Otimismo, burnout e estados de humor em desportos de competição
Introdução
Dentro do estudo da influência de variáveis psicológicas sobre o rendimento e a
saúde no contexto desportivo, nos últimos anos foi demonstrado um claro aumento
dos estudos sobre a importância do constructo otimista e sua relação com outras
variáveis, como mostram algumas meta-análises e estudos bibliometricos (Bolier
et al., 2013; Marín, Ortín, Garcés de los Fayos, & Tutte, 2013; Rasmussen,
Scheier, & Greenhouse, 2009); Solberg Nes & Segerstrom, 2009). O
otimismo é estudado dentro do paradigma da psicologia positiva em clara
expansão segundo Martin Seligman ao iniciar uma conferência para começar seu
período presidencial da American Psychological Association (Seligman, 1998).
Atualmente existem duas perspectivas complementares para analisar o otimismo,
existe o estilo explicativo pessimista-otimista de Peterson e Seligman (1984),
baseado nos conceitos clássicos de Wiener et al. (1971), e a teoria do otimismo
disposicional de Scheider e Carver (1985). A maioria das pesquisas concentra-se
no segundo enfoque (Marín et al., 2013), indicando que as expectativas
favoráveis diante das dificuldades, incrementam os esforços das pessoas para
alcançar os objetivos, enquanto que as expectativas desfavoráveis reduzem tais
esforços, às vezes até o ponto de desistir da tarefa. Tais expectativas podem
ser consideradas como disposições estáveis (características) (García & Díaz
Morales, 2010). De acordo com esta proposta, podemos afirmar que os otimistas
são sujeitos com expectativas e percepções positivas sobre sua vida, enquanto
que os indivíduos pessimistas tendem a representar a sua vida de forma negativa
(Ortín, Garcés de los Fayos, Gosálvez, Ortega, & Olmedilla, 2011). Em
relação à saúde, diferentes estudos relacionam o otimismo com uma melhor
atitude face à doença e a dor relacionada com esta (Maruta, Colligan,
Malinchoc, & Oxford, 2000; Rees, Ingledew, & Hardy, 2005; Remor,
Amorós, & Carrobles, 2006). Extremera, Durán e Rey (2007) indicam que as
pontuações altas no otimismo são relacionadas com menores níveis de depressão e
estres percebido.
No âmbito desportivo, o otimismo foi estudado em relação com os aspetos como o
estilo de vida "atribucional" (Gordon, 2008), a ansiedade pre-
competitiva (Wilson, Raglin, & Pritchard, 2002), a execução (Ortín et al.,
2011), a resiliência (Martin-Krumm, Sarrazin, Peterson, & Famose, 2003) e a
competitividade (García & Díaz, 2010).
Na psicologia do esporte, dois aspectos frequentemente estudados são os estados
de humor e o síndrome do Burnout.
Em relação aos estados de humor, as pesquisas demonstram que as percepções que
os atletas tem dos seus estados anímicos podem influir de alguma maneira sobre
seu rendimento desportivo (Lazarus, 2000; Ruiz & Hanin, 2004; Skinner &
Brewer, 2002).
Diversos estudos realizados com o POMS Profile of Mood States, sobre a
influência dos estados emocionais no rendimento desportivo (Arruza, Balagué,
& Arrieta, 1998; Barrios, 2007; Hassment & Blomstand, 1995; Hoffman,
Bar-Eli, & Tenenbaum, 1999; Morgan, 1980; Morgan & Johnson, 1977;
Rietjens, Kuipers, Adam, Saris, Van Breda, Van Hamont et al., 2005; Sánchez et
al., 2001), demonstraram que ao comparar com amostras de sujeitos não
esportistas, os estados de humor, especialmente em alto nível, são
caracterizados por mostrar valores superiores na escala de vigor e inferiores
nas escalas de tensão, depressão, cólera, fadiga e confusão, sendo escalas
básicas que compõem a prova. Morgan considerou este padrão de respostas como um
estado de humor ótimo, denominado "Perfil Iceberg", e propôs que de
certa forma este perfil reflete quando o esportista possui uma saúde mental
positiva (Morgan, 1980, 1985).
O burnout é considerado uma síndrome tridimensional caracterizada pelo
Esgotamento Emocional, Despersonalização e Reduzida Realização Pessoal e
continua a ser um tema que segue crescendo em número de pesquisas no contexto
do esporte (Marín et al., 2013). O aparecimento do burnout no esporte pode
provocar entre outras questões o abandono prematuro, problemas físicos (doenças
e lesões), insatisfação com o estilo de vida, insatisfação com a posição social
em relação ao esporte, as expectativas não cumpridas e o sentimento de
isolamento (Garcés de Los Fayos & Cantón, 2007).
A relação entre otimismo, burnout e estados de humor não foi muito estudada
apesar do sentido teórico que parece ter estudar tal relação.
Quanto aos estudos sobre o otimismo e o burnout, foi encontrada uma relação
inversa entre otimismo e esgotamento emocional em trabalhadores de diferentes
profissões (Happell & Koehn 2011; Rothmann & Essenko, 2007). Essa mesma
relação foi encontrada no contexto desportivo, sendo que os esportistas com
perfil otimista são mais resistentes ao esgotamento tanto físico como mental,
aspecto que poderia ser explicado pelos níveis inferiores de tensão (Gustafsson
& Skoog, 2012). Tsai, Chen e Kee (2007), indicam como possível fator
mediador entre o otimismo e o esgotamento emocional as diferentes estratégias
de confronto entre os desportistas de perfil otimista e pessimista.
Adicionalmente, esses autores verificaram que existe uma relação entre o
otimismo e a reduzida realização pessoal. Berengüí, Garcés de los Fayos, Ortín,
De la Vega e Gullón (2013), encontram relação entre o otimismo e as três
dimensões do burnout sendo que os esportistas mais otimistas mostram menor
esgotamento emocional, menor despersonalização e maior percepção de realização
pessoal.
Por outro lado Chen, Kee e Tsai (2008), com 139 jogadores de voleibol, indicam
que as pontuações de otimismo dos esportistas estavam relacionadas
negativamente com as pontuações do burnout. Posteriormente, Gustafsson e Skoog
(2012), corroboraram estes dados numa amostra de 217 esportistas, encontrando
uma relação inversa entre o estress percebido, o burnout e o otimismo.
Em relação aos estados de humor e otimismo, alguns estudos indicam a influência
de determinados estados de humor principalmente no pessimismo disposicional
(Criado & Mateos, 2008). Nesse sentido os sujeitos otimistas adaptam-se
melhor a uma situação mediante recursos mais adequados de confronto. De igual
modo, os sujeitos pessimistas mostram inicialmente uma maior ansiedade e menor
percepção do controle quando enfrentam uma tarefa (Showers, 1992). Ainda que,
de uma perspectiva disposicional, o otimismo é considerado como parte da
personalidade e, portanto estável, pode ser influenciado pela situação
(Norlander & Archer, 2002) e pela confiança do sujeito na execução da
tarefa aproximando a uma perspectiva em ocasiões situacional (Segerstrom,
Taylor, Kemeny, & Fahey, 1998). Esses autores estudaram a relação do
otimismo disposicional e situacional, com um estado de humor e as alterações
imunológicas em 140 estudantes universitários. Os resultados relacionam o
otimismo com um melhor estado de humor e um sistema imunológico mais saudável.
Spencer (2012), analisou em estudantes a relação entre o otimismo disposicional
e o estado de humor na realização de uma tarefa. Os resultados mostram que os
sujeitos com maior pontuação em otimismo possuem estados de humor mais
positivos, menos sensação de fadiga e executam geralmente as suas tarefas em
menor tempo.
O objetivo deste estudo é analisar a relação entre o otimismo, estados de humor
e burnout em esportistas em situação competitiva.
Método
Participantes
A amostra foi composta por 227 lutadores, participantes do Campeonato de
Espanha de Lutas Olímpicas. Sendo que 165 eram homens (72.69%) e 62 mulheres
(27.31%). A idade média da amostra é de 20 a 16 anos, com uma faixa etária
entre 15 e 31 anos. Por categoria de competição 116 (51.10%) são desportistas
do escalão Sénior (a partir de 18 anos de idade) e 111 da categoria Cadete
(48.90%).
Instrumentos
Life Orientation Test (LOT-R).Adaptação espanhola de Otero et al. (1998) do
teste de Scheier e Carver (1985), revisto por Scheier, Carver e Bridges (1994).
Trata-se de um questionário para a avaliação do otimismo composto por 10 itens
numa escala de Likert de 5 pontos, sendo que 0 significa muito em desacordo e 4
muito de acordo. Entre os dez, 3 itens são cotados em sentido positivo (direção
ao otimismo), 3 itens em sentido negativo (pessimismo) e 4 itens do intervalo
são considerados neutros. Para a correção e interpretação da prova foram
seguidos dois critérios. O primeiro trata cada fator separadamente, otimismo e
pessimismo (Mroczek, Spiro, Aldwin, Ozer, & Bosse, 1993; Myers & Steed,
1999). O segundo segue a proposta de Ortin et al. (2011) onde os valores
obtidos pelo participante em otimismo são subtraídos os valores obtidos no
pessimismo, verificando-se que a tendência do esportista é otimista obtém-se
valores positivos, e pessimista se são negativos. O coeficiente de fiabilidade
(alfa de Cronbach) obtido na escala de otimismo foi de α=.744, e de α=.718 na
de pessimismo.
Inventário de Burnout para Esportistas (IBD).O instrumento é uma adaptação para
populações desportistas, realizada por Garcés de Los Fayos (1999) do Maslach
Burnout Inventory (Maslach & Jackson, 1981). É composto por 26 itens,
agrupados em três dimensões: Esgotamento Emocional, Despersonalização e
Reduzida Realização Pessoal. A escala de resposta é do tipo Likert, de 1
("nunca senti ou pensei isso") a 5 ("penso ou sinto isso
diariamente"). Percentis superiores a 66 em Esgotamento Emocional e
Despersonalização, e abaixo de percentil 33 em Reduzida Realização Pessoal,
seriam indicadores de burnout (Garcés de Los Fayos, 2004). O coeficiente de
fiabilidade (alfa de Cronbach) para cada uma das escalas foi de α=.746 na de
Esgotamento Emocional, α=.757 Reduzida Realização Pessoal, e a α=.757 para a
Despersonalização.
Profile of Mood States (POMS).Para a avaliação dos estados de humor foi
aplicada a forma abreviada, adaptada por Fuentes, Balaguer, Melià e García-
Merita (1995) do instrumento original de McNair, Loor e Dropplemam (1971). Esta
versão é composta por 29 adjetivos ou estados de humor solicitando ao sujeito a
sua avaliação em relação ao grau em que experimentou cada um dos adjetivos
durante a semana prévia, sendo a escala de resposta tipo Likert com cinco
opções (de 0=Nada, até 4=Muitíssimo). Os itens que compõem as cinco sub-escalas
apresentaram os seguintes coeficientes de fiabilidade alpha de Cronbach:
Depressão=0.812, Vigor=0.767, Cólera=0.834, Tensão=0.857, e Fadiga=0.815.
Procedimento
Os questionários foram aplicados durante o Campeonato de Espanha de lutas
Olímpicas, nas categorias Cadete e Sênior. Para isso houve uma prévia aprovação
tanto da federação Espanhola de Lutas Olímpicas e Deportes Associados (D.A.),
como de todas suas federações territoriais integrantes, após terem sido
apresentados os objetivos e a informação completa sobre o estudo. A recolha dos
dados foi realizada previamente ao controle médico e à pesagem de todos os
esportistas, por pessoal qualificado como psicólogos e licenciados em Educação
Física e Esporte, que forneceram informação sobre o estudo e esclareceram as
dúvidas dos esportistas. Foi solicitado aos esportistas uma estimativa do
resultado que esperavam obter na competição.
Análise estatística
Foram aplicados vários métodos e análises estatísticas, precisamente, métodos
estatísticos padronizados para o cálculo de médias e desvio padrão (DP),
análises de correlação (coeficiente de Pearson) para analisar a relação entre
as pontuações nas escalas LOT-R, IBD e POMS, assim como ANOVA e o teste tde
Student para amostras independentes para a análise de diferenças entre os
diferentes grupos.
Com o objetivo de analisar as diferenças de médias nos estados de humor e
burnout os desportistas foram agrupados conforme as pontuações obtidas nas
escalas de LOT-R. Para tal, subtrai-se ou soma-se um valor de desvio padrão à
média de escala. No entanto, para obter a tendência otimista-pessimista do
esportista seguiu-se o critério de Ortín et al. (2011), no qual aos valores
obtidos pelos participantes na sub-escala Otimismo subtraem os valores obtidos
na sub-escala Pessimismo, considerando-se que possuem uma tendência
disposicional optimista se obtêm valores positivos e pessimista se são
negativos. Em todos os casos foram considerados um nível de significância
estatística de p≤.05 (Ntoumanis, 2001), sendo a análise dos dados efetuadas
através softwareSPSS (versão 15.0, SPSS Inc., Chicago, Illinois, EEUU).
Resultados
A Tabela_1 apresenta os valores descritivos de cada escala do LOT-R, IBD e POMS
da amostra. Na distinção entre esportistas otimistas e pessimistas, esses
últimos representam um 19,82% da amostra, 45 sujeitos apresentarem uma
disposição tendencialmente pessimistas ao subtrair sua pontuação em Pessimismo
a do Otimismo.
Na Tabela_2 constam os resultados da análise de correlação entre as escalas do
LOT-R, IBD e POMS. A partir da tabela anterior constata-se que as correlações
estatisticamente significativas em praticamente todas as escalas. As
correlações são altas entre o Otimismo e a Tendência ao Otimismo, Esgotamento
Emocional e Despersonalização e inversa entre o Pessimismo e a Tendência ao
Otimismo. Destaca-se também que as correlações de sinais negativos de Otimismo
e Tendência ao otimismo com Esgotamento Emocional e Despersonalização, e
moderada naquelas com Reduzida Realização Pessoal. As correlações das
anteriores com os estados de humor são geralmente de menor magnitude.
Relativamente ao estudo das diferenças de género verificam-se diferenças
estatisticamente significativas unicamente nas escalas de Despersonalização
(t225=2.342; p=.020), em que os homens registraram uma média (19.49) superior
ás mulheres (17.23), e em Fadiga (t225=2.540; p=.012) com um valor médio
igualmente superior por parte dos homens (6.0) comparativamente as mulheres
(4.29). Quanto aos escalões de competição, foram encontradas diferenças
estatísticas significativas somente na escala do IBD de Reduzida Realização
Pessoal (t225=-2.271; p=.024), sendo que, os desportistas de maior idade ou
Séniores apresentam uma média inferior (19.66) que os competidores do escalão
Cadete (21.59), indicando que os desportistas com idade superior possuem um
maior sentimento dessa característica.
Os esportistas com baixas pontuações em Otimismo apresentam diferenças
estatisticamente significativas em comparação com os sujeitos do grupo alto
(Tabela_3), precisamente apresentam valores médios superiores em Esgotamento
Emocional, Depressão e Fadiga, no entanto apresentam medias inferiores em
Reduzida Realização Pessoal e Vigor.
Contudo, na sub-escala Pessimismo (Tabela_4) observam-se diferenças nas três
escalas do IBD e três del POMS. Os sujeitos do grupo com altas pontuações em
Pessimismo apresentam pontuações superiores em comparação com os esportistas do
grupo de baixas pontuações em Esgotamento Emocional, Despersonalização,
Depressão e Cólera. Os sujeitos com baixo Pessimismo apresentam valores médios
superiores em Reduzida Realização Pessoal e Vigor.
Quanto à tendência para o Otimismo, a Tabela_5 apresenta os valores descritivos
dos grupos e as diferenças encontradas. Essas diferenças são encontradas nas
mesmas escalas em Pessimismo, mas no sentido oposto. As pontuações são
superiores em Reduzida Realização Pessoal e Vigor no grupo com alta Tendência
ao Otimismo.
A última análise realiza uma comparação dependendo do resultado conseguido pelo
esportista na competição (Tabela_6). Mediante uma análise ANOVA, foram
encontradas diferenças estatísticas significativas nas escalas de Pessimismo,
com pontuações medias mais baixas no grupo de campeões, Tendências ao Otimismo
e Reduzida Realização Pessoal, ambas com promedios superiores dos vencedores
comparados aos medalhistas e o restante dos participantes.
Em relação à estimativa inicial que cada esportista fez do seu resultado na
competição, indicamos que 70 acertaram sua posição final, 137 conseguiram um
posto inferior ao estimado e 20 esportistas um posto superior. Entre esses três
grupos existem diferenças nas escalas de Pessimismo [F(2,224)=6.142; p<0,01] e
Tendência ao otimismo [F(2,224)=3.143; p<0,05]. Na primeira, os que acertaram
sua posição, apresentam uma média de 4.10 (dp=2.409), 5.30 (dp=2.669) os
esportistas com posição inferior a estimada, e 4.29 (dp=2.505) aqueles que
alcançaram uma posição superior. Em Tendência ao otimismo, os esportistas que
acertaram sua posição final na competição, apresentam um promedio de 4.00
(dp=4.043), relativamente aos que obtiveram uma posição inferior (M=2.40;
dp=3.914) ou superior (M=2.61; dp=3.812).
Discussão
O objetivo deste estudo foi de analisar a relação entre otimismo, estados de
humor e burnout de esportistas em situação competitiva. Nesse sentido, observa-
se que os esportistas com um perfil menos otimista, mostram maior cansaço
emocional, estado de humor depressivo e fadiga. Por outro lado, os sujeitos com
perfil mais pessimista mostram valores mais altos em esgotamento emocional,
despersonalização, depressão e cólera. Finalmente cabe ressalvar que os
sujeitos com baixo pessimismo, mostram pontuações mais altas em vigor.
Estes resultados parecem indicar a relação do otimismo e do pessimismo com a
saúde, tal como indicam outros estudos em diferentes contextos. Sanjuan e
Magallanes (2006), indicam que tanto o otimismo como o pessimismo são variáveis
com elevado valor preditivo para o bem estar psicológico como físico. A
característica longitudinal do referido estudo, indica que essa relação não se
ajusta a um momento exato, mas que permanece estável ao longo do tempo. Vera,
Córdova e Celis-Atenas (2009), apontam para diferenças entre sujeitos otimistas
e pessimistas nas variáveis negativas como a depressão e a ansiedade, e
variáveis positivas como a satisfação com a vida, a felicidade e a autoestima,
relacionando o otimismo com a saúde. As diferenças são significativas para as
variáveis negativas.
De outro modo, os resultados indicam uma possível relação entre o constructo
otimista e o rendimento no esporte. Observa-se que os esportistas que ganharam
a competição em diferentes categorias, têm uma pontuação mais alta no otimismo,
claramente mais baixa no pessimismo, uma maior percepção de realização pessoal,
maior vigor e menor fadiga. Nesse sentido, García e Díaz Morales (2010), num
estudo com 152 jogadores de futebol, verificaram uma relação positiva e
moderada entre o otimismo e o rendimento desportivo, encontrando ainda
diferenças entre as categorias, sendo que os sujeitos das categorias superiores
apresentaram maior pontuação no otimismo avaliado com o LOT-R.
Outro resultado relevante do nosso estudo é a relação entre o otimismo e o
estado de humor. Essa relação é importante pela clara influência dos estados de
humor no rendimento e o resultado no esporte, tal como foram comprovados em
vários estudos (Arruza, Valencia, & Alzate, 1994; De la Vega, Galán, Ruiz,
& Tejero, 2013; Lazarus, 2000; Sánchez et al., 2001). Arruza e colegas
(1998) num estudo de dois anos de duração, apontam a fadiga como um preditor do
resultado da competição. Por outro lado, indicam que as mudanças no estado de
humor, na dificuldade percebida estimada e na auto confiança influem de maneira
determinante no comportamento dos desportista em situação competitiva.
Relativamente às expectativas dos desportistas face ao seu rendimento,
analisadas com a pergunta sobre o resultados que preveem, os dados mostram como
os sujeitos que conseguem o resultado esperado têm uma pontuação menor em
pessimismo em comparação com os que conseguem um resultado por debaixo de sua
expectativa. A relação entre as expectativas e o perfil otimista/pessimista foi
estudada por outros autores, mostrando que o sujeito otimista não só aproxima
mais a sua expectativa em relação ao seu estado de forma, como enfrenta de
maneira mais adequada os possíveis resultados negativos ou abaixo do esperado
(De la Vega, Ruiz, Batista, Ortín, & Giesenow, 2012; De la Vega, Ruiz,
Fuentealba, & Ortín, 2012). No âmbito da competição esse pode ser um fator
diferencial nos esportes em que a competição é dividida em séries ou provas com
pouco tempo entre elas.
Esse estudo analisou o otimismo e o pessimismo de duas perspectivas habituais
da literatura científica. Por um lado foi medido o otimismo e o pessimismo como
variáveis independentes e por outro foi considerada unidimensional subtraindo a
pontuação otimista e pessimista. Os resultados dos estudos indicam que na
maioria dos casos existem a mesma influência do alto otimismo e do baixo
pessimismo, apoiando a referida unidimensionalidade quando os constructos são
medidos com o instrumento LOT o LOT-R, sendo estes resultados corroborados por
estudos anteriores (Roysamb & Strype, 2002; Sanjuán & Magallanes, 2006;
Vautier, Raufaste, & Cariou, 2003).
Conclusões
A avaliação do constructo otimista pode ser relevante para a predição do
rendimento do esportista e para assessorar de forma efetiva sobre as
estratégias de afrontamento, autoconfiança e outras variáveis psicológicas
relacionadas com a saúde.
Ainda que o otimismo seja considerado uma característica, alguns autores
indicam a existência de um otimismo situacional e por tanto modificável em
algum aspecto. A aprendizagem de estratégias para melhorar o afrontamento de
situações, para avaliar de maneira verdadeiramente objetiva o rendimento, para
ter expectativas realistas e o conhecimento dos próprios recursos, pode ser
considerada de alguma maneira um treino de competências que influenciam no
otimismo do esportista.
Adicionalmente o otimismo tem uma clara influência sobre a saúde, avaliada
entre outras formas, como neste estudo, através de sua relação com constructos
como o burnout ou com os estados de humor.