Métodos de proteção de mudas de abacate contra geada em diferentes cultivares
FITOTECNIA
Métodos de proteção de mudas de abacate contra geada em diferentes cultivares1
Frost protection covers methods for avocado in different cultivars
Ubirajara Ribeiro Mindêllo NetoI; André Nunes Loula TorresII; Alvadi Antônio
Balbinot JúniorII; Elcio HiranoI; Victor Hugo Vargas RamosIII
IEng. Agr. M.Sc. Embrapa Transferência de Tecnologia/SNT Canoinhas, Rod. BR.
280, km 219, Caixa Postal 317, CEP 89 460-000, Canoinhas-SC, Fone: (47) 624-
0127; ubirajara.encan@embrapa.br, elciohirano.encan@embrapa.br
IIEng. Agr. M.Sc. Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa
Catarina/Epagri-Estação Experimental de Canoinhas. Rod. BR. 280, km 219, Caixa
Postal 216, CEP 89 460-000, Canoinhas-SC. Fone: (47) 624-1079,
balbinot@epagri.rct-sc.br
IIIEng. Agr. Dr. Embrapa Cerrados, Caixa Postal 08223, CEP 73.301-970,
Planaltina-DF. Tel (61) 388-9898. E-mail: vhugo@cpac.embrapa.br
INTRODUÇÃO
O abacateiro pertence à família Lauraceae, subgênero Persea, compreendendo duas
espécies e três variedades botânicas: Persea americana var. americana,
pertencente à raça antilhana, Persea americana var. drymifolia, concernente à
raça mexicana e Persea nubigena Williams , var. guatemalensis, pertencente à
raça guatemalense (Williams, 1976; Malo, 1978). Contudo, a maioria das
cultivares comerciais são híbridos entre duas raças, proporcionando condições
de adaptação às mais variadas situações climáticas (Malo, 1975).
O zoneamento da cultura do abacate para o Planalto Norte Catarinense foi
realizado com base em índices climáticos utilizados em São Paulo (1977) e
posteriormente em Minas Gerais, elaborados por Silva (1982), considerando esta
região como não recomendada para o cultivo de abacate das raças antilhana,
guatemalense e mexicana. Entretanto, um zoneamento não pode basear-se somente
em dados climáticos, sem antes introduzir e validar a espécie. Segundo Bergh
& Lahav (1996), existe grande variabilidade de tolerância ao frio entre
cultivares de abacate.
O abacateiro é considerado uma fruteira de clima tropical, embora se adapte às
condições de clima subtropical, principalmente no caso das raças guatemalense e
mexicana (Donadio, 1995).
De acordo com Popenoe (1948), em temperaturas de -4,4ºC, ocorreram severos
danos nas cultivares guatemalenses, e as da raça mexicana entraram em descanso
vegetativo. Krezdorn (1974) afirma que as cultivares mexicanas, como a
Mexicola, resistem a temperaturas entre - 8,0 e -11,0ºC. Plantas adultas da
raça mexicana aclimatam-se às baixas temperaturas, de -1ºC a -7ºC, enquanto
plantas da raça guatemalense e antilhana são injuriadas em temperaturas de -3ºC
e -1ºC, respectivamente (Suppo, 1982; Calabrese, 1989). O efeito do dano,
nestas mesmas temperaturas, seriam mais graves se fossem em plantas jovens
(Koller, 1984).
Soares et al. (2002), em experimento na região de Capão Bonito, São Paulo,
constataram que as cvs. Fuerte (híbrido de mexicana x guatemalense), Jumbo,
Solano e Ermor (híbridos de antilhana x guatemalense) mostraram menor grau de
dano na copa, quando submetidas à temperatura de -2,8ºC, em relação às demais
cultivares.
Em plantios de abacateiros, a proteção da muda pode ter diversas finalidades,
tais como, minimizar os efeitos do vento, da radiação solar excessiva e das
geadas. Plantas jovens de abacate são muito sensíveis a radiação solar intensa
e a geadas, necessitando de proteção adequada (Koller, 1984). Em Marrocos,
utilizou-se cana em torno das plantas de abacate ainda em formação, objetivando
proteção contra o vento. Na Sicília, abacateiros foram protegidos do vento com
coberturas de sombrite ao redor das mudas e também circundando todo o pomar
(Calabrese, 1989).
Em Eldorado do Sul, Rio Grande do Sul, Koller et al. (1991) verificaram que
mudas de abacateiro das cvs. Yon, Impala, Baronesa e Ouro Verde, devidamente
protegidas com galhos de eucalipto, se desenvolveram melhor, quando comparadas
com mudas que não receberam proteção.
O objetivo do presente trabalho foi avaliar a tolerância ao frio de oito
cultivares de abacateiro utilizando proteção da muda por galhos de eucalipto e
galhos de eucalipto + sombrite.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi instalado em maio de 2003, na EMBRAPA Transferência de
Tecnologia/SNT, localizado em Canoinhas-SC, nas coordenadas de 26º 10' S e 50º
23' W, altitude de 765 m e clima tipo Cfb (clima temperado constantemente
úmido, sem estação seca, com verão fresco; temperatura média do mês mais quente
< 22,0 ºC; temperatura média do mês mais frio entre 10,0ºC e 15,0ºC, e
temperatura média anual entre 15,5ºC e 17,0ºC).
O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, com três
repetições, em esquema fatorial 8 x 2, sendo os fatores: cultivares de abacate
(Choquette, Vitória, Herculano e Quintal [híbridos antilhana x guatemalense];
Linda e Tonnage (raça guatemalense); Fuerte e Ryan (híbridos mexicana x
guatemalense), e métodos de proteção da muda (com galhos de eucalipto e galhos
de eucalipto + sombrite).
As variáveis estudadas foram submetidas à análise de variância e as médias dos
tratamentos, comparadas pelo teste de Tukey, a 1% de probabilidade do erro. Os
dados foram transformados segundo raiz quadrada de (x + 0,05).
No primeiro sistema de proteção, foram colocados galhos de eucalipto com folhas
em torno das mudas de modo que envolvesse todas elas. Já, no segundo sistema de
proteção, além dos galhos de eucalipto, foi montada uma cobertura com sombrite
(50% de sombreamento) com dimensões de 1,2 m x 1,2 m x 1,2 m.
O experimento foi realizado entre os meses de maio e agosto de 2003, sendo que,
neste período, ocorreram 19 geadas e temperaturas mínimas variando de 0,8ºC a -
4,4ºC (Tabela_1). A proteção das mudas de abacate foram retiradas no final de
setembro de 2003, e os danos causados pelo frio foram avaliados, atribuindo-se
notas para as injúrias observadas nas plantas (Tabela_2). As notas referentes
às injúrias variaram de zero a 4, conforme a metodologia descrita por Soares et
al. (2002).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Verifica-se que não existe interação significativa entre as variedades e os
métodos de proteção das mudas (Tabela_3). Observa-se também que não houve
diferença significativa entre as cultivares testadas, constatando que a origem
da raça dessas cultivares não teve influência sobre o grau de injúria nas
plantas. Por outro lado, Bergh & Lahav (1996) observaram que, em
determinadas cultivares de plantas adultas de abacate, existe tolerância ao
frio e atribuíram esta resistência a sua origem. Supõe-se, portanto, que as
mudas de abacate não tiveram capacidade de expressar resistência ao frio, pois
ainda são jovens.
Soares et al. (2002), em experimento com plantas adultas de abacate, submetidas
a geada de até -2,8ºC, na região de Capão Bonito-SP, usando metodologia de
avaliação de injúria idêntica à do presente trabalho, destacaram que as
cultivares Fuerte (híbrido mexicana x guatemalense), Jumbo, Ermor e Solano
(híbrido antilhana x guatemalense) mostraram menor grau de injúria na copa
quando comparadas com as cultivares Ouro Verde, Breda (híbridos antilhana x
guatemalense), Geada, Simmonds e Pollock (raça antilhana), concluindo que a
origem da raça da cultivar teve influência na resistência ao frio.
Houve diferença significativa entre os dois métodos de proteção avaliados
(Tabela_4). A proteção da muda de abacate com galhos de eucalipto, associado à
cobertura com sombrite, foi mais eficiente em atenuar os efeitos negativos das
baixas temperaturas, comparativamente à proteção com galhos de eucalipto de
maneira isolada. Todavia, a proteção com galhos de eucalipto também foi
eficiente contra o frio. Estes dados estão de acordo com Koller et al. (1991)
que, utilizando galhos de eucalipto como proteção em mudas de abacate,
constataram que as plantas se desenvolveram melhor do que as mudas que não
foram protegidas.
Na região do presente trabalho, com as cultivares estudadas, a proteção da muda
é importante à sobrevivência das plantas, uma vez que, nos estádios iniciais de
desenvolvimento da cultura, houve poucos danos por geadas. Segundo Malo (1978),
Koller (1984) e Calabrese (1989), independentemente da finalidade de proteção
que se quer atingir, a proteção de plantas jovens de abacate é extremamente
necessária, pois elas são muito sensíveis a determinadas condições climáticas,
tais como radiação solar intensa, incidência de ventos fortes e principalmente
geadas.
CONCLUSÕES
1. Não houve diferença entre as cultivares de abacate utilizadas em relação à
tolerância ao frio, independentemente do sistema de proteção da muda.
2. A utilização dos métodos de proteção estudados foram eficientes quanto à
sobrevivência das mudas de abacate.
3. O uso de galhos de eucalipto associados à sombrite (50%) mostrou-se mais
eficiente na proteção de mudas de abacate do que somente com galhos de
eucalipto, no que se refere ao grau de injúria nas plantas.