Mudança de rumo?: Manobras difíceis
Mudança de rumo? Manobras difíceis
René Pélissier
Historiador. Autor de Les campagnes coloniales du Portugal, 1844-1941 (2004) e,
com Douglas L. Wheeler, História de Angola (Tinta-da-China, 2009).
A abundância de títulos que temos para apresentar confronta-se, numa revista,
com imperativos de espaço e com a paciência dos leitores. Por isso, desta vez,
recorremos a medidas drásticas: suprimimos o preâmbulo e reduzimos os
comentários, mesmo no caso dos textos mais importantes.
GENERALIDADES E REAGRUPAMENTOS
Comecemos por Hotel Trópico1, de Jerry Dávila, que é, antes de tudo, uma
história da diplomacia brasileira na África, durante e depois da
descolonização. A obra assenta numa pesquisa arquivística e em entrevistas com
antigos actores destas embaixadas e consulados, criados um pouco na
improvisação porque, apesar dos laços genéticos entre as duas margens do
Atlântico, o interesse e os conhecimentos «africanistas» das elites brasileiras
eram ' e ainda continuam ' embrionários. O autor mostra, a despeito de Gilberto
Freyre e os mitos que propalou pela classe política e intelectual, que os
primeiros passos brasileiros em direcção à África foram dados por amadores bem-
intencionados mas sem cultura adaptada, ou preparação, às realidades locais.
Quase todos os diplomatas eram brancos, à excepção do primeiro embaixador
negro-africano no Gana, que passou por desventuras lamentáveis. Desprezado pelo
seu ministério, foi o primeiro a coleccionar os passos em falso e desaires que
caracterizaram a política africana do Brasil no início. Dávila insiste na auto-
intoxicação freyriana, ao apoiar-se no espelho deformador da sua visão das
coisas, recolhida nas viagens de propaganda pela África portuguesa. Há
capítulos sobre: 1) o impacto da guerra em Angola e a primeira orientação da
política brasileira nas Nações Unidas; 2) o Brasil e a revolução portuguesa; 3)
a viragem marcada pelo regime militar a propósito do MPLA em 1975. Entre os
aspectos menos conhecidos estão as tensões com a Frelimo e a posterior abertura
na sua direcção. Várias centenas de exilados brasileiros foram recrutados por
Maputo e trabalharam em Moçambique até à amnistia decretada por Brasília em
1979. Aquilo que por lá fizeram continua por estudar (excepto no plano da
propaganda). Ficamos a saber que em 2007 haveria no Brasil 1750 refugiados
oficiais angolanos, mais os ilegais. A África continua misteriosa para a
esmagadora maioria dos brasileiros brancos e mestiços, apesar das trocas
bilaterais que atingiram em 2007 entre 15 a 20 biliões de dólares. E depois
dessa data, muito mais, certamente.
Visto que estamos nas altas esferas da diplomacia na África, vejamos um dos
seus praticantes atípicos, muito seguro da própria eficácia enquanto
representante especial do secretário-geral da ONU, encarregue da missão de
manutenção da paz em Moçambique de 1992 a 1994. Com Brasiers d'Afrique2, Aldo
Ajello, primeiro jornalista e depois homem político italiano, desenvolve a
legitimidade do seu método: preeminência dos contactos humanos e do
«desenrascanço» sobre o formalismo e a burocracia. Apresenta receitas para
vencer as dificuldades. Todos reivindicam o sucesso desta operação em
Moçambique, a que já consagrara um livro. Aqui despacha a questão numa vintena
de páginas, já que o essencial do trabalho se concentra no papel de
representante especial da União Europeia para os Grandes Lagos, de 1996 a 2007.
Temos direito a uma larga centena de páginas sobre a crise no Burundi, o Ruanda
pós-genocídio e o inextricável atoleiro congolês. À vista da situação
indecisiva no legado de Leopoldo II e seus sucessores, podemos interrogar-nos
se o triunfo deste eterno intermediário latino terá tido uma eficácia de longo
prazo. Mas é um optimista satisfeito e feliz.
Muito menos eufórica é a dissertação de mestrado (notável) de Miguel Bandeira
Jerónimo. Trata com profundidade um tema já muito estudado pelos especialistas
estrangeiros, mas durante muito tempo tabu em Portugal e ainda um pouco
sulfuroso em certos meios irredutíveis: o confronto entre a legislação
torrencial de Lisboa e a sua aplicação no terreno. Desfaz em pedaços,
literalmente, estas muralhas de papel, edificadas por legisladores incapazes de
admitir que o que conta não são as intenções mas as realidades em matéria de
trabalho e educação dos indígenas. Para a monarquia e para os dois primeiros
regimes que lhe sucederam, o autor recoloca os problemas no contexto
internacional: campanhas contra o trabalho forçado, tanto no arquipélago do
«cacau escravo» como em Angola (e menos em Moçambique). Esmiúça o famoso Report
de Ross (que nunca vimos no original, pois tornou-se raríssimo) e explica-nos
que se esta filantropia estava longe de ser virgem de qualquer pensamento
interessado, conseguiu, pelo menos, colocar as autoridades portuguesas quase
constantemente na defensiva: o anti-lusotropicalismo absoluto! A bibliografia
utilizada é excelente. Mas sosseguemos os adversários de
Livros Brancos, Almas Negras
3, não conhecemos colonização na África (ou em qualquer outro lado) que não
tenha sido também uma exploração. Todavia, Portugal (pelo menos os seus
dirigentes e as suas elites) foi o único a reagir de forma violenta a estes
ataques, pois pretendia-se detentor do segredo da harmonia racial. Acreditava
mesmo ser único e capaz de resistir às críticas, ainda que fosse o que
estivesse mais mal preparado para as enfrentar.
Veremos, com a leitura de Travel Writing and Atrocities4, que assim que a moral
se alia às rivalidades políticas, económicas ou religiosas, é preciso pouco
(alguns punhados de militantes ou de zelotas habilmente apoiados pela imprensa)
para que as denúncias estigmatizem determinados países, excluindo muitos
outros, também culpados, senão mesmo piores. Mas as relações internacionais e a
diplomacia têm uma visão selectiva dos monstros do momento. Sobretudo em
período de triunfalismo imperial e quando se é de cultura britânica. Este livro
de um especialista de estudos literários traz poucas novidades ao papel do
jornalista Henry W. Nevinson, que colocou no índex os plantadores de cacau
portugueses. Em contrapartida, é muito mais original sobre Joseph Burtt, o
quaker enviado pelo fabricante de chocolates Cadbury para inquirir
aprofundadamente sobre o escândalo dos esclavagistas em Angola e em São Tomé.
Ficou seis meses no arquipélago e um ano em Angola, onde efectuou uma viagem de
mais de mil e quatrocentos quilómetros. A maior parte do livro é consagrada a
este nacionalista anti-inglês, que se tornou uma lenda na Irlanda: Roger
Casement, ainda que se não dissesse praticamente nada sobre os portugueses,
mesmo tendo sido cônsul da Grã-Bretanha em Lourenço Marques e depois em Luanda,
revelou as atrocidades congolesas. Os livros sobre este personagem já não têm
conta ' teria dado um excelente director da Amnistia Internacional avant la
lettre.
E já que estamos no registo dos vitupérios, mencionemos brevemente o livrinho
de um jornalista colombiano5, visceralmente hostil à política dos Estados
Unidos. Apesar do subtítulo, apenas encontramos duas magras páginas sem
qualquer originalidade sobre Angola. Mesmo assim, oferece muitos elementos
pouco conhecidos acerca das acções da CIA noutros países, mas para Angola em
1975-1976 mais vale recorrermos a John Stockwell e ao seuIn Search of Enemies
(Nova York, W. N. Norton, 1978). Bastante menos emocionais e muito ' mesmo
muito ' mais profissionais, são as duas obras colectivas seguintes que
recomendamos.
The
Speed of Change
6 tem o mérito de nos esclarecer sobre as mutações trazidas pela introdução dos
transportes rodoviários na África. Entre as onze contribuições de
historiadores, antropólogos, sociólogos e politólogos, o leitor poderá aprender
muito sobre o papel do automóvel e do camião na Zâmbia, no Níger, no Sudão, no
Gana, etc. Aqui interessa-nos directamente: i) o trabalho desenvolvido pelo
historiador Philip J. Havik a propósito da influência dos veículos motorizados
na economia (e a administração colonial) da Guiné portuguesa, de 1915 a 1945;
ii) a evolução dos transportes urbanos em Luanda e no Huambo depois da
independência, tal como é analisada por Carlos L. Lopes. Perante a falha dos
serviços públicos, as iniciativas privadas dos candongueiros e dos seus mini-
autocarros em Luanda, e dos kupapatas e das suas motas, no Huambo, colmatam um
pouco os problemas de mobilidade dos cidadãos.
Num outro registo, o das homenagens7 a uma historiadora que teve grande
influência sobre os estudos em ciências humanas ultramarinas no Portugal
democrático, devemos, evidentemente, associar-nos aos que honram a memória de
Jill Dias. Raramente uma personalidade universitária teve tal reconhecimento
num país em que se prefere invejar e denegrir, em vez de admirar. Os primeiros
dos dezanove colaboradores efectuam um longo circuito desde a Índia do século
xvii até à educação em Goa no século XIX. Para o século XX o percurso é
balizado por quatro autores (Guiné, Moçambique, Angola) historiadores, e quatro
antropólogos ou sociólogos. Milagres que teriam feito sobressaltar os velhos
crocodilos do Estado Novo e causarão mal-estar aos que sobreviveram ao seu
naufrágio, os estudos contemporâneos (século XXI) têm mesmo seis outros
cultores. Ao vermos tantos especialistas fascinados pelo Ultramar e seus
prolongamentos, esfregamos profissionalmente as mãos, ao mesmo tempo que nos
inquietamos por ver tanta gente em redor do seu cadafalso. As refeições post-
mortem são ou serão suficientemente copiosas para que cada um tenha uma parte
do bolo universitário ou para-universitário num país ferido pela crise
económica? Existe um risco de sobreaquecimento nas máquinas que têm de
alimentar tantos novos especialistas em disputa pelos despojos da colonização
portuguesa. Agora que a colonização morreu não pode alimentar todos aqueles a
quem a sua recordação fascina. E eles crescem muito depressa. O bom senso
exige, portanto, que observemos o que fazem os países ricos para adaptar a
oferta à procura pós-imperial.
Jews and Judaism in African History8 é uma síntese rápida para o grande público
e, desse ponto de vista, não a podemos criticar por ser demasiado breve sobre
determinado episódio em três mil anos de contactos, muito menos quando a
bibliografia consultada, ainda que muito rica (22 páginas), é maioritariamente
anglófona. No conjunto, os lusófonos não têm de que se queixar porque Richard
Hull dedica um longo espaço ao papel dos judeus e dos conversos ibéricos no
tráfico negreiro atlântico, desde o início até à década de 1730. É também
relativamente útil acerca dos judeus em Moçambique, tanto pioneiros (Carl
Wiese) como grandes capitalistas nas companhias zambezianas e nas sociedades de
recrutamento de mão-de-obra para as minas sul-africanas. Não tem praticamente
nada acerca dos judeus em Angola, e os projectos de emigração israelita para
este país não são evocados. Em resumo, um livro sem falsificações, sem
propaganda, em que a África do Norte e do Sul contemporâneas são bastante bem
documentadas, tal como a Etiópia.
GUINÉ-BISSAU
Comecemos por um guia turístico espanhol (onde estão os guias em português?).
Consagrar 207 páginas a este país que, tudo leva a crer, não acolhe mais do que
algumas centenas de visitantes hispanófonos por ano, testemunha uma intensão
louvável de um editor e de um autor; sabemos que os traficantes de droga
colombianos que aí prosperam apenas lêem banda desenhada e relatórios de
contas, e que não vieram para fazer campismo nem mergulho. O autor, José Luis
Aznar Ferrández9, já publicara um guia sobre Moçambique muito minucioso. Para a
Guiné diríamos que não teve o mesmo cuidado com a bibliografia, insuficiente,
nem com a releitura das partes históricas. Por exemplo: na página 29 diz-nos
que Luís Cabral nasceu em Bissau em 1931 e na página 47 ficamos a saber que viu
a luz do dia em Bafatá, em 1929! Adiante, já que o homem não era muito
interessante nem muito útil a este país. Pelo contrário, onde o autor é
insubstituível e ainda sem rival no mercado actual dos guias é nas descrições
minuciosas dos principais locais a merecerem visita. É particularmente bom para
as pequenas localidades interiores e nas fronteiras do Senegal e da Guiné-
Conacri. E a descrição das aldeias que surgem nos relatos dos antigos
combatentes portugueses como lugares abandonados por Deus, mas não pelo deus
Marte, que os bombardeava, convida-nos a recomendar este livro como bíblia para
todos os que fazem e farão a peregrinação memorial onde perderam a juventude.
De uma maneira geral, o autor não poupa elogios aos guineenses: hospitaleiros,
xenófilos, «nobres e bem-intencionados». Perguntamo-nos então porque é que o
país não parou de se afundar em golpes de Estado e na guerra civil desde a
independência. Acrescentemos que depois da leitura das páginas consagradas aos
Bijagós (pp. 136-157), ilha a ilha, se o público de viagens aventurosas escapar
aos encantamentos é porque não lê espanhol.
E visto que os Bijagós são homenageados em Barcelona, porque não em França,
onde um magnífico álbum de um ecologista profissional lhes dedica um capítulo
abundantemente ilustrado por um ou dois fotógrafos inspirados (Jean-François
Hellio e Nicolas van Hingen)? Mami Wata10 não se ocupa do alojamento dos
turistas. De facto, o autor preferia mantê-los à distância a partir do momento
em que se tornavam invasores. Ocupa-se das zonas costeiras e marinhas oeste-
africanas e das populações que aí vivem, na Mauritânia, no Senegal e na Guiné-
Bissau. É um naturalista fascinado por este conservatório de tradições
insulares. Só indirectamente se ocupa da história, mas a vida económica do
arquipélago (arroz, óleo de palma, bivalves e pesca) e os animais que o habitam
(os hipopótamos marinhos, os lamantins, etc.) preocupam-no. Deseja preservá-los
dos efeitos desastrosos da pesca industrial que ameaça o equilíbrio muito
frágil destas ilhas que não quiseram conhecer o horror da guerra, o que não
lhes terá trazido muitas amizades no seio do PAIGC durante e depois do último
conflito colonial. Esperemos que a criação da Reserva da Biosfera do
Arquipélago Bolama-Bijagós (designação oficial) não chegue demasiado tarde. Sem
ela, será «Barça ou Barsack», ou seja, como se diz no Senegal e noutros
lugares, «Barcelona ou a morte» para os migrantes que persistem.
Os dois títulos precedentes podem ser lidos por qualquer pessoa, sem preparação
prévia. António E. Duarte Silva11 dirige-se a um público diferente. É
preferível ser-se jurista ou politólogo, ou mesmo um historiador do período de
1950-2010 na Guiné, para seguir este autor indubitavelmente muito informado
sobre a evolução de um país que conhece bem. Uma parte do livro foi já
publicada em revistas especializadas e ultrapassa as nossas competências. Por
outro lado, a partir da página 179, o estudo das primeiras organizações proto-
nacionalistas (por volta de 1947) é notavelmente rico e novo. Faz-nos uma
descrição clara, que interrompe a nebulosa de versões antagonistas, do massacre
de 3 de Agosto de 1959, dito de Pindjiguiti. Parece provado, segundo o autor,
que o administrador cabo-verdiano, dirigente do partido único local, a União
Nacional, ultra-salazarista, tornado gerente da Casa Gouveia em Bissau, é
directamente responsável, dada a sua intransigência, pelo que se iria tornar o
acontecimento fundador do nacionalismo guineense. Enquanto historiador, este
administrador redimiu-se mais tarde com a publicação de vários estudos que
denunciavam a inanidade da propaganda do Estado Novo; a sua especialidade
tornou-se o tráfico negreiro e a resistência anticolonial à implantação
portuguesa. Chamava-se António Carreira e terá sido um dos mais fecundos
primeiros historiadores cabo-verdianos. Os panteões dos grandes homens locais
doravante divergem conforme as origens: pode-se ser um «negreiro», agente do
subcolonialismo ou apenas originário do que foi, durante séculos, o terreno de
caça destes auxiliares da administração portuguesa no continente. Como é que
Amílcar Cabral poderia prever serenamente o futuro de um binómio Cabo Verde-
Guiné em que os pastores iriam continuar a comer o seu rebanho continental? A
explosão era inevitável, devido ao capital de rancores acumulado.
O texto do livro não dá uma visão linear da evolução histórica; concentra-se em
alguns pontos, como o golpe de Estado de Novembro de 1980, as constituições de
1984, 1993, a etnicidade, o carrocel político depois do conflito de 1998-1999,
etc. Tem boas biografias destas hierarquias transitórias, e a bibliografia é
indispensável.
A contaminação do verbalismo do seu herói terá empurrado um antigo embaixador
da França em Conacri a consagrar a uma personagem tão sinistra como Ahmed Sékou
Touré (Presidente dessa Guiné de 1958 a 1984) uma tese de doutoramento
«amazónica», que vai no tomo VI(1970-1976), por si só com mais de 300 páginas?
O período aqui coberto por André Lewin12 engloba o capítulo 65. Em princípio
deveria interessar-nos, pois refere-se unicamente ao desembarque dos
portugueses (22 de Novembro de 1970) em Conacri, o episódio mais extraordinário
da guerra colonial, não apenas na Guiné mas em todo o Ultramar. O autor não
utilizou uma só das fontes publicadas em português. Vê tudo, portanto, sob o
duplo ângulo das Nações Unidas e da diplomacia, e das autoridades de Conacri.
Apenas com uma excepção, quando cita in extenso um extracto de um livro de
Pierre Clostermann (L'Histoire vécue, un demi-siècle de secrets d'Etat,
Flammarion, 1998), reforçado por uma conversa telefónica com este alto
dignitário gaullista. Fica-se a saber que Clostermann obtém do Deus ex machina
dos serviços secretos da França na África à época, o temível Foccart,
fotografias aéreas muito precisas de Conacri e um mapa hidrográfico actualizado
dos acessos à costa, ao longo da cidade. Para quê? Para libertar o filho de uma
família de pescadores amigos, de Sesimbra, ferido e prisioneiro do PAIGC, em
Conacri! Familiar do ministro da Defesa português, Clostermann, seu benfeitor,
traz estes documentos preciosos a Spínola. André Lewin corrige a versão de
Clostermann, demasiado optimista nas conclusões sobre a operação, considerada
por certos autores portugueses como, no mínimo, um semifracasso. Assim, para
erguer um pouco do véu sobre este assunto, o livro de Lewin deve ser utilizado.
O soldado prisioneiro foi libertado e equipado com uma prótese moderna, o que
demonstra que Aldo Ajello tem razão: nas relações internacionais nada vale
tanto como o contacto directo, mesmo em Sesimbra. E sobretudo a cunha!
O capítulo 70 do mesmo tomo VI resume o que o autor sabe do assassinato de
Amílcar Cabral sem descartar a hipótese de uma implicação directa de Sékou
Touré. Não menciona o inquérito aprofundado e matizado de José Pedro
Castanheira traduzido em francês e publicado pelo seu próprio editor
(L'Harmattan) antes da defesa da tese de Lewin, em 2008.
GUINÉ EQUATORIAL
Um breve olhar sobre a terceira Guiné, que continua a arrastar uma matilha de
censores que ladram de longe, por não conseguirem morder a ditadura nas suas
obras vivas. Esta actuação tornou-se uma ocupação a tempo inteiro para certas
pessoas. O professor militante Agustín Velloso reproduz numa recolha várias
dezenas de artigos vitriólicos que repetem aquilo que já lemos muitas vezes.
Reflectem a hostilidade ' justificada ' de uma parte importante da opinião
pública espanhola, motivada mas impotente perante o desvio cínico das riquezas
do país e o apoio internacional ao regime depois de se ter tornado rico. O
título diz tudo13. Mais trabalhado e original, o texto que se segue é na mesma
veia, mas contém um capítulo que mereceria figurar numa antologia da exploração
da vaidade e da parvoíce por parte dos escroques especialistas em utilizar a
internet em seu benefício. Ainda ninguém tinha conseguido outorgar os títulos
fantasistas de doutor honoris causa em Ciências e Direito e de professor de
Relações Internacionais a um ditador por uma universidade fantasma totalmente
inventada e, ao mesmo tempo, fazer-se nomear cônsul honorário da Guiné
Equatorial e «filho emérito» de Obiang Nguema. Ninguém rivaliza com a
imaginação de um italiano subtil quando se trata de inventar uma ou várias
personagens de carnaval. Há muito tempo que o ridículo não mata, quando se é
milionário. Para este capítulo recomendamos a leitura de Guinea Ecuatorial,
rica, pero miserable14.
ANGOLA
Não podemos pedir constantemente aos professores de Línguas e Literaturas que
se interessem por assuntos diferentes daqueles que ensinam e, de facto, a sua
indiferença pela história, pela ciência política, pela sociologia e pela
antropologia é patente em vários países e em qualquer idioma sob o qual vivam.
Constatamo-lo nas bibliotecas das suas instituições. Mas há excepções, quando
alguns se dão conta da estreiteza e, por vezes, da superficialidade da sua
disciplina. Um exemplo desta tomada de consciência? Remembering Angola15 é
essencialmente uma colectânea de textos consagrados a autores de ficção ou
poetas angolanos mas conta também com artigos sobre o nacionalista António de
Assis Júnior, as elites crioulas e o proto-nacionalismo (1880-1910), os
degredados europeus (1880-1930), a memória das guerras coloniais (1961-1974), o
cinema e a cozinha angolana, etc.
De Cabinda ao Namibe16 é totalmente diferente. É constituído por vinhetas
anedóticas e nostálgicas compiladas por um inspector do ensino, arqueólogo
amador que percorreu o país a partir de 1965. Reproduz muitos clichés coloniais
mas é útil para avaliar ' mais uma vez ' o peso da burocracia portuguesa e para
abordar algumas realidades do mato até 1969. Notamos que o autor se interessa
muito pelo Sul de Angola, onde conduz uma expedição para encontrar um navio
naufragado no século XVIII. Encontra-se com os guardas do farol de Ponta Albina
para onde foi deportado o inconstante profeta Simão Toco. As intrigas habituais
entre funcionários relatadas no texto não dão uma imagem positiva da sociedade
portuguesa. Como pontos a favor temos a descrição do interior do Sul de Angola,
e as numerosas perspectivas sobre o país no fim da colonização, na maioria das
zonas não afectadas pela guerrilha.
E já que chegámos ao Sul, assinalemos dois romances que o tomam como cenário,
visto pelas lunetas dos africaners e particularmente dos boeres de Angola, com
um contributo militar e económico que os historiadores costumam ignorar. Quanto
aos professores de línguas, é como se falassem da Mongólia! Entre os autores
mais prolixos que exploram o filão sul-angolano desde a Namíbia (onde ainda
vivem fortes comunidades africânderes cujos pais ou avós viveram a norte da
fronteira) e a África do Sul, o romancista Doc Immelman é o mais conhecido. Não
consegue afastar-se de Angola e os seus livros são ainda reeditados. Vyf waens
na San Pedro (sic)17 é um romance histórico que se passa em 1896, ao início no
Sudoeste Africano (Ovamboland, Cuanhama) e depois no Sul de Angola. Durante ou
depois de um trek? A história é bastante fantasista; não existe nenhum forte
San Pedro (porque é que o terá grafado à espanhola?) nem general português
histórico, mas torna-o mais convincente para o leitor local que não saberia
como pronunciar o São do título. O editor republica igualmente
Die bul van Kashimbo
18, em que coloca em cena um guia de caça português e vários africânderes do
Sudoeste Africano, em busca da filha de um deles, raptada em Angola.
Este romance ocupa-se, para além do Sul de Angola, do Centro do país (Caconda).
Mistura a caça a um elefante solitário com os tempos conturbados da Guerra
Colonial (incluindo um papel para os oficiais portugueses por volta de 1970).
Saltemos de língua, de lugares e de tempo com Laura Fantozzi19, que nos oferece
o seu diário de 2004 a 2006. É uma humanitária sediada no Uíge desde Maio de
2006; antes viveu no Lubango e um pouco por todo o Sul. Trabalha num programa
de luta contra a cólera destinado aos enfermeiros e escolas do Uíge, que ainda
não recuperou da guerra civil. Descreve a vida quotidiana e profissional de uma
ONG, a vida (insuportável) em Luanda mas também em Maquela do Zombo (em
Novembro de 2005), a partir do hospital. O texto é útil para conhecer a
situação sanitária no Congo angolano, depois da chegada dos refugiados que
entram pelo Norte. Insiste na vida das mulheres e das crianças da rua, o que já
se tornou clássico para Angola.
Os testemunhos de cooperantes ou de expatriados estrangeiros começam a ser
numerosos, mas não em português, onde o sector angolanista é ainda monopolizado
por alguns raros estudos e as inevitáveis memórias de antigos combatentes, com
uma posição privilegiada. Afonso Loureiro e o seu Aerograma20 são uma excepção.
O autor chega a Luanda em Junho de 2008 e transcreve os posts do blogue que
enviava para descrever as suas impressões. Muitas vezes os posts desembocam em
reflexões profundas. Não são as descobertas de um viajante ocasional. Temos
direito às descrições dos arredores da capital (Muxima) e a várias cidades e
vilas de província, Ganda (ex-Mariano Machado, na província de Benguela),
Lobito, Sumbe, Huambo (a meio da reconstrução), Dondo (onde é o único branco),
Massangano, Cela, Quibala, N'Dalatando, Gabela, etc.
Os comentários do autor são demolidores e pertinentes: «Há uma geração de
angolanos que cresceu escondida ou que esteve no exército e nunca trabalhou»
(p. 63). Sozinhas, as mulheres pobres não adquiriram o hábito do ócio. O fosso
entre as gerações cresceu: os cemitérios já não são tratados, nem as estradas
locais. Mas onde se torna importante e mesmo pioneiro é quando analisa a
sociedade luandense dominante, com o fascínio pela ostentação, o frenesim de
parecer novo-rico, tolerante para com a pequena corrupção (a polícia, a
administração em contacto com o público), já que ela mesma deve o estatuto à
grande corrupção de que beneficia. Sublinha a falta de confiança dos angolanos
nas suas capacidades, as reacções ambivalentes em relação aos estrangeiros (em
especial aos portugueses), o ultranacionalismo (herança colonial?) e muitos
outros assuntos que, na nossa opinião, não são monopólio dos angolanos mas
muitas vezes são retomados na África Negra e na diáspora. Recomendamos as
páginas sobre as eleições, sobre a polícia de controlo de estrangeiros (a dupla
herança maléfica e kafkiana da PIDE e do marxismo-leninismo), sobre o fiasco da
TAN (Taça Africana das Nações), sobre a atitude em relação aos chineses, a
história colonial e a ensinada pelo MPLA, numa palavra, sobre os pequenos temas
que, todos juntos, constituem uma tapeçaria plena de matizes. Este livro
mereceria ser conhecido e servir de fonte maior para compreender uma sociedade
convalescente que, mais cedo ou mais tarde, ultrapassará os traumas e os
complexos.
Na mesma categoria do livro precedente, Diario de un Africano: Angola21 é
redigido por um espanhol (?), consultor intermitente, e não residente
permanente (de Dezembro de 2004 a Março de 2007), provavelmente por conta de
uma sociedade petroleira. Também ele recuperou os posts do seu blogue e as
mensagens que transmitem as impressões pessoais. Achou por bem incluir
capítulos cosméticos ou inúteis, para já não dizer delirantes, sobre a história
africana ou sobre a intervenção cubana em Angola. Visa sobretudo o pitoresco ou
o sensacional, sem espírito crítico (p. 217). Apenas pode, por necessidade,
frequentar a classe luandense próxima dos estrangeiros, mas vai também a
Cabinda, cujos habitantes prefere em relação aos da capital. No conjunto, tem
um juízo mais simpático sobre aqueles com quem deve conviver, mas nota-lhes a
falta de seriedade, a mentalidade «do desenrascanço», a preguiça, a vaidade
(pp. 260-263). O problema destes testemunhos estrangeiros ' como os dos
diplomatas nas suas memórias ou os dos turistas que apenas conhecem os táxis e
os hotéis dos países que visitam ' é referirem-se a micro-sociedades
superficiais e não representativas de um largo espectro da população. Na
qualidade de historiador de Angola sei que podemos encontrar angolanos sérios,
trabalhadores, modestos e conscientes dos males do seu país. O problema é
aqueles que deveriam representá-los e dirigi-los não beneficiarem de uma
autoridade moral e de uma eficácia incontestáveis. Os grandes homens são raros
em todos os países, e muito em particular na África, onde as médias são muito
baixas.
Como mergulho nas realidades problemáticas ' sórdidas ' e complexas dos
múltiplos estratos da Angola do século XXI, recomendamos a história que nos
conta um banqueiro. Não é todos os dias que estes homens pegam numa pena com
ambições literárias ' e não se trata de um empregado subalterno; a badana do
livro diz-nos que foi governador do Banco Nacional de Angola e membro do
Governo em Luanda. Será um membro eminente do Partido? Pela foto pensamos que
se trata de um branco de Angola com provas de fidelidade ao MPLA. Ora, o que
vemos aparecer no romance Kimalanga22? Uma crítica feroz mas humorística, por
vezes mesmo hilariante, àquilo que se tornou a degenerescência de um movimento
marxista, puro e duro. É agora uma máquina de alimentação dos seus quadros
superiores, numa sociedade desigual que tudo sacrificou a um capitalismo de
corrupção desenfreada e de arrogância egoísta. Os velhos militantes brancos e
mestiços utopistas dos anos 1950-1970 foram substituídos por arrivistas negros
(e mais em especial mbundu), que apenas pensam em enriquecer. Essa é a
conclusão dos leitores pessimistas e moralizadores. Os optimistas verão que,
apesar de tudo, o herói, Kimalanga (a hiena, em quimbundo) finalmente é
condenado por ter traficado com os chefes de uma rede sul-africana dirigida por
boeres (droga, diamantes, armas e prostitutas) e depois ter perdido a sua
potência sexual (uma esposa, cinco amantes em simultâneo, e algumas
adolescentes recém-púberes). Não é a primeira ficção angolana que mostra a
ascensão e a queda de um dos seus quadros médios ou superiores que não
estiveram no mato dos Dembos nem do Leste mas que encontraram uma vocação
nacionalista instantânea em 1975 e que, na ausência de ambições mais nobres e
íntegras, compreenderam que o exemplo vinha de cima e que por isso mais valia
ser predador do sistema, mas rico, do que um dos últimos leitores de Lenine ou
de Mao, mas pobre.
Assim, este romance apresenta quatro originalidades: i) o percurso profissional
do seu autor; ii) a intimidade com a sociedade crioula negro-africana nascida
em Luanda nos musseques coloniais; iii) o profundo conhecimento dos pensamentos
e modos de vida das elites negras de substituição, que tomaram o lugar dos
brancos, mas que conservaram as crenças animistas ancestrais apesar de se
declararem cristãos ou ateus; iv) a simpatia divertida (rimo-nos muito das
desgraças que acontecem a Kimalanga) que sente o grande banqueiro (ex-
marxista?) por esta nova burguesia que conhece de muito perto, pois deve ter
sido informado das suas operações financeiras legais (e nem tanto: evasão de
capitais). Aprende-se muito a navegar nesta marmita onde não penetram os
expatriados, as ONG e os missionários. Um documento sociológico muito bom para
o grande público, totalmente desaconselhado aos ideólogos e aos que apenas
gostam da douradura das publi-reportagens que se crê necessário subvencionar
para fazer esquecer más reputações. Que homem político, com efeito, gostaria de
pagar para ler «se a incompetência fosse flor, Angola em certos sectores seria
um jardim?» (p. 87) Que jardim? Não seria, em vez disso, o cemitério das
ilusões perdidas? Este livro será difícil de traduzir mas merece duas ou três
traduções.
Em matéria de relações públicas podemos interrogar-nos sobre a necessidade de
organizar um raide automóvel anual num país destruído, saído de uma guerra
civil, mas admitamos que é uma maneira diferente de mostrar que o país entrou
em convalescença e que retoma uma antiga tradição dos anos 1960-1970. Do Kunene
a Cabinda23 trata superficialmente ou não do Caxito, Muxima, Ambriz, Soyo,
Cabinda, Mbanza Congo, Negage, Quitexe (de silêncios bem curiosos), Ambaca,
Malanje, Calulo (com dados novos acerca da revolta de 1916-1917), o Baixo-
Cuanza e o Cuanza-Sul. Anedotas e por vezes microestudos de história local. As
fotos são úteis. Na mesma série, no ano seguinte, Rumo às Terras Que Brilham:
Lundas24, começa por reunir textos introdutórios à história ou à etnologia.
Visitamos então o passado e/ou o presente de Golungo Alto (com elementos acerca
do cónego Manuel das Neves e a preparação das tentativas de sublevação de 4 e
10 de Fevereiro de 1961 em Luanda, sob a égide da UPA e não de outros
movimentos). A propósito de Malanje, é apresentada a revolta da Baixa de
Cassange, bem como a guerra civil na cidade. Para a Lunda são realçados o Museu
do Dondo e o sector diamantífero, para o Bié Silva Porto e a exploração
empírica, ou seja, ao mesmo tempo, o comércio de longo curso. Os organizadores
do raide declaram que a rede hoteleira conseguiu milagres em poucos anos. Fazem
bem, e como o Banco Keve patrocina estas luxuosas publicações, porquê
negligenciar ou negar este aspecto positivo da reconstrução de um país que sai
do abismo onde os seus políticos o tinham imerso desde 1974-1975? Com mais
sentido cívico e menos inconsciência, Angola tudo tinha para rivalizar no
desenvolvimento com, senão a África do Sul, pelo menos a Namíbia (mas em mais
rico).
E por agora detemo-nos aqui.
Tradução: Marta Amaral
NOTAS
1
DÁVILA, Jerry ' Hotel Trópico. Brazil and the Challenge of African
Decolonization, 1950-1980. Durham e Londres: Duke University Press, 2010, xi-
312 pp., fotos a preto e branco.
2
AJELLO, Aldo ' Brasiers d'Afrique. Mémoires d'un émissaire pour la paix.
Paris: L'Harmattan, 2010, 213 pp.
3
JERÓNIMO, Miguel Bandeira ' Livros Brancos, Almas Negras, A «Missão
Civilizadora» do Colonialismo Português, c. 1870-1930. Lisboa: Imprensa de
Ciências Sociais, 2010, 304 pp.
4
BURROUGHS, Robert M. ' Travel Writing and Atrocities. Eyewitness Accounts of
Colonialism in the Congo, Angola, and the Putumayo. Abingdon: Routledge, 2011,
xiv-215 pp., fotos a preto e branco.
5
OSPINA, Hernando Calvo ' L'Equipe de choc de la CIA. Cuba, Viêtnam, Angola,
Chili, Nicaragua..., Pantin: Le Temps des cerises, 2009, 192 pp., fotos a preto
e branco.
6
GEWALD, Jan-Bart, LUNING, Sabine, e WALRAVEN, Klaas van (eds.) ' The Speed of
Change. Motor Vehicles and People in Africa, 1890-2000. Leiden-Boston: Brill,
2009, xii-298 pp., fotos a preto e branco.
7
HAVIK, Philip J., SARAIVA, Clara, e TAVIM, José Alberto (coord.) ' Caminhos
Cruzados em História e Antropologia. Ensaios de Homenagem a Jill Dias. Lisboa:
Imprensa de Ciências Sociais, 2010, 365 pp., fotos a preto e branco.
8
HULL, Richard ' Jews and Judaism in African History. Princeton: Markus Wiener
Publishers, 2009, XXI-282 pp., fotos a preto e branco.
9
FERRÁNDEZ, José Luis Aznar ' Rumbo a Guinea-Bissau. Barcelona: Laertes, 2010,
207 pp., com várias páginas de fotografias a cores.
10
CAMPREDON, Pierre ' Mami Wata, mère des eaux. Nature et communautés du
littoral ouest-africain. Le Méjan: Actes Sud, 2010, 224 pp., com muitas
fotografias a cores.
11
SILVA, António E. Duarte ' Invenção e Construção da Guiné-Bissau
(Administração Colonial/Nacionalismo/Constitucionalismo). Coimbra: Edições
Almedina, 2010, 310 p.
12
LEWIN, André ' Ahmed Sékou Touré (1922-1984). Président de la Guinée. Tome 6
(1970-1976). Paris: L'Harmattan, 2009, 309 pp.
13
VELLOSO, Agustín ' Ya no queda nada que robar. Crónicas de Guinea Ecuatorial.
2.ª edição. Getafe: La Caída, 2009, 220 pp.
14
BOKÓ, Djongele Bokoko, e LINIGER-GOUMAZ, Max ' Guinea Ecuatorial, rica, pero
miserable. La Chaux: Les Editions du Temps, 2010, 166 pp., fotografias a preto
e branco e a cores.
15
AA.VV. ' Remembering Angola. Portuguese Literary & Cultural Studies, nº
15-16. Dartmouth: University of Massachusetts, 2010, 290 pp., fotografias a
preto e branco.
16
RODRIGUES, Adriano Vasco ' De Cabinda ao Namibe, Memórias de Angola. Coimbra:
Palimage, 2010, 401 pp., numerosas fotos a preto e branco.
17
IMMELMAN, Doc' Vyf waens na San Pedro. Pretoria: Protea Boekhuis, 2008, 156
p.
18
IMMELMAN, Doc ' Die bul van Kashimbo. Pretoria: Protea Boekhuis, 2007, 167
pp.
19
FANTOZZI, Laura ' A sud di casa. L'Africa delle donne. Milão: Terre di mezzo
Editore, 2009, 171 pp.
20
LOUREIRO, Afonso ' Aerograma. Dois Anos em Angola. Edição de autor. Queluz,
2010, 521 pp., fotografias a preto e branco.
21
JIMÉNEZ, Javier Muñoz ' Diário de un Africano: Angola. Madrid: Editorial P.
Maraven, 2010, 327 pp.
22
BAIÃO, F. ' Kimalanga. Lisboa: Prefácio, 2009, 117 pp.
23
AA.VV. ' Do Kunene a Cabinda. História e Estórias de Angola. Lisboa: Pangeia
Editora, 2009, 224 pp., fotografias a preto e branco e a cores.
24
AA.VV. ' Rumo às Terras Que Brilham: Lundas. Lisboa: Pangeia Editora, 2010,
184 pp., numerosas fotografias a preto e branco e a cores.
Rua Dona Estefânia, 195, 5 D
1000-155 Lisboa
Portugal
ipri@ipri.pt