Expressão de p53, p16 E COX-2 em carcinoma escamoso de esôfago e associação
histopatológica
ARTIGO ORIGINAL ORIGINAL ARTICLE
Expressão de p53, p16 E COX-2 em carcinoma escamoso de esôfago e associação
histopatológica
p53, p16 E COX-2 expression in esophageal squamous cell carcinoma and
histopathological association
Izabella Paz Danezi FelinI, II; Ivana GrivicichI, III, IV; Carlos Roberto
FelinI, V, VI; Andrea RegnerI, III, IV; Adriana Brondani da RochaI, III, IV
IPrograma de Pós-graduação em Genética e Toxicologia Aplicada, Universidade
Luterana do Brasil, Canoas, RS
IIDepartamento de Patologia, Universidade Federal de Santa Maria, RS
IIIPrograma de Pós-graduação em Diagnóstico Genético e Molecular, Universidade
Luterana do Brasil
IVLaboratório de Marcadores de Estresse Celular, Centro de Pesquisas em
Ciências Médicas, Universidade Luterana do Brasil
VHospital da Brigada Militar de Santa Maria, RS
VIHospital Universitário da Universidade Federal de Santa Maria
Correspondência
INTRODUÇÃO
O câncer de esôfago representa cerca de 2% dos tumores malignos e a terceira
causa mais comum de câncer do trato gastrointestinal. Aproximadamente 85% dos
cânceres de esôfago são carcinomas de células escamosas(6, 10). A carcinogênese
esofágica tem associação com vários fatores, incluindo: ambientais, estilo de
vida, distúrbios esofagianos e agentes predisponentes como doença celíaca e
raça negra(6).
O diagnóstico de câncer de esôfago envolve suspeita clínica, quando são
relatados sinais e sintomas, tais como disfagia progressiva e emagrecimento,
odinofagia e dor retroesternal. Na investigação diagnóstica é essencial efetuar
endoscopia digestiva alta com biopsia, seguida de exame histopatológico(3, 21,
31). No caso de positividade tumoral, a ressecção da peça cirúrgica, com
posterior análise histológica, incluindo graduação e estádio tumoral, feito
através do sistema TNM, tem importância prognóstica e terapêutica(6, 27).
A carcinogênese esofágica envolve descontrole da proliferação, diferenciação e
apoptose celular, observando-se assim, alterações genéticas relacionadas com o
controle desses processos(18). A carcinogênese esofágica envolve múltiplas
etapas, onde agentes carcinogênicos atuam provocando mutações no DNA, que podem
ou não ser corrigidas pelos genes de reparo do DNA. Quando o dano ao DNA é
intenso e o reparo é insuficiente, o mecanismo de apoptose é ativado e a célula
é eliminada. A ativação do reparo e da apoptose pode ocorrer através da ação da
proteína p53 selvagem que interrompe o ciclo celular, verifica possíveis danos
do DNA e, se necessário, induz o reparo ou ativa o mecanismo de apoptose.
Entretanto, quando ocorre mutação no gene p53, a proteína p53 torna-se não-
funcional, levando a uma instabilidade genética e iniciando a transformação
maligna(6, 13, 28). De modo geral, as mutações, na tumorigênese, podem
ocasionar ativação dos oncogenes, inativação de genes supressores tumorais e
alterações dos genes de reparo do DNA(4, 6). Os produtos dos genes mutantes são
chamados oncoproteínas e podem ser identificadas através do exame
imunoistoquímico(22, 26).
Neste sentido, a associação do prognóstico do câncer de esôfago com alguns
marcadores imunoistoquímicos, tais como as proteínas p53, p16 e a
ciclooxigenase 2 (COX-2) têm sido relatada(18, 20). As proteínas p16, p21 e p53
são inibidoras do complexo CDK4/6 e ciclina D1, que é o complexo responsável
pela fosforilação da proteína repressora pRB, levando à parada do ciclo celular
em G1(7).
A COX-2 é uma enzima presente em processos inflamatórios, responsável por
sintetizar prostanóides a partir do ácido aracdônico, importante na conversão
do ácido aracdônico em prostaglandina. É expressa numa série de tumores,
principalmente os associados à inflamação e está envolvida no processo de
carcinogênese e inibição da apoptose. Sua presença pode ser fator prognóstico
independente, cujo nível de expressão tem sido relacionado ao desenvolvimento
de metástases à distância, recurrências, menor sobrevida e grau de invasão
vascular(8).
No presente estudo, avaliou-se se existe associação entre a expressão das
proteínas p53, COX-2 e p16 com o estádio do carcinoma, escamoso de esôfago.
MÉTODOS
Seleção de casos
Foram escolhidos blocos de parafina (n = 31) contendo amostras de tecido
obtidas de produtos de ressecção por esofagectomia anteriormente diagnosticados
como carcinoma de células escamosas de esôfago humano. Os blocos foram
provenientes do arquivo do Serviço de Patologia do Hospital Universitário de
Santa Maria (HUSM), RS, referentes aos exames histopatológicos rotineiros
realizados no período entre 1998 e 2003. Amostras de áreas não-tumorais de
mucosa adjacente, referentes a cada caso, foram incluídas no estudo (n = 31),
para fins de comparação da expressão imunoistoquímica entre áreas não-
neoplásicas e neoplásicas.
Como critério de inclusão, foi considerada a existência e a conservação
adequada de todos os blocos de parafina referentes a cada caso no período de
tempo destinado ao estudo. Foram considerados critérios de exclusão a má
conservação dos blocos de parafina, arquivo incompleto, dúvidas diagnósticas,
outros diagnósticos, produtos de biopsias, casos fora do período estipulado,
casos tratados com quimioterapia e ou radioterapia neoadjuvante e casos com
artefatos de fixação e processamento.
O protocolo experimental desenvolvido neste estudo foi submetido e aprovado
pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos e Animais da Universidade
Luterana do Brasil (ULBRA) sob protocolo CEP-ULBRA 2006-266H.
Processamento histológico
Foram obtidos de todos os blocos cortes histológicos com 4 mm de espessura,
montados em lâminas histológicas tratadas com silano (4%) e coradas com
hematoxilina-eosina (H-E) para reavaliação histopatológica.
A revisão histopatológica em todos os casos foi realizada por dois patologistas
experientes, de forma independente, sem identificação dos casos. Eventuais
resultados conflitantes foram discutidos pelos mesmos para definição consensual
da análise.
Procedeu-se à graduação, estádio pTNM e caracterização de itens relativos ao
preenchimento de um instrumento recomendado para câncer esofágico(17), adotado
pelo Serviço de Patologia do HUSM.
Dos itens envolvidos na padronização do laudo anatomopatoló-gico em esôfago,
foi selecionado o estádio (pTNM), muito relacionado ao prognóstico em câncer de
esôfago, confrontando-o com os resultados imunoistoquímicos. Também foram
confrontadas as expressões das proteínas p53, p16 e COX-2 em tecido tumoral e
não-tumoral.
Imunoistoquímica
Através de imunoistoquímica(2, 11) foram pesquisados, em todos os casos (n =
31) de carcinoma de esôfago e mucosa adjacente, as proteínas p53, COX-2 e
p16ink 4a.
As lâminas contendo amostras tumorais e não-tumorais de esôfago foram
desparafinizadas em xilol e hidratadas em álcool etílico absoluto. A seguir,
uma lâmina de cada bloco foi corada pela técnica de H-E e outras lâminas foram
desparafinizadas e imunocoradas pela técnica imunoistoquímica para o marcador
específico.
Para todos os marcadores foram seguidos os passos de desparafinização e
recuperação antigênica de acordo com as orientações dos fabricantes, para p53
(Dakocytomation/EUA), para COX-2 (Chemical Co.) e para p16 (Neomarkers/EUA).
Resumidamente, as lâminas foram tratadas com tampão de ácido cítrico (pH 6,00)
para reativação do antígeno e lavadas em solução salina tamponada. Após, foram
tratadas com peróxido de hidrogênio (H2O2) a 3% por 5 minutos, para bloqueio da
peroxidase endógena. A seguir foram incubadas "overnight" a 4-8ºC com os
respectivos anticorpos primários: p53 (anticorpo monoclonal de camundongo,
clone DO-7; DakoCytomation/EUA), na diluição 1:1800; COX-2 (anticorpo
monoclonal de camundongo, clone CX229; Cayman Chemical Co./EUA), na diluição 1:
100; p16 (anticorpo monoclonal de camundongo, clone AP4 (16PO4); Neomarkers/
EUA).
Posteriormente todas as lâminas foram lavadas com PBS com Tween, aspirado o
excesso e instilado o Envision Mouse (REF:4001-Dako). No sistema Envision, o
anticorpo secundário (anti-camundongo) e sistema de detecção foram incubados em
um só passo da reação imunoistoquímica por 45 minutos, em temperatura ambiente.
A revelação dos anticorpos foi realizada através da reação da enzima peroxidase
visualizada pela coloração com DAB
((3-3)-tetrahidrocloreto de diaminabenzidina), contra-corados com hematoxilina
da Haris e analisados em microscópio óptico (OLYMPUS BX40), nos aumentos 40X,
100X, 200X, 400X, por dois patologistas de forma "duplo cego".
Análise imunoistoquímica
A imunolocalização das proteínas p53 e p16 foi considerada positiva ou negativa
de acordo com a quantidade de células imunomarcadas. Foi considerado p53
positivo quando a expressão nuclear ocorreu em quantidade igual ou superior a
10,00% das células imunocoradas. O p53 negativo foi obtido quando a expressão
nuclear foi inferior a 10,00% das células imunomarcadas. Para p16 positivo
consideramos expressão nuclear ou nuclear e citoplasmática, mas nunca apenas
citoplasmática, em quantidade igual ou superior a 10,00% das células
imunomarcadas. Já o p16 foi considerado negativo quando a expressão nuclear ou
nuclear e citoplasmática, mas nunca apenas citoplasmática, foi inferior a
10,00% das células imunomarcadas.
A imunoreatividade da COX-2 foi considerada positiva ou negativa, de acordo com
a intensidade de coloração nas células. Considerou-se COX-2 negativo quando da
ausência da expressão citoplasmática e COX-2 positivo quando da presença de
expressão citoplasmática. Os casos COX-2 positivos foram categorizados de
acordo com a intensidade de coloração em escores: escore 1+, intensidade
discreta da expressão citoplasmática; escore 2+, intensidade moderada da
expressão citoplasmática; escore 3+, intensidade acentuada da expressão
citoplasmática.
A leitura das lâminas para interpretação imunoistoquímica foi realizada de
forma "duplo cego", por dois patologistas experientes da Consultoria em
Patologia Dr. Carlos E. Bachi, Botucatu, SP.
Análise estatística
A análise estatística entre os resultados da imunorreatividade das proteínas
p53, p16 e COX-2 e sua associação com o estádio do tumor foi obtida com o
emprego do teste do qui ao quadrado de associação. A comparação da expressão
das proteínas entre o tecido normal e o tecido tumoral empregou o teste exato
de Fischer. Para todos os testes foi utilizado o software GraphPad Instat
(versão 3.05, GraphPad Software Incorporation, San Diego, CA, EUA).
RESULTADOS
Caracterização da amostra
Foram estudados 31 casos de carcinoma de células escamosas, 25 (80,64%) homens
e 6 (19,35%) mulheres, com média de idade de 55 anos. Em relação à localização,
é possível dizer que a maioria dos tumores, 16 casos (51,61%), foram
encontrados no terço inferior do esôfago, seguido por 13 casos (41,93%), no
terço médio, 1 caso (3,22%), no terço superior e 1 caso (3,22%), nos terços
médio e inferior, concomitantemente (Tabela_1).
A avaliação da diferenciação tumoral revelou 14 casos (45,16%) moderadamente
diferenciados, 12 (38,70%) bem diferenciados e 5 (16,12%) pouco diferenciados.
Em 25 casos (80,64%) não foi detectada invasão vascular e em 23 (74,19%) não se
observou invasão perineural (Tabela_1).
Segundo o estádio tumoral TNM, 13 casos (41,93%) foram estádio IIA, 13 (41,93%)
foram estádio III, seguidos por 3 (9,67%) estádio IIB e 2 (6,45%) estádio I.
Desta forma, os resultados indicam a predominância para os estágios IIA e III
(Tabela1).
Expressão imunoistoquímica de p53, p16 e COX-2
A análise imunoistoquímica da hiperexpressão do p53 foi estatisticamente
diferente do tecido normal (P = 0,0016) em 15 amostras tumorais (48,38 %)
(Tabela_2).
Não foi detectada marcação imunoistoquímica estatisticamente diferente do
tecido normal em relação ao p16 (Tabela_2).
Na análise estatística a coloração positiva para p53 e p16 foi considerada
positiva, quando mais de 10,00% das células apresentavam coloração nuclear para
p53, nuclear e citoplasmática para p16.
Foram evidenciados 24 amostras tumorais (77,41%) positivos 3+ para COX-
2 estatisticamente diferentes do tecido normal não tumoral (P<0,0001). Este
comportamento não ocorreu em relação às intensidades de coloração 1+ e 2+ para
COX-2 (Tabela_2).
Na análise estatística foi considerada como coloração positiva para COX-2 a
presença de reatividade citoplasmática, de forma semiquantitativa e
comparativa. A reatividade positiva para COX-2 foi classificada de acordo com a
intensidade da presença da expressão citoplasmática de coloração em escores 1,
2, 3, respectivamente, para intensidades leve, moderada e acentuada.
Associação entre estádio e expressão dos marcadores p53, p16 e Cox 2
De 31 carcinomas de células escamosas de esôfago, 15 foram p53 positivos e
destes, a maioria, 7 casos (46,66%) foi estádio III (Tabela_3). De 26
carcinomas de células escamosas negativos para p16, a maioria, 11 casos
(42,30%) foi estádio IIA (Tabela_3).
A análise estatística avaliando a associação entre os marcadores p53 e p16 com
o estádio das amostras, não mostrou associação estatisticamente significante
(Tabela_3).
Em relação à COX-2, das 24 amostras de tumor COX-2 3+, 13 (54,16%) foram
estádio III (Tabela_3).
A análise estatística correlacionando o marcador COX-2, escore 3+, com estádio
mostrou que existe associação estatisticamente significante (P = 0,01) (Tabela
3).
DISCUSSÃO
O diagnóstico do câncer esofágico geralmente é realizado tardiamente,
identificado pelo aparecimento da disfagia. Desta forma, a detecção é feita nas
formas avançadas cuja sobrevida de 5 anos é inferior a 10%. Alterações nos
mecanismos moleculares que regulam a diferenciação, crescimento, invasão e
morte celular determinam o comportamento maligno neoplásico, contribuindo para
o estabelecimento e progressão dos tumores esofágicos. Neste sentido, a
identificação de alterações moleculares complementará as informações
histopatológicas e poderá trazer subsídios para a avaliação prognóstica dos
tumores e pacientes. No presente estudo avaliou-se a existência de associação
entre a expressão das proteínas p53, COX-2 e p16 com o estádio do carcinoma
escamoso de esôfago(6).
A caracterização geral da amostra revela que 80,64% dos casos estudados são
relativos a pacientes do sexo masculino, com idade média de 56 anos. Esta
distribuição está de acordo com o observado na literatura(6, 10).
De cinco amostras pobremente diferenciadas, quatro foram positivas para o
marcador p53, colaborando para o fato de p53 ser um marcador de pior
prognóstico, enquanto que de 26 amostras entre moderadamente e bem
diferenciadas, 10 foram p53 positivas. Nos carcinomas de células escamosas bem
diferenciadas, 100% foram p16 negativos, enquanto que 21,42% dos moderadamente
diferenciados e 40% dos pouco diferenciados, foram p16 positivos.
Nos carcinomas de células escamosas pouco diferenciadas, 100% foram COX-
2 positivo 3+, 64,28% dos moderadamente diferenciados e 83,33% dos bem
diferenciados foram COX-2 positivo 3+. A marcação de COX-2 positivo 2+ ocorreu
em 16,67% dos bem diferenciados, em 35,71% dos tumores moderadamente
diferenciados e em nenhuma amostra pouco diferenciada.
Quanto ao estádio tumoral, 83,87% dos casos estão no estágio llA e lll. Destes,
46,15% foram positivos para o marcador p53. Para o marcador p16, 80,76% dos
casos foram negativos e 19,23% foram positivos. Para COX-2, 84,61% foi positivo
3+ e 15,38% positivo 2+.
Em mucosa normal de esôfago, pode-se determinar as diferenças de intensidade de
coloração em relação à área tumoral, pois se observa que começa a aparecer a
positividade 1+ para COX-2, embora nenhum dos casos tenha sido negativo para
COX-2. Nas amostras não-tumorais, 38,71% foram positivas com intensidade 1+
para COX-2. Destas, 8,33% foram positivas para p53 e 91,66% negativos. De
58,06% de casos com intensidade 2+, 94,44% foram negativos para p53 e 5,56%
positivos para p53. De 3,23% com intensidade 3+ para COX-2, 100% foram também
positivos para p53. Não houve nenhum caso COX-2 positivo 3+ e p53 negativo.
Em área tumoral, 48,38% dos casos foram positivos para p53, enquanto que 90,32%
das amostras de mucosa normal foram negativas para o p53, porém 9,67% das
amostras não-tumorais foram p53 positivas. Tais observações são concordantes
com estudos que apontam ser a oncoproteína p53 detectada por imunoistoquímica
por ser produto de gene mutante. Mais ainda, ela só pode ser visualizada na
forma mutante quando tem uma meia vida mais longa e tende a se acumular no
núcleo, onde é visualizada. Entretanto, algumas situações especiais, como as
que envolvem interações com proteínas virais, lesão celular ou proliferação
celular, são capazes de alterar a estabilidade da proteína e, conseqüentemente,
apresentar proteína p53 mesmo selvagem, detectável no estudo imunoistoquímico
(1, 5, 15).
O p53 é o principal gene alterado em tumor de esôfago, sendo que o carcinoma
esofágico apresenta a segunda maior incidência de mutação neste gene, pois
cerca de 40,00% dos carcinomas escamosos de esôfago possuem esta mutação(6). Na
presente investigação, 48,38% das amostras tumorais apresentaram p53 mutante
detectado pela presença da oncoproteína.
Em relação ao marcador p16, somente 16,12% das amostras de tumor foram
positivas para p16 e 84,37% foram p16 negativas, o que muito provavelmente
ocorra pela alta agressividade do tumor. A hiperexpressão da p16 tem sido
relacionada a melhor prognóstico para carcinoma de células escamosas, pois a
hiperexpressão da p16 em área tumoral sugere que não houve hipermetilação do
gene CDKN2A, que normalmente codifica esta proteína(29). A maioria dos
carcinomas escamosos de esôfago tem hipermetilação do gene CDKN2A e, por isto,
50%-70% deles não expressam p16, sendo isto um fator de pior prognóstico(9, 19,
25).
O marcador COX-2 escore 3+, com acentuada expressão citoplasmática, foi
positivo em 100% dos casos em área tumoral, correspondendo este valor a 77,42%
COX-2 escore 3+, enquanto que em mucosa adjacente apenas 3,23% correspondem a
COX-2 escore 3+. Com isso, é possível sugerir que a intensidade mais acentuada
de coloração para COX-2, ou seja, o escore 3+ possa se relacionar com a
presença do tumor. Segundo o estádio tumoral, apenas a expressão citoplasmática
na intensidade acentuada da COX-2, ou seja, no escore 3+ apresentou associação
estatisticamente significante, o que está de acordo com os estudos que apontam
a proteína COX-2 como indicadora de prognóstico no câncer esofágico(12, 14, 16,
23, 24, 30, 32).
CONCLUSÕES
Com base nos achados deste estudo, pode-se dizer que houve relação positiva
entre a expressão de COX-2 escore 3+ e estádio mais avançado da doença,
enquanto que as proteínas p53 e p16 não podem ser associadas ao estádio destes
tumores, devendo ser mais amplamente estudadas em relação a outros parâmetros
histopatológicos, tais como: invasão e tamanho do tumor.