Avaliaçao de híbridos de coqueiro (Cocos nucifera L.) para produção de frutos e
de albúmen sólido fresco
GENÉTICA E MELHORAMENTO DE PLANTAS
Avaliaçao de híbridos de coqueiro (Cocos nucifera L.) para produção de frutos e
de albúmen sólido fresco1
Performance of hybrids of coconut palm for production of fruits and solid fresh
albumen
Paulo Manoel Pontes LinsI; João Tomé de Farias NetoII; Antônio Agostinho
MüllerII
IEng. Agr. Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa Socôco S.A
Agroindústrias da Amazônia. Rod. PA 252, km 38, CEP 68450-000. C. P. 15,
Moju,PA. pmplins@uol.com.br
IIPesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental. Trav. Dr. Enéas Pinheiro s/n. CEP
66095-100, C. P. 48, e-mail: tome@cpatu.embrapa.br; amuller@cpatu.embrapa.br
INTRODUÇÃO
A produção brasileira de coco é de fundamental importância econômica e social
para a Região Nordeste, onde se encontra a maior produção de coco do País. Em
2001, com uma produção de 941,793 milhões de frutos, essa região respondeu por
70,67% da produção nacional de coco. O Estado da Bahia é o principal produtor,
com uma área colhida de 80.342 ha e produção de 424.444 milhões de frutos,
seguido dos Estados do Ceará e do Pará, esse último com 20.334 ha de área
colhida e produção de 196.993 milhões de frutos (Agrianual, 2003).
A produtividade média brasileira de coco é baixa, na ordem de 20 a 30 frutos/
planta/ano (Aragão et al., 1997) e a produção não tem sido suficiente para
atender a demanda do mercado interno, o que tem resultado, como conseqüência,
em importações de volumes expressivos de coco seco e semi-industrializado e,
até mesmo, de coco verde para água (Agrianual, 2003). No Estado do Pará a
cultura do coqueiro tem se caracterizado pela baixa produtividade devido
principalmente à implantação da cultura ocorrer com sementes de origem genética
desconhecida, não existindo normalmente campos de matrizes de coqueiro,
estabelecidos segundo os padrões técnicos para produção de sementes
certificadas do próprio coqueiro anão ou do coqueiro híbrido, além do manejo
inadequado da cultura.
Uma das estratégias que os melhoristas passaram a adotar, no sentido de
aumentar a produtividade de coco e resolver outros problemas da cultura,
envolve a avaliação de híbridos entre as variedades Anão x Gigante, visto que,
em relatos da literatura observa-se que a manifestação da heterose em coqueiro
ocorre para a produção de frutos, precocidade, resistência a pragas e doenças,
número de folhas, circunferência do coleto (Santos et al., 1982), porcentagem
de germinação (Faria et al., 2002). De acordo com Ferraz et al. (1987), muitas
empresas brasileiras optaram pela importação de sementes híbridas da Costa do
Marfim.
Considerando-se, entre outras, as variações climáticas, entre a região de
origem dos híbridos e as reinantes no Estado do Pará, onde a cultura do
coqueiro se encontra em franca expansão, há necessidade de se buscar
informações experimentais que permitam identificar os genótipos mais
promissores para serem recomendados aos produtores, contribuindo, dessa forma,
para a melhoria do sistema de produção da cultura.
Este trabalho foi conduzido com a finalidade de avaliar o desempenho de seis
híbridos de coqueiro para produção de frutos e de albúmen fresco, com vista à
recomendação de novos cultivares para plantio.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi instalado na Fazenda Socôco, localizada no Município de Moju,
PA, situada a 02° 07'00" de latitude Sul e 48° de longitude Oeste de Greenwich,
distando 100 km da cidade de Belém. A altitude é de 30 metros, com pluviosidade
média anual de 2.695 mm e temperatura média de 27 °C, umidade relativa do ar de
82% e constante iluminação solar. O solo da área experimental é um Latossolo
Amarelo Distrófico, textura argilo arenosa e relevo suave. Não foi utilizada
irrigação artificial. Os resultados da análise do solo, coletado na
profundidade de 0 a 20 cm e de 20 a 40 cm, são apresentados na Tabela_1.
O plantio dos híbridos ocorreu no ano de 1984 e o início da avaliação ocorreu
de 1989 até 1997. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos
casualizados, com seis repetições, sendo as parcelas experimentais
representadas por 30 plantas, no espaçamento de 8,5 m x 8,5 m, em arranjo
triangular equilátero. As adubações foram realizadas anualmente, de acordo com
a diagnose foliar. Os tratos culturais como capinas foram realizados
bimestralmente e a colheita dos frutos ocorreu de 2 em 2 meses.
Os híbridos avaliados foram: PB 121 (Anão-amarelo da Malásia x Gigante Oeste
Africano); PB 111 (Anão-vermelho de Camarões x Gigante Oeste Africano); PB 141
(Anão- verde do Brasil x Gigante Oeste Africano); PB 123 (Anão-amarelo da
Malásia x Gigante de Renel); PB 132 (Anão-vermelho da Malásia x Gigante da
Polinésia) e PB 113 (Anão-vermelho de Camarões x Gigante de Renel), todos
fornecidos pelo Institut de Recherches pour les Huiles et Oléagineux IRHO,
França.
Embora tenham sido tomados dados de vários caracteres agronômicos, somente
foram analisados o número de frutos/planta e a produção de albúmen sólido
fresco. Os dados de número de frutos/planta foram transformados para
. Realizou-se a análise de variância para cada
ano, para estimar a relação entre o maior e o menor quadrado médio do resíduo,
para cada ano, visando verificar se haveria a necessidade de ajustes de graus
de liberdade das fontes de variação, para posterior análise de variância
conjunta de ambientes. Consideraram-se os efeitos de tratamentos como fixo e de
ano como aleatório As análises de variância foram efetuadas através do programa
GENES (Cruz, 2001).
O modelo matemático empregado foi: Yijk = m + Gi + Aj + B/Ajk + Gaij + Eijk,
sendo: valor fenotípico do caráter Y
medido no material genético i, no ambiente j; m= média geral paramétrica dos
dados em estudo; Gi= efeito do i-ésimo genótipo; Aj= efeito do j-ésimo ambiente
experimental; B/Ajk= efeito de blocos dentro de ambiente; Gaij= efeito da
interação do i-ésimo genótipo com o j-ésimo ambiente; Eijk= erro médio
associado à observação Yijk.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Tabela_2, apresentam-se os resultados da análise de variância dos caracteres
número de frutos/planta e produtividade de albúmen sólido fresco. Foram
detectadas diferenças significativas para tratamentos, fato que reflete a
heterogeneidade do material genético estudado, indicando a possibilidade de
identificação de materiais promissores. Foi detectado efeito significativo para
as fontes de variação ano e para a interação anos x tratamentos, o que mostra
comportamento diferenciado dos híbridos nas diferentes idades e evidencia o
efeito de periodicidade nesses caracteres. Tal fato significa também que as
plantas a serem submetidas à seleção tenham suas produções avaliadas mediante
observações repetidas, para que se obtenha resposta mais próxima do seu valor
genotípico. Em coqueiro, segundo Fremond et al. (1975), deve ser observado, com
rigor, durante, no mínimo, 3 anos de produção, a fim de que seja selecionado um
genótipo superior. Foi obtido nível ótimo de precisão experimental, conforme
indicação fornecida pelos baixos valores dos coeficientes de variação
experimental.
A relação entre o maior e o menor quadrado médio dos resíduos das análises de
variância por ano foi de 5,56 e 5,75, para número de frutos/planta e
produtividade de albúmen sólido fresco, respectivamente, indicativo que a
precisão experimental entre os experimentos não foram discrepantes, por serem
menores que sete, o que, segundo Gomes (1991), permite a realização da análise
conjunta sem ajuste dos graus de liberdade.
Na Tabela_3, encontram-se os valores médios obtidos pelos híbridos para os
caracteres. Verifica-se que o híbrido PB 111 apresentou a maior produção de
frutos/planta, não diferindo estatisticamente dos híbridos PB 141, PB 113, PB
121 e PB 123. Quanto à produtividade de albúmen sólido fresco, o melhor
desempenho foi observado pelo híbrido PB 113, seguido do PB 111 e PB 141, não
havendo diferença significativa entre eles. O resultado dos mesmos híbridos,
por apresentarem as maiores produções de albúmen, estar entre aqueles com maior
número de frutos/planta já era esperado, haja vista que o valor da correlação
fenotípica entre os caracteres foi alto (0,94). Vale ressaltar que o fato dos
três híbridos não apresentarem diferenças significativas entre si sugere a
possibilidade do plantio dos três de maneira simultânea, fato que promoverá
maior diversidade de genótipos na área de cultivo, evitando, desse modo, maior
vulnerabilidade genética às doenças, às pragas e às condições edafo-climáticas
adversas. O menor valor de número de frutos/planta foi observado no PB 132. Os
menores valores de produtividade de albúmen sólido fresco foram apresentados
pelos híbridos PB 123 (4.822,4 kg/ha), PB 132 (4.952,7 kg/ha) e PB 121 (5.018,1
kg/ha), com valores inferiores à média geral dos anos, que foi de 5.243,6 kg/
ha.
Observa-se que o efeito da periodicidade foi pronunciado, tendo o número de
frutos/planta variado de 74, em 1996, a 119, em 1997 (Figura_1), enquanto a
produtividade média de albúmen fresco variou de 4.263 kg/ha a 7.226 kg/ha no
mesmo período (Figura_2).
CONCLUSÕES
1) Considerando o desempenho dos híbridos no período de 9 anos de avaliação
para os caracteres número de frutos/planta e produtividade de albúmen sólido
fresco, recomenda-se os híbridos PB 111, PB 113 e PB 141 para plantio no Estado
do Pará.
2) Recomenda-se o plantio dos híbridos superiores de maneira conjunta numa
mesma área de modo a promover maior diversidade de genótipos na área de
cultivo, evitando, maior vulnerabilidade genética às doenças, às pragas e às
condições edafo-climáticas adversas