Severidade da lixa-grande do coqueiro-anão e incidência de hiperparasitismo em
Parnamirim, Rio Grande do Norte
COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
DEFESA FITOSSANITÁRIA
Severidade da lixa-grande do coqueiro-anão e incidência de hiperparasitismo em
Parnamirim, Rio Grande do Norte1
Disease severity and incidence of hiperparasitism in coconut (Cocos nucifera
L.) leaves affected by the fungi Sphaerodothis acrocomiae in Parnamirim, Rio
Grande do Norte State, Brazil
Renato Augusto Gouveia de CarvalhoI; Egberto AraújoII; Artur Franco BarretoIII;
Gleibson Dionízio CardosoIII; Fernandes Antonio de AlmeidaII
IEngo Agro (UFPB/CCA, Areia) Vila Acadêmica, 58.397-000
IIProfessores do Departamento de Fitotecnia-CCA/UFPB, Areia-PB. 58397-000. E-
mails: egberto@cca.ufpb.br; agrof@bol.com.br
IIIEngo Agro Mestrando em Agronomia (UFPB/CCA, Areia) Vila Acadêmica, 58397-
000. e-mail: gleibson75@hotmail.com
A cultura do coqueiro (Cocos nucifera L.) no Rio Grande do Norte está
concentrada, principalmente, nas microrregiões Litoral Nordeste, Litoral Sul e
Macaíba, sendo a mesma de importância social e econômica, pois situa-se entre
as dez principais atividades agrícolas do Estado, ocupando mão-de-obra durante
todo o ano.
No Rio Grande do Norte, as doenças do coqueiro, denominadas lixa-grande e lixa-
pequena, causadas, respectivamente, pelos fungos Sphaerodothis acrocomiae
(Montagne) Von Arx & Muller e Phyllachora torrendiella (Batista) Subileau
são importantes por provocarem a seca prematura das folhas inferiores e, como
conseqüência, os cachos ficam sem apoio, quebrando-se, e os frutos caem antes
do ponto de colheita. Para essas doenças, não existe recomendação de controle
químico; no entanto, o controle biológico pelo emprego dos fungos Septofusidium
elegantulum e Acremonium spp. tem sido realizado com sucesso (Madeira et al.,
1998).
O presente trabalho foi realizado considerando a importância da lixa-grande,
que vem diminuindo a produção do coqueiro no Estado do Rio Grande do Norte. O
objetivo foi determinar as características (curvas) de progresso da doença e da
incidência de hiperparasitismo sobre o agente causador da lixa-grande, bem como
estabelecer associações entre essas ocorrências e as condições climáticas
prevalecentes no período.
O estudo foi realizado no período entre abril de 2000 e março de 2001, em um
coqueiral estabelecido na Estação Experimental Rammel Mesquita de Farias, da
Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), no município
de Parnamirim. Durante o período de observação, ocorreram precipitações
pluviais, sendo os maiores valores registrados entre abril e setembro de 2000;
a partir de outubro de 2000 a fevereiro de 2001, as chuvas foram menores que
50mm mensais. A umidade relativa do ar, de abril até novembro de 2000, foi
superior a 90%, e no restante do período entre 80 e 85%. Para as temperaturas
máxima e mínima, as variações dos valores foram pequenas, sendo os valores
dessas próximos a 30 e 20oC, respectivamente.
Para a efetivação das amostragens referentes às observações epifitiológicas,
foram demarcadas no coqueiral cinco parcelas de aproximadamente 1000m2 (96
plantas), sendo, em intervalos de 30 dias, em cada parcela, coletados
aleatoriamente 100 folíolos. Em seguida, determinavam-se a incidência
(percentagem de folíolos atacados) e a severidade (extensão da doença) da lixa-
grande, bem como a incidência de hiperparasitismo (percentagens de folíolos em
que se observou o desenvolvimento de micélio dos fungos hiperparasitas
Septofusidium elegantulum e Acremonio sp.).
A severidade da doença foi avaliada por meio de uma escala de notas elaborada,
considerando-se o número de peritécios e o aspecto do limbo (manchas,
secamento) da parte central do folíolo: 0 = ausência de doença; 1 = de 1 a 5
peritécios situados ao lado da nervura central; 2 = mais de 5 peritécios
situados ao lado da nervura central e distribuídos pelo limbo (centro e
margem); 3 = aparecimento de manchas escurecidas nas áreas do folíolo ocupadas
pelos peritécios; 4 = aumento do número e tamanho dos peritécios em ambas as
faces do folíolo, da mesma forma das áreas necrosadas; 5 = distribuição
semelhante à anterior, porém com predominância de área foliar necrosada e seca.
Para a expressão da severidade a partir dos dados obtidos, empregou-se o índice
de Mackinney (Chester, 1950).
Os dados de severidade da doença e os de incidência de hiperparasitismo,
transformados em ln x/1-x, foram pareados às datas de observação para a
caracterização das curvas de progresso. Determinou-se também a correlação
dessas variáveis entre si e com as variáveis climáticas (precipitação pluvial,
umidade relativa e temperatura).
Em todos os meses de observação, os folíolos amostrados apresentaram os
sintomas e os sinais da lixa-grande, semelhantes ao descrito por Warwick et al.
(1988), sendo, portanto, a incidência sempre igual a 100%. Quanto aos fungos
hiperparasitas, nas observações sob microscópio, constataram-se as estruturas
características de Septofusidium elegantulum e Acremonio spp.
No período de maior precipitação, que compreendeu os meses de abril até julho
de 2000, houve um aumento sucessivo da doença, mostrando-se uma tendência
linear crescente da severidade (Figura_1A). A partir de agosto de 2000 até o
final das observações, no mês de março de 2001, a tendência de progresso de
severidade da lixa-grande foi decrescente (Figura_1A).
Observam-se, na Tabela_1, os coeficientes de correlação entre a severidade e as
variáveis climáticas. Foram positivos e significativos aqueles referentes à
associação da severidade com a precipitação pluvial e umidade relativa e,
negativos, os referentes às temperaturas máxima e mínima. Esses resultados são
decorrentes do que se observou quanto às tendências da severidade, apresentando
uma taxa de infecção positiva no período em que a precipitação e umidade
relativa apresentaram elevações sucessivas a cada mês, e taxa de infecção
negativa, quando essas variáveis climáticas decresceram. Portanto, as condições
de elevadas precipitações e umidade favoreceram a doença, corroborando o
descrito por Mariano (1997).
Quanto ao efeito da temperatura no progresso da doença, as correlações
negativas deveram-se mais às influências de precipitação e umidade relativa,
pois, à medida que aumentavam, as temperaturas decresciam, conseqüentemente,
essa relação inversa entre as variáveis climáticas reflete a severidade da
lixa-grande.
A incidência de hiperparasitismo seguiu as tendências da severidade da lixa-
grande do coqueiro (Figura_1B) de aumento até o mês de julho de 2000, e
decréscimo a partir do mês seguinte até o final das observações.
Os coeficientes de correlação obtidos entre a incidência de hiperparasitismo e
as variáveis climáticas foram da mesma forma que os da severidade da lixa-
grande, positivos quanto à precipitação e umidade relativa, e negativos quanto
às temperaturas (Tabela_1). Uma vez que as variáveis climáticas favoreceram o
desenvolvimento da doença, conseqüentemente, disponibilizou-se mais substrato
para as atividades dos hiperparasitas. Segundo Warwick (2000), o S.
elegantulum, hiperparasita da lixa-grande do coqueiro, esporula abundantemente
em condições de umidade relativa alta, sendo, conforme se observa na Tabela_1,
a associação do hiperparasitismo com essa variável a que registrou maior
coeficiente. Deve-se considerar a taxa de crescimento de hiperparasitismo, que
foi, em termos de valores, maior que as taxas de infecção da doença (Figura_1A
e 1B), o que pode significar um maior impacto positivo dos fatores climáticos
sobre a atividade do hiperparasita do que sobre a doença.
Foi possível verificar que a incidência da lixa grande, em todas as
observações, foi igual a 100%, e o progresso da severidade da lixa-grande do
coqueiro apresentou tendências distintas: de elevação desde abril até julho de
2000, e de decréscimo a partir do mês seguinte até o final das observações.
Iguais tendências foram observadas para a incidência de hiperparasitismo. A
severidade da lixa-grande e a incidência de hiperparasitismo correlacionaram-se
positiva e significativamente com as variáveis climáticas precipitação e
umidade relativa e, negativamente, com as temperaturas.