Administração de medicamentos por via subcutânea: convenção ou controvérsia
para a enfermagem?
REVISÃO
Administração de medicamentos por via subcutânea: convenção ou controvérsia
para a enfermagem?
Subcutaneous medication administration: agreement or controverse for nursing?
Administración de medicación subcutáneo: acuerdo o controversia para la
enfermería?
Mitsy Tânnia ReichembachI; Marineli Joaquim MeierII; Ione Maria AschidaminiIII
IEnfermeira. Professora Assistente do Departamento de Enfermagem da UFPR.
Doutoranda em História pela Universidade Federal do Paraná, Membro do Grupo de
Estudos Multiprofissional em Saúde do Adulto - GEMSA
IIEnfermeira. Professora Adjunto do Departamento de Enfermagem da UFPR. Doutora
em Enfermagem pela UFSC. Membro do Grupo de Estudos Multiprofissional em Saúde
do Adulto - GEMSA
IIIEnfermeira. Professora Assistente do Departamento de Enfermagem da UFPR.
Mestre em Saúde e Gestão do Trabalho - Opção: Saúde da Família - UNIVALI.
Membro do Grupo de Estudos Família, Saúde e Desenvolvimento GEFASED
1. INTRODUÇÃO
Muitos são os atores no cenário das instituições de saúde. A cada um deles
médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, bem como aos
farmacêuticos compete uma ou mais atribuições específicas, de responsabilidade
legal e experiência cotidiana(1).
Ao grupo de enfermagem está associada à administração de medicamentos, de forma
correta e precisa, com o objetivo de minimizar os riscos à pessoa. Esta prática
requer experiência e exige responsabilidades(2).
É da competência dos enfermeiros supervisionar o trabalho dos auxiliares e
técnicos de enfermagem a fim de assegurar a eficácia e o conforto no cuidado. É
importante destacarmos que os possíveis erros nessa área podem ocasionar sérias
conseqüências aos pessoas(3).
A atualização constante do grupo de enfermagem pode evitar ou reduzir os erros
seja por meio de cursos intensivos, seminários ou reuniões periódicas faz-se
necessária perante a velocidade com que novos conceitos, tecnologias e
medicamentos são introduzidos na área da saúde. A modernização contínua da
equipe de enfermagem se faz necessária para dirimir possíveis dúvidas quanto
aos procedimentos relacionados aos medicamentos e suas vias de administração.
Este artigo justifica-se pela revisão da literatura que promove a descrição e
reflexão dos procedimentos envolvendo a aplicação de medicamentos por via
subcutânea, além de discorrer sobre a necessidade da educação continuada dos
enfermeiros.
2. OBJETIVOS
Revisar a literatura relacionada ao processo de administração de medicamentos
por via subcutânea.
Tecer considerações críticas acerca das diferenças desta administração, além de
discutir a necessidade premente da educação continuada para o grupo de
enfermagem nas instituições de saúde.
3. RESULTADOS
Aplicações de injeções subcutâneas estão relacionadas à administração do
medicamento no tecido conjuntivo da pessoa, ou seja, por baixo da derme(4).
Para Potter(5), os locais mais indicados para este tipo de aplicação são as
regiões superiores externas dos braços, o abdômen entre os rebordos costais e
as cristas ilíacas, além da região anterior das coxas e superior do dorso.
O tecido conjuntivo é extremamente sensível às soluções irritantes e a grandes
volumes de medicamentos e por isso, devem ser prescritas e administradas
subcutaneamente apenas doses pequenas entre 0,5 e 1,0 ml de medicamentos
hidrossolúveis.
Os enfermeiros devem estar atentos para o peso corpóreo da pessoa: é ele que
indicará a profundidade da camada subcutânea, facilitando a escolha do
comprimento da agulha e do ângulo de introdução. Para uma pessoa normal
entenda-se aqui como não obeso o profissional pode optar por uma agulha de 1,50
cm, calibre 23, introduzida a um ângulo de 45º, resultando numa administração
de medicamento satisfatória. Em pessoas obesas a injeção subcutânea deve
obedecer a um procedimento diferente: o profissional deve prensar o tecido
entre os dedos e utilizar uma agulha longa, capaz de ser introduzida através do
tecido adiposo na base da prega da pele. Sendo assim, o comprimento da agulha
deve ser da metade da largura da prega da pele. O ângulo de introdução pode
variar entre 45 e 90º.
Procedimento O autorrelaciona os seguintes procedimentos para uma correta
administração de medicamentos via subcutânea(5):
a. escolha adequada da seringa a ser utilizada, variando entre 1 e 2 ml;
b. escolha adequada de agulha a ser utilizada, variando o calibre entre 25 a 27
e comprimento entre 1,5 e 1,6 cm;
c. posicionamento correto da pessoa, que deve ser incitado a se colocar numa
posição confortável e relaxar as regiões escolhidas para aplicação da injeção;
d. atenção para a correta posição das mãos no instante de aplicar a injeção: a
seringa deve estar posicionada entre o polegar e o indicador da mão dominante.
O profissional deve segurar a seringa como se fosse um dardo, deixando a palma
da mão para cima.
e. aplicar a injeção subcutânea.
Os enfermeiros devem estar atentos às especificidades das pessoas quando da
ocasião da aplicação da injeção. Em pessoas de tamanho médio, o profissional
deverá repuxar a pele de maneira firme ou fazer uma prega com a mão não
dominante. Em seguida, deve injetar a agulha de maneira rápida e firme, a um
ângulo de 45º. Feito isso, deve então, soltar a prega da pele da pessoa. No
caso de clientes obesos, o profissional deverá fazer a prega da pele na região
escolhida e então, injetar a agulha abaixo desta prega.
Para que a administração do medicamento via subcutânea seja realmente
satisfatória, é necessário que o profissional segure o cilindro da seringa com
a mão não dominante uma vez que a agulha atinge apenas os locais de injeções
subcutâneas ou intramusculares. Em seguida, deve posicionar a mão dominante
para a extremidade do êmbolo. Os enfermeiros devem cuidar para que, no momento
da aplicação da injeção, a seringa não se mexa enquanto o êmbolo é puxado para
trás, lentamente, de forma que aspire o medicamento. Caso apareça sangue na
seringa, a mesma deve ser retirada e a agulha desprezada. Será necessário
repetir o procedimento. Segundo o autor, após a aplicação da injeção por via
subcutânea, a região deve ser massageada.
O Manual de Técnicas de Enfermagem discorre sobre a técnica de aplicação de
injeção subcutânea partindo da escolha do material necessário prescrição do
medicamento feita pelo médico, seringas e agulhas hipodérmicas ou comuns,
algodão embebido em álcool e recipiente para lixo(6). Outro autor reitera que
as agulhas hipodérmicas devem ser escolhidas de acordo com o peso da pessoa e
reforça a importância do profissional de enfermagem rever a prescrição do
medicamento e que tenha conhecimentos em Farmacologia(1). Em seguida, o
profissional deverá realizar o procedimento de assepsia mais comum dos
profissionais da área da saúde: lavar as mãos. Feito isso, deve separar o
medicamento requerido em uma bandeja. Depois ao dirigir-se à pessoa, deve
explicar o que será realizado e após proceder à aplicação da injeção. Aliás, o
cuidado com o esclarecimento às pessoas sobre suas medicações vem sendo
apresentado como uma maneira bastante eficaz de minimizar os erros de
administração destes medicamentos(3).Esta mesma pessoa poderá sugerir, junto ao
profissional, a melhor região para a aplicação da injeção. Procede-se a anti-
sepsia da pele, e na seqüência é segurada a área em torno do local da injeção
em forma de coxim. A agulha deve ser injetada de forma rápida, num ângulo de
90º se a agulha escolhida for hipodérmica (10x6 mm ou 7mm), (12x6mm ou 7mm). Se
a agulha escolhida for (25x6mm ou 7mm) sempre variando de acordo com a
espessura da pele subcutânea injetar num ângulo de 30º, 60º ou 45º. Ao final, o
enfermeiro deverá aspirar ao líquido, firmar a região e retirar rapidamente a
agulha. O autor ressalta a hemostasia e a massagem circulatória com algodão
embebido em álcool. Deixando a pessoa confortável, o profissional deverá
desprezar o material utilizado em recipiente próprio.
Igualmente ressaltam a importância de se observar o peso da pessoa para então
definir o ângulo de aplicação da subcutânea (45° a 90°) e o calibre da agulha
(5,6). Esses autores orientam massagear o local após a aplicação,
independentemente da droga administrada.
Preconiza ainda para o bom desempenho do cuidado, a lavagem das mãos e a
observância dos princípios de assepsia, bem como conhecimentos de Farmacologia
(6). Ressalta a importância da orientação ao cliente sobre o procedimento, para
desta forma diminuir a incidência de erros na administração de medicamentos.
Esclarecem que a aplicação de medicamentos por via subcutânea é também
conhecida como via hipodérmica(7). Devem ser utilizadas nestas aplicações
pequenas quantidades de soluções medicamentosas, de fácil absorção e não
irritantes para o tecido, variando entre 1 e 2 ml.
A aplicação de medicamentos por via subcutânea é indicada quando não se
objetiva uma absorção muito rápida pelo organismo, bem como para aplicação de
medicamentos específicos como insulina, adrenalina, ou vacina anti-rábica.
Procedimento- Escolhido o local para aplicação da injeção os mais indicados são
o deltóide, face externa do braço, face externa da coxa, parede abdominal e
região escapular o enfermeiro deve preparar a medicação com base na prescrição
médica, fazer a anti-sepsia das mãos, introduzir a agulha em ângulo de 90º
quando hipodérmica ou 45º quando agulhas comuns ou hipodérmicas em crianças. Ao
final, o profissional deve aspirar, injetar a medicação, retirar a agulha e
massagear após a aplicação. É importante ressaltar que em aplicações de
insulina, o local não deve ser massageado.
A adequação de um meio ambiente quimicamente seguro para a aplicação de
injeções subcutâneas é ressaltada(8). O autor também reforça que o enfermeiro
tem a opção de espalhar a pele do local escolhido para aplicação usando sua mão
dominante. Pode também, pinçar uma dobra da pele, atentando-se apenas para o
fato de, ao pinçar a pele de uma pessoa muito magra, poderá aplicar a injeção
de forma intramuscular.
Procedimento - A mão dominante do enfermeiro introduz, de forma rápida, a
agulha num ângulo de 45º ou 90º. Em seguida, puxa o êmbolo aspira. Se não
houver retorno de sangue, o medicamento deverá ser injetado lentamente. É
importante ressaltar que o medicamento heparina não deve ser aspirado pois pode
provocar lesão no tecido. Feito isso, o enfermeiro deve providenciar um algodão
embebido em álcool para colocar sobre o local, exercendo uma leve pressão,
retirando a agulha em seguida. Se necessário, o enfermeiro pode massagear o
local desde que os medicamentos administrados não sejam heparina ou insulina.
Alertam para não massagear o local após a aplicação de insulina e de heparina7
8. E salientam também a não aspiração no caso da heparina, para evitar lesão no
tecido com a formação de hematoma.
O enfermeiro deve proceder à anti-sepsia da pessoa com sua mão esquerda, em
movimentos de cima para baixo. Em seguida, ainda com a mão esquerda, deve
esticar a pele, segurando o músculo(9).
Procedimento - Com a mão direita, o profissional deverá, na seqüência,
introduzir a agulha de forma rápida, com o bisel voltado para baixo. Novamente
com a mão esquerda, deve puxar o êmbolo, aspirando para confirmar se não houve
rompimento de vasos. Terminada a verificação, deverá empurrar o êmbolo
vagarosamente e no término da aplicação a agulha deve ser rapidamente retirada.
O enfermeiro pode massagear o local, fazendo uma pequena pressão com algodão
embebido em álcool, enquanto observa as reações da pessoa.
Sempre que houver a administração de um medicamento por via subcutânea, é
necessário escolher o local e limpá-lo com uma solução anti-séptica. Segundo o
autor, somente quando a pele estiver seca o ar deve ser expelido da agulha(10).
Procedimento - A agulha deve ser introduzida através da pele da pessoa. O
ângulo de inserção varia de acordo com o tamanho da agulha escolhida. A injeção
deve ser aplicada profundamente no tecido subcutâneo. Caso seja utilizada uma
agulha de 1,2 cm, o ângulo de inserção deverá ser de 90º, ou seja:
perpendicular à superfície cutânea. Já as injeções com agulhas de 1,5 cm são
inseridas num ângulo de 45º. Assim que a agulha for introduzida, o êmbolo deve
ser puxado, como forma de verificar se a agulha encontra-se em algum vaso
sangüíneo. Retirada à agulha, o local da aplicação deve ser massageado
suavemente com algodão para facilitar a dispersão do medicamento.
Ressalta que algumas autoridades da área da enfermagem afirmam que a pele da
pessoa não deve ser pinçada ou esticada e sim, deixada em seu estado natural na
ocasião da aplicação da injeção(10). Entretanto, a prática cotidiana dos
enfermeiros verifica que é mais fácil administrar a injeção quando os mesmos
seguram a área em torno do local da aplicação.
Não fazem restrição quanto à aspiração e salientam que se deve fazer massagem
no local após a aplicação pela via subcutânea(9,10).
Os enfermeiros devem orientar a escolha da seringa de acordo com o volume do
medicamento que será administrado(11). A escolha dos comprimentos e calibres
das agulhas está condicionada aos limites de espessura da tela subcutânea e do
ângulo de inserção. Soluções aquosas requerem medidas aproximadas de (20x6mm ou
7 mm). As oleosas (20x8mm).
Em pessoas obesas, as agulhas utilizadas devem ser mais longas, como as de 25
mm. O calibre pode variar segundo a viscosidade do medicamento.
Procedimento - O enfermeiro deve iniciar o procedimento realizando a anti-
sepsia do local a ser aplicada a injeção. Em seguida, deve distender a pele do
local usando, para isso, os dedos indicador e polegar, mantendo a região firme.
A seringa deve ser empurrada e a agulha introduzida rápida e firmemente. Em
pessoas de peso normal, o ângulo de inserção é de 30º. Em pessoas obesas, a
inserção deve obedecer a um ângulo de 60º.
É importante que o profissional, ao soltar a pele e proceder à aspiração,
verifique se nenhum vaso sangüíneo foi lesado. O medicamento deve ser injetado
lentamente, deve-se estar atento às reações da pessoa. O local da aplicação não
deve ser massageado.
Salienta que o comprimento da agulha varia de acordo com o ângulo de acesso
(12). Se o profissional optar pela inserção num ângulo de 90º em relação à
pele, a agulha deverá ser de (13x4, 5 mm ou 13x3, 8mm). Se o ângulo escolhido
for de 45º, a agulha deve ser mais longa (20x6mm ou 7 mm).
Procedimento - O profissional deve iniciar o processo de aplicação da injeção
pela anti-sepsia das mãos. Em seguida, deve preparar a medicação, de acordo com
a prescrição e com as técnicas oriundas de seu conhecimento e prática.
Posicionando a pessoa de maneira confortável, o enfermeiro escolhe a região
para aplicação e promove a anti-sepsia do local. Com os dedos polegar e
indicador da mão esquerda, faz uma prega na pele e introduz a agulha no ângulo
decidido previamente. É importante que, na seqüência, o enfermeiro proceda com
a aspiração para verificar se não atingiu nenhum vaso sangüíneo. O medicamento
deve ser injetado lentamente, e após o término da aplicação, a agulha deve ser
retirada, com uma leve compressão do local. Em aplicações subcutâneas em que o
ângulo de inserção escolhido é o de 90º, não é necessário fazer a prega na
pele.
Percebe-se que em relação aos calibres das agulhas e a angulação na aplicação
subcutânea, deve-se levar em consideração o peso da pessoa e em conseqüência a
tela subcutânea(11,12). Ambos preconizam a anti-sepsia prévia da pele e a
aspiração. Alertam também para não massagear o local após a aplicação.
A agulha deverá ser fina e de bisel curto. A luva de procedimento deve ser
utilizada(13).
Procedimento - deve-se proceder à lavagem das mãos e estar alerta à regra dos
"5 certos". Explicar sobre o procedimento à pessoa e expor a área de aplicação;
calçar as luvas de procedimento e realizar a anti-sepsia da pele. Utilizar a
agulha (10x6mm) em ângulo de 90° ou (25x7mm) na angulação de 45°. Proceder à
aspiração, injetar e não massagear o local após a aplicação.
Por sua vez demonstra os locais recomendados para a aplicação subcutânea, cujo
objetivo é salientar a menor inervação local, o acesso facilitado e a maior
capacidade para receber o volume administrado(14). Alerta também para o rodízio
dos locais de aplicação, para o volume máximo a ser injetado, que não deve
exceder a 2ml, para não reencapar a agulha e lavar as mãos após o cuidado.
Orienta sobre as angulações das agulhas:
- indivíduos magros ângulo de 30°
- indivíduos normais ângulo de 45°
- indivíduos obesos ângulo de 90°
- agulha (10x5mm) ângulo de 90°
Procedimento - iniciar pela lavagem das mãos, conferir a prescrição médica e
observar a regra dos "5 certos". Aspirar a droga com agulha (25x7mm) ou
(25x8mm) e aplicar com calibre (13x3, 8 mm), (13x4, 5mm) ou (10x5mm) e utilizar
técnica asséptica. Pinçar o tecido subcutâneo e introduzir a agulha com o bisel
voltado para cima. Soltar a prega e aspirar. Não massagear o local após a
aplicação para não acelerar a absorção do medicamento.
Trazem a regra dos "5 certos". Esses autores desaconselham também a massagem
local após a injeção subcutânea(13,14). Descreve os locais de aplicação e o
volume máximo a ser administrado, observando o bisel da agulha voltado para
cima(14).
Descreve os locais para a aplicação subcutânea:
- parte superior do braço
- a coxa
- o abdôme
- as costas(15)
Refere-se ao equipamento utilizado para a aplicação, devendo ser diferenciado
para a administração de insulina ou heparina (seringa de tuberculina) e quanto
ao calibre da agulha sendo a mais comum a (13x4, 5 mm). Ressalta a importância
do enfermeiro avaliar a pessoa no mínimo 30 minutos após a aplicação.
Procedimento determinar o local em que foi administrada a última injeção e
alternar para evitar lesões nos tecidos. Orientar a pessoa oportunizando o
ensino em saúde. Lavar as mãos e calçar luvas. Proceder à prega de pele ou
esticar. Puncionar a um ângulo de 45° com agulha (25x7mm) ou na angulação de
90° com agulha (13x4, 5 mm). Após a retirada da agulha, massagear o local sendo
contra indicado no caso da heparina. Retirar as luvas e lavar as mãos.
Mapeia as áreas para a aplicação subcutânea e refere-se também a heparina e à
insulina(16). Orienta diferentes comprimentos (1 a 2 cm) de agulhas e ângulos
de inserção (90°/45°/15°) de acordo com a quantidade de gordura do local
selecionado para a aplicação, que deverá ser avaliado por uma prega na pele.
Preconiza o uso de luvas de procedi-mento conforme normativa da instituição.
Procedimento - aspirar a medicação prescrita (o uso de uma bolha de ar poderá
garantir a quantidade exata a ser aplicada). Fazer a anti-sepsia da pele com
álcool a 70% no sentido do centro para fora cobrindo uma área de 5 cm de
diâmetro. Pressionar a pele entre o dedo polegar e o indicador, o que irá
diminuir o desconforto quando da inserção da agulha (bisel para cima). Aspirar
com exceção da heparina e injetar lentamente. Pressionar o local após a
aplicação, podendo também proceder à massagem, com exceção da heparina e da
insulina. Desprezar a seringa com a agulha, sem reencapá-la, em recipiente
resistente a materiais pérfuro-cortantes.
Expõem sobre as áreas na aplicação subcutânea e orientam o uso de luvas de
procedimento(15,16). A massagem local após a aplicação também aparece, podendo
ser realizada com exceção da insulina e da heparina.
Em primeira mão, a orientação à pessoa com enfoque na educação em saúde(15) e a
questão da prega na pele, no intuito de diminuir o desconforto quando da
inserção da agulha(16). Salienta-se que esses aspectos não foram abordados
pelos demais autores pesquisados.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base na revisão de literatura apresentada sobre o tema de aplicação de
medicamentos por via subcutânea, podemos perceber que é premente a necessidade
de atualização constante dos profissionais de enfermagem no que concerne aos
desafios de sua prática cotidiana.
Os autores discorrem sobre o procedimento, administração de medicamentos pela
via subcutânea utilizando diferentes particularidades, seja em relação à
escolha dos materiais, como definir o ângulo de inserção da agulha, seja sobre
a aspiração ou mesmo sobre a massagem local após a injeção.
Frente ao exposto destacamos a necessidade de um posicionamento crítico do
enfermeiro e de sua equipe na execução não de um simples procedimento mas de um
cuidado de enfermagem. Entende-se que para a equipe atuar adequadamente precise
conhecer sobre Anatomia, Fisiologia, Farmacologia e também sobre o manejo das
tecnologias e inovações nessa área específica do conhecimento.
Desta forma deve-se considerar os princípios na realização dos procedimentos
como segue(17):
- Estabelecer relacionamento interpessoal;
- Realizar o exame físico para avaliar a situação e definir a especificidade do
procedimento a ser utilizada;
- Preparar o material de acordo com os dados levantados no exame físico;
- Manter o relacionamento interpessoal;
- Orientar o cliente sobre o procedimento;
- Organizar o ambiente para a sua realização;
- Lavar as mãos (antes, durante, após o procedimento ou quando se fizer
necessário);
- Posicionar o cliente, facilitando a realização do procedimento;
- Proporcionar conforto ao posiciona-lo;
- Considerar:
- Humanização do cuidado;
- Privacidade;
- Observação;
- Comunicação;
- Procedimento asséptico e normas da CCIH;
- Mecânica corporal.
- Organizar o material e o ambiente ao término do procedimento;
- Posicionar o cliente de maneira confortável;
- Anotar o procedimento em impresso próprio e os dados relevantes em
prontuário.
Em relação ao procedimento destacamos considerar :
- Informações contidas no prontuário da pessoa;
- A prescrição médica;
- Efeitos terapêuticos e toxicidade das drogas, a dose, a via e o horário,
cuidados e recomendações;
- Condições do tecido subcutâneo, hidratação, edema, coagulação e os rodízios
nas aplicações;e estado geral do cliente
- Análise das informações colhidas na entrevista e no exame físico, para então
selecionar o local mais adequado e optar pelo calibre da agulha e ângulo de
aplicação;
- Os materiais disponíveis no serviço (seringa, agulha).
Este estudo trouxe quatro questões importantes nas aplicações subcutâneas, a
escolha do calibre da agulha e seu ângulo de inserção, a formação ou não da
prega na pele para a administração, a aspiração e a massagem no local após a
aplicação. Quanto à escolha do material considerado ideal, alguns autores
pesquisados relacionam que o peso da pessoa é o que determina o grau do tecido
subcutâneo e conseqüentemente o tamanho da agulha e a angulação a serem
utilizados(5,6,11,14,16). A respeito de formar a prega na pele, encontramos
autores que são favoráveis a que se pince o subcutâneo para a aplicação(12-16).
Quanto à aspiração todos a preconizam, porém alguns alertam para a não
aspiração no caso da administração da heparina(15,16). A massagem local após a
aplicação aparece como não massagear(11-14); massagear independente da droga
administrada(9,10), massagear com exceção na administração da heparina e da
insulina(15,16).
Reiteramos que a administração de medicamentos é de responsabilidade única dos
enfermeiros e de sua equipe, e para que este procedimento seja realizado de
forma segura e eficiente, é fundamental que se discutam maneiras de promover a
educação continuada deste grupo de profissionais da saúde, essenciais no
processo de bem-estar das pessoas.