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EuPTCVHe0872-81782013000400009

National varietyEu
Year2013
SourceScielo

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Tumor de Abrikossoff do esófago INSTANTÂNEO ENDOSCÓPICO

Tumor de Abrikossoff do esófago Abrikossoff's tumor of the esophagus

Cláudia Cardoso∗, Ricardo Freire e Ana Paula Oliveira Serviço de Gastrenterologia, Centro Hospitalar de Setúbal, Setúbal, Portugal *Autor para correspondência

Homem de 50 anos, raça branca, submetido a endoscopia digestiva alta por queixas dispépticas. Observou-se um pólipo séssil com 10 mm de diâmetro no 1/ 3 inferior do esófago, de aparente origem subepitelial (fig._1), que se removeu com ansa diatérmica. A histologia foi compatível com tumor de células granulares, com margens livres (figs._2 e 3). A endoscopia de controlo, realizada após 12 meses, não mostrou evidência de recidiva tumoral.

O tumor de células granulares foi descrito pela primeira vez em 1926 por Abrikossoff. Pode surgir em qualquer órgão, sendo a língua, a pele e a glândula mamária os locais mais frequentemente atingidos1. O envolvimento do tubo digestivo ocorre em cerca de 5% dos casos. Destes, 1/3 localizam-se no esófago e podem ser múltiplos2. Na sua génese têm sido implicadas várias células, incluindo mioblastos, fibroblastos e histiócitos. A maioria dos investigadores sustenta, porém, uma etiologia neural, fundamentada na presença de mielina e na positividade para a proteína S-1003, sendo que a sua designação deriva da acumulação de lisossomas secundários no citoplasma.

Os tumores com localização esofágica afetam predominantemente doentes do sexo masculino, com um pico de incidência entre a 4.a e a 6.a décadas de vida. Na sua maioria, são achados endoscópicos. Quando sintomáticos, a disfagia, a regurgitação e a dor retroesternal são as queixas mais comuns. O aspeto endoscópico habitual é o de um pólipo séssil, com dimensão inferior a 2 cm, de consistência dura e coloração amarelada, recoberto por mucosa normal e situado no 1/3 distal do esófago. A ecoendoscopia digestiva, na qual se observam lesões hipoecoicas ou isoecoicas, homogéneas, com bordos regulares, por vezes com um halo periférico, na dependência da mucosa profunda/submucosa (2.a e 3.a camadas), poderá ter utilidade na realização de biopsia e na avaliação da viabilidade da ressecção4. Histologicamente, são formados por grupos de células ovoides ou poligonais, com citoplasma eosinofílico, delimitados por septos de tecido conjuntivo, localizados na camada mucosa e submucosa. Por vezes, o epitélio a recobrir a lesão apresenta hiperproliferação, associada ou não a alterações pseudoepiteliomatosas, que podem levar a um diagnóstico erróneo de carcinoma epidermoide quando as biopsias são superficiais. No estudo imuno- histoquímico, a proteína S-100 é o marcador mais característico, embora não específico. Outros marcadores, como o CD57, a enolase neuronal específica, a vimentina e a nestina, podem também estar presentes. A maioria destes tumores é benigna, verificando-se um comportamento maligno em apenas 1-3% dos doentes. A recorrência local, o tamanho superior a 4 cm, o crescimento infiltrativo, o aumento das dimensões da lesão em relação ao tamanho inicial ou a invasão linfática devem aumentar a suspeita de malignidade, que se associa a um risco de mortalidade de 40%5.

Não existem consensos relativamente ao tratamento. A excisão, endoscópica ou cirúrgica, é considerada a terapêutica de primeira linha. A opção pelo tratamento endoscópico deverá ser reservada para tumores com <20mm e ausência de invasão da muscularis própria, associando-se, contudo, a um risco de recorrência de 5-10%. Alguns autores sugerem que lesões de menores dimensões e assintomáticas podem ser vigiadas por ecoendoscopia, com base em relatos de seguimento superior a 10 anos sem evidência de evolução da doença.

Face à sua raridade, não está estabelecida a periodicidade de vigilância após a ressecção destes tumores4.


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