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EuPTCVHe1646-69182014000300008

National varietyEu
Year2014
SourceScielo

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Adenomiose da papila de Vater

INTRODUÇÃO Os tumores benignos da papila são pouco frequentes (1); de entre estes a adenomiose têm uma incidência rara. A pesquisa bibliográfica sobre o tema é reflexo disso mesmo, uma vez que se encontram apenas 9 artigos específicos publicados sobre esta temática, indexados na US National Library of Medicine do National Institutes of Health (PubMed).

A importância destas lesões prende-se com o facto de poderem ser causa de icterícia obstrutiva e com a possibilidade de se tratarem de lesões pré- malignas (2) uma vez que existem casos de adenomiose associados a adenocarcinoma da papila.

A anatomia da papila é muito complexa, consistindo em 3 epitélios distintos: epitélio do ducto biliar, do ducto pancreático e da mucosa duodenal; existindo a hipótese de ocorrer a sequência adenoma-displasia-carcinoma (3).

CASO CLÍNICO Doente do sexo feminino, 75 anos de idade, com antecedentes de hipertensão arterial, diabetes mellitus, cardiopatia hipertensiva e fibrilhação auricular paroxística; hipocoagulada e seguida em consulta de medicina interna.

Antecedentes cirúrgicos de cirurgia por meningioma cerebral aos 55 anos de idade e de biopsia excisional de fibroadenoma mamário aos 64 anos.

Em Novembro de 2012 e por apresentar queixas de astenia e emagrecimento ' 13 kg em 2 mesesrealizou TAC abdominal que evidenciou dilatação da via biliar principal e nódulo sólido mal definido cefalo-pancreático com 16 mm de diâmetro (Figura_1A_e_1_B).

Analiticamente sem critérios de colestase; marcadores tumorais: CEA e ca 19.9 não elevados.

A doente foi enviada à consulta de Cirurgia três meses após o início das queixas; nessa altura (Fevereiro de 2013) apresentava-se anictérica.

Foi pedida nessa data TAC pancreática, que evidenciou: dilatação da via biliar principal (11 mm), sem significativa dilatação das vias biliares intra- hepáticas; ligeira dilatação do ducto pancreático (3 mm) e área vagamente nodular de limites imprecisos discretamente mais hipodensa que o parênquima pancreático, com uma extensão de 16 mm. Repetiu estudo analítico, continuando a não se observar colestase e elevação dos marcadores séricos CEA e ca 19.9, sendo de realçar o aparecimento de anemia ligeira.

A doente foi proposta para duodenopancreatectomia cefálica que decorreu sem complicações, tendo tido alta ao 30º dia pós operatório; o motivo do longo período de internamento prendeu-se com questões sociais.

Ao exame macroscópico da peça operatória não foi visível ou palpável qualquer nódulo cefalopancreático; verificada acentuada dilatação da via biliar principal e área de protusão da papila de Vater. O exame histológico da peça operatória revelou: adenomiose da papila (Figura_2).

DISCUSSÃO Os adenomiomas consistem em ductos pancreatobiliares agrupados em configuração lobular e rodeados de fascículos de músculo liso (4).

A idade dos pacientes nos casos publicados até então, foi em média de 66 anos.

O diagnóstico pode ser suspeitado por endoscopia, sendo confirmado por exame histológico. Numa série de 41 doentes, publicada em 1999 (3), Beger e colaboradores, defendem que o exame histológico pré-operatório obtido por endoscopia, diferencia corretamente entre lesões malignas e benignas da papila em 90% dos casos.

Com uma incidência tão baixa a adenomiose da papila é uma hipótese diagnóstica raramente pensada; clinicamente, estas lesões podem ser assintomáticas, ou estarem associadas a dor epigástrica, icterícia, náuseas, vómitos e emagrecimento; no caso da paciente analisada, esta não apresentava até ao momento colestase, dor ou vómitos. O diagnóstico pré-operatório que motivou a indicação para duodenopancreatectomia cefálica, foi no nosso caso, o achado de um nódulo sólido da cabeça do pâncreas, visualizado em duas Tomografias axiais,abdominal e pancreática, realizadas em 2 momentos distintos. No intra- operatório e aquando do exame macroscópico da peça de duodenopancreatectomia, constatou-se a ausência de nódulo pancreático identificável e a presença de uma protusão da papila com acentuada dilatação da via biliar.

Quando o diagnóstico de adenomiose é suspeitado pré-operatóriamente o tratamento consiste na ressecção local da lesão, evitando a duodenopancreatectomia cefálica (5).

CONCLUSÕES Com uma incidência tão baixa a adenomiose da papila é uma hipótese diagnóstica raramente colocada; quando o diagnóstico de adenomiose é suspeitado pré- operatóriamente, o tratamento consiste na ressecção local da lesão, evitando a duodenopancreatectomia cefálica.


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