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BrBRCVHe0004-28032004000300007

National varietyBr
Country of publicationBR
SchoolLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN0004-2803
Year2004
Issue0003
Article number00007

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Análise espectral da atividade mioelétrica do cólon esquerdo ARTIGO ORIGINAL ORIGINAL ARTICLEINTRODUÇÃO Para a compreensão adequada do funcionamento e distúrbios do trato gastrointestinal, são necessários entendimentos de seus processos anatômicos e fisiológicos. Patologias que alterem o funcionamento normal do intestino são freqüentes e de difícil compreensão e controle.

Grande número de distúrbios clínicos tem sua origem nas alterações da motilidade intestinal. Anormalidades na motilidade do cólon estão sendo identificadas nas síndrome do intestino irritável(1, 2, 5, 6, 11, 33, 68, 69), doença diverticular(3, 48, 50, 61), colite ulcerativa(60, 63), megacólon idiopático e chagásico(15, 18, 32, 37, 38, 43, 45, 46, 53), diarréia crônica (30, 52) e constipação(16, 35, 40, 42, 47, 66, 67). A fisiopatologia das alterações gastrointestinais dos pacientes diabéticos insulinodependentes, também, não está definida. As constipações que acompanham estes pacientes, em alguns casos acarretam impacção fecal(44, 51). Outro aspecto importante que interfere com a motilidade colônica, é o íleo paralítico. Íleo paralítico pós- operatório é um distúrbio conhecido que causa grande desconforto aos pacientes, prolongando a hospitalização, aumentando a morbidade e o custo do tratamento.

A dificuldade em controlar essas patologias é decorrente da pouca compreensão da fisiologia e, principalmente, da eletrofisiologia dos intestinos, particularmente do cólon(33, 41), que talvez seja o segmento do trato gastrointestinal menos compreendido e estudado. Apesar de apresentar como funções básicas a absorção, secreção e armazenamento dos alimentos digeridos, movendo-os em direção ao reto e posteriormente eliminando-os através da defecação(59), os movimentos de propulsão, armazenamento e mistura, realizados pelo cólon, resultam em intricado e pouco entendido padrão de motilidade.

Esta pouca compreensão do padrão de motilidade está diretamente relacionada ao tipo de controle que é exercido no cólon, que sofre influência direta de fatores miogênicos, representados principalmente, pela musculatura lisa que o recobre, de fatores neurais, envolvendo o sistema nervoso central, sistema nervoso autônomo e entérico, e de fatores humorais.

A correta interpretação dos sinais elétricos do cólon parece ser o passo fundamental para a interpretação adequada dos fenômenos motores do cólon(9, 64). Existem, basicamente, dois tipos de ondas elétricas no cólon: um potencial elétrico regular (marca-passo), chamado de atividade elétrica de controle, e uma série intermitente de rápidos potenciais de ação, sobrepostos à atividade elétrica de controle, chamados de atividade elétrica de resposta (contração) (64).

A atuação medicamentosa e cirúrgica sobre as afecções motoras do cólon, apresenta resultados um tanto quanto desapontadores.

Deste modo, tentou-se avançar no conhecimento da atividade elétrica do cólon esquerdo como passo inicial na compreensão de alterações fisiopatológicas e possíveis intervenções clínicas e/ou cirúrgicas.

Com o objetivo de realizar análise espectral da atividade elétrica do cólon esquerdo de pacientes sem alterações clínicas, o presente estudo foi idealizado.

CASUÍSTICA E MÉTODOS Este estudo foi realizado no laboratório de Motilidade Intestinal do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE.

O protocolo de estudo foi submetido a avaliação da Comissão de Ética do Hospital das Clínicas da UFPE, que o aprovou sem restrições.

Os pacientes selecionados para o estudo receberam explicação verbal, prestada pelo médico-assistente, e escrita do presente estudo. Apenas os pacientes que concordaram com os propósitos do estudo foram selecionados para a aposição dos eletrodos.

Foram estudados 17 pacientes do sexo feminino, com diagnóstico de mioma uterino e com indicação de histerectomia total abdominal.

Foram incluídas as pacientes com diagnóstico ultra-sonográfico de mioma uterino, alterações clínicas representadas por alterações menstruais, hipermenorréia, dor abdominal e/ou tumoração abdominal. Todas as pacientes apresentavam exames complementares pré-operatório dentro da normalidade e foram submetidas ao exame preventivo de câncer cervicouterino (teste de Papanicolau).

Em todas as pacientes o resultado foi negativo para células neoplásicas.

Considerou-se como fator de exclusão: * presença de constipação intestinal, definida como número menor de três evacuações por semana(46); * presença de doenças associadas; * utilização de maneira rotineira de medicações do tipo laxantes, betabloqueadores, bloqueadores do canal de cálcio, antidepressivos, tranqüilizantes e outras drogas que poderiam afetar a motilidade intestinal; * classificação do risco cirúrgico e anestésico da American Society of Anaesthesiology nas categorias III, IV e V; * epidemiologia positiva para doença de Chagas.

Durante o estudo foram excluídos pacientes que apresentaram: * suspeita clínica ou eletromiográfica de saída do eletrodo da posição fixada; * presença de complicações transoperatórias e pós-operatórias; Uma paciente foi excluída do estudo por apresentar suspeita de deslocamento do eletrodo.

A faixa etária variou de 36 a 62 anos com média de 42 ± 8,7.

O preparo pré-anestésico foi realizado com midazolan (ansiolítico do grupo dos benzodiazepínicos), na dose de 7,5 mg por via oral, 30 minutos antes do início da indução anestésica.

Foi realizada a histerectomia total abdominal, associada à anexetomia unilateral em dois casos. A incisão utilizada foi a transversa suprapubiana em 14 pacientes e a mediana infra-umbilical em dois pacientes. As cirurgias foram realizadas sob anestesia peridural com bupivacaina a 0,5% em 12 pacientes e nas outras 4 pacientes foi associada à anestesia geral.

Utilizou-se antibioticoprofilaxia em todas as pacientes e a escolha dos antibióticos, assim como sua duração, seguiram as normas da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital das Clínicas da UFPE. Foram administrados, na indução anestésica, 1 g de cefazolina, por via endovenosa. A cobertura antimicrobiana se deu apenas durante o procedimento cirúrgico.

Ao término do procedimento cirúrgico, caso não houvesse nenhuma intercorrência operatória, eletrodos bipolares do tipo MP-285-B, Monicrom 2-0, cardiovascular do tipo fio de marca-passo, foram implantados na tênia anterior do cólon sigmóide(9, 19, 20, 21, 22, 25, 27, 28, 54). Os fios de marca-passo foram isolados por teflon e apresentavam em sua extremidade uma área descoberta, de cerca de 4 cm. Esta área descoberta é a área implantada na tênia do cólon.

Foram implantados três pares de eletrodos, cada par distando 5 cm entre si, estando o último par distante 20 cm da reflexão peritonial. Os eletrodos foram fixados no local de inserção no cólon, com fio de catgut simples 3-0 em pontos simples. Os eletrodos foram expostos, no flanco esquerdo do paciente, e fixados à pele com mononylon 4-0.

Após a recuperação do íleo paralítico, com o paciente em dieta livre e de alta hospitalar, realizou-se uma aquisição de dados da atividade mioelétrica do cólon. A sessão de aquisição se deu com o paciente em jejum e por um período de 1 hora. Após a realização do registro, os eletrodos foram retirados mediante tração.

Os sinais de atividade elétrica do cólon foram captados e enviados a um microcomputador, através de um sistema de aquisição de dados ' DATAQ, Akron, OH, Série 200 ' que identifica e capta freqüências entre 0,02 e 10 Hz. Os dados são registrados, armazenados e analisados utilizando-se software de aquisição ' WINDAQ 200 ' que trabalha em ambiente Windows.

A aquisição dos dados se deu com amostragem de 40 pontos por segundo, que provou ser eficaz na análise do sinal elétrico do cólon(9, 21).

O sinal do intestino apresenta amplitude muito pequena, sendo acompanhada por ruído de modo comum, de amplitude muitas vezes superior ao próprio sinal. Com o objetivo de purificar este sinal e evitar ruídos, foi idealizado circuito contendo como estágio de entrada um amplificador de instrumentação especial, permitindo relação de ganho de 1 a 1000, excelente razão de rejeição de modo comum e altíssima impedância de entrada. Neste estágio, grande parte do ruído de modo comum é eliminado, mantendo equilíbrio de impedâncias conectadas a cada uma das portas inversoras e não-inversoras do amplificador. Em seguida, o sinal passa por um filtro de Butterworth de quarta ordem, com freqüência de corte em torno de 15 Hz. Por fim, aplica-se um novo ganho ao sinal, tornando- o compatível com as características de entrada do sistema(29).

O software de análise dos dados permite análise através de algoritmos baseados na transformada de Fourier. O programa usa o FFT (Fast Fourier Transform) para depurar e analisar os dados. Este programa tem uma resolução de 0.23 ciclos/ minuto. Feito isso, ocorre a separação da atividade elétrica de controle (AEC) e da atividade elétrica de resposta (AER). As freqüências situadas abaixo de 0,3 Hz são selecionadas para a AEC, enquanto que os dados situados entre 0,7 e 10 Hz, para a análise da AER.

Na análise da AEC, determinaram-se as freqüências dominantes e suas respectivas percentagens. A freqüência dominante é aquela que apresenta a maior magnitude e durante cada minuto foi classificada, conforme o número de ciclos, em: baixa (0-9 ciclos/minuto), média (>9-15 ciclos/minuto) e alta (acima de 15 ciclos/ minuto).

Na AER o sinal deve ter duração mínima de >0,6 s e média de amplitude maior que a linha basal. O início e o fim do tempo e duração de cada AER foram classificados como de curta (<6,7s) ou longa (>6,7s).

O complexo motor migrante foi considerado como o aparecimento de uma contração de longa duração, ou grupos de contrações de longa duração em, no mínimo, dois sítios de eletrodos, em tempos diferentes.

Na análise elétrica da atividade intestinal, foi considerada a voltagem média da onda elétrica nos três eletrodos de todos as pacientes, expressa em milivolts, assim como os valores máximo e mínimo, variância, o RMS (root mean square), "skewness" e o resultado da transformada de Fourier.

O RMS é expresso em milivolts e determina a tensão eficaz da onda elétrica, enquanto que o "skewness", também é expresso em milivolts e determina a grau de assimetria da onda elétrica.

Foram realizados testes com simulador de sinais, introduzindo sinais com características conhecidas antecipadamente. Foram também rejeitadas contrações que começavam simultaneamente e que têm a mesma duração, amplitude e características em todos os eletrodos. Estas contrações foram consideradas como artefatos.

O tamanho da amostra foi determinado através de métodos estatísticos(17, 24). O número de 16 pacientes mostrou ser adequado para o objetivo do estudo.

Nos dados obtidos foi realizado teste de análise de variância (ANOVA) a fim de obter a confirmação de que os dados numéricos encontrados apresentavam distribuição gaussiana. Realizou-se então, o teste de t de Student para amostras independentes, sendo considerado o valor de P<0,05 como indicativo de diferença estatisticamente significativa.

RESULTADOS Não houve mortalidade relacionada à metodologia ou ao procedimento cirúrgico nas 17 pacientes estudadas. A idade média foi de 44,6 ± 9,5.

Uma paciente foi excluída do estudo por apresentar suspeita de deslocamento do eletrodo; outra referiu dor no momento da retirada do mesmo.

O tempo cirúrgico para a colocação do eletrodo variou de 9,8 ± 2,8 minutos.

Dentre as variáveis qualitativas consideradas fatores de confusão, não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos estudados quanto a: presença de doenças associadas, classificação do risco anestésico cirúrgico da American Society of Anesthesiology e idade.

O resultado da análise espectral das pacientes está exposto na Tabela_1.

A AEC esteve presente em todos os momentos de todos os registros das pacientes de ambos os grupos, sendo predominantemente a de baixa freqüência. Quando se analisou a AER de curta duração, identificaram-se 98,6 ± 17,3 contrações, com duração média de 2,30 ± 0,30 (Tabela_2). Com relação à atividade elétrica de resposta de longa duração, identificaram-se 8,1 ± 3,2 contrações, com duração média de 11,30 ± 0,39. O número de complexo motor migrante foi de 0,8 ± 0,6 (número/hora) (Tabela_2).

Na Tabela_3 foi realizada análise espectral das contrações de longa duração.

Analisaram-se 129 contrações de longa duração.

Na Tabela_4 analisou-se o RMS. Estratificaram-se três períodos da leitura: a média global da leitura elétrica nos três eletrodos, nas contrações de longa duração e nos períodos em que não havia contrações, denominado período de repouso. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os três períodos estudados

COMENTÁRIOS A maioria dos conhecimentos atuais da motilidade do cólon é baseada em observações do trânsito de contraste baritado(14, 34, 40, 62) e das leituras manométricas quer por meio de cateteres, quer por meio de balões intraluminares (13, 36, 39, 49, 62).

Os estudos manométricos são usados com sucesso no estudo da motilidade esofagiana. No entanto, sua aplicação no estudo da motilidade colônica, não conseguiu reproduzir os eventos ocorridos na parede do cólon(4, 10, 20). A provável explicação para isto é que o cólon funciona como uma câmara aberta e que nunca está colabada, diferentemente do esôfago.

Nem sempre o aumento de pressão representa contração no sítio do cateter. Este pode reproduzir contrações ocorridas em outros segmentos do cólon e, às vezes, em outros órgãos, ou seja, ele traduzirá, em contração, qualquer mudança de pressão em sua ponta(20). Além do que, nem sempre os cateteres intraluminares registram contrações discretas da musculatura do cólon(4, 10). FERRAZ et al.

(20) analisaram a relação entre as leituras de um cateter intraluminar, colocando na mesma posição um eletrodo de serosa no cólon de macacos. O resultado do estudo demonstrou que o registro obtido pelo cateter intraluminar de pressão nem sempre reflete as alterações contráteis do cólon. Vários são os fatores de confusão e os registros intraluminares coincidiram com os registros contráteis em apenas 21%.

A análise da atividade elétrica do cólon, através de eletrodos posicionados na serosa ou camada muscular, tem tido importância ímpar na compreensão da fisiopatologia da motilidade colônica, no íleo paralítico e na atividade normal do cólon(8, 31, 57). Este método é capaz de detectar alterações discretas na parede do cólon (AEC), assim como, o sentido e velocidade das contrações. Seu grande inconveniente é a necessidade de uma laparotomia para sua implantação.

No presente estudo, utilizou-se uma população de pacientes que necessitou de laparotomia para o tratamento de patologias preexistentes. Deste modo, eliminou-se o inconveniente.

A realização da leitura, em média no quarto dia de pós-operatório, representa a atividade elétrica do pós-operatório tardio. CONDON et al.(9), estudando a atividade elétrica do cólon no pós-operatório, analisaram 14 pacientes que se prontificaram a permanecer com eletrodos por um período de tempo prolongado (11-29 dias). A interpretação eletromiográfica após a recuperação do íleo paralítico pós-operatório foi similar ao pós-operatório tardio, o que faz crer que a leitura eletromiográfica realizada após a recuperação do íleo paralítico e, em média, no quarto dia de pós-operatório, representa a atividade elétrica do paciente.

O parco conhecimento da fisiologia e da fisiopatologia das afecções que acometem o cólon pode estar relacionado à dificuldade de se obter registros fidedignos da atividade motora e elétrica do intestino grosso(9, 57).

A interpretação da atividade elétrica do intestino também pode ser confusa e inadequada.

A utilização de eletrodos bipolares faz com que se compreenda o processo de captação para melhor interpretação dos dados.

O eletrodo bipolar capta a atividade elétrica entre os eletrodos. O sentido desta atividade determina a positividade ou negatividade do sinal, ou seja, determinada atividade está positiva porque aquela onda elétrica percorreu o caminho do eletrodo 1 para o eletrodo 2. Caso nova onda elétrica percorra o caminho inverso (eletrodo 2 para o eletrodo 1), esta irá ser representada no gráfico como uma onda negativa. Deste modo, a interpretação da atividade elétrica de determinado segmento do intestino, utilizando eletrodos bipolares, pela análise simples da voltagem média, poderá ser inadequada. A voltagem média nas pacientes histerectomizadas foi de 57,049 ± 163,498 mV. Esta grande variação, considerada um desvio padrão mais de 2 vezes o valor da média, representa bem este problema. A atividade elétrica variou de '1266,39 a 1303,993. A contração definida pelo valor de '1266,39 milivolts representou uma contratilidade, uma força, similar a de 1303,993, diferenciando apenas no sentido em que foi realizada.

A utilização do RMS parece mais apropriada. Este determina a tensão eficaz de uma onda elétrica e em sua fórmula utiliza na análise, a raiz quadrada do sinal, eliminando desta forma, o inconveniente da negatividade do mesmo. Na prática o RMS determina a energia do sinal, ou melhor, a força de uma contração (29).

Desta forma, utilizou-se o RMS para analisar o sinal elétrico da atividade do cólon esquerdo. Na Tabela_4, analisou-se o RMS em três situações diferentes: a média geral do sinal em todo período de leitura, durante os períodos de contração de longa duração e nos períodos de repouso, em que não houve identificação de contrações.

Nas pacientes histerectomizadas, a média de leitura foi de 220,828 ± 122,149 milivolts, chegando a 487,950 ± 322,448 milivolts nas contrações de longa duração e retornando a 94,590 ± 35,700 milivolts nos períodos de repouso. Estes valores, entre si, foram estatisticamente significativos.

A análise da "skewness" um indicativo da assimetria da amostra. A análise elétrica do cólon demonstrou grande assimetria. Este fato corrobora os dados de uma definição de padrão mioelétrico do cólon. A função primordial do cólon é de absorção e, para isto, precisa manter o alimento o maior tempo possível em contato com a mucosa. A função propulsiva deve ser lenta, gradual, de modo que realize uma mistura eficaz do bolo fecal. São identificadas contrações migratórias no sentido distal e retrógrado.

A análise motora representada na Tabela_2, demonstrou a presença da AEC em todos os momentos de análise. Este fato vem sendo relatado na literatura e se aceita que a AEC é onipresente no cólon(7, 8, 9, 12, 19, 21, 23, 25, 26, 27, 54, 55, 56, 57, 58). A freqüência da AEC foi predominantemente na baixa freqüência. As contrações de longa duração foram identificadas em 8,1 ± 3,2. as contrações migratórias de longa duração, representadas pelo complexo motor migrante, foram identificadas em 0,8 ± 0,6. O complexo motor migrante é que representa a propulsão dos alimentos. Este complexo poderá ter um sentido distal, em direção ao reto, e um sentido retrógrado. Analisou-se apenas o complexo motor migrante em sentido distal. Este número pequeno condiz com a predominância de absorção do cólon.

Na Tabela_3 foram analisadas as contrações de longa duração identificadas nas leituras de todos os pacientes. No total foram analisadas 129 contrações.

A utilização da transformada de Fourier faz com que se identifique um espectro elétrico de segmentos de sinal (períodos de 1 minuto), chamando de blocos de dados, de cada eletrodo isoladamente. O conjunto destes blocos de dados permite análise fidedigna das alterações elétricas obtidas, assim como permite uma estratificação do tipo de onda a ser analisada(9, 55, 65). A transformada de Fourier é uma técnica matemática que descreve uma onda periódica, não- sinusoidal. Este método fornece um espectro de força, com duração e freqüência da onda elétrica.

Utilizando a transformada de Fourier estratificaram-se os dados obtidos usando 512 pontos por minuto, analisando deste modo, a AEC e a AER. A transformada de Fourier é bastante utilizada na análise e interpretação de dados elétricos, particularmente os dados mioelétricos do trato gastrointestinal, facilitando o manuseio dos dados.

A AER foi atribuída como de curta duração quando apresentou menos de 6,7 segundos, pois este é o valor máximo de uma contração que ocorre dentro de uma ECA de baixa freqüência (60 s/9 cpm = 6,7 s/c)(8, 9).

A caracterização da atividade elétrica do cólon é passo fundamental na correção de problemas intestinais que modifiquem e alterem a função colônica. A compreensão do tipo de atividade elétrica e suas características, serão determinantes no controle e na cura de patologias funcionais do cólon.

A atuação sobre a corrente elétrica do cólon e dos demais órgãos do trato gastrointestinal pode ser a etapa que faltava na compreensão dos fenômenos fisiopatológicos de muitas das alterações motoras do cólon e pode representar o início de grandes avanços na propedêutica de problemas complexos relacionados a este órgão e a diminuição do período de íleo paralítico, assim como a resolução das complicações relacionadas ao megacólon chagásico e idiopático, das alterações motoras do cólon de doentes diabéticos ou, ainda, dos problemas crônicos de diarréia e constipação.

Acredita-se que a definição e a busca de um padrão elétrico do cólon é o passo inicial no manuseio clínico das alterações fisiopatológicas do cólon. Deste modo, determinou-se no presente estudo que: 1. a RMS média do cólon esquerdo é de 220,828 milivolt; 2. durante uma contração de longa duração, a RMS se eleva de maneira estatisticamente significativa de 94,590 milivolts no período de repouso, para 487,950 milivolts.


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