Alterações gastrointestinais no diabetes mellitus: estresse oxidativo e fluxo
sangüíneo da artéria mesentérica - estudo experimental
EXPERIMENTAL GASTROENTEROLOGYINTRODUÇÃO
O diabetes mellitus (DM) é uma síndrome clínica heterogênea, caracterizada por
anormalidades endrócrino-metabólicas, que tem como elementos fundamentais
deficiência absoluta ou relativa na fração secretora da insulina pelo pâncreas
e/ou deficiência na ação da insulina em tecidos alvo, bem como alteração no
metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas. É caracterizada
clinicamente pela poliúria, polidipsia, perda de peso apesar da polifagia,
hiperglicemia, glicosúria, cetose, acidose e, em casos mais graves, o coma.
O estresse oxidativo pode ser responsável pelos sintomas apresentados pelos
pacientes com DM; é definido quando há alteração no balanço pró-oxidante e
antioxidante(1, 21). As alterações por ele causadas podem ocorrer na condução
nervosa, na auto-oxidação da glicose sangüínea, na formação de glicosilação
avançada e na atividade da enzima aldose redutase(15).
Diversas complicações clínicas ocorrem, principalmente, 6 meses após
diagnosticada a doença, quando os sintomas gastrointestinais são os mais
incidentes. Destaque deve ser dado para a gastropatia diabética, disfunção que
ocorre no estômago e que inclui anormalidades na contratilidade gástrica, no
tônus muscular e na atividade mioelétrica gástrica(14, 24).
O fígado executa papel central na manutenção da glicemia, pois está envolvido
no metabolismo dos carboidratos, dos lipídios e mais especificamente, na
gliconeogênese e na glicogenólise. Devido a essencial participação no controle
do metabolismo corporal, esse órgão pode ser afetado no DM e na hiperlipidemia
(9).
Pacientes diabéticos apresentam alterações hepáticas, entre as quais destacam-
se a esteatose, a esteatohepatite não-alcoólica e a cirrose(9). As complicações
vasculares representam a principal causa de morbidade e mortalidade em
pacientes diabéticos e ocorrem na micro e na macrovasculatura. A hiperglicemia
pode aumentar a geração das espécies ativas de oxigênio através da auto-
oxidação da glicose, pela ativação da proteína quinase C ou pelo aumento do
metabolismo na via dos polióis(28). Em estudo experimental realizado por MELO
(19), utilizando estreptozotocina (STZ), ficou demonstrado que 18 horas após a
indução do DM ocorreu dano nas células beta pancreáticas, provavelmente causado
pelo desequilíbrio nos sistemas pró e antioxidantes.
O presente trabalho avaliou o estresse oxidativo no fígado e no estômago de
animais diabéticos e controles em diferentes tempos de indução da doença, bem
como o fluxo sangüíneo na artéria mesentérica superior, na tentativa de
relacionar os mecanismos fisiológicos existentes.
MATERIAIS E MÉTODOS
Foram utilizados ratos machos, Wistar, com peso entre 250 e 350 g, provenientes
do Biotério do Instituto de Ciências Básicas da Saúde da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul UFRGS, Porto Alegre, RS.
Todos os procedimentos realizados estavam de acordo com as normas estabelecidas
pela Comissão de Pesquisa e Ética em Saúde contidas na Pesquisa em Saúde e
Direito dos Animais, de autoria do grupo de pesquisa e pós-graduação do
Hospital de Clínicas de Porto Alegre(10).
Os animais foram divididos em quatro grupos, cada um composto por 7 animais
diabéticos e 7 animais-controle: grupo I - 7 dias de diabetes, grupo II- 30
dias, grupo III - 60 dias e grupo IV - 90 dias. Utilizou-se somente um grupo-
controle para todos os tempos, pois não houve diferença estatisticamente
significativa entre as variáveis avaliadas nos tempos estudados. O DM foi
induzido por única injeção intraperitonial de STZ (Sigma Chemical Co., St.
Louis, MO, EUA) 70 mg/kg(25). Os animais-controle receberam somente tampão
citrato de sódio intraperitonial.
Para determinação da glicemia, utilizou-se o teste enzimático colorimétrico
(Kit Enzi-Color, Bio-Diagnóstica), em que um reagente foi misturado a 20 mL de
amostra do plasma e lido em espectrofotômetro (Cary 3E ' UV- Visible
Spectrophotometer Varian), com comprimento de onda de 500 nm. Foram
considerados diabéticos os animais que apresentaram a concentração de glicose
sangüínea acima de 250 mg/dL(22).
Ao término do período preconizado para cada grupo, foram retirados os estômagos
e os fígados dos animais, que foram homogeneizados em Ultra-Turrax (IKA-WERK)
durante 1 minuto (estômago) e 40 segundos (fígado), à temperatura de 0 a 2° C.
Esse homogeneizado foi centrifugado em centrífuga refrigerada (SORVALL RC-5B
Refrigerated Superspeed Centrifuge), por 10 minutos a 3.000 rotações por minuto
(1.110 x g). O precipitado foi desprezado e o sobrenadante retirado e congelado
em freezer à temperatura de -70° C.
Para a verificação do estresse oxidativo no fígado e no estômago, foi utilizada
a mensuração da lipoperoxidação através das técnicas das substâncias reativas
ao ácido tiobarbitúrico (TBA-RS) e da quimiluminescência (QL) e a avaliação da
atividade das enzimas antioxidantes catalase (CAT), superóxido dismutase (SOD)
e glutationa transferase (GTx).
A técnica de TBA-RS consiste no aquecimento do homogeneizado com ácido
tiobarbitúrico e na conseqüente formação de um produto corado, medido em
espectrofotômetro a 535 nm. Essa técnica utiliza o malondealdeído (MDA) para a
quantificação das substâncias reativas. A concentração de TBA-RS obtida foi
expressa em nmol por mg de proteína(3).
O método para determinar a quimiluminescência consiste em adicionar um
hidroperóxido orgânico de origem sintética (hidroperóxido de tert-butila) ao
homogeneizado de tecido em estudo. A QL foi medida em um contador com o
circuito de coincidência desconectado e utilizado o canal de tritio (Liquid
Scintillation Correnter, 1209 RACKBETA, LKB WALLAR) operando como um
luminômetro. Os resultados foram expressos em contagem por segundo (cps) por mg
de proteína(12).
A atividade da enzima CAT foi avaliada pela determinação, em espectrofotômetro,
da velocidade de decomposição do peróxido de hidrogênio (H2O20,3 M) com um
comprimento de onda de 240 nm. A atividade enzimática foi expressa em nmol por
mg de proteína(2).
A determinação da enzima SOD foi baseada na inibição da reação do radical
superóxido com a adrenalina. A SOD, presente na amostra em estudo, competiu
pelo radical superóxido através do sistema de detecção. Os resultados foram
expressos em unidades de SOD por mg de proteína.
A atividade da enzima GTx consiste na formação da 2,4 dinitrofenil-S-glutationa
e foi avaliada em espectrofotômetro (marca Varian, modelo Cary) com comprimento
de onda de 340 nm. Os resultados foram expressos em nmol/mg de proteína(16).
A avaliação do fluxo sangüíneo foi realizada na artéria mesentérica superior,
onde os animais foram anestesiados com cloridrato de Ketamina (Ketalar) e
cloridrato 2-(2,6-xilidino)-5,6-dihidro-4H-1,3 tiazina (Rompum), numa proporção
de 180 mg/kg de Ketalar para 50 mg/kg de Rompum. O fluxo na artéria mesentérica
superior foi avaliado pelo fluxômetro ultra-sônico (Transonic System Inc.
modelo T106) conectado a um conversor analógico-digital, (STEMTECH, INC) e
esse, a um computador (PC 486) com o software (CODAS/WINDAQ), permitindo a
análise de dados numa freqüência de 1KHz.
Análise estatística
Os resultados foram expressos como média ± erro padrão da média para cada grupo
experimental. Foi utilizado o software GraphPad Instat, versão 3.0 para Windows
95 (GraphPad Software, San Diego, Califórnia, EUA).
Na avaliação paramétrica e não-paramétrica dos dados foi utilizado o método de
Bartlett. A avaliação da normalidade (distribuição gaussiana) dos dados foi
realizada com o emprego do método de Kolmogorov e Smirnov. Para os dados não-
pareados utilizou-se a análise da variância simples (ANOVA), a fim de comparar
as diferenças observadas em cada parâmetro estudado. Foi aplicado também o
teste complementar de Tukey-Kramer para comparações múltiplas. O nível de
significância utilizado foi de 5% (P <0,05).
RESULTADOS
Os resultados estão apresentados em tabelas e gráficos nos diferentes grupos
experimentais e nos diferentes tempos de indução do DM.
A partir da análise do peso corporal, utilizou-se somente um grupo-controle
(sete animais) para todas as variáveis estudadas pois, no momento do
sacrifício, não houve diferença significativa entre os animais nos diferentes
tempos de DM. Não houve diferença significativa no peso dos diferentes grupos
(T0).
A Tabela_1 apresenta o peso dos animais no momento do sacrifício. Houve
diminuição significativa no peso dos animais diabéticos em todos os momentos
estudados (P <0,001).
No Gráfico_1, estão expressos em mg/dL as glicemias dos animais em diferentes
tempos de DM. No tempo zero (T0), não houve diferença entre os grupos. Os
animais diabéticos aos 7, 30, 60 e 90 dias apresentaram aumento significativo
na glicemia, em todos os tempos estudados (P <0,001).
Lipoperoxidação no estômago
Na Tabela_2, estão expressos os valores da lipoperoxidação no estômago dos
animais do grupo controle e diabéticos nos diferentes tempos de DM. Nota-se que
os animais diabéticos aos 90 dias apresentam diferença significativa em relação
ao grupo controle tanto na técnica de TBA-RS, quanto na QL (P <0,01) e que o
grupo diabético aos 7 dias também mostrou diferença significativa em relação ao
grupo diabético de 90 dias na técnica de QL (P <0,05).
Enzimas antioxidantes no estômago
Houve redução na atividade das enzimas antioxidantes no estômago e diferença
significativa na atividade da CAT nos animais diabéticos de 7, 60 e 90 dias (P
<0,05) e na GTx aos 7 e 90 dias (P <0,05) (Graficos_2, 3).
Lipoperoxidação no fígado
Na Tabela_3, estão expressos os valores da lipoperoxidação no fígado dos
animais controles e diabéticos nos diferentes tempos de indução. Nota-se que a
lipoperoxidação dos animais diabéticos aos 90 dias aumentou significativamente,
quando comparada ao grupo-controle, tanto na técnica de TBA-RS quanto por QL (P
<0,001). Observa-se também que os animais diabéticos aos 90 dias diferem nos
outros tempos de indução 7, 30 e 60, para TBA-RS (P <0,01) e para QL (P
<0,001).
Enzimas antioxidantes no fígado
Houve redução significativa na atividade da GTx nos animais diabéticos aos 60 e
90 dias (P <0,05) (Gráfico_4). A atividade das demais enzimas antioxidantes
(CAT e SOD), estudadas no fígado, não apresentou diferença estatisticamente
significativa, mas apresentou tendência à redução.
Fluxo sangüíneo na artéria mesentérica superior
A medida do fluxo sangüíneo foi realizada na artéria mesentérica superior e
expressa em mL/min. Na Tabela_4, observa-se aumento significativo no fluxo
sangüíneo no grupo DM aos 90 dias, quando comparado com o grupo controle (P
<0,001). Nos demais tempos estudados, não houve diferença.
DISCUSSÃO
O modelo experimental de DM é muito utilizado e contribui para melhor
entendimento da sua fisiopatologia em humanos. Diversos agentes químicos são
utilizados para desenvolve-lo em animais, dentre os quais, destacam-se o
aloxano e a estreptozotocina(23).
Muitos estudos realizados em animais puderam demonstrar os variados efeitos que
a STZ pode ocasionar. Em estudo feito por Dall'AGO et al.(5), observaram-se
alterações na freqüência cardíaca e na pressão arterial, bem como na
sensibilidade dos baro e quimioreceptores, quando comparados os animais
diabéticos com os animais-controle.
O catabolismo dos aminoácidos e sua conseqüente utilização na formação de CO2 e
H2O está aumentado no DM. Muitos aminoácidos são captados da corrente sangüínea
e convertidos à glicose no fígado. Esse mecanismo parece ser uma das principais
anormalidades do metabolismo intermediário presente no sistema hepático(8).
No presente estudo, os animais diabéticos, no momento do sacrifício,
apresentaram diminuição significativa no peso corporal, variando de 19% a 46%
em relação aos animais do grupo-controle. A maior alteração ocorreu nos animais
com 90 dias de DM. Houve diminuição de peso corporal, apesar de receberem
alimentação e água ad libitum (Tabela_1).
Nos animais que permanecem por período prolongado de jejum, o glicogênio
hepático é diminuído e o glicerol é convertido em glicose. Como esse mecanismo
é muito limitado em algumas situações, os substratos para a formação da glicose
sangüínea passam a ser as proteínas. Isso justificaria a diferença encontrada
no peso corporal dos animais diabéticos neste trabalho. Estudo realizado por
McNURLAN e GARLICK(18) confirmou que a síntese das proteínas está diminuída em,
aproximadamente, 50% no DM, além de conter baixos níveis na síntese protéica
por unidade de RNA.
A hiperglicemia é fator de risco conhecido na patogênese do DM, podendo levar a
diversas complicações. O exato mecanismo pelo qual o excesso de glicose
determina alteração nos tecidos permanece desconhecido(26). Diversos estudos
demonstram que a hipótese mais provável é que o acúmulo de glicose leva ao
estresse oxidativo e, assim, ocorreriam as complicações tardias do DM(22).
Neste estudo, utilizou-se somente um grupo-controle para todas as variáveis
estudadas, ou seja, compararam-se os animais diabéticos, nos diferentes tempos
de indução com apenas um grupo-controle. Isso foi realizado porque os valores
apresentados pelos animais do grupo-controle no momento do sacrifício, não
apresentavam diferença significativa entre os diferentes grupos. Utilizou-se
esse procedimento ao quantificar a glicemia, a lipoperoxidação e a atividade
das enzimas antioxidantes no estômago e no fígado, bem como no fluxo sangüíneo
da artéria mesentérica superior.
Notou-se aumento progressivo da glicemia nos diferentes tempos, sendo que, aos
90 dias, houve aumento de 280% em relação ao valor inicial apresentado pelo
grupo-controle (Gráfico_1).
Muitos estudos mostram que as reações ocorridas com os radicais livres, como a
peroxidação lipídica, estão aumentadas em diversas doenças. A alteração
gastrointestinal causada pela administração de aloxano, outra droga utilizada
para produzir o DM experimental, também provoca aumento na produção de radicais
livres(4).
Em recente trabalho publicado por De ANGELIS et al.(6), foi avaliado o estresse
oxidativo no músculo grande dorsal de ratos diabéticos induzidos por
estreptozotocina com 5 dias de doença. Os resultados demonstraram que houve
aumento na lipoperoxidação do músculo estudado, semelhantes aos obtidos na
presente série. Nesse mesmo estudo, quando avaliada a atividade das enzimas
antioxidantes CAT, SOD e GTx, houve aumento significativo nas atividades das
enzimas CAT e GTx, e diminuição não significativa na atividade da enzima SOD
(6).
Quando analisada a atividade das enzimas antioxidantes CAT, SOD e GTx no
estômago dos animais diabéticos, constatou-se diminuição em todas as enzimas
nos diversos tempos e grupos estudados, e ocorreu diminuição significativa
somente nas enzimas CAT e GTx, nos animais diabéticos com 7 e 90 dias (Gráficos
2, 3). Esses resultados diferem dos encontrados por De ANGELIS et al.(6), para
os quais a atividade da enzima CAT aumentou no grupo diabético. Supõe-se que
tenha ocorrido mecanismo compensatório, provavelmente produzido pelo estresse
oxidativo, pois o aumento da lipoperoxidação no músculo grande dorsal dos
animais diabéticos determinou, também, aumento na atividade das enzimas CAT e
GTx.
Constatou-se diminuição nas defesas antioxidantes, no estômago e no fígado,
após 90 dias de DM. O provável responsável seria o aumento na produção do ânion
superóxido, potente radical livre, cujo mecanismo proposto é que este se
transforma em peróxido de hidrogênio e forma o radical hidroxil(20), principal
iniciador da lipoperoxidação. Isso causaria a remoção de um átomo de hidrogênio
de um ácido graxo poliinsaturado, que está presente na membrana celular e
determinaria o aumento na lipoperoxidação, que seria responsável pela maior
formação do óxido nítrico, incrementando na formação do peroxinitrito. O
mecanismo responsável pela diminuição na atividade da enzima catalase poderia
ser ocasionado, também pelo aumento do óxido nítrico(13).
Avaliou-se o malondealdeído tecidual e detectaram-se níveis mais elevados no DM
do que os encontrados no grupo-controle. Isso estaria relacionado à diminuição
da glutationa reduzida, pois a destruição da mucosa gástrica seria o fator
causador de sua diminuição. O mecanismo proposto para explicar as constatações
se baseia na diminuição da glutationa reduzida ser decorrente do estresse
oxidativo aumentado e não ocasionada pela sua oxidação(11).
Acredita-se que os resultados encontrados neste trabalho possam estar
relacionados ao estresse oxidativo, pois houve diminuição na atividade das
enzimas antioxidantes CAT e GTx nos animais diabéticos, além de aumento na
lipoperoxidação no estômago, principalmente aos 90 dias.
O estresse oxidativo apresenta papel específico na patogênese da fibrose e nas
doenças hepáticas. TSUKAMOTO et al.(27) avaliaram a peroxidação lipídica no
tecido hepático e encontraram correlação entre a lipoperoxidação e a fibrose
tecidual produzida pelo fígado. Esse órgão, responsável pelo metabolismo e pela
destoxificação de diversos agentes agressores, surge como importante tecido a
ser avaliado no diabetes experimental.
Poucos estudos demonstram o efeito que o DM experimental causa no tecido
hepático em relação às espécies ativas de oxigênio. GOLDIN et al.(11)
demonstraram aumento na lipoperoxidação em animais diabéticos induzidos por
estreptozotocina decorrente do aumento no malondealdeído plasmático.
Houve aumento significativo na lipoperoxidação do tecido hepático no DM aos 90
dias, quando comparado ao grupo-controle (Tabela_3).
Quando se avalia a atividade da enzima antioxidante GTx no fígado de ratos
diabéticos, observa-se diminuição significativa em sua atividade aos 60 e 90
dias (Figura 4), coincidindo com o aumento da lipoperoxidação aos 90 dias.
As defesas contra os radicais livres estão reduzidas no cérebro e no fígado de
animais diabéticos, onde a glutationa está diretamente envolvida. A atividade
das enzimas antioxidantes SOD e glutationa plasmática diminuiu, quando
comparados pacientes com DM tipo I com aqueles que não possuíam a doença(11).
Isso, de certa forma, explicaria a diminuição na atividade das enzimas CAT e
SOD no fígado dos animais diabéticos.
O fluxo medido na artéria mesentérica superior nos animais diabéticos, aos 90
dias, aumentou significativamente quando comparado ao grupo-controle, que
permaneceu inalterado nos outros períodos estudados. Esse mecanismo parece
estar relacionado com o aumento do estresse oxidativo e com a hiperglicemia dos
animais diabéticos aos 90 dias.
O mecanismo da disfunção endotelial em pacientes com DM não está muito
esclarecido, mas a geração de espécies ativas de oxigênio e de nitrogênio tem
sido indicada como um dos fatores responsáveis(7). MARRONI(17) encontrou
alteração no fluxo sangüíneo da mucosa gástrica em ratos anêmicos, o que leva a
crer que o sistema gastrointestinal é passível de mudanças no fluxo sangüíneo
frente a diferentes situações experimentais.
O principal fator responsável pelo aumento do fluxo sangüíneo pode ser a
hiperglicemia encontrada nos animais diabéticos, principalmente aos 90 dias.
Ela ativaria a síntese do óxido nítrico (potente vasodilatador) e causaria
vasodilatação e hiperemia local(28). Quando há aumento na formação do óxido
nítrico, ele pode transformar-se em peroxinitrito e causar alterações
vasculares, o que explicaria os resultados encontrados no presente estudo em
relação ao fluxo sangüíneo.
A partir dos resultados obtidos neste trabalho, é possível supor que o estresse
oxidativo esteja relacionado ao DM, através do aumento da lipoperoxidação e da
diminuição na atividade das enzimas antioxidantes. Supõe-se que tempo de
instalação do DM possa influenciar no metabolismo gastrointestinal.
CONCLUSÃO
O aumento do estresse oxidativo no estômago e no fígado dos animais diabéticos,
bem como a alteração no fluxo sangüíneo da artéria mesentérica superior é
influenciado pelo tempo de instalação da doença e pelo aumento da glicose
sangüínea.