A força dos partidos "fracos"
INTRODUÇÃO
Ao se aproximarem as eleições para prefeito de 2008, os jornais de maior
circulação do país deram destaque à escolha de candidatos nas cidades de Belo
Horizonte e São Paulo. O que chamou a atenção da imprensa foram as disputas no
interior dos principais partidos quanto à estratégia de coligação e quanto à
indicação do candidato.
O Partido dos Trabalhadores (PT) se dividiu quanto à candidatura à Prefeitura
de Belo Horizonte. O diretório do partido no nível local propôs uma aliança em
torno do candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB). O problema é que
esta aliança incluiria o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB),
adversário ferrenho no nível federal. Apesar de este arranjo ser considerado a
melhor estratégia no nível local, a Executiva Nacional do PT não concordou e
vetou a coligação com o PSDB. O PSDB se retirou formalmente da coligação, não
lançou candidato próprio, mas manteve apoio não oficial à candidatura do PSB
que, no entanto, perdeu um tempo precioso de seu horário gratuito de propaganda
eleitoral.
Em São Paulo, a maior cidade do país, a disputa se deu no interior do PSDB. O
partido viu-se dividido entre lançar um candidato próprio e apoiar o prefeito
Gilberto Kassab. Filiado ao Democratas (DEM), Kassab foi eleito vice-prefeito
na coligação com o PSDB em 2004 e assumiu a Prefeitura em 2006, quando José
Serra renunciou ao cargo para concorrer ao governo do Estado. A candidatura
própria parecia a melhor estratégia para o PSDB local. O candidato proposto,
Geraldo Alckmin, ex-governador do Estado, aparecia entre os primeiros colocados
nas pesquisas de opinião pública, enquanto o prefeito em exercício ficava bem
atrás. No entanto, a aliança com o DEM era vista como estratégica pelo
governador José Serra, em função de sua pretensão de se candidatar à
Presidência da República. Nas últimas horas que antecederam a convenção houve a
retirada da chapa que propunha a aliança com o DEM e vingou a candidatura
Alckmin.
Os dois episódios descritos acima evidenciam a existência de disputas internas
nos partidos e mostram que essas disputas envolvem a utilização de mecanismos
pouco conhecidos e estudados pelos cientistas políticos.
O presente artigo pretende analisar o processo de tomada de decisão no interior
dos partidos, identificando os mecanismos institucionais fundamentais para que
as lideranças tenham controle sobre suas organizações. Veremos que os partidos
se diferenciam quanto ao maior ou menor controle sobre o processo de tomada de
decisão e que esta diferença ajuda a entender melhor as estratégias eleitorais
desses partidos.
O artigo se desenvolverá da seguinte maneira: na primeira seção discutiremos o
conceito de partido chegando a uma definição do que são partidos fortes e
partidos fracos; na segunda seção examinaremos como os partidos funcionam
focando nos mecanismos de controle à disposição das lideranças partidárias; na
terceira seção veremos qual o impacto destes mecanismos de controle nas
decisões de lançar ou não candidatos em eleições majoritárias.
O QUE SÃO PARTIDOS FORTES E FRACOS?
Para a grande maioria dos autores que analisam o sistema político brasileiro
nossos partidos são fracos. Bolivar Lamounier, em seu trabalho com Rachel
Meneguello, salientou que "a complexidade da sociedade brasileira, a razoável
modernidade do aparelho de Estado, para não falar do dinamismo da economia,
tudo isso forma um contraste intolerável com o evidente subdesenvolvimento das
instituições de intermediação política" (1986:9). Para Rodrigues (2002)
"excetuando-se os partidos de esquerda, os demais não passariam de legendas
despidas de qualquer estrutura organizatória". Morgenstern e Vasquez-Delía
(2007:148) observam recentemente que, com a exceção do PT, os partidos tendem a
se organizar "as weak and decentralized organizations".
Para autores como Samuels (1997), Ames (2001) e Mainwaring (1991 e 1999) essa
fraqueza seria caracterizada pela falta de controle dos partidos sobre seus
membros. Essa falta de controle seria a consequência lógica da aplicação do
modelo de escolha racional à realidade brasileira. As regras eleitorais
vigentes no país, notadamente a representação proporcional de lista aberta,
criariam incentivos a um comportamento individualista por parte dos políticos.
Como as lideranças partidárias não teriam controle sobre a formação da lista
elas não teriam controle sobre o comportamento de seus membros1.
Outros autores possuem uma visão mais positiva dos partidos como Figueiredo e
Limongi, (1995 e 1999), Melo (1999 e 2000), Nicolau (2000), Schmitt, Carneiro e
Kuschnir (1999), Peres (1999). Mas esta visão positiva se resume à arena
parlamentar e não leva em conta a organização partidária. Na arena eleitoral a
visão preponderante é de que a ausência dos partidos de massa levaria à
fragmentação e à instabilidade do sistema partidário.
No entanto, poucos autores olharam para o interior da organização partidária
para ver até que ponto as lideranças de fato controlam ou não esse
comportamento, até que ponto os partidos estariam despidos de qualquer
estrutura organizatória ou até que ponto suas organizações seriam
descentralizadas.
Hoje, diante da falta de embasamento empírico dos estudos citados, devemos
voltar nossas atenções para a organização partidária procurando identificar
quais os formatos que os partidos brasileiros adotaram.
Panebianco (2005) sugere uma tipologia da "ordem organizativa" dos partidos na
qual a principal característica definidora é o grau de centralização/
descentralização do poder no interior da organização.
Conforme a tipologia de Panebianco, quanto maior o controle que a coalizão
dominante (os dirigentes) tem sobre os recursos partidários e quanto maior seu
poder frente aos outros grupos, mais estável é esta coalizão. Teríamos assim,
de um lado, partidos oligárquicos ou monocráticos com coalizões dominantes
fortes e estáveis e, de outro, partidos poliárquicos divididos e instáveis. O
que importa para caracterizar a fisionomia de um partido é o grau de
centralização/descentralização do poder da coalizão dominante.
O nosso intuito, nesta primeira seção, é descrever a fisionomia dos partidos
brasileiros. Para isso adotaremos a perspectiva de Panebianco. Buscaremos
entender o funcionamento dos partidos brasileiros mostrando como, a partir das
escolhas das regras internas de funcionamento e de sua organização, esses
partidos exercem controle sobre as decisões estratégicas, lidam com as disputas
internas e se diferenciam.
Neste trabalho adotaremos a seguinte definição:
Um partido político é uma associação de pessoas que tem como fim a conquista do
poder atuando na arena eleitoral - ao selecionar candidatos, apresentar
propostas, mobilizar o eleitorado - e na arena decisória conquistando e
mantendo maiorias2.
Outra distinção que faremos é entre partidos fortes e partidos fracos:
Um partido forte é aquele em que a direção partidária3 controla as decisões
internas, notadamente as estratégias de participação nas arenas eleitoral e
decisória.
Vale notar que a distinção fraco/forte se atém a critério similar ao empregado
pela literatura neoinstitucionalista. Para esta, um partido é forte quando sua
liderança controla os recursos que definem carreiras políticas, notadamente o
acesso à lista partidária. Como veremos em seguida, a perspectiva que adoto
precisa o momento em que este controle se dá, isto é, considera o controle das
lideranças sobre as convenções partidárias, momento em que o partido toma
decisões eleitorais cruciais: se lança candidatos ou se coliga e que candidato
irá lançar.
COMO FUNCIONAM OS PARTIDOS BRASILEIROS
Os partidos brasileiros podem lançar candidatos aos três níveis de governo:
municipal, estadual e nacional e seus corpos legislativos correspondentes. A
estrutura partidária corresponde a essa divisão federativa e se organiza em
diretórios municipal, estadual e nacional.
Os órgãos mais importantes na estrutura dos partidos pesquisados4 são os de
deliberação (convenções) e de direção (diretórios e comissões executivas). As
convenções escolhem os dirigentes partidários e decidem sobre candidaturas e
coligações eleitorais. Os diretórios, por meio da comissão executiva, cuidam do
dia a dia do partido, definindo as regras de funcionamento das convenções, a
decisão de intervir em diretórios regionais ou municipais, a aplicação de
penalidades aos membros do partido, entre outras. Pode-se dizer que a vida
partidária se resume à disputa pelo controle destas instâncias.
Formalmente a organização do partido se dá da base para o topo, do nível
municipal para o nível nacional, como mostra a Figura_1. Cabe à convenção
municipal (antecedida pelas convenções zonais em cidades com mais de um milhão
de habitantes) escolher os membros do diretório municipal que, por sua vez
escolhem os membros da comissão executiva municipal. A convenção municipal
também escolhe os delegados à convenção regional. A convenção regional escolhe
os membros do diretório regional que por sua vez escolhem os membros da
comissão executiva regional. A convenção regional também escolhe os delegados à
convenção nacional que por sua vez escolhe os membros do diretório nacional que
irão formar a Comissão Executiva Nacional (CEN). A linha pontilhada na Figura
1, que vai das instâncias superiores em direção às instâncias inferiores,
aponta a possibilidade de intervenção das primeiras nas segundas.

Como são escolhidos os dirigentes
Para um político se tornar parte da direção partidária é necessário ser eleito
membro da comissão executiva e, para isso, é preciso participar de uma chapa e
obter a maioria dos votos na convenção.
Com exceção do PT, que adotou o Processo de Eleições Diretas (PED), todos os
partidos pesquisados adotam formalmente o sistema de listas fechadas5. O
primeiro órgão a ser escolhido é o diretório municipal. Os postulantes a uma
posição neste diretório se juntam em uma ou mais chapas que são apresentadas
aos delegados. Se houver apenas uma chapa esta é eleita se obtiver 20% dos
votos, se houver mais de uma chapa vence aquela que obtiver mais de 80% dos
votos ou, então, os cargos do diretório são distribuídos proporcionalmente à
votação de cada chapa. Nas chapas também constam os delegados à convenção
regional. O mesmo sistema de chapas é utilizado nas convenções regional e
nacional.
Uma vez eleito o diretório, este escolhe, geralmente por maioria absoluta, os
componentes da comissão executiva, entre eles, o presidente e o secretário
geral do partido.
Como, formalmente, a escolha de dirigentes começa no nível local poderíamos
esperar que divisões regionais no interior do partido se refletissem em
divisões na coalizão dominante. Se nos ativermos apenas aos aspectos formais,
os partidos brasileiros poderiam ser caracterizados como poliárquicos, seguindo
a tipologia de Panebianco, com pouco controle sobre a organização e sobre as
decisões partidárias. A pequena literatura que pesquisou o processo de escolha
de dirigentes (ver Mainwaring, 1999) se baseou apenas neste aspecto formal do
processo para afirmar que a organização partidária também criaria incentivos
para o comportamento autônomo dos políticos.
COMISSÕES PROVISÓRIAS
Apesar da adoção formal do sistema de listas fechadas para a escolha de
dirigentes, que daria um caráter poliárquico aos partidos brasileiros com o
poder dividido entre os diferentes níveis organizacionais, na prática, as
lideranças têm um recurso normativo que permite o mais absoluto controle sobre
a formação das listas. Trata-se do instituto das comissões provisórias (CPs).
Quando um partido surge, conforme a legislação, ele tem um ano para conseguir
um número mínimo de filiados que permita a realização de convenções e a
constituição de diretórios em pelo menos nove estados. Durante este período
todo partido se constitui com comissões executivas provisórias em todos os
níveis em que se faz presente. O nível mais alto nomeia as comissões
provisórias dos níveis inferiores.
Depois de um ano, se o partido conseguiu um número mínimo de filiados em uma
localidade, a comissão provisória deve convocar as primeiras convenções que
irão formar o partido. Essas convenções irão formar os diretórios de caráter
permanente. Uma vez formado o partido, as próximas convenções serão convocadas
pelos diretórios constituídos.
Assim, na origem do partido temos uma situação precária e pouco
institucionalizada, na qual quem determina as regras e escolhe os dirigentes é
uma pequena parcela de pessoas que forma a Comissão Provisória Executiva
Nacional (CPEN). Teoricamente, passado um ano, o partido entraria em sua forma
organizada com chapas concorrendo pelo voto de membros das convenções
partidárias e essas convenções decidindo quem serão os futuros dirigentes; a
não ser naquelas localidades onde não haveria um número mínimo de filiados.
O Gráfico_1 compara a proporção de comissões provisórias municipais observadas
nos partidos pesquisados com a proporção que deveriam ter conforme as regras
estatutárias e o número de filiados6.
[/img/revistas/dados/v54n1/07g01.jpg]
Todos os partidos possuem mais comissões provisórias do que seria de se
esperar. A diferença entre o observado e o esperado que é de 9% no Partido
Trabalhista Brasileiro (PTB) e chega a quase 60% no caso do Partido
Progressista (PP). Três partidos (Partido Democrático Trabalhista (PDT), PSDB e
PP) possuem 30% a mais de comissões provisórias do que o previsto nos
estatutos.
Cinco dos sete partidos estudados não deveriam ter mais de 20% de comissões
provisórias, dado o número de filiados. Apesar disso, uma parte desses partidos
ainda funciona como se estivesse no momento de origem, isto é, ainda se
constituem, em grande parte, como comissões provisórias.
As implicações disto para o controle partidário são claras: como são os
dirigentes partidários que escolhem os membros das comissões provisórias, são
eles também que escolhem os delegados às convenções. Quando as comissões
provisórias formam parte significativa dos órgãos partidários esses dirigentes
possuem grande controle sobre as convenções, pois controlam parte significativa
dos votos.
A Tabela_1 mostra como os partidos pesquisados estão organizados no nível
municipal em uma amostra de municípios brasileiros7. Ela mostra, por exemplo,
que o PP e o PTB são os partidos que possuem o maior número de comissões
provisórias municipais, 68% e 63%, respectivamente. Eles são seguidos de perto
pelo DEM, que possui comissões provisórias em 2.250 dos 4.183 municípios em que
está presente (54%). Já o PT é o partido que possui a menor proporção de
comissões provisórias, são 877 municípios em 4.436 (19,7%), seguido de perto
pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), com 26%.
[/img/revistas/dados/v54n1/07t01.jpg]
Observando a situação dos órgãos partidários municipais agregados por estado
vemos que mesmo partidos com baixo número de comissões provisórias, quando
agregadas ao nível nacional, podem possuir altas proporções destas comissões em
alguns estados, conforme a figura abaixo:
[/img/revistas/dados/v54n1/07f02.jpg]
A Figura acima mostra que há muita variação entre os partidos quanto ao modo
como estão organizados pelo território nacional e também mostra as diferenças
de organização no interior de cada partido. Essas variações por si só indicam a
necessidade de estudarmos melhor a organização partidária.
O PT é um partido solidamente organizado. Possui mais de 80% de diretórios em
14 dos 22 estados analisados. Seu maior número de comissões provisórias está no
Tocantins (45%). Paradoxalmente o número de comissões provisórias é superior à
sua média (20%) nos estados onde ele é historicamente mais forte como São Paulo
(27%) e Rio Grande do Sul (23%). Esses dois estados são berços do grupo dos
sindicalistas que fundaram e organizaram o partido.
O PDT tem mais de 2/3 de comissões provisórias em 11 dos 22 estados
pesquisados. O partido não possui ou quase não possui estrutura partidária
permanente em três estados: Roraima, Acre e Pernambuco. Assim como no PT, o PDT
apresenta pequena proporção de diretórios no Rio de Janeiro, estado de seu
líder máximo Leonel Brizola, mas é extremamente organizado no Rio Grande do
Sul, antigo reduto brizolista. O PDT tem sua maior proporção de diretórios
(97%) no Maranhão, um dos dois estados onde o partido venceu a disputa em 2006.
O PMDB é o partido que possui o maior número de órgãos partidários. Ele tem
algum tipo de organização em 4.471 dos 4.492 municípios estudados (99%). Não há
concentração regional de diretórios e os estados onde ele está mais bem
organizado são Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina com quase
100% de diretórios. Só seis estados possuem comissões provisórias acima da
média, sendo quatro deles na Região Norte.
O PSDB está mais bem estruturado nas regiões Sul e Sudeste. Em todos os estados
destas regiões para os quais dispomos de informação, o número de comissões
provisórias está abaixo da sua média (43%). O maior número de comissões
provisórias está nos estados de Pernambuco, Maranhão, Amazonas e Roraima. Em
todos estes casos a proporção de CPs passa os 80%. É interessante notar que,
embora haja uma maior concentração de diretórios no Sul e Sudeste, nesta última
região é grande a variação. Enquanto em São Paulo o PSDB apresenta 20% de
comissões provisórias, em Minas Gerais este número sobe para 46%. Trata-se dos
dois estados onde o partido é mais forte eleitoralmente.
O DEM apresenta uma distribuição em certa medida complementar ao do PSDB, seu
constante aliado eleitoral nas disputas presidenciais. Dos dez estados onde
possui o maior número de diretórios, quatro são da Região Nordeste (Maranhão,
Paraíba, Bahia e Ceará). Em quase todos os estados da Região Sul e Sudeste o
DEM possui comissões provisórias acima da sua média (54%). A única exceção é
Santa Catarina, lar de seu ex-presidente e fundador Jorge Bornhausen.
O PTB só possui menos de 50% de comissões provisórias em São Paulo e no
Maranhão. No primeiro caso são 22% e no segundo caso são espantosos 4%,
aproximadamente 60 pontos percentuais abaixo da sua média. O PTB possui mais de
95% de comissões provisórias em oito estados, entre eles Ceará, Rio de Janeiro
e Santa Catarina.
O PP só possui menos de 60% de comissões provisórias em três estados, São
Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A proporção de comissões provisórias
sobre o número de municípios em que está presente, 68% conforme a Tabela_2,
esconde o fato de que, fora destes três estados, ele está amplamente baseado em
uma estrutura precária. Em sete estados o PP conta com mais de 90% de CPs.
[/img/revistas/dados/v54n1/07t02.jpg]
A maior ou menor presença de comissões provisórias permite classificar os
partidos em um contínuo que vai do PT, o partido mais descentralizado, até o
PTB, o mais centralizado, conforme a Tabela_2.
Nesta tabela vemos que é possível distinguir três tipos de partidos: partidos
onde há um quarto ou menos de comissões provisórias e que poderíamos considerar
como partidos organizados (PT e PMDB). Partidos onde o número de comissões
provisórias se aproxima do número de diretórios permanentes e que, portanto,
consideraríamos como de organização mista (PSDB, PDT e DEM). Partidos com mais
de dois terços de comissões provisórias, que iremos considerar partidos pouco
organizados (PTB e PP).
Para manter a terminologia sugerida por Panebianco e nos fixarmos no critério
centralização/descentralização, chamaremos o primeiro bloco de partidos
poliárquicos, o segundo bloco de partidos oligárquicos e o terceiro bloco de
partidos monocráticos.
No caso dos partidos poliárquicos a organização em diretórios faz com que haja
equilíbrio de poder, nenhuma parte tem mais votos que as demais. O controle
partidário depende de constantes negociações e embates nas convenções. Tanto a
coesão quanto a estabilidade da coalizão dirigente são precárias.
[/img/revistas/dados/v54n1/07q01.jpg]
No caso dos partidos oligárquicos, poucos grupos controlam parte considerável
de votos, um grupo sozinho não pode controlar o partido, mas o pequeno número
deles facilita a coordenação, aumentando a coesão e a estabilidade da coalizão.
No caso dos partidos monocráticos a liderança está nas mãos de um só grupo que
tem a maioria absoluta dos votos e absoluto controle sobre as decisões
partidárias.
Vemos, assim, que a maior parte dos grandes partidos brasileiros se estrutura
de maneira precária. Por outro lado vimos que esta estrutura precária permite
um maior controle sobre as convenções e, portanto, sobre as decisões
partidárias.
Essa falta de estrutura faz parte de uma estratégia deliberada por parte da
direção partidária ou os dirigentes apenas estão aproveitando uma oportunidade
dada por uma dificuldade natural em se estruturar?
A prevalência de comissões provisórias poderia estar associada à dificuldade de
os partidos encontrarem filiados em localidades remotas, de difícil acesso.
Essa hipótese parece encontrar apoio no fato de que seis dos dez estados com a
maior proporção de CPs pertencerem à Região Norte. No entanto esta hipótese não
explica a média de 75% de CPs em Pernambuco, os 57% na Bahia ou os 55% no Rio
de Janeiro, 2º, 6º e 9º colocados em proporção de CPs respectivamente.
Para mostrar que os dirigentes utilizam de maneira estratégica as comissões
provisórias iremos recorrer a dois exemplos, o PTB e o DEM.
No PTB, com a incorporação do Partido dos Aposentados da Nação (PAN) em 2006,
os diretórios foram dissolvidos às vésperas das convenções partidárias e foram
instauradas comissões provisórias estaduais e distritais designadas pela
Comissão Executiva Nacional (cf. Resolução PTB/CEN Nº 044/2006).
Em 2003 não houve convenções para a formação de diretórios, mais uma vez
aproveitou-se a incorporação de um partido, desta vez o PSD. Em 1996 e 2001, a
Comissão Executiva Nacional do PTB editou resoluções que submetiam à sua
aprovação a criação de diretórios. Vemos, portanto, que a direção do PTB aborta
reiteradamente as tentativas de uma organização perene.
No DEM, a força da coalizão dominante pode ser sentida na prática, nada
incomum, de dissolução de diretórios. Como exemplo, a Resolução Nº 371, de 14/
06/2006, da Comissão Executiva Nacional dissolveu o Diretório de Goiás quando o
DEM ainda se chamava Partido da Frente Liberal (PFL). No lugar do Diretório a
Executiva designou uma comissão provisória tendo como presidente Ronaldo
Caiado.
A dissolução de diretórios serviu para acomodar forças que naquele momento
histórico serviriam melhor à estratégia partidária, como o caso de Caiado em
Goiás, Francisco Chagas Freitas no Acre, José Bianco em Rondônia e Kátia Abreu
em Tocantins. Em 2007, quando há a mudança de nome da legenda, assistiu-se
novamente à dissolução de diretórios.
Os dois exemplos mostram que, nestes partidos, há capacidade de organização. O
que ocorre é que essa organização é anulada por atos discricionários dos
dirigentes partidários. As comissões provisórias parecem servir à estratégia
eleitoral destes dirigentes.
Se, conforme a literatura, a maior centralização do controle das decisões no
interior do partido caracteriza sua força vemos que no Brasil temos sim
partidos fortes, embora esses partidos não sejam necessariamente aqueles
apontados pela literatura.
Os partidos monocráticos e oligárquicos (PSDB, PDT, PTB, DEM e PP) são
organizações fortes porque suas lideranças controlam os processos decisórios no
interior do partido, decidindo como se dará a seleção de candidatos e a decisão
de participar ou não de disputas eleitorais. As lideranças nos partidos
poliárquicos (PT, PMDB) têm maiores dificuldades em controlar as decisões em
seu interior, o que, como veremos a seguir, tem implicações diretas na
estratégia eleitoral adotada por eles.
ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA E ESTRATÉGIA ELEITORAL
Os partidos se diferenciam quanto ao controle que suas lideranças possuem sobre
as decisões internas. Nos partidos monocráticos e oligárquicos as decisões
estratégicas são tomadas por um pequeno grupo de dirigentes. Nos partidos
poliárquicos essas decisões dependem de barganha e negociação.
Nesta seção testarei a hipótese de que partidos centralizados têm menor
probabilidade de lançar candidatos do que partidos descentralizados,
controlando por outros fatores8. Isso ocorreria porque partidos mais
centralizados teriam maior facilidade em deixar de lançar candidatos apoiando
candidatos de outros partidos em uma coligação eleitoral, já que essa decisão
dependeria de poucas pessoas. Em partidos descentralizados a decisão de lançar
ou não candidato depende de barganhas internas com resultados incertos.
Isso se faz mais evidente se controlarmos também pela chance de vitória do
candidato9. Um partido nunca deveria lançar candidatos sem chance, pois a
probabilidade de se conquistar o poder aumenta se ele se coligar a um partido
com maiores chances de vitória. Em um partido centralizado isso nunca deveria
ocorrer, já em um partido descentralizado pode se formar grupo majoritário que
se opõe e veta a aliança lançando um candidato sem chance, constituindo o que
na literatura se chama "falha de coordenação".
Um partido totalmente centralizado pode eventualmente deixar de lançar um
candidato com chance se for do interesse da liderança, em um partido
descentralizado seria muito difícil para a liderança convencer o restante do
partido de que aquilo é o melhor para eles.
As duas situações descritas acima mostram que em todos os casos partidos mais
centralizados devem lançar, em média, menos candidatos do que partidos
descentralizados. Nesta seção testaremos esta hipótese.
Testando o Modelo de Entrada nas Eleições para o Governo do Estado
Para testar a hipótese de que partidos monocráticos ou oligárquicos têm menor
probabilidade de lançar candidatos do que partidos poliárquicos porque têm
maior facilidade em deixar de lançar candidatos, iremos utilizar um modelo de
entrada10 em que as principais variáveis explicativas utilizadas são a
probabilidade de vitória (que definimos como chance) e a centralização do
processo decisório.
A variável dependente do modelo é a decisão de entrada na disputa pelo governo
do estado. Os dados utilizados se referem a 328 decisões dos sete grandes
partidos de lançar candidatos em treze estados da Federação11.
O modelo que propomos é:
[/img/revistas/dados/v54n1/07s01.jpg]
Onde ENTRgov é 1 se o partido lançou candidato ao governo do estado e 0 do
contrário, CHANCE é 1 se o partido obteve mais de 10% de votos na eleição
anterior e 0 do contrário, CONPART é o número de comissões provisórias dividido
pelo número de diretórios.
Utilizamos outras duas variáveis de controle: PROX é a distância ideológica com
relação ao partido com chance mais próximo12. ESQ é 1 se o partido for de
esquerda13 e 0 do contrário. O uso destes controles se justifica pois um
partido pode lançar um candidato sem chance desde que a distância entre ele e o
partido com chance ideologicamente mais próximo seja muito grande. Por outro
lado partidos de esquerda como o PT, PSTU, PSOL, PCO estão entre os partidos
que mais lançam candidatos, o que parece indicar uma relação entre ideologia e
probabilidade de lançar candidato.
A Tabela_3 mostra os resultados do modelo.
[/img/revistas/dados/v54n1/07t03.jpg]
Os resultados mostram que, embora a variável PROX tenha o sinal esperado,
indicando que a presença de um partido próximo ideologicamente faz com que caia
a probabilidade de entrada na competição eleitoral, ela não é significativa.
Já as variáveis CHANCE, ESQ e CONPART são significativas e têm o sinal
esperado. Um partido que teve mais de 10% de votos na última eleição tem maior
probabilidade de lançar um candidato do que um partido que obteve menos de 10%
dos votos ou se coligou na última eleição. Partidos de esquerda também têm
maior probabilidade de entrar na disputa independente de sua chance ou tipo de
organização14.
O resultado mais relevante do ponto de vista substantivo é a constatação de
que, quanto mais centralizado um partido, maior a probabilidade de ele não
lançar um candidato. Este resultado mostra a relação entre organização
partidária e competição eleitoral prevista por Cox (1997), mas, até então,
ainda não testada. O Gráfico 2 mostra a relação entre a probabilidade de lançar
candidato e a concentração partidária, controlando pela chance de vitória com
um intervalo de confiança de 95%.
[/img/revistas/dados/v54n1/07g02.jpg]
Neste gráfico vemos que, quando a concentração partidária está perto de zero,
isto é, quando as lideranças partidárias não têm controle direto sobre as
decisões do partido tendo que se submeter à vontade da maioria, a probabilidade
de lançar candidatos, quando o partido não tem chance, é próxima a 60%. Já
quando as decisões partidárias estão nas mãos das lideranças, a probabilidade
de lançar um candidato sem chance cai pela metade, ficando próxima a 25%.
Também é interessante verificar que, mesmo quando um partido tem chance de
vitória, a probabilidade de entrar na disputa fica em torno de 60% em partidos
centralizados enquanto que isto ocorre mais de 80% das vezes em partidos
descentralizados.
Partidos descentralizados podem lançar candidatos sem chance por conta da
maneira como as decisões são tomadas no seu interior. Quanto mais proporcionais
as regras de tomada de decisão, isto é, quanto mais equilibradas forem as
forças nas disputas intrapartidárias, mais incertos serão os resultados destas
disputas, sendo que resultados subótimos têm a mesma probabilidade que
resultados ótimos. Exemplos disso são a candidatura Quércia em 1998 pelo PMDB e
o "suicídio político" dos militantes trabalhistas ingleses analisado por
Tsebelis (1998).
Para deixar ainda mais evidente o impacto da centralização partidária na
decisão de lançar candidatos, mostramos, na Tabela_4, as primeiras diferenças e
as razões de risco (em um intervalo de confiança de 95%) da probabilidade de um
partido lançar candidato quando se passa de uma situação onde há mais de 75% de
comissões provisórias em um estado para uma situação em que há menos de 25%,
isto é, de uma estrutura centralizada para uma estrutura descentralizada,
mantendo a variável CHANCE fixa em 0, isto é, quando, aparentemente, não há
chance de vitória.
[/img/revistas/dados/v54n1/07t04.jpg]
A Tabela_4 mostra que, quando se passa de uma situação onde um partido possui
menos de 25% de diretórios em um estado para uma situação em que este partido
tem mais de 75% de diretórios, a probabilidade de ele lançar um candidato,
mesmo quando, aparentemente, não há chance de vitória, mais que duplica
(aumenta, na média, 2,44 vezes, conforme a Razão de Risco). As primeiras
diferenças nos dizem que um aumento de 50% na descentralização partidária, isto
é, ao se passar de 25% de diretórios para 75%, acarreta um aumento médio de 32%
na probabilidade de se lançar um candidato.
Testando os Modelos de Entrada nas Eleições para Prefeitura
Infelizmente não dispomos de dados sobre a posição dos partidos no nível
municipal, portanto o modelo de entrada que usaremos no caso das eleições para
prefeito irá levar em conta as variáveis independentes CHANCE, ESQ e CP. A
variável CP substitui a variável CONPART, pois no nível municipal esta variável
deixa de ser contínua e passa a ser dicotômica: ou o partido possui um
diretório ou possui uma comissão provisória15. Essa variável tem valor 1 caso
haja uma comissão provisória do partido no município ou 0 se houver diretório.
A variável ENTRpref consiste em 37.888 decisões dos sete principais partidos
brasileiros de lançar candidatos em eleições municipais16. Assim nosso modelo
de entrada para Prefeitura se resume a:
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A Tabela, a seguir, mostra os resultados da regressão logit.
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Como podemos ver as variáveis CHANCE e CP são significativas a um nível de
significância de 0,001 e a variável ESQ, a um nível de 0,05. A Tabela_6 mostra
as primeiras diferenças e a razão de risco de um partido lançar um candidato
quando não há chance de vitória.
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A Razão de Risco nos diz que a probabilidade de um partido lançar candidatos
quando aparentemente não tem chance de vitória é quase o dobro (1,773 vezes
maior) se estiver estruturado como diretório do que se estiver estruturado como
comissão provisória de acordo com a Tabela_6. As primeiras diferenças nos dizem
que a probabilidade de lançar um candidato sem chance aumenta em 12,4% quando
se passa de uma estrutura provisória para uma estrutura mais permanente,
passando de uma média de 16% para 28%.
Esses valores são mais baixos que os valores obtidos no caso das eleições para
o governo do estado, mas também confirmam nossa hipótese de que partidos mais
centralizados tendem a lançar menos candidatos.
CONCLUSÃO
Esse artigo procurou preencher uma lacuna na literatura da Ciência Política
brasileira ao investigar como se dá o processo de tomada de decisão no interior
dos partidos. Mostramos que, ao contrário da visão dominante, há vida
partidária no Brasil e que essa vida gira em torno do controle das decisões
partidárias.
O controle sobre as decisões partidárias se dá a partir do controle sobre as
convenções. Embora formalmente as convenções sejam controladas da base para o
topo, na prática as lideranças têm mecanismos que lhes permitem controlar de
fato o processo. Esse controle irá variar conforme a direção partidária seja
mais ou menos coesa.
Assim a proporção de comissões provisórias em um partido pode ser utilizada
como proxy do grau de centralização do poder no interior do partido, quanto
mais comissões provisórias tem um partido, maior o controle que as lideranças
possuem sobre as decisões partidárias. A partir deste critério teríamos três
tipos de partidos conforme a proporção de comissões provisórias: partidos
poliárquicos organizados (PT e PMDB), partidos oligárquicos de organização
mista (PSDB, PDT e DEM) e partidos monocráticos não organizados (PTB e PP).
Essa tipologia supera a dicotomia presente na literatura corrente que contrapõe
os partidos de massa organizados e capazes de impor disciplina a seus membros
aos partidos não institucionalizados altamente fragmentados e baseados em
vínculos pessoais. Vimos, examinando as regras, que esses dois tipos ideais não
resistem a um exame que incorpore a organização partidária como variável. No
Brasil os partidos mais organizados não são necessariamente os mais coesos e os
partidos menos organizados são aqueles nos quais as lideranças têm maior poder.
Vimos também que a concentração do poder no interior da organização partidária
afeta a probabilidade de um partido entrar na disputa eleitoral. Quando se
passa de uma situação de partido altamente centralizado para uma de um partido
mais descentralizado, a probabilidade de lançar um candidato, mesmo quando,
aparentemente, não há chance de vitória, mais que duplica, isto é, partidos
poliárquicos como o PT e o PMDB são mais sujeitos à falha de coordenação, pois
suas lideranças não controlam completamente os processos de decisão de
estratégia eleitoral.
NOTAS
1. Hoje em dia essa visão se limita à arena eleitoral e já se aceita que os
partidos têm grande relevância no Legislativo conforme proposto por autores
como Figueiredo e Limongi, 1995; 1997; 1999; 2000; 2002; Amorim Neto e Santos,
2001.
2. A definição de partido político da perspectiva de seu fim, a busca pelo
poder, é adotada por diversos autores desde Schattschneider até Downs passando
por Aron e Lenin. Outros atores adotam uma definição que dá destaque ao caráter
organizacional do partido como Duverger e Weber. Adoto a primeira perspectiva
porque meu interesse está na influência da organização partidária na estratégia
de busca do poder adotada pelos partidos.
3. Entendemos direção partidária como os membros das comissões executivas e,
mais especificamente, os membros da Comissão Executiva Nacional. A direção
partidária corresponde ao que Panebianco chama de coalizão dominante.
4. Nossa análise se concentra sobre os maiores partidos brasileiros, isto é, os
partidos com um milhão ou mais de filiados em 2007: PP/PDS, PMDB, PTB, PDT, PT,
PSDB e DEM/PFL. Outros partidos seguem a mesma estruturação com exceção do
PCdoB que trabalha com comitês no lugar dos diretórios.
5. A diferença entre o PED adotado pelo PT e o processo de escolha de
dirigentes nos demais partidos é a de que no PED os filiados escolhem de
maneira direta os dirigentes, enquanto nos outros partidos os dirigentes são
escolhidos indiretamente por delgados conforme será descrito mais à frente.
6. Todos os estatutos estabelecem regras sobre o número mínimo de filiados
necessário para se constituir um diretório. Para calcular o número de comissões
provisórias previstas verifiquei, para cada partido, a quantidade de filiados
em cada município e se esse número estava abaixo ou acima do limite estatutário
para a constituição de um diretório. Os estatutos estão à disposição nos sites
dos partidos analisados. Os dados sobre filiação partidária se encontram
disponíveis no site do TSE.
7. Obtivemos informações sobre a situação do órgão partidário em 22 estados no
ano de 2009. Essa amostra dá conta de mais de 80% dos municípios brasileiros.
Ficaram ausentes do estudo os estados de Alagoas, Sergipe, Paraná e Distrito
Federal.
8. Uma possível objeção ao argumento seria a de que a relação entre o grau de
centralização e a decisão de lançar candidatos seria uma relação espúria já que
os partidos a que chamo de descentralizados seriam partidos pequenos que
lançariam menos candidatos pelo fato de possuirem menos estrutura e, portanto,
menor capacidade de lançar candidatos. Para evitar esta objeção trabalho apenas
com partidos considerados grandes quer seja pelo número de filiados, média
nacional de votos para a Câmara dos Deputados, número de cadeiras nesta Câmara
ou número de municípios em que está presente (conforme Tabela_1).
9. Definimos chance pelo desempenho na eleição anterior. Consideramos um
candidato com chance de ser eleito aquele cujo partido obteve mais de 10% de
votos na eleição anterior para o mesmo cargo.
10. Modelos de entrada procuram, utilizando análise espacial, determinar as
condições em que um candidato/partido irá participar de uma disputa eleitoral.
Ver a respeito Cox (1997), Palfrey (1984), Osborn e Slivinski (1996).
11. Isso se deve à ausência de informações sobre concentração partidária para
todos os estados brasileiros. Além disso, não temos informações sobre o número
de diretórios do PTB e o PDT no Acre no período considerado (2000 a 2008).
12. As posições dos partidos foram obtidas por meio do uso da técnica do w-
nominate utilizando como matriz as votações nominais na Câmara dos Deputados
nas 49ª, 50ª, 51ª e 52ª legislaturas. Como o w-nominate nos dá as posições
individuais de cada deputado, consideramos como a posição do partido a média
das posições dos deputados.
13. Consideramos como de esquerda o PT e o PDT.
14. Lembramos que consideramos como partidos de esquerda o PT e o PDT.
15. Casos onde não havia nenhuma estrutura consideramos missing já que um
partido sem nenhuma estrutura não pode lançar candidatos no nível municipal.
16. Os dados se referem a municípios dos estados do Acre, Amapá, Mato Grosso do
Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Foram selecionados 2662 municípios em 2000, 2675 municípios em 2004, e 2573
municípios em 2008. Os partidos são o PDT, DEM/PFL, PMDB, PP/PPB, PSDB, PT E
PTB.