A Phýsis como fundamento do sistema filosófico estoico
A Física integra a parte do discurso filosófico responsável por todas as
questões relativas ao mundo natural, conformando um conhecimento que, de acordo
com muitos estudiosos, deveria se destinar apenas aos filósofos estoicos mais
avançados na compreensão da doutrina, da qual a Física representaria o ápice.2
Lima Vaz chega a sustentar que a Física estoica é o tronco que sustenta todo o
sistema da Stoá enquanto unidade orgânica e perfeita.3 Com efeito, a Física do
Pórtico absorve a Ontologia, a Metafísica e a Teologia, além de várias ciências
empíricas como a Meteorologia e a Astronomia.
Conforme as premissas fundamentais da Ontologia da Stoá, a realidade se compõe
basicamente de entidades corpóreas (somata) - que podem ser causas ou sofrer a
ação de outras causas - e de entidades incorpóreas (asómata) que, ao contrário,
não existem como as corpóreas, apenas subsistem (huphistasthai) na mente; são
quatro: o vazio (kenón), o tempo (chrónos), o espaço (tópos) e o exprimível
(lektón).4 Os corpos são coisas que se estendem nas três dimensões:
comprimento, largura e profundidade. Para os estoicos, tudo que é real é
corpóreo,5 tese inegociável e que lhes valeu inúmeras críticas por parte das
escolas helenísticas rivais. Por seu turno, os incorpóreos não são corpos, mas
também não podem ser classificados como não-existentes. São "algo" (tò tí), ou
seja, "quase-seres" que expressam o movimento da natureza.6 Os três primeiros
incorpóreos representam condições para os processos físicos, enquanto o último
liga-se à Filosofia da Linguagem.7
Pierre Aubenque entende que a categoria ontológica do "algo", criada pelos
estoicos para agasalhar os incorpóreos, acaba por superar a ontologia
aristotélica, na qual o "ser" (tò ón) ocupa o status de gênero mais geral.8 No
estoicismo, ao contrário, existe uma categoria ainda mais ampla do que o "ser"
de Aristóteles e que o assimila. Trata-se exatamente do tí, o gênero supremo da
ontologia estoica,9 acima do ser que é, os estoicos concebiam, portanto, o
"algo".10 Tanto os corpóreos como os incorpóreos são "algo", embora estes
últimos não tenham existência (tò ón) propriamente dita. Devido ao seu caráter
paradoxal, a doutrina sofreu modificações por parte de estoicos tardios e
heterodoxos como Sêneca. O cordobês via o ser (quod est) como categoria última,
ao qual se subsumiriam os corpos e os incorpóreos que, afinal, são quase-seres
(quae quasi sunt).11
Há notícias doxográficas isoladas e pouco sistemáticas sobre outras categorias
ontológicas pensadas pelos estoicos, tais como o "nada", que englobaria "algos"
que não são corpóreos e nem incorpóreos, v.g., as entidades ficcionais e os
limites geométricos,12 e os "não-algos" (oútina), cujo melhor exemplo são os
conceitos universais e as formas puras à moda de Platão.13 Estas foram
combatidas pelos estoicos, que as comparavam a fantasmas do pensamento, dado
que não são um "algo" e nem um "algo qualificado", mas antes um "quasi-algo" ou
um "quasi-algo qualificado", do mesmo modo que uma imagem de um cavalo nos
surge na mente ainda que não haja nenhum cavalo presente.14 De qualquer forma,
a controvérsia acerca dos estatutos ontológicos estoicos é infindável, como se
percebe nos textos de Brunschwig15 e de Caston.16
Para os estoicos, o conceito (ennoia) fundamental que unifica todo o seu
sistema físico - e também lógico e ético - encontra-se na noção de lógos. Se
aceitarmos, como quer White, que a Física do Pórtico se sustenta sobre dois
"compromissos a priori", quais sejam, as ideias de unidade e de coesão entre o
cosmos e a razão divina,17 o lógos constitui o elemento capaz de refleti-las e
de lhes conferir realidade corpórea. Há uma ordem imanente que rege o universo
(kosmos) e mantém o seu equilíbrio, opondo-se ao kaos que pretende dissolver a
realidade em indeterminações arbitrárias. Contra os epicuristas, que
sustentavam ser o acidente o grande responsável pelo mundo, os estoicos
opuseram um memorável argumento reproduzido por Cícero. Ele sustenta que a
beleza e a complexidade do mundo, onde tudo se ajusta perfeitamente, são provas
ontológicas da existência de uma inteligência superior que tudo governa e
ordena. Não foram átomos rodopiando ao acaso que conformaram este nosso mundo,
diz Cícero. Tal lhe parece tão impossível como obter de um só lance todos os
versos dos Anais de Ênio lançando ao ar inumeráveis letras que, caindo ao solo,
se organizariam de modo eventual, dando lugar ao poema inteiro. Com tal método
aleatório não é possível obter sequer uma única linha dos Anais.18 O mesmo
raciocínio deve ser aplicado ao universo para compreendermos quão absurda é a
ideia de que ele teria surgido acidentalmente e sem o concurso do lógos,
determinação demiúrgica racional (logikos) que perpassa a natureza. Na linha de
Heráclito,19 Zenão identifica o lógos com o fogo-artesão, artífice do mundo.20
Trata-se de uma matéria extremamente sutil e capaz de sustentar os paradoxos do
pensamento estoico, que exige ao lado de um racionalismo rigoroso, um
materialismo estrito.21 Às vezes os estoicos chamam o lógos de deus (theos),
mas não se trata de um ser divino pessoal como no cristianismo e sim do
princípio de racionalidade que se encontra em todas as coisas, em especial no
homem, que contém em si os logoi spermatikoi,22 ou seja, razões seminais
individualizadas capazes de identificar a racionalidade humana com a do próprio
Zeus.
Tão alto é o respeito do estoicismo pelo homem que a ordem reinante no interior
deste vale como prova cabal da ordem universal, da qual é reflexo, conforme o
conhecido silogismo de Marco Aurélio.23 Parece-nos que o processo de construção
da cosmologia estoica consistiu na exteriorização do que há de mais profundo no
homem: a razão. É por isso que os estoicos viam propriedades morais na Física,
posição duramente criticada por Pufendorf, para quem não há certo e errado na
natureza, que à luz da ciência do seu tempo consistia apenas no movimento e na
aplicação de forças físicas às coisas. Assumindo uma posição tipicamente
positivista, Pufendorf acredita que o valor não está nos objetos, sendo-lhes
imposto pelo entendimento humano.24 Ora, a perspectiva da Stoá é diametralmente
oposta. Reconhecendo o lógos em si mesmo, o filósofo estoico intui a sua
existência no cosmos, que passa então a ter qualidades positivas tipicamente
humanas: sabedoria, bondade, justiça etc. O Pórtico observa a natureza, em si
amorfa e sem sentido, como extensão ou exteriorização da interioridade racional
humana. Nessa perspectiva, o estoicismo foi o primeiro grande humanismo da
História, incapaz de compreender o mundo separadamente do homem.
Por obra do estoicismo, o objeto (o cosmos) foi posto sob a mesma rubrica
ontológica caracterizadora do sujeito (o ser racional), e assim se operou essa
espécie de dialética mediante a qual o lógos, interior ao homem, se manifestou
em todas as coisas que lhe são exteriores e, por isso mesmo, apenas
aparentemente opostas. Não há oposição entre o humano e o mundo porque ambos
são tributários do lógos, ambos são expressões ou momentos parciais da razão,
que se apresenta em sua inteireza quando o pensamento estoico, exteriorizando o
interior, supera os dualismos e os integra em um continuum espaço-temporal que,
ao fim e ao cabo, se identifica com todo o Real. Coube aos estoicos reunificar
o lógos - antes dilacerado pelos sofistas, que o fraturaram em phýsis e nómos -
e recuperar a unidade perdida intuída pelos pré-socráticos.
A Física estoica enxerga o mundo como um ser vivo,25 um animal sábio26 e
totalmente racional27 governado pela Providência (pronoia),28 dono de uma única
alma e de uma única substância, às quais se dirigem todas as percepções,
impulsos e causas.29 Ademais, como a consciência é um atributo superior à
inconsciência, Zenão entende que o mundo, por ser hierarquicamente superior ao
homem, apresenta-se como ser vivo consciente.30 Este raciocínio provocou a
crítica cáustica de Carnéades, que lançando mão de um silogismo semelhante
afirmou que o mundo é um ser letrado, eis que o alfabetizado é superior ao
analfabeto.31
A phýsis se apresenta aos olhos estoicos como algo sagrado, evocando a soma
daquilo que é permanente e essencial nos fenômenos naturais.32 Há inclusive
quem classifique a Física estoica como uma "cosmobiologia".33 O mundo seria uma
unidade perfeita, divina, viva, contínua e autocriadora, regida por leis
inteligíveis e dirigida por uma espécie de Providência racional34 que se
encontra em todos os lugares. Assim, o mundo se identifica com deus e deus se
identifica com o mundo.35 É inegável o influxo de Heráclito na cosmologia
estoica: "O deus é dia-noite, Inverno-Verão, guerra-paz, saciedade-fome [todos
os contrários, é o que isto significa]".36 Também Spinoza amalgama Deus e a
natureza - Deus sive Natura, "Deus, ou seja, a Natureza", como se expressa o
filósofo -, embora nos pareça exagerado falar de uma influência direta do
estoicismo no seu pensamento.37
No sistema filosófico da Stoá, a Teologia corresponde à parte da Física
responsável pela descrição da coerência geral do universo e de seu desígnio
providencial.38 O deus estoico representa o sistema nervoso central do
universo, esse enorme animal de forma imaculadamente esférica39 que unifica a
vida, a dissemina e a partilha por inúmeros corpos particulares e determinados.
Trata-se de uma visão continuísta, dinâmica, orgânica e racional da realidade
física40 que, como já notamos, bebe da puríssima fonte de Heráclito: "Dando
ouvidos, não a mim, mas ao Logos, é avisado concordar em que todas as coisas
são uma."41
Segundo o Pórtico, há na natureza uma força (tonus) que governa o mundo e o
mantém coeso mediante diferentes tensões (hexis)42 impostas às coisas:43 trata-
se do lógos-demiurgo que imprime qualidade e movimento aos corpos, conferindo
forma à matéria (hylê) informe. Antes da ação do lógos, a matéria existe apenas
como extensão tridimensional sem qualquer outro atributo.44 O tonus pneumático
que a informa se apresenta como movimento tensivo (toniké kínesis) mediante o
qual o universo "respira", movendo-se simultaneamente para dentro e para fora.
De acordo com Nemésio, o movimento para fora produz a quantidade e a qualidade
enquanto o movimento para dentro garante a unidade e a substância do cosmos.45
Com base nessa construção, Sambursky viu no estoicismo uma antecipação da noção
de campo de força característica da Física dos nossos dias.46
O pneûma, termo grego que pode ser traduzido tanto como "espírito" quanto como
"vento", é uma substância dinâmica responsável pela coesão dos objetos
materiais, pela organização dos seres vivos, pela percepção e pela vontade dos
animais e, no homem, pela cognição e pelo entendimento.47 O lógos pneumático se
manifesta no fogo como calor, no ar como frialdade e no homem como razão,
capacidade própria de seres lógicos, ou seja, detentores da compreensão
profunda do lógos, graças à qual, de acordo com Zenão, as representações do
mundo são gravadas na alma (psychê) humana; e se transformam a cada passo,
complementa Crisipo.48 Aparenta-se o homem com os deuses, pois ambos são donos
da mesma razão, que nos deuses é perfeita e nos homens perfectível.49 Eis um
dos pontos em que Spinoza diverge dos estoicos, visto que o pensador judeu
entende que o pensamento de Deus difere completamente do nosso, uma vez que
somos apenas modos finitos de Deus.50
A ideia de deus é descrita como uma pré-noção (prolêpseis) implantada na mente
humana.51 Caso o homem utilize a sua razão retamente, não poderá deixar de
conceber a existência de um princípio criador indestrutível, eterno,
providencial e beneficente.52 Tal princípio é uno e múltiplo ao mesmo tempo.
Para um estoico, não há sentido em separar o deus único dos demais falsos
deuses. A polêmica monoteísmo versus politeísmo parece ser absolutamente
estéril e vã no tecido teórico do Pórtico. Deus encarna o princípio unitário
que percorre todo o universo como uma descarga elétrica constante, capaz de
variar as suas tensões e manifestações. Mas a unidade divina não implica
unicidade, conclui Duhot. Presente em todas as coisas, deus se manifesta na
multiplicidade de suas ações,53 o que inclusive serve como comprovação de sua
realidade ontológica.
Dentre as várias "provas" da existência de deus postas pelos estoicos,54 Algra
lista três que nos parecem particularmente interessantes e que originaram três
argumentos (trópoi) clássicos, quais sejam: a) Consenso omnium, pois a religião
e a crença nos deuses são fenômenos universais; b) Ex operibus dei, já que
podemos antever deus na estrutura ordenada e racional do universo, cuja mais
perfeita expressão reside nos movimentos regulares dos corpos celestes; e c) Ex
gradibus entium, dado que o ateísmo acarreta consequências absurdas, tal como a
afirmação de que o homem seria o melhor ente que a natureza teria a oferecer ao
cosmos. Ora, sendo o homem sabidamente imperfeito, frágil, mortal e, no mais
das vezes, vicioso e mau, a existência de um ente que lhe seja superior
constitui um imperativo da razão.55 Este argumento é particularmente
importante, dado que Santo Tomás de Aquino e Santo Anselmo parecem ter se
baseado nele para provar a existência do Deus cristão, aduzindo que uma noção
perfeita como a de Deus não poderia existir apenas como conceito na mente de
seres imperfeitos, sendo forçosa, portanto, a existência ontológica e não
apenas epistemológica de Deus. Para os estoicos, deus é aquele ser em relação
ao qual nada maior pode ser concebido.56 Diógenes Laércio caracteriza o deus
estoico como um ser vivo, imortal, racional, perfeito, pensante e dono de uma
felicidade plena, incapaz de sofrer a ação de qualquer coisa má. Não possuindo
forma humana, ele é o demiurgo e o pai de todas as coisas, pelas quais vela
continuamente. Como são muitos os seus poderes, vários também são os seus
nomes.57
A concepção dos estoicos acerca da divindade é bastante complexa,58 revelando-
se ao mesmo tempo monoteísta - deus é um ser único -, politeísta - ele se
manifesta de várias formas de acordo com os seus poderes - e panteísta -
estando em todas as partes e se expressando por meio da natureza. Segundo
Duhot, ao contrário dos neoplatônicos que fundaram sua teologia negativa na
transcendência absoluta de Deus, não ousando definir o que ele é, mas apenas o
que ele não é, os estoicos deram origem a uma hiperteologia na qual deus é
tudo. Por isso o deus estoico transcende os quadrantes limitados da nossa
lógica de oposições. Ele liga a Física à Teologia e se exprime mediante todos
os registros possíveis, sendo ao mesmo tempo transcendente e imanente, interior
e exterior, pessoa e força etc.59 Não obstante, nos chocamos ao ler no artigo
de Algra60 que se o deus estoico corresponde ao universo, ele necessariamente
deve ser finito61 e material, características que pareciam não trazer qualquer
desconforto para a Teologia do Pórtico. Na esteira do pensamento grego
tradicional, os estoicos concebiam deus como o ordenador do mundo. A matéria,
eterna e incriada, lhe seria anterior. A tarefa divina consistiria então em
conferir forma e qualidade ao ser bruto, ao substrato material que, informado
pela ação divina, se revela como universo.62 A matéria por si mesma é sem
movimento e sem forma e depende de deus para se mover e se formar.63 É deus
quem a qualifica, apresentando-se como razão na matéria. Dessa forma, a
substância é a matéria, o princípio passivo, e a causa é deus, o princípio
ativo. Long aduz que o deus dos estoicos equivale à qualificação da substância.
Esta, por seu turno, se determina somente graças à constante interação causal
com deus.64 Tal esquema de pensamento nos recorda a distinção de Spinoza entre
natura naturans e natura naturata, aquela indicando a natureza como causa
ativa, ou seja, deus identificado a uma causa livre, e aquela evocando o
aspecto passivo da realidade, que qualquer que seja ele, se dá por necessidade
da natureza de Deus65 e é como seu espelho. De maneira semelhante ao Deus
impessoal de Spinoza, o demiurgo da Stoá é extensão e pensamento ao mesmo
tempo, que mais não são do que modos diversos de se conceber a substância66
presente em todas as coisas particulares, que derivam seus modos de existência
dos atributos divinos. Cada coisa determinada é, para os estoicos e para
Spinoza, uma ideia em Deus da qual Deus é causa.67 Segundo o estoicismo e o
spinozismo, a ordem e a conexão das ideias é idêntica à ordem e à conexão das
coisas no mundo,68 daí por que o pensar e o agir são, para Deus, uma única
coisa.69
Assim como o aristotelismo, o estoicismo é radicalmente empirista, acreditando
que a existência (einai) se compõe apenas de corpos70 que interagem das mais
diversas maneiras. Tudo que existe é corpo: eis a afirmação básica do
materialismo estoico.71 Contudo, não devemos confundir tal postura com o
materialismo amorfo que caracterizou a filosofia natural dos séculos XVII e
XVIII. Esta, segundo White, via o mundo como uma espécie de composto formado
por partículas sólidas e maçudas, regidas pela mecânica causalista. Newton
ensina no seu Principia mathematica que Deus criou a matéria com partículas
compactas, duras, impenetráveis e móveis chamadas globuli, para que assim a
natureza tivesse duração constante.72 Ao contrário, para os estoicos o cosmos
não é corpuscular e nem atomístico, assemelhando-se antes a um grande corpo sem
interrupções ou emendas. De acordo com a Stoá, todo o universo material está
vivo e pulsa como um animal, daí porque White prefere falar em vitalismo e não
em materialismo.73 No mesmo sentido, Brunschwig contrapõe a postura
teleológico-vitalista dos estoicos à visão antiteleológico-mecanicista própria
dos epicuristas.74 De fato, os estoicos não se confundem com os "filhos da
Terra" criticados por Platão no Sofista (246a-b) e que só acreditam na
realidade do que pode ser tocado e oferece resistência.75 Concordamos com Duhot
quando ele reprova estudiosos que utilizam conceitos contemporâneos e
classificam o estoicismo como um simples materialismo que dissolve deus em
interpretações físicas racionalistas.76 Na verdade, o materialismo estoico foi
uma reação contra o idealismo extremado de Platão, que conferindo primazia à
Ideia e às formas puras, rebaixou a matéria a um status ontológico inferior.
Se, como quer Platão, entendermos que a matéria é indigna de integrar o corpo
de deus, somente poderemos chegar a duas conclusões, ambas inaceitáveis para o
finalismo otimista do Pórtico que vê no cosmos um sistema unívoco, contínuo,
belo e racional: ou o mundo é uma criação imperfeita de deuses intermediários e
subalternos, como afirmarão os neoplatônicos, ou constituiu o resultado do
trabalho de um deus malévolo, raciocínio coerente desenvolvido pelos gnósticos.
Ao assumir que tudo é corpo, a Stoá não limita a esfera de seu conhecimento. Ao
contrário: para nela inserir elementos intangíveis como a alma e as virtudes,
os estoicos acabam por corporalizar quase todo o universo, pois para eles corpo
é tudo aquilo que pode agir ou sofrer ação e não simplesmente o que é
palpável.77 Ademais, como nos recorda Duhot, a Física do Pórtico não conhecia o
princípio da inércia, segundo o qual um corpo tende a manter o seu estado de
movimento ou de imobilidade. Com tal postulado em mente, físicos modernos como
Newton puderam conceber o universo à semelhança de um grande relógio que, uma
vez posto a funcionar por Deus mediante um "peteleco" inicial, mantém-se
indefinidamente em movimento. Por seu turno, os gregos em geral e os estoicos
em especial somente poderiam imaginar um universo ativo pressupondo também a
existência de um ser que constantemente o ordena e vigia. Este ente é o deus da
Stoá, que para agir no cosmos precisa ser um corpo. Toda ação física a
distância é tida como impossível para o Pórtico, razão pela qual seu deus é
corpóreo e está em todos os cantos do universo, tocando-o na integralidade de
sua superfície, imanente e necessário a todos os fenômenos físicos. Desse modo,
a Física estoica parece ser causalista, inadmitindo a existência de movimentos
sem causa no universo. Se houvesse algo no cosmos como uma causa incausada,
todo o edifício racional da realidade desabaria. Todavia, lembremo-nos da
advertência de Aubenque, para quem o termo "causalismo" se revela impróprio
para descrever a mecânica cósmica do Pórtico. Acreditar na ação de determinadas
causas produtoras de certos efeitos implica conceber séries causais autônomas e
limitadas. Contudo, para a Stoá tudo está ligado: não há séries causais
separadas, mas antes um tipo de simpatia universal, uma teia que unifica todos
os eventos do mundo de maneira harmônica e racional, coordenando o movimento do
todo e a coesão da substância.78 Tal concepção afasta radicalmente o Pórtico
das ideias próprias do epicurismo, escola que não admite nenhum finalismo
cósmico e nem reconhece qualquer racionalidade na Providência.79
Baseando-se em certas ideias de Heráclito, os estoicos descrevem os dois
princípios (archai) - básicos, incorpóreos, informes e indestrutíveis - que
regem o universo corpóreo: o primeiro, passivo (to paschon), radica-se na
matéria, e o segundo, ativo (to poioun), identifica-se com a força racional que
age sobre essa mesma matéria.80 Segundo Hahm, o estoicismo redistribuiu as
quatro causas de Aristóteles em dois blocos, de maneira que o princípio ativo
congregaria a causa motriz, a causa formal e a causa final, enquanto o
princípio passivo corresponderia à causa material.81 O princípio passivo é
amorfo e não possui poder de coesão ou de movimento. Já o princípio ativo é
chamado de deus, de destino ou simplesmente de logos.82 Ele é eterno e se move
por si próprio, sendo responsável por toda forma, qualidade, individuação,
diferenciação, coesão e mudança no mundo. Para Crisipo, o princípio ativo se
compõe de elementos leves e sutis, como o são o fogo - também chamado de
ether83 - e o ar, enquanto o princípio passivo é feito de elementos mais rudes:
terra e água. Ambos existem em todas as coisas do universo e agem de modo
conjunto, apesar de estarem separados e de conservarem suas características e
qualidades específicas.84 A existência se mantém por força da mistura
harmoniosa dos quatro elementos, dentre os quais o fogo - chamado de artesão
por Zenão - representa um papel preponderante.85 Durante as conflagrações, a
terra, a água e o ar são reabsorvidos pelo fogo, razão seminal do mundo. Na
realidade, esses três elementos não são seres diversos do fogo; são o próprio
fogo, que se apresenta de diversos modos devido às diferentes tensões internas
que o informam. Pode-se dizer então, com Bréhier, que todos os corpos são
momentos ou aspectos da existência de um único ser, o fogo, cuja história
corresponde à história do mundo.86
O universo existe graças a uma espécie de harmonia que garante o acordo de
todas as coisas terrestres e celestes.87 É que, segundo os estoicos, existem
três tipos básicos de mistura: a) a justaposição, em que partes de elementos
diferentes são mescladas, mas não dão origem a um terceiro elemento, como na
mistura de sal e açúcar; b) a fusão, em que se cria um novo ente com base na
mistura de outros; c) a mescla total (krasis di'holón, total simul), na qual a
mistura destrói os elementos originais mantendo, contudo, as suas propriedades
específicas. Nesta terceira espécie de mistura os elementos originais podem ser
sintetizados novamente e extraídos da mescla. De acordo com a Física estoica, é
este tipo de mistura que compõe o universo, o que explica a necessidade das
periódicas conflagrações em que os elementos originais - fogo, água, ar e terra
- são separados da mescla para se associarem novamente em um novo ciclo.88 Com
base em Alexandre de Afrodísias, White explica que por conta da mistura
universal deus permeia toda a matéria, formando-a e conformando-a,89 da mesma
maneira que a alma faz com o corpo, estando em todos os seus lugares ao mesmo
tempo.90 Há contato por toda a parte e não simplesmente uma série de elementos
causais que fazem girar o cosmos. No universo estoico tudo está ligado a tudo.
Não importa o tamanho da área tridimensional ocupada pela mescla total, uma vez
que ela se espalha por todo o universo. Chegamos assim a entender que ela não é
constituída por corpúsculos ou pedaços que se unem, mas por um único grande
corpo no qual inexistem junções ou superfícies separadas.91 Com o estoicismo
inaugura-se o anticorpuscularismo, teoria segundo a qual todos os corpos
apresentam estrutura radicalmente contínua, o que parece a White bem pouco
promissor para o desenvolvimento da Física contemporânea.92 Ele está errado.
Antecipando algumas teses da Física Quântica com a ideia de mescla total, os
filósofos do Pórtico puderam afirmar a interpenetrabilidade dos corpos, eis que
não há espaços vazios no mundo. Todos os corpos estão misturados em todos os
seus pontos, não havendo conteúdo e nem continente: tudo está em tudo.93
Os estoicos oferecem uma visão global e unitária do mundo pretendendo nos
convencer de que há um governo racional da realidade.94 O universo se apresenta
como corpo unificado que se diversifica pela ação das várias tensões internas
que determinam o lugar de cada corpo aparentemente particular na tessitura do
cosmos.95 Segundo a Stoá, há apenas um lugar absoluto no mundo, ocupado pela
sua alma, o único corpo verdadeiro. A alma do mundo penetra os corpos parciais
e é penetrada por cada um deles em lugares específicos, o que cria a ilusão da
pluralidade de corpos.96 Os limites (pérata) entre os corpos subsistem apenas
na mente enquanto "ficções de geômetras"97 e, como tal, são meros construtos
intelectuais98 e não propriamente incorpóreos, como os classifica Plutarco em
prejuízo do Pórtico.99 Se os limites fossem incorpóreos, um corpo iria tocar
outro com e em algo imaterial. Assistiríamos assim à ação de um incorpóreo, o
que é impossível, por ser este ente totalmente passivo. Em uma tal hipótese, a
Física estoica seria destruída.
A Cosmologia estoica não admite o atomismo dos epicureus, inscrevendo-se entre
as teorias filosóficas antigas que descreviam a realidade como um continuum100
indeterminado - mas determinável - de espaço.101 Uma das grandes intuições do
Pórtico, que novamente pressagiou as atuais concepções da Física Quântica,
reside na crença de que os corpos são divisíveis ao infinito, não havendo que
se falar em unidades básicas da existência. Para os estoicos, qualquer parcela
de um corpo pode ser fracionada indefinidamente, o que garante a linearidade e
a unicidade de seu sistema cosmológico. O lógos se manifesta em cada uma das
partes e, ao mesmo tempo, em todo o universo, penetrando o Real de modo
inteligível e progressivo: nos ossos o lógos se mostra como força de coesão;
nas plantas, como princípio de crescimento; na parte diretora da alma, revela-
se enquanto intelecto102 que irmana homens e deuses. Trata-se de uma scala
naturae pela qual a razão está em todos os corpos, do mais bruto ao mais
sutil.103 Perpassando toda a realidade, o lógos estoico inaugura um
materialismo sui generis, integralmente racional, unificado e fundamentado em
uma causalidade inescapável própria de um continuum energético de corpos.
Para comprovar a tese estoica acerca da comunicação entre todos os elementos do
mundo, Crisipo oferece uma resposta paradoxal ao problema do continuum espacial
posto por Demócrito, que nos convida a considerarmos um cone e as suas várias
seções cônicas, circulares e vizinhas. Se afirmarmos que tais seções são
desiguais umas das outras, de maneira que há seções menores e maiores de acordo
com o aumento da abertura circular do cone, devemos forçosamente admitir que a
superfície (epiphaneía) do cone é irregular e não lisa, pois as diferenças
entre os tamanhos das seções, ainda que mínimas, produziriam rugosidades, o que
não corresponde à realidade fenomênica. Por outro lado, se entendermos que as
seções são iguais, não se trata, obviamente, de um cone, mas de um cilindro.
Pois bem, Crisipo resolve o paradoxo afirmando que as seções cônicas não são
iguais e nem desiguais entre si:104 elas simplesmente não existem, assim como
não existe qualquer divisão no espaço.105 Todos os corpos são, em última
análise, um único e imenso corpo: o universo. Nele tudo está interligado e
somente por meio de operações mentais arbitrárias falamos em partes e em todo.
Tudo está conectado porque tudo é um único corpo. Acreditar que os corpos
terminam onde percebemos as suas superfícies não passa de um erro grosseiro,
uma ilusão proporcionada pelos nossos sentidos imperfeitos. De acordo com a
Stoá, os corpos não se tocam por meio de suas superfícies; eles se
interpenetram. O que experimentamos sensivelmente como a aparente superfície de
determinado corpo nada mais é do que o começo de sua degradação progressiva,
que termina apenas nos limites exteriores do universo (to hólon) que fazem
fronteira com o vazio.106 Por meio da mescla total, a racionalidade cósmica
estoica une sem confundir, encontrando a unidade na diversidade fenomênica. Por
isso estamos sujeitos a uma única lei natural (nómos physikós), poderosa o
suficiente para sujeitar o mundo a ciclos periódicos nos quais tudo se dissolve
pela ação das conflagrações (ekpyrôsis). Mas o cosmos é eterno. Deus não o
destrói, apenas o consome por meio das conflagrações de modo a recriá-lo
infinitamente a partir da unidade primeva.107 A teoria das conflagrações foi
gestada pelo antigo estoicismo para fazer face ao criticismo dos peripatéticos.
Baseados nos argumentos de Aristóteles (De caelo 279b et seq.), eles
acreditavam na eternidade do mundo.108 Também os Acadêmicos, avessos aos
dogmatismos estoicos, negavam o eterno retorno que fundamenta as conflagrações
periódicas. Dentro da própria Stoá surgiram dissensões. Boetus, discípulo de
Diógenes de Babilônia, se perguntava como o ser pode surgir do não-ser, pois
segundo a ideia tradicional o mundo seria totalmente destruído para depois
renascer do nada. E mais: de que se ocupa deus durante as conflagrações? Quais
seriam as causas desse cataclismo, já que nada externo ou interno ao universo
pode extingui-lo?109 A reação ortodoxa não tardou. Explica o Pórtico que o
motivo das conflagrações reside na gradativa falta de umidade no mundo,
fenômeno que seca o cosmos e provoca periodicamente um incêndio purificador.
Segundo o testemunho de Crisipo, o mundo arde quando não resta mais água sobre
a terra, o que ocorre a cada 365 vezes 18.000 anos.110
Provavelmente os estoicos tinham em mente o grande ano (annus magnus ou
perfectus)111 - aludido por Platão (Timeu, 39d) e por Cícero112 - quando
imaginaram as conflagrações. Grande ano é o período que os corpos celestes
levam para se encontrar todos na mesma posição relativa, i.e., uns em relação
aos outros. Parece que o conceito foi introduzido por Pitágoras,113 tendo sido
de capital importância para os alquimistas, que nele viam sentidos hermético-
propiciatórios. A postulação do grande ano também foi fundamental para a
astronomia indiana, que o conheceu graças a fontes gregas hoje perdidas.114 Os
medievais calcularam-no em 15.000 anos solares, enquanto modernamente diz-se
que equivale a 25.868 anos solares,115 tempo que o ponto da Primavera leva para
percorrer todo o Zodíaco.116 Assim, as conflagrações ocorreriam a cada grande
ano,117 quando a Terra, as estrelas e os demais corpos celestes estivessem
posicionados exatamente como estavam no momento da criação do cosmos. Na
tessitura teórica do estoicismo as conflagrações garantem a preeminência do
princípio da mudança na continuidade, garantidor da incorruptibilidade do fogo-
demiurgo original que, diferentemente do fogo comum integrante dos quatro
elementos,118 identifica-se com Zeus,119 o pai de todas as coisas e senhor do
tempo.120 A teoria das conflagrações demonstra a constância da Providência
condutora do mundo, valendo como garantia contra as mudanças e a aparente
instabilidade das coisas: o destino de tudo é conflagrar-se, queimar-se no
fogo-artesão descrito por Heráclito e renascer para cumprir periódicos ciclos
cósmicos.
Segundo Sêneca, após o mundo ter se dissolvido e os deuses terem se mesclado em
um só com a suspensão momentânea das leis da natureza, Júpiter, confiando em
si, recolhe-se à sua interioridade para meditar e dar origem novamente ao
mundo, postura que deve ser imitada pelo sábio estoico quando se encontra em
situações tidas pelos homens comuns como negativas. Espelhando-se no Júpiter
das conflagrações, o sábio deve se concentrar em si, ficar sozinho consigo
mesmo121 e criar um novo universo ético. Com base em evidências doxográficas da
autoria de Orígenes e de Plutarco, White nos diz que o deus estoico existe em
sua plenitude apenas durante as conflagrações, quando o todo se recolhe ao todo
e o bem-razão se concentra. Durante a conflagração deus detém o todo da
substância (tèn hólen ousían), sendo que nesse momento a alma do mundo cresce
continuamente até consumir toda a matéria, interiorizando-a.122 Diferentemente,
nos períodos "normais" da existência do mundo, deus se apresenta apenas
enquanto imanência, identificando-se com o princípio ativo ou alma universal, o
que levou muitos filósofos antigos a criticarem o estoicismo por confundir, na
pessoa de deus, os conceitos de matéria e forma. Os estoicos responderam
dizendo que as qualidades das coisas corpóreas são, elas mesmas, corpos,123 com
o que a imanência formal de deus passa a ser entendida como elemento material.
Durante a conflagração tudo se reverte ao princípio ativo, tudo se transforma
em fogo e em espírito (pneûma). Panécio dissente da ortodoxia estoica em razão
desse ponto específico. Para ele não há conflagrações, eis que o mundo seria
eterno. Isso também indicaria que, ao contrário do que pensavam Zenão e
Crisipo, o mundo não é um ser vivo, já que nenhum animal pode viver para
sempre.124 Profundamente materialista, Panécio julga impossível que o mundo se
reverta ao princípio ativo, assim como é impensável que a alma sobreviva sem o
corpo. Na verdade, diz Panécio, a mistura entre os quatro elementos configura-
se como uma proporção constante e eterna.125 Contudo, a ideia de proporção ou
medida perpétua que guia e mantém unívoco o universo não parece ser conflitante
com a possibilidade das conflagrações; ao contrário, estas pressupõem aquela. A
tese de Panécio não resiste à argumentação de Heráclito, inspiração maior do
Pórtico: "Esta ordem do mundo [a mesma de todos] não criou nenhum dos deuses,
nem dos homens, mas sempre existiu e existe e há-de existir: um fogo sempre
vivo, que se acende com medida e com medida se extingue".126
A Física do estoicismo não se resolve em qualquer evolucionismo, dado que o
mundo e os homens são sempre os mesmos nos infinitos ciclos cósmicos que
atravessam. No ritmo vital de Zeus assentam-se as noções de estabilidade e de
mudança, visto que os ciclos são necessários e não lúdicos ou gratuitos. O fogo
original se entremostra absoluto, fatal e imodificável, tal como a fortaleza
moral no homem de virtude, que não se incomoda com aquilo que lhe é
exterior.127 O mundo se dilata no vazio infinito e arde graças à ação do fogo-
demiurgo, que é o próprio Zeus. Garante-se assim a vitalidade cósmica e o
dinamismo do lógos, que submete o universo à lei do eterno retorno, tudo
regenerando e divinizando. Na contramão de Platão e de Aristóteles e retomando
o pensamento pré-socrático, os estoicos entendiam que o mundo deve ser
corruptível, já que é produto de geração. Segundo a imutável lei da natureza,
tudo o que nasce deve morrer, inclusive o mundo. Todavia, ele renasce
continuamente pela ação da palingenesia.128 Depois da conflagração, o universo
se refaz e se apresenta exatamente como era antes, inclusive com as mesmas
pessoas, que repetirão os mesmos atos e viverão as mesmas vidas.129 Haverá de
novo um Sócrates e um Platão, comenta o bispo e filósofo neoplatônico Nemésio
com fincas em textos estoicos hoje perdidos.
Não podemos então falar em novos ciclos, mas antes na infinita recorrência130
de um mesmo ciclo131 que se repete indefinidamente.132 Tal ocorre assim porque
o mundo, governado pela razão, se organiza da melhor maneira possível, o que
corresponde a apenas uma possibilidade entre infinitas outras. Isso quer dizer
que, para o Pórtico, o mundo como é corresponde exatamente ao mundo como deve
ser segundo a lei cósmica, motivo pelo qual nada pode ser renovado com as
conflagrações, que criam sempre o mesmo mundo porque ele é o melhor dentre
todos os possíveis.133 O mundo compõe-se assim de uma substância única que
mantém as coisas em constante movimento, umas cedendo lugar às outras
periodicamente segundo a lei do eterno retorno134 na qual Borges viu a marca
indelével do pensamento hindu, presente tanto na filosofia pitagórica como na
estoica. Segundo os antigos Vedas, o mundo morre e renasce infinitamente,
repetindo grandes ciclos que se contam por calpas, unidade de medida que
transcende a imaginação humana.135
Conclui-se assim que para os estoicos, à diferença dos epicuristas, a Física
não se identifica com um simples processo de explicação e de desmistificação da
realidade natural, correspondendo antes a uma moral e a um modo de vida
racional. A Física estoica já é sabedoria e não apenas um simples meio para
alcançá-la.