação
para as convenções, a possibilidade de intervenção dos diretórios de instância
superior sobre as inferiores e a criação de comissões provisórias e
interventoras (no caso do PMDB) são outros mecanismos utilizados pelos
dirigentes partidários para garantir seu controle sobre os resultados desse
processo de seleção. Assim, observa-se que, diferentemente do que defende
Mainwaring (1999), o sistema eleitoral e a lista aberta não têm promovido
conseqüências tão negativas à imagem dos partidos. Embora tenham sido
identificados graus distintos de estruturação partidária, os partidos
demonstram manter controle sobre o processo de seleção de candidatos e ao
acesso à lista partidária. Dessa maneira, os dirigentes vêm agindo
estrategicamente para diminuir a incerteza eleitoral e garantir a sobrevivência
do partido no sistema político. Além da preocupação com o ambiente externo, em
partidos (como, por exemplo, o PSDB e o PT) em que a disputa interna é muito
acirrada, a centralização do processo de seleção é resultado da ação das
lideranças no sentido de preservar a linha de autoridade intrapartidária, o que
implica no controle de outros recursos vitais para a estabilidade organizativa.
Perfil dos candidatos e dos eleitos à Câmara dos Deputados
Para concluir a discussão sobre o recrutamento partidário e a seleção de
candidaturas, será apresentado o perfil socioeconômico dos candidatos e dos
eleitos pelas as legendas partidárias. Especificamente, interessa-nos verificar
se as diferenças encontradas no processo de recrutamento dos cinco partidos
repercutem no perfil dos candidatos e dos eleitos. Serão analisados os dados
tornados públicos pelo Tribunal Superior Eleitoral e organizados pelo NUSP/
UFPR, que se referem a sexo, idade, escolaridade, profissão e patrimônio
declarado.
Sexo
Apesar do sistema de cotas adotado no Brasil, que reserva às mulheres 20% do
número de candidaturas nos partidos, elas representaram apenas 12% dos
recrutados. Porcentagem ' já baixa ' que elas não conseguem sustentar entre o
número de candidatos eleitos. Apenas 7,8% dos eleitos para a Câmara dos
Deputados em 2006 foram mulheres (ver Tabela_1). Houve pouca variação entre as
legendas no que se refere ao número de candidaturas femininas.
Se adotarmos o pressuposto de que um processo de seleção de candidaturas mais
inclusivo pode refletir em mais espaço para as diversidades sociais, ao
analisarmos os procedimentos dos quatro grandes partidos, seria de se esperar
que o número de candidatas e eleitas nas legendas obedecesse à seguinte ordem
(PP < PFL < PMDB < PSDB < PT). Os dados não contrariaram tal expectativa, nota-
se apenas uma inversão entre a posição do PT e a do PSDB. No que se refere à
porcentagem de candidatas, a seqüência em ordem crescente ficou: PP (8,0%) <
PMDB (11,5%) < PFL (11,9%) < PT (12%) < PSDB (14,9%). Já em relação à
porcentagem de eleitas, tem-se: PSDB (4,5%) < PP (7,3%) < PFL (7,7%) < PT
(8,4%) < PMDB (10,1%). O resultado mais desviante foi aquele referente ao
número de eleitas pelo PSDB. Curiosamente, o partido que mais recrutou mulheres
foi o que menos as elegeu.
Os números encontrados remetem à discussão proposta por Norris e Lovenduski
(1995). Os autores questionam se o baixo número de mulheres candidatas e
eleitas pode ser resultado da ausência de demanda dos selecionadores ' que
tenderiam, direta ou indiretamente, a dificultar as candidaturas femininas ' ou
da falta de oferta de candidatas ' na medida em que a divisão do trabalho
dentro de casa, a discriminação no mercado de trabalho e o tradicional padrão
de socialização fariam com que a mulher tivesse menos recursos de tempo e
dinheiro, além de menor nível de ambição política.
Podemos problematizar ainda mais, ao questionarmos se o intervalo entre o
número de candidatas e o de eleitas se justifica por demandas dos eleitores '
que ainda que tenham a opção de votar em mulheres, preferem o voto nos homens
', por discriminação na distribuição de recursos partidários, ou por ambos os
fatores.
Idade
Foi possível constatar que a faixa etária que comporta o maior número de
candidatos e eleitos nos cinco partidos é entre 46 e 55 anos, o que se alinha
com uma tendência presente em vários países e já apontada pela literatura
internacional.
O PMDB, o PP e o PFL têm candidatos mais idosos do que o PSDB e o PT.
Possivelmente, trata-se de uma decorrência da trajetória das legendas e de seus
líderes, que vêm desde o tempo do MDB e da Arena, do período ditatorial entre
1964 e 1982. O MDB deu origem ao PMDB e a Arena, ao PDS e ao PFL, que hoje são
PP e DEM, respectivamente. Já o PT é um partido novo, com pouco mais de vinte
anos de história, nascido do movimento social e não de uma subdivisão de
legenda. ainda que tenha herdado alguns políticos do MDB. Em síntese, usando as
expressões de Norris e Lovenduski (1995), acredita-se que a variação de idade
entre os partidos possa ser mais bem explicada pela oferta de candidatos do que
pela demanda dos selecionadores.
Educação
Na disputa para a Câmara dos Deputados de 2006, houve uma franca preferência
dos partidos e dos eleitores por candidatos com curso superior. Para Ranney
(1965) e Norris e Lovenduski (1995), a tendência para a grande presença de
pessoas com alta escolaridade em disputas eleitorais pode ser explicada como
uma questão de demanda dos selecionadores: os membros dos partidos preferem
aqueles porque escolaridade denota habilidade, capacidade e prestígio social.
Mas Norris e Lovenduski (1995) consideram também a questão como sendo de
oferta. Os autores lembram que estudos sobre participação política mostram que
a educação é um dos principais requisitos para o ativismo, pois proporciona
conhecimento e interesse político.
Nas eleições para a Câmara em 2006, constatamos que os dois partidos que
ampliaram o espaço para a seleção de candidaturas e que mais elegeram pessoas
de baixa escolaridade foram PP e PT, ao contrário do PSDB, menos aberto para o
lançamento de candidaturas de políticos com baixa escolaridade.
Desta forma, de acordo com as expectativas criadas com a análise do processo de
recrutamento, o PT correspondeu ao esperado, na medida em que se mostrou mais
aberto para as diversidades da população. Já o PP comportou-se da maneira
oposta da esperada. Uma vez que o partido conta com um processo de recrutamento
e seleção de candidaturas muito centralizado, a expectativa era de que ele não
estivesse aberto às diversidades, mas não foi o que aconteceu. Cabe salientar
que o PP, em São Paulo, sempre esteve muito associado ao malufismo, de caráter
essencialmente populista, marcado pelo assistencialismo. A presença em São
Paulo ' estado em que o PP é tido como uma legenda forte ' de uma base de
sustentação para o populismo partidário junto às comunidades ajuda a explicar a
presença de candidatos com pouca escolaridade. Deve-se ressaltar, no entanto,
que a base de sustentação do partido em outros estados não necessariamente
reproduz o caráter populista, assistencialista de São Paulo.
Ocupação
De modo geral, os perfis dos candidatos e dos eleitos apresentam algumas
distinções, mas não variam muito de partido para partido no que se refere à
ocupação. Em todos os partidos, destacam-se os desempenhos positivos dos
políticos e dos profissionais liberais. Por outro lado, os trabalhadores
manuais aparecem pouco na lista de candidatos e eleitos.
O primeiro ponto a ser abordado nesta análise refere-se à proeminência dos
políticos em relação aos demais profissionais no momento da seleção das
candidaturas e do processo eleitoral. É constante em todos os partidos a alta
taxa de políticos que se recandidatam e conseguem se reeleger. Eles
correspondem a aproximadamente 20% das candidaturas e a de 40% a 50% dos
eleitos.
A esse respeito, deve-se considerar que tal tendência está presente em outros
países também, como aponta a literatura internacional. Gallanher e Marsh (1988)
ao analisarem o recrutamento partidário interessaram-se não apenas pelos
aspectos formais do processo, mas também pelos informais, observando as
qualidades dos aspirantes que os selecionadores consideravam importantes e
positivas. Com a análise de nove países europeus, concluíram que aqueles que já
são deputados e buscam a reeleição possuem a maior chance de terem suas
candidaturas aceitas e serem eleitos, configurando então o melhor perfil de
aspirante.
De acordo com esses autores, os incumbentes saem na frente na disputa porque já
contam com uma base organizacional dentro do partido e, em geral, são pessoas
com certo grau de apelo eleitoral. Nesse caso, apelo eleitoral deve ser
entendido como uma característica subjetiva referente à maneira articulada de
falar, à presença de espírito, à aparência e à habilidade para lidar com o
povo.
Ademais, no caso especificamente brasileiro, foi preciso considerar, ao
analisarmos o desempenho dos incumbentes, o uso do dispositivo da candidatura
nata, vigente até as eleições municipais de 2000.
Como já foi mencionado, é verificável ainda grande presença de profissionais
liberais, particularmente da área de direito, jornalismo e magistério entre os
candidatos e os eleitos. Neste caso, também é possível identificar uma
tendência que perpassa vários países, de acordo com a literatura internacional.
Norris e Lovenduski (1995) chamam a atenção para a tendência de pessoas
vinculadas ao que define como talking professions de se apresentarem para uma
candidatura. Trata-se também de uma questão de oferta de aspirantes e não
apenas de demanda dos selecionadores.
Ainda sobre isso, é preciso pontuar o que Ranney (1965) definiu como brokerage
occupations, profissões de classe média que proporcionam algumas vantagens para
a construção de uma carreira política como, por exemplo, flexibilidade de hora
de trabalho e de férias, independência profissional, segurança financeira,
network pública, status social, experiência e conhecimento da política. Ranney
pontua que devido a todas essas vantagens haveria uma maior oferta de
aspirantes oriunda desse segmento.
A reduzida taxa de trabalhadores manuais é também constante em todas as
legendas. Tal tendência perpassa diferentes países e épocas. Em 1965, Ranney
observou que, embora houvesse 64% de trabalhadores manuais na população
inglesa, a classe contava com apenas 3% das candidaturas do Partido
Conservador. Já a categoria de proprietários e executivos tendia a ser sobre-
representada: 13% na população e 39% entre os candidatos conservadores
selecionados.
No Partido Trabalhista, Ranney esperava encontrar mais espaço para os
trabalhadores manuais, na medida em que a legenda era considerada uma arma
política capaz de levantar e representar o movimento trabalhista. Além disso,
muitos dos votos dos trabalhistas vinham de filiados sindicalizados, que
deveriam ser recompensados com candidaturas pelo trabalho que desempenhavam no
movimento. Contudo, predominou o número de candidaturas de advogados,
jornalistas e professores.
No Brasil, Leôncio Rodrigues (2006) com base nos estudos que realizou sobre as
51º e 52º legislaturas aponta para a existência de perfis partidários
diferenciados no que se refere à ocupação, que tendem a se relacionar com suas
localizações no eixo direita-centro-esquerda. Para o autor, a classificação
sociológica dos deputados, efetuada com base na atividade ocupacional, é um
indicador razoável do status dos meios sociais de origem dos parlamentares
antes da ascensão econômica advinda com a entrada na vida pública.
Rodrigues parte do principio que pessoas de famílias ricas muito dificilmente
procuram os partidos de esquerda para iniciarem a sua vida política. Da mesma
maneira, acredita que os candidatos de classe mais baixa não devem procurar os
partidos de direita, pois percebem que nesses predominam políticos mais ricos.
Ou seja, segundo o autor, existem obstáculos pequenos e implícitos de caráter
econômico, educacional, relativo à idade, à natureza étnica, ao status etc.
Em outro estudo (2002), Rodrigues analisou a composição da 51º Legislatura,
constatando que o número de empresários é maior nos partidos de direita do que
nos de centro e de esquerda. Naquele momento, o PFL e o PPB eram as legendas
que apresentavam maior taxa de empresários, seguidos pelo PMDB. Os resultados a
respeito da disputa de 2006 reforçam os achados de Rodrigues sobre aquela
legislatura, com exceção para o PP que, embora tenha selecionado 11,9% de
empresários, elegeu apenas 1,2% com essa ocupação. Mas o PFL e o PMDB
permaneceram sendo os partidos com mais candidatos e eleitos empresários.
Em relação aos profissionais liberais, os achados de Rodrigues se diferenciam
dos apresentados na eleição de 2006. Havia na 51º legislatura uma tendência de
crescimento do número de profissionais liberais quando se deslocava dos
partidos de direita para os de esquerda. Tal variação não ocorreu em 2006, pois
nota-se um maior número de profissionais liberais entre os candidatos e os
eleitos do centro e de direita do que nos partidos de esquerda.
O PP e o PT foram os partidos que mais elegeram trabalhadores manuais. A
inserção dos trabalhadores no PT corresponde ao que era de se esperar de um
partido de esquerda e de massa. Corresponde ainda ao padrão de recrutamento de
candidaturas, mais aberto. No entanto, do PP não se esperava tal inserção da
massa trabalhadora, uma vez que se trata de um partido de direita e com o
processo de recrutamento muito fechado. Novamente aqui, a explicação disso pode
estar em seu caráter populista.
Patrimônio
Fernando Rodrigues (2006) faz um vasto levantamento sobre o patrimônio pessoal
dos candidatos eleitos nos pleitos de 1998 e 2002 (eleições que para o autor
são de grande importância, pois marcam a transição entre dois governos de
oposição). Afinado com os dados de Leôncio Rodrigues, Fernando mostra que os
integrantes do PT partiam de uma base monetária bem menor do que os integrantes
dos demais partidos até 2002. No entanto, nesse ano, os números já apontam para
significativas mudanças e avanço patrimonial entre os candidatos do partido. Os
políticos vencedores nas eleições de 1998 e 2002 apresentaram, entre as siglas
mais importantes, a mais expressiva variação patrimonial em quatro anos, 83,7%.
PFL, PP e PMDB são as legendas que apresentam o maior número de candidatos e
eleitos com alto patrimônio. Ainda que os candidatos petistas venham
apresentando avanços patrimoniais, ele ainda se destaca dos demais por ser
aquele com maior número de candidatos e eleitos com nenhum, baixo e médio/baixo
patrimônios. Mais de 80% de candidatos e eleitos do PT têm médio patrimônio ou
menos. Em todos os demais partidos a maioria dos candidatos e eleitos possui
médio patrimônio ou mais. O que foi encontrado está de acordo com a expectativa
criada pelos processos de recrutamento. O processo mais inclusivo do PT
seleciona e oferece oportunidade para os menos endinheirados. Já os partidos
mais fechados no momento do recrutamento não abrem esse espaço.
Considerações finais
Este artigo buscou investigar o processo de seleção e o perfil dos candidatos e
dos eleitos à Câmara dos Deputados à luz das eleições de 2006. Seus objetivos
foram dois. Primeiro, tratou-se de examinar qual é a influência e por quais
meios as lideranças partidárias buscam controlar o acesso e a composição da
lista partidária dos cinco principais partidos brasileiros. Segundo, verificou-
se o grau de inclusividade desses partidos, identificando-se o perfil social e
ocupacional dos candidatos e dos eleitos.
Os dados revelam informações importantes a respeito da relação entre
recrutamento político-partidário e controle da representação política no país.
Em primeiro lugar, constatou-se que as lideranças partidárias concentram grande
poder no processo de recrutamento e formação das listas de candidatos. No PP e
no PFL, os dirigentes definem a lista, e nas convenções elas são apenas
homologadas pelos demais filiados. No caso do PMDB e do PSDB, os líderes montam
as listas que depois são votadas nas convenções. A presença das lideranças no
PT 'o mais inclusivo deles no quesito "quem escolhe os candidatos" ' também não
é pequena. Ou seja, apartir da análise dos estatutos nacionais e da obserpartir
da análise dos estatutos nacionais e da observação participante das convenções
no estado de São Paulo, ficou claro o caráter centralizado das lideranças
partidárias no processo de seleção das candidaturas.
Em segundo lugar, observou-se que entre os mecanismos utilizados pelos
dirigentes partidários para garantir seu controle sobre os resultados desse
processo de seleção estão o método de formação da lista ' por indicação e não
por votação ' eas estratégias eleitorais sobre o número de candidatos que irá
compô-las. Outros meios identificados foram a forma de convocação para as
convenções, a possibilidade de intervenção dos diretórios de instância superior
sobre as inferiorese, ainda, a criação de comissões provisórias e interventoras
(no caso do PMDB).
Em terceiro lugar, verificou-se ainda que o tipo de processo de seleção ' mais
ou menos inclusivo ' e a forma de organização da estrutura de autoridade e de
oportunidades nesses partidos políticos ' mais ou menos centralizada em suas
lideranças ' importam sobremaneira na definição das candidaturas, na medida em
que influencia o perfil dos selecionados. Daí o processo de recrutamento dos
partidos repercutir no perfil de candidatos e eleitos da legenda. Entre os
cinco partidos analisados, dois tiveram atitudes típicas de legenda mais ou
menos inclusivas. O PT é o tipo mais inclusivo dos partidos investigados,
abrindo mais espaço para mulheres, pessoas de baixa escolaridade e
trabalhadores manuais. Do lado oposto, aparece o PFL como o tipo menos
inclusivo, abrindo pouco espaço para a diversidade. O componente populista fez
do PP um partido mais inclusivo no que se refere à classe social dos
aspirantes, ainda que tenha demonstrado um padrão de recrutamento pouco
inclusivo. O PSDB e o PMDB, respectivamente segundo e terceiro partidos na
escala de inclusão/exclusão do recrutameto, apresentaram perfis de candidaturas
e eleitos pertinentes com os seus procedimentos de seleção de caráter
intermediário. O PSDB mostrou-se o mais inclusivo no que se refere ao sexo dos
candidatos e o menos inclusivo em relação ao grau de escolaridade. Por sua vez,
o PMDB demonstrou-se mais inclusivo quanto à idade e menos inclusivo no que se
refere ao quesito "patrimônio".
É preciso chamar a atenção, no entanto, que há mais diferenciação entre os
partidos quando comparamos o perfil de seus candidatos do que quando analisamos
o perfil de quem eles elegem. Os dados sobre os recrutados confirmam a
proposição de que o partido mais inclusivo no recrutamento (no caso o PT) seria
também o mais inclusivo no que se refere ao resultado da composição da lista,
demonstrando-se mais aberto para as diversidades da sociedade.
Os resultados sobre o perfil dos candidatos permitem ainda a demonstração de
que os partidos de esquerda acolhem melhor os candidatos com menos patrimônio
do que os demais, tal como encontramos em Rodrigues (2006).
Já no que se refere à análise do perfil dos eleitos, há uma maior uniformização
entre os partidos. De modo geral, os homens, com grau de escolaridade e
patrimônio mais altos, já políticos ou médicos, advogados, engenheiros,
empresários, funcionários públicos, têm mais chances de vencer a disputa, em
qualquer partido, inclusive no PT. É evidente a correlação entre patrimônio
mais alto e mais chances de vitória.
Os resultados da pesquisa apontam para outra questão que merece ser estudada.
Apesar de os partidos apresentarem procedimentos distintos para recrutamento e
gerarem, assim, diferentes perfis de candidaturas, há uma tendência de
homogeneização do perfil dos eleitos. A pergunta que se coloca é se tal
padronização é fruto de uma questão cultural do eleitor ' de preferir
candidatos homens, com idade próxima a 50 anos, com alta escolaridade e
patrimônio médio/médio alto ' ou de uma maior disponibilidade de recursos de
campanhas para esse segmento que, de antemão, já tende a sair vitorioso.
Por fim, cabe salientar que este trabalho trouxe evidências inéditas para que
se questione o argumento da fragilidade da autoridade partidária no âmbito de
sua organização, menos com a intenção de negá-lo do que com o objetivo de
qualificá-lo a partir de estudos empíricos. Afinal os desafios para o
entendimento do recrutamento político ainda são muitos, o que requer uma ampla
agenda de pesquisas.
Notas
1 Dados oriundos do projeto de pesquisa "Partidos Políticos: Organização,
Recrutamento Político e Representação", desenvolvido no Departamento de
Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos, com financiamento da
Fapesp.
2 Essas dimensões analíticas foram elaboradas a partir dos trabalhos de Rahat e
Hazan (2001), Billie (2001), Gallagher (1988) e Freidenberg e Lópes (2002).
Todos esses estudos apresentam uma série de perguntas sobre o tema, realizadas
em outros contextos que, na medida do possível, foram incorporadas nesta
construção analítica para examinar o caso brasileiro.
3 Para a análise das regras eleitorais foram consultados o Código Eleitoral e a
Constituição de 1988.
4 Na América Latina apenas a legislação eleitoral de El Salvador e Equador, até
1996, apresentam essa exigência (Freidenberg e López, 2002, p. 167).
5 Essa classificação segue orientação dos trabalhos de Rahat e Hazan (2001).
6 Sobre as convenções partidárias, ver o artigo 7, sobre o prazo, ver o artigo
8 da Lei Eleitoral de n. 9.504, de 30/9/1997.
7 Essas entrevistas foram realizadas por Braga (2008) na ocasião da pesquisa.