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BrBRCVAg0100-29452003000200029

National varietyBr
Country of publicationBR
SchoolLife Sciences
Great areaAgricultural Sciences
ISSN0100-2945
Year2003
Issue0002
Article number00029

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Estabelecimento e multiplicação in vitro de porta-enxertos de Prunus Estabelecimento e multiplicação in vitro de porta-enxertos de Prunus1

In vitro establishment and multiplication of Prunusrootstocks

Aparecido Lima da SilvaI; Marcelo RogalskiII; Liziane Kadine Antunes de MoraesIII; Claudia FeslibinoIV; Leandro CrestaniV; Miguel Pedro GuerraVI IProf. Adjunto da Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Fitotecnia, C.P. 476, 88040-900, Florianópolis-SC, (48) 331-5330, alsilva@cca.ufsc.br IIBiólogo, Mestre, Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Fitotecnia, C.P. 476, 88040-900, Florianópolis-SC, (48) 331-5330 IIIAcadêmica em Agronomia da Universidade Federal de Santa Catarina, C.P. 476, 88040-900, Florianópolis-SC, (48) 331-5330, bolsista RHAE/CNPq IVAcadêmica em Biologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina, C.P. 187, 89560-000, Videira-SC, (49) 551-1422, bolsista RHAE/CNPq VEngº. Agrº. Empresa Vitroplanta - Biotecnologia Ltda, C.P. 150, 89560-000, Videira-SC, (49) 566-2690, bolsista RHAE/CNPq VIProfessor Titular da Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Fitotecnia, C.P. 476, 88040-900, Florianópolis-SC, (48) 331-5330

INTRODUÇÃO No Brasil e principalmente nas regiões Sul e Sudeste, a cultura do pessegueiro apresenta uma grande importância socioeconômica, ocupando uma área superior a 20 mil hectares, com uma produção estimada em 150 mil toneladas (Sachs & Campos, 1998). Os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina destacam-se como os maiores produtores do País com áreas de 11,9 e 4,5 mil hectares, respectivamente (Epagri, 2001).

Na cultura do pessegueiro, um sistema moderno e tecnificado é determinante para a qualidade dos frutos e para a obtenção de uma alta produtividade dos pomares.

Neste contexto, a muda é um insumo básico de fundamental importância para o sucesso na atividade (Fachinello, 2000).

Contudo, o sistema de produção de mudas de pessegueiro no Sul do Brasil ainda repousa sobre o emprego de porta-enxertos obtidos de sementes da indústria de conserva, aspecto este que permite a ocorrência de misturas varietais e conseqüente desuniformidade de plantas, a morte precoce de plantas e a falta de uniformidade genética (Fachinello, 2000).

Na propagação vegetativa, via estaquia, a principal limitação é a baixa capacidade de enraizamento para a maioria das cultivares de pessegueiro, aliada ao forte efeito do genótipo, com resultados variáveis de acordo com as cultivares utilizadas (Fachinello et al., 1995; Rufato & Kersten, 2000).

A tecnologia de cultura in vitro tem permitido propagar espécies de difícil multiplicação, com obtenção de material de alta qualidade genética através da captura e fixação de ganhos genéticos a partir de genótipos superiores. Para o gênero Prunus, o sucesso no estabelecimento e na multiplicação in vitro foi descrito pôr vários autores (Hammerschlag, 1982; Pérez -Tornero & Burgos, 2000).

No Brasil, os trabalhos de micropropagação do gênero Prunus, especialmente para o pessegueiro, são relativamente escassos. Recentemente, Rodrigues et al.

(1999) e Silveira et al. (2001) demonstraram as dificuldades em estabelecer e multiplicar in vitro porta-enxertos de Prunus.

No presente trabalho, foram estudados os fatores associados ao estabelecimento e multiplicação in vitro dos porta-enxertos Capdeboscq e GF677 e da seleção VP411, visando à propagação clonal.

MATERIAL E MÉTODOS Material vegetal Os porta-enxertos selecionados foram: a) Capdeboscq - Prunus persica (L.) Batsch é a cultivar mais utilizada no Sul do Brasil para a produção de mudas de pessegueiro e ameixeira; cultivar de ciclo tardio apresenta uma boa germinação das sementes; b) GF677 - Prunus amygdalus x Prunus persica possui como característica a robustez decorrente do vigor híbrido, bem como boa compatibilidade com ambas as espécies e tem demonstrado ótimo potencial para a propagação comercial através da micropropagação; c) VP411 - é uma seleção de Capdeboscq, obtida pela Vitroplanta ' Biotecnologia Vegetal Ltda (Videira/SC), e encontra-se em testes como porta-enxerto para a redução do porte e melhor qualidade dos frutos em ameixeira.

As plantas-matrizes destes porta-enxertos foram mantidas em casa de vegetação do Departamento de Fitotecnia/CCA/UFSC e na Vitroplanta em Videira (SC).

Estabelecimento in vitro Os experimentos de cultura in vitro foram conduzidos no Laboratório de Morfogênese e Bioquímica Vegetal do Departamento de Fitotecnia/CCA/UFSC. Das plantas-matrizes foram coletados brotos com crescimento ativo, que foram seccionados em segmentos de três a quatro gemas e posteriormente submetidos ao seguinte processo de desinfestação: lavagem em água e detergente (10 gotas.L- 1 de Tween 20) e, posteriormente, sob agitação por 1 minuto em etanol 70%, 15 minutos em hipoclorito de sódio (1,25%) e, finalmente, em câmara de fluxo laminar, os explantes foram submetidos a três lavagens com água destilada autoclavada.

Os ápices caulinares e gemas laterais foram inoculados em tubos de ensaio (25x150mm) contendo 10 mL de meio de cultura composto de sais e vitaminas de Lepoivre (Quoirin et al., 1977), suplementado com sacarose (20g.L-1), ágar (7g.L-1) e 6-benzilaminopurina (BAP) (0,5mg.L-1).

Após 30 dias, ápices caulinares e gemas laterais foram avaliados quanto ao índice de sobrevivência e contaminação.

Multiplicação in vitro O material vegetal foi multiplicado, com subculturas a cada 21 dias, através de segmentos nodais com 1-2cm, desprovidos dos ápices caulinares, no mesmo meio de cultura citado anteriormente na fase de estabelecimento.

Na terceira subcultura in vitro, após 28 dias de cultivo, os dados referentes à multiplicação in vitro dos porta-enxertos Capdeboscq e GF677, e da seleção VP411 foram avaliados quanto ao número de brotos por explante, altura média das brotações (mm) e número de brotos >20mm por explante.

Condições de cultura in vitro Para as diferentes fases, o pH do meio de cultura foi ajustado para 5,2-5,3 e todos os componentes do meio foram adicionados antes da autoclavagem a 121ºC, durante 15minutos. O material vegetal foi mantido em câmara de crescimento com temperatura de 25±2ºC, fotoperíodo de 16 horas e intensidade luminosa de 40- 45mmol.m-2.s-1, fornecidas pôr lâmpadas fluorescentes brancas frias.

Análises estatísticas Na fase de estabelecimento in vitro, os dados foram avaliados quanto às porcentagens de sobrevivência e contaminação. Para a fase de multiplicação in vitro, utilizou-se o delineamento experimental inteiramente ao acaso, com cinco explantes por repetição e cinco repetições por tratamento. Os dados de número de brotos por explante, altura média das brotações (mm) e número de brotos >20mm por explante foram submetidos à Análise de Variância (ANOVA) e ao teste de separação de médias SNK (5%), de acordo com Sokal e Rohlf (1995).

RESULTADOS E DISCUSSÃO Estabelecimento in vitro Os valores observados para os diferentes explantes no estabelecimento in vitro dos três porta-enxertos estão apresentados na Tabela_1. As percentagens médias de sobrevivência de ápices caulinares e gemas laterais foram, respectivamente, de 62,9% e 58,8%. Estes resultados podem ser considerados eficazes para introdução in vitro de porta-enxertos de Prunus e estão entre os limites de sobrevivência (27% a 93%) obtidos por Hammerschlag (1982), no estabelecimento in vitro de 11 cultivares de pessegueiro.

Os explantes de ápices caulinares e gemas laterais apresentaram taxas de 14,8% e 29,8% de contaminação, respectivamente (Tabela_1). Verifica-se que estes índices foram inferiores a outros estudos realizados. Rodrigues et al.

(1999) obtiveram taxas de 50% a 95,8% de contaminação no estabelecimento in vitro de seis porta-enxertos de Prunus. Estes autores constataram maior contaminação de gemas laterais e um efeito significativo do genótipo na fase de estabelecimento in vitro. Hammerschlag (1982) observou maior ocorrência de contaminação (70%) em gemas dormentes, enquanto, para brotos com crescimento ativo, a taxa de contaminação foi de 27%, no estabelecimento in vitro de pessegueiro.

Pode-se destacar que a metodologia usada neste trabalho para introdução e estabelecimento in vitro com explantes originários de plantas-matrizes mantidas em casa de vegetação, com controle sanitário e nutricional, permitiu bons resultados no estabelecimento in vitro para o material estudado, apresentando baixos índices de contaminação por agentes patogênicos (Figuras_1a e b).

Multiplicação in vitro no primeiro subcultivo, observou-se que as culturas apresentaram alto potencial de multiplicação in vitro (Figura_1). O genótipo apresentou efeito altamente significativo em relação ao número de brotos, altura média dos brotos e ao número de brotos >20mm por explante.

Os porta-enxertos Capdeboscq e GF677 e a seleção VP411 produziram valores médios de 14,7; 10,5 e 16,0 brotos por explantes, respectivamente. O porta- enxerto Capdeboscq e a seleção VP411 não apresentaram diferenças significativas entre si para este parâmetro, mas foram significativamente superiores ao porta- enxerto GF677 (Figura_2). Estes resultados foram superiores aos obtidos por Parfitt e Almehdi (1986), que avaliaram a multiplicação in vitro de 56 cultivares e observaram uma variação de 1,3 a 9,9 brotos por explante, com a utilização do meio de cultura AP suplementado com 6,0mg.L-1de BAP e 0,01mg.L- 1 de ácido indolbutírico.

No presente trabalho, a utilização do meio de cultura de Lepoivre mostrou-se adequada para a multiplicação dos genótipos estudados. Sabe-se que a constituição basal do meio de cultura, o tipo e a concentração dos reguladores de crescimento são fatores determinantes para a obtenção de altas taxas de multiplicação in vitro, em diferentes genótipos do gênero Prunus (Arena & Caso, 1992; Pérez-Tornero & Burgos, 2000; Pérez-Tornero et al., 2000).

Para a altura média dos brotos, os porta-enxertos Capdeboscq e GF677, com altura de 9,3 e 8,9 mm, respectivamente, apresentaram maior crescimento, diferindo significativamente da seleção VP411 com altura de 7,8mm (Figura_3). A altura média dos brotos é uma variável determinada principalmente pela concentração e tipo do regulador de crescimento (Harada & Murai, 1996; Leontiev-Orlov et al., 2000), meios de cultura (Arena & Caso, 1992; Pérez- Tornero & Burgos, 2000; Pérez-Tornero et al., 2000) e genótipo (Arena & Caso, 1992; Pérez-Tornero & Burgos, 2000).

Em relação ao número de brotos maiores que 20mm por explante, o porta-enxerto Capdeboscq resultou em 2,0 brotos, sendo significativamente superior ao porta- enxerto GF677 e à seleção VP411 com 1,3 e 1,0 brotos, respectivamente (Figura 4). Esta variável é de grande importância para a próxima fase da micropropagação, o enraizamento in vitro. Para Harada & Murai (1996) e Leontiev-Orlov et al. (2000), a obtenção de brotos aptos para o enraizamento, maiores que 20mm, tem sido difícil para algumas espécies do gênero Prunus.

Entretanto, com resultados similares ao observado neste trabalho, Arena & Caso (1992) e Pérez-Tornero et al. (2000) conseguiram obter com sucesso brotos com comprimentos adequados para o enraizamento in vitro de Prunus.

Os resultados obtidos no presente trabalho também confirmaram uma resposta dependente do genótipo de porta-enxertos de pessegueiro, com respeito ao meio de cultura, como demonstraram Parfitt & Almehdi (1986), Arena & Caso (1992) e Pérez-Tornero & Burgos (2000) para diversas prunáceas. Isto poderia ser atribuído à necessidade de diferentes níveis de reguladores de crescimento suplementados ao meio de cultura, bem como a possíveis interações entre os reguladores de crescimento e os sais presentes no meio de cultura (Pérez-Tornero & Burgos, 2000, Pérez-Tornero et al., 2000). Observa-se que algumas cultivares podem apresentar biossíntese diferencial de hormônios endógenos e/ou eficiência diferencial na absorção e metabolização dos compostos presentes no meio de cultura (Parfitt & Almehdi, 1986). Associado a estes aspectos, os resultados obtidos no presente trabalho mostraram que os porta- enxertos Capdeboscq e GF677 e a seleção VP411 podem ser eficientemente estabelecidos, multiplicados e mantidos in vitro no meio de cultura Lepoivre.

CONCLUSÕES Os resultados obtidos no presente trabalho permitem concluir que o estabelecimento e a multiplicação in vitro dos genótipos selecionados de Prunus pode ser eficientemente realizado a partir de ápices caulinares e gemas laterais inoculados em meio de cultura de Lepoivre, suplementado com BAP (0,5mg.L-1). A taxa de multiplicação in vitro foi de 14,7; 10,5 e 16,0 brotos/ explante para os porta-enxertos Capdeboscq e GF677, e a seleção VP411, respectivamente. O porta-enxerto Capdeboscq foi superior para altura média das brotações e número de brotos >20mm por explante Estes valores são considerados satisfatórios para o estabelecimento de um protocolo de micropropagação dos genótipos mencionados.


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