Gênero, saúde e enfermagem
ENSAIO
Gênero, saúde e enfermagem
Gender, health and nursing
Género, salude y enfermería
Edméia de Almeida Cardoso Coelho
Enfermeira. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP. Professora
Adjunto II da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Com o tema gênero, saúde e enfermagem, a Associação Brasileira de Enfermagem
(ABEn) dá uma demonstração de compromisso com a redução de desigualdades
sociais e com a superação de um paradigma que historicamente definiu para os
homens espaços de liberdade e poder e para as mulheres o espaço da obediência e
da submissão. Assumindo esse desafio, a ABEn nacional, como entidade
representativa da Enfermagem, apresenta-se como reconhecedora de que o processo
saúde-doença, como construção social, está também condicionado à qualidade das
relações que se dão entre homens e mulheres, homens e homens, mulheres e
mulheres, portanto, entre e intragêneros. Assim, a articulação gênero, saúde e
enfermagem é mais do que oportuna num momento histórico em que ultrapassamos
inquietações e críticas para ampliar nossa consciência política, buscando, como
sujeitos coletivos, instrumentos de mudança articulados à realidade
macroestrutural.
Falar de gênero é falar de relações sociais e, conforme já nos dizia o filósofo
francês Michel Foucault(1), falar de relações sociais é falar de relações de
poder, poder que se exerce nos espaços privado e público. A socióloga
brasileira Helena Hirata(2) e a socióloga francesa Daniele Kergoat ampliam essa
compreensão entre nós, ao considerarem que as relações de gênero e de classe
dinamizam todos os campos do social, ou seja, são transversais, perpassam todas
as relações. A historiadora americana Joan Scott(3) formaliza, teoricamente,
que as desigualdades sociais não são somente de classe, de raça/etnia ou de
religião, elas trazem a forte marca das relações de gênero definidas segundo
atributos culturais impostos ao masculino e ao feminino que fazem a mulher ser
vista como cidadã de segunda classe, como já havia nos alertado Simone de
Bevouir, em 1949.
Diante da relevância do tema, sentimo-nos na obrigação de, inicialmente,
situar, no contexto do movimento feminista, a construção de gênero como
categoria analítica e como abordagem que urge ser adotada e/ou ampliada na
formação e nas práticas profissionais, o que hoje é defendido não só pelo
movimento feminista, mas também por organizações de saúde internacionais e
nacionais, inclusive o Ministério da Saúde do Brasil.
Gênero desenvolve-se como categoria analítica, sobretudo a partir da década de
1980. Na definição de Joan Scott(3), gênero tem como núcleo a conexão de duas
proposições: "o gênero é um elemento constitutivo de relações sociais baseado
nas diferenças percebidas entre os sexos, e o gênero é uma forma primeira de
significar as relações de poder".
Quanto à primeira proposição, a autora refere-se a múltiplas dimensões que
operam na construção da identidade de gênero: a dimensão simbólica traz
representações sobre a mulher, podendo ser exemplificada pelo sentido simbólico
de Eva e Maria; a dimensão normativa dá sentido aos símbolos, expressos pelas
doutrinas religiosas, educativas, científicas, políticas, jurídicas, criando
uma oposição binária entre masculino e feminino; a dimensão organizacional cria
a aparente permanência na representação binária dos gêneros, sendo reforçada
pelas instituições; a dimensão subjetiva afirma a nossa identidade de gênero
com a incorporação de valores, símbolos e normas veiculados pelas instituições
sociais(3). Essas dimensões são dinâmicas, inter-relacionadas e variam conforme
o contexto histórico.
A segunda proposição, "gênero é um primeiro modo de dar significado às relações
de poder"(3), é considerada por Scott como a sua teorização do gênero,
reforçando-a pela afirmação de que "o gênero é um campo primeiro no seio do
qual ou por meio do qual o poder é articulado". Referindo-se ao significado do
poder na sua proposta, Joan Scott(3) afirma: "precisamos substituir a noção de
que o poder social é unificado, coerente e centralizado por alguma coisa que
esteja próxima do conceito foucaultiano de poder, entendido como constelações
dispersas de relações desiguais constituídas pelo discurso nos "campos de
forças".
Ao se referir ao poder, Foucault(1) considera uma das primeiras coisas a
compreender é que o poder não está localizado [somente] no aparelho do Estado e
que nada mudará na sociedade se os mecanismos de poder que funcionam fora,
abaixo, ao lado dos aparelhos de Estado a um nível muito mais elementar,
quotidiano, não forem modificados.
Para esse autor: "o poder não é algo que se adquira, arrebate ou compartilhe,
algo que se guarde ou deixe escapar; o poder se exerce a partir de inúmeros
pontos e em meio a relações desiguais e móveis"(1).
A utilização da abordagem de gênero para a compreensão das relações de poder
entre homens e mulheres registra também sua importância, na medida em que o
foco desloca-se das questões das mulheres para uma análise das relações sociais
como um todo; enfoca os mecanismos de subordinação das mulheres pelos homens e
também pelo modo de organização das relações sociais; alcança a legislação, o
Estado, as relações de trabalho, as representações sociais, campos simbólicos,
etc; atua sobre os planos macro e micro-social(4).
Em síntese, o poder que se exerce nas relações de gênero é resultante de
representações sobre mulheres e homens, presentes no imaginário social a partir
das diferenças biológicas existentes entre os sexos. Essas representações vão
integrando um sistema simbólico e de valores carregado de estereótipos que
ditam o que é apropriado para mulheres e para homens, sendo naturalizados e
veiculados pelas instituições sociais (família, escola, igreja, mídia) e
incorporados subjetivamente, influenciando, profundamente, a formação da
identidade de gênero. Nesse processo, os homens vão sendo direcionados para o
mundo público e da produção, necessitando, para esse fim, de razão,
objetividade, poder e liberdade, enquanto as mulheres são direcionadas para o
espaço privado e da reprodução, para os quais necessitam, sobretudo, de emoção,
disciplina, afetividade e obediência a códigos morais estabelecidos social e
culturalmente.
2. ARTICULANDO GÊNERO, SAÚDE E ENFERMAGEM
Como articular gênero, saúde e enfermagem? Comecemos questionando: Qual a
relação entre gênero e enfermagem? Qualquer resposta seria redundante frente ao
que nos coloca Lopes, Meyer e Waldow(5) colegas pesquisadoras desse campo. Para
elas, gênero "[...] articulado com outras categorias sociais, constitui e
regula os saberes e as práticas, as identidades sócio-profissionais, bem como
as instituições sociais e políticas no âmbito da saúde, onde a enfermagem se
produz e se movimenta".
Assim, na enfermagem, essa abordagem tem uma importância singular, pois nos dá
explicações sobre os conflitos trazidos para o campo profissional entre
atividades de enfermagem e atividades médicas, estas últimas construídas num
campo de domínio masculino.
As práticas de cuidado sempre estiveram associadas ao sexo feminino.
Revisitando a história, constatamos no que se refere ao lugar social das
mulheres, há um mito definido por concepções que remetem as mulheres a uma
condição inata de inferioridade atribuída à sua aproximação com a natureza.
Tais representações têm em seus princípios relação direta com a capacidade
natural da reprodução biológica e com as responsabilidades nos cuidados com o
doméstico e com a família(6).
Uma vez desvalorizado o trabalho que as mulheres realizam no âmbito doméstico e
sendo o cuidar profissional, em muitos momentos, confundido com o que se dá
nesse espaço, há uma estreita relação entre o lugar social de mulheres e de
enfermeiras.
No caso específico da enfermagem moderna brasileira, esta nasce sob o discurso
higienista do início do século XX, período em que a Igreja e a Medicina aliam-
se, disciplinando, controlando e reduzindo a função da mulher à de mãe, esposa
e educadora, sendo permitida a atuação no mundo público desde que somassem a
obediência ao marido e aos médicos. Nesse duplo espaço, a história reservou
para a mulher/enfermeira uma mobilidade limitada, devendo preservar o que é
definido socialmente como qualidades: docilidade, submissão, abnegação e
recato. Em outras palavras, no mundo público, o lugar das mulheres seria a
extensão do mundo privado(7).
Para circular no espaço dos homens sem ser confundida com prostituta era
necessário formar profissionais, cuja prática representasse o cumprimento de
uma missão divina, cumprindo-se, assim, a recomendação de Florence Nightingale,
de que as enfermeiras deveriam dedicar o melhor que pudessem a servir a Deus. A
isso se soma o princípio defendido no início do século XX, quando da
implantação da enfermagem moderna no Brasil, de que a base da arte da
enfermeira é o instinto materno bem desenvolvido, entendido ser esse bastante
aguçado na mulher brasileira. Assim considerava Ethel Parsons, enfermeira
americana, que orientou os trabalhos de implantação da enfermagem profissional
no Brasil(8).
Tais características particulares, adotadas como critérios para a inserção na
profissão, constituiu obstáculo ao ingresso de homens na enfermagem naquele
início de século, instituindo-se a divisão sexual do trabalho também na
enfermagem, sendo adotada, por algumas escolas, a obrigatoriedade de ser do
sexo feminino para ingressar no curso(9).
Apesar de haver uma afinidade histórica das mulheres com o cuidar, reconhecemos
que preconceitos de gênero restringiram a participação dos homens na profissão.
Mas, embora a enfermagem seja construída culturalmente como prática sexuada,
feminina, os homens na profissão são uma realidade cada vez mais presente,
representando rupturas importantes com estereótipos de gênero relacionados à
prática do cuidado. Além da divisão sexual do trabalho na enfermagem, foi
instituída sua divisão social representada pela hierarquização da profissão em
categorias diversificadas enfermeiras, auxiliares e técnicas de enfermagem
estabelecendo-se também uma relação de desigualdade.
No processo histórico de consolidação da profissão, somente a partir da década
de 1960 foi intensificada a preocupação com seus aspectos epistemológicos e na
década de 1980, a enfermagem, que até então tinha no servir abnegado sua razão
de ser, lançou um olhar mais crítico sobre sua história, articulando-a ao
processo de formação e consolidação da sociedade capitalista, o que constituiu
um passo qualitativo de grande significado(6).
Na década de 1990, os estudos de gênero extrapolaram as ciências humanas e
sociais e chegaram às ciências da saúde. A enfermagem saiu à frente, motivada
pelos conflitos de sua prática, gerados pelas relações hierárquicas e desiguais
com a medicina, campo de domínio masculino(10). Hoje, a enfermagem contabiliza
o acúmulo de conhecimento na área, pela utilização da abordagem de gênero em
variadas modalidades de investigação científica.
Desvendar os mecanismos ideológicos que marcaram a construção da enfermagem
como profissão e que ainda atuam eficazmente na atualidade, tem provocado
mudanças nas referências de saber e poder, abrindo espaços para a construção de
resistências aos poderes instituídos e de enfrentamento, vislumbrando, assim, a
superação. Construir consciência de gênero vem provocando mudanças na formação
e nas práticas profissionais, fazendo com que enfermeiras e enfermeiros passem
a ser sujeitos também de uma outra história.
3. ARTICULANDO GÊNERO E PRÁTICAS EM SAÚDE
Quando investigamos a prática da enfermagem na atenção à saúde, deparamo-nos
com uma problemática que envolve questões da conjuntura social, econômica e
política que influenciam a formulação e implementação das políticas de saúde.
Além disso, para inserir-se no mundo das ciências, a enfermagem "adotou o
paradigma legitimador da ordem social e médica vigentes, fundamentado na
racionalidade científica e na visão tecnicista da ciência moderna"(11).
Por isso, consideramos que, na atualidade, os maiores desafios da enfermagem
são: 1) ampliar a consciência de gênero, buscando o empoderamentoª de quem
cuida e de quem é cuidado, bem como o conseqüente fortalecimento da arte e da
ciência do cuidar; 2) ampliar a participação dos profissionais em espaços
políticos e a parceria com outros campos do saber, buscando construir,
coletivamente, instrumentos para o controle social das políticas públicas de
saúde; 3) investir na qualidade da relação profissional-usuárias(os) dos
serviços de saúde, compreendendo os sujeitos do cuidado em sua
multidimensionalidade, buscando superar o paradigma biologicista da ciência
moderna que individualiza e fragmenta seres humanos.
Nessa perspectiva, na articulação gênero, saúde e enfermagem, não perderíamos a
oportunidade de falar de um campo de exercício do nosso saber-fazer
profissional em que as relações de gênero participam fortemente do processo
saúde doença: o campo da atenção à saúde da mulher. Nos espaços de cuidado à
saúde das mulheres, a problemática de gênero mostra sua complexidade na
singularidade da vida de cada uma delas. As equipes multiprofissionais, frente
à implementação das políticas públicas de saúde, ora constroem espaços de
transformação social, ora mantêm a ordem institucional, reproduzindo
desigualdades de classe e de gênero na relação profissional-cliente.
A grande alavanca para a mudança de qualidade na atenção à saúde da mulher, foi
o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM) elaborado em 1983,
com a participação efetiva de feministas. O PAISM foi oficializado como parte
de um programa global de assistência primária à saúde da população, em que a
particularização da saúde da mulher representava, segundo o documento que o
divulgou, apenas um passo no sentido de aumentar a capacidade resolutiva da
rede básica de serviços, trabalhando dentro de uma nova ótica a da assistência
integral , de modo a contribuir para o desenvolvimento institucional do setor e
para a reordenação do sistema de prestação de serviços de saúde como um todo
(12).
Embora algumas experiências pontuais tenham se mostrado positivas, o PAISM, ao
longo dos vinte anos de oficialização, foi se descaracterizando, na prática,
como política de saúde e as mulheres, que deveriam ter suas necessidades de
saúde atendidas em todas as fases do ciclo vital, mantiveram-se reféns de uma
história de dependência e subordinação aos parceiros sexuais e ao modelo
hegemônico de atenção à saúde, que as reduz a um corpo essencialmente biológico
e compromete a efetividade das políticas públicas.
Na atualidade, no Brasil, mulheres ainda adoecem e morrem na gravidez, parto e
puerpério e por complicações do abortamento, mortes, na grande maioria,
evitáveis. São 110/100 mil nascidos vivos, o que nos leva a presumir que a cada
morte materna registrada, uma não é notificada(13); o abortamento, que complica
a saúde e mata mulheres, constitui um grave problema de saúde pública, estando
associado à falta de uma política de planejamento familiar e à criminalização
do ato de abortar, o que não impede que cerca de 1 400 000 abortos sejam
praticados por ano, no Brasil, de modo clandestino e em condições insalubres
(14); 40,1% das mulheres em idade fértil estão esterilizadas(15), a grande
maioria por falta de informação e acesso a métodos contraceptivos reversíveis,
outras pela ânsia de resolver problemas econômicos e sociais, aumentando as
estatísticas de arrependimento pós-laqueadura tubária; a cultura da cesárea
caminha passo a passo à da esterilização, ampliando em 28,5% os índices de
mortalidade materna(16); o câncer ginecológico é um terrível destruidor de
vidas femininas, mas o acesso à prevenção do câncer de colo uterino continua
limitado e 70% dos casos são diagnosticados em fase avançada(17); o câncer de
mama, ainda que objetivamente difícil de prevenir, tem franca relação com as
condições de vida adversas enfrentadas pelas mulheres(18); pouco informadas e
comumente sob o poder do parceiro sexual, as mulheres se vêem continuamente
expostas às doenças sexualmente transmissíveis, tendo a infecção pelo HIV/AIDS
um crescimento de 413% entre as mulheres brasileiras nos últimos 10 anos, com
forte incidência entre aquelas que têm parceiro fixo(19); a violência doméstica
maltrata e destrói subjetividades, numa clara demonstração de impotência das
mulheres diante de parceiros a quem a sociedade de gênero outorgou o direito de
lhes calar a vida; e, finalmente, meninas sofrem em silêncio a dor da violência
sexual praticada, muitas vezes, em seus próprios lares.
A superação dessa realidade exige a intenção e a ação do Estado e o controle
social efetivo das políticas públicas com a participação das mulheres. Nesse
sentido, em 2002, a Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras aprovou a
Plataforma Política Feminista, que reúne, em seus princípios, entre outros: a
crítica ao modelo neoliberal; o compromisso da defesa de direitos, tais como
educação, saúde, moradia, previdência, igualdade e justiça social; o
compromisso com as lutas pelo direito à terra, à moradia, contra todas as
formas de discriminação e violência, pelos direitos das mulheres indígenas,
pela assistência integral à saúde da mulher, pelos direitos sexuais e
reprodutivos. Estes últimos, incluindo: o controle das mulheres sobre seu
corpo, o exercício prazeroso da sexualidade sem o risco de gravidez indesejada
e de contrair doenças, o livre arbítrio nas decisões de ter ou não ter filhos e
sobre quantos e quando tê-los, o direito a exercer com dignidade e respeito sua
orientação sexual, a discriminalização do aborto e seu reconhecimento como
problema de saúde pública(20).
Toda e qualquer ação referente à superação dessa problemática deve considerar
que as especificidades do ciclo vital da mulher somadas aos papéis a ela
atribuídos socialmente, determinam formas diferenciadas de adoecer e morrer; e
que, a saúde extrapola o biológico e a função reprodutiva havendo grande
influência das relações entre os gêneros e da qualidade da atenção recebida no
sistema oficial de saúde, onde são implementadas as políticas públicas(18).
A enfermagem faz parte desse processo, sendo do nosso conhecimento que a
tecnização da prática da enfermagem, que se deu a partir da segunda metade do
século XX, atendendo à demanda de especializações da medicina curativa,
hospitalar, afastou suas categorias profissionais da saúde pública, área que
caracterizou a origem da profissão. A retomada progressiva desse campo de ação
vem se dando com a ampla e efetiva atuação da enfermagem no Programa de Saúde
da Família, espaço em que profissionais vêm exercitando a construção do
trabalho em equipe ainda com algumas tensões que retardam a adoção da
perspectiva interdisciplinar, aspecto importante no processo de superação de
desigualdades.
4. CAMINHOS A PERCORRER
É do nosso conhecimento e da nossa vivência que os poderes instituídos, nesses
incluídos o poder médico, têm limitado a autonomia e a resolubilidade da
prática de enfermeiras e enfermeiros, o que se explica à luz de gênero. Se esse
é um dado de realidade, é necessário que seja possibilitado à categoria
profissional a inserção em atividades de reflexão e de discussão sobre a
prática, em que experiências pessoais possam ser coletivizadas e, no confronto
com as realidades micro e macroestruturais, criem-se instrumentos para se
pensar mudanças(6).
Nessa perspectiva, não basta reconhecer os sistemas de opressão e seus
mecanismos de manutenção e de reprodução, mas construir instrumentos que
vislumbrem a superação, o que se faz em parceria com quem vive e sente os
mesmos problemas. Não basta reconhecer as desigualdades sociais, criticar e ter
boas intenções; é preciso estreitar os laços e criar espaços nos serviços de
saúde para a participação ativa das mulheres, para a troca de experiências e
emoções, numa relação entre sujeitos que potencialize subjetividades e a
capacidade reivindicatória por direitos, humanizando as relações e exercitando
o acolhimento e a ética do cuidar.