TEITOK@C-I   |   Corpora@C-I   |   CELGA-ILTEC   |   Contacto

EN | PT

Text view

EuPTCVHe0872-81782007000200009

National varietyEu
Year2007
SourceScielo

Javascript seems to be turned off, or there was a communication error. Turn on Javascript for more display options.

TRATAMENTO CIRÚRGICO

O tratamento cirúrgico, na doença de Crohn, surge como uma alternativa válida para a resolução de complicações agudas ou alívio de sintomas, e torna-se necessário em 70 a 80% dos doentes, pelo menos uma vez, ao longo da vida (1).

A prevalência da doença nos segmentos mais proximais do tubo digestivo é baixa, variando no estômago e duodeno entre os 0,5 e 4% (2, 3, 4 e 5). A indicação para cirurgia, na maioria dos casos, são os sintomas obstrutivos, sendo a dor refractária, a hemorragia e a perfuração menos frequentes (4, 5, 6 e 7). As técnicas cirúrgicas que envolvem ressecção têm indicações muito limitadas devido a uma morbimortalidade muito elevada, nalgumas séries quatro vezes superior á estenosoplastia ou "by-pass". A gastrojejunostomia, duodenojejunostomia, gastroduodenostomia e a estenosoplastia acompanham-se de morbimortalidade aceitável sendo a sua complicação mais frequente o atraso de esvaziamento, que se estabelece em cerca de um quarto dos casos (5 e 8). O uso sistemático de vagotomia, para prevenir as úlceras da boca anastomótica, é controverso, não estando provado o seu interesse (4, 5, 9).

Para a doença com sede intestinal a ressecção constitui a melhor opção cirúrgica, particularmente se a localização é ileo-cecal e é a primeira intervenção. O tipo de anastomose não parece afectar a taxa de recorrência (1,10,11), no entanto uma anastomose ampla latero-lateral tende a relacionar-se com uma melhor evolução (12). A presença de doença microscópica nas margens de ressecção condiciona a mesma taxa de recorrência que margens histologicamente saudáveis (13). A aceitação das estenosoplastias como forma de tratamento da doença estenosante veio diminuir muito o risco de desenvolvimento de sindroma do intestino curto, sem acréscimo da taxa de recorrência (14). O "By-pass", pelo risco de aparecimento de neoplasias no segmento excluído deve ser evitado.

Quando a doença envolve o cólon, as opções terapêuticas variam entre a ileostomia derivativa e a coloprotectomia total. A escolha do procedimento depende da extensão e localização da doença, da urgência da intervenção e do estado geral do doente.

A ileostomia derivativa tem, nos dias de hoje, indicações mais limitadas do que uma década atrás, podendo ser utilizada como forma terapêutica em indivíduos que não toleram cirurgia extensa de ressecção, ou temporariamente como forma de promover a cicatrização de doença cólica ou anoperineal com vista a ressecções mais limitadas (15). Em doença localizada (menos de 20cm de extensão) a ressecção segmentar é a opção mais adequada (16), embora se acompanhe de uma taxa de recorrência bastante elevada (62% aos cinco anos) (17). A colectomia total com anastomose ileorectal deve estar reservada para os doentes que têm doença de Crohn cólica extensa com o recto poupado, situação que pode surgir em 25 a 50% dos casos. Com esta cirurgia, ao fim de 10 anos, 64% dos doentes podem vir a desenvolver doença no recto e/ou intestino delgado (18,19). A coloprotectomia total com ileostomia terminal surge como opção quando envolvimento intenso e refractário da região anorectal e eventualmente perineal.

Nestes casos, a probabilidade de reaparecimento de doença, varia entre os 3,3 e os 46% (16, 20, 21), sendo quase sempre nos últimos 25 cm de intestino incluindo a ileostomia. Num pequeno número de doentes podem surgir problemas na cicatrização da ferida perineal, com períodos de atraso que chegam a atingir o ano, ou mesmo ausência de encerramento completo da ferida. O recurso a coloprotectomia total com anastomose ileoanal e bolsa ileal deve ser evitada dado o elevado risco de "bolsite" com todas as consequências que esta situação acarreta.

Em todos estes procedimentos a escolha do método de abordagem, laparotomia ou laparoscopia, depende da experiência do cirurgião, sendo que a última, comparativamente á primeira, se acompanha de uma diminuição da dor no pós operatório, do tempo de internamento, do período de incapacidade para o trabalho e da probabilidade de desenvolvimento de bridas e aderências. (22) O tratamento da doença de Crohn com localização anoperineal continua controverso. Historicamente, o receio da incapacidade de cicatrização e de incontinência fecal, condicionava a terapêutica a pequenos gestos apenas com o objectivo de controlar a sepsis. Actualmente, o advento de novas e eficazes opções medicamentosas, veio permitir maior agressividade na abordagem cirúrgica desta região. As situações mais frequentes e respectivas soluções cirúrgicas encontram-se resumidas no Quadro I.

Todas estas situações devem ser alvo de terapêutica combinada cirúrgica e médica, sendo esta última necessariamente agressiva, de preferência com abordagem do tipo "top-down", não para obter a cicatrização mas fundamentalmente para a manter a longo prazo. A doença de Crohn é dos exemplos mais evidentes da necessidade de uma estreita colaboração entre gas- trenterologista e cirurgião colorectal para a obtenção de bons e duradouros resultados no tratamento.

Opção terapêutica

Mariscas

Excisar se forem dolorosas, interferirem severamente com a higiene ou houver suspeita de malignidade

Fissura

Esfincterotomia lateral interna alfaiatizada se muito sintomática e hipertonia esfincteriana presente Retalho cutâneo de avanço se muito sintomática ausência de hipertonia e doença em remissão

Abcesso

Dimensão reduzida: drenagem por punção.

Grande dimensão e/ou recidivante: drenagem ampla (desbridar se necessário) e procurar trajecto fistuloso

Fístula

Superficial ou interesfinctérica - fistulotomia Transesfinctérica ou complexa - Fistolotomia/"seton" não cortante Extra ou Supra esfíncteriana - retalho endorectal se mucosa rectal normal, caso contrário "seton" não cortante

Estenose Anal

Dilatação digital Retalho cutâneo de avanço se ausência de actividade da doença e esfíncter funcionante Diversão fecal com ou sem protectomia

Incontinência fecal

Reparação do esfíncter nas lesões iatrogénicas se ausência de doença activa Estoma derivativo se destruição muscular


Download text