Educação do aluno sobredotado no Brasil e em Portugal: uma análise comparativa
Introdução
No cenário mundial actual de instabilidades, incertezas e conflitos de toda
ordem, os recursos humanos são, inquestionavelmente, o bem mais precioso que
uma nação pode ter em apoio ao seu desenvolvimento (Sternberg & Davidson,
1986).
Neste sentido, é imperativo favorecer a identificação e o desenvolvimento de
talentos nas diferentes áreas da aprendizagem e da realização humana.
Infelizmente, sobretudo em países menos desenvolvidos, é escasso o investimento
na área da sobredotação e dos talentos. Umas vezes por falta de informação,
outras vezes por tabus instituídos e preconceitos associados, o tema da
sobredotação não é devidamente considerado na análise das diferenças
individuais e das necessidades educativas específicas. Neste artigo,
aproveitando a proximidade linguística e o intercâmbio académico entre Brasil e
Portugal na área, apresentamos uma síntese evolutiva, seguida de uma análise
comparativa, da educação do aluno sobredotado, ou com características de
sobredotação, nos dois países.
Para a realização desta análise comparativa elencamos previamente os seguintes
tópicos: (i) história do tema; (ii) legislação educativa centrada na
sobredotação; (iii) programas e serviços de atendimento ao aluno sobredotado;
(iv) formação de professores e de outros profissionais na área; e (v) produção
científica neste domínio. Por último, concluímos o artigo delineando, para os
dois países, uma agenda de acções futuras de forma a impulsionar uma maior
atenção por parte da sociedade e do sistema educativo ao fenómeno da
sobredotação.
Sobredotação: Aspectos Históricos
Segundo Delou (2007), o primeiro registo da necessidade ou importância do
atendimento a alunos sobredotados no Brasil data do ano de 1929, quando a
Reforma do Ensino Primário, Profissional e Normal do Estado do Rio de Janeiro
previu o atendimento educacional dos supernormaes. Neste mesmo ano, chegou ao
Brasil a educadora russa Helena Antipoff, vindo a realizar várias pesquisas e
publicações sobre crianças sobredotadas, como Primeiros casos de supernormaes,
em 1938, Campanha da Pestalozzi em prol do bem dotado, em 1942 e A criança
bemdotada, em 1946. Ainda nos anos 30 do século passado, autores como Leoni
Kaseff, Sílvio Rabello e Ulisses Pernambucano apontaram a necessidade de
atenção ao sobredotado e a inadequação da escola regular no atendimento às suas
necessidades especiais. Em 1945, Helena Antipoff deu início ao atendimento a
alunos sobredotados no Instituto Pestalozzi do Brasil, no Rio de Janeiro,
incluindo actividades nos campos da literatura, teatro e música.
Posteriormente, o Ministério de Educação e Cultura instituiu, em 1967, uma
comissão para estabelecer critérios de identificação e atendimento a estes
alunos que, então, eram chamados de sobredotados. Em 1971, a Lei 5.692, fixando
as directrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus (Ministério da Educação,
1971), estipula, no artigo 9º, a necessidade de atendimento especial, não
apenas aos alunos com deficiências físicas e mentais, mas também ao aluno
sobredotado. No mesmo ano, foi criado o Projecto Prioritário n.º 35, que
estabeleceu a educação de sobredotados como área primeira da Educação Especial
no Brasil, incluindo-a no Plano Sectorial de Educação e Cultura, previsto para
o período de 1972 a 1974. Foi também em 1971 que ocorreu o 1º Seminário
Nacional sobre o Sobredotado, em Brasília, alertando para a necessidade de um
diagnóstico precoce deste aluno, a organização de programas especiais para tais
alunos e a preparação de profissionais especializados para o seu atendimento.
Nesse mesmo ano, veio ao Brasil uma equipe de especialistas norte-americanos
que actuou como consultora no Ministério da Educação e foi responsável pela
introdução da definição de sobredotado, idêntica à apresentada no relatório
Marland (1972) nos Estados Unidos, sugerindo seis áreas gerais de habilidades
(capacidade intelectual, aptidão académica específica, pensamento criador ou
produtivo, capacidade de liderança, talento especial para artes visuais, artes
dramáticas e música, e capacidade psicomotora) (Alencar, 1986). Em 1973 foi
fundado o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP), que passou a dar um
apoio maior às iniciativas de educação de alunos sobredotados no Brasil e
patrocinou vários seminários sobre o tema.
De acrescentar que, a partir de 1971, as organizações não-governamentais
passaram a desempenhar um papel importante no atendimento aos alunos
sobredotados. Em 1978, por exemplo, foi criada a Associação Brasileira para
Sobredotados (ABSD) e vários programas surgiram em diferentes Estados ao longo
dessa década. Um deles, em Minas Gerais, em 1972, quando Helena Antipoff deu
início a um programa de atendimento ao aluno bem-dotado do meio rural e da
periferia urbana; outro, em São Paulo, denominado Projeto Objetivo de Incentivo
ao Talento (POIT) pelo Centro Educacional Objetivo; outro, em Brasília, por
iniciativa da Secretaria de Estado de Educação do Governo do Distrito Federal
cobrindo a rede oficial de ensino; outro, na Bahia, onde por iniciativa da
Fundação José Carvalho se estabeleceu um Colégio Técnico com atendimento a
alunos sobredotados provenientes de famílias de baixa renda; também em 1979
teve início o Programa Especial de Treinamento (PET) para estudantes
universitários que se destacam por seu desempenho académico, motivação para
estudo e habilidades intelectuais superiores (Alencar, Fleith & Arancibia,
2009). No início dos anos 80, foi fundada a Associação Gaúcha de Apoio às Altas
Habilidades/Sobredotação (AGAaHSD).
Em 1995, a Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação publicou
novo documento apresentando as directrizes para a educação do aluno sobredotado
e talentoso. Nesse documento foi proposto o termo "altas habilidades"
que passou também a ser utilizado para se referir ao aluno sobredotado
(Ministério da Educação, 1995). Para reforçar a necessidade de se implementar
políticas educacionais na área ao nível dos vários Estados da Federação, essa
Secretaria organizou um Seminário em 1996 com a presença de representantes das
Secretarias de Educação de 26 Estados Brasileiros. Durante esse evento, foram
apresentadas as directrizes para a implementação de programas para os alunos
sobredotados, bem como discutidos diferentes modelos de atendimento e distintas
questões relacionadas à sobredotação/altas habilidades. Foi também na década de
90, que ocorreu, em Brasília, o III Congresso Ibero-Americano sobre
Sobredotação, com a presença de vários convidados internacionais, ocasião em
que foram divulgados os programas para sobredotados em aplicação nos diferentes
Estados do País. Nos últimos anos, novos avanços ocorreram na área. Em 2003,
foi fundado o Conselho Brasileiro para Sobredotação (CONBRASD), e em 2005 a
Associação Paulista para Altas Habilidades/Sobredotação (APAHSD). Inúmeros
textos, em especial livros, artigos de periódicos, dissertações e teses, vieram
a público e novos programas de atendimento surgiram tanto para o aluno
sobredotado como para a sua família, por exemplo o promovido pela Assessoria
Cultural e Educacional no Resgate a Talentos Acadêmicos (ACERTA), instituição
sediada no Rio de Janeiro, e o do Instituto para Otimização da Aprendizagem
(INODAP) em Curitiba, Paraná.
Acresce, ainda, novas disposições legislativas recentes. Por exemplo, o Decreto
6.571 de Setembro de 2008 dispõe sobre o atendimento educacional especializado
(Ministério da Educação, 2008). Também em 2005, por iniciativa do Ministério da
Educação, foram criados os Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/
Sobredotação (NAAHS) em 27 Estados Brasileiros (Ministério da Educação, 2005),
incluindo vertentes de atendimento aos alunos, professores e família.
Em Portugal, o estudo e a intervenção na área de sobredotação são bastante
recentes. Na década de 80 do século passado alguns académicos apoiam a
Associação Portuguesa das Crianças Sobredotadas (APCS, 1986) no arranque de
alguns estudos e trabalhos na área. O grande objectivo foi sensibilizar a
sociedade, o governo, a escola e a família para a existência do fenómeno e para
a possibilidade de alunos com características de sobredotação não receberem o
apoio específico e necessário ao desenvolvimento das suas capacidades e
talentos. A realização da 1ª Conferência Portuguesa de Crianças Sobredotadas no
Porto, em Agosto de 1986, com especialistas estrangeiros, foi a melhor forma de
introduzir o tema e a sua relevância educativa. Aqui destacamos os
representantes dos Estados Unidos ligados ao World Council for Gifted and
Talented Children (WCGTC) e vários académicos do Brasil com que Portugal
manteve fortes ligações a partir de então. Esta Associação promoveu, de
seguida, a 2ª Conferencia Nacional sobre Crianças Sobredotadas, optando pelo
tema "A escolha do modelo de atendimento do sobredotado mais adequado para
Portugal". Esta reunião decorreu também na cidade do Porto, em Março de
1987, e contou com a presença do Presidente do WCGTC, Harry Passow. Várias
recomendações ao governo e ao sistema educativo foram difundidas na comunicação
social tomando os programas de intervenção em curso noutros países.
Na sequência destas Conferencias, em Novembro de 1987, realiza-se o primeiro
curso sobre " Educação de Sobredotados", orientado por Doroty Sisk e
Hilda Rosselli da Universidade da Florida do Sul, promovido pela APCS e
destinado a professores e outros profissionais vinculados à Associação. A par
das actas e outras publicações associadas às duas conferências realizadas, a
APCS edita uma brochura, em formato de livro, intitulada "Deixem-me
passar: Orientações para pais e professores de crianças sobredotadas", que
teve bastante difusão na comunidade educativa.
No final dessa década foi criado, em Lisboa, o Centro Português para a
Criatividade, Inovação e Liderança (CPCIL, 1989), com actuação significativa na
formação de professores, consultoria junto do Ministério da Educação e apoio às
famílias e escolas. Mais tarde, em Maio de 1995, surgiu a Associação Portuguesa
para o Estudo da Problemática da Inteligência, Criatividade e Talento
(APEPICTa), tendo por objectivo desenvolver o estudo e a realização de acções
de sensibilização, formação e investigação dos problemas inerentes ao estudo do
trinómio inteligência, talento e criatividade. Esta Associação com ligações ao
Centro "Huerta Del Rey" em Espanha, teve a seu cargo a organização do
II Congresso da Federação Ibero-Americana do Word Concil for Gifted and
Talented Children, na cidade da Maia em Outubro de 1996, sobre a problemática
sócio-educativa dos alunos sobredotados. Em 1998, foi criada a Associação
Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação (ANEIS, 1998). Vários
seminários e colóquios, envolvendo principalmente académicos portugueses,
brasileiros e europeus, têm sido anualmente organizados com o objectivo de
discutir o conceito, a avaliação e o atendimento dos alunos sobredotados ou,
ainda, para sensibilizar as famílias e a formação de profissionais. Das várias
iniciativas que decorreram nos anos subsequentes à criação da ANEIS destaca-se
o "First European Council for High Ability Research Seminar" do
European Council for High Ability em parceria com a Universidade do Minho em
2000, ou os seus congressos nacionais realizados anualmente em diferentes
regiões do País. Esta associação desenvolve igualmente o Programa de
Enriquecimento em Domínios da Aptidão, Interesse e Socialização (PEDAIS), que
se iniciou na cidade de Braga e se estendeu a outras Delegações noutras
capitais de Distrito. A ANEIS organiza um Campo de Férias " Estimulo ao
Talento e à Cooperação.." (ETC...) para adolescentes talentosos de todo o
País, com a duração de uma semana nas férias de verão e cuja 1ª edição teve
lugar em Julho de 2000.
Em termos da intervenção por parte do Ministério da Educação Português, uma
parceria com o CPCIL permitiu a realização de algumas actividades,
nomeadamente: (i) a realização em Lisboa da "Conferencia sobre
Sobredotação" de âmbito Europeu em 1987; (ii) a implementação do projecto
de Apoio ao Desenvolvimento Precoce (PADP) em escolas básicas da Grande Lisboa
entre 1996 e 1998; (iii) acções de formação para professores em todo o País; e
(iv) edição em 1998 de uma brochura da autoria de Jorge Senos e Teresa Diniz,
com tiragem de 15.000 exemplares, intitulada " Crianças e Jovens
Sobredotados: Intervenção Educativa", difundida pelas escolas públicas do
País (Miranda & Almeida, 2002). Em 1994, Portugal subscreve a Recomendação
n.º 1248 do Conselho da Europa, relativa à educação de crianças sobredotadas e,
mais recentemente, em 2006, a Unidade Portuguesa da Rede Eurydice do Ministério
da Educação participa num estudo europeu sobre "medidas educativas
específicas para promover todas as formas de sobredotação nas escolas da
Europa" e que viria a ser apresentada na reunião dos Ministros da Educação
sobre esta matéria aquando da presidência Austríaca do Conselho da União
Europeia (GEPE, ME, 2008).
Com relação à trajectória histórica da sobredotação, especialmente da educação
do aluno sobredotado nos dois países, nota-se que o interesse no Brasil data do
início do século XX ao passo que em Portugal ocorre, pelo menos, meio século
depois. Observa-se, ainda, que o início do desenvolvimento da área no Brasil
foi impulsionado, sobretudo, pelos organismos governamentais, enquanto em
Portugal o envolvimento do Ministério da Educação foi sempre muito tímido. A
maior projecção do tema da sobredotação nas duas últimas décadas, em Portugal,
decorre da actuação das associações, nomeadamente as suas iniciativas de
formação e de apoio directo aos alunos sobredotados e suas famílias.
Sobredotação: Legislação
De acordo com Delou (2007), as ideias e acções de Helena Antipoff tiveram
grande influência na educação dos alunos sobredotados no Brasil. A Lei de
Directrizes e Bases da Educação publicada em 1961 "dedicou os artigos 8º e
9º à educação dos ´excepcionais`, palavra cunhada por Helena Antipoff para se
referir tanto aos deficientes mentais como aos sobredotados e aos que tinham
problemas de conduta" (p. 28). Dez anos mais tarde, foi promulgada a Lei
5.692/1971 que determinava, explicitamente, "que os alunos sobredotados
deveriam receber tratamento especial, de acordo com as normas fixadas pelos
competentes Conselhos de Educação" (p. 29). Ainda na década de 70, foi
adoptada oficialmente no Brasil, a seguinte definição de sobredotação:
"São consideradas crianças sobredotadas e talentosas as que apresentam
notável desempenho e/ou elevada potencialidade em qualquer dos seguintes
aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual superior, aptidão
académica específica, pensamento criador ou produtivo, capacidade de liderança,
talento especial para artes visuais, artes dramáticas e música e capacidade
psicomotora" (p. 2).
Em 1994, esta definição foi ligeiramente modificada, incluindo-se o termoaltas
habilidades, substituindo-se crianças por educandos e retirando-setalentosas,
conforme documento A Política Nacional de Educação Especial. Esta definição,
transcrita a seguir, foi amplamente divulgada em publicação da Secretaria de
Educação Especial Subsídios para Organização e Funcionamento de Serviços de
Educação Especial-Área de Altas Habilidades (Ministério da Educação, 1995):
"Portadores de altas habilidades/sobredotados são os educandos que
apresentam notável desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos
seguintes aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual superior;
aptidão académica específica; pensamento criativo ou produtivo; capacidade de
liderança; talento especial para artes e capacidade psicomotora" (p. 17).
No contexto da discussão mundial sobre inclusão educacional, foi publicada, em
1996, a Lei de Directrizes e Bases da Educação Nacional 9.394 que, no seu
artigo 4º, explicita que é dever do Estado garantir atendimento educacional
especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais,
preferencialmente nas escolas regulares da rede pública de ensino. Ademais,
esta lei assegura a implementação de práticas de aceleração de estudos para o
aluno sobredotado permitindo "concluir em menor tempo os cursos realizados
no âmbito da Educação Básica e Superior".
Em 2001, a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação homologou
a Resolução n.º 2, que instituiu as Directrizes Nacionais da Educação Especial
para a Educação Básica e considerou alunos com altas habilidades/sobredotação
aqueles que apresentam "grande facilidade de aprendizagem que os leve a
dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes" (p. 37).
"Tal conceito traz a inovação de tirar o foco do aluno, passando-o para o
processo de aprendizagem deste indivíduo" (Delou, 2007, p. 37). A
Resolução n.º 02/2001, no seu artigo 8º, destaca a necessidade das escolas
preverem e proverem actividades que favoreçam o aprofundamento e o
enriquecimento curricular, mediante desafios suplementares nas classes comuns,
em sala de recursos ou em outros espaços definidos pelos sistemas de ensino,
inclusive para conclusão, em menor tempo, da série ou etapa escolar. Esta
resolução tratou, ainda, da questão da formação de professores e sua
capacitação para a educação especial. Recentemente, a Secretaria de Educação
Especial do Ministério da Educação brasileiro reviu a definição de sobredotação
ao elaborar a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação
Inclusiva, considerando que os "Alunos com altas habilidades/sobredotação
demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou
combinadas: intelectual, académica, liderança, psicomotricidade e artes, além
de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de
tarefas em áreas de seu interesse" (Ministério da Educação, 2008, p. 15).
Em Portugal é escassa a legislação na área do atendimento aos alunos
sobredotados. Para além de não se recorrer a este termo na legislação
disponível, a atenção a estes alunos decorre quase exclusivamente da
sensibilidade e iniciativa autónoma dos educadores, professores e técnicos. A
Legislação Portuguesa actual apenas contempla a aceleração ou o salto de ano, e
circunscrita ao Ensino Básico (os primeiros nove anos de escolaridade). Esta
medida educativa aparece designada por "casos especiais de
progressão" (Despacho Normativo 1 de 2005 de 5 de Janeiro) e destina-se a
"alunos que revelem capacidades excepcionais de aprendizagem, que
apresentem um adequado grau de maturidade e, o desenvolvimento das competências
previstas para o ciclo que frequentam". A legislação prevê ainda (Despacho
Normativo 50 de 2005 de 9 de Novembro) que se apliquem os "planos de
desenvolvimento" a alunos que manifestem capacidades excepcionais de
aprendizagem, podendo esses planos integrar as seguintes modalidades de apoio
(a) pedagogia diferenciada na sala de aula; (b) programas de tutoria para apoio
a estratégias de estudo e aconselhamento ao aluno; e, (c) actividades de
enriquecimento curricular em qualquer momento do ano lectivo ou início de um
novo ano escolar (Almeida & Oliveira, 2010; Miranda, Almeida, &
Almeida, 2010). De acrescentar que a Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.º
46/1986 com alterações introduzidas pela Lei 115/97, de 19 de Setembro, e pela
Lei 49/2005, de 30 de Agosto) previa a igualdade de oportunidades no acesso e
sucesso escolar para todos os alunos, o que era usado pelas associações para
defenderem uma atenção educativa individualizada também para os alunos
sobredotados. O recente Decreto-Lei 3/2008 que enquadra a Educação Especial
circunscreve-a "aos alunos com limitações significativas ao nível da
actividade e participação num ou vários domínios da sua vida, decorrentes de
alterações funcionais e estruturais de carácter permanente, resultando
dificuldades continuadas ao nível da comunicação, da aprendizagem, do
relacionamento interpessoal e da participação social" (Miranda, Almeida,
& Almeida, 2010, p. 42). Finalmente, por despacho do Secretário de Estado
da Educação de 16 de Maio de 2008, os pedidos de ingresso antecipado na escola
passam a ser dirigidos ao Director do Agrupamento de Escolas ou ao Director
Regional.
Uma outra realidade legislativa em Portugal ocorre na Região Autónoma da
Madeira. Usando a sua autonomia, a legislação explicita os apoios aos
"alunos sobredotados", tendo-se criado programas de formação de
professores e psicólogos na área da sobredotação, recorrendo a técnicos
portugueses e estrangeiros. Ao longo de duas décadas foram constituídas equipas
multidisciplinares servindo as escolas e as famílias destes alunos, foram
validados instrumentos nacionais e internacionais para a sinalização e o
diagnóstico destes alunos, e foram implementados e avaliados programas de
intervenção.
No que diz respeito à legislação acerca da educação do aluno sobredotado, ao se
comparar o cenário brasileiro e o português (excluindo-se aqui a Região
Autónoma da Madeira), observa-se que no Brasil a preocupação em assegurar
legalmente os direitos e o atendimento às necessidades destes alunos tem já
bastante tradição. Sem paralelo com Portugal, existe no Brasil um bom número de
leis, resoluções e documentos governamentais orientando a escola no atendimento
específico a estes alunos. Mesmo assim, o desconhecimento da legislação e das
práticas educacionais apropriadas ao aluno sobredotado enfraquecem o
cumprimento efectivo das leis e resoluções legislativas, como veremos no ponto
seguinte.
Sobredotação: Programas e serviços de atendimento
A maioria dos programas brasileiros para alunos sobredotados reporta-se a
programas de enriquecimento curricular, implementados tendencialmente duas
vezes na semana em horário suplementar às aulas regulares. De maneira geral, no
processo de identificação dos alunos sobredotados usam-se vários recursos
incluindo notas escolares, resultados em testes psicométricos, indicação de
professores e observação em sala de aula, por exemplo. Além das habilidades
cognitivas, avaliam-se também os níveis de motivação e de criatividade.
É importante destacar o esforço do Ministério da Educação na criação dos
Núcleos de Actividades de Altas Habilidades/Sobredotação (NAAHS) em 2005,
estimulando o envolvimento dos Estados Brasileiros na educação do sobredotado.
Apenas a título ilustrativo, um dos programas mais antigos é oferecido pela
Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, desde 1975, promovendo o
desenvolvimento social e ajuste escolar, abordagem de assuntos não contemplados
no currículo regular ou assuntos académicos avançados e desafiadores, para além
de actividades nas áreas artísticas. O Projeto de Orientação e Identificação de
Talentos (POIT) teve início em 1972, em São Paulo, implantado pelo Colégio
Objetivo. Cursos extracurriculares nas áreas de interesses e habilidades dos
alunos, ou sobre competências de relacionamento interpessoal, são oferecidos
aos participantes do projecto (Alencar, Fleith, & Arancibia, 2009). O
Centro para o Desenvolvimento do Potencial e do Talento (CEDET) fundado em
1993, em Minas Gerais, com apoio da Secretaria Municipal de Educação de Lavras,
oferece um programa de enriquecimento para alunos mais capazes, tendo em vista
o estímulo às suas habilidades e o seu desenvolvimento emocional e pessoal. De
mencionar o Instituto Social Maria Telles (ISMART), criado em 1999, visando a
preparação de uma nova geração de líderes, identificar e incentivar alunos
sobredotados de comunidades pobres provendo oportunidades educacionais que os
levem a frequentar instituições de ensino superior de excelência e a
desenvolver uma carreira profissional de sucesso (Alencar, Fleith, &
Arancibia, 2009). A Assessoria Cultural e Educacional de Resgate a Talentos
Acadêmicos (ACERTA) desenvolve um trabalho especializado com crianças e jovens
sobredotados, suas famílias, profissionais e instituições de ensino e cultura.
Por outro lado, tão importantes quanto os programas oferecidos aos alunos são
os serviços disponibilizados aos pais. Embora escassos, eles têm sido
oferecidos por algumas instituições não-governamentais e por universidades. O
Instituto para Otimização da Aprendizagem, por exemplo, tem promovido encontros
de educação familiar sobre o desenvolvimento do sobredotado. Também em 2002, a
Universidade de Brasília criou o Serviço de Apoio Psicoeducacional a Pais de
Alunos Sobredotados, possibilitando compartilhar experiências e discutir
estratégias familiares favoráveis ao desenvolvimento do talento (Alencar,
Fleith, & Arancibia, 2009).
Em Portugal, respondendo a solicitações das famílias, as associações existentes
na área da sobredotação desenvolvem programas de atendimento a estes alunos. A
Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas (APCS) foi pioneira neste campo
e em 1987 desenvolve o seu primeiro programa de enriquecimento na Escola
Superior de Educação de Santa Maria no Porto, sob a coordenação da Doutora
Zenita Guenther. Em 1995, em pareceria com a Escola Superior de Educação de
Paula Frassinetti, também no Porto, a APCS inicia o programa "Sábados
Diferentes" de enriquecimento para alunos sobredotados (Miranda &
Almeida, 2002; Serra, 2000). Os programas desenvolvidos pela Associação
Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação (ANEIS), nas capitais de
vários distritos do País, atendem crianças e adolescentes a solicitação de
famílias e escolas. Estes programas de enriquecimento assumem forma diversa nos
seus objectivos e actividades de acordo com os utentes e os técnicos
envolvidos, e geralmente têm lugar aos sábados. A ANEIS realiza também um
programa de enriquecimento nas férias de verão destinado a adolescentes o
Programa "ETC..." já referido anteriormente (Oliveira &
Guimarães, 2003; Palhares, Oliveira & Melo, 2000). Progressivamente,
algumas escolas públicas e privadas organizam clubes e ateliers reunindo os
seus alunos mais capazes em programas de enriquecimento curricular e
extracurricular em função dos respectivos talentos (Miranda & Almeida,
2005)
Para além dos programas de enriquecimento, importa lembrar outras formas de
apoio aos alunos sobredotados. As associações desenvolvem consultadoria às
escolas e às famílias, além da consulta psicológica e apoio educativo
individualizado. Ainda em Portugal, merece referência um programa de
atendimento aos alunos sobredotados na Região Autónoma da Madeira. De início,
através de profissionais especificamente recrutados pelo Governo Regional para
o efeito, implementouse o Programa Regional de Apoio aos Sobredotados (PRAS),
estando hoje tais recursos humanos integrados nas estruturas escolares de
educação especial e coordenados através da Divisão de Investigação em Educação
Especial, Reabilitação e Sobredotação (DIEERS). Esta Divisão inclui nos seus
objectivos a formação de profissionais, a realização de estudos, a validação de
instrumentos de avaliação e a implementação e avaliação de programas de
atendimento aos alunos sobredotados, situação que não tem qualquer paralelo com
a realidade educativa no resto do País.
Analisando a situação no Brasil e em Portugal ao nível do atendimento aos
alunos sobredotados, podemos afirmar que a generalidade dos programas e
serviços oferecidos aos alunos sobredotados e suas famílias decorre do esforço
de instituições não-governamentais. As associações na área têm suprido a falta
de investimento dos governos, situação esta que ocorre sobretudo em Portugal
(excluindo a Região Autónoma da Madeira). De novo, também ao nível da
intervenção, a trajectória brasileira é mais longa do que a portuguesa. Ao
mesmo tempo, assiste-se no Brasil a uma maior diversidade de programas de
atendimento destes alunos, desde a educação básica ao ensino superior,
diferindo a situação entre os vários Estados Brasileiros e reflectindo a
extensão e as características regionais do País. Por último, as actividades de
apoio integram-se, basicamente, no que a literatura considera os
"programas de enriquecimento" ou na inclusão do aluno em currículos
mais avançados através da sua aceleração escolar (entrada antecipada na escola
ou salto de classe no educação básica), havendo aliás vários estudos recentes
avaliando esta última medida educativa (Oliveira, 2007; Pacheco, 2008; Silva,
2008).
Sobredotação: Formação de professores e outros profissionais
No Brasil, praticamente não existem cursos de nível superior, tanto ao nível de
mestrado ou doutoramento, específicos na área de sobredotação. Pouquíssimas
instituições oferecem cursos de especialização sobre a educação do aluno
sobredotado. Da mesma forma, em alguns poucos cursos de graduação de Psicologia
e Pedagogia existem disciplinas optativas sobre Criatividade, Desenvolvimento
do Talento e Sobredotação, nem sempre de forma sistemática, situação que se
repete em alguns programas de pós-graduação.
Os profissionais que actuam nos programas e serviços de atendimento ao
sobredotado e suas famílias são geralmente capacitados por meio de cursos,
palestras, oficinas e participação em congressos, muitas vezes através de
parcerias entre associações e universidades. O Conselho Brasileiro para
Sobredotação (ConBraSD), por exemplo, organiza a cada dois anos um encontro
nacional, incluindo palestrantes de renome nacional e internacional
[1]
. O Centro de Desenvolvimento de Talentos (CEDET), em Minas Gerais, também tem
promovido eventos científicos na área com bastante regularidade. Com a
implantação dos Núcleos de Actividades de Altas Habilidades/Sobredotação (NAAH/
S), nos últimos três anos, o Ministério da Educação ampliou o seu apoio à
realização de seminários e cursos de capacitação em vários Estados Brasileiros.
Em Portugal, a formação de educadores de infância, professores e psicólogos,
apenas para se mencionarem os profissionais mais directamente relacionados com
a temática, não inclui uma formação específica na área da sobredotação. Não
existem, também, cursos específicos de pós-graduação para a formação na área,
sendo também escassos os currículos de licenciaturas e de mestrados em educação
e psicologia que incluem módulos dedicadas à sobredotação. A formação dos
profissionais na área da sobredotação está claramente dependente das
associações, mesmo que nas Academias seja cada vez mais frequente a realização
de teses de mestrado e de doutoramento na área da sobredotação, excelência,
desenvolvimento de talentos e criatividade (Miranda & Almeida,in press).
Em Portugal, o Ministério da Educação mantém uma posição de pouco
comprometimento na área, apesar de uns anos atrás, na década de 80, ter
protocolado com o CPCIL várias acções de formação de professores por todo o
País, inclusive a implementação do projecto de Apoio ao Desenvolvimento Precoce
(PADP) em escolas básicas da Grande Lisboa entre 1996 e 1998 (Miranda &
Almeida, 2002). Exceptuando o que ocorre na Região Autónoma da Madeira, onde o
Governo Regional apoia a formação contínua de professores e psicólogos para a
sinalização e atendimento dos alunos sobredotados, a formação nesta área é mais
tolerada, que conscientemente promovida, pelas estruturas educativas
portuguesas.
Quanto à formação dos profissionais na área de sobredotação, podemos concluir
que os cenários brasileiro e português são similares. As instituições de ensino
superior não oferecem cursos específicos, menos ainda sistemáticos, na área. A
capacitação de professores e outros profissionais decorre, em grande parte, por
iniciativa das associações técnico-científicas, geralmente através de
seminários e congressos. A Academia e as estruturas governamentais, sobretudo
no Brasil, apoiam a realização desses eventos.
Sobredotação: Produção científica
A produção científica brasileira na área da sobredotação é fruto especialmente
de dissertações de mestrado e teses de doutorado. Tais estudos têm sido
sobretudo conduzidos em instituições federais, como a Universidade Federal de
Santa Maria e a Universidade de Brasília, e em universidades católicas, tais
como a Pontifícia Universidade Católica de Campinas, do Rio de Janeiro, do Rio
Grande do Sul e a Universidade Católica de Brasília. Por sua vez, diversos
estudos e artigos têm sido publicados em periódicos científicos na área de
Educação Especial ou da Psicologia (não existe no Brasil uma revista específica
na área sobredotação). Estas publicações intensificaram-se, no Brasil, a partir
de 2000 quando o assunto da sobredotação passou a ser mais discutido na
sociedade e a ter maior visibilidade. Entre os temas mais investigados podemos
apontar: (a) a percepção de alunos, pais e professores sobre sobredotação; (b)
a caracterização e identificação do aluno sobredotado; (c) o papel da família
no desenvolvimento de talentos; e (d) a avaliação de programas para
sobredotados.
Uma maior tradição existe no Brasil relativamente à edição de livros sobre o
tema, em particular nas décadas de 70 e 80, por exemplo Desenvolvimento
Psicológico do Sobredotado (Novaes, 1979) ePsicologia e Educação do Sobredotado
(Alencar, 1986). A partir de 2000, vários outros livros foram editados, por
exemplo Educando os mais capazes (Freeman & Guenter, 2000), Desenvolver
capacidades e talentos - Um conceito de inclusão (Guenther, 2000), Talento e
sobredotação: Problema ou solução? (Sabatella, 2005); Educação e Altas
Habilidades/Sobredotação: A Ousadia de Rever Conceitos e Práticas (Freitas,
2006); Educação de Sobredotados: Teoria e Prática (Gama, 2006); e
Desenvolvimento de Talentos e Altas Habilidades-Orientação a Pais e Professores
(Fleith & Alencar, 2007).
No contexto português, a maior parte da produção científica na área da
sobredotação decorre de projectos de investigação e de teses de mestrado e de
dou toramento realizadas nas Universidades e Institutos Superiores
Politécnicos. No que diz respeito às teses de doutoramento, podemos classificar
os assuntos versados em três grandes áreas: Uma primeira relacionada com a
caracterização da população sobredotada; uma segunda área relacionada com a
avaliação do impacto das respostas educativas; e, por último, outra área
direccionada para a avaliação das características de sobredotação destes
alunos. Em relação às dissertações de mestrado, e de acordo com um estudo
recente (Miranda & Almeida,in press), podemos referir duas dezenas de teses
de mestrados na área da sobredotação nestaúltima década. Relativamente às
temáticas presentes estas são bastante diversas, por exemplo sinalização/
identificação, avaliação e caracterização, desenvolvimento social do
sobredotado, estratégias educativas familiares, e impacto de programas e
medidas educativas específicas junto destes alunos. Um maior número destas
teses foi apresentado nas Universidades do Minho, Coimbra e Porto, sendo de
1998 a primeira tese de doutoramento em Portugal dedicada às crianças
sobredotadas (Pereira, 1998). Para além de teses académicas de mestrado e de
doutoramento, vários estudos foram conduzidos e na generalidade os seus artigos
aparecem publicados na revista Sobredotação (propriedade editorial da ANEIS
desde 2000). Estes estudos repartem-se também por temáticas bastante
heterogéneas, por exemplo: (i) o conceito; (ii) percepção e atitudes do
professor, dos pais e dos alunos sobredotados; (iii) a construção e validação
de instrumentos e de modelos de identificação e avaliação; (iv) as
características cognitivas e de aprendizagem dos alunos sobredotados; ou, (v) a
análise de talentos e excelência em domínios específicos.
Inegavelmente, tanto no Brasil quanto em Portugal, a pesquisa e a publicação na
área de sobredotação confina-se ao meio académico, sendo que em Portugal a
ANEIS tem também um papel relevante ao assumir a edição de uma revista
específica na área desde 2000. As percepções de professores, pais e alunos, a
caracterização e avaliação destes alunos, os programas de apoio e a sua
avaliação são os temas dominantes da investigação em curso. No contexto
brasileiro, ao contrário do português, observa-se um maior interesse na
investigação do papel da família no desenvolvimento do talento, havendo em
Portugal maior investimento na validação de instrumentos para a identificação e
avaliação dos alunos com características de sobredotado. Por último, é maior a
tradição do Brasil na publicação de livros, havendo em Portugal maior tendência
para a publicação de artigos.
Agenda para a próxima década: Aproximando os dois países
A comparação da trajectória da legislação, pesquisa e intervenção no Brasil e
em Portugal na área da sobredotação aponta diferenças entre os dois Países. Por
exemplo, a par de uma maior consistência histórica da área no Brasil, também a
legislação neste País é um factor determinante da legitimidade e do
investimento público na sobredotação. Em Portugal, exceptuando a realidade
educativa na Região Autónoma da Madeira, o tema da sobredotação é mais tolerado
que investido por parte das autoridades governativas.
Como nenhum fenómeno em educação se encontra cabalmente estudado e nenhum
problema solucionado em definitivo, podemos aceitar que Brasil e Portugal podem
trilhar um caminho comum na área da sobredotação, aproveitando a proximidade
linguística e cultural, assim como o significativo intercâmbio académico. Face
aos desafios e às áreas de potencial desenvolvimento, faz sentido propormos uma
agenda comum de acções para os próximos anos: Realização de estudos
transculturais sobre sobredotação; Realização de estudos interdisciplinares
sobre sobredotação de forma a ampliar a compreensão transdisciplinar deste
fenómeno, para além do olhar da Psicologia e Educação; Revisão e discussão dos
termos utilizados para designar o fenómeno da sobredotação; Edição conjunta de
manuais por pesquisadores e educadores brasileiros e portugueses; Publicação de
uma revista luso-brasileira sobre sobredotação; Organização de eventos
científicos lusobrasileiros na área de educação do sobredotado e
desenvolvimento de talentos; Intercâmbio de alunos brasileiros e portugueses de
graduação e pós-graduação; Visitas e missões técnico-científicas entre os dois
países envolvendo pesquisadores e educadores que actuam na área de
sobredotação; Busca de parceiros do meio industrial, comercial e político, no
Brasil e em Portugal, que auxiliem na implementação e/ou manutenção de
projectos na área de sobredotação; Estabelecimento de convénios entre
instituições brasileiras e portuguesas que ofereçam serviços de atendimento aos
sobredotados e suas famílias; Ampliação da comunicação entre profissionais do
Brasil e Portugal que actuam em programas e serviços de atendimento ao
sobredotado com uso de recursos da tecnologia digital; Planeamento e
implementação de cursos de especialização na área de sobredotação que incluam
professores dos dois países; Sensibilização dos legisladores acerca da
importância e necessidade de elaboração de leis que garantam oportunidades
educacionais compatíveis com o potencial dos sobredotados; Divulgação nos meios
de comunicação social de programas e serviços de atendimento ao aluno
sobredotado que tenham obtido sucesso; e, Ampliação da oferta de serviços de
formação e apoio à família do sobredotado.
Concluindo, num mundo caracterizado pela globalização, rápidas transformações,
alta competitividade e renovação contínua de ideias, produtos e tecnologia, é
essencial investir no talento e no potencial criativo. Conforme explica Ziegler
(2009), "nações que têm expertise para ajudar os seus talentos a
desenvolverem seu pleno potencial garantem não somente prosperidade, mas também
progresso social, cultural, científico e económico" (p. 1511). Brasil e
Portugal podem juntar esforços para a promoção desta área do conhecimento,
estimulando um sentimento de compromisso colectivo na criação das melhores
condições para o desenvolvimento das potencialidades singulares, talentos e
altas habilidades dos seus cidadãos.
Nota
1
Cf. www.conbrasd.com.br