Fatores genéticos e ambientais envolvidos na carciogênese gástrica
REVISÃO / REVIEWO câncer de estômago é o segundo tipo mais comum de neoplasia em incidência e
mortalidade, sendo duas vezes mais freqüente no sexo masculino do que no
feminino(1), principalmente entre os idosos. A freqüência na população é baixa
aos 40 anos e aumenta progressivamente com a idade, até atingir seu valor mais
elevado por volta dos 70 anos nos homens e pouco mais tarde nas mulheres(14).
As estatísticas mundiais mostram distinta variação geográfica(14). Por exemplo,
taxas elevadas são encontradas no Japão, Chile, China, Portugal e Rússia
enquanto, em outros países, essas taxas têm declinado, como na França, Reino
Unido, Austrália, Canadá e Estados Unidos. No Brasil, as estimativas para 2002
apontaram para mais de 20 mil casos novos e 11 mil óbitos(27) sendo, na cidade
de São Paulo, o tipo de neoplasia mais comum entre os homens e o terceiro entre
as mulheres(1).
O prognóstico do câncer gástrico avançado é extremamente pobre, com taxas de
sobrevivência de 5 anos entre 5% a 15%(5). Tal fato é conseqüência do
diagnóstico, na maioria dos casos, ser realizado em estágios avançados e dessa
doença mostrar taxa de recurrência próxima a 80%, mesmo quando é realizada a
gastrectomia(14). O prognóstico depende da extensão da invasão do câncer, do
comprometimento das estruturas adjacentes e da presença ou ausência de
metástases em nódulos linfáticos e outros órgãos distantes.
A tumorigênese gástrica, assim como de outros órgãos, é processo de múltiplas
etapas que, clinicamente, pode manifestar-se como gastrite, atrofia gástrica,
ulcerações, metaplasia intestinal, displasia e, finalmente, como neoplasia
maligna(11). Essas condições costumam ser seqüenciais e ocorrer num período de
muitos anos, como resultado da exposição a uma variedade de fatores endógenos e
exógenos. As principais conseqüências da ação de tais fatores são as mutações
somáticas, como em oncogenes e genes supressores de tumores, que conferem às
células vantagens seletivas de proliferação(10).
A gastrite é a lesão que mais freqüentemente afeta o estômago e é definida como
uma inflamação da mucosa gástrica. A gastrite aguda é raramente observada em
biopsia de rotina, por causa de sua característica transitória. Na gastrite
crônica, as lesões vão desde processo inflamatório superficial, até a atrofia
do epitélio, que é evidenciada pela perda significativa de estruturas
glandulares e mostra-se, algumas vezes, associada à metaplasia intestinal.
Aproximadamente 10% dos pacientes com atrofia gástrica desenvolvem carcinoma em
período de 15 anos(9), sendo por isso, considerada lesão pré-maligna(20).
Em 60%-80% dos casos, existe associação entre gastrite e úlcera gástrica.
Vários dados da literatura mostram que entre os fatores etiológicos da úlcera
estão defeitos primários na resistência da mucosa ou deficiências quantitativas
ou qualitativas do seu muco, além de alguns fatores ambientais, como a ingestão
de aspirina não-tamponada, álcool e medicamentos antiinflamatórios não-
esteróides(2, 11).
Os pacientes com úlceras apresentam níveis reduzidos ou normais de ácido
gástrico. HANSSON et al.(22)mostraram que, entre aqueles com redução na
produção desse ácido e pangastrite, existe risco maior de câncer do que nos
pacientes com úlcera duodenal, que têm níveis elevados de ácido e geralmente
também exibem gastrite, predominantemente na região antral. É importante
referir que a ressecção gástrica como tratamento da úlcera não diminui esse
risco(55).
Eventualmente, acompanhando uma gastrite ou durante o processo de cicatrização
da mucosa gástrica, é observada a metaplasia intestinal, decorrente da
transformação do epitélio de revestimento e glandular em células absortivas
colunares metaplásicas intercaladas por células caliciformes de morfologia
intestinal. Essa lesão está associada à infecção pelo Helicobacter pylori(19)
e, embora as características do intestino delgado predominem, em algumas
situações as características do epitélio colônico estão presentes, originando a
metaplasia do tipo incompleto, que é o mais relacionado ao câncer gástrico(30).
Com gastrite crônica de longa duração, o epitélio desenvolve alterações
citológicas, incluindo as de tamanho, formato e orientação das células
epiteliais com atipia dos núcleos. Essas alterações displásicas podem se tornar
tão graves a ponto de constituírem um carcinoma in situ(11, 34), principalmente
do tipo intestinal proveniente de formas atróficas de gastrite. Já o tipo
difuso surge originalmente, sem evolução por meio de displasia.
O adenocarcinoma representa 90%-95% dos casos de neoplasias malignas do
estômago(11), sendo classificado com base em aspectos histopatológicos e
clínicos em dois tipos: intestinal e difuso(61). As lesões tipo intestinal são
as mais freqüentes, bem diferenciadas, dependentes de fatores ambientais e
associadas com a presença de lesões pré-cancerosas, como gastrite crônica,
atrofia gástrica, metaplasia intestinal e displasia(57). São encontradas
predominantemente em homens e em indivíduos mais idosos. O tipo difuso é pouco
diferenciado, tem prognóstico ruim e não está associado a lesões pré-cancerosas
(59). É pouco mais freqüente em mulheres e pacientes jovens e tem alta
ocorrência familial, principalmente entre indivíduos com tipo sangüíneo A(14).
Diferenças nos critérios de diagnóstico do câncer gástrico inicial entre
patologistas japoneses e ocidentais, resultam na falta de entendimento por
parte dos clínicos. Segundo MING e HIROTA(42), que exemplificam a opinião de
autores ocidentais, a maioria dos carcinomas gástricos são diagnosticados após
1 ano da presença de displasia, sugerindo que o câncer já estava presente no
momento da detecção dessa lesão pré-cancerosa. Portanto, ambas as lesões
ocorreriam concomitantemente e o desenvolvimento do carcinoma seria mais
freqüentemente em áreas com displasia grave. Já na opinião dos patologistas
japoneses, a gastrite atrófica com metaplasia evoluiria diretamente para o
câncer sem a etapa de displasia, sendo bem representada no trabalho fundamental
de NAKAMURA et al.(45).
FATORES ETIOLÓGICOS DO CÂNCER GÁSTRICO
Existem muitos dados epidemiológicos sugerindo que fatores genéticos e
ambientais têm papel importante na etiologia do câncer gástrico. Entre esses
últimos, estão o consumo elevado de sal, álcool, cirurgia gástrica anterior,
infecção pelo H. pylori e história de lesões benignas(1, 11, 14). Existem
também indicações de que a ingestão ou a formação intragástrica de compostos
nitrosos ou outras substâncias genotóxicas, assim como o refluxo de bile em
indivíduos com gastrite-H. pyloripositiva, induzem ao aparecimento da
metaplasia intestinal e de lesões neoplásicas(12, 39, 47).
No caso de compostos nitrogenados e seus metabólitos, acredita-se que sua ação
esteja relacionada com a inibição de vitamina C e de outros antioxidantes que
protegem o DNA(14, 35, 70). São capazes de provocar a desaminação de purinas e
pirimidinas do DNA, do mesmo modo que o óxido nitroso, já referido como
responsável por mutações de ponto no gene supressor de tumor TP53(52).
Ao contrário desses compostos, os carotenóides, as vitaminas C e E, o folato e
o selênio presentes em frutas e vegetais estão relacionados à diminuição no
risco de aparecimento do câncer gástrico(1).
Fator ambiental bastante estudado é a presença do H. pylori, considerado o
principal agente etiológico em mais de 95% das gastrites crônicas e responsável
pelo aumento do risco de câncer em até 9 vezes(37). É reconhecido como agente
desencadeante de diferentes alterações gástricas, como inflamação crônica
assintomática, dispepsia, úlcera, adenocarcinomas e linfomas(40, 66).
Entretanto, a infecção pelo H. pylori parece não ser suficiente para o
desenvolvimento do câncer, cujo risco é de apenas 1% entre os indivíduos
infectados. Na África, por exemplo, a infecção por essa bactéria é observada em
crianças de pouca idade, mas nem por isso o câncer gástrico é comum nesse país
(25, 58). Apesar disso, 60%-80% dos casos de neoplasia mostram a presença dessa
bactéria(37).
O conhecimento sobre o papel do H. pylori na tumorigênese ainda é incompleto.
Sabe-se que essa bactéria secreta urease, enzima responsável pela produção de
amônia, além de proteases e fosfolipases, que degradam as glicoproteínas
presentes na mucosa gástrica e danificam suas células(11). Outra característica
importante é a virulência dessa bactéria, pois existe forte associação entre
cepas H. pylori-cagApositivas e ulceração gástrica. O gene cagA(cytotoxin-
associated gene) faz parte da chamada ilha de patogenicidade cag, cujos genes
expressam proteínas do sistema de secreção tipo IV, capazes de transferir
produtos bacterianos, incluindo a proteína cagA, para dentro das células do
hospedeiro.
O segundo gene relacionado à virulência, o vacA,é responsável pela codificação
de uma citotoxina vacuolizante e apresenta ampla diversidade alélica. As
isoformas descritas incluem s1a, s1b, s1c, s2, m1, m1a, m1*, m1-m2*, m2a e m2b,
algumas delas com maior virulência, como s1/m1. Existem relatos de que a
associação da variante s1a ao produto do gene cagA é responsável por processo
inflamatório grave na mucosa gástrica(3).
O gene iceA também tem sido estudado em cepas de H. pylori, sendo suas
principais variantes alélicas a iceA1e a iceA2. A função desses subtipos ainda
não está clara. A expressão do alelo iceA1 é regulada pelo contato entre o H.
pylorie as células epiteliais do hospedeiro e alguns dados sugerem sua
participação no desenvolvimento de ulceração péptica(50, 67), enquanto outros
não(28).
Quanto aos fatores genéticos na tumorigênese gástrica, há indicações de que
apenas 4% dos casos sejam familiais(11). Apoiando esses dados estão os estudos
sobre as variações na incidência da doença em migrantes em decorrência de
mudanças ambientais, principalmente dieta e fatores culturais. Na China, a
freqüência de câncer de estômago em homens foi 4 a 6 vezes mais elevada, quando
comparada aos migrantes chineses residentes nos EUA(1).
ALTERAÇÕES CROMOSSÔMICAS E GÊNICAS ENVOLVIDAS NA CARCINOGÊNESE GÁSTRICA
O desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico, prevenção e tratamento tem
contribuído para a redução do câncer gástrico. Todavia, para que ocorra maior
progresso nessa área, ainda é necessário compreender melhor os mecanismos
envolvidos nas várias etapas do processo tumorigênico(21).
No modelo proposto por FEARON e VOGELSTEIN(17), a carcinogênese
gastrointestinal é considerada como resultado do processo de múltiplos passos,
no qual anormalidades morfológicas são acompanhadas por acúmulo progressivo de
alterações genéticas. No caso especial do câncer gástrico, é observada elevada
heterogeneidade nos padrões histológicos e nos genótipos celulares(6), com
crescente complexidade dos fenótipos benignos até os malignos (Figura_1). Por
exemplo, são referidas perdas da região do braço curto do cromossomo 17 (17p)
em 43% dos adenomas e em 67% dos carcinomas(33) e perda de heterozigosidade
(processo que compreende a conversão do estado heterozigoto para homozigoto em
função da perda de um dos alelos) em relação ao gene de reparo do DNA hMSH2e
aos supressores de tumorAPCe TP53 em 45% das metaplasias e em 73% dos
adenocarcinomas(31).
Os mecanismos moleculares associados à etiologia do tumor gástrico incluem
alterações em vários genes. Por exemplo, no tipo intestinal, ocorrem
principalmente amplificações em c-ERBB2, c-MET e ciclina E,mutações no K-RAS,
inativação do APC, TP53, p16, MGMTe MLH1, perda de heterozigosidade (LOH) do
TP73 e redução na expressão das proteínas p27 e nm23, enquanto no tipo difuso,
são citadas redução ou perda de função das caderinas, inativação do TP53, LOH
da região 17q21, amplificação dos genes K-SAM, c-MET e ciclina E e redução na
expressão das proteínas p27 e nm23(8, 15, 41, 44, 49, 54, 63, 64, 68, 69, 71).
Os genes citados codificam receptores de membrana relacionados com a transdução
de mensagens ao núcleo (K-RAS), receptores de fator de crescimento (c-ERBB2, c-
METe K-SAM), proteínas envolvidas na regulação do ciclo celular como TP53, APC,
TP73(mapeado em 1p36), CDKN1A (p27)e CCNE1 (ciclina E) ou proteínas de adesão
(caderinas).
Várias alterações epigenéticas também atuam no processo multipassos da
carcinogênese gástrica(70). Por exemplo, na etapa inicial, detectou-se a
ativação da telomerase, observada em vários casos de metaplasia intestinal e
adenomas gástricos. Essa enzima é responsável pela adição de seqüências
teloméricas às extremidades dos cromossomos, para compensar as perdas que
ocorrem em cada divisão celular.
Os dados citogenéticos, que podem trazer importantes informações sobre as
regiões do genoma envolvidas na malignização, são relativamente escassos nas
lesões de estômago. Esse fato decorre, principalmente, das dificuldades de
análise em metáfases obtidas em culturas de tumores primários. Mais
recentemente, técnicas de citogenética molecular, como a hibridação in situ
fluorescente (FISH) e a hibridação genômica comparativa (CGH), têm enriquecido
esses dados e indicado o envolvimento de diferentes cromossomos e regiões
cromossômicas nos processos de iniciação e progressão tumoral(21, 32, 33, 48,
62). Ambas as técnicas estão baseadas na propriedade de hibridação de moléculas
de ácidos nucléicos complementares. Utilizam DNAs ligados a compostos
fluorescentes que, após o procedimento de hibridação, permitem a marcação de
segmentos do genoma e a identificação daqueles com número anormal de cópias ou
mesmo com alterações estruturais.
A técnica de CGH, em função de suas características, tem revelado perdas e
ganhos de diferentes segmentos. Os ganhos são mais freqüentes e envolvem,
principalmente, as regiões 1q22-q31, 2q, 7pq, 8pq (8q23-qter), 9q33-qter, 13q,
17p11.2-q22, 18q e 20pq. Em especial, a banda 17q21 tem revelado alto nível de
amplificação. As perdas afetam as regiões 4q32 e 17p e, menos freqüentemente,
1q, 5p, 9p, 18q e todo o cromossomo 21(36, 38, 56).
A técnica de FISH também tem auxiliado no mapeamento de genes e na elucidação
de alterações cromossômicas não definidas pela citogenética clássica. Sua
principal vantagem é o fato de permitir o estudo tanto de metáfases, como de
núcleos interfásicos procedentes de células em cultura, tecidos frescos,
material de arquivo emblocado em parafina e aspirado celular. Os resultados
obtidos por essa técnica em tumores gástricos têm revelado, como no caso da
CGH, grande número de alterações cromossômicas numéricas. O ganho dos
cromossomos 1, 2, 4, 7 e 20 é observado em estágios precoces da carcinogênese
gástrica(16, 32, 46). Por outro lado, trissomias e polissomias dos cromossomos
3, 6-8, 10-12, 15-17 e das regiões 7q31, 8q24, 9p21, 9p22-pter e 9p32-33
parecem estar relacionadas com transformação maligna e com invasão ou com tempo
curto de sobrevida(4, 26, 32, 56, 60, 62). Alguns dos genes presentes nessas
regiões incluem os protooncogenes c-MET, c-MYCe c-ERBB2 e os supressores de
tumor CDKN2A, CDKN2Be TP53(23, 26, 44, 56, 60), esses últimos responsáveis pela
regulação do ciclo celular.
As regiões 7q31 e 17p13.1 estão entre as mais afetadas. Na região 7q31 está
mapeado o gene c-MET, que codifica um receptor de fator de crescimento (HGF)
envolvido no controle da proliferação de células do fígado e do trato
gastrointestinal e, provavelmente, é importante no reparo da mucosa danificada
(65). Na região 17p13.1 está localizado o supressor de tumor TP53. A mutação ou
a perda desse gene é evento inicial na tumorigênese gástrica(23) e também tem
sido observada em lesões benignas ou pré-cancerosas, como gastrite atrófica,
metaplasia intestinal e displasia. Seu produto tem papel essencial na regulação
da proliferação celular e, em presença de lesões no DNA, é responsável pelo
bloqueio do ciclo celular entre as fases G1-S. Nos casos em que o DNA não é
reparado adequadamente, a proteína p53 ativa o processo de apoptose por meio da
regulação transcricional e da interação direta com as proteínas bcl-2 e bax.
Ainda não está esclarecido se as alterações no gene TP53 são desencadeadas pela
inflamação provocada pelo H. pylori. Entretanto, DEGUCHI et al.(13) observaram
freqüências mais elevadas de mutações noTP53 em pacientes com câncer gástrico
infectados pelo H. pylori cagA+ do que nos grupos H. pylori-positivo/cagA-
negativo e H. pylori-negativo.
Existem também indicações de que a infecção crônica pelo H. pylori é
responsável pela instabilidade genômica observada em alguns casos de gastrite
atrófica crônica e pelo aumento da proliferação celular(24, 39) e da apoptose
na mucosa gástrica, provavelmente em conseqüência da resposta inflamatória(29).
Tem sido sugerido que a erradicação da infecção reverte o processo inflamatório
e, conseqüentemente, a atrofia, a metaplasia e a instabilidade genômica(7, 18,
24, 39, 46).
A proliferação celular na mucosa gástrica de indivíduos H. pylori-positivo
ocorre independentemente da cepa ser cagA-positiva, mas a taxa de apoptose é
significativamente maior nos indivíduos infectados por essa cepa(43). Tal
conclusão é, porém, controversa, sendo apoiada por alguns estudos realizados
com cultura celular(51, 53), mas não por outros(69).
Em conclusão, parece que a infecção provocada pelo H. pylori atua como co-fator
na carcinogênese gástrica, favorecendo o aparecimento de danos no DNA e
alterando os processos de proliferação celular e apoptose. A somatória desse e
de outros fatores ambientais, juntamente com a suscetibilidade genética, deve
facilitar o aparecimento de alterações genéticas somáticas que acompanham a
evolução de lesões pré-cancerosas a câncer gástrico, mas muitos estudos são
ainda necessários para a devida avaliação da verdadeira importância e do grau
de participação de cada um desses fatores nas diferentes etapas da
tumorigênese.
COMENTÁRIOS FINAIS
A carcinogênese gástrica é um processo com múltiplas etapas, em que as mudanças
morfológicas são conseqüência das alterações genéticas, que ocorrem
sucessivamente durante esse processo e podem levar à evolução de gastrite
crônica em atrófica, associada ou não à metaplasia. Até essa etapa, as
alterações na forma da célula e do núcleo podem ser revertidas, muitas vezes,
após tratamento da infecção pelo H. pylori e mudanças na dieta e no estilo de
vida. Todavia, parcela dessas gastrites atróficas associadas à metaplasia podem
evoluir para displasia e, conseqüentemente, para o carcinoma in situ.
Muitas alterações genéticas observadas em lesões metaplásicas e adenomas são
encontradas nas neoplasias gástricas, demonstrando a sua heterogeneidade ao
longo do processo de malignização.
Os critérios histopatológicos são extremamente importantes para definir e dar
suporte ao diagnóstico e prognóstico, todavia são limitados e subjetivos,
gerando muitas vezes discordância entre observadores diferentes, principalmente
quanto às lesões displásicas e carcinoma in situ. Por exemplo, os patologistas
japoneses, ao contrário dos ocidentais, não consideram a existência de lesões
displásicas, o que confunde os clínicos.
Tais dificuldades apontam para a necessidade de classificação que utilize
critérios menos subjetivos. Os avanços na área molecular abrem a possibilidade
de utilização de marcadores genéticos que, somados aos dados histopatológicos e
imunohistoquímicos poderá levar a diagnósticos e prognósticos mais seguros.