A prevenção do câncer e a promoção da saúde: um desafio para o Século XXI
ENSAIO
A prevenção do câncer e a promoção da saúde: um desafio para o Século XXI
Cancer prevention and health promotion: a challenge for the 21st Century
La prevención de cancer y la promoción de salud: un desafio para el Siglo XXI
Maria Elisa Wotzasek CestariI; Márcia Maria Fontão ZagoII
IEnfermeira. Professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual
de Londrina, Mestranda do Programa de Enfermagem Fundamental da Escola de
Enfermagem de Ribeirão Preto - USP
IIEnfermeira. Professora Doutora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto -
USP
1. INTRODUÇÃO
O modelo de atenção à saúde que temos hoje ainda está centrado na assistência
curativa individual, com foco no atendimento hospitalar. Este modelo não tem
resolvido os problemas de saúde da nossa população, principalmente quando
falamos do câncer, que tem apresentado um aumento em seus indicadores.
Portanto, este estudo é um ensaio sobre a temática da prevenção do câncer e a
da promoção da saúde, com foco nas estratégias de ações neste âmbito, onde se
busca uma análise exploratória e crítica no sentido de propor-se um novo olhar
para esta realidade.
A atenção primária, com suas ações de promoção, prevenção e detecção precoce do
câncer, deve ser vista como prioritária à atenção terciária(1,2). A Organização
Mundial da Saúde(3) prioriza as ações de prevenção no cuidado com as condições
crônicas, enfatizando que é possível prevenir a maioria destas, e que, assim,
toda a interação de saúde deve incluir a prevenção. Entretanto, nos deparamos
com a dificuldade de adesão dos indivíduos aos comportamentos preventivos
preconizados pelo modelo biomédico, principalmente aqueles com condições
socioeconômicas mais baixas.
Entende-se por comportamentos preventivos em saúde (CPS) aqueles comportamentos
empreendidos pelos indivíduos para aumentar ou manter a própria saúde. Há
instâncias inumeráveis de CPSs: a limpeza diária dos dentes, uso de cintos de
segurança, redução da gordura e açúcar na dieta, ou prática de atividade física
são alguns exemplos(4).
O comportamento preventivo está ligado a fatores sociais, psicológicos,
ambientais(5) e ainda, culturais(6). Sendo que os CPSs provavelmente podem
variar positiva ou negativamente, dependendo da influência destes fatores no
estilo de vida dos indivíduos.
Em algumas culturas, como a nossa, a palavra câncer é tabu e se a morte for
conseqüência de um câncer, muitas vezes a causa atribuída será outra. As
superstições são numerosas, até mesmo nas nações desenvolvidas onde o nível
educacional para a saúde é considerado satisfatório(7). No Brasil, pode-se
exemplificar por um lado, a dificuldade de algumas mulheres em submeterem-se ao
exame ginecológico por vergonha de expor sua genitália, ou por outro lado, o
hábito saudável e de proteção ao câncer, que é a ingestão de peixes e soja
pelos indivíduos orientais.
Em estudos da área da antropologia médica o CPS é considerado um sistema
cultural e de significados que possui uma organização interna dos saberes
individuais, resultando num modo próprio do indivíduo explicar e buscar a
resolução de seus problemas de saúde, como por exemplo, por meio de
determinados comportamentos(8).
Mais recentemente, encontra-se o conceito de atitude positiva em prevenção que
é definindo como uma procura do indivíduo por cuidado, independentemente dele
ou do grupo a quem ele pertence, estar vivenciando um problema de saúde. Esta
atitude é determinada pelas crenças e percepções do indivíduo sobre o que é
saúde, doença, prevenção, e também pelas experiências vivenciadas por ele, seja
para prevenção, manutenção ou tratamento de sua saúde. O conceito é composto
por duas dimensões que podem influenciar as atitudes. A primeira refere-se às
condições concretas de existência do indivíduo, caracterizada pela condição
sócio-econômica. A segunda contempla as percepções e comportamentos em saúde,
caracterizadas pela percepção do problema de saúde e procura por cuidado de
saúde pelo indivíduo(9).
2. A PREVENÇÃO E A PROMOÇÃO DA SAÚDE
Outros conceitos que permeiam esta temática, sendo importante a definição dos
mesmos são a prevenção e promoção da saúde. A palavra prevenção tem origem no
Latim praeventione:vir antes, tomar a dianteira; traduz-se pelo ato de
prevenir-se, premeditar, dispor-se previamente ou ter opinião antecipada
(10,11). A prevenção, na área da saúde, é composta por ações de caráter
primário e genérico, tais como a melhoria das condições de vida, redução da
suscetibilidade das pessoas às doenças e educação sanitária. A prevenção se dá
também através da detecção precoce das doenças, do seu tratamento adequado e
nas ações destinadas a minimizar as suas conseqüências(12). O termo prevenção
tem sido intensamente utilizado no âmbito da saúde, entretanto, na prática tem
sido tão pouco efetivado(12). Nesse contexto é inerente a dificuldade das
relações com modelos e padrões de reconhecimento e valorização dos aspectos
culturais. Visto que, qualquer ação de prevenção deveria estar atenta aos
valores, atitudes e crenças dos grupos sociais a quem a ação se dirige, ou
seja, aos seus aspectos culturais(13).
Paralelo a esta discussão, o conceito de promoção da saúde (PS) surgiu no
Canadá em 1974, motivado pelas limitações da economia, visto o custo elevado
dos tratamentos curativos das doenças e pelas limitações da atenção médica à
população(14). O início do seu fortalecimento acontece a partir da I
Conferência Internacional sobre PS, no ano de 1986 em Ottawa. Na carta
produzida nesta conferência a PS foi entendida como o processo de capacitação
da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde,
incluindo uma maior participação no controle desse processo.
Nesse momento a eqüidade foi considerada o principal foco a ser atingido para
se ter acesso à PS, entendendo-se que conseguir a eqüidade consiste em eliminar
as diferenças desnecessárias, evitáveis e injustas que limitam as oportunidades
do indivíduo de atingir o direito do bem estar(15).
Em 1988, na Austrália, uma nova conferência priorizou, pela Declaração de
Adelaide, as políticas públicas saudáveis, ou seja, apoio à saúde da mulher,
alimentação e nutrição, políticas de redução do consumo do tabaco e do álcool e
criação de ambientes favoráveis(15).
Em 1991, na Suécia, a III conferência fortalece ainda mais a temática, com
ênfase na criação de ambientes favoráveis à saúde, mantendo a busca pela
eqüidade e educação, além de propor o aumento do poder de decisão dos
indivíduos e da participação comunitária como estratégia para ter-se um
processo democrático de PS.
Em 1992, outra conferência realizada em Bogotá, na Colômbia destaca os
problemas enfrentados pela América Latina, como a necessidade de solidariedade
e eqüidade social como condições indispensáveis para a saúde e o
desenvolvimento(15).
Em 1997, a Declaração de Jacarta, produto da IV Conferência Internacional sobre
PS destaca que esta é um processo que permite às pessoas maior controle sobre
sua saúde e, assim, tenham maior poder de melhorá-la. Sua meta primordial foi
aumentar as expectativas de saúde e reduzir suas diferenças entre países e
grupos. A pobreza foi tida como a maior ameaça à saúde. Portanto estabeleceu-se
cinco prioridades para a PS no século XXI: promover a responsabilidade social
para com a saúde; aumentar os investimentos para fomentar a saúde; consolidar e
expandir parcerias em prol da saúde; aumentar a capacidade comunitária e dar
direito de voz ao indivíduo e; conseguir uma infra-estrutura para a PS(15).
E finalmente, a V Conferência aconteceu no México em 2000, tendo como
principais objetivos demonstrar a importância da PS principalmente para
indivíduos que vivem em condições adversas; incluir a saúde nas agências de
desenvolvimento; estimular alianças entre os diferentes atores em todos os
níveis sociais. Os principais resultados desta conferência foram a reafirmação
da importância da PS e da busca da eqüidade e ainda a importância das mulheres
no desenvolvimento de ações de PS(16).
Em síntese a conferências criaram metas que provavelmente poderão ajudar os
países a diminuir as injustiças e desigualdades, mas também, têm contribuído
por meio dos avanços ideológicos, políticos e conceituais, para a evolução das
propostas para melhoria a qualidade de vida dos indivíduos. E para que se
alcance a qualidade de vida é necessário atuar-se sobre as condições sociais
que são determinantes da saúde(17).
Nesse sentido é possível diferenciar-se os conceitos de prevenção e PS,
considerando que a prevenção é definida por ações direcionadas a evitar o
surgimento de doenças específicas, através do controle de transmissão e redução
do risco de doenças degenerativas ou outros agravos específicos. Em
contrapartida, a promoção tem um conceito mais amplo, que enfatiza a
transformação das condições de vida e de trabalho, por mudanças profundas na
forma de articular e utilizar o conhecimento na construção e operacionalização
das práticas de saúde, visando aumentar a saúde e o bem-estar gerais, não
relacionados com alguma doença específica(18). Ou seja, fazer a PS é permitir-
se a um permanente e contínuo processo de reflexão sobre a articulação e
coerência, entre a produção discursiva e a práxis, por meio de uma postura
crítica e positiva para viver e mudar posturas e ações(17).
3. A PROMOÇÃO DA SAÚDE E A PREVENÇÃO DO CÂNCER COMO UM DESAFIO ATUAL
A produção do conhecimento e as mudanças da práxis da saúde têm sido mais
efetivas nos últimos anos. Observa-se a apropriação pelos indivíduos dos
saberes sobre saúde, riscos e doenças, difundidos pelos meios de comunicação de
massa. É um fato a revolução nas comunicações, a expansão, praticamente ao
infinito, pela Internet e a circulação de informações sobre saúde, risco,
danos, exames, terapias e práticas visando a preservação e recuperação da saúde
no plano individual, tornando o próprio sujeito responsável por decisões e
ações que afetem direta ou indiretamente sua saúde(6).
Em países desenvolvidos esta já é uma realidade palpável. Na Inglaterra as
pessoas estão sendo encorajadas, nas consultas médicas, a responsabilizar-se
pela própria saúde, por meio da adoção de comportamentos saudáveis, sendo esta
uma característica atual implícita no cuidado preventivo na atenção à saúde
primária(19).
No Canadá as ações de saúde também deslocam a ênfase da prevenção de doenças
para a PS e esta ganha uma importância capital, sendo definidora de um novo
modelo que incorpora políticas públicas saudáveis e mudanças em estilos de vida
(6). Esta é, portanto, uma tendência mundial, onde se destaca a crescente
importância das atitudes individuais para a promoção, prevenção e proteção de
doenças, além da disseminação paralela dos fatores de risco à saúde associando
sua prática, ao crescente peso da razão econômica(14).
Entretanto, a mercantilização da saúde, com a comercialização em larga escala
de informações e produtos dirigidos à preservação da vida saudável, do viver
com saúde, na perspectiva do consumo individualizado de produtos e serviços,
não significará necessariamente uma racionalização da vida no sentido da
incorporação exclusiva de um saber científico, instrumental. Pelo contrário, a
julgar pelas características e multiplicidade de informações, o cuidado à saúde
no plano individual não deixará de manter o apelo ao simbólico, ao mágico, ao
sobrenatural, ao místico, e mesmo ao metafísico(6).
As condições de vida globalizadas, hoje, em hipótese, são configuradas como
forma de sofrimento social que pode ser traduzida como uma pandemia de saúde
mental, resultante de mudanças na política, economia e cultura. A propagação do
tabaco e do álcool pela mídia e os problemas de saúde associados ao seu uso são
um exemplo(8).
É provável que uma das principais características das práticas de saúde no
futuro será a ênfase concedida à pesquisa e principalmente, às ações em
prevenção. Assim, uma exploração das possibilidades colocadas para o século XXI
pressupõe análise das tendências da produção de conhecimentos e do
desenvolvimento de práticas de prevenção, promoção e vigilância da saúde,
levando em conta a identificação das perspectivas econômicas, políticas e
sociais que se apresentam no momento em que se consolida o processo de
globalização da economia e da cultura(6).
Assim, o câncer é indubitavelmente um problema de saúde pública, incluído entre
as primeiras causas de morte nas diferentes regiões do nosso país. Hoje este
agravo é a segunda causa de morte por doença no Brasil, perdendo somente para
as doenças do coração, e seguido das doenças cerebrovasculares(20). Estima-se
que em 2003, no Brasil, ocorreram 402.190 casos novos e 126.960 óbitos por
câncer. Espera-se encontrar para o sexo masculino 186.155 casos novos e 68.350
óbitos, enquanto que, para o sexo feminino, 216.035 casos novos e 58.610 óbitos
(20).
As maiores taxas de incidência entre os homens foram provavelmente devidas ao
câncer de pele não melanoma, próstata, pulmão, estômago e cólon e reto enquanto
que nas mulheres, destacam-se as neoplasias malignas da pele não melanoma,
mama, colo do útero, cólon, reto e estômago. Provavelmente o câncer de pulmão
foi a primeira causa de morte por câncer no sexo masculino, seguido do câncer
de próstata, estômago, esôfago, cólon e reto. Estima-se que o câncer da mama
feminina manter-se-á como a primeira causa de morte em mulheres, seguido pelo
câncer de pulmão, cólon, reto, colo do útero e estômago(20).
Analisando-se o panorama apresentado, a importância do câncer como um problema
de saúde pública em nosso país torna-se evidente, desencadeando uma discussão
sobre a prevenção do câncer, o comportamento preventivo a este agravo e a PS.
Conceitualmente, prevenir o câncer consiste em reduzir ao mínimo ou eliminar a
exposição aos agentes carcinogênicos além de minimizar a suscetibilidade
individual aos efeitos destes agentes(21). Este é um conceito simplificado.
Poderiam ser acrescentados a ele os aspectos sociais, econômicos e culturais.
Para prevenir o câncer a população deve ser informada sobre os comportamentos
de risco, os sinais de alerta e a freqüência da prevenção. Mas, além disto, é
importante a capacitação dos recursos humanos que atuam nesta área, buscando
uma reorientação para a cultura do câncer e consequentemente mudanças na práxis
destes profissionais(22).
Em oncologia encontra-se o termo prevenção classificado em níveis primário e
secundário. A prevenção primária situa-se no período anterior à doença,
incluindo medidas inespecíficas de proteção de indivíduos contra riscos e danos
(6). Refere-se a toda e qualquer ação voltada para redução da exposição da
população a fatores de risco da doença, tendo como objetivo reduzir a sua
ocorrência, por meio da promoção da saúde e proteção específica(23).
Portanto, a prevenção primária divide-se nas ações de promoção e nas ações de
proteção específicas contra fatores de riscos para o câncer, sendo que a
promoção da saúde se relaciona às medidas inespecíficas da prevenção primária,
como luta contra o tabagismo, orientações sobre dieta saudável e proteção solar
e a proteção específica, refere-se às ações mais diretas, como a vacinação e o
exame de Papanicolaou.
O Instituto Nacional do Câncer(23) considera como principais fatores de risco
para o câncer: o tabagismo; o alcoolismo; os hábitos alimentares,
principalmente em relação ao consumo de alimentos ricos em gordura, nitritos,
alcatrão e aflatoxina; as radiações, sendo estas as ionizantes e as radiações
ultravioletas natural, provenientes do sol; o uso de medicamentos, que podem
ter efeito carcinogênico ou ainda supressores imunológicos; o uso de hormônios
e fatores reprodutivos; o contato com os agentes infecciosos e parasitários; a
exposição ocupacional, com exposição a agentes químicos, físicos ou biológicos
e; a poluição do ambiente geral.
A prevenção primária destaca-se como a melhor alternativa quando comparada ao
diagnóstico ou mesmo ao tratamento do câncer. Visto que apesar de sermos
incapazes de mudar nossa predisposição genética, podemos ter a possibilidade de
intervenção para prevenir exposições e os fatores causais do câncer(24).
A prevenção secundária é o rastreamento (screening) do câncer. Entende-se por
rastreamento uma avaliação de indivíduos assintomáticos, para classificá-los
como candidatos a exames mais refinados de avaliação, com o objetivo de
descobrir um câncer oculto ou uma afecção pré-maligna que pode ser curada com
tratamento. (BRASIL, 2002).
O rastreamento é a única estratégia potencialmente capaz de reduzir a
mortalidade em dois grupos de câncer: aqueles encontrados com freqüência, para
os quais o tratamento, se metastizados, não é curativo e aqueles cujas causas
não são conhecidas e, portanto, a possibilidade de prevenção primária não
existe. Ele está baseado na suposição de que o diagnóstico precoce do câncer
resultará na sua descoberta antes que ocorram metástases fatais. O rastreamento
é factível para diversos tipos de câncer incluindo o de mama, o da cérvice
uterina, o de intestino grosso, o de estômago e o melanoma maligno(25). São
exemplos de ações para detecção precoce a colpocitologia, a momografia e o
auto-exame da boca.
É indiscutível que a prevenção do câncer é uma prática possível. As práticas de
prevenção, entretanto, não estão sendo aplicadas em sua plenitude. Estas
dependem da vontade dos políticos, da sensibilização dos profissionais de
saúde, e da motivação dos pacientes(26). Ainda hoje, muitas mulheres continuam
morrendo por câncer de colo uterino por falta de detecção e diagnóstico
precoce, ou seja, as medidas adotadas até o momento, não tiveram o impacto
desejável(27).
Sendo assim, quatro programas de prevenção e detecção precoce deveriam ser
considerados prioritários à nossa realidade. A prevenção dos cânceres do colo
uterino, de mama, de boca e de pele. Porém, estes programas continuam a
enfrentar problemas para se desenvolver.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Enfim, o ensaio apresentado representa o que se tem feito para efetivar-se as
ações de prevenção do câncer e promoção da saúde. Seria equânime considerar-se
que houve avanços nas últimas décadas, mas a qualidade de vida e a vida
saudável tão sonhadas pelos indivíduos e preconizadas pelo modelo biomédico
ainda não foram conquistadas com eqüidade, sendo este talvez o principal
desafio para o século XXI. Nesse sentido, acredita-se que a valorização dos
conhecimentos, das crenças, dos valores e das normas dos indivíduos, entendidas
de uma forma ampla e heterogênea(28), são fundamentais na reorientação dos
serviços de saúde. Propõe-se então a realização de novas pesquisas na área da
promoção da saúde e prevenção do câncer, bem como, mudanças na educação formal
da população e no ensino específico dos profissionais da área de saúde, uma vez
que, estes podem proporcionar uma maior adesão aos programas de promoção da
saúde e prevenção do câncer pelos indivíduos.