A dimensão externa da segurança interna nas relações entre a França e a Tunísia
É já num mundo pós-bipolar que os livros brancos da defesa e segurança nacional
franceses de 1994 e 2008 colocam em evidência várias ameaças, entre as quais
destacamos os movimentos radicais, étnicos, religiosos e ideológicos. Estes são
ainda mais explícitos ao mencionar especificamente o terrorismo islâmico e o
«djihadismo» enquanto ameaças para a segurança nacional2. Além disso, apesar de
não identificadas diretamente como ameaças, o Livro Branco de 1994 já
enquadrava a estratégia de defesa da França tendo em conta a evolução
demográfica, as deslocações de populações derivadas de desigualdades, de
«antagonismos regionais» e outras possíveis crises que poderiam alimentar a
imigração e a sua exploração3.
As considerações securitárias constituíram uma constante nas relações
bilaterais franco-tunisinas embora a imigração não tenha assumido a mesma
importância que a luta contra o terrorismo4. Este artigo irá incidir sobre as
relações existentes entre a França e a Tunísia nessas duas temáticas, sem
esquecer a ação da União Europeia (UE) nestas áreas através da Parceria Euro-
Mediterrânica e da Política Europeia de Vizinhança e que, de facto, contribuiu
para um movimento de europeização por «projeção»5 e por «receção»6 das
dimensões migratórias e de luta antiterrorista da política externa francesa.
Por conseguinte, neste artigo, utilizaremos uma definição de europeização da
política externa que assume a interação entre os níveis europeu e nacional e
que resulta parcialmente da definição e classificação de Reuben Wong7, mas que
procede principalmente da combinação das definições de Radaelli e de Bulmer e
Burch:
«Um processo que contém duas dimensões, i.e., a projeção das preferências
nacionais para o nível europeu e lateralmente entre estados e a receção de
regras formais e informais, de procedimentos, de formas de fazer, de
preferências, de normas e crenças partilhadas consolidados ao nível europeu e
incorporados nos discursos e políticas nacionais.»8
Podemos, à luz dessa definição, afirmar que as relações bilaterais entre a
França e a Tunísia foram europeizadas? Através de uma análise discursiva9 de
fontes primárias, nomeadamente os discursos oficiais e entrevistas, mas também
de fontes secundárias, procuraremos identificar a presença de europeização nas
relações bilaterais, assim como a importância que aquelas questões de segurança
interna têm adquirido tanto nas relações franco-tunisinas como nas euro-
tunisinas com o contributo da França à luz dos objetivos e instrumentos durante
esta última década. Neste sentido, atentaremos na importância da imigração e da
luta contra o terrorismo para a França e contextualizaremos a evolução das
relações franco-tunisinas, em geral. Num segundo momento, iremos analisar
especificamente a questão migratória do ponto de vista bilateral e ao nível
europeu para, de seguida, se proceder da mesma forma à questão da luta contra o
terrorismo.
A importância das questões migratória e terrorista na agenda da França a partir
dos anos 2000
O objetivo principal da política migratória francesa pode ser resumido à
necessidade de uma gestão controlada da imigração, para além de uma integração
bem-sucedida, implicando uma estratégia racionalista de europeização por
projeção no sentido de obter «instrumentos suplementares» para satisfazer os
seus interesses nacionais10. Durante a década de 2000, o debate sobre a
imigração foi sustentado pela classe política e tornou-se um tema recorrente
nas campanhas eleitorais francesas desde 200211, nomeadamente com a passagem da
Frente Nacional à segunda volta das presidenciais12. Desde o início do seu
mandato como ministro do Interior, Nicolas Sarkozy afirmou na Assembleia
Nacional querer abordar a priori as questões ligadas à segurança13, incluindo
nestas a imigração clandestina14. Nesse sentido, a partir de 2003 instaurou
quotas de expulsões. A Lei 2007-1631 de 20 de novembro fixou, por sua vez,
objetivos pouco realistas em matéria de reunificação familiar e de imigração
profissional. No entanto, com a criação do Ministério da Imigração, da
Integração, da Identidade Nacional e do Desenvolvimento Solidário pelo então
Presidente Sarkozy, Brice Hortefeux comprome-teu-se a atingir esses objetivos.
Eis um sinal evidente de continuidade na política de Nicolas Sarkozy que
sublinhou o facto de que uma imigração descontrolada e não integrada poderia
ser perigosa para a identidade do Estado. Na verdade, esta tendência restritiva
parece persistir, mesmo após a chegada do Partido Socialista ao poder, já que o
atual ministro do Interior, Manuel Valls, também já evocou a possibilidade de
reformar o sistema de reunificação familiar15.
Quanto à questão da luta contra o terrorismo, a França já foi alvo de atentados
islâmicos nos anos 1990 e permanece um «alvo potencial»16 da Al-Qaeda17 (entre
outros). O Governo francês reagiu à vaga de atentados de 1995 e 1996
modificando a lei de 1986 com as leis de 22 de julho e 30 de dezembro de
199618. O dispositivo francês não mudou substancialmente depois do 11 de
setembro19, tendo este país recebido, até 2006, nada menos que nove comunicados
com a finalidade de castigar, por razões como a presença de militares franceses
em «terras muçulmanas» ou ainda a lei de 15 de março de 2004 sobre os sinais
religiosos na escola, entre outras20. Por forma a completar a legislação
anterior, o Governo francês produziu igualmente a lei de 18 de março de 200321
e a de 9 de março de 2004 sobre a adaptação da justiça às novas formas de
criminalidade22 que transpôs a decisão-quadro relativa ao mandato de captura
europeu 2002/584/JAI enquanto a decisão-quadro 2002/475/JAI foi indiretamente
transposta por intermédio da lei sobre a prevenção e repressão do terrorismo23.
Eis, por conseguinte, um exemplo de europeização descendente da legislação
francesa por «absorção». Este ímpeto foi alimentado pelos atentados de Madrid e
de Londres que mudaram mais significativamente a paisagem antiterrorista
francesa24, pois os ensinamentos operacionais recolhidos após os atentados de
2004 e 2005 motivaram a adoção da lei de 23 de janeiro de 200625.
As Relações Franco-Tunisinas
Depois de um resumo quanto à importância que a luta contra o terrorismo e a
imigração têm assumido em França, veremos de seguida a situação nas relações
franco-tunisinas onde as temáticas são subjacentes. Com efeito, logo após a
chegada do Presidente Ben Ali ao poder em 1989, este iniciou uma luta
implacável contra os islamitas d'Ennahda, com o apoio incondicional dos
ocidentais em geral, e da França em particular26. O perigo de contágio era o
maior receio, em particular a possibilidade de ver a Tunísia tornar-se uma base
de retaguarda para o Exército Islâmico de Salvação e dos combatentes do Grupo
Islâmico27.
Apesar de relações tensas ligadas essencialmente à questão do respeito dos
direitos humanos28, a reeleição de Jacques Chirac em 2002 foi bem acolhida pelo
Presidente Ben Ali que, de várias maneiras, «sabia como ameaçar Paris sempre
que a pressão para uma reforma democrática se tornava demasiado forte»29.
Como o seu antecessor, Nicolas Sarkozy também não procurou «dar lições»
moralizadoras e foi bastante discreto no que diz respeito aos direitos humanos,
apesar de, à sua chegada à presidência, ter anunciado querer colocar os
direitos humanos no topo da sua diplomacia30. Se, por um lado, o Presidente
francês conseguiu reforçar as relações bilaterais, em particular no campo
económico, por outro, as suas visitas à Tunísia em julho de 2007 e abril de
2008 foram muito criticadas pelas associações defensoras dos direitos
humanos31. De facto, Nicolas Sarkozy considerou que, apesar das críticas
feitas, a Tunísia estava «a caminhar para a democracia» e que um país que luta
eficazmente contra o terrorismo não deveria ser condenado32. Contudo, as
relações deterioraram-se quando a França não apoiou o início da revolução em
janeiro de 2011.
Tanto Nicolas Sarkozy como François Hollande colocaram o Mediterrâneo numa
posição de destaque na sua agenda de política externa, apesar de Hollande estar
confrontado com novas prioridades como as crises financeira, ambiental e
nuclear e suas consequências33. No entanto, o path dependency criado pela
história conduziu a uma «aderência» (stickiness) da agenda. É a razão pela qual
o Presidente Hollande procurou revigorar a relação com a Tunísia. Como foi
sublinhado pela imprensa internacional, logo em julho de 2012, François
Hollande recebeu calorosamente o Presidente tunisino Marzouki de forma a
compensar a atitude contestável do seu antecessor durante a revolução34.
Os Acordos bilaterais na dimensão migratória
O resumo apresentado anteriormente aponta para um esforço em manter uma relação
estável e cordial entre os dois estados, esforço que exige o desenvolvimento de
certos instrumentos. Como foi realçado por Christopher Hill, os recursos dos
estados devem ser transformados em capacidades para atingirem o nível de
instrumentos35 de natureza económica, política, cultural e militar36, ou seja,
para operacionalizar os recursos. Seguindo a classificação deste mesmo autor,
nesta última década, verifica-se que a França, face aos instrumentos
utilizados, procurou exercer uma influência (e não poder) sobre a Tunísia37.
De facto, a fase de redinamização das relações franco-tunisinas iniciou-se em
2003 com a visita de Jacques Chirac em dezembro, mas o Documento-Quadro de
Parceria (DQP) para o período 2006-2010 só foi assinado em maio de 2006 durante
a visita do primeiro-ministro tunisino a Paris38. Neste acordo, a estratégia é
global e visa reforçar e estender o nivelamento do setor produtivo, melhorar e
desenvolver as infraestruturas de base, apoiar a edificação de uma «sociedade
do saber», com a modernização do ensino superior financiado por fundos MEDA39,
isto no sentido de apoiar a juventude tunisina e «travar» o desejo ou, mais
ainda, a necessidade de emigrar. Neste caso, os fundos europeus são utilizados
de facto como um instrumento suplementar para a estratégia do Governo francês.
Os vistos ocupam um lugar central nas relações franco-tunisinas40, embora os
tunisinos não estejam submetidos à cláusula de consultação prévia para os
vistos de curta duração. Além disso:
«A Tunísia não compreende o problema da administração francesa que
não consegue fazer a diferença entre aqueles que necessitam viajar
frequentemente por razões profissionais como os empresários, os
investigadores [...] mas que não procuram instalar-se e os imigrantes
que vão para França com o objetivo de ficarem, muitas vezes como
clandestinos. Esta incapacidade da administração criou desde sempre
um mal-estar, ainda hoje.»41
A questão dos vistos é, assim, quase sistematicamente abordada pela parte
tunisina, argumentando que é cada vez mais difícil obtê-los42. Contudo, durante
a sua viagem a Tunes em 2005, e na linha de uma política mais restritiva
assumida pelo Governo, Jean-Pierre Raffarin mencionou a utilidade da ideia de
«quotas recíprocas» no âmbito de uma imigração «coescolhida»43, fazendo eco ao
conceito de «imigração escolhida»44, criado pelo antigo ministro do Interior
Nicolas Sarkozy. Ademais, as relações entre os ministérios da Administração
Interna degradaram-se depois de a Tunísia ter decidido suspender toda a
cooperação técnica e operacional a partir de novembro de 200545.
A cooperação bilateral conheceu um grande desenvolvimento no que diz respeito à
imigração com o acordo-quadro de «gestão concertada das migrações e
desenvolvimento solidário»46 assinado em Tunes a 28 de abril de 2008. O acordo
contém dois protocolos de aplicação, um relativo à gestão dos fluxos
migratórios e outro ao desenvolvimento solidário, e trata de três vertentes
indissociáveis: a gestão da imigração legal, a luta contra a imigração ilegal e
o desenvolvimento solidário47. Será, no entanto, possível afirmar que os
tunisinos puderam usufruir de um aumento de vistos? Embora o aumento não seja
permanente ' 81 122 em 2011 e 82 221 em 2010 ' houve de facto um crescimento do
número de vistos concedidos desde 200848. Além disso, em 2010, o acordo de
gestão concertada de fluxos conheceu novos desenvolvimentos com a assinatura,
em Tunes, de um acordo em matéria de imigração clandestina para a «entrega de
equipamentos e material»49.
Finalmente, com a revolução tunisina de 2011, os receios das autoridades
francesas aumentaram. Com efeito, a pressão migratória ilegal era menor do que
a dos outros dois estados magrebinos50, mas as estatísticas para 2011 indicavam
que as autoridades europeias tinham intercetado o dobro de migrantes
irregulares nas passagens por Itália e Malta51. E, de acordo com o ministro dos
Negócios Estrangeiros italiano, «[P]elo menos 18 000 imigrantes tunisinos
partiriam imediatamente para França» o que levou a França a fechar a fronteira
italo-francesa, em vez de mostrar uma certa solidariedade com a Itália,
provocando tensões diplomáticas entre os dois países52.
A imigração: França e Tunísia ao nível Europeu
Vimos até agora que, na dimensão da imigração, a relação entre os dois estados
permanece fortemente bilateralizada. Contudo, não podemos ignorar os
desenvolvimentos ocorridos ao nível europeu que, apesar de serem ainda
escassos, têm servido os interesses franceses. De facto, a Declaração de
Barcelona já integrava objetivos em matéria JAI, mas os desenvolvimentos só
foram possíveis após a ratificação do Tratado de Amesterdão que conferiu
competências à Comunidade Europeia ao nível internacional, criando uma
oportunidade interna para uma ação externa.
No que respeita à imigração, a Tunísia teve sempre tendência em considerar a
questão como sendo um assunto de política interna, não demonstrando particular
vontade em cooperar ao nível europeu. Como foi afirmado por um funcionário do
Conselho de Ministros da UE, «as cooperações Itália-Tunísia/França-Tunísia
fazem parte das cooperações que funcionam muito bem e que são quase exemplos
para outros»53. Apesar de se mostrar reticente quanto à imigração ilegal, a
Tunísia apoiou as vertentes da emigração legal e do codesenvolvimento54. Neste
sentido, tanto a França como a Tunísia têm participado nas formações
organizadas no âmbito da Política de Vizinhança, ao abrigo do EUROMED, em
matéria de imigração irregular55. Estas formações contra a imigração
clandestina aparecem assim como um instrumento complementar para a França na
sua relação com a Tunísia, refletindo igualmente uma preocupação comum com os
outros estados europeus e constituindo outro exemplo de europeização por
projeção onde a França se posiciona como policy supporter e policy shaper.
Podemos afirmar que a cooperação multilateral no quadro europeu tem coexistido
com as ações bilaterais o que revela simultaneamente uma europeização por
projeção e por receção. A França tem participado nas ações da FRONTEX56 e
empenhou-se com os outros sete estados europeus que também concedem passaportes
biométricos, experiência incentivada pela Comissão Europeia57. Finalmente, não
podemos esquecer que Nicolas Sarkozy manifestou claramente a sua vontade de
promover uma política comum para a concessão de vistos (criando uma rede
consular única entre os estados-membros) e no que diz respeito às obrigações
quanto à regularização e ao afastamento dos clandestinos, com a adoção de um
pacto de imigração europeu, mas em particular entre os estados europeus de
imigração mais importantes58. A adoção do Pacto Europeu sobre a Imigração e o
Asilo em outubro de 200859 demonstra ser uma expressão clara de uma
europeização por projeção no sentido de acelerar a ação europeia.
Com o início da primavera árabe, a UE teve a oportunidade de mostrar que
poderia desenvolver uma série de iniciativas para apoiar os estados que
iniciaram um movimento de revolução. Em 2011, a Comissão lançou os Diálogos
sobre a Migração, a Mobilidade e a Segurança com o intuito de concluir
parcerias para a mobilidade com a Tunísia e Marrocos, cujas discussões
preparatórias ainda estão a decorrer. Logo que as parcerias para a mobilidade
estejam concluídas, a UE procurará obter mandatos dos estados-membros para
negociações relativas aos acordos de readmissão e aos acordos de facilitação de
vistos. Nas suas comunicações de maio de 2012, a Comissão apresentou uma série
de propostas políticas e de medidas operacionais relativas, entre outras
questões, às migrações e à mobilidade60. As propostas foram validadas pelo
Conselho Europeu em junho do mesmo ano e a UE procurou encetar rapidamente
diálogos sobre as migrações, a mobilidade e a segurança com a Tunísia e com
Marrocos no início de outubro61.
A cooperação bilateral em matéria de terrorismo
A França mantém boas relações com vários países do Magrebe e o Machrek62 e
consolidou a sua cooperação no Magrebe no âmbito específico da segurança
interna para poder fazer frente aos fenómenos transnacionais. Apesar de a
Tunísia ter vivido ao abrigo dos atentados terroristas até 200263, de certa
forma, os atentados de 11 de setembro tiveram um «efeito de sorte para o regime
tunisino»64. Efetivamente, o compromisso da comunidade internacional na luta
antiterrorista confortou a Tunísia, mas também a Argélia e Marrocos, nos seus
combates contra os «movimentos integristas» pois, de acordo com o Presidente
Ben Ali, «o integrismo gera o terrorismo»65. Além disso, apesar de não haver na
Líbia ou na Argélia uma «organização nacional», como em Marrocos, isto não
exclui a existência de redes locais «adormecidas», de células de recrutamento e
de apoio logístico66.
A França e a Tunísia estão ligadas igualmente por uma convenção judiciária de
ajuda mútua em matéria penal e extradição e por um protocolo adicional de junho
de 1972 assinados pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, os quais se
encontram desatualizados, o que implica algumas limitações e reflete as
reservas da Tunísia na matéria. Os dois estados assinaram também um acordo em
matéria de segurança interna a 7 de março de 198867, mas a Tunísia permaneceu
um país reticente à cooperação, desejando evitar a ingerência externa.
Contrariamente aos outros estados magrebinos, não houve atualização do acordo
de 1988, o que implica algumas limitações em termos de cooperação face à
complexificação das ameaças transnacionais depois do fim da Guerra Fria. Em
1998, um acordo (segurança/polícia) foi assinado para desenvolver ações de
formação no âmbito policial, incluindo a luta contra o terrorismo e as
formações técnicas no campo da polícia científica e técnica68. Além disso, foi
necessário esperar os atentados de Djerba para verificar uma dinamização das
atividades entre os dois estados69. De facto, Nicolas Sarkozy anunciou em
novembro de 2002 o desmantelamento da célula familiar de apoio logístico a
Nizar Naouar70. Contudo, se no caso de Marrocos os atentados de 2003
despertaram para a necessidade de ter pessoal qualificado na área da polícia
técnica71, a cooperação com a Guarda Nacional Tunisina era muito inconstante
por causa da Tunísia72. Por outras palavras, «no que respeita à cooperação
operacional, é quase inexistente pois eles não respondem quase nunca»73.
Como já vimos, o DQP assinado em 2006 inclui medidas gerais no que respeita à
imigração, mas também inclui medidas para modernizar o setor público,
nomeadamente a melhoria das competências da polícia tunisina por intermédio de
um apoio específico à ação do serviço de cooperação técnica internacional da
polícia com o intuito de melhorar as competências da polícia tunisina no âmbito
de polícia científica, de luta contra o terrorismo e tráfico em larga escala74.
Desde a sua eleição, o Presidente Hollande encontrou-se repetidas vezes com o
Presidente Marzouki75, pois a revolução tunisina tornou-se um fator de
aproximação entre os dois estados e povos76. Durante a sua última visita,
François Hollande declarou que nenhum país podia combater o terrorismo de forma
isolada, sendo que os grupos terroristas não constituem um perigo apenas para
os estados implicados ou os vizinhos mas uma ameaça para toda a África e
Europa77. Nesse sentido, o Presidente manifestou o desejo de intensificar a
cooperação com a Tunísia na luta contra o terrorismo e mencionou que a França
poderia fornecer «material» para combater o terrorismo, sem no entanto entrar
em pormenores78. Além disso, François Hollande propôs reduzir a dívida da
Tunísia de 1,3 mil milhões de dólares, valor que tenciona reinvestir em
projetos de desenvolvimento79. Esta estratégia veio apoiar a sua afirmação
segundo a qual a Tunísia conseguiu demonstrar que o islão e a democracia são
compatíveis e que o país era um símbolo de esperança para a região80. Em termos
políticos, atualmente, a relação entre os dois estados conhece uma fase
favorável.
França e Tunísia ao nível Europeu: Cooperação na luta antiterrorista
Hervé de Charette exprimiu-se claramente sobre a ideia de tratar no âmbito da
parceria euro-mediterrânica questões como o islamismo e o terrorismo, no
sentido de incentivar os estados que professam o islamismo moderado, pois
acreditava que a parceria poderia, com o tempo, tornar-se um instrumento eficaz
para lutar contra os flagelos do extremismo religioso e da xenofobia81. A
França pretendia, para isso, desenvolver uma melhor cooperação baseada em
grupos de trabalho operacionais82. Além disso, a França encarava a política
mediterrânica como um instrumento que poderia reforçar o seu papel na política
externa da ue83. Contudo, «a França não precisa do nível europeu relativamente
aos estados do Magrebe. Os contactos são regulares e houve um aumento da
intensidade, nomeadamente, com os atentados de Paris e depois com os atentados
no Magrebe e em Madrid»84.
No entanto, a França também promoveu várias iniciativas na área da justiça e
dos assuntos internos durante as suas presidências em 2000 e 2008, como uma
reunião de alto nível sobre a temática do Estado de direito, a terceira reunião
de alto nível sobre a questão do terrorismo (19 de outubro), um seminário de
ontologia policial85; ou ainda, para a segunda, um seminário «EUROJUST, as
Equipas Comuns de Investigação e Mutualização dos Procedimentos» (17-18 de
julho), uma reunião «A Cooperação entre as Nações Unidas e a União Europeia em
Matéria de Gestão de Crises e de Segurança» (20-22 de outubro)86. De facto,
Jacques Chirac declarou que a UE é «o nível adequado para proteger os cidadãos
contra o terrorismo e o crime organizado. Hoje mais ainda, a Europa é ao mesmo
tempo uma evidência, uma necessidade e uma urgência»87. Contudo, de acordo com
um especialista, «a vertente operacional não deve ser alargada pois a ação
ocorre geralmente na confidencialidade e no segredo, demasiados atores podem
prejudicar a eficácia»88. Com a PEV, a UE conseguiu evidenciar o aspeto
securitário na sua relação com a Tunísia nos últimos anos, pois esta perdeu o
seu lugar de «bom aluno» por causa da sua falta de investimento na dimensão
política89. Apesar de se inscrever na continuação do Acordo de Associação com
uma forte componente económica, o Plano de Ação de Vizinhança permitiu conferir
mais peso ao aspeto político (democracia e Estado de direito, direitos
humanos)90e securitário (cooperação nos domínios da prevenção de conflitos e
gestão de crises, assim como a continuação da cooperação na luta contra o
terrorismo)91 no Documento de Estratégia 2007-2013.
Assim, a questão do terrorismo conquistou progressivamente o seu lugar na
parceria, em particular com a adoção do Código de Conduta Antiterrorista
durante a Cimeira de Barcelona de novembro de 200592. Embora a política euro-
mediterrânica seja complementar em relação à estratégia francesa, as relações
bilaterais permanecem centrais no que respeita aos estados do Magrebe e a
participação francesa nos projetos financiados com fundos europeus mantém-se
pontual93. Neste contexto, a França afirma-se como policy supporter, pois apoia
as iniciativas de outros estados europeus. Com efeito, de acordo com um
diplomata francês, «o nível multilateral é importante para os países que não
têm cooperação bilateral (e que gostariam de ter uma), enquanto os franceses,
eles, estão por toda a parte e podem facilitar os contactos»94, agindo de
acordo com uma «lógica do comportamento apropriado»95. A França é favorável aos
diálogos encetados ao nível do COTER com os estados terceiros, apesar de esses
diálogos serem mais úteis para os estados que não têm cooperação bilateral com
certos estados terceiros96, «somos chefes de fila para alguns projetos, mas não
são iniciativas propriamente ditas [ ] se algo é importante para nós, fazemo-lo
em bilateral, pois temos lá tudo: a língua [ ] temos tudo»97.
Conclusões
Desde há várias décadas que a França tem uma relação fortemente bilateralizada
com a Tunísia, e esta bilateralização manteve-se mesmo após a
institucionalização da relação entre a UE e a Tunísia ' tanto no que diz
respeito à questão migratória como à da luta contra o terrorismo. A imigração
sempre teve alguma importância mas não constituiu uma preocupação fundamental,
até que os dois estados assinaram o acordo de gestão concertada das migrações e
desenvolvimento solidário de 2008 e com o receio do aumento dos fluxos de
migrantes ilegais provocado pela revolução tunisina de 2011. Já o terrorismo
manteve-se uma preocupação constante e a cooperação entre os serviços dos dois
estados permaneceu, apesar das perturbações nas relações políticas.
Esta bilateralização foi também incentivada pela Tunísia (e por outros estados
magrebinos) no sentido de preservar um estatuto algo privilegiado, apesar das
tensões que a questão pode suscitar bilateralmente. Contudo, no sentido de
reforçar a política francesa para o controlo dos fluxos migratórios, uma
europeização crescente desenvolveu-se no âmbito da política mediterrânica da
UE. A França afirmou-se como policy shaper e policy supporter. Da mesma forma,
na área da luta contra o terrorismo a França continua a preferir uma
bilateralização em todas as dimensões da cooperação, em particular por uma
questão de eficácia, pois a França tem consciência das relações privilegiadas
que mantém com os estados do Magrebe, apesar das resistências tunisinas. No
entanto, a França pretende continuar a promover a luta contra o terrorismo na
política externa europeia enquanto policy supporter e é favorável a um diálogo
político ao nível da UE, independentemente dos modestos resultados. Trata-se,
por conseguinte, de obter uma consolidação política.
Data de receção: 31 de agosto de 2013 | Data de aprovação: 3 de dezembro de
2013
Notas
1
Uma grande parte das informações contidas neste artigo (inclusive as entre-
vistas) é resultado da investigação desenvolvida pela autora para a tese de
doutoramento em Ciência Política (cotutela internacionalmente entre a Sciences-
Po Paris e a Universidade do Minho).
2
O primeiro Livro Branco data de 1972, mas, tal como é nele mencionado, «não
compete a um livro branco sobre a defesa tratar em profundidade a política
externa da França» (tradução livre). «Livre Blanc sur la Défense de 1972», cap.
i[Consultado em: 12 de setembro de 2013], disponível em: http://www.vie-
publique.fr/documents-vp/livre_blanc_1972.shtml; «Livre blanc sur la défense
1994». Paris: La Documentation Française, 1994, pp. 25, 32, 66, 73; «Défense et
sécurité nationale: le Livre blanc». Paris: Odile Jacob, La Documentation
française. 2008, pp. 25, 32, 64, 66.
3
«Livre blanc sur la défense 1994», p. 11.
4
Adotamos neste estudo uma definição alargada do conceito de segurança, proposto
pela Escola de Copenhaga e que vai além do setor militar (económico, político,
ambiental, societal) para incluir, questões de soft security ligadas à
segurança política, concretamente o terrorismo e, como é por vezes possível
notar nos discursos oficiais, ligada à segurança societal, a imigração. Buzan,
Barry, Waever, Ole e De Wilde, Jaap ' Security: a New Framework for Analysis.
Boulder: Lynne Rienner, 1998, p. 121. Além disso, excluímos qualquer associação
a priori entre os dois fenómenos.
5
Para esta dimensão, utilizamos parcialmente a classificação de Tanja Börzel '
policy shaper e policy taker. Börzel, Tanja ' «Shaping and Taking EU policies:
member state responses to europeanization ». In Queen's Papers on
Europeanisation, 2003, n.° 2. [Consultado em: 25 de janeiro de 2006].
Disponível em: http://www.qub.ac.uk/schools/
SchoolofPoliticsInternationalStudiesandPhilosophy/FileStore/
EuropeanisationFiles/Filetoupload,38412,en.pdf. Mas em vez de utilizar a sua
terceira categoria ' fence sitting ', introduzimos o conceito de policy
supporter.
6
Escolhemos a classificação apresentada por Cláudio Radaelli ' inércia,
absorção, acomodação e recuo. Radaelli, Cláudio M. ' «Whither europeanization?
Concept stretching and substantive change». In European Integration Online
Paper. Vol. 4, N.° 8, pp. 14-15 [Consultado em: 4 de abril de 2006]. Disponível
em: http://eiop.or.at/eiop/texte/2000-008a.htm; Radaelli,
Claudio M. ' «Europeanization of public policy». In Feathers-tone, Kevin, e
Radaelli, Claudio (eds.) ' The Politics of Europeanization. Oxford: Oxford
University Press, 2003, pp. 37-38.
7
Wong, Reuben ' «Foreign policy». In Graziano, Paolo, e Vink, Maarten (eds.) '
Europeanisation: New Research Agendas. Nova York: Palgrave Macmillan, 2007, p.
327.
8
Radaelli, Claudio M. ' «Whither europeanization? Concept stretching and
substantive change», p. 4; Bulmer, Simon, e Burch, Martin ' «Coming to terms
with Europe: europeanisation, whitehall and the challenge of devolution». In
Queen's Papers on Europeanisation, 2000, N.° 9, p. 2 [Consultado em: 27 de
março de 2007]. Disponível em: http://www.qub.ac.uk/ies-old/onlinepapers/
poe9.pdf
9
Não nos referimos, no entanto à análise discursiva como entendida pelos
construtivistas. Trata-se de encontrar, nas diversas fontes, expressões, provas
de uma projeção de preferências nacionais e/ou de receção.
10
A europeização aparece então como uma estrutura de oportunidade política que
oferece aos atores recursos suplementares e a ueé então reconhecida pelos
estados-membros como tal. Börzel, Tanja, e Risse, Thomas ' «Conceptualizing the
domestic impact of Europe». In Featherstone, Kevin, e Radaelli, Claudio (eds.)
' The Politics of Europeanization. Oxford: Oxford University Press, 2003, p.
63; Hall, Peter A., e Taylor, Rosemary C. R. ' «Political
science and the three new institutionalisms». In Political Studies. Vol. XLIV,
1996, p. 939; Saurugger, Sabine ' Théories et Concepts de
l'intégration européenne. Paris: Presses de la Fondation nationale des Sciences
politiques, 2009, p. 203.
11
Schain, Martin A. ' The Politics of Immigration in France, Britain and the
United States: A Comparative Study. Nova York: Palgrave Macmillan, 2008, p.
116.
12
France. Cour des Comptes. «L'accueil des immigrants et l'intégration des
populations issues de l'immigration. Rapport au Président de la République
suivi des réponses des administrations et des organismes intéressés». Paris:
Direction des journaux officiels, novembro de 2004, cap. ii.
13
A 29 de maio de 2002, Nicolas Sarkozy apresentou ao Conselho de Ministros uma
comunicação sobre a lei «d'orientation et de programmation de sécurité
intérieure» cujo um dos componentes é dedicado à luta contra a imigração
clandestina. O ministro declarou : «[D]epuis trop long-temps, beaucoup de ces
sujets ont été considérés dans notre pays comme tabous. En parler était déjà
suspect. C'est ainsi qu'il serait impossible d'évoquer l'immigration
clandestine, alors même qu'il s'agit d'une préoccupation essentielle de nos
concitoyens». Sarkozy, Nicolas ' «Sécurité intérieure». Sessão extraordinária
de 2001-2002, 16 de julho de 2002. [Consultado em: 10 de abril de 2008].
Disponível em: http://www.assemblee-nationale.fr
14
Com efeito, o ministro referiu que a associação dos termos terrorismo e
imigração poderia chocar algumas pessoas, mas justificou essa associação pelo
facto de só ser possível lutar contra esses fenómenos através de uma cooperação
internacional. Sarkozy, Nicolas ' «Bilan des actions de coopération
internationale», 11 de fevereiro de 2004. [Consultado em: 28 de março de 2008].
Disponível em: http://www.interieur.gouv.fr/misill/sections/a_l_interieur/
le_ministre/interventions/archives-nicolas-sarkozy/11-02-2004-bilan-
cooperation/view
15
Jarasse, Jim ' «Valls évoque une remise en cause du regroupement familial». In
Le Figaro.fr, 20 de agosto de 2013, [Consultado em: 6 de setembro de 2013].
Disponível em: http://www.lefigaro.fr/politique/2013/08/20/01002-
20130820ARTFIG00224-immigration-valls-evoque-une-remise-en-cause-du-
regroupement-familial.php
16
Por oposição a «alvo de oportunidade». Entrevista a um funcionário do
Ministério da Defesa Nacional de França, julho de 2008.
17
Em 2006, Ayman Al-Zawahiri declarou que a França devia ser castigada. Acerca da
ameaça de Al-Qaeda em França, cf. Sfeir, Antoine ' Al Qaïda Menace la France.
Paris: Le Cherche Midi, 2007.
18
O novo código penal inclui a incriminação por terrorismo e as penas são
agravadas em função do nível de intenção. Entrevista com um antigo funcionário
do Quai d'Orsay, Paris, junho de 2008.
19
Apesar das modificações repetidas à lei de 22 de julho de 1996, nomeadamente as
leis de 15 de novembro de 2001 ou a de 9 de setembro de 2002.
20
Entre os principais são apontados os de Ayman Al-Zawahiri de 24 fevereiro de
2004 e o de Abou Moussab Al-Zarkaoui, chefe da Al-Qaeda no Iraque, publicado a
18 de maio de 2005 para denunciarem a lei que proíbe os sinais religiosos na
escola; ou ainda as declarações do emir do Grupo Salafista para a Predicação e
o Combate (gspc), durante o verão de 2005 e que designou a França como «inimigo
n.° 1». France. Premier Ministre. Livre Blanc sur la sécurité intérieure face
au Terrorisme. 14 mars 2006. 2ème partie, p. 34 [Consultado em: 31 de março de
2008]. Disponível em: http://www.diplomatie.gouv.fr/fr/IMG/pdf/
lb_terrorisme.pdf
21
Lei n.º 2003-239 de 18 de março de 2003 para a segurança interna.
22
Lei n.° 2004-204 de 9 de março de 2004 sobre a adaptação da Justiça às
evoluções da criminalidade.
23
A lei transpôs a decisão-quadro 2008/919/JAI de 28 de novembro de 2008 que
modificou a decis ão-quadr o 2002/475/JAI.
24
Os esforços de Dominique de Villepin conduziram à criação do Conseil de
Renseignement Intérieur (uclat, dcri, gnre polícia nacional) e à elaboração de
um Livro Branco da Segurança dos Franceses sob o patrocínio do primeiro-
ministro. Heisbourg, François ' «Lutte antiterroriste: initiatives politiques
et législatives». In Heisbourg, François, e Marret, Jean-Luc ' Le terrorisme en
France aujourd'hui. Sainte Marguerite sur Seine: Ed. des Equateurs, 2006, pp.
69-71.
25
«Exposé des motifs», Lei n.° 2006-64 de 23 de janeiro de 2006 relativa à luta
contra o terrorismo e disposições diversas relativas à segurança e aos
controlos fronteiriços. Disponível em: http://legifrance.gouv.fr/
26
Ghorbal, Samy ' «Ben Ali, de Chirac à Sarkozy». In Jeune Afrique, 10 de
setembro de 2008. [Consultado em: 5 de abril de 2009]. Disponível em: http://
www.jeuneafrique.com/Article/LIN27048benalyzokra0/-France-diploma-tie-Nicolas-
Sarkozy-Zine-el-Abidine-Ben-Ali-Ben-Ali-de-Chirac-a-Sarkozy.html; Willis,
Michael J. ' «Containing radicalism through the political process in North
Africa». In Mediterranean Politics. Vol. 11, N.° 2, julho de 2006, pp. 139-140.
27
Ibidem.
28
Ghorbal Samy ' «Ben Ali, de Chirac à Sarkozy»; AFP/Reuter ' «Paris doit
demander des comptes au président tunisien, selon les défenseurs des droits de
l'homme». In Le Monde, 21 de outubro de 1997; Beauge, Florence ' «La presse
française, source d'incompréhension profonde entre Tunis et Paris». In Le
Monde, 8 de fevereiro de 2000, p. 4.
29
Nomeadamente banir a utilização da língua francesa ou um rapprochement com os
Estados Unidos. Daguzan, Jean-François ' «France and the Maghreb: the end of
the special relationship?». In Zoubir, Yahia, e Haizam, Amirah-Fernandez '
North Africa: Politics, Region, and the Limits of Transformation. Nova York:
Routledge, 2008, p. 335.
30
Barluet, Alain, e Jaigu, Charles ' «A Tunis, Sarkozy ne donne pas de leçons».
In Le Figaro.fr, 29 de abril de 2008. [Consultado em: 7 de setembro de 2013]
http://www.lefigaro.fr/international/2008/04/29/01003-20080429ARTFIG00262-
sarkozy-signe-en-tunisie-un-accord-sur-l-immigration.php
31
L'Express.fr ' «Un Sarkozy très consensuel en Tunisie». In L'Express.fr, 30 de
abril de 2008. [Consultado em: 22 de novembro de 2012]. Disponível em: http://
www.lexpress.fr/actualite/monde/un-sarkozy-tres-consensuel-en-tuni-
sie_472474.html.
32
Ghorbal, Samy ' «Ben Ali, de Chirac à Sarkozy».
33
As prioridades de política externa são apresentadas geralmente em agosto no
discurso do Presidente da República ao corpo diplomático em funções em Paris.
Sarkozy, Nicolas ' «XIXè conférence des Ambassadeurs: Allocution du Président
de la République», 31 de agosto de 2011. [Consultado em: 30 de outubro de
2012]. Disponível em: http://www.diplomatie.gouv.fr/fr/ministere_817/
evenements_11561/conference-ambassadeurs_17120/xixe-conference-ambassadeurs31-
aout2-septembre2011_21189/xixeme-conference-ambassadeurs-allocution-alain-
juppe-paris1er-septembre2011_94928.htm; Hollande, François ' «Discours de M. le
Président de la République: XXè conférence des Ambassadeurs», 27 de agosto de
2012. [Consultado em: 4 de novembro de 2012] Disponível em: http://
www.elysee.fr/president/root/bank/pdf/president-13809.pdf
34
Saint Robbespierre, Al ain ' «France-Tunisie: Hollande en raccommodeur de
relation [online]». In Courrier International, 19 de julho de 2012.
35
Os recursos derivam da história e da geografia, constituindo «as forças
básicas» da política externa que fixam os limites do impacto de um país no
mundo. Hill, Christopher ' The Changing Politics of Foreign Policy.
Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2003, p. 136.
36
Consultar igualmente Marie-Christine Kessler para outra classificação: força,
direito, administração, finanças e negociação. Kessler, Marie-Christine ' La
politique étrangère de la France: Acteurs et processus. Paris: Presses de
Sciences-Po, 1999.
37
Consultar o continuum entre poder e influência dos diferentes instrumentos
proposto por HILL, Christopher ' The Changing Politics of Foreign Policy, p.
135.
38
«La France et la Tunisie: relations économiques», Ministère des Affaires
étrangères, França. [Consultado em: 8 de fevereiro de 2009]; Disponível em:
http://www.diplomatie.gouv.fr/fr/pays-zones-geo_833/tunisie_411/france-
tunisie_1247/index.html so_2. Documents cadre de Partenariat France-Tu-nisie
(2006-2010), Ministère des Affaires étrangères, França. [Consultado em: 30 de
julho de 2009]. Disponível em: http://www.diplomatie.gouv.fr/fr/pays-zones-
geo_833/tunisie_411/france-tunisie_1247/presentation_4450/document-cadre-
partenariat-france-tunisie-dcp2006-2010_65358.html
39
Docume nt s cadre de par tenariat France-Tunisie (2006-2010).
40
O país beneficiou de um regime particular (tal como os argelinos e os
marroquinos) para a imigração em particular em termos de estadia e emprego:
Decreto n.° 63-1055 de 15 de outubro de 1963, «Convention de main d'uvre et de
Protocole relatif à la formation professionnelle des adultes entre la France et
la Tunisie», 9 de agosto de 1963; Decreto n.° 64-214 de 6 de março de 1964,
«Échanges de note sur le régime de circulation des personnes du 29 janeiro
1964». Estes dois acordos foram fundidos num acordo único, assinado em 1988,
Decreto n.° 89-87 de 8 de fevereiro de 1989. Houve dois aditamentos a este
acordo, um em 1992 e outro em 2000. Como Marrocos, a Tunísia não desejava
alinhar o seu regime com o regime comum. Entrevista no Ministério do Trabalho,
das relações sociais, da família e da solidariedade, Paris, outubro de 2008.
41
Entrevista com um deputado francês, Paris, novembro de 2008 (tradução livre).
42
Pelo contrário, o discurso francês preconisa que muito já foi feito com cerca
de 80 mil vistos por ano, mas fomentando a confiança mútua, seria possível
simplificar a imigração legal. Consulat général de France en Tunisie.
Circulation des personnes. [Consultado em: 7 de fevereiro de 2011]. Disponível
em: http://www.ambassadefrance-tn.org/france_tunisie/spip.php?article280#La-
circulation-des-personnes; Villepin, Dominique de ' «Visite en Tunisie '
conférence de presse du ministre des affaires étrangères», 14 de novembro de
2002. [Consultado em: 24 de novembro de 2010]. Disponível em: http://
basedoc.diplomatie.gouv.fr/exl-php/cadcgp.php
43
Raffarin, Jean-Pierre ' «Déclaration de M. premier ministre, sur la coopération
économique franco-tunisienne, la définition d'un espace de voisinage euro-
méditerranéen, la lutte contre les discriminations au travail, la politique
d'immigration et la logique des quotas», Tunes, 31 de janeiro de 2005.
[Consultado em: 12 de maio de 2008]. Disponível em: http://discours-
publics.vie-publique.fr/cdp/html/053000441.html
44
«Immigration choisie» (tradução livre).
45
As autoridades tunisinas consideraram que as autoridades francesas fizeram
mostra de demasiada tolerância em relação aos oponentes do regime de Ben Ali.
França. Ministère de l'intérieur. Note sur la Tunisie, 2008.
46
«Os tunisinos são negociadores muito duros. Quando negociámos o acordo de
gestão concertada de fluxos, os tunisinos deram a entender que não se tratava
de uma cooperação técnica no campo migratório, mas que eramos parceiros».
(Tradução livre) Entrevista com um alto funcionário, Ministério do Interior,
Paris, outubro de 2008.
47
O primeiro contém a circulação das pessoas, o acolhimento e permanência dos
estudantes assim como a imigração laboral; o segundo integra a readmissão e a
cooperação policial. Embaixada da Tunísia em França. «Coopération bilatérale».
[Consultado em: 4 de setembro de 2013]. Disponível em: http://ambassade-
tunisie.fr/index.php/fr/social/coopera-tion-bilaterale
48
Esta ligeira diminuição poderá estar ligada aos acontecimentos da primavera
árabe e à revolução que teve início em janeiro de 2011. «Rapport au Parlement '
Les orientations de la politique de l'im-migration et de l'intégration '
Septième rapport établi en application de l'article L.111-10 du Code l'entrée
et du séjour des étrangers et du droit d'asile». Secrétariat général du Comité
interministériel de contrôle de l'immigration. Paris: La Documentation
française, março de 2011, p. 29; «Rapport au Parlement ' Les orientations de la
politique de l'immigration et de l'intégration-Neuvième rapport établi en
application de l'article L.111-10 du Code l'entrée et du séjour des étrangers
et du droit d'asile». Secrétariat général du Comité interministériel de
contrôle de l'immigration. Paris: La Documentation française, dezembro de 2012,
p. 27.
49
O acordo foi assinado por Rafik Belhaj Kacem, ministro do Interior e Eric Bes-
son, ministro da Imigração. «Immigration clandestine: accord de coopération
entre la France et la Tunisie». In Jeune Afrique. fr, 3 de julho de 2010.
[Consultado em: 25 de setembro de 2013]. Disponível em: http://
www.jeuneafrique.com/actu/20100703T164814Z20100703T164802Z/
50
Entrevista com um diplomata francês, Paris, março de 2008.
51
Declaração da Agência Frontex. No total, 112 844 entradas irregulares entre
janeiro e setembro contra 76 697 em 2010. AFP. «Le Printemps arabe a doublé les
migrations irrégulières vers l'ue». In Le Point.fr, 16 de novembro de 2011.
[Consultado em: 23 de outubro de 2013]. Disponível em http://www.lepoint.fr/
monde/le-printemps-arabe-a-double-les-migra-tions-irregulieres-vers-l-ue16-11-
2011-1396948_24.php
52
Schmidt, Heike ' «France, Italie: dispute diplomatique sur fond de naufrage
mortel». In Rfi.fr, 7 de abril de 2012. [Consultado em: 16 de outubro de 2013].
Disponível em : http://www.rfi.fr/europe/20110406-france-italie-dispute-
diplomatique-fond-naufrage-mortel
53
Entrevista no Conselho de Ministros da ue, abril de 2008.
54
Entrevista telefónica, Delegação da Comissão Europeia na Tunísia, abril de
2008.
55
A primeira sessão de formação EUROMED Migration III para a prevenção contra a
imigração irregular ocorreu em 2012, em Lisboa. O programa de formação tinha
uma duração de dois anos. Em 2013, em Budapeste, foi igualmente organizada uma
sessão de peer to peer sobre a questão da imigração irregular, estando a
próxima prevista já para setembro de 2014, em Espanha. Consultar http://
www.icmpd.org/Events.2333.0.html [Consultado em: 5 de novembro de 2012]; «The
EUROMED Migration meeting focused on the management of mixed migration flows»,
Comissão Europeia, 4 de junho de 2013. [Consultado em: 5 de junho de 2013]
Disponível em: http://www.euromed-migration.eu/fr/news/news/
?tx_ttnews%5Btt_news%5D=18&cHash=4668826aaec7b41e9937e37d0ce3262e
56
A França participou nas operações Hera I, II (2006) e III (2007), assim como na
operação «Nautilus» (2007). Para mais informações, consultar o website da
Frontex: http://www.frontex.europa.eu/
57
Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Portugal, Luxemburgo e Reino Unido.
França. Secrétariat général du comité inter minis tériel de contrôle de
l'immigration. Rapport au Parlement: Les orientations de la politique de
l'immigra-tion. Paris: La Documentation française, dezembro de 2007, p. 12.
58
«Le programme de Nicolas Sarkozy: l'immigration choisie». In L'E xpress.fr, 6
de abril de 2007. [Consultado em: 20 de dezembro de 2009]. Disponível em: http:
//www.lexpress.fr/actualite/politique/le-programme-de-nicolas-sarkozy-l-immi-
gration-choisie_477401.html
59
«Pacto Europeu sobre a Imigração e o Asilo», Doc. 13440.08, Conselho da União
Europeia, 24 de setembro de 2008.
60
«Communication de la Commission au Parlement européen, au Conseil, au Comité
économique et social européen et au Comité des régions. Approche globale de la
question des migrations et de la mobilité». COM(2011)743 final, Comissão
Europeia, Bruxelas, 18 de novembro de 2011, p. 2.
61
Ibidem.
62
Marrocos, Tunísia, Egito, Líbano e Jordânia são parceiros privilegiados
antigos. Coustillere, Jean-François ' «Les rapports Europe-Maghreb en matière
de sécurité et de défense», L'Année du Maghreb, IV | 2008, Parag. 36.
[Consultado em: 3 de junho de 2012]. Disponível em: http://
anneemaghreb.revues.org/478
63
A Tunísia foi vítima da Al-Qaeda depois de 2001 com o atentado de Djerba a 11
de abril de 2002 (21 mortos, dos quais dois franceses), mas mesmo se a ameaça
está latente sobre a Tunísia, esta organização terrorista não tinha conseguido
seduzir a juventude tunisina tendo em conta a situação precária e instável do
seu vizinho argelino. Guidere, Mathieu ' Al-Qaïda à la conquête du Maghreb: Le
terrorisme aux portes de l'Europe [enquête]. Mónaco: Editions du Rocher, 2007,
p. 211.
64
Bras, Jean-Philippe ' «Le Maghreb dans la guerre contre le terrorisme: enjeux
juridiques et politiques des législations antiterroristes». In Année du
Maghreb II, § 4.
65
Entrevista do Presidente Ben Ali no Figaro (2 de agosto de 1994) citado em
Jean-Philippe Bras, § 5.
66
Ouazani, Cherif ' «Lutte antiterroriste: en attendant l'union sacrée». In Jeune
Afrique, 25 de março de 2008. [Consultado em: 24 de março de 2010]. Disponível
em: http://www.jeuneafrique.com/Articleimp_LIN23038lutteercasn0_lutte-
antiterroriste-en-attendant-l-union-sacree.html
67
«Arrangement de coopération en matière de sécurité intérieure entre le
Ministère de l'Intérieur de la République française et le Ministère de
l'Intérieur de la République tunisienne», assinado em 7 de março de 1988.
68
Chevènement, Jean-Pierre ' «Point presse du ministre de l'intérieur sur la
coopération bilatérale entre la France et la Tunisie, notamment dans le domaine
de la sécurité et de la lutte contre le terrorisme, les rapports entre la
France et l'Islam et la politique de l'immigration». Tunes, 27 de março de
1998. [Consultado em: 24 de maio de 2008]. Disponível em: http://discours-
publics.vie-publique.fr/cdp/html/983001006.html
69
Apesar de não termos tido acesso ao discurso ou conferência de imprensa do
ministro do Interior efetuada de 30 de outubro a 1 novembro de 2002.
70
Autor dos atentados contra a sinagoga de Djerba. A célula encontrava-se nos
arredores de Lyon. Sarkozy, Nicolas ' «Bilan des actions de coopération
internationale».
71
Entrevista com um alto funcionário, Ministério da Defesa, setembro de 2008.
72
Ibidem.
73
Ibidem.
74
D o cum ents cadr e de par te n ariat France-Tunisie (2006-2010).
75
Marzouki em Paris: 17 a 19 de julho de 2012, 12 de abril de 2013; Hollande em
Tunes 4 e 5 de julho de 2013.
76
«François Hollande: La France suit le processus de transition en Tunisie sans
ingérence mais sans indifférence». In Direct Info, 4 de julho de 2013.
[Consultado em: 26 de agosto de 2013]. Disponível em: Vhttp://
directinfo.webmanagercenter.com/2013/07/04/francois-hollande-la-france-suit-le-
processus-de-transition-en-tunisie-sans-ingerence-mais-sans-indifference/
77
Ibidem.
78
A zona montanhosa da fronteira com a Argélia e a fronteira com a Líbia fazem
contrabando de armas, sendo zonas sensíveis para a Tunísia. «France to Turn
Tunisia Debt Into Development». In The Epoch Times, 5 de julho de 2013.
79
Ibidem.
80
Ibidem.
81
Para lutar contra o terrorismo, a criminalidade internacional, a droga e a
imigração clandestina. De Charette, Hervé ' «La politique méditerranéenne de la
France et de l'Union européenne à la veille de la conférence de Barcelone.
Intervention du Ministre des affaires étrangères à l'Assemblée nationale».
Paris, 21 de novembro de 1995. [Consultado em: 29 de março de 2008]. Disponível
em: http://www.doc.diplomatie.gouv.fr/BASIS/epic/ww/doc/
DDW?M=1207&K=975273991&W=DATE+%3C+%2730.11.1997%27+AND+TEXTE+PH+IS+%27Herv%E9+de+Charette%27+ORDER+BY+DATE/
Descend
82
Ibidem.
83
Ibidem. EUROMED. Troisième conférence euro-méditerranéenne des ministres des
affaires étrangères. Conclusions formelles de la présidence. Stuttgart, 15 et
16 avril 1999. § 11; cf. Daguzan, Jean-François ' «La Charte euro-méditerra-
néenne pour la Paix et la Stabilité: éléments juridiques et politiques». Études
Internationales, março-junho de 2001, n.° 78-79, pp. 31-50.
84
Entrevista com um alto funcionário francês, Ministério do Interior, dezembro de
2008.
85
«Présidence française de l'Union européenne 1er juillet-31 décembre 2000 '
programme de travail », Doc SN3417/2/00 REV 2 LIMITE. Bruxelas, 1 de julho de
2000, p. 39.
86
«Présidence française de l'Union européenne 1er juillet-31 décembre 2008
programme de travail: une Europe qui agit pour répondre aux défis d'au-
jourd'hui», Présidence du Conseil de l'Union européenne, pp. 29 e 31.
87
Chirac, Jacques ' Discours du Président de la République, lors de la
présentation des vux du Corps diplomatique. Palais de l'Elysée, 4 de janeiro
de 2002. [Consultado em: 9 de maio de 2007]. Disponível em: http://
www.elysee.fr/elysee/elysee.fr/francais/interventions/discours_et_declarations/
2002/janvier/
discours_du_president_de_la_republique_lors_de_la_presentation_des_voeux_du_corps_diplomatique.29292.html
(tradução livre). Villepin, Dominique de ' «Point de presse de M. le ministre
des affaires étrangères, de la coopération et de la francophonie, sur l'enjeu
de la Méditerranée à l'heure de l'élargissement de l'Union européenne et les
propositions françaises pour la relance du partenariat euro-méditerranéen dans
le cadre du processus de Barcelone, et sur la Côte d'Ivoire», Naples, 3 de
dezembro de 2003. [Consultado em: 14 de janeiro de 2011]. Disponível em: http:/
/discours.vie-publique.fr/notices/033004236.html
88
Entrevista com um alto funcionário da Representação Permanente da França junto
da ue, março de 2008 (tradução livre).
89
Entrevista telefónica, delegação da Comissão Europeia na Tunísia, abril de
2008.
90
«Plan d'action UE/Tunisie», Comissão Europeia, maio de 2004, pp. 25-26.
[Consultado em: 7 de abril de 2008]. Disponível em: ec.europa.eu/world/enp/pdf/
action_plans/tunisia_enp_ap_final_fr.pdf
91
«Plan d'action UE/Tunisie», Comissão Europeia, p. 7.
92
«Sommet euro-méditerranéen organisé à l'occasion du dixième anniversaire du
partenariat euro-méditerranéen», Euromed, Barcelona, 27 e 28 de novembro de
2005. «Code de conduite euro-médi-terranéen en matière de lutte contre le
terrorisme», 15075/05 (Presse 328), 28 de novembro de 2005, Bruxelas.
93
Entrevista telefónica com um membro da Comissão, Rabat, abril de 2008.
94
Entrevista com um diplomata francês, Ministério dos Negócios Estrangeiros e
Europeus, maio de 2008.
95
March e Olsen definem appropriateness como regras que incluem as dimensões
normativas e cognitivas e estas são seguidas «porque são vistas como naturais,
legítimas, esperadas. Os atores procuram cumprir as obrigações contidas num
papel, numa identidade, a pertença a uma comunidade política ou um grupo e
práticas e expectativas dessas instituições. Ou seja, quando estão inseridos
numa coletividade social, fazem o que consideram ser apropriado para eles numa
situação específica» (tradução livre). March, James G., e Olsen, Johan ' «The
logic of appropriateness». In Arena Working Papers. N.° 9, 2004, p. 3.
[Consultado em: 4 de janeiro de 2007]. Disponível em: http://www.arena.uio.no/
publications/
96
Entrevista com diplomata francês, Ministério dos Negócios Estrangeiros e
Europeus, maio de 2008.
97
Ibidem.
Rua Dona Estefânia, 195, 5 D
1000-155 Lisboa
Portugal
ipri@ipri.pt