Estudo exploratório do instrumento Ages & Stages Questionnaires: 2ª
edição
INTRODUÇÃO
Durante as últimas décadas, muitos têm sido os estudos realizados sobre a
melhor forma de intervir junto das crianças com Necessidades Educativas
Especiais (NEE). Actualmente, defende-se que a Intervenção Precoce (IP) deverá
ter em conta que as crianças fazem parte de uma família, com especificidades,
pontos fortes e capacidades para promover o desenvolvimento do seu filho(a).
Além disso, as crianças e suas famílias fazem parte de uma comunidade com
características próprias e com recursos que os profissionais deverão saber
utilizar de forma positiva para a sua intervenção.
A avaliação pode e deve ser enriquecida pelo conhecimento que os cuidadores têm
relativa mente à criança, tornando a percepção dos intervencionistas precoces
mais holística. A avaliação realizada pelos pais não só nos dá indicações
relativamente à criança, como também nos indica expectativas, frustrações,
rotinas e formas de estabelecer relação com o seu filho(a).
A família está no centro da vida das crianças, pelo que assume uma importância
crítica no seu desenvolvimento. Reconhece-se actualmente o significado, a longo
prazo, das experiências e relações entre o cuidador e a criança (Ferreira &
Almeida, 2005; Kennel, 2005; Lopes & Almeida, 2006; Young, 2005). Assim
sendo, o trabalho com as famílias passa por todo o processo, que vai desde o
momento da avaliação, do estabelecimento de objectivos, da intervenção, das
reavaliações, da análise do trabalho feito, como um ciclo que não se cumpre sem
a presença da família da criança.
A avaliação em IP evoluiu, tal como todo o processo de intervenção, à luz dos
contributos do Modelo Ecológico de Bronfenbrenner (1977, 1979), do Modelo
Transaccional de Sameroff e Chandler (1975), Sameroff e Fiese (1990, 2000) e
dos trabalhos de Dunst e colaboradores (Dunst, 2000; Dunst, Trivette, &
Deal, 1988, 1994), valorizando, assim, uma perspectiva ecológica, uma abordagem
transdisciplinar e centrada na família (Serrano & Correia, 2002). A
avaliação tradicional, baseada num modelo médico, foca essencialmente os
défices da criança (Bricker, 1996) e ignora toda uma visão holística do
desenvolvimento desta, coloca também os profissionais como peritos "donos
do conhecimento" remetendo os cuidadores para segundo plano.
A avaliação é o início de todo um processo de colaboração entre pais e técnicos
(Bailey & Powell, 2005; Bruder, 2005; McWilliam, 2005; Wolraich, Gurwitch,
Bruder, & Knight, 2005). A percepção da família em relação ao seu papel na
intervenção junto do seu filho está intimamente relacionada com as experiências
vividas pela família durante o momento de avaliação (Bagnato & Neisworth,
1991; Bricker, 1996; Crais & Belardi, 1999; Erikson, 1996; McWilliam,
Winton. & Crais, 2003; Simeonsson, Edmondson, Smith, Camahan, & Bucy,
1995). O processo de intervenção, centrado na família, onde se procura promover
o papel dos pais, como principais decisores, do que consideram melhor para o
seu filho, poderá aí tomar forma, ou, pelo contrário, perder sentido, durante
essa etapa inicial da intervenção (Crais, 1993).
O envolvimento da família tem vindo a ser promovido de diferentes formas na IP,
sustentado nas concepções actuais do desenvolvimento humano. Os serviços de IP
devem definir critérios de elegibilidade de crianças e famílias, sendo
essencial a implementação de procedimentos específicos de avaliação/intervenção
que reflictam o envolvimento da família ao longo de todo o processo (Guralnick,
2005; SandallMcLean, & Smith, 2000; Stayton & Karnes, 1994; Wolery,
2000).
McWilliam (2003b), referindo-se aos serviços de IP, divide a avaliação em dois
momentos: avaliação preliminar e avaliação aprofundada. A avaliação preliminar
contempla os procedimentos utilizados para determinar a elegibilidade inicial e
contínua da criança para o serviço. A avaliação aprofundada consiste no
conjunto de procedimentos usados para determinar os pontos fortes e as
necessidades da criança, e para identificar os tipos de serviços de apoio que a
criança e a família necessitam. Estes dois momentos fazem parte de um processo
contínuo, que se denomina "avaliação".
Vários são os pressupostos e as questões relacionadas com os procedimentos de
avaliação da criança numa abordagem centrada na família. Assim, é importante
que, já no momento da avaliação, os pais tomem decisões sobre o seu filho,
sendo esta experiência fundamental para uma intervenção centrada na família
(Crais, 1993; Dunst, 2000).
As teorias do desenvolvimento, nomeadamente o modelo Transaccional de Sameroff
e Chandler (1975), de Sameroff e Fiese (1990, 2000) e o Modelo da Ecologia do
Desenvolvimento Humano de Bronfenbrenner (1977, 1979) associadas aos diferentes
pressupostos que a Teoria Sistémica Familiar e o Modelo de Apoio Social
centrado na família enfatizam, deram um contributo crucial para a mudança de
práticas em IP, nomeadamente no momento da avaliação. A ênfase exclusiva na
criança, durante a avaliação, torna este momento redutor e exige que se altere
esta forma de avaliar. Deste modo, a avaliação tradicional, intimamente ligada
a uma intervenção focada na criança, e seus défices, perde sentido à luz dos
pressupostos que estão subjacentes ao conceito de IP. Surgem, assim, novas
perspectivas de avaliação que valorizam um modelo integrado de desenvolvimento,
os contextos naturais, a colaboração entre a família e profissionais e a
interacção da família e da criança como factores fundamentais no sucesso de
todo o processo de intervenção (Meisels & Atkins-Burneh, 2000).
Admitindo que a avaliação tradicional não reflecte o melhor desempenho das
crianças com NEE surgem, então, novas perspectivas relativas a diferentes
aspectos da avaliação. Numa vertente centrada na família, são dois os
principais objectivos da avaliação da criança (McWilliam, 2003b). O primeiro
objectivo foca a informação que os pais pretendem, facto este que só será
cumprido se soubermos quais as suas preocupações e prioridades. Devemos ter
consciência que esta condição implica que os profissionais tenham em
consideração que as informações que acham importantes para determinar os
serviços para a criança, possam não ser coincidentes com as necessidades e
prioridades da família. O segundo objectivo enfatiza a importância de se
partilhar informação com as famílias, quer acerca da avaliação da criança, quer
acerca das preocupações iniciais ou ainda acerca de outras alterações que os
profissionais possam identificar. O objectivo desta informação é capacitar os
pais para que tomem as decisões mais adequadas para os seus filhos.
Outro aspecto importante a salientar é que, ao considerar-se a criança e
família como únicas, não existem procedimentos pré-definidos que abordem de
forma adequada as preocupações de cada família (Barrera & Corso, 2002;
Barrera, Corso, & Macpherson, 2004; Hanson & Lynch, 2004; Trivette
& Dunst, 2000). A flexibilidade dos serviços deverá ser uma condição
necessária para se responder às prioridades de cada família (Kjerland &
Kovach, 1990).
Na literatura actual é reconhecido que os modelos tradicionais de avaliação
multidisciplinar não facilitam nem promovem o melhor desempenho por parte das
crianças. Os modelos de prestação de serviços formam um contínuo que vai desde
contextos segregados e equipas multidisciplinares até contextos inclusivos com
equipas transdisciplinares, sendo que as últimas correspondem às práticas
actualmente recomendadas (McWilliam, 2003a).
Winton (1996) valoriza a participação dos pais e a inclusão destes como membros
integrantes da equipa. Este autor recomenda, também, uma relação de parceria
entre profissionais e pais quer no momento de avaliação quer no momento de
intervenção. Estas parcerias entre a família e os profissionais são importantes
na medida em que se considera todos os elementos como capazes e competentes
resultando no benefício de todos os participantes (Klein, Cook, &
Richardson-Gibbs, 2001; Summers, Hoffman, Marquis, Turnbull, & Poston,
2005). A construção desta relação requer tempo e sensibilidade às diferenças de
cada um, mas é a única forma de concretizar uma intervenção transdisciplinar
centrada na família.
O modelo transdisciplinar tem benefícios directos para a família e para a
criança entre os quais o facto de a família ser respeitada como membro da
equipa, de constatar que o seu conhecimento da criança e as suas prioridades
são parte integrante do Plano Individualizado de Apoio à Família (PIAF) e que
ela própria ajudou a construir e a estabelecer uma relação privilegiada com o
técnico (Pimentel, 2005).
Na opinião de vários autores, o momento da avaliação da criança consiste
naquele onde se observa uma maior resistência à mudança. Os objectivos de uma
avaliação centrada na família vão para além da definição de elegibilidade da
criança para os serviços de IP, assim como para além da determinação do nível
de desenvolvimento da criança. A avaliação é o começo de um longo processo,
onde se deve criar oportunidades de relação entre pais e profissionais (Miller
& Hanft, 1998). Esta componente foi mais tarde reforçada (Meisels &
Atkins-Burneh, 2000) como sendo uma componente que deverá constituir o alicerce
do processo de intervenção e de apoio.
No que se refere às metodologias de avaliação, a maioria delas ainda está
direccionada para os profissionais, dificultando a aplicação dos conceitos de
capacitação e corresponsabilização dos pais nos momentos de avaliação
(McWilliam, 2003b). Partilhamos da opinião do autor quando descreve que o uso
de linguagem técnica utilizada pelos testes, a divisão do desenvolvimento da
criança em áreas, o contexto de gabinete utilizado nas avaliações, as normas
subjacentes aos testes, o longo tempo que caracteriza as sessões de avaliação,
são contributos para o afastamento dos pais no processo de avaliação.
De acordo com uma perspectiva ecológica, os profissionais devem escolher
estratégias e instrumentos que têm relevância imediata para o comportamento ou
contexto que está a ser observado (Bailey & Simeonsson, 1988).
Uma das grandes dificuldades com que os profissionais se deparam, quando
utilizam testes formais está no facto de estes serem medidas estáticas
(McWilliam, 2003b). O desenvolvimento caracteriza-se por ser um processo
contínuo, em constante mudança ou crescimento, assim, a avaliação que
normalmente se realiza através de testes formais dá-nos uma perspectiva
momentânea e estática dum conceito que é por natureza dinâmico (McWilliam,
2003b).
Habitualmente os testes estandardizados ou as listas de verificação sobre o
desenvolvimento estão fora do contexto e não reflectem o comportamento da
criança em situações do quotidiano, tornando questionável a relevância desta
informação no que diz respeito ao desenvolvimento de estratégias de
intervenção. Os resultados da avaliação assumem maior pertinência se estes
forem referenciados em relação às actividades e pessoas presentes nos contextos
naturais da criança (Bronfenbrenner, 1977). O uso de avaliações fora do
contexto conduz geralmente ao desenvolvimento de objectivos descontextualizados
(McWilliam, 2000).
No entanto, McWilliam (2003b) realça a importância dos testes formais,
referindo que estes poderão ser apropriados para determinar a elegibilidade
quanto aos serviços, para conseguir informação normativa e estabelecer
diagnósticos.
McWilliam (2003b) refere um conjunto de ferramentas de avaliação para facilitar
a participação da família na avaliação de crianças, das quais destacamos o Ages
and Stages Questionnaires 2ª Edição (ASQ-2): A Parent-Completed Child-
Monitoring System, instrumento de avaliação utilizado no presente estudo.
McLean e Crais (2004) referem que o ASQ-2 é um instrumento que surge como
resposta ao desafio de incluir as famílias no processo de avaliação, aumentando
a eficácia da mesma e validando, assim, uma abordagem ecológica em IP.
De acordo com Squires, Potter e Bricker (1999) o ASQ-2 surgiu da necessidade de
existirem instrumentos de rastreio e monitorização do desenvolvimento, uma vez
que se observa uma crescente população de crianças em risco desenvolvimental e
uma maior preocupação na prevenção de alterações do desenvolvimento
estabelecidas. Na realidade americana, onde o instrumento foi desenvolvido,
estes factores impulsionaram a criação de programas apoiados pelas entidades
governamentais desenhados para identificar e acompanhar crianças em risco.
Neisworth e Bagnato (2000) referem que "a avaliação da criança necessita
de um enfoque na mudança dos próprios instrumentos de avaliação, que
possibilitem avaliações mais úteis, aceitáveis, autênticas, colaborativas,
convergentes, equitativas, sensíveis e congruentes" (p. 19) Assim,
seguindo a orientação de Carvalho (2004) que refere como principal recomendação
do seu estudo a construção de instrumentos adaptados à utilização das famílias
surge o tema do nosso trabalho Estudo Exploratório do ASQ-2.
A finalidade deste estudo é verificar se os resultados do ASQ-2 na versão
traduzida para português produzem os mesmos resultados que na versão original.
É um estudo de carácter exploratório que é caracterizado, segundo Almeida e
Freire (2000), "por um maior grau indutivo ou de descoberta de pontos de
continuidade ou de pregnância numa determinada realidade" (p. 26).
MÉTODO
No que respeita à metodologia utilizada é um estudo quantitativo "porque
tem como objectivo explicar, predizer e controlar os fenómenos e através da
objectividade dos procedimentos e da quantificação das medidas, tenta encontrar
regularidades e leis explicativas do seu objecto de estudo" (Almeida
& Freire, 2000, p. 27); observacional dado que "não existe
manipulação de intervenções directas sobre os indivíduos em estudo, limitando-
se o investigador à observação destes e suas características"; com uma
observação transversal "comparando os resultados obtidos num dado momento
nas medidas utilizadas" (Almeida & Freire, 2000, p. 84).
Participantes
A população deste estudo delimitou-se a famílias de crianças com idades
compreendidas entre os 4 e os 60 meses de idade e residentes no distrito de
Braga. A selecção da amostra teve por base o método de amostragem não
probabilístico, com uma amostra de conveniência, dividida em dezanove estratos
de idade: 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, 27, 30, 33, 36, 42, 48, 54 e
60 meses. Esta amostra foi recolhida através de contactos pessoais dos
investigadores e de infantários (Instituições Particulares de Solidariedade
Social). Desta forma, foi pedida autorização às Instituições, seguida de
convite a todas as famílias para participarem no estudo, feito pessoalmente
pelas educadoras das várias salas. Como os questionários são de auto-
administração foi solicitado aos pais/cuidadores que preenchessem o
questionário no domicílio durante as rotinas familiares e assinassem o
consentimento informado.
Foram definidos como critérios de selecção serem pais/cuidadores: (1) sem
doenças psiquiátricas ou mentais diagnosticadas; (2) alfabetizados, isto é,
terem o 1 ciclo de escolaridade; (3) de crianças sem história prévia de
problemas de saúde ou de desenvolvimento, nascidos de termo, sem internamento
na UCIN (Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais).
Participaram neste estudo 339 famílias representadas pelos pais/cuidadores e
crianças de ambos os géneros. Da análise do Quadro_1 verifica-se que a faixa
etária dos pais/cuidadores varia entre os 16 e os 50 anos, sendo a média de
31,8 anos e o desvio padrão de 5,1 e que a sua maioria (67,6%) se situa entre
os 26 e 35 anos. A maioria dos pais/cuidadores são do sexo feminino (79,4%) e
possuem habilitações literárias entre o 3º ciclo e o ensino secundário (45,1%).
Observa-se que a grande maioria das crianças provêem de famílias nucleares
(84,4%), com estatuto sócio-económico baixo ou médio baixo (47,8%) e que
frequentam o infantário (77,3%).
Instrumento
O sistema ASQ foi desenvolvido por Diane Bricker e Jane Squires com a ajuda de
Linda Mounts, Lawanda Potter, Robert Nickel, Elizabeth Twombly e Jane Farrell
tendo a 2ª edição sido publicada em 1999, nos EUA, pela Brookes Publishing
Company. Contudo, os estudos relacionados com o ASQ-2 tiveram início em 1980 e
a publicação da 1ª edição teve lugar em 1995. Actualmente, está disponível em
Inglês, Francês, Espanhol e em Coreano (apenas se encontram algumas idades).
Os objectivos da criação dos questionários do ASQ-2 (Bricker et al., 1999) são:
a monitorização compreensiva de grupos de crianças sem risco identificado, de
modo a rastrear alterações do desenvolvimento, identificando a necessidade de
avaliações mais específicas; e a monitorização do desenvolvimento de crianças
de risco desenvolvimental resultantes de factores médicos tais como, baixo peso
ao nascer, prematuridade, convulsões, ou de factores ambientais como pobreza,
pais com perturbações mentais, história de abuso e/ou negligência ou pais
adolescentes (Squires, Potter, & Bricker, 1999).
O ASQ-2 (Bricker et al., 1999) consiste num instrumento de rastreio e
monitorização de crianças entre os 4 e os 60 meses de idade de forma a
identificar a necessidade de avaliação adicional em possíveis atrasos no
desenvolvimento.
O sistema ASQ-2 (Bricker et al., 1999) é composto por 19 questionários
concebidos para serem preenchidos pelos pais ou cuidadores primários. Os
intervalos dos questionários incluem 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24,
27, 30, 33, 36, 42, 48, 54 e 60 meses de idade.
Cada questionário contém 30 itens do desenvolvimento que foram escritos numa
linguagem simples e directa, como por exemplo, na área da motricidade global
aos 42 meses, " A sua criança salta para a frente pelo menos 15
centímetros com ambos os pés juntos?"Os itens estão divididos em cinco
áreas, 6 itens por cada: Comunicação, Motricidade Global, Motricidade Fina,
Resolução de Problemas e Pessoal-Social. Uma área para Observações acrescenta
preocupações em geral por parte dos pais/cuidadores. Sempre que possível são
apresentadas imagens para auxiliar na compreensão dos itens. Como as idades das
crianças são bastante próximas, verifica-se que em grande parte dos
questionários, os três últimos itens são os primeiros do questionário seguinte.
Para os 30 itens de desenvolvimento, os pais assinalam simpara indicar que a
criança realiza o comportamento especificado no item, às vezespara indicar uma
resposta ocasional ou emergente por parte da criança, ou ainda nãopara indicar
que a criança ainda não realiza aquele comportamento. Para cotar um
questionário o profissional converte as respostas dos pais/cuidadores -
sim, às vezese ainda não- em pontos - 10, 5 e 0, respectivamente
- que são totalizados para cada área. A variação das respostas por área
vai de um mínimo de 0 a um máximo de 60 pontos. A pontuação total de cada área
é, então, comparada com valores limite obtidos pela subtracção de 2 desvios
padrões à média para cada área de desenvolvimento, em cada questionário. Se a
pontuação da criança cair abaixo do valor limite, recomenda-se uma avaliação
mais pormenorizada por um profissional para um futuro diagnóstico.
O material que compõe o instrumento consta de um manual do utilizador, 19
questionários fotocopiáveis, 19 folhas para sumário da informação e cotação
fotocopiáveis.
Para a administração dos questionários não é necessário material específico,
comprado exclusivamente para utilização na prova. Contudo, existe uma lista que
enumera o material necessário para realizar as tarefas em cada questionário,
tais como, meias, calças, camisolas, bolas, livros com imagens, tesouras de
pontas redondas, livros para colorir, espelho, lápis, entre outros. Algum do
material pode ser encontrado na casa da criança, outro é facilmente
transportado pelo profissional.
No estudo original de validação do ASQ-2 (Bricker et al., 1999) verifica-se que
a amostra é constituída por 2008 elementos, 53% (n=1068) de meninos e 47%
(n=940) de meninas, com idades compreendidas entre os 4 e os 36 meses.
Posteriormente, uma amostra adicional de 320 famílias participou nos estudos
para os questionários dos 48 aos 60 meses. Como o estudo original decorreu ao
longo de vários anos, existem elementos da amostra que preencheram mais do que
um questionário, por exemplo, 62 elementos preencheram oito questionários (4,
8, 12, 16, 20, 24, 30 e 36 meses) e 950 elementos responderam a um só
questionário. Para o estudo das qualidades psicométricas foram utilizadas sub-
amostras de crianças, isto é, dos 19 questionários são apresentados resultados
para apenas 10 (4, 8, 12, 16, 20, 24, 30, 36, 48, e 60 meses). A fidelidade foi
testada com recurso à análise da consistência interna, incluindo o coeficiente
alpha de Cronbach e a correlação produto-momento, rde Pearson, fidelidade
teste-reteste e interobservador (Squires, Potter, & Bricker, 1999).
O coeficiente de correlação produto-momento, rde Pearson, foi calculado para o
total de cada área com o valor total de cada questionário, obtido através da
soma dos totais das cinco áreas de desenvolvimento. Os resultados variam entre
0,70 e 0,81 para os 4 meses, de 0,72 a 0,79 para os 8 meses, de 0,70 a 0,81
para os 12 meses, de 0,54 a 0,76 para os 16 meses, de 0,66 a 0,77 para os 20
meses, de 0,63 a 0,76 para 24 meses, de 0,69 a 0,83 para os 30 meses, de 0,73 a
0,83 para os 36 meses, de 0,66 a 0,82 para os 48 meses e de 0,44 a 0,58 para os
60 meses. Todas as correlações são significativas para um p<0,0001 (Squires,
Potter, & Bricker, 1999).
A correlação rde Pearson foi, inicialmente, calculada entre cada uma das áreas
de desenvolvimento e, posteriormente, entre estas e o valor total de cada
questionário. Todas as correlações são positivas e significativas para p<0,0001
(Squires, Potter, & Bricker, 1999).
O coeficiente alpha de Cronbach foi calculado para as cotações por área nos
questionários individuais. Para a área Comunicação, os valores de alpha
situaram-se nos intervalos de 0,63 nos 4 meses a 0,75 aos 24 meses. Para a área
motricidade global, os valores de alpha situaram-se nos intervalos de 0,53 aos
4 meses a 0,87 aos 12 e 16 meses. A área da motricidade fina obteve
coeficientes de alpha entre os intervalos 0,49 aos 20 meses a 0,79 aos 8 meses.
Para a área resolução de problemas os valores de alpha ficaram entre 0,52 aos
20 meses a 0,75 aos 8 meses. Finalmente, na área pessoal-social, os valores de
alpha situaram-se entre 0,52 aos 16 meses a 0,68 aos 12 meses (Squires, Potter,
& Bricker, 1999).
A fiabilidade teste-reteste foi determinada comparando os resultados de dois
questionários preenchidos por 175 pais com intervalo de 2 semanas. A
concordância entre as respostas dadas nos dois questionários foi de 94%. O
desvio padrão foi de 0,10 (Squires, Potter & Bricker, 1999).
A fiabilidade inter-observador foi determinada comparando os resultados obtidos
nos questionários preenchidos por um examinador experiente após o preenchimento
dos mesmos questionários pelos pais. A fiabilidade inter-observador medida em
percentagem de concordância entre classificações baseadas nos questionários
preenchidos por 112 pais e os preenchidos por 2 examinadores foi de 94%. O
desvio padrão foi de 0.12 (Squires, Potter, & Bricker, 1999).
A validade do intrumento original foi observada comparando o desempenho das
crianças no ASQ com os resultados obtidos em testes estandardizados,
administrados por profissionais, num intervalo de 29 dias. A Escala de
Desenvolvimento Comportamental de Gesell e Amatruda, Escala Bayley de
Desenvolvimento Infantil foram usadas para crianças até aos 30 meses. A Escala
de Inteligência Stanford-Binet e a Escala McCarthy de Aptidões e
Psicomotricidade para Crianças, foram utilizadas em crianças dos 3 (36 meses)
aos 4 anos (48 meses). O Inventário de Desenvol vimento Battelle foi utilizado
em crianças com 5 anos (60 meses) (Squires, Potter, & Bricker, 1999).
Respeitante à validade concorrente a percentagem de concordância entre os
questionários preenchidos pelos pais e as medidas estandardizadas variou entre
os 76% para os 4 meses e os 91% para os 36 meses, com um total de 84% de
concordância (Squires, Potter, & Bricker, 1999).
No que concerne à capacidade do ASQ-2 (Bricker et al., 1999) para detectar
crianças classificadas como tendo um atraso de desenvolvimento no ASQ-2
(Bricker et al., 1999) e nas medidas estandardizadas, variou entre os 51% para
o questionário dos 4 meses e os 90% para o questionário dos 36 meses, com um
total de concordância de 72%. Em relação à especificidade a proporção de
crianças identificadas como tendo um desenvolvimento dentro da normalidade no
ASQ e nas medidas estandardizadas variou entre os 81% para os 16 meses e os 92%
aos 36 meses, com um total de concordância de 86%. Apesar de os resultados em
relação à sensibilidade serem inferiores aos obtidos para a especificidade,
numa análise realizada em separado foi possível verificar que a capacidade do
ASQ-2 (Bricker et al., 1999) identificar crianças com atraso do desenvolvimento
estabelecido é alta (96%) (Squires, Potter, & Bricker, 1999).
Procedimentos
A primeira etapa deste estudo consistiu na tradução do ASQ-2 (Bricker et al.,
1999) original na Língua Inglesa para a Língua Portuguesa, tendo esta sido
autorizada pela autora. Durante este processo contamos com a colaboração, em
forma de consultadoria, de um profissional bilingue independente, cuja língua
materna é o Português. Posteriormente, foi lido por dois profissionais da área
do desenvolvimento da criança de forma a avaliar a equivalência cultural e
conceptual do instrumento. O segundo momento consistiu na administração de um
pré-teste do ASQ-2 a uma amostra restrita da população alvo como forma de
verificar a compreensão do instrumento. Participaram neste pré-teste dezanove
pais/cuidadores de crianças, correspondendo às idades dos questionários em
questão para este estudo.
Uma segunda etapa deste estudo consistiu na distribuição, em mão, dos
questionários do ASQ-2 versão portuguesa, acompanhados de um consentimento
informado e de uma ficha de caracterização sócio-demográfica. Os questionários
são de auto-administração, foi então solicitado aos pais/cuidadores que
preenchessem o questionário no domicílio, de forma independente, durante as
rotinas familiares.
Análise dos dados
De um total de 600 questionários distribuídos recolhemos 339 o que equivale a
uma taxa de retorno de 56,5%. De seguida os dados foram armazenados num
ficheiro do SPSS, posteriormente submetidos a uma análise com recurso a
estatística paramétrica (Pestana & Gageiro, 2005). A análise das qualidades
psicométricas do ASQ-2 baseou-se essencialmente na análise da sensibilidade e
fidelidade através do coeficiente Alpha de Cronbach e coeficiente de Bipartição
(Split-half). A validade foi observada através de coeficiente produto momento,
rde Pearson.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na amostra estudada verifica-se que nas áreas motricidade global, aos 8 e 12
meses e motricidade fina aos 36 meses se encontra a máxima variação possível
nas respostas, entre um mínimo de 0 e um máximo de 60. O questionário que
apresenta a maior média é a comunicação aos 54 meses (56,9), sendo também a
área que apresenta menor desvio padrão (4,7). A área que apresenta a menor
média (33,8) é a motricidade fina aos 30 meses e o desvio padrão mais elevado
(20,6) encontra-se no questionário dos 14 meses na área motricidade global.
Relativamente à comparação das medidas média e mediana observa-se que, em todas
as áreas de desenvolvimento, os valores se encontram próximos indicando uma
distribuição próxima do normal, Quadro_2.
Quando comparamos os resultados das média e desvio padrão do instrumento
original com o instrumento traduzido, Quadro_2, encontramos resultados abaixo
do esperado nas áreas resolução de problemas aos 20 e 24 meses, pessoal-social
aos 24 meses e motricidade fina aos 30 meses. As restantes áreas apresentam
valores próximos da média.
Sensibilidade
No sentido de verificar a sensibilidade dos itens recorremos às medidas de
curtose e assimetria. Verificamos que as áreas motricidade fina aos 4, 10 e 12
meses, motricidade global aos 12 meses, a área pessoal social aos 16 meses,
assim como a área de comunicação aos 24, 27, 33 e 36 meses e aos 36 meses nas
áreas resolução de problemas e pessoal-social apresentam valores indicativos de
uma distribuição muito afastada da normal. De um modo geral, pode considerar-se
que os itens que constituem o ASQ-2 traduzido, entre os 4 e 60 meses, são
satisfatórios pois os valores de curtose e assimetria, na sua maioria, se
encontram próximos de uma distribuição normal.
Fidelidade
A fidelidade do ASQ-2 traduzido foi calculada através do índice de consistência
interna (α de Cronbach) e o coeficiente de bipartição (Split-half). O Quadro_3
apresenta os valores de consistência interna de cada área de desenvolvimento.
Os valores de α de Cronbach variam entre 0,70 na área pessoal-social e 0,75 na
área motricidade global indicadores de razoável consistência interna nas várias
áreas dos 19 questionários. Observamos também que, todos os valores melhoram
quando analisados através do coeficiente de bipartição, variando este entre
0,83 nas áreas comunicação e pessoal-social e 0,88 na área motricidade global,
indicando assim boa consistência interna.
Validade
O coeficiente rde Pearson foi calculado entre o total de cada área de
desenvolvimento, incluindo a mesma, e o total do questionário para cada
intervalo de idade. Da leitura do Quadro_4 podemos observar que a grande
maioria das associações são positivas, moderadas a fortes. Verificamos que a
área da comunicação é a que apresenta valores mais baixos de rde Pearson
nomeadamente nas idades mais baixas, aos 4, 6 e 8 meses com valores de 0,35,
0,20 e 0,31 respectivamente. Estes resultados podem explicar-se pelo facto dos
observadores não estarem sensibilizados para identificarem ou não competências
do bebé, que nestas idades ainda são pouco objectivas. Também nesta área é onde
encontramos a única correlação com valor negativo, -0,16, fraca, aos 16 meses.
Observamos que a área motricidade fina aos 54 meses é que apresenta a
correlação positiva, 0,93 e mais forte a um nível de significância de 0,01. De
uma forma geral os resultados obtidos neste estudo reproduzem os do estudo
original.
Comparando os resultados obtidos neste estudo com os do original observa-se que
no questionário dos 4 meses na versão traduzida a área da comunicação e
motricidades global apresentam correlações positivas mas fracas. As restantes
áreas apresentam correlações positivas, moderadas a fortes variando desde um
valor mínimo de 0,61 na área pessoal social até um valor máximo de correlação
na área de motricidade fina 0,89. No estudo original as correlações variam
desde 0,70 na área de motricidade global até 0,81 nas áreas motricidade fina e
resolução de problemas.
Relativamente ao questionário dos 8 meses verifica-se que existe uma correlação
positiva e fraca para a área da comunicação com valor de 0,20. Todas as outras
áreas apresentam correlações positivas e fortes, que variam entre 0,71 na área
motricidades global e 0,91 na área motricidades fina. No estudo original as
correlações variam desde 0,72 na área da comunicação até 0,79 nas áreas
motricidade fina, resolução de problemas e pessoal-social.
Aos 12 meses, este estudo revela que todas as áreas estão correlacionadas de um
modo positivo e moderado a forte, sendo que o valor de correlação mais baixo,
r=0,68, se situa na área da comunicação e o mais alto está na área de resolução
de problemas (r=0,81). O estudo original mostra que as correlações, no
questionário dos 12 meses variam desde 0,70 na área de motricidade global até
0,83 na área pessoal social.
No questionário dos 16 meses na versão traduzida a área da comunicação
apresenta uma correlação negativa e fraca, -0,16, aos 16 meses. As restantes
áreas apresentam correlações positivas e moderadas a fortes variando desde um
valor mínimo de 0,58 na área pessoal social até um valor máximo de correlação
na área de motricidade fina 0,80. No estudo original as correlações variam
desde 0,54 na área de motricidade global até 0,76 na área da motricidade fina.
Neste estudo, relativamente ao questionário dos 20 meses verifica-se que existe
uma correlação fraca para a área pessoal-social com valor de 0,43. Todas as
outras áreas apresentam correlações positivas e fortes, registando-se que a
área da motricidade global apresenta uma correlação de 0,72 e a área de
comunicação uma correlação de 0,91. No estudo original as correlações variam
desde 0,66 na área de motricidade fina até 0,77 na área da resolução de
problemas.
Aos 24 meses, este estudo revela que todas as áreas estão correlacionadas de um
modo positivo e forte, sendo que o valor de correlação mais baixo, de 0, 75
está na área da comunicação e o mais alto está na área de resolução de
problemas (r=0,88). O estudo original mostra que as correlações, no
questionário dos 24 meses variam desde 0,63 na área de motricidade global até
0,76 na área da resolução de problemas e pessoal social.
Comparando os resultados obtidos neste estudo com os do original, para os 30
meses observase que todas as áreas, excepto a da comunicação (r=0,45),
apresentam correlações moderadas a fortes variando desde um valor mínimo de
0,62 na área de resolução de problemas até um valor máximo de correlação na
área de motricidade fina, 0,77. No estudo original as correlações variam desde
0,60 nas áreas de motricidade global e pessoal-social até 0,83 na área de
resolução de problemas.
Relativamente ao questionário dos 36 meses, verifica-se que existe uma
correlação positiva, moderada a forte em todas as áreas registando-se o valor
mais baixo na área da motricidade global (r=0,48) e o mais alto nas áreas da
motricidade fina e pessoal-social (r=0,90). No estudo original as correlações
variam desde 0,73 na área pessoal-social até 0,83 na área de resolução de
problemas.
Aos 48 meses, este estudo revela que as áreas da motricidade global e da
resolução de problemas apresentam correlações positiva mas mais fracas do que
as restantes com 0,22 e 0,42, respectivamente. As restantes áreas têm
correlações a variar entre 0,67 na comunicação e 0,78 na motricidade fina e
pessoal-social. O estudo original mostra que as correlações, no questionário
dos 48 meses variam desde 0,66 na área de resolução de problemas até 0,82 na
área da motricidade fina.
Para o questionário dos 60 meses obtiveram-se correlações positivas e moderadas
a fortes em todas as áreas de desenvolvimento excepto nas áreas da motricidade
fina e pessoal-social, 0,5 e 0,44, respectivamente. Contudo comparando os
valores do instrumento original para estas mesmas áreas verifica-se que são
muito semelhantes, 0,55 para a motricidade fina e 0,48 para a pessoalsocial.
Para as restantes áreas observam-se valores de correlação superiores no estudo
traduzido. Neste a correlação varia entre 0,69 na área de resolução de
problemas e 0,87 na comunicação. No instrumento original a correlação varia
entre 0,44 na comunicação e 0,58 na motricidade global.
Para analisar a correlação entre as várias áreas de desenvolvimento recorremos
à análise do Coeficiente rde Pearson. Verificamos que todas as áreas de
desenvolvimento estão positiva e fortemente correlacionadas entre si a um nível
de significância de 0,01. As mais correlacionadas são Resolução de Problemas
com a área Pessoal-Social um valor de rde Pearson de 0,46, Quadro_5.
CONCLUSÃO
Em Portugal, vários são os esforços no sentido da implementação das práticas
centradas na família, existindo estudos sobre a forma como esses programas
estão a ser desenvolvidos. De um modo geral, revelam alterações dos
comportamentos por parte de Profissionais, afastando assim as suas intervenções
do modelo médico; no entanto salientam-se ainda dificuldades na implementação
de práticas centradas na família, sendo considerado o momento de avaliação, uma
das etapas em que facilmente, as práticas entram em conflito com os princípios
de uma abordagem centrada na família (Carvalho, 2004; Pereira, 2009). No que
respeita a uma fase importante de todo o processo de intervenção com famílias,
a avaliação não obedece às recomendações feitas, uma vez que se continuam a
perpetuar falhas a este nível (Pimentel, 2005). As práticas de avaliação em IP
traduzem-se na sua maioria por uma visão monodisciplinar ou multidisciplinar,
centrada nos défices da criança, é feita com o objectivo de traçar um
diagnóstico e não um prognóstico, descontextualizadas, ignorando as
necessidades da família e a sua opinião (Bairrão & Almeida, 2002, 2003;
Carvalho, 2004; Pimentel, 2005). Importa também referir que, a fase da
avaliação, pelo facto de ser o início de um processo, dita a forma como a
família e profissionais se vão posicionar durante todo o processo de
intervenção.
No contexto da realidade portuguesa, importa salientar a escassez e até
inexistência de instrumentos de avaliação que permitam à família participar
activamente nesta, e de transmitir as suas preocupações e prioridades em
relação ao seu filho. Almeida, 2004 citando Bailey e Wolery (2002), refere que
esta é uma das áreas, que deveria ser prioritária, para a investigação em IP.
O ASQ-2 (Bricker et al., 1999) é um instrumento referenciado na bibliografia
com sendo utilizado, nos Estados Unidos da América, nos programas de IP e
também como ferramenta de ensino da avaliação do desenvolvimento a estudantes
de medicina (Nicol, 2006). Outro aspecto relevante deste instrumento refere-se
à sua potencialidade para capacitar os pais, ajudando-os a adquirir
conhecimentos acerca do desenvolvimento, através da sua utilização. Ao
avaliarmos as suas qualidades psicométricas para uma amostra da população
portuguesa tentamos iniciar assim, o processo de tradução/adaptação deste
instrumento para população portuguesa.
No que concerne às qualidades psicométricas registou-se que o ASQ-2 na versão
portuguesa evidenciou que na sensibilidade os valores de curtose e assimetria
dos itens, na sua maioria, se encontram próximos de uma distribuição normal; na
fidelidade os valores de Alpha de Cronbach para os totais revelam boa
consistência interna; na validade os valores de rde Pearson para totais indicam
correlações significativas na maior parte das áreas nos diferentes
questionários.
Os resultados obtidos são atraentes, evidenciando a viabilidade da adaptação
deste instrumento à população portuguesa.
Como investigações futuras sugerimos realizar um estudo numa amostra
representativa da população portuguesa de forma a traduzir e adaptar o ASQ-2
(Bricker et al., 1999) à mesma; adequar os pontos limite para a população
portuguesa; estudar a fidelidade temporal e interobservador; avaliar a validade
concorrente do ASQ-2 (Bricker et al., 1999), cruzando os resultados obtidos com
os resultados de outros instrumentos de avaliação do desenvolvimento existentes
para a população portuguesa; observar a possível relação do ASQ-2 (Bricker et
al., 1999) com variáveis relacionadas com o desenvolvimento.