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CRESCIMENTO DE MUDAS DE CAJUEIRO-ANÃO-PRECOCE 'CCP
¾76' SUBMETIDAS À ADUBAÇÃO ORGÂNICA E MINERAL 1
INTRODUÇÃO
A partir da década de 70, a cajucultura nordestina assumiu um papel muito
importante no mercado nacional e internacional com a geração de divisas e
empregos, principalmente para os estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte
(EMBRAPA, 1970).
Apesar da importância econômica para o Nordeste e do interesse no cultivo
evidenciado pelo constante crescimento da área ocupada, o rendimento da
cajucultura vem reduzindo-se consideravelmente (Parente et.al., 1991). Segundo
técnicos e produtores, este declínio pode ser atribuído à baixa fertilidade dos
solos, ao baixo potencial genético e à irregularidade ou escassez das chuvas
(Ramos, 1991).
Como medida de recuperação e implementação de um novo modelo de produção, faz-
se necessário o desenvolvimento de estudos com vistas à obtenção de métodos de
propagação de mudas, genótipos com características agronômicas superiores e o
estabelecimento de programas de adubação e irrigação que viabilizem o cultivo
desta espécie em escala comercial.
Com relação a estudos sobre nutrição e adubação mineral do cajueiro, existem
vários trabalhos citados na literatura desenvolvidos em plantas adultas, em
distintos estádios fenológicos (Lefebvre, 1970; Vidyachandra &
Hanamashetti, 1985; Hanamashetti et al., 1985). Contudo, na fase de mudas, são
poucas as informações disponíveis.
Entretanto, sabe-se que, para a obtenção de mudas de boa qualidade, é
fundamental a utilização de substratos a qual apresente propriedades físico-
químicas adequadas e forneça os nutrientes necessários para o pleno
desenvolvimento da planta. Além disso, a qualidade do substrato depende,
primordialmente, das proporções e dos materiais que compõem a mistura, as quais
devem ser conhecidas a priori, e da adição de fertilizantes e corretivos
químicos, visto que a maioria dos constituintes de origem orgânica e
inorgânica, são praticamente inertes ou pobres em nutrientes.
Para a produção de mudas, materiais de origem orgânica, tais como casca de
arroz carbonizada (Souza, 2001, Andrade Neto e Medeiros, 1998), bagaço de cana-
de-açúcar (Biasi et.al., 1995;Toledo et al., 1997), esterco de animais
(Sediyama et.al., 2000),compostos orgânicos (Soglio, 2000), moinha de café
(Andrade Neto, 1998), isolados ou associados a fontes e doses de fertilizantes
minerais (Peixoto, 1990; Cardoso et.al.,1992;Vichiato et al., 1998; Brasil et
al., 1999) têm sido utilizados para muitas espécies frutíferas. No entanto,
para o cajueiro, os trabalhos limitam-se, principalmente, à adubação mineral de
plantas adultas e melhoramento genético.
Estes fatores indicam a necessidade de estudos mais detalhados sobre doses
adequadas de fertilizantes e corretivos para a produção de mudas de cajueiro.
Neste sentido, o objetivo desta pesquisa foi avaliar o efeito da aplicação de
doses crescentes de matéria orgânica e fertilizante mineral (nitrogênio,
fósforo, potássio e calcário) sobre o desenvolvimento de mudas de cajueiro-
anão-precoce 'CCP 76'.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido na área experimental do Departamento de Engenharia
Agrícola do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará (DEA/
CCA/UFC). As mudas produzidas neste ensaio resultaram de sementes obtidas de
uma única planta-matriz, progênie 'CCP 76', cultivada no jardim clonal da
Estação Experimental de Pacajus, pertencente ao Centro Nacional de Pesquisa
Agroindústria Tropical da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (CNPAT/
EMBRAPA). As sementes foram inicialmente submetidas ao teste de densidade,
emergindo-se por 24 horas em água, para selecionar aquelas de maior peso,
eliminando as flutuantes, consideradas de menor potencial de germinação.
Como substrato, utilizou-se solo classificado como Podzólico Vermelho-Amarelo
Distrófico, textura média, coletado na faixa de 0-30 cm de profundidade, no
Câmpus do Pici. Os resultados das análises do solo encontram-se na Tabela_1.
A adubação foi realizada duas semanas antes do plantio, incorporando-se ao solo
a matéria orgânica e os componentes minerais, uréia, superfosfato triplo,
cloreto de potássio, gesso, calcário e fritas tipo MIB-3, conforme recomendação
de Ximenes (1995). A distribuição das quantidades e fontes dos fertilizantes
minerais encontra-se na Tabela_3.
A fonte de matéria orgânica utilizada foi o coprólito de minhoca, cuja
composição química se encontra na Tabela_2. A adubação orgânica foi distribuída
na proporção de 0; 5; 10 e 15% do peso do substrato contido no recipiente,
equivalente a 0; 100; 200 e 300 cm3 de coprólito/2,5 kg solo, respectivamente.
As doses obtidas por essas combinações foram denominadas de 00; 01; 02 e 03,
respectivamente.
A semeadura foi realizada diretamente nos recipientes (sacos de polietileno
preto com dimensão de 19 cm de largura por 30 cm de comprimento), com
capacidade para 2,5 kg de solo, furados lateralmente), sendo semeada única
semente/recipiente com a base voltada para cima, a uma profundidade de 3 cm,
conforme recomendação de Barros et. al. (1993). O experimento foi conduzido a
pleno sol por um período de 95 dias após a semeadura. Os tratos culturais
limitaram-se a irrigação, controle de pragas, doenças e daninhas.
O ensaio foi instalado num delineamento inteiramente casualizado, com 16
tratamentos, constituídos das 4 doses de matéria orgânica e 4 doses de
fertilizantes minerais, repetidos 4 vezes e arranjados segundo o modelo
fatorial 42. As combinações e definição dos tratamentos encontram-se compilados
na Tabela_4.
As análises empregadas para avaliação dos resultados foram baseados em modelos
apropriados para o delineamento utilizado. Todos os dados foram submetidos à
análise de variância, utilizando-se, para o Teste de F, os níveis de 5 e 1% de
probabilidade. Para a realização dos testes estatísticos, foram utilizados os
recursos disponíveis no System Analysis Statical (SAS).
No final do experimento, foram realizadas as seguintes determinações: altura de
plantas (cm); medida a partir do colo até a gema apical; diâmetro do caule
(mm), medido a uma distância de 5,0 cm do colo, utilizando-se paquímetro com
precisão de 0,05 mm; número de folha/planta (quantidade de todas as folhas com
tamanho superior a 5,0 cm); comprimento da raiz principal (medida da raiz de
maior comprimento em cm; peso da matéria seca da parte aérea e do sistema
radicular (g/planta).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise de variância mostrou efeitos promissores entre as combinações das
doses de matéria orgânica e fertilizante mineral, sobre a maioria das variáveis
de crescimento estudadas, conforme os dados apresentados na Tabela_5.
Estes resultados mostraram que o efeito da matéria orgânica foi significativo
nas variáveis número de folhas e peso da matéria seca da parte aérea. Para a
primeira, os valores variaram de 9,00 (valor obtido na ausência de matéria
orgânica) a 11,73 unidades por planta (quando se aplicou a dose de 300 g/planta
de húmus de minhoca). O peso da matéria seca da parte aérea variou de 7,89 g a
10,03 g, valores obtidos nas doses 0 (ausência de matéria orgânica) e 300 g de
matéria orgânica por planta, respectivamente .Estes resultados estão em
concordância aos observados por Cardoso e Bakker (1994), ao verificarem que a
dose de 300 g de húmus de minhoca promoveu acréscimo no número de folhas de
mudas de cajueiro-anão. Com relação às demais variáveis analisadas, não se
constatou efeito significativo entre as doses de matéria orgânica aplicadas.
Por outro lado, Toledo et.al. (1997) diagnosticaram incremento nas variáveis
altura e diâmetro do caule das mudas de laranjeira, cultivar 'Pêra Rio' quando
foi utilizado na formulação do substrato 30-40-30% de solo, areia e húmus de
minhoca.
As plantas com fertilizante mineral responderam satisfatoriamente à adubação
apenas para a variável número de folhas/planta. Seus valores oscilaram entre
6,0 e 13,66 unidades, para as doses 3 (6,18g) e 2 (3,34g) de fertilizante,
respectivamente. Estes resultados sugerem que a dose mais elevada da mistura de
fertilizante mineral tenha deprimido a planta, em função dos elevados teores de
sais solúveis. Resultados similares foram também constatados por Ximenes
(1995), que verificou que a adição de doses elevadas de N, P e K ao substrato
promoveu a morte das plantas. O autor mencionou ainda que o excesso de sais
retidos nos recipientes pode ter sido um dos principais fatores limitantes à
expansão do sistema radicular, absorção de água e sais minerais, culminando com
o ressecamento da parte aérea e morte da planta. Resultados antagônicos aos
obtidos neste ensaio foram diagnosticados por Cardoso et al. (1992), ao
constatar que a aplicação de doses crescentes de superfosfato simples (1,25;
2,5 e 5,0 g) promoveram incremento na altura das plantas, peso da matéria seca
da parte aérea e das raízes de mudas de cafeeiro 'Mundo Novo' e 'Catuaí' em
recipientes. Já, Brasil et al. (1999), em condições similares de adubação
mineral, diagnosticaram para as variáveis altura de plantas, diâmetro do caule
e número de ramificações laterais, respostas de forma quadrática em função da
aplicação das doses de uréia e cloreto de potássio para a cultura da acerola.
Os autores verificaram, também, a ausência de resposta quanto à aplicação do
calcário.
Com relação à aplicação de combinações de matéria orgânica e fertilizante
mineral, constataram-se efeitos estatisticamente significativos para as
variáveis alturas de planta, peso da matéria seca da parte aérea e número de
folhas por planta. Os resultados mostram que a combinação entre a menor dose da
mistura de fertilizante (1,92 g/planta) e a maior de matéria orgânica (300 g/
planta) promoveu maior incremento nos valores do peso da matéria seca da parte
aérea, número de folhas e altura da planta (Tabela_5). Resultados similares
foram obtidos por Peixoto & Pádua (1989), os quais avaliaram os efeitos de
4 doses de matéria orgânica (0; 100; 200 e 300/m3 de solo) 4 doses de
superfosfato simples (0; 3,0; 6,0; e 9,0 kg/m3 de solo) e 3 doses de cloreto de
potássio (0; 0,5 e 1,0 kg/m3 de solo), nas variáveis de crescimento de mudas de
maracujazeiro-amarelo. Os autores verificaram que o aumento das doses de
fertilizantes minerais e da matéria orgânica provocou incremento nos valores
das características de crescimento das plantas, em relação à não-aplicação.
Contudo, o aumento das doses de cloreto de potássio provocou diminuição nos
valores de peso da matéria seca do sistema radicular, em relação à não-
aplicação. Estes resultados sugerem a possibilidade de redução nos custos para
obtenção da muda, visto que o fertilizante mineral pode ser parcialmente
substituído pela matéria orgânica , contribuindo significativamente para o seu
desenvolvimento inicial.
As demais combinações formadas pelas doses intermediárias e as mais elevadas da
mistura de fertilizantes e matéria orgânica produziram resultados semelhantes,
porém superiores aos obtidos no tratamento-controle e de adubação orgânica e
mineral isolados. Para as variáveis diâmetro do caule, crescimento da raiz
principal e peso da matéria seca do sistema radicular, não se observou nenhum
tipo de resposta aos tratamentos estudados.
CONCLUSÕES
1 - O uso de doses de matéria orgânica (húmus de minhoca) e fertilizante
mineral na forma de uréia, superfosfato triplo e cloreto de potássio,
promoveram acréscimos significativos na altura da planta, peso da matéria seca
da parte aérea e número de folhas por planta.
2 - O uso da matéria orgânica (300 g/2,5 kg de substrato) apresentou efeito
promissor no peso da matéria seca da parte aérea e número de folhas/planta;
3 - A dose de fertilizantes minerais apresentou efeito significativo para a
variável número de folhas, independentemente do nível aplicado.