Revisitando os Balcãs no Centenário
Quando as canhoneias da frota do Danúbio bombardearam Belgrado, na noite de 28
de julho, o estado de guerra entre a Áustria-Hungria e a Sérvia tornou-se uma
realidade palpável. Estes primeiros tiros foram apenas disparados a alvos
militares tais como os quartéis das unidades sérvias na fortaleza de
Kalemegdan. Também caiam granadas no telégrafo militar sem fios situado na
colina vizinha. No entanto, várias áreas residenciais também foram seriamente
danificadas, incluindo o edifício da Universidade de Belgrado. Assim, este
primeiro ato de guerra teve, para além do seu caráter militar, um papel
psicológico e punitivo.
Designadamente, desde 1908 e da crescente deterioração das relações servo-
austríacas, muitos entre a elite de Habsburgo viam cada vez mais Belgrado e a
Sérvia como uma espécie de ninho de revolucionários, abrigo seguro para
terroristas e vários aventureiros cujo único sonho era perturbar a paz na
região e pôr em perigo as possessões dos Habsburgo.
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Esta imagem simplificada do Reino Sérvio como um estado vilão sobreviveu para
reaparecer em alguns dos livros mais populares que marcam o primeiro centenário
da Grande Guerra. Em primeiro lugar, está o livro The Sleepwalkers: How Europe
Went to War in 1914(2012) do Professor de Cambridge Christopher Clark. Há,
também, o livro intitulado The War that Ended Peace(2014), escrito pela
Professora de Oxford Margaret MacMillan. À medida que surgiam na imprensa de
Belgrado os primeiros excertos e resumos, foi crescendo um medo do revisionismo
histórico, e esta ideia foi ganhando cada vez mais espaço nos media. Assim,
grande parte do período entre 2013 e 2014, na Sérvia, foi passado a considerar,
a debater e a confrontar os argumentos apresentados pelos dois autores
mencionados. No âmago desta inquietação estava o argumento, sugerido pelos dois
autores anglófonos, de que o governo sérvio não só sabia do plano do
assassinato, em Sarajevo, do herdeiro do trono austro-húngaro, como também
manipulou as Grandes Potências para o conflito ' logo, o comportamento
ferozmente expansionista da Sérvia tem uma responsabilidade considerável nos
desenvolvimentos que conduzem à deflagração da Primeira Guerra Mundial.
Para além disso, surgiu a questão específica dos atos levados a cabo pelos
membros da organização revolucionária denominada Jovem Bósnia. Os Professores
Clark e MacMillan classificaram esta organização de terrorista, na aceção mais
contemporânea da palavra. Assim, os assassinatos levados a cabo por Gavrilo
Princip, em 1914, foram tidos como praticamente idênticos às ações da Al Qaida
na viragem do século XX. Naturalmente, como Gravilo Princip foi honrado com
nomes de ruas e de escolasprimárias em quase todas as cidades da Sérvia e da
Republika Srpska, esta nova interpretação provocou grande ira nestas zonas dos
Balcãs.
O que é importante frisar é que, por detrás dos grandes argumentos e
interpretação observados em The Sleepwalkerse em The War that Ended Peace, a
imagem dos Balcãs foi, em vários aspetos, enquadrada nas antigas presunções de
violência interminável e de atraso. A resposta do público sérvio a estas
recentes interpretações do passado inscreveu-se, sobretudo, na narrativa da
vitimização e na linha da teoria da conspiração, segundo a qual algumas forças
malévolas decidiram culpar a Sérvia pela deflagração da Grande Guerra. Para
além disso, esta reação foi seguida de uma notória falta de qualquer resposta
académica adequada às afirmações dos dois autores. O interessante nisto é que
ambos os lados partilham um aspeto nas suas interpretações mutuamente opostas '
associam as guerras da dissolução da Jugoslávia, nos anos noventa, com a
interpretação da Primeira Guerra Mundial. Os tópicos quentes de The
Sleepwalkersforam ainda mais vulgarizados por vários mediaeuropeus. As duas
abordagens mencionadas põem, assim, em risco, o Primeiro Centenário enquanto
oportunidade de desenvolver o entendimento mútuo e aumentar o conhecimento
comum. Na realidade, está a acontecer exatamente o oposto, dado que o risco de
mal-entendidos e de insinuações de xenofobia aumenta à medida que se aproximam
as datas significativas de junho, julho e agosto.
Os Balcãs como «Barril de Pólvora»
O termo Balcãsficou firmemente estabelecido, junto do público europeu, por
volta de 1912-1913, ou no período da Primeira Guerra Balcânica. Este nome não
só englobava as fronteiras geográficas, como também tinha uma conotação muito
negativa. Designadamente, a região era vista como primitiva, perigosa, sem lei
e, acima de tudo, violenta. Esta imagem foi criada depois de um fluxo contínuo
de notícias perturbadoras que chegaram dos Balcãs à Europa Ocidental.
Nomeadamente, desde o século XIX, em que os cristãos locais se envolveram em
confrontos com representantes do Império Otomano em declínio e estavam a
começar a impulsionar os seus próprios projetos nacionais com mais sucesso.
Nestas histórias que chegavam da região da Europa do Sudeste, as histórias de
assassínios, vinganças e represálias eram as que prevaleciam. A vida era
retratada como não tendo valor, e a corrupção era vista como o elemento comum
da vida quotidiana. Todos estes crimes aconteciam supostamente num ambiente de
exótico orientalismo.
2
A criação de tal imagem entrou em cena, sendo a primeira a morte violenta do
casal real, o Rei Alexandre e a Rainha Draga. Um assassinato que teve lugar na
noite de 28 para 29 de maio de 1903 (segundo o Calendário Juliano) representou
um segmento especial na criação da imagem dos Balcãs como um sítio horrível
para se estar. Nesse dia, um grupo de conspiradores, constituído
maioritariamente por oficiais sérvios, entrou no palácio e matou brutalmente o
rei Aleksandar Obrenovic (1876-1903) e a sua mulher, a Rainha Draga Main
(1864-1903). O facto de os corpos dos monarcas mortos terem sido esquartejados
e defenestrados horrorizou especialmente a opinião pública europeia. Além
disso, a resposta diplomática britânica foi a mais severa, tendo as relações
diplomáticas com o Reino da Sérvia sido suspensas durante quase dois anos. Só
se trocaram embaixadores depois de um grupo dos principais participantes do
golpe ter aceite afastar-se, como a Grã-Bretanha tinha previamente insistido.
Mais tarde, os novos reinos balcânicos independentes eram geralmente descritos
como subdesenvolvidos e problemáticos sob vários aspetos. Mas o novo material
negativo a influenciar o tratamento dado aos Balcãs chegou com as duas guerras
balcânicas de 1912-1913. Estas guerras tiveram lugar entre exércitos regulares
modernos, organizados de acordo com o modelo conceptualizado na Europa
Ocidental e armado por fabricantes franceses e alemães; no entanto, as guerras
balcânicas eram predominantemente entendidas como violência contra os civis
muçulmanos e contra combatentes inimigos feitos prisioneiros. Para além disso,
este tipo de ação independente dos estados locais, sem grande consulta das
Grandes Potências, era vista como perigosa e desestabilizadora deste canto da
Europa. Incontestavelmente, muitos crimes tiveram lugar durante 1912-1913; no
entanto, muitos outros fenómenos que se seguiram a estas guerras foram
negligenciados, apesar de terem diretamente antecipado muitas das questões que
irão reaparecer na Primeira Guerra de 1914.
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Com o assassinato de Sarajevo de 1914, a imagem da região balcânica e
especialmente da Sérvia parecia completamente formada aos olhos dos
observadores ocidentais. O Manchester Guardianescreveu, em julho de 1914, que a
Sérvia devia ser levada para o mar alto e imediatamente afundada.
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As imagens do golpe de maio de 1903 foram lembradas, e o Nationescreveu que a
dinastia Karadordevic devia toda a sua glória ao assassinato do monarca
anterior da dinastia Obrenovi. Contudo, um estereótipo negativo rapidamente se
tornou positivo, quando os sérvios se tornaram aliados da Entente.
Designadamente, os jornais britânicos mudaram de opinião, e os sérvios foram
instantaneamente apelidados de, entre outras coisas positivas, aristocratas dos
Balcãs.
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Contudo, isto foi apenas uma breve pausa, e a história do atraso dos Balcãs
sobreviveu mais ou menos até à Guerra Fria. Nessa altura, os estereótipos dos
Balcãs estavam quase esquecidos. No entanto, com a brutalidade das guerras
jugoslavas «tornou-se difícil encontrar alguém no Ocidente que pudesse dizer
uma palavra simpática acerca dos Balcãs», como observou Mark Mazower.
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De facto, os horrores dos anos noventa, no anterior estado dos Eslavos do Sul,
representou uma oportunidade perfeita para o renascimento do mito do «barril de
pólvora». O território foi de novo descrito como uma semente de discórdia e,
acima de tudo, como uma região explosiva. Um especialista britânico dos Balcãs,
com origem sérvia e vivendo no Reino Unido, o Professor Stevan Pavlovic,
acrescentou que estes rótulos erróneos e arbitrários foram levados ao extremo
nos anos noventa por «jornalistas arrogantes e diplomatas maliciosos ansiosos
por provocar uma luta».
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Simultaneamente, a queda do comunismo deixou outros estados Balcânicos a
debater-se contra o renascimento de qualificações semelhantes. Como forma de
resposta a este tratamento dos Balcãs, vários cientistas eminentes decidiram
analisar a correlação entre a realidade e a perceção dos Balcãs. Sem dúvida
que, depois do trabalho inovador da cientista búlgara Maria Todorova, muitas
coisas começaram a mudar. No seu livro Imagining the Balkans(1997) ela
introduziu o termo «balcanismo», o que implica a existência de um discurso
peculiar criador de estereótipos.
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Este livro inspirou vários outros autores, e produziu finalmente uma base muito
sólida para reavaliar o relacionamento do Ocidente com os Balcãs.
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É, por isso, mais dececionante ainda que, anos depois destas conquistas, tanto
o mundo académico como o público em geral estejam de novo apanhados numa teia
semelhante de grosseiros estereótipos, desencadeados pela aproximação do
centenário da Grande Guerra.
Os Aniversários da Grande Guerra
As datas significativas de 1914 estão agora a ressurgir em 2014, e os Balcãs
estão a ser revisitados com energia e interesse renovados. Não é possível
deixar de mencionar esta região, e especialmente a Sérvia, quando se fala do
assassinato de Sarajevo e a subsequente crise de julho. Estes marcos incluem o
assassinato de 28 de junho, o ultimato austro-húngaro entregue ao governo
sérvio em 23 de julho, e a subsequente resposta sérvia a este documento, dois
dias depois. Por fim, veio a declaração de guerra à Sérvia a 28 de julho.
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No entanto, isto apenas significava uma guerra local nos Balcãs, embora, em
retrospetiva, os tiros do monitor Habsburgo Bodrogtenham sido, efetivamente, os
primeiros disparos da guerra global.
Em comemorações anteriores da guerra, bem como em sínteses gerais da história
do conflito, a Península Balcânica foi praticamente esquecida, uma vez que as
operações bélicas massivas foram desencadeadas a Este e a Oeste. Contudo, neste
teatro de guerra, embora as forças incluídas apresentassem, comparativamente,
uma ínfima fração das forças envolvidas noutros locais, os choques e as tensões
dos vários estados balcânicos eram absolutos no seu caráter.
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Em cada aniversário completo do início da guerra, o nome da Sérvia ressurgia. O
papel do envolvimento oficial e, mais importante ainda, do envolvimento secreto
da sociedade, no assassinato de Sarajevo de 1914, foi regularmente reavaliado.
Geralmente, estes debates eram encarados com inquietação, não só durante o
período dos governos monárquicos jugoslavos, como também nos tempos da
Jugoslávia comunista de Tito. Nestes termos, a tese de Fritz Fischer (1961),
bem como os seus desenvolvimentos subsequentes no debate científico interno
alemão, foram observados com grande interesse pelo mundo académico jugoslavo.
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Tendo isto inteiramente em mente, o tratamento dos tópicos balcânicos nos
trabalhos dos Professores Clark e MacMillan não é assim tão inesperado. Em
vários aspetos, a sua abordagem é baseada numa atualização da antiga tese
segundo a qual a cumplicidade da Ententena deflagração da guerra está de novo
sob escrutínio. Em causa está o atual renascimento da velha argumentação.
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Contudo, parece que os Balcãs representam, em parte, um dano colateral desta
mudança.
A revisão da História e os Balcãs
The Spleepwalkers começa com a descrição dos acontecimentos relacionados com o
golpe de 1903 em Belgrado. Há bastantes detalhes sangrentos na descrição de
Clark dos assassinatos do casal de monarcas, mas como os contemporâneos os
descreveram da mesma maneira, é difícil contestar o autor nesta questão. No
entanto, parece que os acontecimentos não são assim tão claros. Por exemplo, os
conspiradores discutiram entre si como e por que razão fora ordenado que os
cadáveres fossem atirados pela varanda. É provável que o pânico tivesse
alastrado e que alguns dos líderes tivessem querido mostrar os cadáveres aos
soldados, no exterior, que começavam a duvidar de todo o empreendimento.
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Ao colocar a revolução sérvia de maio no início do livro, a génese da Primeira
Guerra é claramente posta no contexto da responsabilidade da Sérvia pela
organização do assassinato de Sarajevo. É um facto que os homens que mataram o
Rei e a Rainha colaboraram com Gravilo Princip e os seus amigos em 1914, mas a
ligação era muito mais complexa e obscura do que o trabalho de Clark deixa
entrever. Consequentemente, traçar qualquer tipo de linha reta entre 1903 e
1914 parece ser «esticar a corda». O retrato que The Sleepwalkersfaz da Sérvia
durante estes onze anos é bastante deprimente, na medida em que o país era
visto como uma sociedade subdesenvolvida e militarista que sonhava apenas com a
criação de uma Grande Sérvia e com a capitulação dos seus vizinhos
15
. Alude-se também ao papel considerável que as sociedades secretas terão
desempenhado na Sérvia desse tempo. Por oposição, o domínio da Bósnia-
Herzegovina pelos Habsburgos é descrito, em termos gerais, como progressivo e
positivo
16
.
Ambos os autores, MacMillan e Clark, descreveram de forma soberba as
complexidades internas da tomada de decisão na Grã-Bretanha, na Alemanha e na
Áustria-Hungria. Contudo, no caso dos Balcãs e, em particular, da Sérvia, o
quadro parece ser demasiado claro e linear. Que Sérvia era observável, depois
do golpe? E as ligações ao assassinato de Sarajevo, em 1014, seriam assim tão
lógicas e autoevidentes? É um facto, a relação entre o golpe de maio de 1903 e
o assassinato, como Clark observa e bem, e como tem sido um tópico tabu na
historiografia sérvia durante muito tempo; mas a investigação recente tornou
claro quão intrincada e repleta de nuancesfoi a relações entre os
representantes civis e os militares depois de maio de 1903
17
.
Em primeiro lugar, o golpe foi liderado por um grupo de jovens oficiais sérvios
apoiados por um círculo político apertado. Assim que o ato fatal foi
perpetrado, os conspiradores transferiram a autoridade e o poder para a
Assembleia Nacional, que restaurou a constituição liberal, denominada de «a
belga». Adicionalmente, um novo rei foi eleito ' Peter I da dinastia
Karadjordjevic. Veio imediatamente para Belgrado do seu exílio na Suíça e
aceitou o trono. O Reino da Sérvia começou, assim, a sua experiência de onze
anos com o sistema parlamentar (1903-1914). Conforme observou um jornalista, em
1906, a democracia sérvia era muito jovem e tinha muitos velhos inimigos.
Talvez o maior problema que se colocava fosse a presença constante dos antigos
conspiradores do exército no quotidiano da vida política ' como enfatizado no
The Sleepwalkers. No entanto, persiste ainda, na historiografia sérvia, uma
disparidade entre o trabalho académico sólido e os eventos históricos
dramáticos que tiveram lugar durante esses onze anos. Foram anos de crise
parlamentar, de consolidação do Estado e de esforços desesperados para abraçar
a modernização
18
. Foi, para além disso, um período de confrontação aguerrida, tanto ostensiva
como velada, entre o Primeiro-ministro sérvio, Nikola Paic, e os seus
opositores políticos, mas também com uma série de grupos de ex-conspiradores
19
. Esta década também se revelou formativa para as relações servo-austríacas e
para a política externa, uma vez que esta se encontrava inextricavelmente
ligada às disputas políticas sérvias já mencionadas. Não é exagerado afirmar
que a Sérvia estava à beira da guerra civil entre maio e junho de 1914, depois
de anos de antagonismo entre as estruturas civis e militares. Isto era
particularmente verdade em relação às regiões fronteiriças, em que os
funcionários da alfândega e os agentes policiais se envolviam em confrontos
diretos com os militares das unidades locais
20
. Não existem documentos que comprovem, para lá de qualquer dúvida, que o
Primeiro-ministro sérvio, Nikola Paic, provavelmente tinha conhecimento do
plano de assassinato.
21
Ainda assim, ambos os académicos estão claramente convencidos de que ele estava
ao corrente. No entanto, o contexto em que Gavrillo Princip atravessou a
fronteira servo-austríaca, em junho de 1914, implica um quadro muito mais
complexo.
De um ponto de vista estratégico, o país era habitado por 4.5 milhões de
habitantes, dos quais 84 por cento viviam em zonas rurais. Os terrenos
destinados à agricultura eram de pequena dimensão e não ofereciam excedente que
pudesse ser vendido nos mercados. Cerca de 17000 operários estavam empregados
em apenas 74 fábricas em funcionamento em 1914. A taxa de analfabetismo era de
77 por cento em 1900, e Belgrado era a capital com 90.000 domicílios [?] antes
da Grande Guerra.
22
Tem toda a aparência de um país atrasado, de acordo com as obras de MacMillan e
Clark. Contudo, há vários sinais que escapam a esta descrição. Por exemplo, é
importante notar que estes eram camponeses livres, proprietários das parcelas
de terra que cultivavam. Para além disto, quase todos os homens tinham direito
de voto, comparando, por exemplo, com os 6 por cento dos cidadãos da parte
húngara da monarquia dos Habsburgos. Ou, como escreveu Maria Todorova, 4/5 da
população da Bósnia-Herzegovina estava sob alguma espécie de obrigação feudal,
ao passo que os seus contemporâneos na Sérvia, na Croácia e na Hungria eram
agricultores livres.
23
Alguns sinais discretos eram também significativos. Por exemplo, a eletricidade
generalizou-se e houve investimentos na construção de centrais elétricas em
algumas das zonas mais remotas da Sérvia. Embora possam parecer medidas algo
desesperadas, tratou-se, na realidade, de esforços audazes e deliberados no
sentido de adotar a mais recente tecnologia
24
. Adicionalmente, a Sérvia assistiu, nesse período, ao aumento do número de
professores, escritores, cientistas e artistas, produto de uma política
duradoura que encorajava os estudos no estrangeiro, em universidades europeias
prestigiadas
25
.
Por outro lado, Clark menciona, no seu prefácio, as guerras jugoslavas e o
papel muito ativo dos sérvios nestes conflitos. Consequentemente, diz que,
depois do cerco de Sarajevo (1992-1995) e do genocídio de Srebrenica, é difícil
entender a população sérvia como meras vítimas de agressão por parte de
potências maiores.
26
As analogias fazem parte do estilo do autor, mas de alguma forma aproximam-se
demasiado de uma interpretação histórica. Por exemplo, Clark compara o ultimato
de julho com o ultimato apresentado à delegação jugoslava na Conferência de
Rambouillet, em 1999, durante o conflito do Kosovo e Metohhija.
27
Esta abordagem, embora refrescante no contexto da historiografia da crise de
julho, prova ser enganadora, uma vez que introduz padrões contemporâneos nos
valores e conceitos vigentes em 1914. O tópico que perturbou grandemente o
público sérvio, em 2013, foi a comparação entre os revolucionários de 1914 e o
esquadrão de bombistas suicidas da Al-Qaeda do século XXI. De forma semelhante
à do Professor Clark, Margaret MacMillan comparou as ligações entre a Jovem
Bósniae a Sérvia à relação contemporânea entre o Irão e o Hezbollah.
28
O tratamento dado aos membros da Jovem Bósniapelos Professores Clark e
MacMillan demonstra pouco interesse pelas suas motivações ou ideologia. Na
verdade, tratava-se de uma organização bastante peculiar que não possuía
qualquer espécie de estatutos ou programa escritos. Era mais uma rede flexível
de vários círculos cujo único elo era o desejo de combater a ocupação austro-
húngara da Bósnia e da Herzegovina e, posteriormente, de adotar uma espécie de
unificação dos Eslavos do Sul. Tudo isto era muito indefinido e vago, já que
estes revolucionários eram influenciados parcialmente pelas ideias de Giuseppe
Mazzini e o seu Jovem Itáliada década de 1830. Por outro lado, admiravam as
obras dos escritores revolucionários russos, bem como alguns autores
anarquistas e anticlericais. A sua obsessão com a literatura manifestava-se
também nos seus trabalhos enquanto tradutores. Alguns dos assassinos
encontravam-se, efetivamente, a meio de traduções de Edgar Allan Poe e Oscar
Wild, durante o mês de junho de 1914
29
. Assim, ver estes homens retratados como meros «nacionalistas fanáticos
eslavos» parece, de alguma forma, redutor.
30
No entanto, a interpretação de MacMillan é muito clara. É difícil não os
comparar com grupos extremistas entre fundamentalistas islâmicos como a Al-
Qaeda, um século mais tarde.
31
Continua esta linha de pensamento, chamando-os de fanáticos, ferozmente
puritanos no seu desprezo pelo álcool e pelo sexo. Menciona, também, que
poucos, entre eles, tinham trabalhos estáveis, e que tinham desavenças com as
suas famílias, das quais dependiam financeiramente
32
. Nesta perspetiva, a inspiração intelectual e as motivações sociais dos
revolucionários são quase totalmente negligenciadas. E mais, alguns pontos
carecem de sentido. Por exemplo, se, na verdade, contavam com os misteriosos
apoiantes da Sérvia, como é afirmado no War that Ended Peace, porque viviam
eles em extrema pobreza enquanto estudavam e viviam na Sérvia? Na Sérvia viam-
se forçados, por exemplo, a vender os seus preciosos livros para comprar pão.
33
No entanto, é um facto que dispararam alguns tiros nos bosques de Belgrado, com
a ajuda de oficiais sérvios da sociedade Mão Negra. Tratava-se de uma
organização que englobava a maioria dos principais conspiradores de 1903, mas
afirmar que a Sérvia tinha campos de treino para terroristas, como faz Clark, é
simplesmente erróneo.
34
Para os designar de terroristas não seria adequado estabelecer o que o termo
implicava no período de 1900-1914? Um termo com uma tal carga não deveria ser
lançado para fora sem alguma espécie de explicação teórica básica. E mais,
Gravilo Princip foi apelidado de «o nacionalista sérvio» em ambos os livros,
embora se tenha declarado numa audiência em tribunal em Sarajevo como «o
nacionalista jugoslavo».
35
A resposta sérvia
A historiografia sérvia tem defendido unanimemente que os problemas nos Balcãs
entre 1908 e 1914 não foram a causa da Grande Guerra, mas o seu pretexto
externo mais direto.
36
O assassinato de junho é, frequentemente, explicado de forma demasiado lacónica
pelo facto de o herdeiro ao trono austro-húngaro ter sido morto pelos cidadãos
de Habsburgo. Embora factual, esta explicação é falsa em vários aspetos. Assim
que os detalhes do tratamento dado à Sérvia por Christopher Clark chegaram aos
jornais diários de Belgrado, a reação não se fez esperar.
Os argumentos que se ouviram no discurso público sérvio como reação aos
escritos dos dois autores podem ser agrupados em várias categorias. Em primeiro
lugar, foi dito que os escritos de Clark e MacMillan ofereciam uma continuação
da propaganda ocidental anti-Sérvia que remontava a 1991. De facto, esta linha
de crítica é difícil de refutar. Este segmento do livro foi criticado até mesmo
por autores com a reputação de críticos severos do nacionalismo sérvio de 1990,
tais como o Professor Floran Bieber, que considerou o livro mais recente de
Clark «pouco cuidadoso na ligação que faz da interpretação da Primeira Grande
Guerra ao passado recente».
37
O tratamento dos tópicos que tinham alguma espécie de relação com a Sérvia ou
com os sérvios na Bósnia e na Herzegovina era visto como a «histeria
antissérvia dos mediados nossos tempos».
38
Aparentemente, o receio de uma imagem com mácula da nação Sérvia poderia ter
consequências políticas diretas, especialmente na Bósnia-Herzegovina.
Designadamente, a guerra de interpretações sobre o Assassinato de Sarajevo e a
crise de julho é, sobretudo, a guerra das interpretações sobre o conflito da
década de 1990. A dramaturga sérvia Biljana Srbljanovic também se referiu a
este período, dizendo que a suscetibilidade do público sérvio ao The
Sleepwalkerstem muito a ver com a interpretação e perceção, nos anos noventa,
desta série de guerras jugoslavas na sérvia dos tempos modernos.
39
Espalhou-se o receio de que os sérvios, vistos preponderantemente no Ocidente
como os maiores culpados pelas atrocidades cometidas durante as guerras dos
noventas, ficassem também marcados como os grandes culpados relativamente a
1914. Ou seja, vistos ao longo da história como «os rufias dos Balcãs, os
quais, de tempos a tempos, aterrorizavam os seus vizinhos».
40
Esta interpretação alargou-se ao ponto de descrever a Sérvia como a nação
desobediente que é agora alvo da colonização e pacificação por parte de forças
estrangeiras. Vale a pena mencionar a tentativa de um advogado conhecido de
Belgrado, que recomendou que a revisão da história devia ser combatida pela
revisão do processo legal instaurado em 1914 contra Gavrilo Princip. Esta ideia
foi acolhida por uma série de figuras da cultura sérvia, tais como o realizador
Emir Kusturica.
41
Um dos argumentos era, também, de que os académicos ocidentais negligenciam,
nas suas obras, os crimes cometidos durante a Grande Guerra contra os civis
sérvios, em particular as vítimas de agosto de 1914. Apesar do interesse dos
mediae dos académicos sérvios por este tópico, nenhum trabalho novo apareceu
publicado sobre a crise de julho ou o assassinato de Sarajevo. Os títulos
antigos eram reeditados, e muitos dos argumentos usados pela «interpretação
sérvia» da crise de julho foram retirados da obra famosa de Vladimir Dedijer
The Road to Sarajevo, publicada pela primeira vez em inglês em 1966, por
ocasião do 50º Aniversário do começo da Grande Guerra.
42
Uma das linhas de argumento da elite sérvia inscreve-se no redireccionamento
alargado das interpretações sobre a Grande Guerra. Nomeadamente, dada a
intenção de Clark e MacMillan de distribuir a culpa da guerra por todos os
países envolvidos na crise de julho, opondo-se, assim, ao «paradigma de Fisher»
que insistia na culpa alemã, a imprensa sérvia difundiu o medo de que a Sérvia
fosse acusada. Neste sentido, foi dada enorme publicidade ao editorial
publicado no britânico Observer, em que o mayorde Londres, Boris Johnson,
criticou a «diluição da verdade» que ocorre nos nossos tempos. Outra declaração
de Johnson fez manchete na Sérvia: «Por amor de Deus, era necessário dar
seguimento a um qualquer tumulto em Sarajevo invadindo a França? Não era».
43
Contudo, em muitos trabalhos publicados recentemente a questão da eclosão da
guerra tem merecido abordagens muito diferentes da levada a cabo por Clark. Em
alguns, por exemplo, a Sérvia não se encontra no foco da questão da culpa.
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Esta tendência parece opor-se aos argumentos da imprensa sérvia.
Vale a pena mencionar mais uma objeção aos académicos e jornalistas sérvios. O
público sérvio tende a interpretar a história como estando estreitamente ligada
à política. De facto, existe a perceção geral de que os políticos controlam a
história e as suas narrativas. Embora possa ser uma perspetiva tentadora,
parece improvável que universidades com séculos de tradição estejam
simplesmente ao serviço dos governos.
Conclusão
O navio cujos canhões abriram as hostilidades da Grande Guerra, o Bodrog,
tornou-se o troféu de guerra da Sérvia em outubro de 1918. No entanto, este
monitor, um dos únicos dois que foram preservados na Europa, acabou de ser
salvo de acabar como sucata.
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Em termos simbólicos, esta relação é um testemunho vívido da relação do estado
sérvio com a sua herança da Grande Guerra. A falta de interesse sistemático
pela guerra e pelas suas origens cria a possibilidade de uma abordagem
elementar às comemorações e aos debates semelhantes à mencionada neste artigo.
Nestas condições, é difícil imaginar a confrontação com os seus mitos nacionais
e a perceção da sua própria imagem. Nesta ciência, as revisões históricas são
desejáveis, dado que olhares novos podem frequentemente fornecer novos dados e
perspetivas. Contudo, estas abordagens não devem ser aplicadas a qualquer
custo, pondo em risco o contexto histórico do período estudado. Como Mark
Mazower se interrogou, «é possível olhar para os Balcãs com um novo olhar, com
um par de olhos novo, sem a interferência dos velhos paradigmas?»
46
Isto também é válido para o olhar dos Balcãs sobre tudo o resto.
Por outro lado, os autores campeões de vendas de The Sleepwalkerse The War That
Ended Peace, embora tenham escrito livros importantes sobre o tema, reduziram a
sua complexidade ao tomar posições claras e firmes sobre a história dos Balcãs.
Uma vez que as comemorações da Grande Guerra durarão por mais quatro anos,
veremos ainda qual será a atmosfera que envolverá os Balcãs e as suas memórias
da Primeira Guerra Mundial. A proximidade inesperada das guerras dos noventas,
com os disparos de Gavrilo Princip, levanta questões relacionadas com o papel
potencial da história e a sua influência sobre os decisores políticos, numa
altura em que, devido ao centenário, um interesse mais alargado por parte do
público tem acompanhado o mister do historiador.
Tradução: António Fevereiro
Data de receção: 29 de abril de 2014
Data de aprovação: 29 de maio de 2014
Notas
1
Para mais informações sobre a propaganda Austro-Húngara contra a Sérvia na
imprensa ver: Pedo Negro e os salteadores balcânicos, Belgrado: Cigoja tampa,
2003.
2
Mazower, Mark ' Os Balcãs, Uma Breve História, Belgrado: Alexandria press,
2003, p. 26.
3
Hall, Richard C. ' The Balkan Wars 1912-1913: Prelude to the First World War,
Nova York: Routledge, 2000. Para os crimes de guerra e a
perceção ocidental da Guerra ver: «Report of the International Commission to
Inquire into the Causes and Conduct of the Balkan Wars», Carnegie Endowment for
International Peace, Washington D. C., 1914.
4
Os Objetivos da Guerra da Sérvia em 1914, Belgrado, 1990, p. 53.
5
Ibidem.
6
Mazower, Mark ' Os Balcãs, Uma Breve História, p. 28.
7
A História dos Balcãs: 1804-1945, Belgrado: Clio, 2004, p. 487. O livro publicado por Kaplan, Robert ' Balkan Ghosts. A Journey
through History, Nova York: Vintage Books, 1993, desempenhou
um papel proeminente na unificação da opinião pública ocidental na visão de que
a história dos Balcãs tinha sido dominada por ódio eterno e violência
continuada. Foi repetidamente dito que este livro afetou significativamente
Bill Clinton, desencorajando-o de políticas intervencionistas nas fases
iniciais da guerra na Bósnia. Esta posição, contudo, foi mais tarde abandonada
como demasiado tendenciosa e também criticada por exemplo nas memórias de Bill
Clinton. Clinton, Bill ' My Life, Londres: Arrow Books, 2005, p. 509; Holbrook, Richard ' Zavritirat[To end a war], Sarajevo: ahinpaiC,
1998, pp. 22-24
8
Bakic-Hayden, Milica ' Varijacije na temu Balkan, [Variações sobre o tema
Os Balcãs], Belgr ado: Filip VinjiC, 2006; Todorova, Maria (ed.) ' Balkan
Identites, Nation and Memor y, Nova York: New York University Press, 2004.
9
Goldsworthy, Vesna ' Inventing Ruritania: the imperialism of imagination, New
Haven: Yale University Press, 1998.
10
Sérvia na Grande Guerra
, Belgrado: 2004, pp. 65-66.
11
As perdas da Sérvia na Grande Guerra foram de 37 por cento dos homens
mobilizados, na Turquia de 27 por cento, na Roménia de 26 por cento e na
Bulgária de 23 por cento. Bucur, Maria ' Heroes and Victims.Remembering War in
Twentieth Century Romania, Indianapolis: Bloomington, 20100,p. 51.
12
Fischer, Fritz ' Griffnach der Weltmacht. Die Kriegszielpolitik des
kaiserlichen Deutschland 1914-1918, Düsseldorf: Droste-Verlag, 1962.
13
Strachan, Hew ' «Review Article. The origins of the First World War», In
International Affairs, Vol. 90, n.º 2, 2014, pp. 429-439.
14
Apis, Gornji Milanovac, 1996, pp. 56-58.
15
Clark, Christopher ' The Sleepwalkers: How Europe Went to War in 1914, Londres:
Allen Lane, 2013, p. 40.
16
Ibidem, p. 86.
17
Parliamentary Life in Serbia 1903-1914, Belgrado: 1998. Este é o livro
inovador respeitante à chamada idade dourada da democracia sérvia (1903-
1914).
18
Stojanovic, Dubravka ' Kaldrma i asphalt: urbanizacija i evropeizacija Beograda
1890-1914,Cobble and Asphalt: Urbanization and Europeisation of Belgrade 1890-
1914, Belgrado: Udi, 2008.
19
Cus toms War between Austro-Hungary and Serbia: 1906-1911, Belgrado:1962.
20
Sérvia na Grande Guerra, p. 34.
21
MacMillan, Margaret ' The War that Ended Peace, the Road to 1914, Nova York:
Random House, 2013, p. 545.
22
Serbia in the Great War, Belgrado, 2014.
23
Todorova, Maria ' Christopher Clark. The Sleepwalkers. How Europe went to War
in 1914. Allen Lane, 2012, In Times Literrary Supplement, 4 de janeiro de
2013, pp. 9-10.
24
Markovic, Predrag; Antic, Cedomir; e arenac,Danilo ' A Step ahead of Time: 125
Years of Siemens in Serbia, Belgrado: Siemens, 2012.
25
Serbian Scientists and the Creation of the Yugoslav State 1914-1920,Belgrado:
1986.
26
«Desde Srebrenica e o cerco de Sarajevo, tornou-se mais difícil pensar na
Sérvia como um mero alvo ou vítima da política das grandes potências, e mais
fácil conceber o nacionalismo sérvio como uma força histórica de pleno direito.
Da perspetiva da União Europeia de hoje, inclinamos-nos a ver de forma mais
empática ' ou, pelo menos, menos depreciativa ' do que costumávamos fazer a
manta de retalhos imperial desaparecida da Áustria-Hungria dos Habsburgos».
Clark, Christopher ' The Sleepwalkers: How Europe Went to War in 1914, p. 19.
27
Ibidem, 19.
28
MacMillan, Margaret ' The War that Ended Peace, the Road to 1914, p. 547.
29
The Literature of Young Bosnia, Belgrado, 1994.
30
Macmillan, Margaret ' The War that Ended Peace, the Road to 1914, p. 546.
31
Ibidem.
32
Ibidem.
33
Ibidem.
34
Clark, Christopher ' The Sleepwalkers: How Europe Went to War in 1914, p. 56.
35
Macmillan, Margaret ' The War that Ended Peace, the Road to 1914, p. 545.
36
Serbia's War Aims in 1914, p. 80. Veja também: Mitrovic,
Andrej ' Serbia's Great War, Londres: Hurst & Co Publishers, 2007.
37
«Nationalist copyright on the World War One», In Florian Bieber, 17 de janeiro
de 2014, [Consultado a: 24 maio de 2014]. Disponível em: http://
fbieber.wordpress.com/2014/01/17/nationalist-copyright-on-world-war-one/.
38
21 de fevereiro de 2014]. Consultado a: 25 maio de 2014. Disponível em: http:/
/www.pecat.co.rs/2014/02/dr-milos-kovic-istoricar-pre-nego-nas--uniste-
proglasice-nas-kanibalima/
39
Esta perspetiva foi expressa durante o debate que teve lugar no Burgtheatar em
Viena, sob o título: «Debating Europe ' How does the year 1914 affects us
today?». [Consultado a: 25 de maio de 2014]. Disponível em: http://www.erstes-
tiftung.org/blog/debating-europe1914/
40
Ibidem.
41
TomanoviC: Revizija suCenja Principu odgovor na reviziju istorije.
[Consultado a: 25 de maio de 2014]. Disponível em: http://www.politika.rs/
rubrike/Drustvo/Tomanovic-Revizija-sudjenja-Principu-odgovor-na-reviziju-
istorije.lt.html.
42
Dedijer, Vladimir ' The Road to Sarajevo, Nova York: Simon and Schuster, 1966.
43
Johnson, Boris ' «Germany started the Great War, but the Left can't bear to say
so», In The Daily Telegraph, 6 de janeiro de 2014. [Consultado a: 24 de maio de
2014] Disponivel em: http://www.telegraph.co.uk/news/politics/10552336/Germany-
started-the-Great-War-but-the-Left-cant-bear-to-say-so.html
44
Rauchensteiner, Manfried ' Der Erste Weltkriegunddas Endeder Habsburger-
Monarchie, Wien 2013; Hastings, Max ' Catastrophe. Europe
Goes to War 1914, Londres: Harper Collins, 2013.
45
«El buque que abrió el fuego de la Gran Guerra, testigo ruinoso del siglo XX»,
13 de abril de 2014. [Consultado a: 1 de maio de 2014]. Disponível em: http://
www.efe.com/efe/noticias/espana/cultura/buque-que-abrio-fuego-gran-guerra-
testigo-ruinoso-del-siglo/1/7/2292949
46
Mazower, Mark ' Os Balcãs, Uma Breve História, p. 29.
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